{"id":22067,"date":"2022-06-13T20:00:35","date_gmt":"2022-06-13T20:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=22067"},"modified":"2022-06-13T20:00:35","modified_gmt":"2022-06-13T20:00:35","slug":"obras-ineditas-de-antonio-asis-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/obras-ineditas-de-antonio-asis-no-brasil","title":{"rendered":"Obras in\u00e9ditas de Antonio Asis no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 25%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-22067 gallery-columns-4 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Asis-001-1.png'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Asis-001-1-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Asis-002-2.png'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Asis-002-2-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Asis-003-1.png'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Asis-003-1-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Asis-004-1.png'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Asis-004-1-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Galeria Sim\u00f5es de Assis, em seu m\u00f3dulo de Curitiba, PR, apresenta uma seleta de obras do artista argentino Antonio Asis. A exposi\u00e7\u00e3o obedece ao t\u00edtulo geral de &#8220;Antonio Asis: Part\u00edculas Mentais &#8211; Obras de 1960 a 2019&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto de Matthieu Poirier<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta primeira exposi\u00e7\u00e3o de Antonio Asis (Buenos Aires, 1932 &#8211; Paris, 2019) no Brasil re\u00fane um conjunto de importantes obras de seu esp\u00f3lio. Ela pretende mostrar, ao longo de uma trajet\u00f3ria de quase 60 anos, a singularidade de um dos inventores e personagens essenciais da arte \u00f3ptica e cin\u00e9tica. Durante a primeira metade dos anos 1950, Asis teve sua forma\u00e7\u00e3o na Escuela de Bellas Artes de Buenos Aires &#8211; como seu compatriota Julio Le Parc &#8211; onde foi iniciado na arte geom\u00e9trica do Construtivismo e da Bauhaus, bem como na l\u00f3gica perceptiva da teoria da Gestalt por H\u00e9ctor Cartier. Este tamb\u00e9m o introduziu \u00e0 arte cin\u00e9tica, cuja apari\u00e7\u00e3o se deu na exposi\u00e7\u00e3o \u201cLe Mouvement\u201d (O Movimento), em 1955, na Galeria Denise Ren\u00e9 em Paris, o que levou Asis a se estabelecer nessa capital em 1956, no cora\u00e7\u00e3o de sua efervesc\u00eancia est\u00e9tica. Foi-lhe necess\u00e1rio reformar a abstra\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-guerra, ainda tribut\u00e1ria de valores e padr\u00f5es de composi\u00e7\u00e3o ultrapassados. Desse modo, ele explorou, durante certo tempo, o gesto circular \u201clivre\u201d e natural da m\u00e3o, proje\u00e7\u00f5es luminosas e gr\u00e1ficas, mas tamb\u00e9m a geometria colorida de Albers. Isso o levou a criar, entre 1956 e 1960, um sistema est\u00e9tico singular, que excluiu peremptoriamente a pintura de cavalete. Afastou-se, assim, da aura da tela t\u00eaxtil, esticada no chassis, privilegiando suportes deliberadamente modestos, como o papel, a cartolina ou, por vezes, a madeira, mais adaptados \u00e0 elevada precis\u00e3o do tra\u00e7o do compasso e do tira-linhas &#8211; privil\u00e9gio de arquitetos e designers gr\u00e1ficos &#8211; assim como aos matizes lisos, planos e regulares da superf\u00edcie pict\u00f3rica. Asis usa as boas formas da Gestalt (o c\u00edrculo e o quadrado) como ponto de partida. Traduz intuitivamente a concep\u00e7\u00e3o moderna da realidade micro e macrosc\u00f3pica como um continuum vibrante de part\u00edculas, um sfumato atmosf\u00e9rico. A energia dessas part\u00edculas pintadas, min\u00fasculos elementos que formam a camada pict\u00f3rica, desdobra-se n\u00e3o tanto no suporte inerte, mas na mente do espectador, nos rec\u00f4nditos de seu c\u00e9rebro. A forma geom\u00e9trica rigorosa, multiplicada e potencializada em uma mir\u00edade de signos, desintegra-se ali mesmo, in vivo, num fen\u00f4meno vibrante e inst\u00e1vel. O conjunto da obra de Asis \u00e9, assim, constitu\u00eddo por s\u00e9ries contendo combina\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas potencialmente infinitas, cada obra distinguindo-se por sua estrutura, ou seu \u201cc\u00f3digo\u201d, absolutamente \u00fanicos, e pelos seus micro-acidentes pict\u00f3ricos (transbordamentos, empastamentos, marcas do ateli\u00ea e outras rebarbas) detect\u00e1veis a olho nu. \u00c0 luz da teoria da informa\u00e7\u00e3o e da ci\u00eancia cognitiva, sua linguagem re\u00fane a frontalidade de Mondrian e as \u201cgrades \u00e9brias\u201d de Moholy-Nagy. Essa l\u00f3gica da tremula\u00e7\u00e3o emerge em Asis de arranjos mais mec\u00e2nico. Por\u00e9m, como sempre, o diabo mora nos detalhes: \u00e9 se aproximando de cada elemento, distinguindo os m\u00faltiplos pequenos acidentes e irregularidades no tra\u00e7ado dos contornos e na aplica\u00e7\u00e3o da cor com a ajuda de fin\u00edssimos pinc\u00e9is, que a a\u00e7\u00e3o sempre manual do artista aparece. Essa recusa da expressividade (das paix\u00f5es, que tradicionalmente se liga \u00e0 policromia), bem como a ado\u00e7\u00e3o de uma combinat\u00f3ria que rege a forma, s\u00e3o ent\u00e3o associadas \u00e0 arte programmata, teorizada em 1962 por Umberto Eco, e encontram suas fontes em Jean Arp e Sophie Tauber-Arp. At\u00e9 sua morte, em 2019, Asis aplicou esse m\u00e9todo com excepcional const\u00e2ncia, at\u00e9 formar o que aparenta ser &#8211; ap\u00f3s cerca de sete d\u00e9cadas e com exce\u00e7\u00e3o de um punhado de m\u00faltiplos &#8211; uma imensa mandala budista: diagramas geom\u00e9tricos feitos por monges tibetanos com areia de v\u00e1rias cores diretamente no ch\u00e3o. Na era da serigrafia e da reprodutibilidade mec\u00e2nica, ent\u00e3o adotada por Vasarely ou mesmo Warhol, Asis optou, portanto, pela a\u00e7\u00e3o manual, apenas com leve emprego de ferramentas, e, assim, antimoderna. Por\u00e9m, a hist\u00f3ria agora lhe d\u00e1 raz\u00e3o: as primeiras produ\u00e7\u00f5es dessa gigantesca e sistem\u00e1tica palheta de cores, j\u00e1 desde 1958, foram pintadas em rigorosos matizes lisos, planos, em quadrados ou discos. Elas prefiguram certos cap\u00edtulos da pintura conceitual e p\u00f3s-conceitual que viriam mais tarde: por um lado, as pinturas da s\u00e9rie Farben de Gerhard Richter (a partir de 1972) e, por outro lado, as Spot Paintings de Damien Hirst (a partir de 1986). Considerando as mundanidades do mercado incompat\u00edveis com a concentra\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica exigida pela sua arte, Asis exerce incansavelmente sua pr\u00e1tica no ref\u00fagio de seu ateli\u00ea parisiense. A esse respeito, a atual organiza\u00e7\u00e3o de um cat\u00e1logo raisonn\u00e9, de um comit\u00ea cient\u00edfico e da reestrutura\u00e7\u00e3o do seu esp\u00f3lio e dos seus arquivos, em articula\u00e7\u00e3o com v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas, convidam hoje a uma melhor compreens\u00e3o de sua obra, da qual o pr\u00f3prio artista, com grande mod\u00e9stia, mas tamb\u00e9m escaldado pelos anos de esquecimento que a arte cin\u00e9tica conheceu, n\u00e3o quis participar. O exame da obra, tanto na sua totalidade como no detalhe, leva-nos a pensar que a verdadeira singularidade de Asis foi mal compreendida: ele foi tamb\u00e9m um proponente da arte programada e um precursor da arte conceitual, na medida em que parte da sua pr\u00e1tica foi tecida em paralelo \u00e0 teoria da informa\u00e7\u00e3o &#8211; que se tornaria a \u201cinform\u00e1tica\u201d, na qual os dados digitais s\u00e3o exibidos no plano, em grade, de acordo com abcissas e ordenadas, a fim de serem mais bem integrados pelo sujeito. Da mesma forma, ele foi, como Bridget Riley ainda \u00e9, um defensor da policromia pict\u00f3rica, um herdeiro das nuvens neoimpressionistas de Seurat, das teorias das cores de Chevreul e dos \u201ccontrastes simult\u00e2neos\u201d de cores teorizados pelo casal Delaunay. Asis criou, simultaneamente, \u201cpinturas\u201d aut\u00eanticas e fen\u00f4menos em si. Elas n\u00e3o t\u00eam a finalidade de ajudar a apreender melhor o objeto visto; ao contr\u00e1rio, ao recusar a percep\u00e7\u00e3o \u201cplena\u201d, jogam contra o olho e n\u00e3o a favor dele. Assim, os padr\u00f5es de c\u00edrculos conc\u00eantricos &#8211; alvos -, sozinhos ou \u00e0s vezes dispostos em uma grade, abundantes na arte perceptiva de Asis, s\u00e3o tanto visuais quanto antivisuais. Em Interf\u00e9rences (Interfer\u00eancias), por exemplo, an\u00e9is conc\u00eantricos se sobrep\u00f5em como as ondas produzidas por gotas de chuva caindo em uma superf\u00edcie de \u00e1gua. Mas n\u00e3o nos enganemos, de uma obra a outra, de uma nuvem a uma constela\u00e7\u00e3o, de um tabuleiro de xadrez a essa forma-chave aparentemente simples, composta de finos c\u00edrculos coloridos e conc\u00eantricos, e que o artista realizou de 1968 at\u00e9 sua morte: foi o pr\u00f3prio olho que se tornou o alvo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 23 de julho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; A Galeria Sim\u00f5es de Assis, em seu m\u00f3dulo de Curitiba, PR, apresenta uma seleta de obras do artista argentino Antonio Asis. 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