{"id":12412,"date":"2017-02-06T20:33:17","date_gmt":"2017-02-06T20:33:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=12412"},"modified":"2017-02-06T20:36:31","modified_gmt":"2017-02-06T20:36:31","slug":"cicero-dias-em-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/cicero-dias-em-brasilia","title":{"rendered":"C\u00edcero Dias em Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-12412 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/C\u00edcero-Dias-Bras\u00edlia.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/C\u00edcero-Dias-Bras\u00edlia-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/C\u00edcero-Dias-Bras\u00edlia-2.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/C\u00edcero-Dias-Bras\u00edlia-2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl>\n\t\t\t<br style='clear: both' \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>O Centro Cultural Banco do Brasil, Bras\u00edlia, SCES Trecho 2, Lote 22 \u2013 Asa Sul, DF,apresenta a exposi\u00e7\u00e3o \u201cC\u00edcero Dias &#8211; Um Percurso Po\u00e9tico\u201d. A mostra tem curadoria de Denise Mattar e curadoria honor\u00e1ria de Sylvia Dias, filha do artista, e produ\u00e7\u00e3o da Companhia das Licen\u00e7as em parceria com a Base7 Projetos Culturais. Trata-se do conjunto da obra de C\u00edcero Dias, contextualizando sua hist\u00f3ria e evidenciando sua rela\u00e7\u00e3o com poetas e intelectuais brasileiros e sua participa\u00e7\u00e3o no circuito de arte europeu. Assim a mostra, al\u00e9m das obras, apresenta cartas, textos e fotos de Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Murilo Mendes, Jos\u00e9 Lins do Rego, M\u00e1rio Pedrosa, Pierre Restany, Paul \u00c9luard, Roland Penrose, Pablo Picasso, Alexander Calder, entre outros. Em 1938, o pintor pernambucano C\u00edcero Dias foi definido como um \u201cselvagem esplendidamente civilizado\u201d pelo ent\u00e3o cr\u00edtico de arte franc\u00eas Andr\u00e9 Salmon, que parafraseava um poema de Verlaine para Rimbaud. A defini\u00e7\u00e3o, realizada ap\u00f3s a primeira mostra do artista em Paris, serviu perfeitamente para descrever sua trajet\u00f3ria nas artes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A mostra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o traz um panorama de toda produ\u00e7\u00e3o do artista, dividida em tr\u00eas grandes n\u00facleos que delineiam seu percurso po\u00e9tico. S\u00e3o eles: Brasil, Europa e Monsieur Dias &#8211; Uma vida em Paris &#8211; cada um deles, por sua vez, dividido em novos segmentos, cuja leitura n\u00e3o deve ser realizada de modo estanque, mas entrecruzada e simultaneamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mostra \u00e9 aberta pelo subn\u00facleo \u201cEntre Sonhos e Desejos\u201d, que traz um conjunto de 30 aquarelas produzidas entre 1925 e 1933, todas bastante diversas do que era produzido na \u00e9poca. S\u00e3o trabalhos que emocionam pela peculiaridade, sendo ao mesmo tempo l\u00edricos, agressivos, ca\u00f3ticos, sensuais e po\u00e9ticos.O n\u00facleo \u00e9 encerrado com a sequ\u00eancia \u201cE o Mundo come\u00e7ava no Recife\u2026\u201d, que traz um conjunto de obras que fizeram um contraponto \u00e0s lembran\u00e7as rurais, mostrando as recorda\u00e7\u00f5es urbanas do jovem C\u00edcero no Recife. As casas coloniais debru\u00e7adas para o mar, os sobrados e seus interiores, os jardins com casais rom\u00e2nticos, e as alcovas \u2013 com amores mais carnais. A mudan\u00e7a da aquarela para o \u00f3leo interferiu na din\u00e2mica da produ\u00e7\u00e3o do artista, tornando-a mais narrativa, mais est\u00e1tica e mais bem constru\u00edda. Ele produziu obras excepcionais, entre elas Sonoridade da Gamboa do Carmo e Gamboa do Carmo no Recife.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Europa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O n\u00facleo \u00e9 anunciado pelo segmento \u201cEntre a Guerra e o Amor\u201d, que re\u00fane majoritariamente reprodu\u00e7\u00f5es de fotos, cartas, documentos, al\u00e9m de desenhos e aquarelas, de pequeno formato, realizadas por Dias durante a II Guerra Mundial, em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. S\u00e3o testemunhos das suas viv\u00eancias no conflito, e tamb\u00e9m de seu amor por Raymonde, que se tornaria sua mulher.Perseguido pela ditadura de Vargas, Dias chegou a Paris em 1937 e logo integrou-se \u00e0 cidade, cujo ambiente art\u00edstico era marcado pela forte presen\u00e7a dos surrealistas e muito mais aberto do que o Brasil \u00e0 arte instintiva e \u00e0 nega\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o. Poucos meses ap\u00f3s a sua chegada, o artista apresentou uma exposi\u00e7\u00e3o na Galerie Jeanne Castel, com obras trazidas do Brasil e outras j\u00e1 pintadas em Paris. Sua recep\u00e7\u00e3o foi um sucesso de p\u00fablico, de cr\u00edtica e de vendas.\u201cC\u00edcero Dias, mestre de uma paleta mais nuan\u00e7ada que abundante, ansioso pela fantasia das cores, deseja tamb\u00e9m, como um poeta, expressar a natureza de sua terra natal. Em todos os elementos, confirma tudo aquilo que o folclore nacional despertou em sua obra. Podemos dizer que \u00e9 selvagem? Talvez. Mas, ent\u00e3o, se o admitirmos, seremos for\u00e7ados a considerar esse \u2018selvagem esplendidamente civilizado\u2019, de que Rimbaud nos fala. C\u00edcero Dias n\u00e3o ir\u00e1 decepcionar os sonhadores que n\u00e3o desejam tirar os p\u00e9s do ch\u00e3o. Os surrealistas encontrar\u00e3o algu\u00e9m para conversar\u201d, afirmou na ocasi\u00e3o o cr\u00edtico Andr\u00e9 Salmon.Perseguido em Paris, Dias seguiu para a capital portuguesa, onde sua obra sofreu uma mudan\u00e7a radical. Seu trabalho tornou-se euf\u00f3rico e selvagem, exorcizando os fantasmas da guerra ainda n\u00e3o terminada. Este momento de sua produ\u00e7\u00e3o define osegmento \u201cLisboa \u2013 Novos Ares\u201d.\u201cNesse per\u00edodo C\u00edcero Dias parece saltar sobre n\u00f3s, ele nos sacode em telas que fariam inveja aos \u2018fauves\u2019, pela aud\u00e1cia e pela novidade das buscas crom\u00e1ticas, dos tra\u00e7os ousados e dos temas irreverentes, ir\u00f4nicos e provocativos. T\u00edtulos amb\u00edguos completam as obras: Mamoeiro ou dan\u00e7arino?, Galo ou Abacaxi? Ele simplifica o desenho, usa pinceladas brutas, cores inusitadas e estridentes, e tonalidades intensas e brilhantes. Tudo grita e desafia!\u201d, destaca a curadora.<br \/>\nAinda na Europa, Dias deu in\u00edcio \u00e0 sua despedida da figura\u00e7\u00e3o, em um trabalho que ficou conhecido como fase vegetal, retratada na exposi\u00e7\u00e3o pelo subn\u00facleo \u201cA Caminho da Abstra\u00e7\u00e3o\u201d. O artista criou m\u00faltiplas imagens superpostas a partir da vegeta\u00e7\u00e3o, incorporando novos elementos pl\u00e1sticos e borrando fronteiras entre figura\u00e7\u00e3o e abstra\u00e7\u00e3o.Dias passou ent\u00e3o a trabalhar com formas curvas e sens\u00edveis, abrindo o caminho para a abstra\u00e7\u00e3o plena, pintando telas rigorosamente geom\u00e9tricas e tornando-se o primeiro artista brasileiro a trabalhar com essa vertente. Sua produ\u00e7\u00e3o deste per\u00edodo est\u00e1 reunida no segmento \u201cGeometria Sens\u00edvel\u201d.Em 1948, C\u00edcero veio para o Brasil para executar uma s\u00e9rie de pinturas murais abstratas, consideradas as primeiras da Am\u00e9rica Latina. O trabalho foi realizado na sede da Secretaria de Finan\u00e7as do Estado de Pernambuco, em Recife, e mais uma vez, causou intensa pol\u00eamica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Monsieur Dias &#8211; Uma vida em Paris<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O n\u00facleo Monsieur Dias, como \u00e9 conhecido C\u00edcero Dias na Fran\u00e7a, abre com o segmento \u201cAbstra\u00e7\u00e3o Plena\u201d, conjunto de obras nas quais o artista abandona as curvas e as cores suaves. Longe do Concretismo e da proposta de supress\u00e3o da subjetividade, o abstracionismo de Dias entretanto, \u00e9 vibrante, quente e luminoso, mais pr\u00f3ximo de Kandinsky. Na Europa, seu trabalho foi acolhido com entusiasmo, ele passou a integrar o Grupo Espace e a expor na importante galeria Denise Ren\u00e9.Avesso a escolas e fiel a si pr\u00f3prio, C\u00edcero Dias desenvolveu nos anos 1960, paralelamente \u00e0 sua pesquisa geom\u00e9trica, uma s\u00e9rie chamada \u201cEntropias\u201d, nas quais deixava a cor escorrer, misturar-se, e esvair-se. A s\u00e9rie, que d\u00e1 nome a mais um dos subn\u00facleos da mostra, \u00e9 apresentada por um pequeno grupo de obras na exposi\u00e7\u00e3o.\u201cMenos do que tachismo, ou abstracionismo informal, a pesquisa parece um despudorado mergulho nas possibilidades do uso da tinta; sem retas, sem linhas marcadas, sem nenhum esquema formal a cumprir \u2013 o fasc\u00ednio da liberdade, do deixar-se ir\u201d, afirma a Denise Mattar. \u201cN\u00e3o por acaso ele as chamava de entropias, uma medida de desordem das part\u00edculas em um sistema f\u00edsico, o movimento natural que leva todas as coisas de volta \u00e0 terra: o carro abandonado que vira ferrugem, o gelo que se dissolve na \u00e1gua, os mortos que retornam ao p\u00f3\u201d, completa.A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 encerrada por um conjunto de sete obras produzidas pelo artista na d\u00e9cada de 1960, quando retornou \u00e0 figura\u00e7\u00e3o, trazendo de volta um imagin\u00e1rio l\u00edrico. Os trabalhos de \u201cNostalgia\u201d remetem \u00e0s lembran\u00e7as de sua juventude no Recife. As telas \u201cSeresta\u201d e \u201cNostalgia\u201d comp\u00f5em este segmento e s\u00e3o algumas das mais importantes desse per\u00edodo.<br \/>\nC\u00edcero Dias \u2013 Um percurso po\u00e9tico traz ainda alguns subn\u00facleos complementares: \u201cMem\u00f3rias \u2013 C\u00edcero e seus amigos\u201d e \u201cTeatro\u201d. Por fim, o segmento voltado para o teatro trar\u00e1 originais de alguns dos figurinos realizados por Dias para importantes espet\u00e1culos, tal como o bal\u00e9 Maracatu de Chico Rei, de Francisco Mignone, em 1933; e o bal\u00e9 Jurupari, de Villa-Lobos, em 1934.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De 08 de fevereiro a 03 de abril.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Centro Cultural Banco do Brasil, Bras\u00edlia, SCES Trecho 2, Lote 22 \u2013 Asa Sul, DF,apresenta a exposi\u00e7\u00e3o \u201cC\u00edcero Dias &#8211; Um Percurso Po\u00e9tico\u201d. 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