{"id":18370,"date":"2019-08-13T14:24:48","date_gmt":"2019-08-13T14:24:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=18370"},"modified":"2019-08-13T14:24:48","modified_gmt":"2019-08-13T14:24:48","slug":"hamish-fulton-na-bergamin-gomide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/hamish-fulton-na-bergamin-gomide","title":{"rendered":"Hamish Fulton na Bergamin &#038; Gomide"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-18370 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Hamish-Fulton.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Hamish-Fulton-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl>\n\t\t\t<br style='clear: both' \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>A Galeria Bergamin &amp; Gomide, Jardins, S\u00e3o Paulo, SP, apresenta Hamish Fulton A Walking Artist \u201cCaminhar transforma, andar \u00e9 m\u00e1gico. Caminhar \u00e9 um bom rem\u00e9dio.\u201d Na terceira exposi\u00e7\u00e3o do ano, a Bergamin &amp; Gomide apresenta a individual do artista brit\u00e2nico Hamish Fulton, entre os dias 13 de Agosto e 05 de Outubro de 2019, reunindo obras que compreendem diversas m\u00eddias e per\u00edodos ao longo da trajet\u00f3ria do artista, cuja po\u00e9tica dialoga com a experi\u00eancia do caminhar. Hamish Fulton (Londres, 1946) afirma ser um \u201cartista caminhante\u201d e desenvolve uma pesquisa que evidencia a inten\u00e7\u00e3o de transformar ideias em experi\u00eancias reais. Sua obra n\u00e3o se limita ao ato de caminhar &#8211; Fulton \u00e9 reconhecido pela trajet\u00f3ria singular que possui como ess\u00eancia a fus\u00e3o entre natureza, fotografia e texto. Na segunda exposi\u00e7\u00e3o do artista no Brasil, a galeria apresentar\u00e1 25 trabalhos produzidos desde a d\u00e9cada de 1960 at\u00e9 os dias atuais, entre esculturas, desenhos, fotografias e uma obra Site-Specific. A obra \u201cSem t\u00edtulo (EUA, 1969) \/ Untitled (USA, 1969)\u201d re\u00fane registros fotogr\u00e1ficos em preto e branco de uma das muitas vezes em que realizou travessias pela Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Neste trabalho \u00e9 poss\u00edvel assimilar a experi\u00eancia sutil e po\u00e9tica do trajeto de Fulton, assim como os obst\u00e1culos e descobertas do caminho, representados pela carca\u00e7a de um animal, a sombra do tronco de madeira refletida na terra, o desenho circular que se expande no espelho d\u2019\u00e1gua e o rebanho de gado que atravessa a estrada. Tamb\u00e9m ser\u00e3o apresentados trabalhos com refer\u00eancias ao Nepal e \u00e0 Noruega; desenhos com linhas que remetem as formas das montanhas combinados a textos que fazem refer\u00eancia aos trajetos percorridos, como no Monte Fuji, na obra \u201cFuji. Japan\u201d de 1988, e nas montanhas rochosas de Wyoming, na obra \u201cSeven Small Mountains\u201d de 2017. Estar\u00e3o expostas tamb\u00e9m obras em que o artista usa a madeira como suporte e cria uma concep\u00e7\u00e3o sim\u00e9trica particular dessas experi\u00eancias; como na travessia de Serra Nevada na Espanha, com a obra \u201cA Walk to the top of Mulhacen Sierra Nevada Spain Easter\u201d de 1984, e o vulc\u00e3o Licancabur na fronteira entre Chile e Bol\u00edvia, na obra \u201cLicancacur Bolivia\u201d de 2012. Sobre Hamish Fulton: Ao longo de quase 50 anos de carreira, Hamish Fulton realizou exposi\u00e7\u00f5es individuais e retrospectivas nas mais importantes institui\u00e7\u00f5es, como Centre George Pompidou em Paris, MoMA em Nova York e Tate Britain em Londres; participou de exposi\u00e7\u00f5es coletivas como a Documenta 5 e Documenta 6 em Kassel, e integra os principais acervos mundiais como do National Museum no Jap\u00e3o e o Guggenheim Museum em Nova York. Possui mais de 40 publica\u00e7\u00f5es sobre sua obra e as experi\u00eancias nas viagens ao redor do mundo para pa\u00edses como Nepal, Tibete, Jap\u00e3o, Bol\u00edvia, Chile, Fran\u00e7a, Espanha, Esc\u00f3cia e outros. Sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica envolve recursos diversos como desenhos, textos, fotografias, wall paintings, pinturas, v\u00eddeos, caminhadas coletivas em espa\u00e7os urbanos e projetos editoriais. Embora sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica seja muitas vezes associada \u00e0 Land Art; aspecto ironizado pelo pr\u00f3prio artista no convite de uma de suas exposi\u00e7\u00f5es com o uso da frase \u201cISTO N\u00c3O \u00c9 LAND ART\u201d; a mesma transborda o conceitualismo normalmente presente em interven\u00e7\u00f5es na natureza, manifestando-se atrav\u00e9s da diversidade da produ\u00e7\u00e3o de materiais e do r\u00edgido processo de documenta\u00e7\u00e3o daquilo que experiencia. Rotas, mapas, percursos, di\u00e1rios, datas, fotos, desenhos, colagens e anota\u00e7\u00f5es, tudo coexiste e est\u00e1 sob controle do artista. Suas rotas devem ser bem definidas, os mapas de f\u00e1cil leitura, a barraca e o saco de dormir de alta qualidade e f\u00e1cil manuseio, seus cal\u00e7ados adequados a cada itiner\u00e1rio, a comida deve estar seca e n\u00e3o ter inv\u00f3lucros que ocupem espa\u00e7o, e acima de tudo, o artista deve ter um bom livro e um bloco de anota\u00e7\u00f5es \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. O processo criativo de Fulton, isto \u00e9, o caminhar, confere \u00e0 terra uma importante evid\u00eancia na sua obra, trazendo \u00e0 tona uma esp\u00e9cie de conhecimento que excede o compreens\u00edvel. Em sua obra, sem qualquer ato de interfer\u00eancia na natureza, \u00e9 poss\u00edvel sentir a presen\u00e7a humana, e ver o reflexo da identifica\u00e7\u00e3o entre artista e homem, ou at\u00e9 uma resposta \u00e0 necessidade instintiva e primitiva que os seres humanos t\u00eam de entrar em contato uns com os outros. Hamish Fulton pode estar nos mostrando, talvez inconscientemente, que antes de ser um artista, ele \u00e9 um indiv\u00edduo. Como ele mesmo declarou, uma caminhada n\u00e3o \u00e9 uma recria\u00e7\u00e3o nem um estudo da natureza, caminhar \u00e9 uma maneira de melhorar a si mesmo, f\u00edsica e mentalmente, a fim de experimentar um estado tempor\u00e1rio de euforia, uma conex\u00e3o \u00edntima entre sua mente e o ambiente. O caminhar \u00e9 antigo e contempor\u00e2neo; o caminhar \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A palavra do artista<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>WALKing (Caminhar) \u00e9 uma palavra de sete letras. Os primeiros sete passos. LUA CHEIA DO SOLST\u00cdCIO. UMA CAMINHADA DE SETE DIAS NAS MONTANHAS DE CAIRNGORM NA ESC\u00d3CIA. JUNHO 1986. Simplicidade. Caminhar \u00e9 transformador, caminhar \u00e9 m\u00e1gico. Caminhar \u00e9 um bom rem\u00e9dio. Uma longa caminhada. Hoje 2013, caminhar \u00e9 mais importante que usar a internet. Wiki-walks. Opini\u00e3o \u00e9 uma palavra de sete letras. Caminhar \u00e9 antigo e contempor\u00e2neo. Consistentemente, caminhar \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com tudo. LUA CHEIA SOLST\u00cdCIO INVERNAL. UMA CAMINHADA CONT\u00cdNUA SEM DORMIR PELO CAMINHO DOS PEREGRINOS DE WINCHESTER AT\u00c9 CANTERBUTY. INGLATERRA 21 22 23 DEZEMBRO 1991. (Rotas de peregrina\u00e7\u00e3o \u2013 uma perda do ego.) Sou o que chamo de um \u2018artista caminhante\u2019. Nenhuma dessas duas palavras descrevem uma t\u00e9cnica art\u00edstica convencional (N\u00e3o sou um escultor nem um fot\u00f3grafo de paisagem.) N\u00e3o sou um artista conceitual. Transformo ideias em realidades vivenciadas. Sou um artista que anda, e n\u00e3o um andarilho que cria arte. Walking art \u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o de duas atividades completamente separadas. CAMINHAR \u00c9 UMA FORMA DE ARTE POR M\u00c9RITO PR\u00d3PRIO. CAMINHAR \u00c9 O CONSTANTE, A T\u00c9CNICA DE ARTE \u00c9 QUE \u00c9 VARI\u00c1VEL. Com Richard Long, realizei a minha primeira \u2018artwalk\u2019 (uma palavra de sete letras) quando era estudante na St Martins em Londres em 2 de fevereiro 1967. Por\u00e9m levaria ainda mais seis anos para estabelecer progressivamente uma pr\u00e1tica de trabalho atrav\u00e9s de tentativa e erro. (As caminhadas s\u00e3o constru\u00eddas com regras auto-impostas). 16 de outubro 1973 ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de uma caminhada de costa a costa de mais de mil milhas do nordeste da Esc\u00f3cia at\u00e9 o sudoeste da Inglaterra, aos 27 anos, me comprometi com o seguinte: FAZER 100% DE ARTE RESULTANTE DA EXPERI\u00caNCIA DE CAMINHADAS INDIVIDUAIS. Criatividade. Acredito na diversidade (debate e discuss\u00e3o, concordamos em discordar) Uma diversidade de categorias de caminhadas, uma diversidade de cria\u00e7\u00e3o de arte, uma diversidade de artistas. Mais importante, uma diversidade de formas de vida, GRAMAS INSETOS. Mercadorias? Os Direitos da Natureza (Oceanos.) Deixar a arte falar por si? At\u00e9 agora n\u00e3o. Os historiadores de arte nos anos 70 presumiram que a minha walking art se encaixa nos seus temas escolhidos, a saber \u2013 pintura paisagista do passado e escultura ao ar livre no presente. Nenhuma pesquisa sobre a caminhada. L.A. Confidentiel: Nunca fui influenciado pelos Rom\u00e2nticos e n\u00e3o quero ser associado ao landArt (uma palavra de sete letras.) A colis\u00e3o entre os E.U.A. \u2018n\u00e3o-deixe-rastros\u2019? Para que fique registrado, a data do come\u00e7o da minha postura foi 1959 quando li sobre a vida de Wooden Leg. da tribo Northern Cheyenne que lutou contra Custer. (25 de junho 1876.) Hist\u00f3ria? Hist\u00f3ria de quem? Justi\u00e7a? Justi\u00e7a para quem? Os direitos dos povos ind\u00edgenas. Dez anos depois, em 13 de setembro 1969 caminhei \u2013 com Nancy Wilson, carregando comigo aquele mesmo livro sobre o campo de batalha de Little Bighorn. (Celebridade? N\u00e3o existem fotografias de Crazy Horse.) Por volta de 1977, precisei \u2018escapar\u2019 da arte paisag\u00edstica (jardinagem e o sistema de classe ingl\u00eas). Assisti a palestras de alpinistas internacionalmente famosos como Doug Scott e mergulhei na literatura de expedi\u00e7\u00f5es. Tornei-me um \u2018alpinista de poltrona\u2019. GRAVIDADE. N\u00e3o sou alpinista nem escalador. N\u00e3o sou cient\u00edfico nem um engenheiro. Sendo caminhante, considero o alpinismo inspirador. Nas palavras do alpinista contempor\u00e2neo norte-americano Steve House, \u2018O meu machado de gelo pode ser o seu pincel\u2019. Fa\u00e7o caminhadas em cidades. INDOORS (dentro), \u00e9 uma palavra de sete letras. Acredito em caminhadas solit\u00e1rias OUTSIDE (ao ar livre) em combina\u00e7\u00e3o com acampamento \u2018selvagem\u2019. Vida de tenda de acampar, rente ao ch\u00e3o, mais perto da natureza. Gramas, insetos. Posso caminhar o dia inteiro, mas n\u00e3o sou um caminhante r\u00e1pido. Slowalk (caminhada lenta), \u00e9 uma palavra de sete letras. No Tate Modern (30 de abril 2011) realizei uma caminhada comunit\u00e1ria indoor chamada, slowalk em apoio a Ai Weiwei. Protegido pelo Estado de Direito? T.A.A. Trekking de alta altitude. No 49\u00ba dia da expedi\u00e7\u00e3o ficamos im\u00f3veis no topo do monte Everest, Chomolungma. Bardo. Essa experi\u00eancia s\u00f3 me foi poss\u00edvel gra\u00e7as aos meus guias xerpas. Fui guiado por Ang Dorje xerpa de Pangboche. Alto e baixo, perto e longe. longe e h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s. Uma boa pergunta \u00e9, at\u00e9 onde voc\u00ea consegue andar?. At\u00e9 a presente data, a minha caminhada mais extensa cobriu uma dist\u00e2ncia de 2838 quil\u00f4metros (carregando toda a minha bagagem), costa a costa da Espanha at\u00e9 os Pa\u00edses Baixos. CAMINHANDO NA DIST\u00c2NCIA AL\u00c9M DA IMAGINA\u00c7\u00c3O. \u00c9 importante ressaltar que essa caminhada n\u00e3o muito longa foi \u2018f\u00e1cil\u2019. Uma caminhada muito mais dif\u00edcil, \u2018cheia de n\u00f3s\u2019, duraria uma mera fra\u00e7\u00e3o dessa dura\u00e7\u00e3o. Os alpinistas me ensinaram a import\u00e2ncia da rota e do estilo. Depois de v\u00e1rios anos de tentativas fracassadas, finalmente consegui: CONTAR 49 PASSOS DESCAL\u00c7OS NO PLANETA TERRA DURANTE CADA NOITE DAS DOZE LUAS CHEIAS DE 2010. Minha pegada de carbono oculta. Apenas uma consequ\u00eancia de persistentemente ignorar a natureza \u00e9 o aquecimento global. Quem se importa com datas? N\u00fameros \u00e9 uma palavra de sete letras. Ursa Maior. Quipu. Hor\u00e1rio do rel\u00f3gio, dura\u00e7\u00e3o da vida, morte. Primavera, ver\u00e3o, outono, inverno. A migra\u00e7\u00e3o das baleias, a migra\u00e7\u00e3o das borboletas. (Calend\u00e1rio lunar.) No thing (nenhuma coisa), \u00e9 uma palavra de sete letras. Tudo \u00e9 feito de alguma coisa. Uma montanha n\u00e3o \u00e9 feita de pedra, ela \u00e9 pedra. UM OBJETO N\u00c3O PODE COMPETIR COM UMA EXPERI\u00caNCIA. Desde 1973 toda obra de arte que eu materializei (coisas) cont\u00e9m um texto sobre a caminhada. N\u00e3o proporciono o alivio de uma arte sem palavras. (Tamb\u00e9m n\u00e3o crio arte abstrata.) N\u00c3O H\u00c1 PALAVRAS NA NATUREZA. O peso f\u00edsico de palavras (faladas). Talk the walk (\u201cpratique o discurso\u201d), A CAMINHADA \u00c9 A ARTE. ARTE PEQUENA EXPERI\u00caNCIA GRANDE. Caminhar \u00e9 transformador, caminhar \u00e9 m\u00e1gico. Kora Tibetana. Monjas tibetanas. Os derradeiros sete passos. At\u00e9 o momento em que escrevo, 99 tibetanos t\u00eam se auto-imolado. Hist\u00f3ria? Hist\u00f3ria de quem? Hamish Fulton, 2013.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Galeria Bergamin &amp; Gomide, Jardins, S\u00e3o Paulo, SP, apresenta Hamish Fulton A Walking Artist \u201cCaminhar transforma, andar \u00e9 m\u00e1gico. 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