{"id":21385,"date":"2022-03-10T19:21:16","date_gmt":"2022-03-10T19:21:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=21385"},"modified":"2022-03-10T19:31:16","modified_gmt":"2022-03-10T19:31:16","slug":"magliani-restrospectiva-na-fundacao-ibere-camargo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/magliani-restrospectiva-na-fundacao-ibere-camargo","title":{"rendered":"Magliani, restrospectiva na Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-21385 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-Figura-noturna-1983-Fund-Iber\u00ea-Camargo-1.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-Figura-noturna-1983-Fund-Iber\u00ea-Camargo-1-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-Fund-Iber\u00ea-Camargo-2.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-Fund-Iber\u00ea-Camargo-2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-Fund-Iber\u00ea-Camargo-3.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-Fund-Iber\u00ea-Camargo-3-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-Fund-Iber\u00ea-Camargo-4.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-Fund-Iber\u00ea-Camargo-4-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-Fund-Iber\u00ea-Camargo-5.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Magliani-Fund-Iber\u00ea-Camargo-5-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A artista visual Maria Lidia Magliani ser\u00e1 homenageada pela Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo com uma grande exposi\u00e7\u00e3o que aborda 50 anos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o separo a artista da pessoa. Sou toda um mesmo n\u00f3 &#8211; minha escolha \u00e9 pintar, n\u00e3o saberia como ser de outro modo. Aparentemente fiz e fa\u00e7o muitas outras coisas, na verdade, todas partes de uma s\u00f3, a pintura.\u201d (1987)<\/p>\n<p>No dia 19 de mar\u00e7o, s\u00e1bado, \u00e0s 14h, a Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura uma grande e in\u00e9dita exposi\u00e7\u00e3o de Magliani (1946-2012). \u201cMagliani\u201d reunir\u00e1 cerca de 200 obras provenientes de mais de 60 cole\u00e7\u00f5es, incluindo os principais museus do Brasil como Museu de Arte do Rio, Museu Afro Brasil, Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo, Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, MAC-USP, MAC-RS, Museu de Arte de Santa Catarina, MARGS, Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Pelotas) e Funda\u00e7\u00e3o Vera Chaves Barcellos (Viam\u00e3o). Com curadoria de Denise Mattar (SP) e de Gustavo Possamai (RS), a mostra inclui trabalhos desde a \u00e9poca de estudante &#8211; in\u00edcio dos anos 1960 &#8211; at\u00e9 2012, ano de seu falecimento.<\/p>\n<p>\u201cA obra de Magliani \u00e9 um desafio. N\u00e3o \u00e9 uma arte f\u00e1cil, \u00e9 feita para incomodar, para fazer refletir. A artista estava interessada nas quest\u00f5es humanas, nas rela\u00e7\u00f5es entre os seres, nos problemas e no sofrimento inerente \u00e0 exist\u00eancia: o desencontro, o desamor, a hipocrisia da sociedade, o medo da solid\u00e3o. A apresenta\u00e7\u00e3o de seu trabalho na Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo, torna inevit\u00e1vel o paralelo com o pintor. Em 1993, Iber\u00ea disse: &#8220;Eu n\u00e3o nasci para brincar com a figura, fazer berloques, enfeitar o mundo. Eu pinto porque a vida d\u00f3i&#8221;. Uma frase que poderia ser de Magliani, que, em 1997, escreveu: &#8220;Eu gostaria de dizer \u00e0s pessoas que veem os meus quadros: !Sinto muito senhores, n\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel\u2019\u201d, destaca Denise Mattar, que conheceu Magliani em 1987 quando era diretora t\u00e9cnica do Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, e a artista participara do Panorama de Arte Atual Brasileira. Mais tarde, em 2004, a curadora reencontrou a artista no Rio de Janeiro, onde fez a apresenta\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Trabalho Manual&#8221;.<\/p>\n<p>Como lembra Gustavo Possamai, respons\u00e1vel pelo acervo da Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo: \u201cMagliani foi uma artista rara e merece todo reconhecimento. Por isso, garimpamos e reunimos o m\u00e1ximo de obras poss\u00edvel, sem medir esfor\u00e7os. Promovemos a restaura\u00e7\u00e3o de muitas delas, reunimos escritos e depoimentos seus e de quem escreveu sobre seu trabalho, revisamos e ampliamos sua cronologia. \u00c9 nossa forma de contribui\u00e7\u00e3o para a redescoberta de seu trabalho.\u201d Possamai conta que, durante o processo de pesquisa, foi encontrada uma carta de Iber\u00ea Camargo para Magliani, datada de 1992, na qual o pintor escreveu: \u201cN\u00f3s dois temos a mesma meta, o mesmo ideal, a mesma devo\u00e7\u00e3o. Haveremos de deixar nossos rastros neste ch\u00e3o em que nascemos.\u201d Um depoimento precioso que reitera a oportunidade dessa exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u2026pinto a solid\u00e3o no meio da cidade\u2026 a solid\u00e3o do consumo\u201d<\/p>\n<p>Nascida em 25 de janeiro de 1946, em Pelotas, RS, Magliani passa a residir com a fam\u00edlia em Porto Alegre, com 4 anos de idade. As informa\u00e7\u00f5es sobre a fam\u00edlia s\u00e3o esparsas. Seu av\u00f4 era italiano, decorador de paredes; o pai servidor p\u00fablico e a m\u00e3e era do lar. A artista, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pela fam\u00edlia, desde a adolesc\u00eancia gostava de ler, ouvir m\u00fasica, cinema, teatro, desenhar e de pintar.<\/p>\n<p>Magliani formou-se em Artes Pl\u00e1sticas pelo Instituto de Artes da UFRGS, mas se autodenominava pintora: \u201c&#8230;artista pl\u00e1stico faz muita coisa; eu s\u00f3 pinto, desenho, gravo, tudo derivado da pintura\u201d. Apesar da afirma\u00e7\u00e3o, ainda na d\u00e9cada de 1960, trabalhou em teatro, ilustrando capas de programas, fazendo cenografia e atuando em pe\u00e7as, como \u201cAs Criadas\u201d (1969), de Jean Genet, \u201cA Celestina\u201d (1970), de Fernando Rojas, e \u201cO Negrinho do Pastoreio\u201d (1970), de Delmar Mancuso, nesta \u00faltima como protagonista. A artista tamb\u00e9m se interessava por moda, e apreciava customizar, costurar e tricotar o que vestia.<\/p>\n<p>Outra \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o foram os jornais, onde trabalhou, nos anos 1970, como diagramadora e ilustradora, of\u00edcio retomado em algumas mudan\u00e7as de cidade posteriormente. Os jornais foram Folha da Manh\u00e3, Di\u00e1rio de Not\u00edcias, Zero Hora e Folha de S\u00e3o Paulo, entre outras participa\u00e7\u00f5es e ilustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Magliani deixou de residir em Porto Alegre em 1980, morou em S\u00e3o Paulo, em Tiradentes, Cabo Frio e no Rio de Janeiro, mas nunca se desligou nem de Porto Alegre e nem de sua terra natal, Pelotas, realizando regularmente exposi\u00e7\u00f5es nessas cidades.<\/p>\n<p>Sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 intensa e vigorosa e a exposi\u00e7\u00e3o apresenta um panorama bastante consistente de seus trabalhos. A mostra \u00e9 complementada por uma publica\u00e7\u00e3o dividida em dois volumes: o primeiro concebido como um cat\u00e1logo de obras, e o segundo reunindo entrevistas e textos de Magliani, cartas, textos sobre ela de autores como: Carlos Scarinci, Teniza Spinelli, Celso Marques, Ang\u00e9lica de Moraes, Maria Am\u00e9lia Bulh\u00f5es, entre outros.<\/p>\n<p>Reunindo um volume significativo de obras, a exposi\u00e7\u00e3o apresenta trabalhos de todo o percurso de Magliani, organizados de forma cronol\u00f3gica e mostrando as altera\u00e7\u00f5es que sua obra foi sofrendo ao longo dos anos. Para compartilhar com o p\u00fablico a instigante personalidade da artista e sua multiplicidade, o trajeto da mostra \u00e9 complementado com algumas frases e fotos da artista em v\u00e1rios momentos de sua vida. Na sequ\u00eancia s\u00e3o apresentadas pinturas do in\u00edcio de sua carreira, de 1964 a 1967, caracterizadas por um clima melanc\u00f3lico e l\u00edrico, com a inser\u00e7\u00e3o das frases po\u00e9ticas riscadas sobre a tinta: &#8220;A espera do canto&#8221;, &#8220;O mesmo corpo com som de primavera&#8221;, &#8220;Autoretrato na nuvem&#8221;, &#8220;Eu tenho a flor&#8221;, e &#8220;Eu sou a in\u00fatil pureza nascida de dois sil\u00eancios&#8221; s\u00e3o algumas delas.<\/p>\n<p>Em 1968 h\u00e1 uma mudan\u00e7a significativa na obra da artista, na qual ela se descreve como uma \u201cdelatora do desencontro\u201d. \u00c9 uma fase de passagem, influenciada pela pop art com trabalhos, como &#8220;Segundo canto para o amigo triste&#8221; e &#8220;As portas fechadas da cidade&#8221;. Um per\u00edodo dif\u00edcil da Ditadura militar e a conviv\u00eancia com a Censura nas reda\u00e7\u00f5es influencia a obra de Magliani. Seu repert\u00f3rio torna-se mais dr\u00e1stico, e, em 1976, ela faz a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Anota\u00e7\u00f5es para uma hist\u00f3ria&#8221;, no MARGS. Foi um choque! A sociedade ga\u00facha n\u00e3o estava preparada para o que viu. No ano seguinte, levou ainda mais longe sua proposta realizando a s\u00e9rie &#8220;Ela&#8221;, com grotescas mulheres seminuas, imensamente gordas, que ela considerava uma esp\u00e9cie de retrato interior da humanidade, e dizia: \u201cMinha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer a figura sair da tela, se derramar por cima da gente, sufocando\u201d. A s\u00e9rie, muito bem representada na retrospectiva, chamou a aten\u00e7\u00e3o dos cr\u00edticos Jacob Klintowitz e Marc Berkowitz e foi determinante para a mudan\u00e7a da artista para S\u00e3o Paulo. Antes de ir embora, realizou na Galeria Independ\u00eancia, em Porto Alegre, a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Brinquedo de armar&#8221;, reunindo desenhos e pinturas, sobre as quais dizia: &#8220;Acho que a mulher \u00e9 o brinquedo mais armado e desarmado constantemente. Mas considero que todo mundo \u00e9, ou pode ser, um brinquedo de armar.\u201d<\/p>\n<p>O per\u00edodo de 1980 a 1988, o mais marcante da carreira da artista, coincide com o tempo em que ela residiu em S\u00e3o Paulo. L\u00e1 produziria as s\u00e9ries &#8220;Retratos falados&#8221;, &#8220;Cr\u00f4nica do amanhecer&#8221; e &#8220;Discuss\u00f5es com Deus&#8221;. Abandonando os tons s\u00e9pia, passa a usar cores vibrantes e \u00e1cidas; mescla l\u00e1pis de cor, de cera, pastel, grafite e at\u00e9 materiais de maquiagem, como corretivo e delineador, e muda o tratamento da pintura, usando a tinta acr\u00edlica e adotando pinceladas \u00e1geis e gestuais, como tra\u00e7os de desenho, num processo que imprime movimento ao trabalho. \u00c9 um momento no qual a obra de Magliani conversa de perto com a de Francis Bacon, atingindo o \u00e1pice de contund\u00eancia e visceralidade da pintora. Retorcidos e distorcidos, corpos e rostos se desfazem e refazem, em movimentos bruscos.<\/p>\n<p>Seus trabalhos s\u00e3o apresentados no Panorama do Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, Bienal Internacional de S\u00e3o Paulo, e, em 1987, Evelyn Ioschpe promove no MARGS uma mostra de car\u00e1ter retrospectivo: &#8220;Auto-retrato dentro da jaula&#8221;. Dez anos depois Magliani foi acolhida pelo p\u00fablico de sua cidade como uma estrela, a mais importante artista ga\u00facha de sua gera\u00e7\u00e3o. O p\u00fablico poder\u00e1 ver novamente todas essas s\u00e9ries, hoje integrando cole\u00e7\u00f5es de museus como Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo, MAM-SP e MAC-USP.<\/p>\n<p>Em 1989, ela j\u00e1 estava cansada da viol\u00eancia e da polui\u00e7\u00e3o e queria fazer pinturas em um lugar mais tranquilo. Escolheu a pequena e hist\u00f3rica Tiradentes, MG. L\u00e1, suas pinturas revelaram a solid\u00e3o das montanhas, retomando os tons terrosos, nas s\u00e9ries &#8220;Em Gerais&#8221;, &#8220;Madrugada insone&#8221; e &#8220;Acumula\u00e7\u00f5es&#8221;. A artista tamb\u00e9m desenvolve, nesse per\u00edodo, uma s\u00e9rie de cabe\u00e7as, que s\u00e3o esculturas em madeira e papier mach\u00ea.<\/p>\n<p>Em 1997, mais uma mudan\u00e7a, agora para o Rio de Janeiro, mais especificamente o bairro de Santa Tereza. Passou a frequentar o Estudio Dezenove, onde conhece o artista Julio Castro.<\/p>\n<p>Em 1999, Magliani retornou a Porto Alegre, onde ministrou algumas aulas e oficinas de pintura e papier mach\u00ea. A passagem pela capital ga\u00facha durou um ano. No ano 2000 voou para o Rio de Janeiro. Com tantas mudan\u00e7as a produ\u00e7\u00e3o de Magliani diminui, mas h\u00e1 s\u00e9ries marcantes nesse per\u00edodo: &#8220;Acumula\u00e7\u00f5es&#8221; e &#8220;Alfabeto&#8221;, trabalho que deriva para as figuras recortadas das s\u00e9ries &#8220;Retratos de Ningu\u00e9m&#8221; e &#8220;Todos&#8221;. A partir de 2009 \u00e9 intensa sua produ\u00e7\u00e3o de gravuras, impressas no Estudio Dezenove. &#8220;Um dos sonhos&#8221;, &#8220;F\u00e1bula&#8221;, &#8220;Da noite&#8221; e &#8220;O poeta&#8221; s\u00e3o algumas delas. Curiosamente, ao lado desse mergulho no universo monocrom\u00e1tico, denso e expressionista da gravura, Magliani desenvolve a s\u00e9rie mais colorida e l\u00fadica de toda a sua carreira. S\u00e3o pinturas realizadas em estridentes cores acr\u00edlicas, recortes em madeira e objetos. Uma parte desse conjunto, sob o t\u00edtulo &#8220;My baby just cares for me&#8221;, apoiada em grava\u00e7\u00e3o da cantora Nina Simone, foi apresentada em exposi\u00e7\u00e3o individual no Museu Imagin\u00e1rio, em Bruxelas, B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>Todos esses momentos, apresentados em conjunto, revelam com clareza a excel\u00eancia da obra de Maria L\u00eddia Magliani, que come\u00e7a a ser redescoberta tamb\u00e9m internacionalmente.<\/p>\n<p>Magliani humanista<\/p>\n<p>Apesar de pessoalmente engajada na luta pelos direitos humanos, Magliani n\u00e3o admitia que sua obra fosse interpretada como pol\u00edtica ou identit\u00e1ria. Era intransigente nessa quest\u00e3o. S\u00e3o muitas as declara\u00e7\u00f5es dela a esse respeito. \u201cMeu interesse \u00e9 pelo que as pessoas sentem, n\u00e3o pelo que elas pensam [&#8230;] Tenho preocupa\u00e7\u00e3o com a vida, com a humanidade em geral. Nada a ver com ra\u00e7a espec\u00edfica, religi\u00e3o, nada. Uma coisa que \u00e9 comum a todo mundo. A ess\u00eancia humana \u00e9 igual para todos. O que interessa \u00e9 isso. Todos os outros acr\u00e9scimos: nacionalidade, cor, ideologia, credo, prefer\u00eancia sexual, time de futebol, tudo isso \u00e9 acess\u00f3rio.\u201d<\/p>\n<p>Dentro dessa atitude de defesa da autonomia da sua obra, acima de qualquer circunst\u00e2ncia, est\u00e1 tamb\u00e9m a rejei\u00e7\u00e3o a todo tipo de abordagem referenciando seu trabalho \u00e0 Negritude. \u201cPor que sempre me perguntam como \u00e9 ser negra e ser artista? Ora, \u00e9 igual ao ser de qualquer outra cor. As tintas custam o mesmo pre\u00e7o, os moldureiros fazem os mesmos descontos e os pinc\u00e9is acabam r\u00e1pido do mesmo jeito para todo mundo.\u201d\u00a0 A posi\u00e7\u00e3o de Magliani sempre foi candente nessa quest\u00e3o, e ela afirmava, desassombradamente, que era contr\u00e1ria a guetos. Na publica\u00e7\u00e3o da UFRGS, &#8220;N\u00f3s, os afro-ga\u00fachos&#8221;, de 1997, fez a seguinte declara\u00e7\u00e3o, quase um manifesto: \u201cSou brasileira, nascida no Rio Grande do Sul. Isto \u00e9 o bastante. N\u00e3o quero escolher uma ra\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o da cor da minha pele. N\u00e3o quero ser fatiada, dividida em por\u00e7\u00f5es, me aceito como soma.&#8221;<\/p>\n<p>Uma lutadora, sem medo de desafios, que, entre divertida e s\u00e9ria, dizia: \u201cMinha m\u00e3e falava: \u2018N\u00e3o se pode dar um passo maior que as pernas.\u2019 Ent\u00e3o vou ficar sentada, n\u00e3o vale a pena caminhar? Qual \u00e9 a gra\u00e7a? Dar um passo maior que as pernas sempre. Romper expectativas, e os estere\u00f3tipos principalmente.\u201d Maria L\u00eddia Magliani faleceu em de 21 de dezembro de 2012, no Rio de Janeiro, v\u00edtima de uma parada card\u00edaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; A artista visual Maria Lidia Magliani ser\u00e1 homenageada pela Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo com uma grande exposi\u00e7\u00e3o que aborda 50 anos de produ\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4773,3,4580,5287,6,4316,4844,12,2650,5377],"tags":[4206,10756,991,10651,20507,12207,20501,20495,20498,20499,20504,20503,20508,20497,8503,5785,1503,173,174,14969,6486,248,20496,20505,2236,2959,1910,298,15350,5959,4489,6532,334,5135,4376,20494,3802,20506,20502,374,20500,11334],"class_list":["post-21385","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte-brasileira-2","category-arte-contemporanea","category-desenho-2","category-esculturas-2","category-exposicoes","category-gravura-instalacao-2","category-museus","category-outros-estados","category-pinturas-2","category-retrospectiva-2","tag-angelica-de-moraes","tag-belgica","tag-bienal-internacional-de-sao-paulo","tag-bruxelas","tag-cantora-nina-simone","tag-carlos-scarinci","tag-celso-marques","tag-curadoria-de-denise-mattar","tag-delmar-mancuso","tag-diario-de-noticias","tag-estudio-dezenove","tag-evelyn-ioschpe","tag-exposicao-individual-no-museu-imaginario","tag-fernando-rojas","tag-folha-da-manha","tag-folha-de-sao-paulo","tag-francis-bacon","tag-fundacao-ibere-camargo","tag-fundacao-vera-chaves-barcellos","tag-gustavo-possamai","tag-instituto-de-artes-da-ufrgs","tag-jacob-klintowitz","tag-jean-genet","tag-julio-castro","tag-mac-usp","tag-mac-rs","tag-magliani","tag-mam-sp","tag-marc-berkowitz","tag-margs","tag-maria-amelia-bulhoes","tag-maria-lidia-magliani","tag-museu-afro-brasil","tag-museu-de-arte-de-santa-catarina","tag-museu-de-arte-do-rio","tag-museu-de-arte-leopoldo-gotuzzo","tag-museu-de-arte-moderna-de-sao-paulo","tag-my-baby-just-cares-for-me","tag-panorama-do-museu-de-arte-moderna-de-sao-paulo","tag-pinacoteca-do-estado-de-sao-paulo","tag-teniza-spinelli","tag-zero-hora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21385"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21385\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21386,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21385\/revisions\/21386"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}