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AGENDA CULTURAL

Cenas Contínuas

O Face Gabinete de Arte, Pinheiros, São Paulo, SP, apresenta pela primeira vez as pinturas da jovem artista Luisa Zimmer Ritter, na mostra “Nachleben – Cenas Contínuas” com vernissage marcado para o dia 16 de maio. Pinturas de séries realizadas entre 2014 e 2018 (óleo e cera de abelha sobre tela), intituladas “Rio Espelhado” e “Paisagens Vila Ipojuca”, serão apresentadas de forma inédita na capital paulista. A exposição tem curadoria da historiadora Eugênia Gorini Esmeraldo.

 

“Nachleben” em alemão pode significar vida após a morte e sobrevivência, como uma sequência de cenas que se estendem por tempos, eras, culturas… Aby Warburg se referia à sobrevivência das imagens e motivos, à continuidade ou pós-vida e à metamorfose das imagens. “Nachleben” envolve sequências não literais, gesto e ruptura, relacionados com o modo de ver, encontrar e lembrar dessas imagens abordadas nas diferentes séries, às sequências delas, que se conectam, mas também levam para uma particularidade específica. Uma mistura de vida urbana, vida familiar, nostalgia, trabalho, viagens. Isso tudo ressignificando e dando movimento às sequências de imagens.

 

 

Sobre a artista

 

Luisa Zimmer Ritter nasceu em Montenegro, RS, em 1988. Vive e trabalha em São Paulo. Com formação em publicidade, morando em São Paulo desde 2008, a artista fez experimentações com tecidos, objetos, fotografia. Porém a pintura acabou se revelando seu interesse maior e é isso que agora a leva para a Alemanha, onde pretende aperfeiçoar sua produção pictórica em um residência artística. Suas pinturas ilustraram a capa e a página central do Caderno Ilustríssima (21/jan/2018) do jornal A Folha de São Paulo. A pintura conquistou a artista quando frequentou cursos de história da arte. Decidida a seguir nessa trilha, aos poucos deixou as experiências que realizava e passou a fazer estudos de obras clássicas em frequentes visitas à coleção do MASP e às Bienais. Percebe-se também o uso da fotografia, mas ela avança e amplia o espaço ou modifica o real com inserções próprias. Seu trabalho tem uma pincelada segura, utiliza pigmentos de alta qualidade e consegue em cenas banais momentos de grande beleza com a luz cuidada e delicada que insere, principalmente nas paisagens. As cores fortes não resvalam para o excesso, dando boa resolução para suas composições. Os temas, mesmo que autorreferentes, retratam o mundo jovem, sugerem um viés pop que não pesa ao olhar e permite identificação imediata. Sua dedicação e seu trabalho persistente sugerem uma carreira promissora. 

 

 

Sobre a Face Gabinete de Arte

 

Com quase um ano de funcionamento, o espaço é dirigido pelo colecionador Francisco de Assis Cutrim Esmeraldo e pela historiadora Eugênia Gorini Esmeraldo e tem como foco a difusão de artistas brasileiros modernos e arte popular. 

 

 

A palavra da artista

 

“Nachleben” em alemão significa vida após a morte e sobrevivência, uma sequência de cenas que se estendem por tempos, eras, culturas… Aby Warburg se referia a sobrevivência das imagens e motivos, a continuidade ou pós-vida e a metamorfose das imagens. “Nachleben” envolve sequências não literais, gesto e ruptura, relacionados com o modo de ver, encontrar e lembrar dessas imagens abordadas nas diferentes séries, às sequências delas, que se conectam, mas também levam para uma particularidade específica. Uma mistura de vida urbana, vida familiar, nostalgia, trabalho, viagens. Isso tudo ressignificando e dando movimento às sequências de imagens. O tema gira em torno das pinturas que produzi nos últimos anos, muitas das cenas fazem parte do acervo de imagens que herdei do meu avô Ivan Zimmer. Fotografias que retratam do sul ao norte do Brasil. Na sequência a série “Rio Espelhado”, que faz parte de uma descoberta de negativos deteriorados da minha primeira ida ao Rio de Janeiro, em 1994. O fato gerou uma grande inspiração cinematográfica na minha infância; eram somente recortes, não lembrava das cenas até reencontrar as imagens quase 20 anos depois. Os retratos de Caroline Bittencourt, da série “Todas as Cores, do Preto ao Branco”, levam a essa permanência da imagem, quando a fotógrafa registra minha fase bem jovem. Projeto nas pinturas o que somente nas fotografias seria possível rever. As demais séries, mesmo sendo memórias mais recentes, também têm este significado marcante por serem visões contemporâneas. Nas duas pinturas “Pitangueira”, são retratos de uma árvore que secou. Mas cujos resquícios estão ainda presentes no jardim da casa da minha família, em Montenegro, no Rio Grande do Sul. 

 

A série “Paisagens Vila Ipojuca” é uma homenagem ao amigo Emerson Pingarilho, que faleceu precocemente ano passado. Ali nos vimos pela última vez e foi onde fizemos nosso último filme. O lugar é especial para mim por estar ao lado do atelier em que passei os últimos três anos em São Paulo. Há uma vibração pictórica que vive por ali, que me lembram Van Gogh e Cézanne. Deve ser por causa das árvores e pedras, que foi o que me inspirou também em São Bonifácio, na Serra do Tabuleiro em Santa Catarina, da série “Terras de Egon Schaden”. Fui levada a notar com mais cuidado as cenas que a natureza nos apresenta, as histórias antropológicas sobre cada lugar; paisagens sublimes que mostram a passagem do tempo, pedras que mostram seres inanimados. Resquícios de que lá um dia foi mar e mais ainda, foi  terra de outros habitantes.

 

 

Sobre a Face Gabinete de Arte

 

Com quase um ano de funcionamento, o espaço é dirigido pelo colecionador Francisco de Assis Cutrim Esmeraldo e pela historiadora Eugênia Gorini Esmeraldo e tem como foco a difusão de artistas brasileiros modernos e arte popular. 

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