{"id":2037,"date":"2012-11-09T15:12:35","date_gmt":"2012-11-09T15:12:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=2037"},"modified":"2012-11-09T15:12:52","modified_gmt":"2012-11-09T15:12:52","slug":"mostra-de-eduardo-vieira-da-cunha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/mostra-de-eduardo-vieira-da-cunha","title":{"rendered":"Mostra de Eduardo Vieira da Cunha"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-2037 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Viaduto-e-trem-2012-120-x-180-cm.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Viaduto-e-trem-2012-120-x-180-cm-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-2041\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2041'>\n\t\t\t\tViaduto e trem\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/edificios-2012-135-x-160-cm.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/edificios-2012-135-x-160-cm-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-2040\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2040'>\n\t\t\t\tEdif\u00edcios\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/carros-e-avioes-2012-120-x-180-cm.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/carros-e-avioes-2012-120-x-180-cm-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-2039\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2039'>\n\t\t\t\tCarros e Avi\u00f5es\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Pintor, fot\u00f3grafo, desenhista e gravador, Eduardo Vieira da Cunha realiza exposi\u00e7\u00e3o individual que integra uma s\u00e9rie chamada \u201cPercurso do Artista\u201d, Sala Jo\u00e3o Fahrion, Reitoria da UFRGS, Porto Alegre, RS. A mostra \u00e9 voltada para a id\u00e9ia da viagem, do deslocamento, elementos sempre presentes na obra do artista. Essa exibi\u00e7\u00e3o marca os 30 anos de uma carreira que come\u00e7ou com participa\u00e7\u00f5es e premia\u00e7\u00f5es em sal\u00f5es na d\u00e9cada de 1980 e mostras realizadas em Nova Iorque e Paris, cidades onde residiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o 32 pinturas, oito desenhos e cinco gravuras, al\u00e9m de fotografias e ilustra\u00e7\u00f5es escolhidas em torno da id\u00e9ia de met\u00e1fora de viagem produtiva. O pintor recolhe exemplos de outras \u00e1reas para falar da vasta quest\u00e3o do deslocamento e da viagem: sonhos, fotos, pap\u00e9is soltos, objetos, mapas, itiner\u00e1rios, planos, tradu\u00e7\u00f5es, desenhos e pinturas que ajudam a pelo menos recompor o itiner\u00e1rio de uma viagem produtiva, ociosa positiva e negativamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A viagem imagin\u00e1ria come\u00e7a com desenhos e fotos de um navio, navegando em um mar de areia, em um lugar qualquer no litoral do Rio Grande do Sul. O artista busca atrav\u00e9s de um personagem, um homem solit\u00e1rio que habitava o navio e que durante o dia se dedicava \u00e0 infinita tarefa de pintar de preto o casco para evitar os danos da maresia. E que \u00e0 noite, descia ao por\u00e3o para revelar velhos negativos fotogr\u00e1ficos. Esse homem que esperava remete \u00e0 imagem representada pela ampulheta, aquele mar de areia que pode ser tanto o esquecimento como o elogio ao desprendimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do litoral des\u00e9rtico do Rio Grande do Sul, Eduardo Vieira da Cunha buscou na animada, iluminada e extravagante cidade de Nova York dos\u00a0 anos 80 e 90 resgatar imagens de sua autoria\u00a0 que ilustraram frases da coluna \u201cDi\u00e1rio da Corte\u201d, do jornalista Paulo Francis\u00a0 publicadas no jornal ga\u00facho Zero Hora at\u00e9 1997. A cidade surge ali como um objeto de desejo, contradit\u00f3ria, ora como um firmamento, uma gal\u00e1xia, um c\u00e9u radiante, ora como um inferno. Esse estado de perp\u00e9tua anima\u00e7\u00e3o e crise da cidade-ilha \u00e9 refletida nos textos de Francis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A palavra do artista<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 procura de uma sombra do viajante<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOdeio viagens e viajantes\u201d. Com esta frase, um negativo da viagem, Claude L\u00e9vy-Strauss se vacinava logo ao abrir o grande poema que representa \u201cTristes Tr\u00f3picos\u201d. Um livro do deslocamento filos\u00f3fico, da filosofia em negativo. O que talvez o etn\u00f3logo odiasse mesmo era o desafio de descobrir o noturno do tr\u00f3pico, em vencer seus desafios, penetrar no escuro da mata e passar necessidades, sede e fome. O ganho, entretanto, era a obra em se fazendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Viagem, fic\u00e7\u00e3o e filosofia. Percursos.\u00a0 J\u00e1 que outros fil\u00f3sofos pareciam inc\u00f3lumes a tais dissabores dos viajantes, como Plat\u00e3o e Pit\u00e1goras, e se entregavam com prazer \u00e0s deambula\u00e7\u00f5es da viagem did\u00e1tica e de compartilhamento do conhecimento, um terceiro grupo onde incluo tamb\u00e9m homens de letras se aborrecia com as viagens e o trato com o estrangeiro. Isso porque talvez eles n\u00e3o precisassem procurar o desafio do desconhecido. Encontravam o fasc\u00ednio da viagem ali mesmo, dentro da pr\u00f3pria cidade: S\u00f3crates, que preferia viajar pelas ruas e as pra\u00e7as de Atenas. E Machado de Assis e Mario Quintana, <em>fl\u00e2neurs <\/em>do Rio de Janeiro e Porto Alegre, respectivamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8230;Escolho exemplos de outras \u00e1reas para falar da vasta quest\u00e3o do deslocamento e da\u00a0 viagem. Se \u00e9 muito dif\u00edcil trat\u00e1-los em um texto, muito mais o seria em uma singela exposi\u00e7\u00e3o. Em todo o caso, sonhos, fotos, pap\u00e9is soltos, objetos, mapas, itiner\u00e1rios, planos, tradu\u00e7\u00f5es, desenhos e pinturas ajudam a pelo menos recompor o itiner\u00e1rio de uma viagem produtiva, ociosa positiva e negativamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8230;A imagem desse homem que esperava, esperando talvez a oscila\u00e7\u00e3o improv\u00e1vel do corpo do navio enterrado na areia, come\u00e7ou a me perseguir em desenhos e pinturas, al\u00e9m das fotografias.\u00a0 O emblema de Borges \u00e9 a ampulheta, aquele rio de areia que pode ser tanto o esquecimento como o elogio ao desprendimento (da areia). Navegando na areia, o homem poderia ter como livro de cabeceira um livro de Borges com o poema <em>Elogio das sombras<\/em>: \u201c(&#8230;) tantas coisas. Agora posso esquec\u00ea-las. Chego ao meu centro. \u00c0 minha \u00c1lgebra, meu c\u00f3digo. Ao meu espelho. Logo saberei quem sou.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fotografia \u00e9 feita de reflexos, de espelhos e de sombras. Depois desse ocioso ex\u00edlio do litoral des\u00e9rtico, passei a procurar em outras viagens, reflexos e sombras perdidos:\u00a0 Busquei na animada, iluminada e extravagante Nova York do final dos\u00a0 anos 80, e na Paris de mat\u00e9rias sombrias e opacas, cidade noturna dos <em>fl\u00e2neurs<\/em>\u00a0 surrealistas. N\u00e3o achei nem no lado do otimismo tecnol\u00f3gico, nem no lado da inquietante estranheza. Por isso insisto tentando na pintura. E parafraseando Cort\u00e1zar, adoto sua m\u00e1xima: a obra talvez importe, mas n\u00e3o impede de andar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 maio de 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pintor, fot\u00f3grafo, desenhista e gravador, Eduardo Vieira da Cunha realiza exposi\u00e7\u00e3o individual que integra uma s\u00e9rie chamada \u201cPercurso do Artista\u201d, Sala Jo\u00e3o Fahrion, Reitoria da\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":2041,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11,12],"tags":[54,56,143,376,379,793,408,792],"class_list":["post-2037","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-exposicoes","category-oparalelo","category-outros-estados","tag-arte","tag-arte-brasileira","tag-exposicao","tag-pintura","tag-porto-alegre","tag-reitoria-da-ufrgs","tag-rs","tag-sala-joao-fahrion"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2037"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2037\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2045,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2037\/revisions\/2045"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}