{"id":21945,"date":"2022-05-31T19:42:49","date_gmt":"2022-05-31T19:42:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=21945"},"modified":"2022-05-31T19:42:49","modified_gmt":"2022-05-31T19:42:49","slug":"imagens-de-silvia-velludo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/imagens-de-silvia-velludo","title":{"rendered":"Imagens de Silvia Velludo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 25%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-21945 gallery-columns-4 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-001.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-001-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-001-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-001-300x298.jpg 300w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-001-1024x1015.jpg 1024w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-001-303x300.jpg 303w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-003.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-003-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-004.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-004-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-002.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Silvia-Velludo-Hipocampo-Galeria-Marcelo-Guarnieri-002-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, entre 14 de maio e 25 de junho, &#8220;Hipocampo&#8221;, segunda exposi\u00e7\u00e3o individual de Silvia Velludo no endere\u00e7o de S\u00e3o Paulo, Jardins, SP. Al\u00e9m das pinturas da s\u00e9rie &#8220;Hipocampo&#8221;, realizadas entre 2016 e 2022, a mostra re\u00fane algumas das obras produzidas pela artista durante a d\u00e9cada de 2000, como as pinturas das s\u00e9ries &#8220;Penumbras&#8221; (2003-2004), &#8220;Divisas&#8221; (2007-2012), o livro-objeto em letreiro digital &#8220;Ida&#8221; (2012) e a videoinstala\u00e7\u00e3o &#8220;Projeto de Aurora&#8221; (2002). A exposi\u00e7\u00e3o conta com texto assinado por Fernando Cocchiarale.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Formada por mais de 300 pinturas, a s\u00e9rie &#8220;Hipocampo&#8221; d\u00e1 continuidade \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o de Silvia Velludo sobre a produ\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o de imagens atrav\u00e9s da pintura. A artista faz uso de um extenso acervo de fotografias de celular, de not\u00edcias de jornal, cenas de filmes e posts de redes sociais para refletir sobre a aparente banalidade dessas imagens e o ritmo acelerado em que s\u00e3o difundidas, traduzindo os c\u00f3digos da linguagem fotogr\u00e1fica digital para a linguagem pict\u00f3rica. O t\u00edtulo remete \u00e0 estrutura cerebral respons\u00e1vel pelo armazenamento da mem\u00f3ria e faz uma alus\u00e3o ao registro involunt\u00e1rio que fazemos das imagens que nos rodeiam e as infinitas associa\u00e7\u00f5es inconscientes que podem ser estabelecidas entre elas. O conjunto de pinturas de tamanhos variados \u00e9 distribu\u00eddo por toda a extens\u00e3o das paredes da galeria, formando um grande painel diagram\u00e1tico de retratos do cotidiano, intercalados ora com telas recobertas por pigmentos met\u00e1licos, ora com placas reflexivas de a\u00e7o, bronze, cobre e lat\u00e3o que, ao espelharem a imagem do espectador, interrompem o fluxo do &#8220;scrolling&#8221; visual e servem como zonas de respiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A vis\u00e3o panor\u00e2mica de tantas imagens em fluxo nos conecta diretamente \u00e0 experi\u00eancia de navega\u00e7\u00e3o digital nas telas dos celulares e nas redes sociais, profus\u00e3o que nos chega diariamente produzindo hist\u00f3rias descont\u00ednuas e quebras de narrativa. A din\u00e2mica das imagens digitais j\u00e1 n\u00e3o nos permite saber a origem e a hist\u00f3ria de cada momento, local ou encontro, em seus respectivos tempos e lugares, diante da acelerada produ\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o e consumo de informa\u00e7\u00f5es pelas redes. O panorama de cenas de Silvia Velludo prop\u00f5e uma reflex\u00e3o em torno da satura\u00e7\u00e3o de imagens nos meios digitais e a busca por perman\u00eancia e sentido que uma obra art\u00edstica idealmente almeja em sua ess\u00eancia.&#8221;, observa o cr\u00edtico Fernando Cocchiarale.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A reapresenta\u00e7\u00e3o das s\u00e9ries &#8220;Penumbras&#8221; (2003-2004) e &#8220;Divisas&#8221; (2007-2012) propicia ao p\u00fablico um reencontro com as origens da pesquisa de Silvia Velludo sobre a forma\u00e7\u00e3o da imagem atrav\u00e9s da pintura. Ao longo da d\u00e9cada de 2000, a artista estava menos interessada pela imagem enquanto representa\u00e7\u00e3o figurativa do que por sua constitui\u00e7\u00e3o enquanto fen\u00f4meno f\u00edsico. Em &#8220;Penumbras&#8221; a artista trabalha a dispers\u00e3o da luz atrav\u00e9s do embate entre pequenos pontos de cor, formando, em cada tela, estruturas reticuladas que podem remeter \u00e0 imagem granulada dos televisores de tubo. Se nessa s\u00e9rie Velludo explora efeitos \u00f3pticos atrav\u00e9s do uso da tinta acr\u00edlica e das diferentes combina\u00e7\u00f5es e tonalidades poss\u00edveis de serem alcan\u00e7adas pelo material, em &#8220;Divisas&#8221; ela escolhe trabalhar com as propriedades inerentes das contas de vidro. O car\u00e1ter cintilante do vidro colorido \u00e9 intensificado nestas pinturas pelo agrupamento de uma grande quantidade de pequenas esferas coladas em uma superf\u00edcie de 4m\u00b2, causando aos olhos a impress\u00e3o de que h\u00e1 uma desintegra\u00e7\u00e3o da cor em milhares de pontos de luz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Anterior a essa investiga\u00e7\u00e3o desenvolvida por Silvia Velludo atrav\u00e9s da pintura sobre a forma\u00e7\u00e3o da imagem como um fen\u00f4meno \u00f3ptico, \u00e9 a sua produ\u00e7\u00e3o de videoinstala\u00e7\u00f5es. A videoproje\u00e7\u00e3o surgia para a artista como uma linguagem que lhe permitia trabalhar com a materialidade da pr\u00f3pria luz, explorando a varia\u00e7\u00e3o de cores, formas e palavras a partir dos recursos da imagem em movimento. &#8220;Projeto de Aurora&#8221; (2002) consiste em uma sequ\u00eancia de cores projetadas em uma superf\u00edcie quadrada formada por cerca de 30 kg de sal grosso. Similar ao interesse de Velludo pela incid\u00eancia da luz na mat\u00e9ria v\u00edtrea \u00e9 o interesse pela incid\u00eancia luminosa na estrutura cristalina do sal e sua alta capacidade de reflex\u00e3o. As cores projetadas fazem refer\u00eancia \u00e0s cores produzidas pelas Auroras Polares, fen\u00f4menos f\u00edsico-qu\u00edmicos que resultam de intera\u00e7\u00f5es entre o campo magn\u00e9tico terrestre e o plasma solar e que podem ser observados pela emiss\u00e3o de luzes coloridas que se movem pelo c\u00e9u.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Ida&#8221; (2012) \u00e9 um livro-objeto em formato de letreiro digital que re\u00fane diversos escritos produzidos pela artista ao longo de doze anos a partir daquilo que ocorria ao seu redor &#8211; em espa\u00e7os p\u00fablicos, privados ou mesmo na televis\u00e3o. O trabalho foi apresentado pela primeira vez na exposi\u00e7\u00e3o &#8220;H\u00e1 mais de um poema em cada fotograma&#8221; em 2012, onde a artista ocupou todas as paredes da galeria com centenas de detalhes ampliados de fotografias realizadas durante dez anos em uma opera\u00e7\u00e3o similar, registrando excessivamente as imagens de seu entorno. Se em &#8220;Ida&#8221; a artista escolhe a palavra como ferramenta para dar conta desse registro e em &#8220;H\u00e1 mais de um poema em cada fotograma&#8221; ela escolhe a fotografia digital, em &#8220;Hipocampo&#8221; Velludo executa um procedimento j\u00e1 iniciado em sua exposi\u00e7\u00e3o anterior &#8220;Autorretrato com Iphone 5C&#8221;, traduzindo o registro fotogr\u00e1fico para a linguagem da pintura. A no\u00e7\u00e3o de velocidade \u00e9 uma quest\u00e3o que perpassa todos esses trabalhos, tanto no embate entre o ritmo \u00e1gil de uma escrita de observa\u00e7\u00e3o baseada na associa\u00e7\u00e3o livre e a leitura regulada pela lentid\u00e3o do letreiro, como no embate entre a rapidez da capta\u00e7\u00e3o da fotografia e o moroso feitio de uma pintura figurativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto de Fernando Cocchiarale<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A crescente presen\u00e7a dos meios digitais em nossa era definiu novas pr\u00e1ticas e quest\u00f5es aos artistas que se utilizam das imagens como meio de cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. Como uma contraposi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e0 natureza funcional e pragm\u00e1tica da economia da imagem, muitos artistas t\u00eam buscado diferentes modos de refletir sobre a sociedade tecnol\u00f3gica contempor\u00e2nea. Embora a origem artesanal da imagem tenha sido gradualmente substitu\u00edda por meios t\u00e9cnicos como a fotografia, com a expressividade da m\u00e3o cedendo lugar \u00e0 objetividade das lentes e \u00e0 rapidez e acessibilidade das c\u00e2meras, a reprodu\u00e7\u00e3o manual de imagens de origem fotogr\u00e1fica ou digital em pintura \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o que investiga e reavalia de modo amplo o processo evolutivo dos meios t\u00e9cnicos e tecnol\u00f3gicos e suas poss\u00edveis rearticula\u00e7\u00f5es. A reuni\u00e3o de pinturas que Silvia Velludo apresenta nesta exposi\u00e7\u00e3o tem por origem a cole\u00e7\u00e3o de in\u00fameros arquivos de imagem de internet e fotos digitais de celular que a artista seleciona e reproduz em suas obras como repert\u00f3rio visual para o seu fazer po\u00e9tico. Silvia se utiliza da m\u00eddia digital como um caderno de notas em que pessoas, lugares e momentos a serem lembrados s\u00e3o guardados em imagem e posteriormente trabalhados em tinta sobre tela. Suas pinturas retratam cenas e acontecimentos que espelham um panorama imag\u00e9tico pr\u00f3prio do universo da cultura digital e da din\u00e2mica das redes sociais em sua profus\u00e3o de temas, recortes e registros, situando-se entre o memor\u00e1vel e o comum, o admir\u00e1vel e o banal, o ins\u00f3lito e o corriqueiro. As pinturas a partir de arquivos de imagens digitais remontam \u00e0 \u00faltima exposi\u00e7\u00e3o individual realizada por Silvia, Autorretrato com iPhone 5c, em 2016, quando voltou a se dedicar \u00e0 pintura de observa\u00e7\u00e3o. As m\u00faltiplas cenas do trabalho atual resultam das constantes temporadas de viagem de Silvia Velludo entre sua cidade natal, Ribeir\u00e3o Preto, e S\u00e3o Paulo, onde tamb\u00e9m reside e trabalha, e outras localidades em que, acompanhada de pinc\u00e9is, tintas e telas port\u00e1teis, a artista registra suas pinturas diretamente em cada lugar de estadia, justificando a escala diminuta de suas obras. As 295 pinturas realizadas por Silvia Velludo ao longo de seguidas temporadas de viagem est\u00e3o dispostas por todas as paredes do espa\u00e7o de maneira a compor uma extensa rede de campos visuais em fra\u00e7\u00f5es irregulares. Com o aspecto de um diagrama descont\u00ednuo, suas cenas deslizam visualmente em s\u00e9ries horizontais, verticais e diagonais que, tamb\u00e9m em saltos, se remetem a outras cenas por proximidade, semelhan\u00e7a ou oposi\u00e7\u00e3o, um fluxo de imagens que forma narrativas sequenciais, cruzadas ou aleat\u00f3rias em associa\u00e7\u00e3o direta com a observa\u00e7\u00e3o do espectador. Silvia articula diferentes n\u00edveis de significa\u00e7\u00e3o para as suas imagens. Entre formas e cores sortidas de centenas de pequenas telas de pintura figurativa esmerada, um visitante atento notar\u00e1 a presen\u00e7a de retratos e olhares que parecem dialogar em sil\u00eancio com o observador, formando uma narrativa paralela; em outro momento, cenas frugais de crian\u00e7as e animais de estima\u00e7\u00e3o se imp\u00f5em pela for\u00e7a afetiva, dom\u00e9stica e familiar que evocam, ainda que seja a intimidade an\u00f4nima e distante das imagens da internet. Cenas de peixes nadando em c\u00edrculos parecem estar em a\u00e7\u00e3o, como se a pintura guardasse a mem\u00f3ria do movimento e capturasse a aten\u00e7\u00e3o do espectador. Bonecas, brinquedos e obras de arte se alternam entre paisagens, fruteiras e personagens obscuros das redes sociais e do notici\u00e1rio em busca de uma contextualiza\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel e de sentidos intelig\u00edveis. As pinturas aqui reunidas por Silvia Velludo adquirem sentido pela no\u00e7\u00e3o de conjunto que toda cole\u00e7\u00e3o estabelece. As diversas situa\u00e7\u00f5es pintadas sobre tela se interp\u00f5em enquanto campos espaciais e planos figurativos, condi\u00e7\u00e3o aberta que possibilita in\u00fameras combina\u00e7\u00f5es narrativas por justaposi\u00e7\u00e3o, deslocamento e associa\u00e7\u00e3o livre. O passeio visual que este dispositivo pict\u00f3rico prop\u00f5e reconstitui uma dimens\u00e3o temporal f\u00edlmica da imagem, tanto pela sugest\u00e3o de movimento cont\u00ednuo das cenas pintadas &#8211; peixes em c\u00edrculos, olhos em \u00f3rbita -, como pela a\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio olhar que percorre as superf\u00edcies das pinturas \u00e0 procura de novos est\u00edmulos e significa\u00e7\u00f5es. Estas pinturas parecem propor, repetidas vezes, um jogo de adivinha\u00e7\u00e3o em torno da identifica\u00e7\u00e3o das cenas escolhidas pela artista. Como em um desafio ou charada, tentamos reconhecer quais entre aquelas imagens referem-se a not\u00edcias, personagens e momentos que lembramos &#8211; ou ignoramos. Ou como estas cenas se recombinam em hist\u00f3rias particulares, eventos p\u00fablicos ou acontecimentos desprovidos de informa\u00e7\u00e3o alguma enquanto somos levados a imaginar situa\u00e7\u00f5es, rela\u00e7\u00f5es e desfechos entre os epis\u00f3dios retratados. Diante desta grande reuni\u00e3o de pinturas somos tomados por um labirinto narrativo de notas cifradas, imagens privadas e p\u00fablicas, todas fadadas \u00e0 efemeridade de postagens perdidas e notici\u00e1rios esvaziados. A vis\u00e3o panor\u00e2mica que Silvia nos prop\u00f5e para estas imagens aponta para uma solu\u00e7\u00e3o original. A plural diversidade de assuntos exibidos se entrela\u00e7a com as in\u00fameras associa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis formadas pelos encadeamentos das cenas como campos de leitura. \u00c0 maneira de um jogo de palavras-cruzadas composto por imagens em desdobramento visual cont\u00ednuo, nosso olhar \u00e9 levado a rastrear superf\u00edcies, identificar sinais e construir nexos a partir de um caleidosc\u00f3pio de fragmentos da realidade. A disposi\u00e7\u00e3o das telas \u00e9 alternada por quadros met\u00e1licos luminosos e brilhantes em a\u00e7o, bronze, cobre e lat\u00e3o que provocam um rebatimento do olhar imersivo da pintura e emprestam ritmo ao intenso fluxo de imagens. Como zonas de respiro e contempla\u00e7\u00e3o, abrem um intervalo de tempo que parece condensar as viv\u00eancias imag\u00e9ticas em um plano de emana\u00e7\u00f5es reluzentes e silenciosas. A \u00e1gil circula\u00e7\u00e3o das imagens digitais nas m\u00eddias eletr\u00f4nicas desvela, por sua vez, sua natureza temporal ef\u00eamera que as conduz tanto ao desaparecimento quanto \u00e0 obsolesc\u00eancia. Em seu pensamento po\u00e9tico, Silvia apropria-se de cenas cotidianas aparentemente comuns e as transfere do meio digital ao suporte material, artesanal e anal\u00f3gico da pintura, meio que empresta um sentido de perman\u00eancia e dura\u00e7\u00e3o \u00e0s imagens. A vis\u00e3o panor\u00e2mica de tantas imagens em fluxo nos conecta diretamente \u00e0 experi\u00eancia de navega\u00e7\u00e3o digital nas telas dos celulares e nas redes sociais, profus\u00e3o que nos chega diariamente produzindo hist\u00f3rias descont\u00ednuas e quebras de narrativa. A din\u00e2mica das imagens digitais j\u00e1 n\u00e3o nos permite saber a origem e a hist\u00f3ria de cada momento, local ou encontro, em seus respectivos tempos e lugares, diante da acelerada produ\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o e consumo de informa\u00e7\u00f5es pelas redes. O panorama de cenas de Silvia Velludo prop\u00f5e uma reflex\u00e3o em torno da satura\u00e7\u00e3o de imagens nos meios digitais e a busca por perman\u00eancia e sentido que uma obra art\u00edstica idealmente almeja em sua ess\u00eancia. O jogo po\u00e9tico firmado entre o universo particular de suas imagens e as not\u00edcias e postagens das redes sociais tensiona a nossa percep\u00e7\u00e3o do real. Tal qual um dispositivo expositor de mem\u00f3rias e lembran\u00e7as, somos seduzidos pela curiosidade e pelo esp\u00edrito imaginativo que tantas imagens reunidas s\u00e3o capazes de estimular. A instala\u00e7\u00e3o de pinturas de Silvia revela-se, assim, um invent\u00e1rio de viv\u00eancias a serem reconstitu\u00eddas que, como c\u00e1psulas de tempo, ret\u00e9m uma dimens\u00e3o existencial que as imagens resistem em desvelar. A proposi\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Silvia Velludo nos proporciona, assim, uma experi\u00eancia contr\u00e1ria \u00e0quela celebrada pelo frenesi do mundo digital: a desacelera\u00e7\u00e3o intuitiva que reestabelece correla\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas entre o real e suas representa\u00e7\u00f5es a partir da apropria\u00e7\u00e3o afetiva e artesanal das imagens. A contemporaneidade de suas pinturas e quest\u00f5es entrecruza-se com a dominante e fr\u00e1gil onipresen\u00e7a das imagens digitais em nosso cotidiano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fernando Cocchiarale<\/p>\n<p>Mar\u00e7o de 2022<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, entre 14 de maio e 25 de junho, &#8220;Hipocampo&#8221;, segunda exposi\u00e7\u00e3o individual de Silvia Velludo no endere\u00e7o de\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4773,3,6,8,9524,3378,11,2650,15],"tags":[160,21479,21129,4388],"class_list":["post-21945","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte-brasileira-2","category-arte-contemporanea","category-exposicoes","category-fotografia","category-galerias","category-objetos-2","category-oparalelo","category-pinturas-2","category-sao-paulo","tag-fernando-cocchiarale","tag-galeria-marceleo-guarnieri","tag-hipocampo","tag-silvia-velludo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21945","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21945"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21945\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21950,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21945\/revisions\/21950"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}