| DEBRET, Jean Baptiste
(1768, Paris, França - 1848)
Começou
seus estudos de arte acompanhando o célebre pintor Louis David na sua
viagem a Roma na época em que pintou a tela Juramento dos Horácios
(consta que David era seu primo). Retornando da Itália, freqüentou a
Escola de Belas Artes de Paris, em 1785, e em decorrência da
Revolução Francesa afastou-se da pintura durante cinco anos. Voltou a
ela conquistando em 1798 um prêmio no Salão de Paris, no qual mais
tarde expôs diversas vezes. Em 1816 foi convidado por Joaquim Lebreton
para viajar ao Brasil, na chamada Missão Artística Francesa de 1816.
No Rio de Janeiro, participou da fundação da Academia Imperial de
Belas Artes, precursora da Escola Nacional de Belas Artes e dos salões
oficiais posteriores. No tempo em que morou no Brasil, Debret realizou
retratos da família Imperial e instalou uma escola particular de
pintura, com isso indo de encontro à hostilidade de artistas
portugueses que disputavam com os franceses a liderança na criação da
Academia. A respeito da missão, observou Wilson Martins em 1978:
"Criando uma 'escola brasileira', eles iriam repudiar o gosto e os
princípios lusitanos que, até então, eram os princípios e o gosto
aqui aceitos e dominantes. (...) Entretanto, dilacerada por dissensões
e desconfianças internas, pelas inevitáveis dificuldades burocráticas
e, sobretudo, pela hostilidade dos artistas portugueses, a missão não
chegou propriamente a funcionar como tal." Contudo, foi Debret o
responsável pelo primeiro Salão de Belas Artes brasileiro, em 1829, e
pelo implemento do ensino das artes no país. Retornou à França em
1831, quando empreendeu a publicação de sua Voyage pittoresque et
historique au Brésil, edição de duzentos exemplares, em três volumes
que vieram a lume em 1834, 1835 e 1839, respectivamente. A respeito de
Debret, escreveu Oliveira Lima no seu livro clássico sobre D. João VI:
"Percorrendo-se a formosa obra de Debret e encontrando relembradas
nas suas curiosas litografias as grandes cerimônias da Corte do Rio de
Janeiro, no primeiro quartel do século XIX, aclamações, funerais,
casamentos, vê-se graficamente onde e como se constituiu o sentimento
nacional da terra." No Brasil, integra diversos acervos: Biblioteca
Nacional, Museu Nacional de Belas Artes etc. O Instituto Moreira Salles
possui hoje o Highcliffe Album, organizado por Charles Landseer, que
inclui trabalhos de Debret. Em 1999, o material do Highcliffe foi
exposto em São Paulo (Fundação Maria Luisa e Oscar Americano) e no
Rio de Janeiro (Centro Cultural Banco do Brasil) na mostra Brasil
1825-26: Charles Landseer e a missão britânica e trabalhos de Burchell,
Chamberlain e Debret. Descoberto em 1924 por Alberto Rangel, que o
trouxe para o Brasil, o material foi leiloado em Londres pela Christie's
em 1999. Adquirido pelo Instituto Moreira Salles, em 2000 foi exposto no
seu espaço cultural do Rio de Janeiro e integrou a Mostra do
Redescobrimento, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Em 2003, o Museu
da Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, inaugurou a mostra Castro Maya:
Colecionador de Debret.
Referências: Brésil (Paris: Firmin Didot
Fréres, 1838) e Brasil (Itatiaia/Edusp, 1980), de Ferdinand Denis; Dom
João VI no Brasil (José Olympio, 1945, 2. edição Topbooks, 1996), de
Oliveira Lima; A Missão Artística de 1816 (Diretoria do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional/MEC, 1956), de Afonso de E. Taunay; A
cultura brasileira (3.ª ed. Melhoramentos, v. 2, 1958), de Fernando de
Azevedo; A Missão Artística Francesa de 1816 (Museu de Armas Ferreira
da Cunha, 2. ed. refundida, 1967), de Gean Maria Bittencourt; A arte
maior da gravura (Espade, 1976), de Orlando Dasilva; O Rio Grande
através de Debret (Samrig, 1978), de Barbosa Lessa; História da
inteligência brasileira (Cultrix/Edusp, v. 2, 1977), de Wilson Martins;
Viagem pitoresca e histórica ao Brasil: 1816-1831, excertos e
ilustrações (Melhoramentos, 1971) e Viagem pitoresca e histórica ao
Brasil (Itatiaia/Edusp, 3 v., 1989), de Jean Baptiste Debret; História
geral da arte no Brasil (Instituto Walther Moreira Salles/Fundação
Djalma Guimarães, 1983), coordenação de Walter Zanini; Academismo,
Projeto Arte Brasileira (Funarte/Instituto Nacional de Artes Plásticas,
1986); Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro (Garnier, 4. ed. 1991),
de Joaquim Manuel de Macedo; O Brasil de Debret (Villa Rica, 1993),
textos de Sérgio Milliet, Rubens Borba de Morais e Antonio Carlos
Villaça; Brasil-França: cinco séculos de sedução (Espaço e Tempo,
1989) e Culturas cruzadas: intercâmbios culturais entre França e
Brasil (Papirus, 1994), de Mário Carelli; Museus Castro Maya
(Agir/Banco Boavista, 1994); Cronologia das artes plásticas no Rio de
Janeiro: 1816-1994 (Topbooks, 1995), de Frederico Morais; Arte na
América Latina (Cosac & Naify, 1997), de Dawn Ades; Livros de
viagem: 1803/1900 (UFRJ, 1997), de Miriam Lifchitz Moreira Leite;
Biblioteca Nacional: a história de uma coleção (Salamandra, 1997), de
Paulo Herkenhoff; Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III (Edusp,
1998), de Mário Pedrosa, organização de Otília Arantes; Iconografia
paulistana do século XIX (Metalivros, 1998), de Pedro Corrêa do Lago;
O Brasil dos viajantes (Objetiva/Metalivros, 3. ed. 2000), de Ana Maria
de Moraes Belluzzo; Arte no Brasil colonial (Revan, 2000), de Antonio
Luiz d'Araujo; Iconografia do Rio de Janeiro 1530-1890: catálogo
analítico (Casa Jorge Editorial, 2000), de Gilberto Ferrez; Revelando
um acervo: coleção brasiliana (Bei Comunicação, 2000), organização
de Carlos Martins; Castro Maya: colecionador de Debret
(Capivara/Bradesco Seguros, 2003), textos de Júlio Bandeira, Rafael
Cardoso e Vera Beatriz Siqueira. |