{"id":20738,"date":"2021-11-09T16:17:59","date_gmt":"2021-11-09T16:17:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=20738"},"modified":"2021-11-09T16:17:59","modified_gmt":"2021-11-09T16:17:59","slug":"dois-artistas-um-frances-outro-argentino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/dois-artistas-um-frances-outro-argentino","title":{"rendered":"Dois artistas, um franc\u00eas, outro argentino"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Jean-Guillaume-e-Hugo-Rodriguez.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-thumbnail wp-image-20737\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Jean-Guillaume-e-Hugo-Rodriguez-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Galeria Evandro Carneiro, G\u00e1vea, Rio de Janeiro, RJ, exibe dois artistas estrangeiros que viveram no Brasil: Jean Guillaume e Hugo Rodriguez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Exposi\u00e7\u00e3o Jean Guillaume e Hugo Rodriguez<\/p>\n<p>Dois artistas estrangeiros que escolheram o Brasil para viver. Um pintor franc\u00eas nos anos 1950 e um escultor argentino, uma d\u00e9cada depois.<\/p>\n<p>Jean Guillaume nasceu na Fran\u00e7a em 1912 e estudou pintura em Bordeaux e Paris, desde 1928, mas sempre entrecortando as li\u00e7\u00f5es com viagens pelo mundo &#8211; sobretudo ao Oriente. Era tamb\u00e9m marinheiro. No final dos anos 1930 havia se matriculado na\u00a0Acad\u00e9mie Chaumi\u00e8re, onde se tornou muito amigo de Yves Brayer e Bernard Buffet. Estava decidido a seguir a carreira art\u00edstica, por\u00e9m teve os planos interrompidos pela Segunda Guerra Mundial, quando foi convocado para o combate. Ao fim do conflito, trabalhou como ilustrador de livros e participou de diversas coletivas (Teixeira Leite, 1988, p. 240).<\/p>\n<p>Em 1951 veio para o Brasil, fixando-se primeiramente no Rio de Janeiro, \u00e9poca em que exp\u00f4s em S\u00e3o Paulo (Livraria Francesa) e na capital federal de ent\u00e3o (Galeria Montparnasse). Dez anos depois, apaixonou-se por Cabo Frio (litoral norte do RJ), onde viveu at\u00e9 a sua morte, em 1985. Sua obra retrata paisagens urbanas e litor\u00e2neas, com boas doses de surrealismo, em uma franca inspira\u00e7\u00e3o do alem\u00e3o Max Ernst (1891-1976) e suas\u00a0Florestas. Devido \u00e0 sua identifica\u00e7\u00e3o com as praias da cidade em que escolheu para residir, alguns cr\u00edticos o identificaram como \u201co pintor de Cabo Frio\u201d, no entanto, suas paisagens s\u00e3o muito mais fant\u00e1sticas do que as dunas daquelas praias fluminenses. Sua obra extrapola e muito aquela paisagem, aproximando-se bem mais das florestas surrealistas de Ernst do que j\u00e1 se imaginou. A partir dessa semelhan\u00e7a, Evandro Carneiro reconheceu um di\u00e1logo prof\u00edcuo entre a sua pintura e as esculturas que tamb\u00e9m apresentamos nesta mostra.<\/p>\n<p>Hugo Rodriguez \u00e9 escultor e, com 92 anos, ainda vive na Argentina, mas esteve no Brasil de 1960 a 2011. Havia ganhado uma bolsa para estudar na Europa, mas interessava-lhe a Am\u00e9rica (Moreira, 2011, p. 4). Chegou ao pa\u00eds de carona em um avi\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira\u00a0e trazia no bolso 50 d\u00f3lares. Assim iniciou sua estada por aqui. Deslumbrou-se com a paisagem carioca desde que as portas daquele avi\u00e3o se abriram. Se virou, trabalhou como gar\u00e7om, mas nunca deixou de esculpir e experimentou todo tipo de material at\u00e9 decidir-se pelo bronze. S\u00f3 que ao inv\u00e9s de fundi-las pela t\u00e9cnica da cera perdida, usual na fundi\u00e7\u00e3o, optou pelo isopor:<\/p>\n<p>\u201cnele eu me expresso, nele eu obtenho a forma que desejo plasmar. Mas \u00e9 um material sem resist\u00eancia para suportar o tempo, e a primeira coisa que cumpre a uma obra de arte \u00e9 ter algum v\u00ednculo com o infinito, com a eternidade. Ela tem que permanecer porque encerra uma verdade. Ent\u00e3o era preciso fundir o isopor em bronze\u201d, disse em entrevista ao jornalista Eliezer Moreira. Era quase uma \u201ccosmovis\u00e3o\u201d, outro termo que Hugo aprecia bastante e trouxe para a sua obra. Dois guaches bastante expressivos desta exposi\u00e7\u00e3o revelam essa metaf\u00edsica. \u201cSeja como for, n\u00e3o procuro espantar. N\u00e3o quero que as pessoas saiam correndo da minha escultura. Ao contr\u00e1rio, minha fantasia \u00e9 que se re\u00fanam em volta dela em grandes celebra\u00e7\u00f5es\u201d (Moreira, 2011, p. 7). Totens que nos fazem fluir em dire\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Essa \u201cmagia\u201d tanto \u00e9 um ponto intrigante na obra de Hugo que foi notada por H\u00e9lio Oiticica (Revista Arquitetura I. A. B de setembro de 1965, apud. Moreira, 2011, p.7) e diz respeito aos espa\u00e7os vazios: \u201cH\u00e1 uma configura\u00e7\u00e3o fisiogn\u00f4mica no caso especial da escultura de Hugo Rodriguez. N\u00e3o uma figura\u00e7\u00e3o, mas um sem-n\u00famero de possibilidades imag\u00e9ticas(&#8230;). \u00c9 isto produto da tens\u00e3o existente no fazer-se cont\u00ednuo das superf\u00edcies descont\u00ednuas desses am\u00e1lgamas de massa-espa\u00e7o. Reside a\u00ed o car\u00e1ter m\u00e1gico dessas obras.\u201d<\/p>\n<p>Treze esculturas de Hugo Rodriguez est\u00e3o \u00e0 mostra na Galeria Evandro Carneiro, das quais algumas s\u00e3o quase um espiral rumo \u00e0 cosmovis\u00e3o deste artista. Somam-se a elas vinte telas do pintor Jean Guillaume que parecem florestas fant\u00e1sticas. Vale a visita!<\/p>\n<p>Laura Olivieri Carneiro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 11 de dezembro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A Galeria Evandro Carneiro, G\u00e1vea, Rio de Janeiro, RJ, exibe dois artistas estrangeiros que viveram no Brasil: Jean Guillaume e Hugo Rodriguez. &nbsp; Exposi\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,1096,5287,6,9524,2650,14],"tags":[19899,19901,19903,19907,13853,13855,19906,228,19908,19900,15866,19905,2286,2544,19904,19902],"class_list":["post-20738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte-estrangeira","category-arte-moderna-2","category-esculturas-2","category-exposicoes","category-galerias","category-pinturas-2","category-rio-de-janeiro","tag-jean-guillaume-e-hugo-rodriguez","tag-academie-chaumiere","tag-bernard-buffet","tag-cabo-frio","tag-evandro-carneiro","tag-galeria-evandro-carneiro","tag-galeria-montparnasse","tag-helio-oiticica","tag-hugo-rodriguez","tag-jean-guillaume","tag-laura-olivieri-carneiro","tag-livraria-francesa","tag-max-ernst","tag-segunda-guerra-mundial","tag-teixeira-leite","tag-yves-brayer"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20738"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20739,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20738\/revisions\/20739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}