{"id":11473,"date":"2016-09-05T22:33:57","date_gmt":"2016-09-05T22:33:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=11473"},"modified":"2016-09-05T22:33:57","modified_gmt":"2016-09-05T22:33:57","slug":"o-utero-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/o-utero-do-mundo","title":{"rendered":"O \u00datero do Mundo"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-11473 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Vik-\u00datero.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Vik-\u00datero-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Vik-\u00datero-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Vik-\u00datero-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Vik-\u00datero.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/O-\u00fatero.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/O-\u00fatero-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/O-\u00fatero-2.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/O-\u00fatero-2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>O MAM, Parque do Ibirapuera, SP, retrata corpos indom\u00e1veis e hist\u00e9ricos na exposi\u00e7\u00e3o \u201cO \u00fatero do mundo\u201d. A curadora Veronica Stigger selecionou cerca de 280 obras de 120 artistas contempor\u00e2neos em que o corpo aparece como lugar de express\u00e3o de um impulso desvairado e que se apresenta transformado, fragmentado, deformado, sem contorno ou defini\u00e7\u00e3o. S\u00e3o pinturas, desenhos, fotografias, esculturas, gravuras, v\u00eddeos e performances do acervo do museu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As obras, pertencentes ao acervo do MAM, mostram a indomabilidade e as metamorfoses do corpo. Com curadoria da escritora e cr\u00edtica de arte Veronica Stigger, as produ\u00e7\u00f5es selecionadas &#8211; num universo de mais de cinco mil trabalhos da cole\u00e7\u00e3o do museu &#8211; revelam um corpo que n\u00e3o respeita a anatomia e liberto de amarras biol\u00f3gicas e sociais. Baseada na proposi\u00e7\u00e3o dos surrealistas de compreender a histeria como uma forma de express\u00e3o art\u00edstica, a apurada sele\u00e7\u00e3o da curadora faz um elogio \u00e0 loucura, ilustrando esse \u201ccorpo indom\u00e1vel\u201d que, embora reprimido pela humanidade, manifesta-se no descontrole, na histeria e na impulsividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para organizar a mostra, a curadora recorreu a tr\u00eas conceitos extra\u00eddos da obra da escritora Clarice Lispector que servem como fios condutores que separam os trabalhos nos n\u00facleos \u201cGrito ancestral\u201d, \u201cMontagem humana\u201d e \u201cVida prim\u00e1ria\u201d. Segundo VeronicaStigger, a autora naturalizada brasileira retomou com brilho o elogio ao impulso hist\u00e9rico. \u201cClarice organizou um pensamento simult\u00e2neo da forma art\u00edstica e do corpo humano como lugares de \u00eaxtase e de sa\u00edda das ideias convencionais, tanto da arte quanto da pr\u00f3pria humanidade\u201d, afirma. S\u00e3o exibidas, conjuntamente, obras de artistas celebrados como L\u00edvio Abramo, Farnese de Andrade, Claudia Andujar, Fl\u00e1vio de Carvalho, Sandra Cinto, Antonio Dias, Hudinilson Jr., Almir Mavignier, Cildo Meireles, Vik Muniz, Mira Schendel, Tunga, Adriana Varej\u00e3o e muitos outros, al\u00e9m de duas performances de autoria de Laura Lima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Grito Ancestral<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Abrindo a mostra, \u201cGrito ancestral\u201d cont\u00e9m obras que representam uma s\u00e9rie de gritos. \u201c\u00c9 como se esse som, anterior \u00e0 fala e \u00e0 linguagem articulada, atravessasse os tempos e rompesse com as pr\u00f3prias imagens\u201d, explica a curadora. \u201cO grito se contrap\u00f5e \u00e0 pondera\u00e7\u00e3o e pode ser visto como ind\u00edcio de loucura. Gritar \u00e9, em certa medida, libertar-se das fr\u00e1geis barreiras que delimitam aquilo a que convencionamos chamar de \u201ccultura\u201d em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cnatureza\u201d e ao que h\u00e1 de selvagem e indom\u00e1vel em n\u00f3s\u201d, afirma. Nessa \u00e1rea est\u00e3o expostos tr\u00eas autorretratos da s\u00e9rie \u201cDem\u00f4nios\u201d, espelhos e m\u00e1scaras celestiais, de Arthur Omar, artista com trabalhos que demonstram estados alterados de percep\u00e7\u00e3o e de exalta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m fazem parte a fotografia \u201cO \u00faltimo grito\u201d, de Klaus Mitteldorf; a colagem \u201cMedusa marinara\u201d, de Vik Muniz; fotos de performances de Rodrigo Braga; a gravura \u201cMulher\u201d, de L\u00edvio Abramo; al\u00e9m de imagens em preto e branco de Otto Stupakoff. Com a s\u00e9rie \u201cAaaa\u2026\u201d, a artista Mira Schendel apresenta uma escrita que n\u00e3o constitui palavras ou frases e em que se percebe a desarticula\u00e7\u00e3o da linguagem e uma volta ao estado mais bruto e inaugural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Montagem humana<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste nicho s\u00e3o apresentados corpos fragmentados, transformados, deformados e indefinidos, o que prova a indomabilidade do mesmo. Na exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 percebido como o tra\u00e7o se convulsiona nas obras intituladas \u201cMulheres\u201d, de Fl\u00e1vio de Carvalho, nos desenhos de Ivald Granato e nas produ\u00e7\u00f5es de Tunga, Samson Flexor e Giselda Leirner. Nas fotografias, \u00e9 a falta de foco que borra o contorno da figura nas imagens de Eduardo Ruegg, EdouardFraipont e Edgard de Souza. Com o uso da radiologia, \u00e9 poss\u00edvel verificar o interior do corpo humano nas obras de Almir Mavignier e Daniel Senise. Destacam-se ainda as fotografias feitas por M\u00e1rcia Xavier, um desenho de Cildo Meireles e as produ\u00e7\u00f5es que misturam imagens, couro e madeira de Keila Alaver que representam, literalmente, corpos transformados e fragmentados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vida Prim\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este nicho d\u00e1 vez \u00e0s formas de vida mais elementares, como fungos, flores e folhagens. \u201cEste tipo de vida desestabiliza a percep\u00e7\u00e3o que temos da pr\u00f3pria vida porque, de certa maneira, deteriora as coisas do mundo \u201ccivilizado\u201d, explana VeronicaStigger. Isso \u00e9 ilustrado na s\u00e9rie \u201cImagens infectas\u201d, de Dora Longo Bahia, em que um \u00e1lbum de fam\u00edlia \u00e9 alterado pela a\u00e7\u00e3o de fungos. Em \u201cVivos e isolados\u201d, M\u00f4nica Rubinho usa pap\u00e9is propositalmente fungados em placas de vidro para promover a gera\u00e7\u00e3o desta esp\u00e9cie. No v\u00eddeo \u201cDan\u00e4e nos jardins de G\u00f3rgona\u201d ou \u201cSaudades da Pangeia\u201d, Thiago Rocha Pitta prop\u00f5e uma leitura mitol\u00f3gica da vida prim\u00e1ria. Ainda s\u00e3o exibidas partes do corpo como o cora\u00e7\u00e3o feito de bronze, de autoria de Jos\u00e9 Leonilson, e a foto \u201cUmbigo da minha m\u00e3e\u201d, de Vilma Slomp. A vagina, porta de entrada e de sa\u00edda do \u00fatero, \u00e9 mostrada em diversos trabalhos como nas gravuras de Rosana Monnerat e de Alex Flemming, nas fotografias da s\u00e9rie \u201cVulvas\u201d, de Paula Trope e no desenho \u201cMiss Brasil 1965\u201d, de Farnese de Andrade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre a curadora<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Veronica Stigger \u00e9 escritora, cr\u00edtica de arte e professora universit\u00e1ria. Possui doutorado em Teoria e Cr\u00edtica de Arte pela USP e p\u00f3s-doutorados pela Universit\u00e0degli Studi di Roma \u201cLa Sapienza\u201d, pelo MAC-USP e pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP. \u00c9 professora das p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es em Fotografia e em Hist\u00f3ria da Arte na FAAP, al\u00e9m de coordenadora do curso de Cria\u00e7\u00e3o Liter\u00e1ria da Academia Internacional de Cinema (AIC). Foi curadora de Maria Martins: metamorfoses no MAM S\u00e3o Paulo (2013) e ganhou o Grande Pr\u00eamio da Cr\u00edtica da Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Arte (APCA) e o Pr\u00eamio Maria Eug\u00eania Franco, concedido pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cr\u00edticos de Arte (ABCA) de melhor curadoria. Com Eduardo Sterzi, curou \u201cVaria\u00e7\u00f5es do corpo selvagem: Eduardo Viveiros de Castro\u201d, fot\u00f3grafo, no SESC Ipiranga. Entre as publica\u00e7\u00f5es, est\u00e3o Os an\u00f5es (SP: Cosac Naify, 2010), Del\u00edrio de Damasco (SC: Cultura e Barb\u00e1rie, 2012) e Opisanie\u015bwiata (SP: Cosac Naify, 2013).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De 05 de setembro a 18 de dezembro.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O MAM, Parque do Ibirapuera, SP, retrata corpos indom\u00e1veis e hist\u00e9ricos na exposi\u00e7\u00e3o \u201cO \u00fatero do mundo\u201d. 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