editor: Renato Rosa  


Prata da Casa e Ocupação Gráfica


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Para a 20ª edição do evento Arte de Portas Abertas os integrantes do núcleo de gravura do Estudio Dezenove, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ – tendo a artista portuguesa Maria Tomás como convidada – , ocupam o espaço expositivo com suas produções recentes. Predominam gravuras em metal e madeira, bem como outras pesquisas em suportes como acetato e alumínio. Exposição coletiva com obras de Ana Prado, Julio Castro, Magliani (foto), Marco Forgiarini e Maria Tomás. Ocupação Gráfica é uma ação coletiva, um encontro de agentes que tem em comum o trabalho com mídias gráficas e sua veiculação no contexto urbano - lambe-lambe, zine, sticker, estêncil e outras manifestações. A proposta se iniciou em julho na forma de uma colagem coletiva nas paredes da galeria, se estendendo para alguns muros no bairro de Santa Teresa – veja no link – e nessa segunda etapa terá um trabalho que propõe a participação do público. Realização em parceria com Gravador Amador. Durante os dois fins de semana do evento Arte de Portas Abertas – 4, 5, 11 e 12 de setembro.


Associados

Clara Figueira Gilberto Perin Roberto Schmitt-Prym

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A Associação Chico Lisboa, a entidade mais antiga em funcionamento no Brasil, inaugurou a exposição "Arte+Arte - Ensaios Contemporâneos", com a participação de artistas associados na Galeria Galeria Xico Stockinger, Casa de Cultura Mario Quintana, Porto Alegre, RS. Esta é a sétima edição da mostra "Arte + Arte' que propõe o conceito de "ensaio" para instigar a criação artística em suas múltiplas abordagens, questões, diálogos e experimentações. “Não estabelece uma preferência estética, mas sinaliza que o olhar deve reconhecer a experiência atual da arte e enriquecer uma reflexão sobre ela”, ressalta Vera Pellin, atual presidente da Chico Lisboa. Dentre tantos participam da mostra: Adelina Maioli, Adriane Krimberg, Aida Ferras, Alexandra Eckert, Ana Homrich, Belony Ferreira, Beth Mello, Celma Paese, Clara Figueira, Cláudia H. Stern, Denise Iserhard Haesbaert, Inês Benetti, Lou Borghetti, Magna Sperb, Paulo Aguinsky, Roberto Schmitt-Prym, Rogério Livi, Suzane Wonghon e Vera Regina Presotto. até 23 de setembro.


Christian Leperino no MAC, Niterói


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A exposição “Humam Escape”, do jovem artista napolitano Christian Leperino, ocupa o MAC, Niterói, RJ. A mostra, que tem a curadoria de Maurizio Siniscalco e Mario Franco, reúne 14 pinturas em grande formato feitas em óleo sobre pvc expandido, registrando a degradação urbana das cidades industriais. Christian Leperino, em contraposição à ideia de “civilização” e “progresso”, revisita mitos antigos, como o Golen – monstro de barro que nasceu do sonho de uma humanidade, um ser primordial que representa a impotência e a fragilidade do homem, no imaginário judaico – fazendo uma escultura de três metros de altura, que estará no centro do salão principal do MAC. O artista trabalha desde o ano passado em um projeto multidisciplinar que investiga a relação do homem com a revolução tecnológica, e preparou a exposição especialmente para o MAC Niterói, onde as grandes pinturas, de 240cm x 158cm, em que retrata as periferias napolitanas, com seus conjuntos habitacionais, testemunham “como o homem condiciona e é condicionado pelo ambiente que o circunda”, observa Maurizio Siniscalco. Do dia 20 a 28, ele fotografou rostos do público presente no MAC, que depois pintará, cada um, em 25 pequenas telas. Esse trabalho estará ao lado de 25 outras pequenas telas, de tamanho idêntico, que fez com habitantes de Nápoles. Até 30 de outubro.


Rubem Grilo na Bahia


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A Caixa Cultural, Salvador, Bahia, exibe "Rubem Grilo – Xilográfico (1985 a 2010)". A mostra é um passeio pelos trabalhos realizados nos últimos 26 anos de sua produção mais recente. O artista apresenta 116 obras de diferentes formatos, sendo 91 xilogravuras, 6 matrizes e 19 colagens, em sua maioria, inéditas. Um destaque inovador desta mostra é a exposição de um conjunto de 6 matrizes, de maiores dimensões, desenhadas e gravadas – placas de madeira através da qual são feitas as cópias xilográficas – que ainda não foram entintadas, permitindo, nesse nível do processo, ver a feitura da gravura e o acurado trabalho de desenho e gravação na madeira. Após o entintamento das matrizes essas etapas se perdem, constituindo a exposição desses estágios a oportunidade única de conhecer o trabalho em sua gênese. Outro aspecto do trabalho pode ser visto, pela primeira vez: são as 19 colagens, realizadas em 2009. Rubem Campos Grilo é um dos principais expoentes da gravura do país. Realizou cerca de 60 mostras individuais e em mais de 100 coletivas no Brasil e no exterior, dentre elas duas Bienais de São Paulo (1984 e 1998). Depois de Salvador a exposição será exibida na CAIXA Cultural São Paulo, entre os dias 23 de outubro e 28 de novembro de 2010. A curadoria é do próprio artista. De 02 de setembro a 10 de outubro.


TUNGA, OBRA INÉDITA NO BRASIL


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Uma instalação de Tunga, inédita no Brasil, está será exibida na Sala Contemporânea, Palacete das Artes Rodin Bahia, Graça, Salvador, Bahia. “Tunga: À Luz de Dois Mundos” é o título da exposição de um dos mais importantes artistas contemporâneos do país, apresentando peças inéditas e a obra que ajudou a consolidar a arte contemporânea brasileira no exterior. Criada em 2005, a partir de obras do acervo do museu mais famoso do mundo, o Louvre, a instalação "À La Lumière de Deux Mondes" (À Luz de Dois Mundos), de Tunga, foi considerada por especialistas e críticos de arte “um trabalho profético”. Dois anos depois, esta mesma obra foi exposta no PS1 do MoMA, Nova Iorque, USA. Até então, apesar da repercussão dessas mostras, a instalação nunca havia sido montada no Brasil. Agora, a obra de Tunga, concebida especialmente para a montagem em Paris, chega ao Brasil através de Salvador. "Tunga: À Luz de Dois Mundos" acompanha todo o processo criativo em torno da "À La Lumière de Deux Mondes", desde sua concepção até seus desdobramentos. A mostra apresenta quatro peças inéditas inspiradas em "La Lumière", desenhos e estudos da época da produção deste trabalho, cartazes das mostras do Louvre e do PS1 do MoMA, um vídeo sobre estas duas exposições, além de uma apresentação audiovisual que o crítico Paulo Sérgio Duarte criou especialmente sobre a obra principal e que foi incorporada à exposição de Salvador. “Tunga é um dos mais complexos e mais respeitados artistas contemporâneos do Brasil. Tanto por sua estética marcante, característica, quanto pelo aprofundamento que faz da dimensão intelectual e filosófica do fazer artístico”, afirma Daniel Rangel, diretor de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia. De 27 de agosto a 31 de outubro.


Arte nacional em Curitiba


Cildo Meireles

Miguel Rio Branco

Fuhro
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 Os autores Daniela Vicentini e Fernando Burjato lançam dia 31 de agosto, no Museu da Gravura Cidade de Curitiba, Solar do Barão, o livro "Arte Brasileira nos Acervos de Curitiba". Escrito numa linguagem acessível, tem como objetivo falar sobre arte de um jeito que as pessoas sintam vontade de ver as obras nos museus. O texto é como uma conversa, entre os autores e muitas obras. Dizem os autores: "Como tratamos aqui apenas de museus públicos, podemos dizer que o assunto deste livro são coleções que pertencem a todo mundo. Um monte de coisas que são nossas e nem conhecemos direito. Falar de tudo que existe nesses acervos seria impossível. Tivemos de fazer escolhas, e elas foram tão arbitrárias quanto quaisquer outras. Selecionamos obras que nos trouxeram assuntos que julgamos interessantes, e que com elas poderíamos mostrar modos diferentes de se entender a arte. Este livro é sobre obras de arte, e não sobre artistas ou períodos". Na extensa nominata de artistas com obra reproduzida, constam os nomes de Farnese, Claudia Andujar, Babinski, Miguel Bakun, Geraldo de Barros, José Bechara, Brecheret, Waltercio Caldas, Iberê Camargo, Amilcar de Castro, Alex Cerveny, Lothar Charoux, Antonio Dias, Cícero Dias, Djanira, Daniel Feingold, Nelson Felix, Henrique Fuhro, Rubens Gerchman, Goeldi, Guignard, Poty, Paulo Roberto Leal, Jac Leirner, Leonilson, German Lorca, Anna Maria Maiolino, Carlos Martins, Cildo Meireles, Beatriz Milhazes, Emmanuel Nassar, Hélio Oiticica, Abraham Palatnik, Pancetti, Lygia Pape, Loio Pérsio, Nuno Ramos, Miguel Rio Branco, Samico, Mira Schendel, Schwanke, Segall, Regina Silveira, Guido Viaro, Volpi, Weissmann, Helena Wong e Carlos Zilio. Coincide com o lançamento do livro a abertura da exposição "Arte Brasileira nos Acervos de Curitiba – um percurso junto aos museus da FCC", que conta com obras das coleções dos museus da Fundação Cultural de Curitiba. A curadoria é de Daniela Vicentini, Fernando Burjato e Simone Landal. Exposição: até 24 de outubro.


Waltercio Caldas no MAM - Rio


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O MAM-RIO, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, mostra uma das mais importantes exposições de Waltercio Caldas, "Salas e abismos", uma realização de Suzy Muniz Produções. Trata-se de um acontecimento inédito, uma exposição de ambientes, que reúne no mesmo espaço doze obras do artista, 90% das quais jamais exibidas no Rio de Janeiro. "A mostra é um ambiente para ambientes; é um jogo de espaços, onde um trabalho reverbera no outro", explica Waltercio. Não sendo uma retrospectiva, essa seleção de trabalhos possui uma característica inédita: o desejo específico de fazer com que as obras se relacionem umas com as outras, e com o espaço, criando uma tensão e uma união próprias. No Rio, mostra pela primeira vez os quatro últimos módulos da "Série Veneza", concebida para para a 47ª Bienal de Veneza, 1997. A seleção foi feita por Waltercio, considerando a área da exposição, onde cada trabalho ocupa deliberadamente o espaço, ou seja, nada é aleatório e corresponde aos princípios poéticos da obra do artista. "A intenção de cada obra estabelece uma relação com as obras que estão ao lado. São esculturas, objetos, livros de arte, projeção de imagens, obras que se confundem com o espaço que ocupam", ressalta Waltercio. A montagem da exposição conta com a participação do arquiteto Ivan Pascarelli. Criou especialmente em 2007, por convite de Robert Storr, curador geral da 52ª Bienal Internacional de Arte de Veneza, um ambiente chamado" Half Mirror Sharp", instalado no Pavilhão Itália. Em 2008, a Fundação Calouste Gulbenkian, Portugal, e o Centro Galego de Arte Contemporanea apresentaram duas importantes exposições do artista. De 27 de agosto a 31 de outubro.


Na Laura Marsiaj I - Você que faz versos


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"Você que faz versos" é título da novas promoção da Galeria Laura Marsiaj, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. Trata-se da nova mostra de Walmor Corrêa (apresentada anteriormente no Instituto Goethe, Porto Alegre, RS). De acordo com a teórica de arte gaúcha Paula Ramos, é "..como se estivesse deslocando fragmentos das ruas das grandes cidades brasileiras para a galeria, Corrêa apresenta latas de lixo repletas de resíduos. Ali estão, com um colorido vistoso, simulacros de restos de biscoitos e sanduíches, latas de refrigerantes, garrafas, frutas em estado de decomposição. Não há discriminação entre lixo orgânico e lixo seco; tudo está misturado, na aparente beleza e harmonia resultante do encontro entre as cores...Propondo reflexões que atravessam o nosso cotidiano e sem abandonar a característica de suas pesquisas conceituais e formais, Walmor Corrêa mais uma vez surpreenderá o espectador, com sua poética contemporânea e pungente" De 25 de agosto a 31 de setembro.


Na Laura Marsiaj II - Narrativas Privadas


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No Anexo, a galeria Laura Marsiaj, apresenta o "trabalho surpreendente e impecável em pinturas á óleo" do jovem artista Fábio Baroli. Esta é sua pirmria exposição individual. Batizada como "Narrativas Privadas" , a exposição leva o mesmo nome da série de pinturas a óleo composta por trípticos e polípticos realizados a partir da apropriação de imagens anônimas encontradas em sites pornográficos. Essas imagens, em sua maioria, são fotografias amadoras de baixa resolução. Nenhum tratamento em software de edição de imagem é dado a elas. Assim como se dispõem nos sites são impressas e (re)contextualizadas nas pinturas em pinceladas curtas e marcadas. As obras que compõem a série apresentam sucessões espaciais e temporais de acontecimentos encadeados. São cenas cotidianas, meramente sequenciadas, constituídas por pessoas anônimas dentro de quartos ou banheiros particulares em ocasiões de intimidade passíveis de voyeurismo. Nessa série, as pinturas são elaboradas em pequena escala, buscando instigar a aproximação do espectador e a curiosidade com relação ao que é privativo, possibilitando uma relação mais íntima entre o fruidor, a obra e o conteúdo. De 25 de agosto a 31 de setembro.


Os 100 anos de Nássara


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O curador Jorge de Salles, inicia com duas exposições, às comemorações de "Nássara 100 Anos", mestre do desenho de humor nacional. O eventos acontecem - paralelamente - em Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ. O primeiro, "Nássara 100 Anos", inaugura dia 9 de setembro na Galeria Plano B, e reúne extenso elenco de artistas: Alice Kohler, Cláudia Tebyriçá, Eliane de Thuin, Germana Wanderley, Gerusa Zveut, Jorge Efi, Kakau Höfke, Laercio Martins, Marcia Lana, Moema Branquinho, Oscar Garcia da Rosa, Paulo Mittelman, Pedro Rufino e Rubens Saboya. O segundo, "Nássara 100 Anos", com a chancela do Espaço Rio Carioca e do Atelier Carioca de Humor, apresenta 20 originais do festejado desenhista, com inauguração no dia 10 de setembro. A duração de ambos é a mesma: até 30 de setembro.


SPOTLIGHT


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Ruth Palatnik Aklander, nasceu em Natal, RN, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde obteve formação acadêmica em Belas Artes, pela Faculdade de Filosofia da UFRJ. Iniciou-se em Arte Moderna através de Ivan Serpa no MAM, Rio; foi sua aluna e participou como convidada do mestre no grupo fundador do Centro de Pesquisa de Arte, RJ. Ampliou sua formação com cursos de atualização em História da Arte (IBA), Cenografia (EAV), Perspectiva Artística, Indumentária, entre outros. Aklander construiu uma obra contemporânea diversificada, aberta, lúdica e interativa, abrangendo várias fases e tipos de materiais, passando pela Arte Conceitual, Surrealismo e Instalações Ambientais. Recebeu seu primeiro prêmio em 1955 no Salão dos Artistas Brasileiros, realizado na Câmara de Vereadores, Rio, com trabalho em cerâmica, seguido de mais de uma dezena de premiações em obras em acrílico (escultura) e serigrafia em exposições nacionais e internacionais. Destacou-se com trabalhos geométricos, realizados “...através de planos de acrílico vazados, onde a interpenetração de cores e de formas possibilitava diferentes percepções a partir do ângulo de visão do observador. Inovou na serigrafia, introduzindo transparências e as cores prata e ouro. Sua preocupação social e ecológica refletiu-se em sua obra, que integrava os vários campos do conhecimento humano”. Na Instalação “Sêmen no Espaço 5” da Equipe Triângulo, apresentado na XII Bienal Internacional de São Paulo, uniu Arte e Ciência. Já nos últimos trabalhos, preocupou-se em integrar a arte com simbolismos religiosos e da cabala. Aklander soube viver com arte - e ensinou aos que tiveram o privilégio de conhecê-la, a arte de viver!


Sergio Fingermann na Dan Galeria


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O artista plástico Sergio Fingermann apresenta, na Dan Galeria, Jardins, São Paulo, SP, “Partes do Todo”, mostra com 21 pinturas em grandes formatos e oito pinturas em papel desenvolvidas entre 2009 e 2010. Essa nova série de trabalhos nasce do encontro do pintor com referências que ele toma emprestadas de manuais ilustrados de estudos de perspectivas. A exposição é acompanhada pelo lançamento do livro “Uma Aprendizagem”, Editora BEI, caixa com um livro e três impressões, 50 exemplares que "...constituem um testemunho de artista plástico sobre a experiência do olhar baseada numa pintura de Aldo Bonadei de 1947.". Até 04 de setembro.


Bruno Novelli (9LI) na Thomas Cohn


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A galeria Thomas Cohn, Jardim Europa, São Paulo, SP, inaugurou a primeira exposição individual de Bruno Novelli (9LI). Antes, o artista expos em galerias de arte em Milão, Califórnia, Copenhague, Barcelona, Porto Alegre e em exibições coletivas no Japão, Inglaterra e França. A exposição consta de onze novas pinturas em grandes formatos e esculturas. Em suas telas mais recentes, Bruno 9LI "concilia elementos orgânicos e geométricos com a sensibilidade de um artista maduro, revelando a interação entre o homem e a natureza com elementos míticos e fantásticos". Até 04 de setembro.


Filme "U" na Laura Alvim


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A Galeria Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro,RJ,inaugurou, "Filme U", exposição individual de Enrica Bernardelli, com escultura, fotografia e vídeo, sob curadoria de Ligia Canongia. Bernardelli fez cinema entre 1979 e 1986. Seus curtas ganharam a atenção de Glauber Rocha.Quando foi morar na cidade do México, em 1984, entrou em contato com a fotografia, trabalhou com a artista Graciela Iturbide. Na volta ao Brasil, foi estudar na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, participou da Bienal Internacional de São Paulo de 2002 e da Bienal do Mercosul de 2001 e 2005. Bernardelli diz que a mostra funciona como a apresentação de fragmentos de um filme imaginário - "Filme U", que batiza a exposição. As imagens, livres da película, renascem como objetos, em projeções ou esculturas."Filme U" é a projeção de um LP que gira incessantemente, em sentido contrário ao do relógio, sem sonoridade. Para a artista, ele é o silêncio do tempo, e ela aposta que o lugar da imagem é onde não existe som algum. Ela acredita que a "imagem" seja o refúgio do som."A obra de Enrica Bernardelli trafega na fronteira do visível e do invisível, interrogando o próprio objeto como entidade fixa e fisicamente determinada, preferindo, ao invés, colocá-lo em estado de metamorfose contínua. [Š] Revirar, transfigurar e inverter são os verbos dessa obra", analisa Canongia. Até 03 de outubro.


Sergio Camargo: Claro Enigma no IAC


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O IAC – Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo, SP, apresenta até 24 de outubro, a exposição “Sergio Camargo: Claro Enigma”. Com curadoria do crítico e professor de arte Paulo Venancio Filho, a mostra reúne obras dos 40 anos de carreira de Sergio Camargo, desde as esculturas mais expressivas do artista, datadas dos anos 1960, até alguns de seus últimos trabalhos. Responsável por uma das mais inovadoras obras da arte moderna brasileira, o escultor iniciou sua formação artística aos 16 anos na Academia Altamira, em Buenos Aires. Em Paris, freqüentou o curso de filosofia da Sorbonne e estudou sociologia da arte na École des Hautes Études, passando então a se dedicar aos relevos em madeira. Sergio Camargo recebeu o prêmio de escultura internacional da Bienal de Paris (1963), de melhor escultor nacional na Bienal Internacional de São Paulo (1965) e o APCA de exposição de escultura do ano (1977). O artista realizou obras para diversos espaços públicos, como o Palácio do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, a Praça da Sé, em São Paulo, e o Banco do Brasil de Nova York. A mostra também relacionará as esculturas a uma seleção de elementos documentais, como desenhos, anotações e fotografias, a fim de “criar uma atmosfera expositiva de ressonâncias e envolvimento, entre operações de ordem distinta e deixar simplesmente que as relações se estabeleçam sem hierarquia e em prol da presença da obra”, explica o curador.


Diálogo Norte-Sul


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Chama-se "Diálogo Norte-Sul" a exposição coletiva com catorze trabalhos em diferentes formatos, uma aposta do Espaço Eliana Benchimol, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ. Os artistas selecionados foram Carlos Cruz-Dies, Jesús Rafael Soto, Vik Muniz, Roberto Scorzelli, Luiz Dolino, Luís Sacilotto, e Arcangelo Ianelli. A idéia geral da mostra é fazer com que o espectador interprete o encontro desses artistas, localizando os pontos de contato, uma sempre possível similaridade entre linguagens e propostas já consagradas e inconfundíveis. De 17 de agosto a 15 de setembro.


Coleção Domingos Giobbi


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A Fundação José e Paulina Nemirovsky, em parceria com Pinacoteca do Estado de São Paulo apresentam, na Estação Pinacoteca, Largo General Osório, Luz, São Paulo, SP, a exposição "Coleção Domingos Giobbi – arte, uma relação afetiva". A mostra apresenta 115 obras de arte sacra brasileira, com destaque para imagens religiosas, em barro cozido, feitas nos primeiros séculos da colonização, e também pinturas e desenhos de Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, Ismael Nery (foto), José Antonio da Silva, Lasar Segall, entre outros. Com curadoria de Maria Alice Milliet e projeto expográfico do arquiteto Pedro Mendes da Rocha e coordenação de Vera Nunes Santana, a seleção de obras da Coleção Domingos Giobbi traça um amplo panorama de sua atuação como colecionador, reconhecida como paradigmática no âmbito do colecionismo desenvolvido em São Paulo em meados do século XX. Segundo Domingos Giobbi, “Colecionar é uma paixão. A coleção nasce e vai crescendo com o passar do tempo. Gosta-se de uma peça, de um móvel, de um quadro, depois de outro e vai-se comprando dentro de um critério, mais ou menos, instintivo. Não há, de antemão, o propósito: ‘quero fazer uma coleção disso ou daquilo’”. A exposição faz parte do Programa de Estudo e Divulgação de Coleções – denominado "Coleções Paulistanas" – que será desenvolvido em quatro módulos. Assim, a cada ano, uma coleção será enfocada, tendo em vista a importância do colecionismo privado em São Paulo e sua contribuição para a constituição de uma história da arte brasileira. A criação desse Programa atende à necessidade de se conhecer melhor o perfil dessas coleções, seu processo de formação e as relações estabelecidas pelos colecionadores com os artistas, a crítica e o mercado de arte. Serão privilegiadas as coleções constituídas predominantemente nas décadas de 1960 e 70, período em que se firmou o comércio de arte na capital paulista por meio de galerias, antiquários e leilões, e também se estreitou o relacionamento entre colecionadores, artistas, marchands e críticos, sob a égide dos Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio, do MASP e das Bienais Internacionais de São Paulo. Ao concluir-se o Programa, as quatro coleções deverão fornecer um recorte significativo do colecionismo paulistano. De 14 de agosto a 05 de dezembro.


SANDBACK NO BRASIL


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O Instituto Moreira Salles, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, traz ao Brasil a exposição "Fred Sandback: o espaço nas entrelinhas". A mostra acontece no IMS-RJ, com exposição paralela em São Paulo. Com curadoria de Lilian Tone, do Departamento de Pintura e Escultura do MoMA, a exposição apresenta um panorama da obra de Sandback, um dos maiores artistas contemporâneos, iniciada em 1968 quando ele estudava escultura na Yale School of Art and Architecture, em New Haven. Aclamado pela crítica internacional, Sandback compôs, por quase 40 anos, suas esculturas utilizando sempre o mesmo material – fio acrílico de lã colorida. O artista utiliza a linha no espaço para construir, articular e definir situações espaciais particulares. Com um fio esticado de um ponto a outro em uma sala, Sandback sugere volumes a partir da interação das linhas com os espaços vazios. O artista cria uma experiência visual única para o espectador, que tem a percepção da obra continuamente alterada à medida que se movimenta. Seu trabalho embaralha os limites entre desenho, escultura e ambiente. Ainda em exibição não só esculturas, mas também trabalhos menos conhecidos do artista, como desenhos, gravuras, litografias e serigrafias. Para a exposição no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo), foram trazidas do espólio Fred Sandbcak 36 obras: 16 esculturas, 10 desenhos, 9 gravuras e 1 relevo em madeira. No período de sua formação, Sandback teve influência dos minimalistas Robert Morris e Donald Judd. Segundo Lilian Tone, “o impacto que esses artistas tiveram sobre Sandback pode ser sentido em sua busca por uma forma de escultura desprovida de narrativa ou de sugestões compositivas”. De 11 de agosto a 24 de outubro.


Na Marcelo Guarnieri


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A Galeria de Arte Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto, São Paulo, SP, apresenta a exposição coletiva, "ANIMAL", partindo das referências modernas, concretas e chegando a produções de destacados nomes da cena contemporânea nacional. A exposição evidencia a representação do animal na arte, a catalogação, o bestial e as extensões entre homem e animal. O bestiário coletado pelo marchand Marcelo Guarnieri é formado por pinturas, desenhos, esculturas, fotografias e instalações reunindo obras assinadas por artistas como Tarsila do Amaral, Brecheret, Vicente do Rego Monteiro, Portinari, Oswaldo Goeldi, Mario Zanini, Djanira, Yolanda Mohalyi, Ivan Serpa, Iberê Camargo, Maria Cecília, Marcello Grassmann, Siron Franco, Baravelli, Mario Cravo Neto, Eduardo Kac, Cristina Canale, Silvia Velludo, Cleido Vasconcelos, Rodrigo Braga, Ana Elisa Egreja, Ana Paula Oliveira e João Loureiro. De 14 de agosto a 13 de setembro.


CriAção Scotch no MuBE

 


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A votação popular realizada pela internet escolheu as oito obras do Concurso de Esculturas CriAção Scotch que estarão em exposição no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), Jardim Europa, São Paulo, SP, a partir de 25 de agosto, quando serão anunciados os três primeiros lugares. Os oito vencedores que seguiram a proposta do concurso de elaborar obras criativas a partir de fitas adesivas transparentes são: Quadro de Luz! , de Alexandre Ferro (São Paulo, SP) O Velho e o Mar, de Arthur Vieira de Medeiros (São Paulo, SP) Colorindo o mundo melhor, de Claudia H. Stern (Porto Alegre, RS)Sustentabilidade e sustentação pela energia Eólica, de Giane Conceição Soares (São Paulo, SP). Encanto, de Ieda Romera da Silva (São Paulo, SP)Não deixe ela escapar, de Roberto Galvão (São Paulo, SP)O Escaravelho e seus Restos, de Sabrina Zagati Travençolo (Campinas, SP)Uma dança, de Silvia Si (Florianópolis, SC). A mostra, tem curadoria da crítica de arte Kátia Canton. As esculturas são propostas criativas que consideram a interação com o espaço público, no conceito de intervenção urbana. De 25 de agosto a 12 de setembro.


Fotocolagens de Marcela Gontijo


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Marcela Gontijo apresenta na Galeria Movimento, - de Ricardo Kimaid Jr. -, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, a exposição individual denominada "Outros possíveis são possíveis", na qual exibe oito obras, em pequenas e grandes dimensões. A artista, que há dois anos reside no México, realizou exposições individuais no Rio e em Santa Catarina, além de participar de coletivas em São Paulo e no México sempre usando a fotografia como suporte. Marcela se inspira na sensação de ser nômade, de buscar suas próprias referências em lugares sem referências pessoais. Na exposição, selecionou um trabalho que vem realizando numa antiga casa onde tem o seu atelier. Segundo Marcela, quando chegou na casa, que data de mais de cem anos, achou o simbolismo perfeito para fotografar e criar. " O espaço estava vazio e eu estou habitando um lugar desconhecido. Agora eu desestruturo as imagens e transformo em outros caminhos.", explica. O critico de arte Felipe Scovino assina a apresentação da exposição. Scovino é organizador dos livros “Cildo Meireles” e “Arquivo Contemporâneo”, ambos publicados em 2009. Segundo ele a obra de Marcela Gontijo “é resultante de um paradoxo: parte de uma desconstrução para a criação de um acontecimento poético regido por uma alta potencialidade.” Até 04 de setembro.


José Resende na Darzé


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Em agosto, a Paulo Darzé Galeria de Arte, Salvador, BA, inaugura exposição de José Resende. O artista iniciou seus estudos de arte em 1963, cursando Arquitetura na Universidade Mackenzie e estudando gravura na FAAP. Sua atuação artística se efetiva a partir de 1966, quando integra o Grupo Rex com Wesley Duke Lee (seu professor de desenho), Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo e Frederico Nasser. Com os dois últimos e Luiz Paulo Baravelli, organiza exposições conjuntas e cria a Escola Brasil. É na escultura que vem a encontrar seu caminho próprio e desenvolve seus trabalhos mais importantes. A incorporação de diversos materiais em uma mesma obra, de tal forma que uma sustente a outra, é uma característica muito frequente em suas esculturas, assim como o uso de líquidos, materiais com baixa temperatura de fusão, flexíveis, que adquirem seu formato pela gravidade ou outra força física que neles atue. José Resende, além de individuais, no Brasil e no exterior, participou de importantes exposições como a Bienal Internacional de São Paulo, Brasil 500, Mostra do Descobrimento, Bienalle de Paris (onde recebeu menção especial), “Arte Brasileira do Século XX”, no Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, Bienal de Veneza, Bienal do Mercosul, Documenta de Kassel, “Latin American Artists of XX Century”, no Museum of Modern Art of N. York. Em 2003, a editora Cosac & Naify lançou um livro sobre sua obra. Até 11 de setembro.


A espiritualidade popular


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A Galeria Brasiliana, Jardim AMérica, São Paulo, SP, inaugura a exposição "Espiritualidade" do artista plástico Jadir João Egídio, com 20 esculturas em madeira, com dimensões variadas, nas quais retrata suas crenças e inspirações. O artista transporta - literalmente - seu universo às obras que cria. Jadir trabalha somente com madeira bruta, transformando-a com levidade única, em obras que encantam admiradores da arte de raiz popular brasileira. Seus trabalhos são predominantemente de cunho religioso, na maioria das vezes imagens de santos. O artista trabalha apenas com material bruto, como dormentes e mourões já sem uso, cochos e pranchas arruinados pelo tempo. São madeiras de origem nobre, praticamente extintas, podendo-se citar baraúna, vinhático, aroeira entre outras. Jadir João Egídio não freqüentou escolas de arte e realiza seus trabalhos apenas expressando sua percepção do mundo e suas crenças pessoais. A curadoria é de Roberto Rugiero. De 10 de agosto a 11 de setembro.


Marcius Galan na Galeria Silvia Cintra + Box 4


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Em sua primeira individual no Rio de Janeiro, na Galeria Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, o artista Marcius Galan, nascido em Indianápolis, USA, radicado em São Paulo, apresenta oito obras da série isolante, onde objetos domésticos são destituídos de sua função original para servirem de vértices para demarcações no espaço. Marcius é finalista do Prêmio Pipa - Premio Investidor Profissional de Arte - e é um dos sete artistas selecionados da Galeria para a 29ª Bienal de São Paulo, ao lado de outros grandes nomes da arte contemporânea. As obras que serão mostradas na Galeria Silvia Cintra + Box 4 serão uma prévia do que o artista apresentará na Bienal. Na obra “Definição de Espaço”, pregos são colocados na parede formando um grid com diversas possibilidades de formação de desenhos. Da mesma série, ”Arco” é composta por um prego, um tijolo e uma fita de ferro que ao girar constrói um arco com o atrito do tijolo na parede da Galeria. Em alguns trabalhos o artista busca criar um jogo onde se turva a percepção ao confundir a compreensão das propriedades físicas dos materiais como peso, flexibilidade, sustentação, etc... Outra série de trabalhos investiga conceitos de escala, geometria e de representação, criando situações onde se pode obter uma fração de um ponto, onde a linha que divide um plano é apresentada em uma escala em que sua área de ocupação é maior que a área restante. De 05 de agosto a 04 de setembro.


O Vazio Inventado na Mercedes Viegas


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A Mercedes Viegas Arte Contemporânea, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Amalia Giacomini – Vazio Inventado”, com obras recentes e inéditas da artista, feitas especialmente para o espaço da galeria. Amalia Giacomini mostrará trabalhos das séries “Aeroplano”, “Paisagens”, “Entre” e “Dobras”, iniciadas no final de 2009. As obras são estruturas de tramas duplas ou triplas de elásticos presos em molduras de madeira ou diretamente na parede, que criam perspectivas diferentes à medida que o espectador se movimenta em frente aos trabalhos. “Meu interesse é em criar ambiências, espaços, vazios, um quadro sem a matéria, só o espaço representado”, diz. Para trabalhar o chão da galeria, um espaço que sempre gosta de utilizar, Amalia fez uma variação das obras da série “Entre”. A partir de 02 de agosto.


Anita Malfatti no CCBB/RIO


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O Centro Cultural Banco do Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição mais importante já organizada sobre Anita Mafaltti. O evento reunirá as mais significativas obras da artista que é ícone do modernismo brasileiro. A mostra também Inclui obras que raramente ou que nunca foram mostradas ao público. A curadoria é de Luzia Portinari Greggio. Após passar por Brasília, a "Retrospectiva Anita Malfatti – 120 anos" chega renovada. O público carioca contará com algumas telas que não foram apresentadas na mostra anterior, reunindo um acervo de 120 obras vindas de 70 museus e colecionadores particulares de várias partes do País. Entre as novidades, oito quadros enviados pelo Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), que enriqueceu ainda mais o núcleo da exposição mais significativo na trajetória da artista – o de sua fase expressionista, que resultou na polêmica exposição de 1917. Além das famosas telas "A boba", "A amiga", "O farol", "A onda", "O homem amarelo", "Ventania", obras que marcam essa fase da pintora, a mostra carioca ainda terá "O homem de sete cores" e o "Estudo para a Boba". Dividida em módulos temáticos e dispostos cronologicamente, a exposição desvenda ao público uma artista de muitas fases, inquieta, aparentemente insegura e sempre incompreendida. De 30 de julho a 26 de setembro.


Madeira-Memória


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A artista plástica Priscila Pinto, apresenta no Centro Cultural Palácio da Justiça, Manaus, AM sua mais recente exposição individual "Madeira-Memória", "...uma interpretação do possível significado de conteúdo material e imaterial de objetos e pedaços de madeira usados. Relacionam-se a passagem do tempo, a degradação, o esquecimento e o reaparecimento através da memória e da imaginação". Priscila apresenta objetos, painéis e pequenas peças em diversas séries que remetem a memórias da casa e da infância. Fformada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Amazonas, tem por temática em suas exposições o ser humano, a solidão, o sonho, a memória, a natureza e a cultura amazônica. Foi mapeada pelo programa Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural em 2005/2006, com série de fotografias de pinturas. Ao longo de sua carreira tem realizado instalações e exposições de pinturas, desenhos, infografias e objetos em Manaus. De 30 de julho a 17 de setembro.


FOTOGRAFIA NO MON


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O Museu Oscar Niemeyer, MON, Curitiba, Paraná, exibe a mostra “Onde a Água encontra a Terra”. O curador Paulo Herkenhoff e o fotógrafo Leonardo Kossoy estiveram presentes na abertura do evento. O trabalho com os opostos – a água e a terra, a mecânica dos fluidos e a mecânica dos sólidos, o masculino e o feminino, é a proposta desta exposição. As 53 obras em exibição estabelecem relações sobre a presença da água na fronteira com a terra, elementos marcantes na produção da americana Carol Armstrong, do carioca Fernando Azevedo e do paulistano Leonardo Kossoy. Sob a ótica de cada um é demonstrada a capacidade simbolizadora da matéria –água e terra – e os fotógrafos reunidos imprimem uma interpretação contemporânea para tratar do nomadismo da vida atual, da vulnerabilidade do ser, da relação entre natureza e cultura. O patrocínio é da Russel Reinolds Associates. Até 07 de novembro.


Coleção Patricia Cisneros na FIC


Soto


Oiticica


Lauand


Gego

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A mostra "Desenhar no Espaço", em exibição na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, trata de uma etapa crucial no desenrolar dos movimentos abstracionistas no Brasil e na Venezuela, em um momento histórico no qual alguns dos melhores artistas sentiram a necessidade de trabalhar fora dos limites tradicionais de artes visuais. Além disso, busca destacar, por meio da comparação entre dois países próximos, que o contraste com o outro é a melhor maneira de conhecer a nós mesmos. Dez grandes nomes da arte abstrata na América Latina - pinturas, gravuras, esculturas e desenhos - estarão reunidos nessa exposição: Alejandro Otero, Carlos Cruz-Diez, Gego, Hélio Oiticica, Hércules Barsotti, Jesus Soto, Judith Lauand, Lygia Clark, Mira Schendel e Willys de Castro. "Desenhar no Espaço", traz ao país, 79 obras que integram o acervo de uma das mais importantes coleções de arte contemporânea da América do Sul, a Coleção Patricia Phelps de Cisneros. Essa exposição, com curadoria de Ariel Jiménez, propõe um diálogo entre o percurso abstracionista no Brasil e na Venezuela da década de 40 até meados dos anos 70. De 29 de julho a 31 de outubro.


VIK MUNIZ NA FORTES VILAÇA


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A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta "Verso", exposição individual de Vik Muniz. A exposição reúne oito objetos tridimensionais de diversos tamanhos feitos de madeira e mídias variadas, que reproduzem fielmente o verso de obras célebres como "Les Mademoiselles d’Avignon" de Picasso e "La Grande Jatte" de Seurat que durante o período de seis anos o artista fotografou e estudou em parceria com a equipe curatorial e de conservação de instituições como o MOMA, Guggenheim e o Art Institute of Chicago e um time especializado de artesãos, artistas e especialistas em cópias de pinturas.Durante os últimos 20 anos Vik recria imagens icônicas e utiliza-se de técnicas que relatam o processo de criação da obra de arte. Ao observar a história de algumas destas imagens expostas e revelar o lado desconhecido delas, a série "Verso" leva o artista de volta a criação de objetos, técnica com a qual ficou conhecido ainda na década de 80. Para a exposição de São Paulo, Vik Muniz trabalhou junto à Pinacoteca do Estado de São Paulo, O MAM do Rio de Janeiro e o MASP para reproduzir o verso das pinturas "A Estudante", de Anita Malfatti; "O Abaporu", de Tarsila do Amaral; São Paulo, 1924, de Tarsila do Amaral e "Samba", de di Cavalcanti respectivamente. O trabalho de Vik Muniz encontra-se em coleções em todo o mundo, entre eles no Museum of Modern Art, New York; Metropolitan Museum of Art, New York; Whitney Museum of American Art, New York; The Art Institute of Chicago; Los Angeles County Museum of Art; San Francisco Museum of Modern Art; Museu de Arte Moderna, Rio; Museum of Contemporary Art, Tokyo; Daros Foundation, Zurich; e na Tate, Londres. De 29 de julho a 11 de setembro.


Sergio Allevato na Galeria Artur Fidalgo


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A primeira exposição individual de Sergio Allevato em espaço profissional será na Galeria Artur Fidalgo, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ. O artista tem obras nas coleções permanentes do MAM-RJ (Coleção Gilberto Chateubriand), Coleção Hecilda e Sergio Fadel e American Museum of Natural History of New York, entre outras. Allevato fez mestrado em Arte Contemporânea na Goldsmiths College, Londres, UK, de 2006 a 2008. Na série “Atlas Botânico”, os personagens característicos de um lugar, aparecem em uma planta endêmica daquele lugar. O jogo proposto pelo artista é assim estendido a uma ampla pesquisa da botânica e da nacionalidade ou afinidade territorial dos personagens. Na série “Rio de Janeiro”, os pistilos de uma bromélia nativa da região, a Alcantarea imperialis, tornam-se o Zé Carioca, sua namorada Rosinha e os sobrinhos. Há uma parte da planta de que o personagem de gibi freqüentemente se apossa: o órgão reprodutor. Em um dos trabalhos, o Pinóquio “excitado”, é o androceo da Amaryllis. Qual o sentido de um personagem infantil da Disney, assexuado, aparecer no órgão sexual de uma planta? Por quê elementos culturais e naturais disputam território? A mistura inesperada de campos díspares deixa o observador desconfiado, como quem está diante de um trabalho malicioso, em que as coisas – a infância, a natureza, a cultura –, não são o que parecem. A imagem tem um sorriso irônico no canto dos lábios. De 04 de agosto a 04 de setembro.


A Carta da Jamaica

 
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O Oi Futuro, Flamengo, traz para o Rio de Janeiro a mostra “A Carta da Jamaica”, com obras em vídeos e fotografias de 19 artistas de 12 países, feitas especialmente para esse projeto, que busca investigar, com recursos contemporâneos, o bicentenário da independência da América Hispânica, comemorado em 2010 na Argentina, Chile, Colômbia e México, e nos próximos anos nos demais países de língua espanhola do continente. Os artistas foram convidados a viajar e residir em várias cidades da América Hispânica, para produzirem seus trabalhos. A exposição ocupará todo o prédio do Oi Futuro no Flamengo, com 14 vídeos, seis fotografias, e duas fotoprojeções. Outro segmento da mostra, com quatro vídeos, será realizado no Museu da Maré, a partir do dia 5 de agosto. “A Carta da Jamaica” reúne no Oi Futuro obras dos artistas Leticia El Halli Obeid, Laura Glusman (Argentina), Narda Alvarado, Gastón Ugalde (Bolívia), Neville D´Almeida, Regina Parra, Emmanuel Nassar (Brasil), Claudia Aravena Abughosh, Gianfranco Foschino (Chile), Humberto Vélez (Panamá), Fernando Gutiérrez (Peru), Martín Sastre (Uruguai), Alexander Apóstol (Venezuela), Christine de La Garenne (Alemanha), Bjørn Melhus (Noruega/Alemanha), Mariana Vassileva (Bulgária/Alemanha). No Museu da Maré, estarão os vídeos dos artistas Julian d'Angiolillo (Argentina), Joaquin Sánchez (Bolívia), Marxz Rosado Ríos (Porto Rico) e Bjørn Melhus (Noruega/Alemanha). Curadoria Geral de Alfons Hug, curadoria nacional de Alberto Saraiva, curadora-adjunta de Paz Guevara e como assistente de curadoria, Sandra Lyra. A partir de 02 de agosto e até 05 de setembro.


WESLEY NA PINAKOTHEKE CULTURAL


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A Pinakotheke Cultural, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a mostra “Wesley Duke Lee”, com cerca de 60 obras do artista que tem importância histórica para a arte brasileira. Criador do Grupo Rex, em 1966, em companhia de Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Frederico Nasser, Carlos Fajardo e José Resende. A mostra se reveste de um caráter de tributo. Wesley Duke Lee foi precursor em várias frentes artísticas, como a realização de happenings, performances, instalações, chamadas na época de ambientes, e na discussão sobre o papel do mercado, com quem rompeu nos anos 1960, criando o Grupo Rex. As obras selecionadas por Max Perlingeiro, cobrem o período dos anos 1950 ao final dos anos 1990. São pinturas, desenhos, instalações, a maior parte nunca vista pelo público, ou há muitas décadas sem serem mostradas. Max Perlingeiro observa que: "...Quando se espalhou a notícia de que haveria uma exposição em sua homenagem, os que conviveram com ele acorreram para emprestar uma obra, um documento, uma fotografia". Serão quatro ambientes, que irão da década de 1950 ao final da de 1990, quando reduziu sua produção. Em cada uma das salas serão exibidos trechos de uma longa entrevista de 1991, na qual o artista fala sobre as diversas fases de sua trajetória. Uma bem-cuidada publicação de 160 páginas acompanhará a exposição. Os textos são de Tomaz Souto Correa, amigo de vida inteira do artista, que seleciona e comenta trechos da correspondência amorosa entre Wesley Duke Lee e Lydia Chamis; Nelson Leirner (integrante do Grupo Rex); Antonio Dias e Carlos Vergara, que fazem um depoimento sobre o artista; Maria Cecília Gismondi (artista e amiga de uma histórica performance de 1963); e Cacilda Teixeira da Costa, biógrafa do artista, autora de uma cronologia, ilustrada com documentos, cartazes, fotos, cartas, obras e objetos pessoais. De 21 de julho a 02 de outubro.


Goeldi, um mestre nacional


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O Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura, a exposição "Goeldi – o encantador das sombras", que dá partida as homenagens pelo cinquentenário da morte do artista. A mostra, sob a curadoria de Lani Goeldi, sobrinha neta do artista, oferece ao público um amplo panorama de sua trajetória artística e pessoal. Curadora e responsável pela difusão e preservação da obra e da memória de Oswaldo Goeldi, Lani Goeldi afirma que "a exposição é uma das maiores já realizadas sobre o artista". Além de gravador, desenhista e ilustrador, Goeldi era admirado por sua personalidade marcante e sua atividade de professor. Entre seus discípulos estão Lívio Abramo, Samico, Newton Cavalcanti, Darel Valença Lins e Anna Letycia. Foi o responsável por todo um trabalho de formação de gravadores (em madeira) no Brasil no século 20. Embora tivesse um temperamento reservado, procurava estar sempre ao lado de amigos como Iberê Camargo, Carlos Scliar, Anibal Machado, Portinari, Bandeira de Mello, Carlos Drummond de Andrade e Di Cavalcanti. Era avesso a modismos e económico nas palavras. A produção da mostra está a cargo de Anderson Eleotério e Izabel Ferreira. De 22 de julho a 05 de setembro.


Pinturas e objetos de Gonçalo Ivo na Anita Schwartz


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A Anita Schwartz Galeria, Gávea, Rio de Janero, RJ, apresenta a exposição "Campo Santo", individual de Gonçalo Ivo, com obras produzidas de 2005 até hoje. As obras foram pensadas especialmente para o espaço da galeria, e isso ocorreu desde o momento que o artista viu suas plantas arquitetônicas. Considerado um dos maiores coloristas do país, Gonçalo Ivo investiga nos trabalhos dessa mostra de forma simbólica, através das imagens e da relação entre os vários materiais utilizados – telas de linho, objetos em madeira, pedra, concreto, mármore –, questões como o efêmero e o perene, a vida e a morte. De 14 de julho a 04 de setembro.


Ernesto Neto em Londres


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Uma exposição em Londres, do artista plástico Ernesto Neto abre o Festival Brazil, que durante os próximos três meses celebrará no Southbank Centre a diversidade cultural brasileira. Nessa mostra, intitulada "The edges of the world" ( em português, "Os limites do mundo"), Ernesto Neto convida o público a uma experiência interativa e sensorial no interior e nos terraços da recém-restaurada Hayward Gallery, no complexo cultural da margem sul do rio Tâmisa. O artista criou uma série de instalações e esculturas interligadas, que permite ao visitante explorar, tocar, cheirar, sentar-se e até mesmo mergulhar numa piscina ao ar livre. Para o interior da galeria, destinou estruturas com finas camadas de tule em lycra translúcida e flexível, semelhante a uma membrana que separa um espaço do outro. Até 05 de setembro.


Brasil em Portugal


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A exposição "A Nossa Carmen", Centro Cultural de Cascais, Portugal, é uma parceria entre a Espírito Santo Cultura, Fundação D. Luís I e a Câmara Municipal de Cascais, com entidades brasileiras. A mostra conta a história da Pequena Notável recorrendo a dezenas de peças originais do Museu Carmen Mirada do Rio de Janeiro, como roupas, jóias, sapatos, partituras e cartazes, além de imagens, projeções de filmes e um ambiente cenográfico que ajuda a recriar a época. Para o curador, Ruy Castro, a mostra, “não é apenas uma exposição sobre uma grande artista...ela é também uma história da música popular brasileira, da praia, do Carnaval, da juventude do passado, das estações de rádio e dos cassinos cariocas, da Broadway, dos bastidores de Hollywood..." Um retrato de época. Até 26 de setembro.


“a céu aberto”


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O corredor cultural do Rio de Janeiro não será o mesmo a partir da inauguração da exposição "A céu aberto," da Casa França-Brasil, idealizada pelo curador Marco Antonio Teobaldo para ocupar a área externa do espaço, com uma programação adicional ao calendário da Casa. A mostra apresentará obras de Leonilson, Paulo Vivacqua, Geléia da Rocinha e Smael, que irão ocupar o entorno do prédio com palavras, pinturas e instalação sonora. A partir de obras em diferentes suportes, "A céu aberto" tem como objetivo criar novas situações para promover ocupações artísticas na arquitetura externa do prédio, levando o público que circula pelo centro da cidade a observar e deixar-se atrair pela arte ao seu redor. “O projeto "A céu aberto" irá estabelecer uma relação harmônica com a construção histórica do prédio, com o público e com as obras que serão exibidas”, diz o curador. Acreditando na proposta, Evangelina Seiler, diretora da Casa, que apoiou a iniciativa desde a apresentação do projeto, ressalta : “A Casa França- Brasil visa a integração das suas atividades no contexto urbano e esta exposição terá também esta qualidade”. De 29 de maio a 10 de outubro.


O passado na obra de dois artistas vencedores
Vik Muniz lança 'catálogo raisonné' e fala com Beatriz Milhazes sobre 'revisionismo'


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Vik Muniz é o primeiro artista brasileiro contemporâneo a ter o registro integral de sua produção artística lançado em livro, o chamado "catálogo raisonné". O lançamento, da editora Capivara, é amanhã no Rio e quinta em São Paulo. Organizado por Pedro Corrêa do Lago, o belo volume tem 710 páginas e 1.600 imagens que ilustram cronologicamente as 1.200 obras criadas pelo artista paulista desde o início de sua carreira, há 22 anos. Para conversar com Vik sobre este seu momento de revisionismo (seria precoce para um artista tão jovem?), convidamos Beatriz Milhazes, outro nome do País com incrível projeção internacional e com obras igualmente valorizadas no mercado mundial de arte. A seguir, o papo de Vik e Bia, exclusivo para o Estado.
Beatriz Milhazes: Fomos nos encontrar só no contexto internacional, não é Vik? Não o conhecia antes, só quando comecei a expor em NY, quando iniciei carreira internacional.
Vik Muniz: Quando comecei a mostrar minha obra no Brasil, você começou lá fora. Ou seja, nossas carreiras são inversas.
Beatriz: Isso. Começamos a trocar figurinhas no início dos anos 90.
Vik: Isso vai dar bandeira da nossa idade... (Risos) Por uma questão de contexto, nossos trabalhos só se encontraram em exposições temáticas, do tipo "artistas brasileiros". Fora isso, nunca.
Beatriz: O que tínhamos em comum era o Marcantonio (Villaça, marchand e galerista pernambucano, morto em 2000). Ele era diferente do que havia então no mercado, abriu as portas internacionais para artistas brasileiros. Viemos de várias pontas e nos cruzamos ali, através do Marcantonio.
Vik: Ele era diferente de todos os outros. Ligava dia sim, dia não, era nosso amigo. Galeria normalmente pensa na parte comercial. Ele curtia ter uma relação com o artista, fora da parte comercial. Artista tem ego grande, então ele promovia uma certa competição entre nós. Provocava, falava: "Bia está com uma exposição em tal lugar..."
Beatriz: É verdade. Ele queria saber o que você estava fazendo, acompanhava. Os rumos mudaram muito depois da morte dele. Já vai fazer 10 anos, meu Deus! Mas, Vik, sobre o seu catálogo raisonné, como se sentiu fazendo isso?
Vik: Chega um nível em nossa carreira em que temos de gerenciar tudo o que foi feito. Deixamos um rastro de obra. A ideia de fazer o catálogo é ter de domar esse monstro, o trabalho que você deixou, o legado... Você começa a se dar conta da amnésia em relação a seu próprio trabalho. Tive de pesquisar trabalhos de 20 anos atrás, coisas que nem lembrava ter feito.
Beatriz: Eu estou preparando a mesma coisa para um livro e fui bater em coisas que fiz no Parque Lage, mas não são importantes, sei lá...
Vik: Antes eu sempre desenhava, desde pequeno, fazia escultura, mas não me considerava artista. Eu me considerava um desenhista, um fazedor de coisas. O catálogo raisonné do Picasso tem desenhos de criança, são dezenas de volumes. Mas só me considero artista a partir do momento em que aluguei um estúdio, em 1987, e resolvi viver de arte. Ainda estava experimentando muito.
Beatriz: Quando você começa a revisar a sua obra, isso é o que mais mexe. É curioso, porque agora você vai ter de criar uma "escritura" para o que fez de forma espontânea...
Vik: Você passa muito tempo tentando desenvolver uma linguagem, criando uma via de acesso para o público identificar o seu trabalho. Uma vez que você estabelece essa linguagem, quando você descobre, você tem a noção de que as pessoas te conhecem. Mas ao revisar seu trabalho, é interessante descobrir que podia ter percorrido determinados caminhos e não percorreu.
Beatriz: Eu tenho um período do meu trabalho em que eu simplesmente joguei fora quase tudo que eu fiz, porque não entendia, não gostava. Eu falei: "Não tenho condição de conviver com nada disso." Agora, nesse período em que comecei a "revisionar", e isso tem um ano, foi quando comecei a entender o período.
Vik: Mas já tinha jogado fora...
Beatriz: Já, mas não me arrependo. Engraçado, eu achei que viria um arrependimento, mas não veio. Na verdade, tive, mas só por algumas poucas obras. O engraçado mesmo é começar a entender aquela fase.
Vik: Nesse meu livro tem coisa de que eu não gosto também.
Beatriz: Por isso deve ser melhor fazerem o catálogo depois que a gente morre, né? (Risos)
Vik: Você começa uma carreira e vai dando tiro para tudo quanto é lado, às vezes você mata um pombo. Você pensa em duas razões: algo que lhe satisfaça intelectualmente e outra que satisfaça o público. Esse feedback, essa cobrança, é muito importante. Como estamos viajando o tempo todo, é difícil ter tempo de parar e pensar no que fez. O livro o coloca em uma posição privilegiada, você vê as ramificações do que foi feito por você. Mas é perigoso, porque você se envolve muito consigo mesmo. Eu fui voltando, fui voltando... daí torna-se inevitável para um artista dialogar com o próprio passado.
Beatriz: Eu ia perguntar isso. Se vendo sua obra como um todo, você começaria a dialogar com o passado.
Vik: É natural. Na minha idade, no lugar em que estou, faço isso de uma forma ou de outra. Não tenho esse luxo de parar e pensar na vida. Estamos sempre correndo. O livro me forçou a pensar em tudo. Tenho uma responsabilidade técnica mesmo, de colocar uma coisa atrás da outra.
Beatriz: Como foi fazer um catálogo raisonné tão jovem? Penso que nós vivemos uma situação interessante. O nosso papel é inédito, os preços, a localização, as coleções, isso é inédito no contexto de arte brasileira. Isso está colocando a gente em situações que outros não tiveram. Penso em Lygia Clark na nossa idade, que não estava nem perto desta posição... Você tem de lidar com situações que outras gerações brasileiras não teriam de lidar.
Vik: Penso que daqui a 20 anos esse livro só deverá existir no formato digital. O conteúdo, a distribuição, esta organização tem a ver com uma necessidade. Tanto eu como você, Bia, temos de fazer isso e por motivos diferentes. Você lida com a pintura, que produz objetos únicos, por isso catalogar também é tão importante. Saber quem comprou seu trabalho e onde ele foi parar, pois se fizer uma exposição retrospectiva, vai ter de rastrear cada obra. No caso da foto, não é tão sério, posso imprimir tudo e fazer a exposição. E eu trabalho em série. Vou aplicando os conhecimentos dentro da série. É como escrever novela, vou matando alguns personagens, fazendo uma intriga aqui, outra ali.
Beatriz: Você tem arquivo digital...
Vik: O arquivo digital está lá. Mas isso aqui (aponta o livro) é baseado em uma cronologia. É engraçado, pois você visualiza tudo.
Beatriz: O digital está lá, mas o livro tem outro contexto, não é?
Vik: O trabalho em série produz um número maior de objetos, inevitavelmente. Eu poderia estar fazendo coisas maiores, colocar mais conteúdo, mas tenho dificuldade com isso. Procuro dissipar isso em pequenos objetos, a natureza do meu trabalho produz um número muito grande de objetos. Na pintura, você aplica o conhecimento na própria pintura. Fotografia determina pontos, é uma extensão maior.
Beatriz: Ainda estou curiosa. Na hora de fazer a cronologia, você não fez uma seleção/pré-curadoria?
Vik: Não fiz. Mas o que não está aqui foram as coisas que se perderam. O artista quando jovem está preocupado em fazer o trabalho, não se preocupa em documentar. A gente está muito envolvido com a criação e coisas se perdem ao longo do caminho. É preocupante essa amnésia em relação ao seu próprio trabalho. Em 20 anos, você esquece de muita coisa. Penso agora que foram semanas da minha vida dedicadas a algo que perdi na memória. Gastei dinheiro, peguei trem e não tenho mais a menor lembrança daquilo.


O interior de Iberê


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A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, abre mais uma exposição de seu acervo: "Paisagens de Dentro". Com curadoria de Icleia Borsa Cattani, a mostra olha para as paisagens produzidas pelo artista, ainda pouco estudadas. Indo desde o início de sua carreira até as últimas décadas, exibe "...paisagens geradas a partir do interior de seu sistema de signos e do interior de si mesmo". Segundo a curadora, o tema era recorrente no início da carreira de Iberê, entre as décadas de 1930 e 1950. Posteriormente, retornou nas pinturas mais recentes, mas sem tratar "de uma representação de locus específico, e sim de um olhar para dentro". Foi depois de 1980 que o artista retornou, aos poucos, à figuração, colocando imagens e signos não figurativos em suas obras. Com o passar dos anos, as figuras foram predominando, e a paisagem retornou – mas sem vínculos com imagens reais. De 11 de dezembro a 05 de setembro de 2010.