editor: Renato Rosa  


SCALDAFERRI EM LIVRO


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Saiu a reprodução editada do trabalho de Mestrado de Artes Visuais de Aldo Tripodi, apresentado à Universidade Federal da Bahia, Escola de Belas Artes, em dezembro de 1999, sob a orientação do Dr. Roberval Marinho, com o qual o autor obteve o grau de Mestre em Artes Visuais. O livro obteve o patrocínio da Petrobrás e denomina-se “Sante Scaldaferri uma poética do feio”. Sante Scaldaferri trabalha exclusivamente com as galerias Paulo Darzé, de Salvador, e Anna Maria Niemayer, do Rio de Janeiro. De sua obra, afirma o autor: “...Sua opção pelo inverso da questão do Belo e pela problemática social não o faz moderno em que pese a modernidade admitir este conceito. O que se admite é a contemporaneidade da configuração que executa em sua poética, cada vez mais comprometida com questões atuais.” Artista múltiplo, Scaldaferri, é dono de uma longa trajetória que cobre mais de cinquenta anos de trabalho.


Cildo: da Tate para a Chácara do Céu


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Depois de ganhar uma grande mostra individual na Tate Modern, em Londres, Cildo Meireles inaugura retrospectiva de gravuras no Museu da Chácara do Céu. A mostra, que marca a volta do artista plástico à cena carioca, depois de cinco anos sem expor no Rio, faz parte do prestigiado projeto Os Amigos da Gravura que, há 19 anos ininterruptamente, lança no mercado gravuras inéditas de nomes de destaque da arte brasileira. Especialmente para o evento, Cildo criou uma nova serigrafia a partir de um desenho feito em 1968. “Acho importantíssimo participar de um projeto que prestigia e promove a gravura no país. Uma iniciativa louvável que deveria ser seguida por muitas outras instituições”, diz Cildo. Na exposição, que acompanha o lançamento da serigrafia, o artista vai reunir cerca de 20 gravuras criadas a partir da década de 60. Na verdade, uma síntese de tudo o que ele produziu neste tipo de suporte ao longo de sua trajetória. A curadoria é de Reila Gracie. De 11 de fevereiro a 07 de junho.


Brasil e Portugal de Charles Landseer


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O Centro Cultural do Instituto Moreira Salles, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, exibe a exposição "Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826". É maior mostra individual das imagens feitas pelo artista inglês na missão diplomática britânica chefiada por Charles Stuart, que tinha o objetivo de negociar o reconhecimento, por parte de Portugal e da Grã-Bretanha, do recém-independente Império do Brasil. A seleção, com curadoria de Leslie Bethell, reúne 178 desenhos e aquarelas e mais dois óleos. Charles Landseer é considerado um dos mais importantes artistas viajantes que visitaram o Brasil nas duas décadas posteriores a 1808, ao lado de Taunay, Debret, Thomas Ender, Rugendas, Augustus Earle e do botânico William John Burchell. No Rio de Janeiro, onde permaneceu por cinco meses, o artista produziu mais de uma centena de desenhos e aquarelas. Nessa série, a natureza tropical foi o que mais o impressionou, assim como a escravidão urbana – os cativos africanos que trabalhavam como criados domésticos, carregadores e artesãos. Landseer também acompanhou Stuart em viagens pelo litoral, ao norte e ao sul do Rio de Janeiro, e registrou as paisagens e os moradores das cidades por onde passaram: Recife e Olinda, Salvador, Vitória, Desterro (Florianópolis), Santos e São Paulo. Por fim, na viagem de regresso à Inglaterra, fez ainda vários desenhos dos Açores e de sua população. De volta à Inglaterra, sir Charles Stuart insistiu em ficar com o caderno de desenhos de Landseer, alegando sua condição de chefe da missão. O caderno permaneceu sob a guarda da família Stuart, no castelo de Highcliffe, por quase um século. Somente em 1926 seria adquirido pelo empresário e colecionador carioca Guilherme Guinle, que, antes de morrer, em 1960, presenteou o sobrinho – o banqueiro Cândido Guinle de Paula Machado – com o que se tornara conhecido como Álbum Highcliffe. Em 1999 o álbum foi incorporado ao acervo do Instituto Moreira Salles. De 28 de janeiro a 18 de abril.


Notas do Acervo


Antonio Manuel


Nuno Ramos


Carlos Vergara

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A Anita Schwartz Galeria, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição "Notas do Acervo", com obras inéditas de 24 artistas que fazem parte de seu acervo. Com curadoria de Guilherme Bueno, a mostra ocupa os dois espaços expositivos da galeria com 28 trabalhos - fotografias, esculturas, pinturas e instalações. Entre os destaques da exposição estão obras de Abraham Palatnik, Nuno Ramos, Antonio Manuel, Arthur Lescher, Arthur Omar, Carlos Vergara, Carlos Zilio, Wanda Pimentel, Daniel Feingold, Rodrigo Andrade, Gonçalo Ivo, Estela Socol, Felipe Cohen, Gustavo Speridião, Ivens Machado, Niura Bellavinha, Paulo Jares, Otávio Schipper, Tatiana Ferraz, entre outros. Até 06 de março.


Eduardo Kac: Pornogramas: 1980- 1982


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A Galeria Laura Marsiaj, Ipanema, Rio de janeiro, RJ, apresenta "Pornogramas: 1980- 1982", exposição individual de Eduardo Kac. Entre 1980 e 1982, Kac criou no Rio de Janeiro um pequeno conjunto de obras fotográficas experimentais, denominadas "Pornogramas". Radicalização máxima de seu programa literário-visual do período, este conjunto de obras mescla, de forma original, performance, fotografia, poesia e política do corpo. Os "Pornogramas" foram criados nos primeiros ventos da abertura no Brasil, mas ainda sob a ditadura militar, alguns em estúdio e outros em espaços públicos, outros ainda em espaços privados transformados em plataforma pública (como seu ousado "Non Ducor, Duco", nudez frontal no parapeito do nono andar de um prédio perante uma igreja e um batalhão da polícia militar). Os "Pornogramas" de Kac são uma aventura sem paralelo na trajetória do artista. Eles estão na origem de seu trabalho com o corpo, que iria se desdobrar nos anos seguintes em obras de tele-presença e bio-arte, pelas quais é internacionalmente conhecido. Até 13 de março.


Renata de Bonis: Harvest Memories


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As obras que Renata de Bonis apresenta na Galeria Laura Marsiaj, em sua individual "Harvest Memories", são resultados da residência na Highland House Josh, no deserto da Califórnia. O calor beirando o insuportável, a solidão e o isolamento, os animais selvagens, a luz e o horizonte único do deserto resultaram em pinturas que espelham a experiência da artista nesse ambiente inóspito. “A imensidão do deserto escaldante me surpreendia diariamente com uma diversidade de fauna e flora nas minhas caminhadas matinais. Impressionante foi perceber que o deserto transborda vida: coiotes, esquilos, coelhos, roadrunners, cascavéis, aranhas, codornas, cactus, árvores rasteiras e até frutíferas apareciam nas minhas andanças. O horizonte interminável me fez pensar como somos pequenos e impotentes perante o mundo.” Até 13 de março.


“Expedição Langsdorff”, CCBB, SP


‘Sagüi-da-serra’, de Johann Moritz Rugendas, ‘Manduruku’, de Hercules Florence,
e ‘Cachoeira do Inferno’ e ‘Rico habitante de São Paulo’, de Adrien-Aimée Taunay


‘Planta do Porto de Santos’, de Nester Rubtsov, ‘Vista do Vale denominado Laranjeiras,
e montanha do Corcovado, no Rio de Janeiro’, de Rugendas, e ‘Embira açu. Arredores de Diamantino’, de Florence

O Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB –, Centro, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Expedição Langsdorff”, baseada na expedição russa homônima realizada pelo médico alemão naturalizado russo Georg Heinrich Langsdorff ao interior do Brasil entre os anos de 1821 e 1829. Com patrocínio do Tzar russo Alexandre I, a expedição, que contou com a participação de vários artistas, botânicos, naturalistas e cientistas, visava "descobertas científicas, investigações geográficas, estatísticas e o estudo de produtos desconhecidos no comércio". A curadoria é do russo Dr. Boris Komissarov (professor da Universidade de São Petersburgo e pesquisador do acervo da expedição há mais de trinta anos) e de Ania Rodriguez Alonso e Rodolfo de Athayde (curadores da exposição Virada Russa, em 2009). Após a temporada paulistana, a exposição seguirá para o CCBB Brasília e, posteriormente, para o CCBB Rio de Janeiro. A mostra reúne 120 desenhos e aquarelas de Rugendas, Taunay e Hercules Florence, pertencentes ao Arquivo da Academia de Ciências de São Petersburgo, Rússia. A seleção de obras também apresenta pela primeira vez no país uma coleção de 36 mapas e plantas originais do cartógrafo Nester Rubtsov, todos integrantes do acervo da Academia Naval Russa. Até 25 de abril.


Galerias Silvia Cintra e Box 4

     
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As Galerias Silvia Cintra e Box 4, agora atuam unidas a um só nome e em novo projeto, na Gávea: Galeria Silvia Cintra + Box 4. A inauguração será com a mostra denominada “Coletiva 1 de cada 1” que contará com obras inéditas, e outras que fazem parte do acervo, selecionadas especialmente para esta exposição. “Vai ser a coletânea dos trabalhos mais significativos da carreira deles”, atestam Silvia e Juliana Cintra. Esse grande encontro da arte está marcado para o próximo dia 28, no novo espaço contemporâneo no bairro da Gávea, Rio de Janeiro, RJ. A nova sede é um projeto dos arquitetos Tiago Freire e Marcelo Jardim da Oficina Par, um prédio de 400m2 e paisagismo assinado por Paula Bergamin. O destaque da exposição é a coleção completa de 140 esculturas em pequeno formato (23 cm) de Amílcar de Castro. Entre os participantes, os categorizados nomes de Daniel Senise, Leda Catunda, Miguel Rio Branco, Nelson Leirner, Cinthia Marcelle, Carlito Carvalhosa, Cristina Canale, Debora Bolsoni, Henrique Oliveira, Laercio Redondo, Luiz Ernesto, Maria Klabin, Mariana Galander, Marcius Galan, Pedro Motta, Rodrigo Matheus e Sergio Sister. Até 06 de março.


Carlos Scliar em 2010


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O Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura exposição panorâmica da obra de Carlos Scliar, sob curadoria de Marcus de Lontra Costa. A mostra denominada "Carlos Scliar - Perfil e Trajetórias", exibe uma visão completa e criteirosa da obra gráfica do artista realizada ao longo de seis décadas. Scliar deixou para o Brasil um extraordinário patrimônio cultural composto por suas gravuras, desenhos e pinturas. Talvez nenhum outro artista sintetize de maneira mais evidente os desafios, os desejos e os dilemas da ação e da estratégia modernista no nosso país. Diferentemente dos artistas brasileiros, que tinham na França a sua referência e, muitas vezes, o seu espelho, Scliar compreendeu o espaço de construção artística moderna através dos filmes e gravuras expressionistas alemães. A curadoria buscou selecionar imagens, em consonância com o espírito de Scliar, sintetizando uma vida inteira dedicada à construção de uma iconografia nacional. As obras expostas integram, num mesmo espaço, participação política e social coletiva em defesa dos verdadeiros ideais democráticos com a pureza e o encantamento das pequenas histórias, da beleza imanente contida nas coisas simples, nos objetos e vivências cotidianas do ser humano: bules, lamparinas, velas, frutos e flores, documentos, bilhetes, lembranças, saudades, desejos, memórias, resíduos, ruídos, sussurros, silêncios. Das primeiras gravuras dos anos de 1940, passando pelos Cadernos de Guerra, pelas gravuras gaúchas dos anos de 1950, pelos telhados de Ouro Preto, pelas serigrafias e litografias realizadas ao longo de mais de três décadas, pela série “Território Ocupado” no qual uma gravura produzida nos anos de 1950 se faz presente ao longo de várias outras obras, até chegarmos ao impressionante álbum sobre o Descobrimento do Brasil, obra final e definitiva de Carlos Scliar. De 19 de janeiro a 28 de fevereiro.


Caio Reisewitz – Parece Verdade


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O Centro Cultural Banco do Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Parece Verdade”, com cerca de 50 fotografias de Caio Reisewitz. Com curadoria de Fernando Cocchiarale, a exposição ocupará as salas do segundo andar do CCBB [B, C e D]. A mostra será uma panorâmica da trajetória de Caio Reisewitz, abrangendo os oito últimos anos da produção do artista, que rapidamente se tornou um dos mais destacados do cenário contemporâneo brasileiro. Será a primeira vez no Brasil que ele reúne esse conjunto de fotografias, das quais muitas estiveram em várias mostras no exterior. Um exemplo são as duas exposições simultâneas nas cidades de Vigo e Pontevedra, na Espanha, desde setembro até 18 de janeiro, consistindo também em um grande panorama de seu trabalho. As fundações espanholas Pedro Barrié de la Meza e RAC, que pela primeira vez trabalharam em parceria na realização dessas mostras, editaram um livro sobre Caio Reisewitz, com capa dura e 134 páginas, contendo texto crítico de David Barro.“Parece Verdade”, no CCBB, Rio, terá oito fotografias inéditas no Brasil, das quais uma, “Guanabara”, foi feita especialmente para a mostra. As fotografias, que podem medir até 2,80m por 1,95m, também representam “um panorama do deslocamento” do artista, que fotografou na capital, no interior e no litoral de São Paulo, e também no Rio de Janeiro, Pará, Goiás, Distrito Federal [Brasília] e Paraná. Há ainda trabalhos realizados em Cartagena das Índias, Colômbia, Frankfurt, na Alemanha, e em Ushuaia, Argentina. A exposição será acompanhada de uma bem-cuidada publicação, com as imagens da exposição e textos de Fernando Cocchiarale, Miguel Chaia e entrevista com o artista feita por Horácio Fernandez, um dos grandes especialistas de fotografia da Espanha. De 12 de janeiro a 07 de março de 2010.


ERNESTO NETO e MITODENGO


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A galeria Fortes Vilaça apresenta sua última exposição do ano: “Mitodengo”, de Ernesto Neto, no Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda, São Paulo, SP: uma escultura - cinco metros de comprimento e quase cinco de altura - composta por onze grandes peças de aço de 1,5 m de diâmetro e quatrocentos quilos cada. É a primeira vez que Ernesto Neto utiliza o metal na criação de uma obra em grande escala. O artista começou a trabalhar com materiais sólidos em 2006. Durante uma residência de seis meses realizada no Atelier Calder, Sache, França. O processo de criação começa com o desenho das peças feitos em grafite, posteriormente a imagem é digitalizada e enviada a empresas especializadas em cortes de aço. Em “Mitodengo”, cada peça apresenta um desenho individual e orgânico, como se fossem módulos encaixados. São recortes de formas simples que lembram brinquedos infantis. As peças se acomodam sem cola ou qualquer outro material que as grude. A obra é puro equilíbrio e diálogo com a gravidade - características essenciais no trabalho do artista. Neto é um dos principais nomes da escultura contemporânea. Em maio deste ano, criou sua maior e mais ambiciosa obra; medindo 21 x 37 x 58 m, “Anthropodino” ocupou todo o espaço do Drill Hall, The Armory, NY. Em 2006, Neto mostrou a impressionante obra “Leviathan Thot”, que ocupava todo o interior do Pantheon, Paris, França. Até 12 de fevereiro de 2010.


O passado na obra de dois artistas vencedores
Vik Muniz lança 'catálogo raisonné' e fala com Beatriz Milhazes sobre 'revisionismo'


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Vik Muniz é o primeiro artista brasileiro contemporâneo a ter o registro integral de sua produção artística lançado em livro, o chamado "catálogo raisonné". O lançamento, da editora Capivara, é amanhã no Rio e quinta em São Paulo. Organizado por Pedro Corrêa do Lago, o belo volume tem 710 páginas e 1.600 imagens que ilustram cronologicamente as 1.200 obras criadas pelo artista paulista desde o início de sua carreira, há 22 anos. Para conversar com Vik sobre este seu momento de revisionismo (seria precoce para um artista tão jovem?), convidamos Beatriz Milhazes, outro nome do País com incrível projeção internacional e com obras igualmente valorizadas no mercado mundial de arte. A seguir, o papo de Vik e Bia, exclusivo para o Estado.
Beatriz Milhazes: Fomos nos encontrar só no contexto internacional, não é Vik? Não o conhecia antes, só quando comecei a expor em NY, quando iniciei carreira internacional.
Vik Muniz: Quando comecei a mostrar minha obra no Brasil, você começou lá fora. Ou seja, nossas carreiras são inversas.
Beatriz: Isso. Começamos a trocar figurinhas no início dos anos 90.
Vik: Isso vai dar bandeira da nossa idade... (Risos) Por uma questão de contexto, nossos trabalhos só se encontraram em exposições temáticas, do tipo "artistas brasileiros". Fora isso, nunca.
Beatriz: O que tínhamos em comum era o Marcantonio (Villaça, marchand e galerista pernambucano, morto em 2000). Ele era diferente do que havia então no mercado, abriu as portas internacionais para artistas brasileiros. Viemos de várias pontas e nos cruzamos ali, através do Marcantonio.
Vik: Ele era diferente de todos os outros. Ligava dia sim, dia não, era nosso amigo. Galeria normalmente pensa na parte comercial. Ele curtia ter uma relação com o artista, fora da parte comercial. Artista tem ego grande, então ele promovia uma certa competição entre nós. Provocava, falava: "Bia está com uma exposição em tal lugar..."
Beatriz: É verdade. Ele queria saber o que você estava fazendo, acompanhava. Os rumos mudaram muito depois da morte dele. Já vai fazer 10 anos, meu Deus! Mas, Vik, sobre o seu catálogo raisonné, como se sentiu fazendo isso?
Vik: Chega um nível em nossa carreira em que temos de gerenciar tudo o que foi feito. Deixamos um rastro de obra. A ideia de fazer o catálogo é ter de domar esse monstro, o trabalho que você deixou, o legado... Você começa a se dar conta da amnésia em relação a seu próprio trabalho. Tive de pesquisar trabalhos de 20 anos atrás, coisas que nem lembrava ter feito.
Beatriz: Eu estou preparando a mesma coisa para um livro e fui bater em coisas que fiz no Parque Lage, mas não são importantes, sei lá...
Vik: Antes eu sempre desenhava, desde pequeno, fazia escultura, mas não me considerava artista. Eu me considerava um desenhista, um fazedor de coisas. O catálogo raisonné do Picasso tem desenhos de criança, são dezenas de volumes. Mas só me considero artista a partir do momento em que aluguei um estúdio, em 1987, e resolvi viver de arte. Ainda estava experimentando muito.
Beatriz: Quando você começa a revisar a sua obra, isso é o que mais mexe. É curioso, porque agora você vai ter de criar uma "escritura" para o que fez de forma espontânea...
Vik: Você passa muito tempo tentando desenvolver uma linguagem, criando uma via de acesso para o público identificar o seu trabalho. Uma vez que você estabelece essa linguagem, quando você descobre, você tem a noção de que as pessoas te conhecem. Mas ao revisar seu trabalho, é interessante descobrir que podia ter percorrido determinados caminhos e não percorreu.
Beatriz: Eu tenho um período do meu trabalho em que eu simplesmente joguei fora quase tudo que eu fiz, porque não entendia, não gostava. Eu falei: "Não tenho condição de conviver com nada disso." Agora, nesse período em que comecei a "revisionar", e isso tem um ano, foi quando comecei a entender o período.
Vik: Mas já tinha jogado fora...
Beatriz: Já, mas não me arrependo. Engraçado, eu achei que viria um arrependimento, mas não veio. Na verdade, tive, mas só por algumas poucas obras. O engraçado mesmo é começar a entender aquela fase.
Vik: Nesse meu livro tem coisa de que eu não gosto também.
Beatriz: Por isso deve ser melhor fazerem o catálogo depois que a gente morre, né? (Risos)
Vik: Você começa uma carreira e vai dando tiro para tudo quanto é lado, às vezes você mata um pombo. Você pensa em duas razões: algo que lhe satisfaça intelectualmente e outra que satisfaça o público. Esse feedback, essa cobrança, é muito importante. Como estamos viajando o tempo todo, é difícil ter tempo de parar e pensar no que fez. O livro o coloca em uma posição privilegiada, você vê as ramificações do que foi feito por você. Mas é perigoso, porque você se envolve muito consigo mesmo. Eu fui voltando, fui voltando... daí torna-se inevitável para um artista dialogar com o próprio passado.
Beatriz: Eu ia perguntar isso. Se vendo sua obra como um todo, você começaria a dialogar com o passado.
Vik: É natural. Na minha idade, no lugar em que estou, faço isso de uma forma ou de outra. Não tenho esse luxo de parar e pensar na vida. Estamos sempre correndo. O livro me forçou a pensar em tudo. Tenho uma responsabilidade técnica mesmo, de colocar uma coisa atrás da outra.
Beatriz: Como foi fazer um catálogo raisonné tão jovem? Penso que nós vivemos uma situação interessante. O nosso papel é inédito, os preços, a localização, as coleções, isso é inédito no contexto de arte brasileira. Isso está colocando a gente em situações que outros não tiveram. Penso em Lygia Clark na nossa idade, que não estava nem perto desta posição... Você tem de lidar com situações que outras gerações brasileiras não teriam de lidar.
Vik: Penso que daqui a 20 anos esse livro só deverá existir no formato digital. O conteúdo, a distribuição, esta organização tem a ver com uma necessidade. Tanto eu como você, Bia, temos de fazer isso e por motivos diferentes. Você lida com a pintura, que produz objetos únicos, por isso catalogar também é tão importante. Saber quem comprou seu trabalho e onde ele foi parar, pois se fizer uma exposição retrospectiva, vai ter de rastrear cada obra. No caso da foto, não é tão sério, posso imprimir tudo e fazer a exposição. E eu trabalho em série. Vou aplicando os conhecimentos dentro da série. É como escrever novela, vou matando alguns personagens, fazendo uma intriga aqui, outra ali.
Beatriz: Você tem arquivo digital...
Vik: O arquivo digital está lá. Mas isso aqui (aponta o livro) é baseado em uma cronologia. É engraçado, pois você visualiza tudo.
Beatriz: O digital está lá, mas o livro tem outro contexto, não é?
Vik: O trabalho em série produz um número maior de objetos, inevitavelmente. Eu poderia estar fazendo coisas maiores, colocar mais conteúdo, mas tenho dificuldade com isso. Procuro dissipar isso em pequenos objetos, a natureza do meu trabalho produz um número muito grande de objetos. Na pintura, você aplica o conhecimento na própria pintura. Fotografia determina pontos, é uma extensão maior.
Beatriz: Ainda estou curiosa. Na hora de fazer a cronologia, você não fez uma seleção/pré-curadoria?
Vik: Não fiz. Mas o que não está aqui foram as coisas que se perderam. O artista quando jovem está preocupado em fazer o trabalho, não se preocupa em documentar. A gente está muito envolvido com a criação e coisas se perdem ao longo do caminho. É preocupante essa amnésia em relação ao seu próprio trabalho. Em 20 anos, você esquece de muita coisa. Penso agora que foram semanas da minha vida dedicadas a algo que perdi na memória. Gastei dinheiro, peguei trem e não tenho mais a menor lembrança daquilo.


Sorolla e Le Corbusier em Curitiba


Joaquín Sorolla


Le Corbusier

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O Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, PR, inaugurou a mostra “O Olhar do Pintor Joaquín Sorolla” (foto). Essa mostra será exibida com exclusividade em Curitiba. No primeiro semestre, outra exposição de Sorolla, no Museo do Prado de Madrid, registrou recorde de público. Pela exposição passaram cerca de 500 mil pessoas, tornando-se a mostra mais visitada da última década. Na mesma ocasião, será aberta no Museu a mostra “Figuras e Padrões – A encomenda do azulejo em Portugal do século XVI à atualidade”, que apresenta 90 painéis, nos quais são exibidas as cerâmicas. As obras, procedentes do Museu Nacional do Azulejo de Portugal, somam mais de seis toneladas. E, a partir do dia 15 de dezembro, em comemoração ao Ano da França no Brasil, será aberta a mostra “Le Corbusier – Entre Dois Mundos”. A exposição apresenta 200 obras, que incluem projetos originais, desenhos, pinturas, esculturas, tapeçarias, maquetes, livros e fotografias de Le Corbusier (foto), provenientes do acervo da Fundação Le Corbusier, em Paris. Os trabalhos em exibição foram produzidas nos últimos 20 anos de vida de Le Corbusier (1945-1965). São projetos de arquitetura, maquetes, livros e fotografias, provenientes da fundação que leva seu nome, com sede em Paris. Além de exemplares da rica produção artística do arquiteto, incluindo pinturas, desenhos, esculturas, tapeçarias, colagens e litografias. A escolha do período não foi casual. Entre 1945 e 1965, Le Corbusier produziu a sua “obra da maturidade”. O curador Jacques Sbriglio afirma que há uma nítida diferença entre o Le Corbusier pré-guerra e o artista do pós-guerra.


Iberê/Segall/Goeldi


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Olhar para a arte de vertente expressionista através da gravura é o que propõe a exposição "Cálculo da expressão", em cartaz na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS. Com curadoria de Vera Beatriz Siqueira, a mostra volta-se para o elaborado cálculo expressivo e formal necessário para a concretização da técnica como objeto artístico. Os três artistas, de formações bastante distintas, podem ser admirados (e analisados) através de algumas características em comum, como o rigor artesanal, a economia formal e a compreensão da potência poética da técnica da gravura, bem como a escolha por temas gerais, advindos da tradição expressionista. “O que esta mostra pretende exibir é tanto essa proximidade como aquilo que os especifica e diferencia, desvelando para o público o complexo cálculo que realizam na formalização de obras densas, intensamente expressivas”, define a curadora. De 11 de dezembro a 14 de março de 2010.


O interior de Iberê


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A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, abre mais uma exposição de seu acervo: "Paisagens de Dentro". Com curadoria de Icleia Borsa Cattani, a mostra olha para as paisagens produzidas pelo artista, ainda pouco estudadas. Indo desde o início de sua carreira até as últimas décadas, exibe "...paisagens geradas a partir do interior de seu sistema de signos e do interior de si mesmo". Segundo a curadora, o tema era recorrente no início da carreira de Iberê, entre as décadas de 1930 e 1950. Posteriormente, retornou nas pinturas mais recentes, mas sem tratar "de uma representação de locus específico, e sim de um olhar para dentro". Foi depois de 1980 que o artista retornou, aos poucos, à figuração, colocando imagens e signos não figurativos em suas obras. Com o passar dos anos, as figuras foram predominando, e a paisagem retornou – mas sem vínculos com imagens reais. De 11 de dezembro a 05 de setembro de 2010.


São Paulo e Rio: Catálogo com a obra completa de Vik Muniz


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Chega às livrarias neste mês o catálogo raisonné intitulado “Vik Muniz, Obra Completa 1987-2009”, da Editora Capivara. O lançamento será no próximo dia 17 de dezembro, na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim, São Paulo, SP, e, no dia 18, na Livraria da Travessa, Rio. O material traz uma perspectiva sobre os 22 anos de carreira de Vik, numa coleção de mais de 1,6 mil imagens. Vik Muniz é hoje, um dos artistas brasileiros mais consagrados no exterior. O imenso sucesso das recentes exposições retrospectivas - que mostraram o melhor de sua obra em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Curitiba - marcou o reencontro de seu país com sua arte. No catálogo o leitor encontrará quase 1200 obras, que representam mais de 1600 imagens, muitas reproduzidas em página inteira, permitindo um contato privilegiado com os materiais usados por Vik, tão importantes no impacto de seus trabalhos.


Luiz Zerbini | "Ruído" na Galeria Laura Alvim


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"Ruído" é a mostra do artista plástico Luiz Zerbini realiza na Galeria Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. Há cinco anos sem fazer individual no Rio de Janeiro, o artista mostra desenho, instalações e vídeo, todos inéditos e datados de 2009. A exceção é uma escultura de 2004, em cerâmica e vidro, que Zerbini considera "premonitória" da fase atual. A produção de Zerbini foi mostrada no Brasil pela primeira vez, em 1984, no Rio, na grande coletiva "Como vai você, Geração 80?", uma explosão da figura e do gesto na pintura. Nestes 25 anos, a paisagem e o retrato são gêneros evidentes na composição da sua obra, e nesta exposição eles comparecem sem obviedade, junto com o reflexo, que Zerbini elege como tema recorrente da vez. Uma das instalações propõe que o espectador sente na única cadeira da sala de duas paredes pintadas de preto, com tinta automotiva de alto brilho, que funcionam como espelho. O que ele vai ver é um auto-retrato, de tom austero, com luz pontual. Em outra sala, um site specific tem volumes em uma das paredes, cujo reflexo chega à outra parede, ambas negras. O título da mostra se refere aos defeitos da filmadora digital, enquanto Zerbini realizava o vídeo de reflexo de paisagens em águas fluviais, outro trabalho em exibição. São pequenos quadrados de cor acumulados em algumas áreas da imagem. Tecnicamente o defeito é chamado de ruído. A imagem dos ruídos digitais tem clara analogia geométrica com os desenhos feitos com molduras de slides de papelão. Alguns têm gelatina de cores ácidas como miolo; outros são montados com as molduras vazadas, usadas, e cores e anotações originais. Curiosamente, os desenhos já estavam em curso no ateliê quando o artista começou a produzir o vídeo e optou por incorporar o ruído digital à exposição. Luiz Zerbini é paulista, radicado no RJ, desde a década de 80. Além da carreira solo, ele integra o grupo Chelpa Ferro, de instalações eletro-acústicas, ao lado de Barrão e Sergio Mekler. Com o Chelpa, participou das bienais de São Paulo, Havana, Veneza e do MERCOSUL. Individualmente, expôs na Bienal Internacional de São Paulo, Cuenca, Havana e do MERCOSUL, em várias capitais brasileiras e em Lisboa, Paris, La Paz e Madri. "Ruído", sua 29º individual, com texto de apresentação de Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-RJ e a curadoria da exposição é de Ligia Canongia. Até 21 de fevereiro de 2010.


ARTE URBANA NO MASP


Carlos Dias


Zezão

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"De dentro para fora, de fora para dentro", é o título da exposição coletiva que leva para o Museu de Arte de São Paulo, MASP, Bela Vista, São Paulo, SP, pela primeira vez, a arte das ruas. Grafites, desenhos, colagens, fotografias, instalações e vídeos. É a primeira exposição de Carlos Dias (foto), Daniel Melim, Ramon Martins, Stephan Doitschinoff, Titi Freak e Zezão (foto) no MASP, mostrando a arte que tomou de assalto algumas das principais galerias do país, rompendo limites e preconceitos em torno de uma arte considerada "marginal e sempre mal vista", de acordo com palavras dos próprios artistas. A ideia do projeto foi integrar no mesmo espaço artistas de uma mesma geração, porém donos de resultados estéticos distintos entre si. "São artistas muito ricos em linguagem, pertencem a mesma geração, mas têm estilos muito distintos", segundo o curador da exposição, Baixo Ribeiro. Instalações, pinturas e desenhos gigantes que se estendem sinuosamente pelo chão, caveiras e cruzes com estruturas geometrizadas, um altar e uma cruz central com Jesús pintado com espinhos, grandes rostos geométricos em negro, vermelho e branco, imagens de infância com um lirismo altamente dramático, um caos em desespero e otimismo juvenil. Até 05 de fevereiro de 2010.


Nelson Felix: Cavalariças do Parque Lage e H.A.P. Galeria


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A obra, de Nelson Felix, dá o tom da mostra “Cavalariças” que o artista irá exibir no local (a partir de 27 de novembro), um trabalho que se completa com mais seis esculturas de grande formato em mármore de Carrara, bronze e ouro, e 10 desenhos em ouro sobre papel, na H.A.P Galeria, Jardim Botânico, que ganhou mais uma sala (50m2) para abrigar a exposição. Verticais, suntuosas. Sessenta vigas de ferro e um anel de mármore de 9 toneladas, com 2,3m de diâmetro, dialogam silenciosamente com o espaço das Cavalariças do Parque Lage, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, como os versos de um poema que se destacam na inspiração do poeta. A curadoria é de Ronaldo Brito. Com esse trabalho, Nelson Felix retorna às Cavalariças (onde afirma ter a liberdade de tempo e de espaço) encerrando um circuito de criações permeadas pela ideia de círculo, tanto formal quanto poeticamente. Várias de suas obras desdobram-se de uma atitude inicial, e estabelecem diálogos entre si, com um único processo, em amálgama. Nesta exposição, o artista dá seqüência a trabalhos iniciados em 1988, como Grafite (MASP), onde uma das peças foi alinhada pelo “eixo do sol”, ficando “torta” no espaço; a Série Árabe (2001) – exibida nas Cavalariças do Parque Lage, que se referia a uma outra torção no espaço, onde as esculturas, deslocadas em 23 graus, o ignoravam, não mais cabiam nele, furando paredes ou torcendo a si mesmas, e Camiri, no Museu Vale (2006), quando as esculturas foram deslocadas 23 graus na arquitetura do prédio e Nelson se deslocou 23 graus no Globo, encontrando um lugar específico na Bolívia, chamado Camiri, de onde fez uma foto olhando para o local da exposição. Nelson afirma que esse deslocamento, que leva a obra para fora, para além das limitações físicas do espaço, é a grande força de seus trabalhos. – A obra não é só a escultura que ocupa o espaço. É mais! É como alguém que você vê pela primeira vez e sabe que não é só aquilo, sabe que carrega sentimentos, afetos, características próprias e particulares – diz o artista.

H.A.P.
As esculturas na H.A.P. Galeria, que complementam a mostra, foram esculpidas em um só bloco de mármore de Carrara, sem a presença de qualquer emenda. Nelson utiliza o mármore inteiro, e dele retira o que não quer.
Além das esculturas, a exposição contará com 10 desenhos em ouro sobre papel, que na visão de Ronaldo Brito são “urgentes, incisivos, em lúcido tumulto”. – Os desenhos saem em busca da forma da escultura e impelem o artista em sua direção. Mas agem também em sentido inverso, a detê-lo, ocupá-lo em atividade, impedi-lo de partir prematuramente e chegar antes de si mesmo ao campo da escultura – afirma o curador.
Na visão do artista, os trabalhos da galeria buscam expressar toda ação que se constitui nas Cavalariças: exposição/quatro trabalhos no mundo/exposição - em uma única obra, seja ela escultura ou desenho. - É um círculo, que vai e volta. Uma obra só, com identidade própria – ressalta Nelson.

O Filme e o livro
No dia da inauguração da mostra, às 20 horas, haverá uma sessão especial do CINE LAGE – onde serão exibidos o filme “O oco”, de Nelson Felix e Luiz Felipe Sá, sobre a produção do artista, além de making of das exposições realizadas por ele no Museu Vale e nas Cavalariças, com direção de Luiz Felipe Sá. A sessão acontecerá às 20h, no pátio da piscina.
No término da exposição será lançado um catálogo (304 pg.) sobre o trabalho de Nelson Felix, com textos de Ronaldo Brito e Nuno Faria. De 27 de novembro a 23 de fevereiro de 2010.


VIK MUNIZ no MUSEU OSCAR NIEMEYER, CURITIBA

 
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Uma "Mona Lisa" ou um "Che Guevara", tendo como base inusitados ingredientes como geléia e pasta de amendoim são algumas das obras emblemáticas criadas por Vik Muniz, em cartaz em sua exposição individual no Museu Oscar Niemeyer, Centro Cívico, Curitiba, PR. Vik Muniz utiliza outros elementos incomuns como clips, botões, sucatas, soldadinhos de chumbo, diamantes, papéis e materiais de escritório e o resultado é sempre surpreendente, um verdadeiro enigma a ser decifrado pelo olhar do espectador prescrutando imagens e signos de domínio público ou relendo obras de artistas que fazem parte da história da arte universal. Atrizes famosas como Elizabeth Taylor, Catherine Deneuve e Monica Vitti também compõem seu rico universo de imagens. Com 131 imagens no total, esta é a maior exposição do artista já realizada no país cuja itinerancia iniciou no MAM, Rio de Janeiro e passou pelo MASP, São Paulo. Seu trabalho chamou a atenção dos críticos e do circuito artístico nova-iorquinos, ganhando imediatamente fama internacional. Vik Muniz já expôs, dentre outros espaços consagrados, como a Tate Modern e o Victoria & Albert Museum, ambos em Londres e no Getty Institute, Los Angeles. Até 28 de fevereiro


Vergara no MAM/Rio de Janeiro



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O MAM Rio de Janeiro apresenta a exposição “"Carlos Vergara: A dimensão gráfica – uma outra energia silenciosa”, um conjunto de 200 trabalhos realizados pelo artista dos anos 1960 até hoje, onde a linguagem gráfica é o fio condutor. São monotipias, gravuras, fotografias, desenhos, 3D, filmes e instalações. É uma exposição importante na trajetória do artista, reúne pela primeira vez esse conjunto de obras, várias nunca mostradas ao público, e outras não vistas desde sua produção. Esta exposição marca a volta de Vergara ao MAM depois de 37 anos. Em 1972 ele foi convidado a expor, e decidiu chamar os amigos, para abrir um espaço em plena ditadura, e fez a coletiva  "Ex Posição". A exposição de agora tem curadoria do colecionador George Kornis, que por mais de um ano pesquisou os arquivos do ateliê do artista, com intuito de reunir os trabalhos produzidos por Vergara para que tornasse visível ao público a linguagem gráfica que perpassa sua produção, nesses quase 50 anos de atividades artísticas. George Kornis destaca que a produção de Vergara se expressa por diversas linguagens, ele destaca "que é comum, na trajetória de Vergara, que um trabalho migre para vários outros suportes: “uma fotografia pode se desenvolver em uma serigrafia, que por sua vez poderá mais tarde se tornar pintura. Esta é uma grande alquimia dele”. Até 14 de março de 2010.


IAC com Helio Oiticica e Miguel Bakun


Helio Oiticica

Miguel Bakun

O Instituto de Arte Contemporânea (IAC), São Paulo, SP, apresenta duas exposições simultâneas: “Da estrutura ao tempo” de Hélio Oiticica e “Miguel Bakun: Natureza e destino”. Com curadoria do crítico de arte e pesquisador Cauê Alves, a exposição de Hélio Oiticica traz 18 obras do artista pertencentes a coleções particulares. A mostra de Miguel Bakun, a primeira exposição do artista em São Paulo, comemora o centenário de seu nascimento e reúne 32 telas selecionadas pela curadora Eliane Prolik. De 08 de novembro de 2009 a 28 de fevereiro de 2010. (Veja mais)


"Anywhere Is My Land", Antonio Dias na Daros, Zürich


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A carreira internacional de Antonio Dias iniciou-se em 1966 quando recebeu o prêmio de melhor artista jovem na Bienal de Paris. O artista divide seu tempo entre a Alemanha, Milão e Rio de Janeiro, além de longas estadias na década de 1970 em Nova Iorque e no Nepal. O título e sua atual exposição refere-se ao que ele escreveu , em 1968, em uma tela minimalista. Essa inscrição virou parte de uma série de pinturas feitas com uso de sentenças para provocar a imaginação de todos e dá nome à exposição que o artista inaugura na Daros Exhibitions, Zürich, Suíça, com obras realizadas nas décadas de 1960 e 70. Sua última exposição antológica no Brasil ocorreu entre 2000 e 2001. Até fevereiro de 2010.


EM CURITIBA: MOSTRA INÉDITA DE CARLOS ALONSO NO BRASIL


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O Museu Oscar Niemeyer, Curritiba, PR, inaugura exposição individual de obras inéditas de Carlos Alonso no Brasil. Trata-se da mostra “Carlos Alonso – Hay que comer”, proveniente da Fundacion Alon para las Artes, Argentina. Internacionalmente reconhecido, o artista plástico Carlos Alonso imprime em suas obras um tom intenso e dramático, nas quais o vermelho da carne humana e bovina é recorrente. São 45 obras em exibição, onde a “metáfora da carne” está sempre “presente como linguagem para a crítica política, social e também como textura pictórica e reflexão do período ditatorial argentino”. A concepção curatorial é do colecionador Jacobo Fiterman (amigo do artista). “Eu nasci no dia 29, exatamente um ano antes do primeiro golpe de estado, e senti a pressão, a descontinuidade e a necessidade de fazer reflexões – não só pictóricas, mas às vezes também militantes – sobre a temática do poder”, declarou o artista em 1989. Pinturas, desenhos, gravuras, serigrafia e colagens estão no conjunto selecionado para esta mostra em Curitiba, onde são apresentados trabalhos produzidos entre 1965 e 1984. Nestas obras, a carne é o eixo central da temática de Carlos Alonso. “A carne como metáfora. Metáfora da Argentina e metáfora rasgada do corpo humano reiteradamente manchado, perfurado, esfolado. A simbiose vaca-homem é signo, alfabeto de uma escritura que recria a trágica história nacional”, escreveu Alberto Giudici, responsável pela curadoria da mostra exibida na Espanha, no Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM). Segundo o curador Jacobo Fiterman, a utilização da metáfora da carne na obra de Alonso foi retomada em 1974, que explica o enfoque desta exposição. “(...) Na capital italiana mantinha estreito contato com o Novo Realismo, artistas e críticos envolvidos em uma arte de crítica social e política, mas também de renovação dos procedimentos expressivos. Nesses anos, retoma o tema da carne e, em 1974, em Milão e Florença, apresenta pinturas, desenhos e gravuras onde aborda um retrato descarnado da oligarquia argentina, boiadeira, mercantil, uma análise de como se comporta, de que cara tem esse poder. (...) Para Carlos Alonso, a arte se transformou no lugar onde são fixadas as feridas que a realidade deixa sobre o mundo. Esta série é um testemunho de uma Argentina que estará sempre presente para que seus dramas e seus enganos não se repitam.” Em 1971, o artista aderiu ao movimento chamado Novo Realismo italiano, sobre o qual o próprio Alonso declarou: “O Novo Realismo é uma arte politizada. Seu enunciado franco e direto apela em ocasiões a uma simultaneidade na qual se mesclam diferentes tempos e situações ao redor de uma idéia, de uma carga intencionada”. Desde o início dos anos 1970, Carlos Alonso reside alternadamente em Roma e Buenos Aires. De 01 de outubro a 11 de abril de 2010.


UM BRASIL ALÉM
Os trabalhos do fotógrafo americano Bernie DeChant, em exibição no Museu Oscar Niemayer, Curitiba, PR, são obras de arte, com títulos sugestivos. Em algumas “...narra fatos, em outras, cria imagens que parecem cenas em quadros pintados, com plástica de fotografia de cinema. Faz poesia sem utilizar uma só palavra”. Inédita no Brasil, a exposição, composta por 41 imagens, marca a inauguração de uma nova sala expositiva no Museu, a Galeria Oscar Niemeyer. Na mostra “Brasil, além Brasil”, com seleção feita pelo curador Andy Patrick, uma das características da obra de DeChant que chama a atenção do observador são os grafismos, que ele obtém através do corte do objeto escolhido, do ângulo e da luz. Com formação em design gráfico, DeChant transporta todo esse conhecimento para suas imagens; por vezes coloridas, em outras preto e branco. De 20 de junho até 07 de fevereiro de 2010.