{"id":11449,"date":"2016-09-01T23:10:26","date_gmt":"2016-09-01T23:10:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=11449"},"modified":"2016-09-02T18:54:10","modified_gmt":"2016-09-02T18:54:10","slug":"a-mao-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/a-mao-do-povo","title":{"rendered":"A m\u00e3o do povo"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-11449 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Vers\u00e3o-1969.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Vers\u00e3o-1969-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-11451\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-11451'>\n\t\t\t\t Vers\u00e3o 1969      \n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Vers\u00e3o-2016.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Vers\u00e3o-2016-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-11452\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-11452'>\n\t\t\t\tVers\u00e3o 2016\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl>\n\t\t\t<br style='clear: both' \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Masp recria hist\u00f3rica mostra de arte popular montada por Lina Bo Bardi<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um S\u00e3o Jorge encara o p\u00fablico na entrada. Atr\u00e1s e ao lado dele no primeiro andar do Masp est\u00e3o tablados cheios de carrancas, ex-votos, tachos de alambique, colheres de pau, joias de escravas. No fundo, um Cristo agoniza na cruz que pende do teto. \u00c9 o fim apote\u00f3tico da mostra ressuscitada agora num remake de exatid\u00e3o obsessiva, milim\u00e9trica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quase meio s\u00e9culo depois da primeira montagem de &#8220;A M\u00e3o do Povo Brasileiro&#8221;, pesquisadores examinaram fotografias de \u00e9poca e listas de empr\u00e9stimos para recriar com total fidelidade uma das mostras mais ambiciosas e controversas da hist\u00f3ria do museu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando levou esses objetos de arte popular \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o inaugural do Masp na avenida Paulista, Lina Bo Bardi j\u00e1 tinha alguma no\u00e7\u00e3o do potencial explosivo de seu gesto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela chegou a montar uma mostra parecida em Roma, quatro anos antes, mas o evento foi interditado por ordem de agentes da ditadura, que discordavam dessa vis\u00e3o do Brasil quando tentavam emplacar a ideia de um pa\u00eds moderno, uma futura pot\u00eancia. No dia da abertura, que n\u00e3o ocorreu, o jornal &#8220;L&#8217;Espresso&#8221; conclu\u00eda que &#8220;a arte dos pobres apavora os generais&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1969, Bo Bardi desafiou mais uma vez os militares. Mais do que uma exposi\u00e7\u00e3o, a mostra que abriu o museu foi uma esp\u00e9cie de manifesto cenogr\u00e1fico, em que sua idealizadora tentava mostrar objetos ditos do povo na mesma caixa resplandecente de vidro e concreto que abrigava quadros renascentistas e impressionistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante entender esse momento&#8221;, diz Adriano Pedrosa, diretor art\u00edstico do Masp. &#8220;Era o centro financeiro do Brasil, onde estavam obras-primas da arte europeia, e essa produ\u00e7\u00e3o popular estava ali em contraste, em fric\u00e7\u00e3o radical com aquilo. Tem um dado subversivo que permanece, porque isso ainda \u00e9 marginalizado, menosprezado. A gente v\u00ea certo preconceito com esse material.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso, um preconceito que vem se dissolvendo, dada a multiplica\u00e7\u00e3o de mostras do tipo em museus e galerias, que v\u00eam bancando uma revis\u00e3o da ideia de arte popular. Isso passa tamb\u00e9m pela implos\u00e3o de r\u00f3tulos como &#8220;na\u00eff&#8221; ou &#8220;outsider&#8221;, termos at\u00e9 h\u00e1 pouco comuns para indicar obras de nomes de fora do circuito tradicional das artes visuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo \u00e0s vezes beirando o fetiche pelas ideias de Bo Bardi, o Masp parece se esfor\u00e7ar para liderar esse movimento, querendo superar, nas palavras de Pedrosa, a &#8220;distin\u00e7\u00e3o entre arte e artefato&#8221;. Tanto que o museu planeja uma integra\u00e7\u00e3o desses acervos, infiltrando carrancas e outros objetos do tipo entre os cavaletes de vidro do segundo andar, reservado \u00e0 arte dos grandes mestres aceitos pela hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse sentido, o remake de &#8220;A M\u00e3o do Povo Brasileiro&#8221; \u00e9 o primeiro passo na retomada da rela\u00e7\u00e3o entre o alto e o baixo clero da cole\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m joga luz sobre o pensamento de Bo Bardi. &#8220;Nos esbo\u00e7os, a Lina anotava coisas como &#8216;refletor de teatro&#8217;, &#8216;luz dram\u00e1tica'&#8221;, observa Tom\u00e1s Toledo, um dos organizadores da mostra. &#8220;Ela tinha uma preocupa\u00e7\u00e3o cenogr\u00e1fica.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso se revela tanto na simetria dos tablados que sustentam os objetos quanto na ordem das pe\u00e7as, que lembra uma prociss\u00e3o religiosa. Flanar pelos corredores do primeiro andar do museu d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de ser um voyeur num desfile de formas incongruentes, de roupas de vaqueiro a pe\u00e7as de cer\u00e2mica, arte plum\u00e1ria, brinquedos, placas de feira e moendas de pedra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No fundo, Bo Bardi quis arrebatar mais pelo ac\u00famulo e pelo espanto dos volumes do que pelas pe\u00e7as individuais. Existe ali, como lembra Pedrosa, um horror ao vazio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E \u00e0 dist\u00e2ncia. Tanto que a arquiteta preferiu santos de prociss\u00e3o a figuras de altar, mais \u00edntimas da multid\u00e3o, e as luzes da galeria foram rebaixadas a uma tonalidade mais quente. O que ressurge no Masp \u00e9 a exalta\u00e7\u00e3o dessa m\u00e3o calejada e inquieta do povo. (Texto de Silas Mart\u00ed).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De 1\u00ba de setembro a 29 de janeiro de 2017.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Masp recria hist\u00f3rica mostra de arte popular montada por Lina Bo Bardi &nbsp; Um S\u00e3o Jorge encara o p\u00fablico na entrada. 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