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Uma
gravura é considerada original quando é assinada e numerada pelo
artista dentro de conceitos estabelecidos internacionalmente , segundo
os quais , o artista trabalha a matriz de metal , pedra , madeira ou
seda com o propósito de imprimir a imagem criada em tiragem de
exemplares idênticos , e feita diretamente da matriz pelo artista ou
por impressor especializado , mas sob sua orientação . Após aprovar
uma gravura o artista tira várias provas que são chamadas P.A. ( prova
do artista ) . Ao chegar ao resultado desejado é feita uma cópia
" bonne à tirer " (boa para imprimir B.P.I. ) . A tiragem
final deve ser aprovada pelo artista , que , então , assina a lápis ,
coloca a data , o título da obra e numera a série . Finda a edição ,
a matriz deve ser destruída ou inutilizada . Ao exemplar de tiragem
obedecendo estes requisitos dá-se o nome de GRAVURA ORIGINAL . Cada
imagem impressa é um exemplar original de gravura e o conjunto destes
exemplares é denominado tiragem ou edição . Em uma tiragem de 100
gravuras , as obras são numeradas em frações : 1/100 , 2/100 etc.
A
gravura apresenta quatro vertentes técnicas principais: litografia ,
xilogravura , gravura em metal ou calcografia e serigrafia.
Litografia:
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Darel
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A litografia ( lithos = pedra e graphein = escrever ) foi criada no ano
de 1796 por Alois Senefelder . A multiplicação da imagem na litografia
é conseguida por um processo químico . Sobre uma matriz de pedra
porosa e de superfície rigorosamente polida , o artista realiza seu
trabalho com materiais gordurosos ( lápis , bastão , pasta etc ) que
permitem diferentes texturas , graus de luminosidade e demais recursos
gráficos . Na seqüência , o impressor , em conjunto com o artista ,
submete a pedra a uma solução de água , goma arábica e ácido nítrico
, breu e talco que limpa a pedra e reforça as áreas gordurosas ,
permitindo a visualização do desenho e a realização dos testes de
cor e registro para a obtenção da primeira prova . A impressão é
obtida pela pressão de uma rotora que desliza sobre o papel . A edição
é iniciada somente quando todos os testes de cor , registro , pressão
, qualidade de papel e densidade de tinta forem aprovados . O artista
numera e assina cada prancha impressa de acordo com as convenções
internacionais , garantindo a originalidade e autenticidade.
Xilogravura:
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Roberto Magalhães
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A xilogravura surgiu como conseqüência da demanda cada vez maior de
consumo de imagens e livros sacros a partir da invenção da imprensa
por Gutenberg , quando as iluminuras e códigos manuscritos passaram a
ser um luxo de poucos . A gravura em madeira seria um meio econômico de
substituir o desenho manual , imitando-o de forma ilusória e permitindo
a reprodução mecânica de originais consagrados . No decorrer dos séculos
, esta técnica de cavar a madeira com goivas e buril não criou uma
linguagem própria , tentando substituir a gravura em metal e o desenho
manual . Somente no século vinte com artistas do porte de Picasso ,
Matisse e os expressionistas alemães , entre outros , a xilogravura
surge como poderosa expressão artística abrindo caminho para as
experimentações próprias da arte contemporânea .
Existem dois tipos de corte de madeira para xilogravura :
madeira de fio : cortada no sentido dos veios da madeira , é mais mole
e sensível à mão do artista , deixando as marcas dos seus cortes .
madeira de topo : cortada no sentido longitudinal da árvore , é
extremamente dura (como uma chapa de cobre ) e pode ser trabalhada com
buril e outros instrumentos da gravura em metal . O resultado é uma
gravura mais limpa e precisa .
Para efetuar a gravação , o impressor ( em conjunto com o artista )
aplica a tinta na matriz de madeira gravada com um rolo e coloca o papel
pressionando-o com uma colher de madeira , até atingir a uniformidade
desejada , obtendo a primeira prova . A edição é iniciada somente
quando todos os testes de cor , registro , qualidade de papel forem
aprovados . O artista numera e assina cada prancha impressa de acordo
com as convenções internacionais , garantindo a originalidade e
autenticidade .
Gravura
em metal ou calcografia :
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Ana Letycia
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A gravura em metal surgiu nos ateliês de ourivesaria e de armaduras ,
no século XV , onde era usual imprimir-se os desenhos das jóias e brasões
em papel para melhor visualização das imagens . A gravura em metal é
uma técnica refinada que permite grande liberdade ao artista podendo
ser realizada em diferentes técnicas , sendo as principais :
. buril e ponta seca : a gravação em buril e /ou ponta seca sobre
metal é o processo mais direto de gravação . O buril é um
instrumento pontiagudo com diferentes pontas que corta a chapa de cobre
abrindo linhas profundas e delgadas . A ponta seca é uma ponta metálica
afiada que abre o metal , traçando uma linha fina e cujas rebarbas dão
uma impressão aveludada .
. água-forte : para gravar em água-forte é necessário proteger a
chapa com um verniz ( benzina, cera , betume etc ) . Sobre o verniz ,
desenha-se livremente com uma ponta de metal . Em seguida , submerge-se
a chapa em um banho ácido que ataca as linhas expostas . A profundidade
deste ataque depende da concentração do ácido e do tempo de atuação
. Após o banho , limpa-se a chapa com um solvente e se cobre com tinta
negra e espessa que penetra nas linhas gravadas . Limpa-se , então , o
excesso de tinta da superfície , deixando somente as linhas .
. água tinta : a resina ( breu ) pulverizada sobre a chapa é aquecida
até fundir e se fixar . A tinta penetra nos pontos de resina da chapa ,
possibilitando a criação de áreas de diferentes tonalidades conforme
a quantidade de resina aplicada .
. fotogravura : através de um processo químico com o uso de cloreto férrico
, transfere-se a fotografia para a chapa nos tons do original .
. maneira negra ou mezzotinta : um instrumento chamado Berceaux
transforma a superfície em uma massa densa de minúsculos rebarbas .
Com um raspador , o artista obtém uma enorme gama de graduações
tonais .
Para
impressão , coloca-se a chapa na prensa e sobre ela coloca-se um papel
úmido . A pressão da prensa faz com que a tinta passe para o papel uma
imagem idêntica à imagem da chapa , porém invertida .
Para cada nova impressão deve ser repetido o mesmo processo .
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