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AGENDA CULTURAL

Ney Amaral, livro e exposição

Ao mesmo tempo que realiza exposição individual de fotografias com abertura no dia 02 de agosto, Ney Amaral revela uma volta ao mundo em 160 páginas no livro “Flying Carpet”, na Galeria Bolsa de Arte de Porto Alegre, Bairro Rio Branco/Floresta, em Porto Alegre, RS. Talento que também acompanha o profissional em sua organização na seleção de imagens a cada vez que edita seus trabalhos. A exposição é uma aventura para descobrir o mundo sem precisar arrumar as malas!

 

Trata-se de mais de 20 anos de viagens agora em exibição e compactadas em um livro. Com prefácio do escritor José Antônio de Souza Tavares e produção do artista, professor e fotógrafo Leopoldo Plentz, “Flying Carpet” traz diversos lugares da terra, capturados pelo olhar de Ney Amaral que possui outras edições fotográficas como “Desassossego da cor”, “Mongólia”, “Black White and COLOR”, “Window”, “Bricks”,“Namastê”, além de duas obras literárias:  “Cartas a uma mulher carente” e  “Desesperadamente vivo”.

 

Encontramos em “Flying Carpet”, imagens desde  Jaguarão, município do interior do Rio Grande do Sul, até Kashgar, na China e percorrendo diversos países como os Estados Unidos, Portugal, Suécia, Noruega, Japão, Turquia, Uzbequistão, Mongólia, Índia, Jordânia, Rússia, Israel, Uruguai, e outros lugares como o deserto de Gobi, a Amazônia e no Oceano Atlântico. Fotógrafo por paixão, radiologista por profissão. A facilidade em tirar fotos foi descoberta instintivamente, em uma de suas tantas viagens.

 

 

A palavra do cineasta Carlos Gerbase

 

OS VIAJANTES

 

Há muitos tipos de viajantes. Os discretos, que dizem que vão comprar uma garrafa de vinho na esquina, dão a volta ao mundo e não trazem o vinho. Os exibidos, que tiram a primeira selfie no táxi rumo ao aeroporto. Os líderes, que comandam uma grande caravana. Os que vão a reboque (como eu), que aproveitam cada minuto, mas não têm muita noção do que vai acontecer na hora seguinte, porque o líder ainda não contou. Os psicodélicos, que viajam sem sair de casa. E os que, como Ney Amaral, trazem o mundo no bolso quando voltam para casa.

 

“Flying carpet” é um retrato do mundo inteiro feito por um viajante que representa uma espécie inteira. O ser humano é muito frágil. Somos facilmente batidos numa luta justa por dezenas de outras espécies. Estranhamente, contudo, estamos espalhados por todo o planeta, graças à nossa extraordinária capacidade de adaptação. As fotos de Ney Amaral mostram os resultados dessa adaptabilidade. Alguém caminha no deserto, outro alguém cruza num barco uma imensidão líquida. Alguém vê o horizonte aberto numa estrada deserta, outro alguém vê dois arranha-céus que criam um novo e estranho horizonte.

 

Em lugares diferentes, surgem pessoas diferentes, com peles diferentes, roupas diferentes, sorrisos diferentes e sonhos diferentes. Ney Amaral trouxe para casa, e agora para nós, um mundo de diversidade, beleza e espanto. “Flying carpet” não deve ser colocado na estante. É melhor que fique em cima da mesa, à disposição de um olhar curioso, quem sabe até fortuito. A beleza das imagens saberá capturar esse cidadão descuidado e mostrar-lhe que o mundo está à sua espera. Nem que seja a reboque, através das fotos de Ney Amaral. E depois, quem sabe, numa viagem real, em que cada imagem é um endereço seguro para redescobrir o planeta que insistimos em destruir, mas que ainda nos abraça, nos consola e nos oferece toda sorte de encantos.

 

 

O autor falando

 

Alguém pediu uma breve biografia para colocar no site e logo me ocorreu dizer que sou médico, afinal, é o que fiz durante a maior parte da vida. Em seguida, porém, percebi que a medicina cedera espaço para várias outras atividades. Por força da complexidade da minha especialidade médica tornei-me empresário e para dar sustentação a esse trabalho passei por um treinamento que incluiu o mestrado em administração. Mas havia outras coisas também, menos complexas, mas igualmente desafiadoras. Quebrei a mandíbula numa navegada, mas voltei a navegar. Em 2010 velejei de Cape Town, na África do Sul, à Bahia como cozinheiro de bordo de um veleiro, sem nunca repetir um único cardápio durante os vinte e oito dias da travessia. Essa não foi fácil, confesso. Mas, logo em seguida, abandonei a cozinha para me dedicar a um projeto que eu desenvolvera justamente durante a travessia. A elaboração do meu primeiro livro, Cartas a uma Mulher Carente, lançado em março de 2010. A partir daí, tornei-me um catador de lixo. Verdade! Catador de lixo mesmo, porque livros são como os quadros do Vic Muniz feitos no lixão de Gramacho. O artista, assim como o escritor, revira as profundezas do lixo em busca do material que será transformado em arte. Dentro desse saco de gatos há otimistas, pessimistas, trágicos, hilários, cínicos, enfim, há todo o tipo de escritores e de livros, mas a fonte do material de onde saem os livros é quase sempre o mesmo: o lixo. Nem por isso os livros deixam de ser poéticos, comoventes, ou mesmo engraçados. A graça, a comoção e a poesia são boa parte do lixo que jogamos pela janela sem o menor cuidado, sobretudo quando atrapalham nossa relação com um mundo cada vez mais asséptico e organizado pelo projeto antropológico comportado dos homens bons. E é por isso que os escritores catam, separam, compactam e finalmente filtram esse lixo através das páginas dos livros. É para que o insustentável brilho das almas bem comportadas não ofusquem, de vez, o pouco que ainda nos resta de humanidade. Então comecei a fazer livros de fotografia. Já tenho cinco deles prontos. Mas o que realmente importa na minha biografia é que encontrei a Beatriz que me levou até o Olavo, Pedro e Felipe. Mas essa é outra história…

 

 

Até 12 de agosto.

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