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A Gravura no
Brasil
Como expressão
artística a gravura é, em suas diversas modalidades, a peça mais
democrática que existe e funciona de modo autônomo tratando da difusão
da imagem. O Brasil possui uma tradição gráfica onde a gravura teve
importante papel seja na criação de rótulos ou ilustrações para
livros. Una e múltipla (no que pode se permitir), camerística como um
solo precioso de violino ou sinfônica como uma orquestra onde o regente
necessariamente é o autor, a gravura, seja em metal (com suas
variantes: água-forte, ponta-seca, água-tinta), madeira (xilogravura
de topo ou em relevo) ou litogravura (pedra) vem resistindo aos tempos
desde o período medieval.
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Carlos Oswald
Gravura em
Metal
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Os primórdios
da gravura brasileira encontram-se ligado aos nomes de Carlos Oswald que
registrou a paisagem brasileira e difundiu o ensino da técnica da
gravura em metal e Raimundo Cela. Para registrar é bom que se situe a
obra gravada do acadêmico Pedro Weingärtner que mostrou peças de
grande qualidade artística no início do século. Mas a moderna gravura
brasileira adquire expressão independente a partir da década de 30
quando praticada por artistas de porte como o expressionista Oswaldo
Goeldi, que mostrava em seus trabalhos “... a surpresa do existir, trágica,
fantástica...” e Lívio Abramo onde surgia à visão “...
comprometida e solidária com o drama operário...”, segundo a visão
do experiente crítico Carlos Scarinci enquanto Jacob Klintowitz
assinala por sua vez que Lívio Abramo “... é artista emergente do
proletariado, preocupado com o registro realista da vida e da luta do
povo brasileiro”., mas sem ver nisso uma diminuição ou limite na
importância da obra desse artista. A esses nomes somam-se os gravadores
estrangeiros Friedlaender (curso no MAM - Rio de Janeiro, 1959) e também
Axl Leskoschek.
Nos anos 50,
com o Clube de Gravura de Porto Alegre a gravura adquire maiores
contornos políticos e populares, seguindo o exemplo dos artistas
mexicanos. Com essa atitude, seus participantes, como os modernistas no
passado, reinstalam os fundamentos de uma identidade nacional. Seus
integrantes eram Carlos Scliar, Glênio Bianchetti, Vasco Prado, Glauco
Rodrigues e Danúbio Gonçalves.
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Livio Abramo
Xilogravura
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Além desse
grupo e dos pioneiros Goeldi (autor de um “expressionismo amargo”
segundo Roberto Pontual) e Abramo ( que criou com Maria Bonomi o Estúdio
Gravura, São Paulo, 1960), vamos encontrar outros artistas igualmente
expressivos que também se aventuraram nesse campo de expressão:
Tarsila do Amaral, Portinari e Lasar Segall (lituano, aqui fixado a
partir de 1923) que abordou em sua obra gravada temas como a prostituição
– série “Mangue”-, guerra, favelas e a imigração.
Os anos 50
correspondem ao período de fixação da modernidade brasileira quando
é lançada a I Bienal Internacional de São Paulo: 1951. Na metade
dessa década inicia-se a fase desenvolvimentista do país, o governo
Kubistcheck e a criação de Brasília propõe um novo horizonte esperançoso
ao Brasil. Esses fatos, mais a prática da crítica de arte
profissional, ensejam uma maior sedimentação do ensino de arte no
Brasil e o resultado é a conseqüente aparição (e reafirmação) de
diversas gerações de artistas-gravadores, seja em São Paulo, Rio de
Janeiro e outras capitais: Fayga Ostrower, Marcelo Grassmann, Iberê
Camargo, Ivan Serpa, Edith Behring, Darel Valença Lins, Anna Letycia,
Octávio Araújo, Renina Katz, Roberto Magalhães, Babinsky, Aldemir
Martins, Ruth Bess, Poty, Anna Bela Geyger, Maria Bonomi, Emanoel Araújo,
Frans Kracjberg, Rossini Perez, Roberto de Lamônica, Samico, Trindade
Leal, Hansen-Bahia, Thereza Miranda, Maríllia Rodrigues e mais adiante:
Artur Luis Piza, Calazans Neto, João Câmara, Grudzinsky, Wilma
Martins, Lótus Lobo, Marília Rodrigues, Henrique Fuhro, Carlos
Martins, Zorávia Bettiol, José Lima, Vera Chaves Barcellos, Evandro
Carlos Jardim e Rubem Grillo.
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Iberê Camargo
Gravura em
Metal
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Encontramos nas palavras de Vera d’Horta, em seu texto “Preto
no Branco” – introdução à obra gravada de Lasar Segall - a melhor
definição do que vem a ser a síntese teórica de gravura, a mágica
que é essa criação. Vejamos:
“Uma matriz
de madeira, metal ou pedra, é trabalhada com instrumentos apropriados e
técnicas específicas. Em seguida essa matriz é entintada, e o
resultado do trabalho realizado surge estampado no papel, através da
pressão de uma contra o outro. São produzidas assim algumas provas e
uma tiragem definitiva, numerada e assinada pelo autor. A matriz
funcionou como condutora de uma imagem. A obra será a estampa
reproduzida no papel: está pronta a gravura!”.
A esse período
de sedimentação sobrepõe-se outro de experimentos e técnicas
agregadas como o silk-screen e o off-set, uma fatura industrial que vem
contribuir para o enriquecimento da gravura como técnica
e via de comunicação.
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Krajcberg
Relevo
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O crítico
Jacob Klitonwitz em seu levantamento “Artistas gravadores do Brasil”
publicado em 1984 afirma com muita propriedade quando se reporta a
importância dos artistas históricos que desbravaram o caminho para a
afirmação da gravura entre nós que: “A participação pessoal dos
artistas fundadores era notadamente importante, e o objetivo básico era
o de estabelecer um conceito de cultura e de expressão artística.”,
para mais adiante concluir que a gravura no Brasil “... pode se impor
como uma técnica, em si mesma, afastando a imagem de uma irmã menor da
pintura, apenas capaz de tornar mais acessível a criação artística”.
(Renato
Rosa - co-autor do Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do
Sul)
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