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Lívio Abramo
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Lívio
Abramo nasceu em Araraquara, no dia 26 de junho de 1903. É descendente
de emigrantes europeus. Iniciou escolaridade em Santos e posteriormente
mudou-se para São Paulo. Em 1926, fez as primeiras experiências com
xilogravura. As exposições Arte Decorativa Alemã e a Exposição Alemã
de Livros e Artes Gráficas, passou por forte influência para sua obra,
desde aí marcada pelo expressionismo alemão. Num período de
dificuldades financeiras, trabalhou fazendo desenhos de moda, cartazes
de propaganda, pintura de anúncios e cenários de teatro e cinema.
Nesta mesma época, engajou-se no partido comunista brasileiro, com o
qual rompeu depois.
Trabalhou muitos anos no Jornal Diário da Noite e, neste meio, conheceu
vários intelectuais que se tornaram seus amigos. Em 1931, conheceu o
artista Lasar Segall que, segundo a crítica, também influenciou sua
obra. Em seguida, aderiu ao partido socialista brasileiro e realizou inúmeras
ilustrações em desenho e gravura para os periódicos do partido. Em
1948 ilustrou, com 27 xilogravuras, o livro Pelo Sertão, de Afonso
Arinos de Mello Franco. Neste período sua obra passou por alterações,
encaminhando-se para a fase chamada de Pureza Formal. No ano seguinte,
ganhou o prêmio Viagem ao Exterior, no Salão Nacional de Arte Moderna
do Rio de Janeiro. Residiu na Europa por dois anos. Retornou ao Brasil e
iniciou atividade como professor de xilogravura na Escola de Artesanato
do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Mais tarde (1959), organizou o
Estúdio Gravura, juntamente com Maria Bonomi e João Luiz Chaves. Em
1962, mudou-se para o Paraguai, trabalhou na Missão Cultural Brasil -
Paraguai, hoje Centro de Estudos Brasileiros. Dirigiu o Taller de
Grabado Júlian de La Herreira onde foi professor e influenciou toda uma
geração de artistas daquele país.
É considerado, juntamente com Oswaldo Goeldi, um dos introdutores da
moderna gravura brasileira. Realizou inúmeras exposições, inclusive
grandes retrospectivas, como a do Centro Cultural de São Paulo, em
1983, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1984, e do Banco Francês
e Brasileiro em 1991. Participou de importantes mostras, como a Bienal
de Veneza, Bienal de São Paulo, Mostra Brasileira em Buenos Aires e
outras no Japão, Alemanha e Suiça. Lívio Abramo faleceu em São
Paulo, aos 89 anos, em 1992.
Fortuna Crítica
"Seus desenhos constituem um diário gráfico mantido ao longo da
vida, mas não tem sentido um diário íntimo, e sim jornalístico, pois
comentam os lugares e os fatos da vida pública". (In: PEDROSO
D'Horta, 1972)
"Ao primeiro contato com o trabalho de Lívio Abramo, revela-se o
caráter sumamente condensado de sua linguagem. Tudo é dito com um mínimo
de meios..." (In: OSTROWER, 1958).
Nas várias análises sobre a obra do artista, torna-se evidente a
impossibilidade de separar-se a vida e a obra, o humanista, pensador e o
criador: Todos são unânimes em destacar a lucidez e coerência do
artista. Segundo Neistein, "vigor" e "delicadeza" são
os pólos entre os quais o artista "se move".
São constantes em sua obra as temáticas sobre "o homem e seu
meio, seus problemas, suas aspirações, suas angústias, sua miséria e
sua glória". (In: NEISTEIN, 1981)
Diversos autores consideram que sua formação de autoditada sofreu
influências do expressionismo alemão (Kokoscha, Kubin e Kolwitz), de
Lasar Segall (é sempre citada a obra Máquina de navegar), e, mais
tarde, do "Geometrismo" e Abstracionismo nos anos 60 e 70.
Deduz-se então, que a obra de Lívio Abramo passou por três fases
distintas:
- Período expressionista, em que os aspectos sociais e políticos
predominam. Segundo Faiga Ostrower, é a fase dos temas de ação, de
intensa força dramática, de contrastes fortes e "talhos
vibrantes". Os temas mais explorados são operários e fábricas, a
guerra civil espanhola, cenas da vida diária e figuras humanas. São
deste período obras como 1º de Maio, Operário e Dois mundos.
- Período formal, ou "da busca da forma pura", em que os
contrastes de branco e preto passam a ser mais diluídos e surgem as
tonalidades de cinzas. "A forma tornou-se meditativa", diz
Faiga, "procurando verticalidade na composição e anunciando a próxima
fase". Surgem os temas de paisagens, festas e costumes populares.
Destacam-se as obras das séries Rio, Festas e Pelo sertão.
- Período da abstração geométrica, em que o artista alcança o que
alguns consideram a plenitude de sua criação, conquistando a síntese
formal e até mesmo a superação da forma. No entender de Maria Bonomi
"não há sucata nas obras de Lívio Abramo. Cada imagem é
resolvida com único, total e permanente enredo. O percurso de cada
trabalho é completo, cada peça perfeitamente acabada, contendo seu próprio
começo e fim". (In: BONOMI, 1983).
Os temas predominantes são a arquitetura, a paisagem urbana, a força
da natureza e a vida urbana. São desta fase as obras das séries
Paraguai e As chuvas.
Lívio Abramo tornou-se mais conhecido como gravador, já que
expressou-se através das várias técnicas de gravura, como
xilogravura, linóleo-gravura, litogravura e gravura em metal. Mas foi,
antes de tudo, exímio desenhista e aquarelista. É importante destacar
a diferença de linguagem e forma de expressão em suas gravuras e
desenhos. É ele mesmo que explica: "Minha gravura é muito mais
sintetizada, as formas são muito mais castigadas, severas, e no desenho
sou muito mais espontâneo". (1981)
ENTRE
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