{"id":21591,"date":"2022-04-04T16:02:48","date_gmt":"2022-04-04T16:02:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=21591"},"modified":"2022-04-04T16:02:56","modified_gmt":"2022-04-04T16:02:56","slug":"lygia-clark-monologo-exposicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/lygia-clark-monologo-exposicao","title":{"rendered":"Lygia Clark: mon\u00f3logo &#038; exposi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-21591 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Lygia.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Lygia-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Lygia-Clark.png'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Lygia-Clark-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl>\n\t\t\t<br style='clear: both' \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A BOLSA DE ARTE tem o prazer de apresentar o espet\u00e1culo &#8220;Lygia&#8221;. Mon\u00f3logo de Carolyna Aguiar com dire\u00e7\u00e3o de Bel Kutner e Maria Clara Mattos, que tamb\u00e9m assina a dramaturgia desenvolvida a partir dos di\u00e1rios de Lygia Clark. No mesmo per\u00edodo inaugura a exposi\u00e7\u00e3o individual da artista com curadoria e texto de Felipe Scovino.<\/p>\n<p>&#8220;Um mergulho profundo no mundo interior de Lygia Clark. Como seus sonhos, suas ang\u00fastias, seus desejos e sua rela\u00e7\u00e3o consigo mesma levaram a artista a tantas obras geniais. Sem sobrenome, sem cr\u00edtica, uma mulher \u00e0 frente de seu tempo. Lygia, simplesmente Lygia. \u201d<\/p>\n<p>Espet\u00e1culo: 07 de abril a 28 de maio<\/p>\n<p>Quintas e Sextas \u00e0s 20h &#8211; S\u00e1bados \u00e0s 18h<\/p>\n<p>Ingressos \u00e0 venda no Sympla. Sujeito a loca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A obra de Lygia Clark \u00e9 extremamente complexa, carregada de significados subterr\u00e2neos nem sempre expl\u00edcitos. Mesmo assim, sua est\u00e9tica \u00e9 direta, quase simples. Bel Kutner e Maria Clara Mattos t\u00eam esse subtexto como meta de encena\u00e7\u00e3o. Sim, encena\u00e7\u00e3o, \u00e9 como preferem tratar o espet\u00e1culo Lygia. Sem o comprometimento do palco, sem a rigidez do teatro, sem o sil\u00eancio e a pura aprecia\u00e7\u00e3o de uma exposi\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 mergulhar no universo interno desta artista, buscando usar as linhas retas, as curvas e os objetos terap\u00eauticos criados por ela numa intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Ou seja, Lygia Clark na l\u00edngua que ela buscou para suas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas: o corpo, a obra de arte e sua intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Mais do que um espet\u00e1culo, esta encena\u00e7\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia est\u00e9tica, exatamente o que a artista emprestou \u00e0 pr\u00f3pria obra: vida<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A dramaturgia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Maria Clara Mattos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lygia Clark sempre buscou a intera\u00e7\u00e3o entre o artista e o p\u00fablico. Da quebra da moldura \u00e0 sa\u00edda da parede \u00e0 Estrutura\u00e7\u00e3o do Self, o que esta mulher \u00e0 frente do seu tempo prop\u00f4s &#8211; literalmente &#8211; foi a comunh\u00e3o entre a arte e a vida. O mon\u00f3logo Lygia. \u00e9 um convite ao vasto mundo interior desta mulher. Seus sonhos, suas dores, suas alegrias. N\u00e3o da artista pl\u00e1stica, n\u00e3o da terapeuta, mas da Lygia, pura e simplesmente. Algu\u00e9m que fez dos pr\u00f3prios abismos o caminho de contato com o outro, algu\u00e9m que acreditava que o potencial art\u00edstico humano estava no desvendamento dos pr\u00f3prios fantasmas. De Caetano Veloso a Ivanilda Santos Leme, profissional do sexo e presidente da ONG Fio da Alma; de artistas consagrados a pessoas comuns, o que Lygia queria era o contato entre os corpos, encontros art\u00edsticos e curativos. Buscava, com seu estudo, provar que a arte era um sentimento, n\u00e3o um objeto de aprecia\u00e7\u00e3o. Por tudo isso, em algum momento, o universo das artes pl\u00e1sticas deixou de ser capaz de classificar sua obra, apresent\u00e1-la e muito menos vend\u00ea-la. Sem o reconhecimento do universo terap\u00eautico, que tamb\u00e9m n\u00e3o encontrou meios de enquadrar seu trabalho, Lygia come\u00e7ou s\u00f3 e terminou s\u00f3. Talvez sem imaginar a import\u00e2ncia que teria tantos anos depois de sua morte, talvez sem ter certeza de que faria parte da hist\u00f3ria art\u00edstica do pa\u00eds, jamais desistiu de sua pesquisa art\u00edstica e influenciou muita gente mundo afora. Atrav\u00e9s de seus escritos e di\u00e1rios, nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 experimentar ser essa artista que usou a pr\u00f3pria ang\u00fastia como material de pesquisa. Ang\u00fastia, material t\u00e3o comum aos seres humanos quanto os sacos de laranja e de cebola, as pedras e os sacos pl\u00e1sticos, as luvas e as tesouras, o barbante e a baba, mat\u00e9rias-primas da vida banal como caminho de tradu\u00e7\u00e3o da alma art\u00edstica de cada um de n\u00f3s. Pela arte de criar. Lygia foi experimenta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica do come\u00e7o ao fim. Ao ser encontrada morta, sentada na poltrona, vestida e penteada diante de uma televis\u00e3o desligada, como fazia todos os dias, uma pergunta se imp\u00f4s naturalmente: at\u00e9 na morte ela foi obra de arte? Cremos que sim. Evo\u00e9!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Equipe<\/p>\n<p>Dramaturgia: Maria Clara Mattos (a partir dos di\u00e1rios de Lygia Clark)<\/p>\n<p>Dire\u00e7\u00e3o: Bel Kutner e Maria Clara Mattos<\/p>\n<p>Atua\u00e7\u00e3o: Carolyna Aguiar<\/p>\n<p>Cenografia: Est\u00fadio Mameluca | Ale Clark e Nuno FS<\/p>\n<p>Figurino: Andrea Marques<\/p>\n<p>Ilumina\u00e7\u00e3o: Belight | Samuel Betts<\/p>\n<p>Coord. de equipe t\u00e9cnica e opera\u00e7\u00e3o de luz: Ana Kutner<\/p>\n<p>Assist\u00eancia\/montagem: Leandro de Cicco e Rodrigo Sabino<\/p>\n<p>Visagismo: Alessandra Grochko<\/p>\n<p>Prepara\u00e7\u00e3o Vocal: Rose Gon\u00e7alves e Sonia Dumont<\/p>\n<p>Exposi\u00e7\u00e3o: Curadoria e texto Felipe Scovino<\/p>\n<p>Relacionamento colecionadores: Renata Mindlin<\/p>\n<p>Assessoria de imprensa: Morente Forte<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o Executiva: TABA | Ta\u00eds Alves<\/p>\n<p>Idealiza\u00e7\u00e3o: Associa\u00e7\u00e3o Cultural Lygia Clark | 8 Tempos<\/p>\n<p>Parceria: OM.art<\/p>\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o: Bolsa de Arte<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Exposi\u00e7\u00e3o: 08 de abril a 28 de maio<\/p>\n<p>11h \u00e0s 19h &#8211; Entrada gratuita.<\/p>\n<p>BOLSA DE ARTE &#8211; Rua Rio Preto, 63 -Jardins &#8211; SP<\/p>\n<p>+55 (11) 3062 2333\u00a0 &#8211;\u00a0 sp@bolsadearte.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A linha org\u00e2nica de Lygia Clark por Felipe Scovino. Essa s\u00e9rie de pinturas consiste em placas de madeira onde criava, com a ajuda de um bisturi, sulcos sobre a superf\u00edcie. Recortando o plano, concebia campos de cor que possu\u00edam um efeito \u00f3tico no qual figura e fundo se embaralhavam. Essa fenda ou vazio que criou sobre a superf\u00edcie da madeira foi chamada por ela de \u201clinha org\u00e2nica\u201d. Essa ideia de uma linha que n\u00e3o tem dentro nem fora, come\u00e7o ou fim, interior ou exterior, e que deseja sair do plano em busca do espa\u00e7o, se diversifica em in\u00fameras apari\u00e7\u00f5es e formas. Ela atravessa a obra de Lygia desde as Superf\u00edcies Moduladas e os sulcos das paredes e janelas da Maquete para Interior (1955), passa pela fase neoconcreta na qual a linha, como um feixe de luz, cria uma rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua sobre os limites da moldura como s\u00e3o os casos de Espa\u00e7os Modulados e Unidades (1958-59), cruza suas experi\u00eancias sensoriais enquanto foi professora na Sorbonne (c. 1972-76) e chega \u00e0 sua \u00faltima fase de trabalho, a Estrutura\u00e7\u00e3o do Self. A linha, por exemplo, \u00e9 constantemente dobrada e \u201cquebrada\u201d nas articula\u00e7\u00f5es que o espectador promove ao movimentar o Bicho (1960-64); j\u00e1 a estrutura em fita de Moebius do Trepante (1965) torna flex\u00edvel o antes r\u00edgido metal que d\u00e1 forma \u00e0 obra; a linha org\u00e2nica \u00e9 sugada pelos participantes da Baba Antropof\u00e1gica (1973); ela \u00e9 esticada e esgar\u00e7ada nas experi\u00eancias das Estruturas Vivas (1969); ou ainda \u00e9 vis\u00edvel nas costuras realizadas para unir os macac\u00f5es monocrom\u00e1ticos da proposi\u00e7\u00e3o Nostalgia do Corpo (1970), um di\u00e1logo entre dan\u00e7a e artes pl\u00e1sticas ainda pouco conhecido pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o de Lygia em grupos art\u00edsticos de vanguarda no Rio de Janeiro, como o Grupo Frente (1954-56) e o neoconcreto permitiu que ela tivesse uma troca intensa com outros artistas que s\u00e3o, hoje em dia, refer\u00eancias para a arte, como Amilcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Pape e H\u00e9lio Oiticica, seu grande interlocutor. Esses artistas, reunidos em torno do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e influenciados pelas trocas com os cr\u00edticos de arte M\u00e1rio Pedrosa e Ferreira Gullar, que se voltavam para estudos sobre a Gestalt e a fenomenologia, constru\u00edram um campo est\u00e9tico que deixaria um legado substancial. Romperam os limites entre pintura e escultura, se colocavam numa postura contra o dogmatismo da arte concreta, desejavam a experimenta\u00e7\u00e3o de materiais e meios assim como propunham a participa\u00e7\u00e3o ativa do espectador em propor\u00e7\u00f5es que j\u00e1 colocavam o termo performance em desuso. Em 1968, Lygia escreveu o texto \u201cN\u00f3s somos os propositores\u201d e afirmou que \u201centerramos \u2018a obra de arte\u2019 como tal e solicitamos a voc\u00eas para que o pensamento viva pela a\u00e7\u00e3o\u201d. Ao contr\u00e1rio da performance quando o corpo do(a) artista \u00e9 presente e elemento vital para a sua realiza\u00e7\u00e3o, o corpo de Lygia n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o sine qua non para a realiza\u00e7\u00e3o de suas proposi\u00e7\u00f5es. O que se apresenta \u00e9 a oferta de uma proposi\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico, algo que colocava em xeque n\u00e3o s\u00f3 quest\u00f5es mercantis e a aura do objeto de arte mas acima de tudo a rela\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o, muito bem definida entre artista, obra e espectador.<\/p>\n<p>Com o fim do neoconcretismo, Lygia se lan\u00e7a mais radicalmente em dire\u00e7\u00e3o aos Objetos sensoriais, ali\u00e1s, muito presentes no mon\u00f3logo. Sua segunda estada em Paris (1968-76) e o convite para ser professora na Sorbonne acelera esse processo do corpo como meio de uma pr\u00e1tica art\u00edstica. A obra passa a ser n\u00e3o exatamente um objeto mas a forma como nos relacionamos com a experi\u00eancia provocada pelas suas proposi\u00e7\u00f5es. Essas, muitas vezes coletivas, s\u00e3o intermediadas por elementos da natureza ou objetos prec\u00e1rios que s\u00e3o alusivos ao corpo. Ao escolher sacos pl\u00e1sticos, \u00e1gua, bolas de ping-pong, tubos de borracha, el\u00e1sticos, pedras e conchas como objetos mediadores, Lygia expunha um processo dial\u00e9tico. Afirmo isso pois ela invariavelmente queria que o p\u00fablico experienciasse as potencialidades de cada material a partir de suas contradi\u00e7\u00f5es (por exemplo, a rela\u00e7\u00e3o entre cheio e vazio, pesado e leve, mole e duro que ocorria ao final de uma sess\u00e3o da Estrutura\u00e7\u00e3o do Self, quando o paciente\/cliente &#8211; dualidade usada pela pr\u00f3pria Lygia &#8211; era convidado a estourar um saco pl\u00e1stico cheio de ar), condicionando, assim, uma ideia de corpo regido constantemente por instabilidades. Em Respire Comigo (1966), os polos de um tubo de borracha s\u00e3o reunidos, apertados e finalmente o tubo \u00e9 constantemente pressionado emitindo um som pr\u00f3ximo ao da respira\u00e7\u00e3o. J\u00e1 em Pedra e Ar (1966), a pedra pousada sobre um saco pl\u00e1stico cheio de ar \u00e9 suspensa pela press\u00e3o das m\u00e3os do propositor sobre o saco. S\u00e3o experi\u00eancias de um corpo metaforizado muito conectado n\u00e3o s\u00f3 a ideia de fragilidade mas tamb\u00e9m de ang\u00fastia, um sentimento que era muito caracter\u00edstico de Lygia quando descrevia a sua rela\u00e7\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o das obras (\u201cera como um parto\u201d). \u00c9 importante compreender que o corpo problematizado por Lygia em suas experi\u00eancias \u00e9 tamb\u00e9m produto do contexto de seu tempo. Maio de 1968 e a discuss\u00e3o sobre estruturas e hierarquias de poder; ditaduras na Am\u00e9rica Latina e guerras pela independ\u00eancia na \u00c1frica; Guerra Fria; Cortina de Ferro; movimentos feministas e todos os outros que reivindicavam direitos civis; Tropicalismo; entre uma s\u00e9rie de outros eventos culturais, pol\u00edticos e sociais que formavam um encadeamento de pr\u00e1ticas que nos ajudam a entender o lugar das discuss\u00f5es de Lygia naquele instante assim como a elabora\u00e7\u00e3o de uma ideia de corpo que demandava liberdade.<\/p>\n<p>De volta ao Rio de Janeiro em 1976, Lygia se volta para a Estrutura\u00e7\u00e3o do Self. Atendendo em sua casa\/consult\u00f3rio, seus clientes\/pacientes eram convidados a deitar-se em um colch\u00e3o de pl\u00e1stico preenchido por bolinhas de poliestireno e cercados pelo que qualificou de Objetos relacionais, que podiam ser almofadas preenchidos com areia, objetos feitos com meia-cal\u00e7a, saco pl\u00e1stico com \u00e1gua, dentre outros objetos. \u00c0 medida que narravam seus traumas, Lygia constitu\u00eda em texto esses relatos, os chamados \u201ccasos cl\u00ednicos\u201d. Ao longo das sess\u00f5es, Lygia identificava os \u201cburacos\u201d ou vazios no corpo e os preenchia com os objetos relacionais. Parafraseando Suely Rolnik, em \u201cUma terap\u00eautica para tempos sem poesia\u201d, essa a\u00e7\u00e3o representava simbolicamente o fechamento de fissuras, a reposi\u00e7\u00e3o de partes ausentes, a solda de articula\u00e7\u00f5es desconectadas.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o, com car\u00e1ter panor\u00e2mico, se mistura ao mon\u00f3logo n\u00e3o como forma de materializar aquilo que \u00e9 narrado ou descrito por Carolyna, mas como uma dobra. Ambos se unem e se entrela\u00e7am como forma de criar feixes e din\u00e2micas a partir da obra de Lygia. A pot\u00eancia, visceralidade e sensibilidade de Carolyna ecoam na exposi\u00e7\u00e3o que, por sua vez, mant\u00e9m ativa a mem\u00f3ria e o legado de Lygia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; A BOLSA DE ARTE tem o prazer de apresentar o espet\u00e1culo &#8220;Lygia&#8221;. Mon\u00f3logo de Carolyna Aguiar com dire\u00e7\u00e3o de Bel Kutner e Maria\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4773,3,6,9524,15,15591],"tags":[20681,20683,20665,20673,937,20670,20667,17751,20668,9512,666,2018,20237,20662,20661,20660,17752,2699,228,20663,20671,294,20659,20678,338,20666,20658,20682,20664,20676,20677,20672,20674,20669,20675,20679,20680,11254],"class_list":["post-21591","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte-brasileira-2","category-arte-contemporanea","category-exposicoes","category-galerias","category-sao-paulo","category-teatro","tag-8-tempos","tag-a-linha-organica-de-lygia-clark-por-felipe-scovino","tag-ale-clark","tag-alessandra-grochko","tag-amilcar-de-castro","tag-ana-kutner","tag-andrea-marques","tag-associacao-cultural-lygia-clark","tag-belight","tag-bolsa-de-arte","tag-burle-marx","tag-caetano-veloso","tag-carolyna-aguiar","tag-curadoria-e-texto-de-felipe-scovino","tag-diarios-de-lygia-clark","tag-direcao-de-bel-kutner-e-maria-clara-mattos","tag-estudio-mameluca","tag-franz-weissmann","tag-helio-oiticica","tag-ivanilda-santos-leme","tag-leandro-de-cicco","tag-lygia-pape","tag-monologo-de-carolyna-aguiar","tag-morente-forte","tag-museu-de-arte-moderna-do-rio-de-janeiro","tag-nuno-f","tag-o-espetaculo-lygia","tag-om-art","tag-profissional-do-sexo-e-presidente-da-ong-fio-da-alma","tag-relacionamento-colecionadores","tag-renata-mindlin","tag-rodrigo-sabino","tag-rose-goncalves","tag-samuel-betts","tag-sonia-dumont","tag-taba","tag-tais-alve","tag-zelia-salgado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21591"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21593,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21591\/revisions\/21593"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}