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22 de Novembro de 2018

ARTISTA Angelo Agostini

Texto: Bolsa de Arte/André Seffrin



Angelo Agostini 1843, Vercelli, Itália 1910, Rio de Janeiro, RJ

Biografia: Estudou pintura em Paris, transferindo-se para o Brasil em 1859. Fixando-se em São Paulo, iniciou suas atividades de caricaturista em O Diabo Coxo (1864). Com o clima político agitado e a depredação das redações de semanários e jornais liberais em que colaborava na época, foi obrigado a mudar-se para o Rio de Janeiro. Em 1867, passou a colaborar em O Arlequim, A Vida Fluminense, O Mosquito etc. Com a Revista Ilustrada (de 1876 a 1891), mais importante manifestação da imprensa humorística e política do século XIX no Brasil, conheceu a glória e comprou brigas pesadas. Nessa revista, começou a publicar As Aventuras do Zé Caipora (segundo Herman Lima, a primeira história em quadrinhos de longa duração na imprensa brasileira), posteriormente publicadas em D. Quixote e O Malho. Sob o pseudônimo de "lo", contava a história do Pai João, em O Tico-Tico (de O Malho). Com suas ilustrações, alegorias e caricaturas, defendeu os ideais abolicionistas e republicanos. Conquistou assim a consagração dos círculos liberais: em homenagem pública, Joaquim Nabuco se referiu à Revista Ilustrada como tendo sido a "Bíblia abolicionista do povo que não sabia ler". Dedicou-se também à pintura e à crítica de arte. Participou várias vezes do Salão Nacional de Belas Artes e realizou individual no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro em 1882. Em 1968, o cineasta Luiz Carlos Lacerda realizou o curta metragem Angelo Agostini: sua pena, sua espada. A seu respeito escreveu Walmir Ayala: "Consagrou-se como desenhista de humor, linguagem com que exerceu a vergasta na defesa de causas sociais, sendo considerado ainda um dos responsáveis pela renovação técnica da imprensa brasileira. Pelas idéias liberais, antiescravistas e republicanas, que inspiravam sua atividade jornalística, tornou-se, em pouco tempo, alvo da hostilidade dos círculos conservadores, sentimento esse acirrado por sua condição de estrangeiro."

Referências: A arte brasileira (Lombaerts, 1888, 2. ed. Mercado de Letras, 1995, introdução e notas de Tadeu Chiarelli), de Gonzaga Duque; História da arte no Brasil (Oscar Mano & Cia, 1939), de Francisco Acquarone; Artistas pintores no Brasil (São Paulo, 1942), de Teodoro Braga; História da pintura no Brasil (Leia, 1944), de José Maria dos Reis Júnior; História da caricatura no Brasil (José Olympio, 1963), de Herman Lima; Histórias de presidentes: a República no Catete (Vozes/Fundação Casa de Rui Barbosa, 1989), de Isabel Lustosa; Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: 1816-1994 (Topbooks, 1995), de Frederico Morais; Iconografia paulistana do século XIX (Metalivros, 1998), de Pedro Corrêa do Lago; Caricaturistas brasileiros: 1836-1999 (Sextante, 1999), de Pedro Corrêa do Lago; Uma introdução à história do design (Edgard Blücher, 2000), de Rafael Cardoso Denis; Iconografia do Rio de Janeiro 1530-1890: catálogo analítico (Casa Jorge Editorial, 2000), de Gilberto Ferrez; Cabrião (Unesp, 2001), organização de Delio Freire dos Santos; As aventuras de Nhô-Quim e Zé Caipora: os primeiros quadrinhos brasileiros (Senado Federal, 2002), organização de Athos Eichler Cardoso.

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