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editor: Renato Rosa
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Linguagem
própria

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O TNT
Escritório de Arte, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, apresenta
Cosme Martins em exposição individual com pinturas recentes e
inéditas. Cosme Martins recebeu orientações de Rubens Gerchman, Kate
van Scherpenberg, Luiz Áquila e Aluísio Carvão. “O mais
surpreendente na obra de Cosme Martins é a coerência da linguagem
adotada, cuja referencia mais imediata encontramos no extraordinário
acervo da azulejaria colonial, enriquecendo a arquitetura de São
Luiz. Há uma identidade subliminar neste enfoque, resultante de
convivência humana do artista com seu meio, ativada por um olhar
registrado de primeira qualidade", são palavras elogiosas do crítico
Walmir Ayala em seu "Dicionário de Pintores Brasileiros", de 1987.
Mais recentemente o pintor Gonçalo Ivo também mostrou-se um
entusiasta da obra de Cosme Martins: "...Que o tempo lhe seja
generoso para continuar na estrada da pintura." De 16 a 27 de março. |
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Tomie na
Marcelo Guarnieri


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A Galeria de
Arte Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto, SP, apresenta um calendário
irrepreensível em termos de seleção e qualidade entre seus artistas
expositores. A escolha da vez é a segunda mostra individual que
Tomie Ohtake realiza na galeria. A mostra é formada por trabalhos
realizados desde a década de 1950 onde pinturas, esculturas e
gravuras formam um conjunto coeso dentro da trajetória da artista.
Tomie construiu uma trajetória como poucos artistas brasileiros
conseguiram. Os anos 60, quando se naturalizou brasileira, foram
decisivos para a sua maturação como pintora originária da abstração
informal. Em gravura, começa trabalhando com serigrafia e
litogravura, a partir dos anos 1970. Para a maioria dos críticos,
esse aprendizado revitaliza sua obra pictórica. Surgem em suas telas
a linha curva e as formas orgânicas. Embora de caráter abstrato,
ocorre em alguns quadros a sugestão de paisagens: montanhas ou
curvas de rios. Intensifica o dinamismo e a sugestão de movimento.
Em obras realizadas a partir da década de 1980, emprega uma escala
de cores mais quentes e contrastes cromáticos mais intensos. Os
últimos anos a artista vem desenvolvendo uma série de obras
tridimensionais, ocupando espaços públicos com formas sinuosas que
remetem a própria pintura. Até 26 de março. |
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Claudio
Carpi – Almas Cinematográficas

Marcello Mastroianni |

Johnny Depp |

Sean Penn |

Monica Bellucci |

Roberto Burle Marx |

Niemeyer |

Fernanda Lima
e Ronaldo |
O MAM, Rio, e
o Istituto Italiano di Cultura apresentam a exposição “Claudio Carpi
– Almas Cinematográficas”, fotógrafo internacional que vive entre
Paris, Los Angeles e Rio de Janeiro. Esta é a sua primeira exposição
na qual aproveita o convívio privilegiado com astros atuais como
Sean Penn, Monica Bellucci, Antonio Banderas, Johnny Depp e George
Clooney, Carpi desenvolveu um trabalho autoral, onde o público
poderá apreciar seu olhar agudo e cristalino. O artista selecionou
33 obras originais, todas feitas em uma câmera Linhoff analógica, em
placa de negativo no formato 4 x 5 polegadas [9 x 12cm]. As
fotografias foram ampliadas em Paris, e impressas em papel de
algodão, alemão, em formato especial, que varia de 40cm x 50cm a
2,80 metros. Dentre os retratados, estão alguns brasileiros, como
Roberto Burle Marx, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Maitê Proença,
Fernanda Lima e Ronaldo Fenômeno. Outras personalidades poderão ser
apreciadas como Marcello Mastroianni, Alberto Moravia, Vittorio
Gassman, Ethan Hawke, Nicole Kidman, Natalie Portman, Audrey Tautou,
Laurence Fishburne, David Lynch e Ewan McGregor. Tem fotografado os
rostos das mais famosas personalidades do mundo cinematográfico,
como Robert De Niro, Dennis Hopper, Josh Brolin, Paul Giamatti,
Robert Downey Jr. e Keanu Reeves. Suas fotos têm sido publicadas nas
mais importantes revistas internacionais, como Vanity Fair, Time,
Entertainement Weekly, GQ, Issue One, Twill, dentre outras. De 16 de
março a 02 de maio. |
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Burjato no circuito recifense

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A Sala Recife, Recife PE,
promove exposição individual de guaches e óleos de Fernando Burjato.
Inspirada em espaços semelhantes, geridos por artistas, como os
ateliês Torreão e Subterrânea, ambos em Porto Alegre, Alpendre, em
Fortaleza, Arco, em Florianópolis, Galeria Cilindro, em Campina
Grande, entre outros, a Sala Recife entrou no circuito de artes
visuais em abril de 2009. O foco de interesse na programação recai
sobre as técnicas de desenho e pintura. Sem editais, inscrições ou
seleções, o espaço elabora sua programação por convites, através de
um conselho formado por Eduardo Frota, Gil Vicente, Manoel Veiga,
Marcelo Silveira e Renato Valle. Com 30 m² de área, adequada para
pequenas exposições, a Sala Recife é uma iniciativa privada,
idealizada por seus conselheiros para afirmar, resgatar e revelar
artistas, promovendo a produção, a formação do olhar e a reflexão
crítica. Até 09 de abril. |
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Março da Amarelonegro

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A Amarelonegro
Arte Contemporânea, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, é uma galeria que
promove e investe em talentos jovens. Na "Coletiva Março 2010",
serão expostos trabalhos de cinco nomes do elenco fixo da casa,
trabalhos inéditos, nos quais são utilizados temáticas e materiais
da preferência de cada um. Alê Souto exibe a "desconstrução urbana
com esculturas de papelão revestido de massa plástica e duas
gravuras produzidas num intercâmbio com o México"; Bianca Tomaseli
continua seu trabalho com cerâmicas e rejuntes, tendo como tema o
sanitarismo; Geraldo Marcolini mostra pinturas feitas com plástico
bolha e tinta óleo que imitam a granulação das imagens digitais de
baixa resolução; Hugo Houayek realiza trabalhos de pintura
que "...exploram os limites do campo pictórico e sua relação de
fronteira com o mundo"; enquanto Luiza Baldan - a mais nova adesão
ao quadro de artistas da galeria -, trabalha exclusivamente com a
fotografia. De 09 a 20 de março. |
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Na Artur
Fidalgo

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A Galeria
Artur Fidalgo, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, inicia seu calendário
artístico de 2010 com Albano Afonso. Partindo do conceito de Jardim
como representação do Paraíso, o artista busca em parques e jardins
observar e registrar como as pessoas se relacionam e interagem numa
natureza idealizada. Originária da observação à distância, as
narrativas construídas tentam compreender o indivíduo e a natureza a
sua frente, como numa expedição de reconhecimento. As imagens
captadas pelo ato fotográfico são posteriormente catalogadas e
organizadas. Através do registro de vários aspectos da mesma cena, o
artista captura no tempo/espaço aquilo que escapa aos nossos
'olhos'. Os fatos que ocorrem nos locais escolhidos estabelecem uma
narrativa. Por fim, as imagens de desconhecidos se transformam em
não lugares que reafirmam a impossibilidade destes paraísos e a
domesticação das paisagens idealizadas. Na mostra "O Jardim - Faço
nele a volta ao infinito", Albano Afonso apresenta uma nova série de
fotografias e vídeos pensados para o espaço da Galeria Artur
Fidalgo. A exposição, composta de 07 obras, sendo 04 polipticos,
trata da construção do imaginário e da relação do homem com a
natureza. Até 08 de abril. |
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Vergara:
catálogo

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O
MAM Rio lança dia 11 de março, com a presença do artista, o catálogo
da exposição “Carlos Vergara: A dimensão gráfica – uma outra energia
silenciosa” (Aeroplano). A publicação tem 200 páginas, formato de 27
x 27cm, aproximadamente 250 imagens, e textos de George Kornis,
curador da mostra, e Gloria Ferreira, crítica de arte. O livro traz
ainda textos de Helio Oiticica sobre a obra de Vergara, e trechos do
seminário organizado durante a exposição, que teve a participação de
Luiz Camillo Osório, Frederico Coelho, Paulo Sergio Duarte, George
Kornis, Lorenzo Marsili, Paulo Herkenhoff, Daniela Labra e Giuseppe
Cocco. A tiragem é de 2.500 exemplares, e o preço R$ 80. O
patrocínio da publicação é da Vale e Secretaria de Cultura do Estado
do Rio de Janeiro. A exposição “Carlos Vergara: A dimensão gráfica –
uma outra energia silenciosa”, fica em cartaz no MAM Rio até dia 14
de março, reúne um conjunto de mais de 200 trabalhos realizados pelo
artista dos anos 1960 até hoje, onde a linguagem gráfica é o fio
condutor. |
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A ALQUIMIA DE GUY

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Guy
Veloso mostra na Galeria do Ateliê, Urca, Rio de Janeiro, RJ, um
recorte de sua produção recente em cor, ainda pouco conhecida em
relação à sua produção em preto e branco. A seleção de 21
fotografias que integram a exposição "ALQUIMIA" inclui imagens
realizadas entre 2000 e 2010. A curadoria da exposição é de Claudia Buzzetti e Patricia Gouvêa. Guy nasceu e trabalha em Belém-PA,
metrópole no coração da Amazônia. É fotógrafo independente desde
1988. Seu trabalho encontra-se nos acervos da University of Essex
Collection of Latin American Art, Colchester-Inglaterra, Museu de
Fotografia de Curitiba-PR, MAM, Rio e acaba de ser selecionado para
a coleção Pirelli/MASP, São Paulo. De 12 de março a 30 de abril. |
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A memória
fotográfica

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O Centro Cultural da Justiça Federal, Centro, Rio de Janeiro,
RJ, apresenta a série "Cenários da Memória", mostra individual do
fotógrafo e artista multimídia Roberto Schmitt-Prym. Esta suíte
fotográfica, recebeu especial poema de Fabrício Carpinejar e
referências elogiosas dos escritores Luiz Antonio de Assis Brasil e
Charles Kiefer que ressaltam a qualidade dos trabalhos do artista. Dono de extenso currículo o artista
participou de exposições coletivas como "Obra Gráfica Internacional,
Mostra de Gravuras", Itinerante por dez cidades do Japão, "Graphic
Aus Brasilien", Eichstatt, Alemanha, "El Camí em Blanc i Negre",
Sant Cugat del Vallès, Espanha e da “6th International Miniart
Exchange”, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, cidade onde
vive e trabalha. Schmitt-Prym possui obras em acervos importantes
como o MARGS, Porto Alegre; Museu de Arte de Goiânia, Goiânia;
Fundacion Arte por Uruguay, Montevidéu; Club del Grabado,
Montevidéu, Uruguai; Casa da Cultura, Ribeirão Preto e IPN,
Universität Kiel, Alemanha. De 03 de março a 04 de abril. |
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Madeira
inteligente

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O
escultor Leonardo Tepedino inaugura a exposição "Taksan", Galeria do
Centro Cultural Cândido Mendes, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ.
Leonardo trabalhou no ateliê do escultor Luciano Fabro, um dos
artistas mais importantes de sua geração e um expoente da chamada
Arte Povera. Tem formação em arquitetura e mestrado em Belas Artes.
Para a exposição "Taksan", o artista apresenta um conjunto de
esculturas em madeira que se relaciona, tenciona e se contrapõe ao
espaço da galeria de Ipanema. “Para o curador Paulo Sergio Duarte,
“as esculturas de Leonardo investigam com inteligência novas formas
e conciliam de modo precioso uma linguagem contemporânea com uma
fatura artesanal digna dos melhores artistas que trabalham com
madeira. Sua obra é instigante e além do prazer, nos proporcionam
ensinamentos sobre novos caminhos de formas tridimensionais do mundo
de hoje.” Até 13 de abril. |
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A
leitura de Osvaldo

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“Sala
de Leitura” é um ambiente criado especificamente para a Galeria LGC,
Centro, Rio de Janeiro, RJ, reunião de trabalhos variados da
produção de Osvaldo Carvalho ao longo de 10 anos de atividades, que
juntos propõem uma reflexão sobre o lugar da arte em nossas vidas.
São obras que integram a palavra e a imagem na sua composição final.
Forma e conteúdo constituídos numa apresentação singular que
instigam tanto o olhar quanto a imaginação. Nascido no Rio de
Janeiro, Osvaldo vive em Niterói. Possui mestrado em Artes Plásticas
pela Universidade de São Paulo. Os trabalhos de Osvaldo “transitam
em diversos meios os quais se apresentam de maneira objetiva na
narrativa poética desse artista. É o caso do trabalho Piranhas que é
o resultado de acontecimentos observados pelo autor...”. Osvaldo
Carvalho realizou exposições individuais no Castelinho do Flamengo,
Rio; Centro Cultural São Paulo; Casa das Onze Janelas, Pará; Usina
do Gasômetro, Porto Alegre; Museu de Arte de Ribeirão Preto, SP;
Casa da Cultura da América Latina, Brasília. Possui obras nos
acervos da Pinacoteca de Piracicaba, Prefeitura de Santo André,
SESC-Amapá, MUnA – Uberlândia e Coleção Cesar Gavíria, entre outros.
De 06 de março a 08 de maio. |
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O
Rio em foco

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O
curador Marcelo Frazão realiza no Centro Cultural Correios, Centro,
Rio de Janeiro, RJ, a sexta edição da exposição coletiva "A Cara do
Rio", mostra de caráter altamente democrático na medida que acolhe
todas as tendências praticadas em arte e em torno do tema: a cidade
do Rio de Janeiro. Frazão agrupa talentos de diversas gerações como
gravadores, fotógrafos, pintores e escultores que exibem criações de
grande impacto e resultado plástico. Nesta edição de 2010
encontram-se 115 expositores dentre os quais nomes como os de
Adriana Montenegro, Antonio Silveira, Christina Amaral, Clare
Caulfield, Claudio Aun, Deise Paiva, Denise Araripe, Elias Azevedo,
Fernanda Scarpa, Fernando Duval (foto), Gilda Santiago, Isis Braga,
José Monleón, Lia Belart, Maria Luiza Leão, Maria Regina Toledo Piza,
Marta Bucher, Maurício Barbato, Paula Erber, Ricardo Newton, Ricardo
Toledo, Solange Palatnik, Vera Carminati e Zula. De 27 de fevereiro
até 11 de abril. |
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Allevato em
València

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O
artista plástico brasileiro Sergio Allevato (foto) inaugura
exposição - ao lado de mais dois artistas, José Antonio Ortis e
Nieves Torralba - em Valença, Espanha com curadoria de Wilson Lazaro
e Rafael Gil, cujo título é "ALGO MÁS". O catálogo será conceitual,
em formato de uma caixa com 3 divisórias, uma para cada artista. A
exposicao recebe a chancela da Universitat de València e acontece no
Jardí Botànic. Sobre suas obras, assim se manifesta o artista: "Meu
trabalho faz uso de 2 linguagens distintas: a científica e a pop.
Plantas e conhecidos personagens infantis são pintados em finas
camadas de aquarela numa inversão de linguagens visuais que colidem
e se anulam. criando espécies não naturais que flutuam
atemporalmente na superfície do papel imaculado. O trabalho, que nos
títulos mantém a nomenclatura em latim das plantas escolhidas, vai
além de brincar com o olhar do espectador, gerando incerteza,
explorando o conceito entre fantasia e realidade e levantando
questões pertinentes a uma sociedade consumista, globalizada e
sexualizada. Mickey, Ze Carioca, Pinoquio, Pernalonga e outros
conhecidos personagens infantis não são tao inocentes como parecem,
pois fazem parte de corporações que visam lucro e trazem, em sua
bagagem, um lado sinistro embalado em um pacote açucarado. ...
Apesar de tratar de assuntos sérios, o faço com humor e ironia, em
um trabalho sedutor na sua própria técnica e apresentação e que
mistura o sexo das plantas, com o não sexo dos personagens infantis,
a ciência e a fantasia, a inocência e o consumo, deixando a critério
do espectador se aprofundar ou não nas questões abordadas, ou,
simplesmente nadar na rasa superfície do que parece ser uma mera
ilustração botânica". De 01 de marco até 01 de maio. |
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Visconti e
o Theatro Municipal

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Foi
lançado no dia 23 de fevereiro, na Casa de Rui Barbosa, Rio de
Janeiro, o livro "A arte na belle époque - o simbolismo de Eliseu
Visconti e as musas", de autoria de Valéria Ochoa Oliveira. Mestre
em História pela Universidade Federal de Uberlândia e professora da
mesma Universidade, Valéria desenvolve em seu livro tema que tem
como foco o significado cultural da pintura do teto do foyer do
Theatro Municipal do Rio de Janeiro, painel pintado por Eliseu
Visconti em Paris, entre 1913 e 1915. Os painéis do foyer do Theatro
Municipal, considerados a obra prima de Visconti, foram
completamente restaurados para as comemorações do centenário do
Theatro. |
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VERMELHO / ROBBIO,
BANFI E MORAIS
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A galeria
Vermelho, Pacaembu, São Paulo, SP, apresenta, as exposições
individuais "Se mueve pero no se hunde" (Se move mas não afunda) de
Nicolás Robbio (salas 1 e 2), "Koto" de Chiara Banfi (sala 3), e "Te
Iludo" de Fabio Morais (sala 4). Nicolás Robbio apresenta uma série
de trabalhos inéditos no Brasil resultado de um período de
residência na cidade do Porto (Portugal). O conjunto de trabalhos
reafirma a complexidade do sistema representacional desenvolvido por
Robbio, que emprega diagramas, desenhos técnicos ou elementos
arquitetônicos isoladamente, justapostos ou recombinados, com o
objetivo de sugerir diferentes formas de percepção e leitura desses
sistemas altamente difundidos no mundo atual. Já a obra de Chiara
Banfi habita o espaço em formas que transcendem toda a referência à
realidade. A individual "Koto" é o resultado de um período passado
por Banfi no Japão. Nos 14 desenhos que integram a individual, Banfi
utilizou papéis japoneses com estampas variadas e coloridas. Sobre
eles, a artista sobrepôs folhas de papel de partitura recortado
criando camadas e, portanto, dando tridimensionalidade ao desenho.
Fabio Morais apresenta em "Te Iludo" uma série de novos trabalhos
que abordam o caráter ilusório e ficcional da obra de arte. "Te
Iludo" apresenta trabalhos que borram os limites entre ilusão e
ficção, ou seja, entre a imagem e texto. De 03 de março a 03 de
abril. |
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Metamorfose estética

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Experiências
radicais, ruídos, interferências, cenas da realidade, modificação de
imagens convencionais geradas pela televisão, manipulações
transgressivas. Assim é a obra do mineiro Eder Santos, um dos mais
reconhecidos artistas de arte eletrônica do país e da América
Latina, em sua primeira retrospectiva no Brasil (e a primeira mostra
no Rio de Janeiro), “Roteiro Amarrado”, no CCBB, ocupando todo o
primeiro andar da instituição. A curadoria é de Solange Farkas e a
produção, de Daiana Castilho Dias. “Roteiro Amarrado”, compreende
uma série de sete conjuntos de trabalhos do artista. Nessa exposição
ele estabelece um link entre seu trabalho, sua origem cultural e o
local de sua apresentação. Eder Santos criou uma estética própria ao
transformar defeitos das imagens em efeito e linguagem de vídeos,
filmes e projetos artísticos. Seus trabalhos integram os acervos
permanentes do MoMA, Nova York, e do Centre Georges Pompidou, Paris.
A partir de 22 de fevereiro. |
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A
leveza da figura

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"A
Figura Humana" é o título da exposição individual de Hilda Mattos,
no Espaço Cultural do TRT-RS, Porto Alegre, RS. A artista é um dos
nomes mais importantes em sua área de atuação no Rio Grande Sul.
Ex-aluna de Aldo Locatelli e Ado Malagoli, atualmente na casa de
seus festejados 80 anos, deu curso a uma longa tradição da arte
figurativa no estado sulino e tornou-se, ao longo dos anos, em
mestra de pelo menos duas gerações. Gravadora e pintora, Hilda
Mattos domina com maestria a aquarela e o desenho, a figura feminina
é seu motivo principal em sua poesia natural, seja romântica ou
ingênua, com leveza e acento erótico. Até 16 de março. |
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Grandes
Artistas,
Grandes Formatos

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O
Gabinete de Arte Raquel Arnaud, Pinheiros, apresenta a exposição
“Grandes Artistas, Grandes Formatos”. A mostra reúne sete obras de
grandes dimensões produzidas pelos seguintes artistas: Carmela Gross
(foto), Iole de Freitas, Frida Baranek, José Resende, Carlos Fajardo,
Arthur Luiz Piza e Carlito Carvalhosa. “Com esta exposição, queremos
chamar a atenção de instituições culturais e colecionadores
especiais que investem em obras de grande formato para trabalhos que
podem enriquecer acervos públicos ou privados”, explica a galerista
Raquel Arnaud. De 25 de fevereiro a 03 de abril. |
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SCALDAFERRI EM LIVRO

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Saiu
a reprodução editada do trabalho de Mestrado de Artes Visuais de
Aldo Tripodi, apresentado à Universidade Federal da Bahia, Escola de
Belas Artes, em dezembro de 1999, sob a orientação do Dr. Roberval
Marinho, com o qual o autor obteve o grau de Mestre em Artes
Visuais. O livro obteve o patrocínio da Petrobrás e denomina-se
“Sante Scaldaferri uma poética do feio”. Sante Scaldaferri trabalha
exclusivamente com as galerias Paulo Darzé, de Salvador, e Anna
Maria Niemayer, do Rio de Janeiro. De sua obra, afirma o autor:
“...Sua opção pelo inverso da questão do Belo e pela problemática
social não o faz moderno em que pese a modernidade admitir este
conceito. O que se admite é a contemporaneidade da configuração que
executa em sua poética, cada vez mais comprometida com questões
atuais.” Artista múltiplo, Scaldaferri, é dono de uma longa
trajetória que cobre mais de cinquenta anos de trabalho. |
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Cildo: da Tate para a
Chácara do Céu

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Depois de ganhar
uma grande mostra individual na Tate Modern, em Londres, Cildo
Meireles inaugura retrospectiva de gravuras no Museu da Chácara do
Céu. A mostra, que marca a volta do artista plástico à cena carioca,
depois de cinco anos sem expor no Rio, faz parte do prestigiado
projeto Os Amigos da Gravura que, há 19 anos ininterruptamente,
lança no mercado gravuras inéditas de nomes de destaque da arte
brasileira. Especialmente para o evento, Cildo criou uma nova
serigrafia a partir de um desenho feito em 1968. “Acho
importantíssimo participar de um projeto que prestigia e promove a
gravura no país. Uma iniciativa louvável que deveria ser seguida por
muitas outras instituições”, diz Cildo. Na exposição, que acompanha
o lançamento da serigrafia, o artista vai reunir cerca de 20
gravuras criadas a partir da década de 60. Na verdade, uma síntese
de tudo o que ele produziu neste tipo de suporte ao longo de sua
trajetória. A curadoria é de Reila Gracie. De 11 de fevereiro a 07
de junho. |
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Brasil e
Portugal
de Charles Landseer

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O
Centro Cultural do Instituto Moreira Salles, Gávea, Rio de Janeiro,
RJ, exibe a exposição "Charles Landseer: desenhos e aquarelas de
Portugal e do Brasil – 1825-1826". É maior mostra individual das
imagens feitas pelo artista inglês na missão diplomática britânica
chefiada por Charles Stuart, que tinha o objetivo de negociar o
reconhecimento, por parte de Portugal e da Grã-Bretanha, do
recém-independente Império do Brasil. A seleção, com curadoria de
Leslie Bethell, reúne 178 desenhos e aquarelas e mais dois óleos.
Charles Landseer é considerado um dos mais importantes artistas
viajantes que visitaram o Brasil nas duas décadas posteriores a
1808, ao lado de Taunay, Debret, Thomas Ender, Rugendas, Augustus
Earle e do botânico William John Burchell. No Rio de Janeiro, onde
permaneceu por cinco meses, o artista produziu mais de uma centena
de desenhos e aquarelas. Nessa série, a natureza tropical foi o que
mais o impressionou, assim como a escravidão urbana – os cativos
africanos que trabalhavam como criados domésticos, carregadores e
artesãos. Landseer também acompanhou Stuart em viagens pelo litoral,
ao norte e ao sul do Rio de Janeiro, e registrou as paisagens e os
moradores das cidades por onde passaram: Recife e Olinda, Salvador,
Vitória, Desterro (Florianópolis), Santos e São Paulo. Por fim, na
viagem de regresso à Inglaterra, fez ainda vários desenhos dos
Açores e de sua população. De volta à Inglaterra, sir Charles Stuart
insistiu em ficar com o caderno de desenhos de Landseer, alegando
sua condição de chefe da missão. O caderno permaneceu sob a guarda
da família Stuart, no castelo de Highcliffe, por quase um século.
Somente em 1926 seria adquirido pelo empresário e colecionador
carioca Guilherme Guinle, que, antes de morrer, em 1960, presenteou
o sobrinho – o banqueiro Cândido Guinle de Paula Machado – com o que
se tornara conhecido como Álbum Highcliffe. Em 1999 o álbum foi
incorporado ao acervo do Instituto Moreira Salles. De 28 de janeiro
a 18 de abril. |
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Eduardo Kac:
Pornogramas: 1980- 1982

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A Galeria Laura
Marsiaj, Ipanema, Rio de janeiro, RJ, apresenta "Pornogramas: 1980-
1982", exposição individual de Eduardo Kac. Entre 1980 e 1982, Kac
criou no Rio de Janeiro um pequeno conjunto de obras fotográficas
experimentais, denominadas "Pornogramas". Radicalização máxima de
seu programa literário-visual do período, este conjunto de obras
mescla, de forma original, performance, fotografia, poesia e
política do corpo. Os "Pornogramas" foram criados nos primeiros
ventos da abertura no Brasil, mas ainda sob a ditadura militar,
alguns em estúdio e outros em espaços públicos, outros ainda em
espaços privados transformados em plataforma pública (como seu
ousado "Non Ducor, Duco", nudez frontal no parapeito do nono andar
de um prédio perante uma igreja e um batalhão da polícia militar).
Os "Pornogramas" de Kac são uma aventura sem paralelo na trajetória
do artista. Eles estão na origem de seu trabalho com o corpo, que
iria se desdobrar nos anos seguintes em obras de tele-presença e
bio-arte, pelas quais é internacionalmente conhecido. Até 13 de
março. |
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Renata de Bonis:
Harvest Memories

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As
obras que Renata de Bonis apresenta na Galeria Laura Marsiaj, em sua
individual "Harvest Memories", são resultados da residência na
Highland House Josh, no deserto da Califórnia. O calor beirando o
insuportável, a solidão e o isolamento, os animais selvagens, a luz
e o horizonte único do deserto resultaram em pinturas que espelham a
experiência da artista nesse ambiente inóspito. “A imensidão do
deserto escaldante me surpreendia diariamente com uma diversidade de
fauna e flora nas minhas caminhadas matinais. Impressionante foi
perceber que o deserto transborda vida: coiotes, esquilos, coelhos,
roadrunners, cascavéis, aranhas, codornas, cactus, árvores rasteiras
e até frutíferas apareciam nas minhas andanças. O horizonte
interminável me fez pensar como somos pequenos e impotentes perante
o mundo.” Até 13 de março. |
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“Expedição
Langsdorff”, CCBB, SP

‘Sagüi-da-serra’, de
Johann Moritz Rugendas, ‘Manduruku’, de Hercules Florence,
e ‘Cachoeira do Inferno’ e ‘Rico habitante de São Paulo’, de
Adrien-Aimée Taunay

‘Planta do Porto de Santos’, de Nester Rubtsov, ‘Vista do Vale
denominado Laranjeiras,
e montanha do Corcovado, no Rio de Janeiro’, de Rugendas, e ‘Embira açu. Arredores de Diamantino’, de
Florence
O
Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB –, Centro, São Paulo, SP,
apresenta a exposição “Expedição Langsdorff”, baseada na expedição
russa homônima realizada pelo médico alemão naturalizado russo Georg
Heinrich Langsdorff ao interior do Brasil entre os anos de 1821 e
1829. Com patrocínio do Tzar russo Alexandre I, a expedição, que
contou com a participação de vários artistas, botânicos,
naturalistas e cientistas, visava "descobertas científicas,
investigações geográficas, estatísticas e o estudo de produtos
desconhecidos no comércio". A curadoria é do russo Dr. Boris
Komissarov (professor da Universidade de São Petersburgo e
pesquisador do acervo da expedição há mais de trinta anos) e de Ania
Rodriguez Alonso e Rodolfo de Athayde (curadores da exposição Virada
Russa, em 2009). Após a temporada paulistana, a exposição seguirá
para o CCBB Brasília e, posteriormente, para o CCBB Rio de Janeiro.
A mostra reúne 120 desenhos e aquarelas de Rugendas, Taunay e
Hercules Florence, pertencentes ao Arquivo da Academia de Ciências
de São Petersburgo, Rússia. A seleção de obras também apresenta pela
primeira vez no país uma coleção de 36 mapas e plantas originais do
cartógrafo Nester Rubtsov, todos integrantes do acervo da Academia
Naval Russa. Até 25 de abril. |
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O
passado na obra de dois artistas vencedores
Vik Muniz lança 'catálogo
raisonné' e fala com Beatriz Milhazes sobre 'revisionismo'

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Vik Muniz é o
primeiro artista brasileiro contemporâneo a ter o registro integral
de sua produção artística lançado em livro, o chamado "catálogo
raisonné". O lançamento, da editora Capivara, é amanhã no Rio e
quinta em São Paulo. Organizado por Pedro Corrêa do Lago, o belo
volume tem 710 páginas e 1.600 imagens que ilustram cronologicamente
as 1.200 obras criadas pelo artista paulista desde o início de sua
carreira, há 22 anos. Para conversar com Vik sobre este seu momento
de revisionismo (seria precoce para um artista tão jovem?),
convidamos Beatriz Milhazes, outro nome do País com incrível
projeção internacional e com obras igualmente valorizadas no mercado
mundial de arte. A seguir, o papo de Vik e Bia, exclusivo para o
Estado.
Beatriz Milhazes: Fomos nos encontrar só no contexto
internacional, não é Vik? Não o conhecia antes, só quando comecei a
expor em NY, quando iniciei carreira internacional.
Vik Muniz: Quando comecei a mostrar minha obra no Brasil,
você começou lá fora. Ou seja, nossas carreiras são inversas.
Beatriz: Isso. Começamos a trocar figurinhas no início dos
anos 90.
Vik: Isso vai dar bandeira da nossa idade... (Risos) Por uma
questão de contexto, nossos trabalhos só se encontraram em
exposições temáticas, do tipo "artistas brasileiros". Fora isso,
nunca.
Beatriz: O que tínhamos em comum era o Marcantonio (Villaça,
marchand e galerista pernambucano, morto em 2000). Ele era diferente
do que havia então no mercado, abriu as portas internacionais para
artistas brasileiros. Viemos de várias pontas e nos cruzamos ali,
através do Marcantonio.
Vik: Ele era diferente de todos os outros. Ligava dia sim,
dia não, era nosso amigo. Galeria normalmente pensa na parte
comercial. Ele curtia ter uma relação com o artista, fora da parte
comercial. Artista tem ego grande, então ele promovia uma certa
competição entre nós. Provocava, falava: "Bia está com uma exposição
em tal lugar..."
Beatriz: É verdade. Ele queria saber o que você estava
fazendo, acompanhava. Os rumos mudaram muito depois da morte dele.
Já vai fazer 10 anos, meu Deus! Mas, Vik, sobre o seu catálogo
raisonné, como se sentiu fazendo isso?
Vik: Chega um nível em nossa carreira em que temos de
gerenciar tudo o que foi feito. Deixamos um rastro de obra. A ideia
de fazer o catálogo é ter de domar esse monstro, o trabalho que você
deixou, o legado... Você começa a se dar conta da amnésia em relação
a seu próprio trabalho. Tive de pesquisar trabalhos de 20 anos
atrás, coisas que nem lembrava ter feito.
Beatriz: Eu estou preparando a mesma coisa para um livro e
fui bater em coisas que fiz no Parque Lage, mas não são importantes,
sei lá...
Vik: Antes eu sempre desenhava, desde pequeno, fazia
escultura, mas não me considerava artista. Eu me considerava um
desenhista, um fazedor de coisas. O catálogo raisonné do Picasso tem
desenhos de criança, são dezenas de volumes. Mas só me considero
artista a partir do momento em que aluguei um estúdio, em 1987, e
resolvi viver de arte. Ainda estava experimentando muito.
Beatriz: Quando você começa a revisar a sua obra, isso é o
que mais mexe. É curioso, porque agora você vai ter de criar uma
"escritura" para o que fez de forma espontânea...
Vik: Você passa muito tempo tentando desenvolver uma
linguagem, criando uma via de acesso para o público identificar o
seu trabalho. Uma vez que você estabelece essa linguagem, quando
você descobre, você tem a noção de que as pessoas te conhecem. Mas
ao revisar seu trabalho, é interessante descobrir que podia ter
percorrido determinados caminhos e não percorreu.
Beatriz: Eu tenho um período do meu trabalho em que eu
simplesmente joguei fora quase tudo que eu fiz, porque não entendia,
não gostava. Eu falei: "Não tenho condição de conviver com nada
disso." Agora, nesse período em que comecei a "revisionar", e isso
tem um ano, foi quando comecei a entender o período.
Vik: Mas já tinha jogado fora...
Beatriz: Já, mas não me arrependo. Engraçado, eu achei que
viria um arrependimento, mas não veio. Na verdade, tive, mas só por
algumas poucas obras. O engraçado mesmo é começar a entender aquela
fase.
Vik: Nesse meu livro tem coisa de que eu não gosto também.
Beatriz: Por isso deve ser melhor fazerem o catálogo depois
que a gente morre, né? (Risos)
Vik: Você começa uma carreira e vai dando tiro para tudo
quanto é lado, às vezes você mata um pombo. Você pensa em duas
razões: algo que lhe satisfaça intelectualmente e outra que
satisfaça o público. Esse feedback, essa cobrança, é muito
importante. Como estamos viajando o tempo todo, é difícil ter tempo
de parar e pensar no que fez. O livro o coloca em uma posição
privilegiada, você vê as ramificações do que foi feito por você. Mas
é perigoso, porque você se envolve muito consigo mesmo. Eu fui
voltando, fui voltando... daí torna-se inevitável para um artista
dialogar com o próprio passado.
Beatriz: Eu ia perguntar isso. Se vendo sua obra como um
todo, você começaria a dialogar com o passado.
Vik: É natural. Na minha idade, no lugar em que estou, faço
isso de uma forma ou de outra. Não tenho esse luxo de parar e pensar
na vida. Estamos sempre correndo. O livro me forçou a pensar em
tudo. Tenho uma responsabilidade técnica mesmo, de colocar uma coisa
atrás da outra.
Beatriz: Como foi fazer um catálogo raisonné tão jovem? Penso
que nós vivemos uma situação interessante. O nosso papel é inédito,
os preços, a localização, as coleções, isso é inédito no contexto de
arte brasileira. Isso está colocando a gente em situações que outros
não tiveram. Penso em Lygia Clark na nossa idade, que não estava nem
perto desta posição... Você tem de lidar com situações que outras
gerações brasileiras não teriam de lidar.
Vik: Penso que daqui a 20 anos esse livro só deverá existir
no formato digital. O conteúdo, a distribuição, esta organização tem
a ver com uma necessidade. Tanto eu como você, Bia, temos de fazer
isso e por motivos diferentes. Você lida com a pintura, que produz
objetos únicos, por isso catalogar também é tão importante. Saber
quem comprou seu trabalho e onde ele foi parar, pois se fizer uma
exposição retrospectiva, vai ter de rastrear cada obra. No caso da
foto, não é tão sério, posso imprimir tudo e fazer a exposição. E eu
trabalho em série. Vou aplicando os conhecimentos dentro da série. É
como escrever novela, vou matando alguns personagens, fazendo uma
intriga aqui, outra ali.
Beatriz: Você tem arquivo digital...
Vik: O arquivo digital está lá. Mas isso aqui (aponta o
livro) é baseado em uma cronologia. É engraçado, pois você visualiza
tudo.
Beatriz: O digital está lá, mas o livro tem outro contexto,
não é?
Vik: O trabalho em série produz um número maior de objetos,
inevitavelmente. Eu poderia estar fazendo coisas maiores, colocar
mais conteúdo, mas tenho dificuldade com isso. Procuro dissipar isso
em pequenos objetos, a natureza do meu trabalho produz um número
muito grande de objetos. Na pintura, você aplica o conhecimento na
própria pintura. Fotografia determina pontos, é uma extensão maior.
Beatriz: Ainda estou curiosa. Na hora de fazer a cronologia,
você não fez uma seleção/pré-curadoria?
Vik: Não fiz. Mas o que não está aqui foram as coisas que se
perderam. O artista quando jovem está preocupado em fazer o
trabalho, não se preocupa em documentar. A gente está muito
envolvido com a criação e coisas se perdem ao longo do caminho. É
preocupante essa amnésia em relação ao seu próprio trabalho. Em 20
anos, você esquece de muita coisa. Penso agora que foram semanas da
minha vida dedicadas a algo que perdi na memória. Gastei dinheiro,
peguei trem e não tenho mais a menor lembrança daquilo. |
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Iberê/Segall/Goeldi

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Olhar para a
arte de vertente expressionista através da gravura é o que propõe a
exposição "Cálculo da expressão", em cartaz na Fundação Iberê
Camargo, Porto Alegre, RS. Com curadoria de Vera Beatriz Siqueira, a
mostra volta-se para o elaborado cálculo expressivo e formal
necessário para a concretização da técnica como objeto artístico. Os
três artistas, de formações bastante distintas, podem ser admirados
(e analisados) através de algumas características em comum, como o
rigor artesanal, a economia formal e a compreensão da potência
poética da técnica da gravura, bem como a escolha por temas gerais,
advindos da tradição expressionista. “O que esta mostra pretende
exibir é tanto essa proximidade como aquilo que os especifica e
diferencia, desvelando para o público o complexo cálculo que
realizam na formalização de obras densas, intensamente expressivas”,
define a curadora. De 11 de dezembro a 14 de março de 2010. |
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O interior de Iberê

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A Fundação
Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, abre mais uma exposição de seu
acervo: "Paisagens de Dentro". Com curadoria de Icleia Borsa Cattani,
a mostra olha para as paisagens produzidas pelo artista, ainda pouco
estudadas. Indo desde o início de sua carreira até as últimas
décadas, exibe "...paisagens geradas a partir do interior de seu
sistema de signos e do interior de si mesmo". Segundo a curadora, o
tema era recorrente no início da carreira de Iberê, entre as décadas
de 1930 e 1950. Posteriormente, retornou nas pinturas mais recentes,
mas sem tratar "de uma representação de locus específico, e sim de
um olhar para dentro". Foi depois de 1980 que o artista retornou,
aos poucos, à figuração, colocando imagens e signos não figurativos
em suas obras. Com o passar dos anos, as figuras foram predominando,
e a paisagem retornou – mas sem vínculos com imagens reais. De 11 de
dezembro a 05 de setembro de 2010. |
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Vergara no MAM/Rio de Janeiro

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O MAM Rio de Janeiro apresenta a exposição “"Carlos Vergara: A dimensão gráfica – uma outra energia silenciosa”, um conjunto de 200 trabalhos realizados pelo artista dos anos 1960 até hoje, onde a linguagem gráfica é o fio condutor. São monotipias, gravuras, fotografias, desenhos, 3D, filmes e instalações. É uma exposição importante na trajetória do artista, reúne pela primeira vez esse conjunto de obras, várias nunca mostradas ao público, e outras não vistas desde sua produção. Esta exposição marca a volta de Vergara ao MAM depois de 37 anos. Em 1972 ele foi convidado a expor, e decidiu chamar os amigos, para abrir um espaço em plena ditadura, e fez a coletiva "Ex Posição". A exposição de agora tem curadoria do colecionador George Kornis, que por mais de um ano pesquisou os arquivos do ateliê do artista, com intuito de reunir os trabalhos produzidos por Vergara para que tornasse visível ao público a linguagem gráfica que perpassa sua produção, nesses quase 50 anos de atividades artísticas. George Kornis destaca que a produção de Vergara se expressa por diversas linguagens, ele destaca "que é comum, na trajetória de Vergara, que um trabalho migre para vários outros suportes: “uma fotografia pode se desenvolver em uma serigrafia, que por sua vez poderá mais tarde se tornar pintura. Esta é uma grande alquimia dele”. Até 14 de março de 2010. |
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EM CURITIBA: MOSTRA INÉDITA DE CARLOS ALONSO NO BRASIL

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O Museu Oscar Niemeyer, Curritiba, PR, inaugura exposição individual de obras inéditas de Carlos Alonso no Brasil. Trata-se da mostra “Carlos Alonso – Hay que comer”, proveniente da Fundacion Alon para las Artes, Argentina. Internacionalmente reconhecido, o artista plástico Carlos Alonso imprime em suas obras um tom intenso e dramático, nas quais o vermelho da carne humana e bovina é recorrente. São 45 obras em exibição, onde a “metáfora da carne” está sempre “presente como linguagem para a crítica política, social e também como textura pictórica e reflexão do período ditatorial argentino”. A concepção curatorial é do colecionador Jacobo Fiterman (amigo do artista). “Eu nasci no dia 29, exatamente um ano antes do primeiro golpe de estado, e senti a pressão, a descontinuidade e a necessidade de fazer reflexões – não só pictóricas, mas às vezes também militantes – sobre a temática do poder”, declarou o artista em 1989. Pinturas, desenhos, gravuras, serigrafia e colagens estão no conjunto selecionado para esta mostra em Curitiba, onde são apresentados trabalhos produzidos entre 1965 e 1984. Nestas obras, a carne é o eixo central da temática de Carlos Alonso. “A carne como metáfora. Metáfora da Argentina e metáfora rasgada do corpo humano reiteradamente manchado, perfurado, esfolado. A simbiose vaca-homem é signo, alfabeto de uma escritura que recria a trágica história nacional”, escreveu Alberto Giudici, responsável pela curadoria da mostra exibida na Espanha, no Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM). Segundo o curador Jacobo Fiterman, a utilização da metáfora da carne na obra de Alonso foi retomada em 1974, que explica o enfoque desta exposição. “(...) Na capital italiana mantinha estreito contato com o Novo Realismo, artistas e críticos envolvidos em uma arte de crítica social e política, mas também de renovação dos procedimentos expressivos. Nesses anos, retoma o tema da carne e, em 1974, em Milão e Florença, apresenta pinturas, desenhos e gravuras onde aborda um retrato descarnado da oligarquia argentina, boiadeira, mercantil, uma análise de como se comporta, de que cara tem esse poder. (...) Para Carlos Alonso, a arte se transformou no lugar onde são fixadas as feridas que a realidade deixa sobre o mundo. Esta série é um testemunho de uma Argentina que estará sempre presente para que seus dramas e seus enganos não se repitam.” Em 1971, o artista aderiu ao movimento chamado Novo Realismo italiano, sobre o qual o próprio Alonso declarou: “O Novo Realismo é uma arte politizada. Seu enunciado franco e direto apela em ocasiões a uma simultaneidade na qual se mesclam diferentes tempos e situações ao redor de uma idéia, de uma carga intencionada”. Desde o início dos anos 1970, Carlos Alonso reside alternadamente em Roma e Buenos Aires. De 01 de outubro a 11 de abril de 2010. |
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