{"id":10631,"date":"2016-04-19T22:36:19","date_gmt":"2016-04-19T22:36:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=10631"},"modified":"2016-04-20T16:03:57","modified_gmt":"2016-04-20T16:03:57","slug":"pinakotheke-sao-paulosegall","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/pinakotheke-sao-paulosegall","title":{"rendered":"Pinakotheke S\u00e3o Paulo\/Segall"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-10631 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall-1.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall-1-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall2.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall3.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall3-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall8.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall8-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall7.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall7-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall6.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Segall6-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>A Pinakotheke Cultural, Morumbi, S\u00e3o Paulo, SP, apresenta na presente exposi\u00e7\u00e3o, mais de sessenta trabalhos, a maioria proveniente de cole\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia Segall. Est\u00e3o representadas as diversas linguagens utilizadas pelo artista tendo o papel como suporte:xilogravura, gravura em metal, aquarela e desenhos a tinta preta e grafite. Al\u00e9m dos pap\u00e9is, a mostra \u00e9 pontuada por esculturas e pinturas sobre tela, algumas in\u00e9ditas, como as duas cenas de Meissen, Alemanha, feitas durante a Primeira Guerra Mundial.<br \/>\nH\u00e1 obras de diferentes \u00e9pocas, desde os primeiros anos do s\u00e9culo 20, quando ele transitava entre a cidade natal de Vilna, na Litu\u00e2nia &#8211; na \u00e9poca parte do Imp\u00e9rio Russo &#8211; e as cidades de Berlim e Dresden, onde frequentou as academias e fez parte do Expressionismo alem\u00e3o. Os trabalhos mostrados nesta exposi\u00e7\u00e3o se estendem at\u00e9 os anos 1950, passando pelo per\u00edodo que viveu em Paris, de 1928 a 1932.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Vida em Meissen<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nLogo depois da Alemanha declarar guerra \u00e0 R\u00fassia, em agosto de 1914, os cidad\u00e3os russos que viviam em Dresden foram levados para a cidade vizinha de Meissen, famosa por sua porcelana. Em seus escritos autobiogr\u00e1ficos Segall fala de sua situa\u00e7\u00e3o de \u201cprisioneiro civil de guerra\u201d. Em 1915, quando pintou as duas telas desta exposi\u00e7\u00e3o \u2013\u201cPra\u00e7a do mercado em Meissen I\u201d, de 1915,e \u201cPra\u00e7a do mercado em Meissen II\u201d, de 1915 -, sabemos que ele estava ali. Ao lado do pintor Alexander Neroslow, sa\u00eda com frequ\u00eancia em caminhadas para documentar aspectos da cidade e dos arredores, al\u00e9m de produzir retratos dos amigos.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>\u201cVerdade interior\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o do per\u00edodo europeu presente nesta mostra tem nas xilogravuras seus melhores exemplos. Feitas na Alemanha na segunda metade dos anos 1910 e na d\u00e9cada seguinte, elas se aproximam das gravuras primitivas, por motivos est\u00e9ticos e ideol\u00f3gicos. A grava\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada por uma simplifica\u00e7\u00e3o brutal das formas, mostrando que nessa \u00e9poca Segall j\u00e1 estava sintonizado com o Expressionismo alem\u00e3o, ao dar \u00e0 sua obra gr\u00e1fica a for\u00e7a de um panfleto. Os expressionistas se utilizaram dessa linguagem simplificada e veemente, para conduzir \u00e0 imediata apreens\u00e3o dos conte\u00fados, impregnados das ideias pol\u00edticas e sociais de esquerda que caracterizaram o movimento. Segall explora esse contraste decisivo entre o preto das superf\u00edcies carregadas de tinta e o espa\u00e7o em branco cavado na matriz, como seus predecessores Erich Heckele Karl Schmidt-Rottluff &#8211; criadores em 1905 de \u201cA Ponte\u201d, primeiro agrupamento do Expressionismo alem\u00e3o \u2013 ou como Conrad Felixm\u00fcller e Will Heckrott, integrantes, como ele, da segunda gera\u00e7\u00e3o dos expressionistas.\u00a0 As gravuras de Segall t\u00eam como refer\u00eancia o tema do eterno judeu errante, as recorda\u00e7\u00f5es de sua cidade e os ritos da ortodoxia judaica que povoaram sua inf\u00e2ncia. A forte impress\u00e3o que guardou de Vilna, ocupada e arrasada pelos alem\u00e3es em 1915, tamb\u00e9m repercutiu em seu esp\u00edrito solid\u00e1rio &#8211; os mortos, mesmo an\u00f4nimos, eram os de Segall. A devasta\u00e7\u00e3o da cidade e o desaparecimento de grande parte dos homens deu origem a cenas como \u201cVi\u00fava\u201d, de 1919, e \u201cVi\u00fava e filho\u201d, de 1918, uma mulher gr\u00e1vida tem ao lado o menino de m\u00e3os estendidas \u00e0 espera de uma esmola. Os corpos acuados e as cabe\u00e7as e olhos imensos d\u00e3o a dimens\u00e3o do desamparo humano dessas v\u00edtimas da guerra, e esses personagens tr\u00e1gicos t\u00eam presen\u00e7a insistente em toda a obra de Segall.<br \/>\nNa xilogravura \u201cEnterro\u201d, de 1915, o branco ilumina a dramaticidade teatral do assunto. O corpo do morto atravessa a cena em diagonal, apoiado no ret\u00e2ngulo de um caix\u00e3o simples de madeira, comum nos enterros judaicos, e sua cabe\u00e7a \u00e9 uma m\u00e1scara negra e paira \u00e0 direita, em contraste com os rostos brancos dos tr\u00eas personagens que acompanham o enterro. Os olhos vazados, s\u00e3o de desesperan\u00e7a e assombro em presen\u00e7a da morte.<br \/>\nTamb\u00e9m s\u00e3o desse per\u00edodo as xilogravuras \u201cOra\u00e7\u00e3o lunar\u201d, c. de 1917, \u201cCabe\u00e7a de rabino\u201d, de 1919, \u201cJovem orando\u201d, de 1920 e \u201cM\u00e3e e filho\u201d, de 1921, nas quais a est\u00e9tica expressionista se associa ao repert\u00f3rio pessoal do artista, para dar \u00eanfase \u00e0 sua \u201cverdade interior\u201d, conforme express\u00e3o sua. Em todas elas, as \u00e1reas em branco invadem os corpos criando personagens duplos, vidas partidas entre luz e sombra. Nesse sentido, cabe destacar a gravura \u201cMulheres errantes &#8211; II\u201d,vers\u00e3o de 1919, na qual as m\u00e1scaras dos personagens comp\u00f5em, com o fundo de formas geom\u00e9tricas, um fantasmag\u00f3rico tabuleiro de xadrez. Em \u201cM\u00e3e e filho\u201d, de 1921, os rostos unidos s\u00e3o invadidos por um branco simb\u00f3lico, pelo vazio que anula as personalidades. Nas duas folhas comemorativas em que ele grava homenagens \u00e0 m\u00e3e \u2013 falecida quando Segall tinha dezesseis anos \u2013 e \u00e0 av\u00f3, o texto em hebraico \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o de caracteres geom\u00e9tricos cavados em t\u00e1buas de resson\u00e2ncias b\u00edblicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Expressionismo eslavo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nA obra gr\u00e1fica de Segall produzida na Alemanha e presente nesta exposi\u00e7\u00e3o se completa com duas litografias, \u201cFam\u00edlia\u201d, de 1920, em que o corpo feminino estende-se em diagonal como nas telas \u201cGestante\u201d, de 1919 e \u201cEncontro\u201d, de 1920, cuja composi\u00e7\u00e3o, na unidade das cabe\u00e7as e das m\u00e3os, repete as solu\u00e7\u00f5es da pintura \u201cDois seres\u201d, de 1919. As coincid\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o casuais. Ao contr\u00e1rio, a reafirma\u00e7\u00e3o frequente de certas solu\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas \u00e9 um dos elementos certificadores da po\u00e9tica segalliana.\u00a0 H\u00e1 ainda duas gravuras em metal \u2013\u201cMargarete\u201d, c. de 1921, vigoroso retrato da primeira mulher do artista, e uma imagem da s\u00e9rie \u201cMendigos II\u201d, de 1922\/ 23, nas quais j\u00e1 est\u00e3o presentes os tra\u00e7os exatos e as formas geom\u00e9tricas caracter\u00edsticas da Nova Objetividade, tend\u00eancia que influenciou toda a arte alem\u00e3 dos anos 1920.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Figuras e retratos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n\u201cHomens \u00e0 mesa\u201d, c. de 1910 e \u201cVelho de quepe dormindo\u201d, c. de 191, s\u00e3o os desenhos mais antigos desta exposi\u00e7\u00e3o, povavelmente feitos em Vilna em uma das viagens de f\u00e9rias para visitar a fam\u00edlia, quando Segall frequentava a Academia de Dresden. Tamb\u00e9m nos primeiros desenhos, a escolha dos personagens retratados &#8211; velhos, vi\u00favas, mendigos, doentes &#8211; segue a indica\u00e7\u00e3o de um olhar sem demagogia, compassivo para com os desfavorecidos e marginalizados. Nesses e em outros desenhos que faz mais adiante, \u00e9 frequente Segall retratar tipos e n\u00e3o individualidades exacerbadas, ao contr\u00e1rio, por exemplo, de seu contempor\u00e2neo e amigo Otto Dix, fundador, junto com ele, da Secess\u00e3o de Dresden- Grupo 1919.<br \/>\nQuando Segall se dedica a figuras femininas como o delicado \u201cMargarete deitada\u201d, c. de 1915, as linhas se suavizam; tra\u00e7os distendidos envolvem a figura em repouso. No retrato de \u201cMobBarzinsky\u201d, de 1917, ou em \u201cMo\u00e7a de franja\u201d, c. de 1920, e \u201cRetrato feminino\u201d, c. de 1920, as cabe\u00e7as t\u00eam destaque no centro do papel e os retratados v\u00eam igualmente para o primeiro plano. O grafite e o crayon acentuam detalhes aqui e ali, ora o nariz, o pesco\u00e7o, as olheiras, trabalhando pela expressividade do conjunto. \u201cO Retrato de homem\u201d c. de 1919, um \u00f3leo com a transpar\u00eancia da aquarela, tamb\u00e9m nos encara. \u201cMo\u00e7a de busto nu\u201d, c. de 1920 \u00e9 um nu sem erotismo, perturbador na anatomia fr\u00e1gil da modelo. Em \u201cJovem sentada\u201d, c. de 1920, o grafismo r\u00e1pido esbo\u00e7a mais do que um retrato (talvez Margarete) e tem uma inquietante perman\u00eancia em nosso esp\u00edrito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Paisagem brasileira<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nAo emigrar para o Brasil em fins de 1923, a paisagem humana de Segall altera-se completamente. Ele v\u00ea o novo pa\u00eds como uma festa ex\u00f3tica, longe das tens\u00f5es do mundo europeu, com novas formas e cores a lhe oferecer, um pa\u00eds que lhe revelou \u201co milagre da cor e da luz\u201d. Fascinado pelos tipos de negros e pela vegeta\u00e7\u00e3o dos tr\u00f3picos, surgem \u201cJovem negra\u201d, c. de 1925, tamb\u00e9m em aquarela; \u201cRetrato de homem com a m\u00e3o no rosto\u201d, c. de 1925; e v\u00e1rios desenhos da s\u00e9rie \u201cPlantas tropicais\u201d, c. de 1925.<br \/>\n\u201cTr\u00eas gaivotas e respiradouros\u201d de 1930 \u00e9 uma gravura da s\u00e9rie \u201cEmigrantes\u201d, em que o navio e os detalhes da embarca\u00e7\u00e3o dialogam com as aves e o mar \u00e0 volta, cen\u00e1rio da aventura dos emigrantes. A s\u00e9rie \u201cMangue\u201d &#8211; famosa zona de prostitui\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, cantada em prosa e verso- est\u00e1 representada por tr\u00eas obras: a xilogravura \u201cMulher do Mangue com espelho\u201d, de 1926, a ponta-seca \u201cMulher do Mangue com cactos\u201d, de 1927 e o desenho a pincel \u201cFiguras no Mangue\u201d, c. de 1928.<br \/>\n\u201cNu de costas\u201d, c. de 1928, aquarela, focaliza uma anatomia feminina mais generosa do que as do per\u00edodo alem\u00e3o. Os desenhos de nus femininos dos anos 1930 s\u00e3o um cap\u00edtulo \u00e0 parte, estendendo sobre o papel a languidez convidativa dos corpos femininos. A sensualidade de linhas curvas e suaves desenha o \u201cCasal\u201d, c. de 1930, que inverte os planos da pintura \u201cDois nus\u201d, de 1930, na qual o homem ocupa o primeiro plano e a mulher aparece atr\u00e1s, deitada, parcialmente encoberta pelo corpo masculino sentado \u00e0 sua frente.<br \/>\nDois desenhos a grafite de 1936, com o mesmo t\u00edtulo -\u201cMulher nua deitada\u201d &#8211; s\u00e3o exemplos dessa sensualidade distra\u00edda que Segall retratou como ningu\u00e9m. O poder de perman\u00eancia de tais nus femininos encontra seu \u00e1pice na s\u00e9rie que tem Lucy Citti Ferreira como modelo. Por outro lado, ela aparece identificada na companhia de instrumentos musicais, em obras de diferentes t\u00e9cnicas. \u201cLucy com viol\u00e3o\u201d, c. de 1936, \u00e9 um esbo\u00e7o r\u00e1pido, bem-humorado, enquanto \u201cLucy com acorde\u00e3o\u201d, de 1936, comp\u00f5e um tema que seria retomado em mais de uma pintura sobre tela. Tamb\u00e9m s\u00e3o de acentuado cunho er\u00f3tico os desenhos \u201cCasal\u201d, c. de 1945, de linhas limpas, sem interrup\u00e7\u00e3o, \u201cCasal abra\u00e7ado\u201d, c. de 1950, refor\u00e7ado com insist\u00eancia pela caneta de tinta vermelha, e o relevo em bronze \u201cEncontro\u201d, de 1954, em que o brilho do metal destaca a anatomia dos corpos. Outra escultura, \u201cDuas mulheres\u201d, de 1936, repete solu\u00e7\u00f5es exploradas nos anos 1920. Os corpos juntos e a amarra\u00e7\u00e3o das m\u00e3os, ao centro, transformam os dois personagens femininos em apenas uma entidade.<br \/>\nA fam\u00edlia est\u00e1 representada no desenho \u201cJenny\u201d, c. de 1930, tra\u00e7ado com tinta s\u00e9pia a pincel e em \u201cOssi\u201d, de 1931, &#8211; Oscar, o filho mais novo -, feito em Arcachon, no per\u00edodo em que o casal Segall viveu na Fran\u00e7a. A m\u00e3e com seus filhos, tema constante, ganha corpo na compacta \u201cMaternidade\u201d, de 195, em bronze.<br \/>\nCenas do campo e naturezas-mortas surgem em um momento de tranquilidade e vida junto da fam\u00edlia, durante a estada francesa. \u00c9 quando Segall come\u00e7a a esculpir e, tamb\u00e9m na pintura, os objetos e animais ganham em presen\u00e7a corp\u00f3rea, adquirem uma qualidade t\u00e1til. As cores se aproximam da solidez e opacidade da argila &#8211; ocres,marrons e brancos invadem as telas. \u201cVacas no campo\u201d, de 1931, e \u201cNatureza-morta com vaso ornamentado\u201d, c. de 1931, s\u00e3o exemplares nesse sentido e prenunciam a mat\u00e9ria densa das paisagens de Campos do Jord\u00e3o. Dessa \u00e9poca tamb\u00e9m s\u00e3o as id\u00edlicas aquarelas \u201cAnimais com pinheiros\u201d, de 1931, cena de inspira\u00e7\u00e3o chagalliana, e \u201cNora\u201d, c. de 1931, a filha de Victor Rubin, amigo e protetor de Segall em Dresden. Ap\u00f3s a partida de Lucy para a Fran\u00e7a, em 1947, Mira Perlov torna-se sua modelo. Ela est\u00e1 presente em tr\u00eas obras aqui exibidas, feitas por volta de 1952. Em tinta preta ou bistre e aquarela, Segall se deteve na bela e delicada figura da jovem.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Fiel \u00e0s origens<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nO ano de 1927 traz a Segall uma dupla tristeza &#8211; os falecimentos de Oscar, o irm\u00e3o com o qual tinha maior afinidade, e de seu pai Abel Segall, que vivia no Brasil desde 1924. Abel com a filha mais nova, Lisa, s\u00e3o os \u00faltimos da fam\u00edlia a deixar Vilna. A morte do pai \u00e9 assunto de um desenho a grafite em que aparecem registrados o dia e a hora do acontecimento \u2013 \u201cO pai do artista morto\u201d (10\/02\/1927, 7h30) \u2013 e no qual a assinatura de Segall \u00e9 posta em russo, reafirmando, na presen\u00e7a do pai falecido, as suas origens.<br \/>\nO tr\u00e1gico acontecimento \u00e9 tratado ainda em \u00f3leos sobre tela como \u201cFim de come\u00e7o\u201d, de 1929, em que o patriarca aparece ao lado do pequeno \u201cMussi\u201d (Maur\u00edcio, filho mais velho de Lasar e Jenny), em xilogravuras \u2013\u201cPai Segall\u201d, de 1927, \u201cArtista em vig\u00edlia f\u00fanebre\u201d, c. de 1927, \u201cVig\u00edlia f\u00fanebre\u201d, c. de 1927,na \u00e1gua-forte \u201cKaddish\u201d, de 1927, e na pintura \u201cVig\u00edlia f\u00fanebre\u201d, c. de 1928, escura e monocrom\u00e1tica, que repete a composi\u00e7\u00e3o da xilogravura de mesmo t\u00edtulo. Na parte superior da pintura, a homenagem do artista na inscri\u00e7\u00e3o em hebraico \u201cPai Segall\u201d (Aba Segall). Ele n\u00e3o deixou, at\u00e9 os \u00faltimos anos de vida, de lembrar sua liga\u00e7\u00e3o com a ortodoxia religiosa, \u00e0 qual esteve exposto desde crian\u00e7a. O tema da tela \u201cJudeu com livro de ora\u00e7\u00f5es\u201d, c. de 1954, rendeu outras pinturas, desenhos, aquarelas e guaches.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Campos do Jord\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nEm Campos do Jord\u00e3o, regi\u00e3o que Segall conheceu em 1935, ele se entregou ao registro po\u00e9tico das florestas e do campo, seus habitantes e grupos de animais que pontuavam a paisagem montanhosa da chamada Su\u00ed\u00e7a brasileira. O delicado \u201cMorro com casas e animais\u201d, c. de 1937, faz lembrar a an\u00e1lise de M\u00e1rio de Andrade sobre o desenho, chamando a aten\u00e7\u00e3o para o car\u00e1ter mais necess\u00e1rio dele, o de \u201cser um fato aberto como a poesia. Cada desenho \u00e9 uma palavra, uma frase. Uma confid\u00eancia\u201d.<br \/>\nCaminhando pelas estradas de Campos do Jord\u00e3o com seu bloco de papel ou com suas telas e tintas, Segall explorou em in\u00fameros trabalhos feitos \u201cdo natural\u201d, as \u00e1rvores, vistas de fora ou de dentro dos bosques. O que interessava a ele era principalmente a arquitetura dos troncos, curvos ou retos, em agita\u00e7\u00e3o dionis\u00edaca-\u201cFloresta\u201d, de1951, &#8211; ou em ordenamento apol\u00edneo \u2013\u201cFloresta\u201d, de 1955. Alguns desses apontamentos deram origem a pinturas a \u00f3leo como a \u201cFloresta fechada\u201d, de 1954, constru\u00edda por faixas verticais em que n\u00e3o h\u00e1 luz ou qualquer vislumbre de c\u00e9u. A s\u00e9rie \u201cFlorestas\u201d, com que Segall se despede da vida, parece indicar seu caminho para a sublima\u00e7\u00e3o dos temas e para a verticaliza\u00e7\u00e3o das formas, permanecendo fiel, no entanto, \u00e0 sua convic\u00e7\u00e3o figurativa.<br \/>\nApesar das florestas de Segall serem florestas e n\u00e3o arte abstrata, como quiseram alguns cr\u00edticos, o que conta nelas n\u00e3o \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o do real, mas o valor simb\u00f3lico da mat\u00e9ria sensual e silenciosa da qual s\u00e3o feitas. Nelas, respiramos Segall, n\u00e3o o ar rarefeito da regi\u00e3o montanhosa de Campos do Jord\u00e3o. E essa aproxima\u00e7\u00e3o com o artista e sua obra s\u00f3 acontece pela via do sentimento e n\u00e3o da raz\u00e3o. Lembrando mais uma vez Susan Sontag, \u201cem vez de uma hermen\u00eautica, precisamos de uma er\u00f3tica da arte. Desarmados, temos mais capacidade de perceber que cada esbo\u00e7o, cada pintura, gravura ou escultura de Segall \u00e9 um documento de identidade imposs\u00edvel de falsear\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto : <strong>Vera d\u00b4Horta<\/strong>\/Setembro de 2015<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>At\u00e9 28 de maio.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Pinakotheke Cultural, Morumbi, S\u00e3o Paulo, SP, apresenta na presente exposi\u00e7\u00e3o, mais de sessenta trabalhos, a maioria proveniente de cole\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia Segall. 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