{"id":12652,"date":"2017-03-24T14:59:25","date_gmt":"2017-03-24T14:59:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=12652"},"modified":"2017-03-24T14:59:25","modified_gmt":"2017-03-24T14:59:25","slug":"benjamin-em-curitiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/benjamin-em-curitiba","title":{"rendered":"Benjamin em Curitiba"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-12652 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin3.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin3-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin1.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin1-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin1-299x300.jpg 299w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin1.jpg 742w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin2.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin2-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin2-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin2-299x300.jpg 299w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Coelho-Benjamin2.jpg 770w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>A Sim\u00f5es de Assis Galeria de Arte, Curitiba, PR, abriu a exposi\u00e7\u00e3o individual do artista Marcos Coelho Benjamim, com apresenta\u00e7\u00e3o de Guilherme Bueno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Benjamin \u2013 Tudo est\u00e1 aqui<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A obra recente de Marcos Coelho Benjamim aglutinou um desdobramento de seus feitos anteriores e um novo passo. Isso n\u00e3o significa ter havido uma &#8220;supera\u00e7\u00e3o&#8221; de seus trabalhos realizados at\u00e9 ent\u00e3o ou a ruptura com os mesmos; aponta somente para o fato de que certas quest\u00f5es abriram-se para novas abordagens &#8211; e nisso, pensamos especificamente no seu trato composicional dos materiais e em suas consequ\u00eancias no entendimento da cor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caracter\u00edstico de seu trabalho pelo menos desde a metade final da d\u00e9cada de 1980 \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de objetos pass\u00edveis de abordarem tr\u00eas frentes: uma primeira em que os campos da pintura e da escultura se mostram intercambi\u00e1veis; num segundo caso, eles denotam uma ambival\u00eancia entre abstra\u00e7\u00e3o e figura\u00e7\u00e3o, sem, contudo, proporem isso como um dilema ou drama, mas como jogo visual (isto \u00e9: como olhamos para uma obra de arte &#8211; ou o qu\u00ea esperamos dela); por fim, na sua capacidade de assimilar simultaneamente uma visualidade &#8220;popular&#8221; e uma erudita. Exemplificam-nos a s\u00e9rie dos Raladores com sua silhueta demarcada e total do suporte (visto que ele n\u00e3o fechava a composi\u00e7\u00e3o, mas era a forma mesma do trabalho como um todo articulado), a men\u00e7\u00e3o a um objeto comum &#8211; antes um apelido contingente do que uma descri\u00e7\u00e3o, uma legenda ao trabalho &#8211; depurada por uma geometria e uma espacialidade pict\u00f3rica (bidimensional) conjugada a uma plasticidade escult\u00f3rica (a presen\u00e7a viva da mat\u00e9ria). A paleta terrosa, no seu trato espesso, por sua organicidade, obtinha uma inesperada sensualidade para uma cor quase sempre tratada como tom &#8211; uma cor por outros reprimida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tais coloca\u00e7\u00f5es, indicativas da parcela de continuidade vista na trajet\u00f3ria do artista, t\u00eam sua contrapartida no modo como passam a ser abordadas nos \u00faltimos tempos. De imediato, h\u00e1 uma nova paleta em jogo. Benjamim explora cores de uma vibra\u00e7\u00e3o menos contida; elas decididamente avan\u00e7am rumo ao espa\u00e7o. Aqui temos uma interessante compara\u00e7\u00e3o: as cores terrosas funcionavam como uma esp\u00e9cie de regulagem entre o quanto a obra tendia a transbordar (por conta de sua textura marcante) ou ter sua \u00e1rea de &#8220;influ\u00eancia&#8221; e dispers\u00e3o delimitada ao suporte (dada &#8211; perdoe-se o termo &#8211; a &#8220;frieza&#8221; das cores terci\u00e1rias, a &#8220;segurar&#8221; a expans\u00e3o da pintura). A luminosidade m\u00e9dia das cores terrosas funcionava como um fiel entre bidimensionalidade do suporte e corporeidade expl\u00edcita dos materiais. Agora vemo-nos diante de obras cuja luminosidade, ora propelida, ora profunda (e \u00e0s vezes as duas coisas ao mesmo tempo), optam por uma intercambi\u00e1vel e rica oscila\u00e7\u00e3o e vibra\u00e7\u00e3o do trabalho, algo conquistado paulatinamente pelo seu m\u00e9todo de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Benjamim persiste em criar obras que n\u00e3o se constroem dentro do suporte, mas com ele. Se o modo disso acontecer anteriormente j\u00e1 foi assinalado, os seus tondi da \u00faltima d\u00e9cada deixam claro como isso tem ocorrido. A forma (e sem querer for\u00e7ar paralelos, mas apenas sugerir uma analogia) se desenvolve similarmente a certos procedimentos da pintura inicial de Frank Stella, em que uma determinada unidade ou m\u00f3dulo progressivamente se expande. Em Benjamim o tondo tamb\u00e9m surge a medida em que os arcos met\u00e1licos s\u00e3o agregados e conjugados. No entanto, h\u00e1 dentre outras diferen\u00e7as, uma fundamental &#8211; o fato de no artista mineiro tal repeti\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser uma opera\u00e7\u00e3o programada, mas antes o resultado de escolhas feitas somente no decurso mesmo de realiza\u00e7\u00e3o do objeto. A contraprova est\u00e1 em outras s\u00e9ries que optam por um chassis quadrado, no qual o emaranhado de tiras n\u00e3o replicam o seu perfil, mas que, das pequenas tiras das extremidades \u00e0s maiores pr\u00f3ximas ao centro (onde est\u00e3o parte dos perfis mais extensos), nele resultam, em uma iridesc\u00eancia luminosa que ora parte, ora proporciona um crescente das bordas para o \u00e1pice quase epif\u00e2nico pr\u00f3ximo ao centro do &#8220;quadro&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O &#8220;emaranhado&#8221;, por sua vez, parece fruto de dois problemas: mais uma vez dialogando consigo, o artista encontra aqui uma nova solu\u00e7\u00e3o para sua investida pict\u00f3rica por meio de dispositivos escult\u00f3ricos: as tiras s\u00e3o como linhas desenhadas com objetos reais em um espa\u00e7o real. Melhor dito, ao inv\u00e9s de desenhar, Benjamim prega uma linha &#8211; linha que \u00e9 tamb\u00e9m plano e volume. O intervalo entre elas, intensifica, na sua diferen\u00e7a de profundidade, a vibra\u00e7\u00e3o da cor que, dada varia\u00e7\u00e3o de \u00e2ngulos conforme as chapas foram colocadas, obt\u00eam intensidades particulares a partir de uma mesma matriz. Da\u00ed o farfalhar vivo e ondulante de algumas pe\u00e7as, como nos quadrados e ret\u00e2ngulos, ou o car\u00e1ter mais grave dos losangos, cujo contraste \u00e9 acrescido da oposi\u00e7\u00e3o entre frios e quentes das partes frontais e laterais das l\u00e2minas. Resumidamente, Benjamim n\u00e3o se enquadra nem no estere\u00f3tipo &#8220;extremamente mental&#8221;, nem no &#8220;ingenuamente popular (intuitivo)&#8221;, nem no &#8220;habilmente formalista&#8221;. Sua arte transita entre tudo aquilo que se mostra dispon\u00edvel, cuja validade, por\u00e9m, se ratifica apenas quando algo faz sentido pl\u00e1stico para ele. Benjamim \u00e9 um artista honestamente visual: nele, tudo \u00e9 dito pela maneira como as formas s\u00e3o operadas para dar consecu\u00e7\u00e3o a um trabalho, cuja validade se traduz em sua aptid\u00e3o para ser efetivamente aut\u00eantico, e n\u00e3o justificar empr\u00e9stimos formais tomados alhures (sem renegar, contudo, sua amplitude de repert\u00f3rio). A melhor palavra para descrever uma obra sua \u00e9 presen\u00e7a. A sua verdade est\u00e1 no esplendor e maravilhamento sem culpas ou tergiversa\u00e7\u00f5es que uma obra de arte pode despertar. \u00d3bvio que n\u00e3o indica nem um m\u00e9todo nem um princ\u00edpio exclusivo como a arte deve ser hoje; outrossim deixa-nos perceber que \u00e9 uma das in\u00fameras modalidades aut\u00eanticas segundo as quais ela pode existir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Resta ainda um aspecto a indicar nisso tudo. Foi dito que Benjamim mostrou-se sempre capaz de entrela\u00e7ar uma visualidade popular com aquela outra &#8220;erudita&#8221;. Esse sempre foi um tema espinhoso, pois abria margem para leituras incompletas e reducionistas do artista. Isso ficava patente na discut\u00edvel &#8220;mineiridade&#8221; ancestral e profunda de seu trato com sua inven\u00e7\u00e3o (valendo-nos da precisa express\u00e3o usada por Ol\u00edvio Tavares de Ara\u00fajo ao falar do artista). O princ\u00edpio de Benjamim n\u00e3o \u00e9 nem descoberta ing\u00eanua e acidental nem a pr\u00e9-determina\u00e7\u00e3o da forma: \u00e9 acima de tudo a pot\u00eancia de testar os mais discrepantes modos de se chegar a arte. Dito concretamente, \u00e9 sua generosidade pl\u00e1stica de fazer com que cor, forma e mat\u00e9ria &#8211; em um resumo simplista, a tr\u00edade inicial de seu processo &#8211; lograssem com ele a conjugar uma evid\u00eancia carnal e mat\u00e9rica dos elementos construtivos, com um esplendor e presen\u00e7a quase &#8220;m\u00e1gicos&#8221; que, hoje em dia, apenas a arte (mais verdadeiramente) popular consegue atingir. Seus azuis e violetas t\u00eam a pot\u00eancia cativante dos antigos santos, mas s\u00e3o igualmente elementos de um mundo pr\u00f3ximo e corriqueiro da cultura visual urbana. O desafio que Benjamim nos oferece \u00e9 o de ser um artista sem classifica\u00e7\u00f5es ou molduras. \u00c9 o desafio da honestidade; simples porque tudo est\u00e1 dito, mas numa pl\u00e1stica generosa e inquiridora de todos os seus horizontes.<\/p>\n<p><strong>Guilherme Bueno<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 29 de abril.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sim\u00f5es de Assis Galeria de Arte, Curitiba, PR, abriu a exposi\u00e7\u00e3o individual do artista Marcos Coelho Benjamim, com apresenta\u00e7\u00e3o de Guilherme Bueno. &nbsp; &nbsp;\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,5287,6,3378,2650],"tags":[1732,857,5911],"class_list":["post-12652","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte-contemporanea","category-esculturas-2","category-exposicoes","category-objetos-2","category-pinturas-2","tag-guilherme-bueno","tag-marcos-coelho-benjamin","tag-simoes-de-assis-galeria-de-arte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12652"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12652\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12659,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12652\/revisions\/12659"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}