{"id":24337,"date":"2023-06-29T18:29:36","date_gmt":"2023-06-29T18:29:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=24337"},"modified":"2023-06-29T18:29:36","modified_gmt":"2023-06-29T18:29:36","slug":"heitor-dos-prazeres-no-ccbb-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/heitor-dos-prazeres-no-ccbb-rio","title":{"rendered":"Heitor dos Prazeres no CCBB Rio"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 25%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-24337 gallery-columns-4 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Heitor-dos-Prazeres-005.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Heitor-dos-Prazeres-005-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Heitor-dos-Prazeres-002.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Heitor-dos-Prazeres-002-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Heitor-dos-Prazeres-001.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Heitor-dos-Prazeres-001-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Heitor-dos-Prazeres-004.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Heitor-dos-Prazeres-004-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p class=\"p1\">Retrospectiva no CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, destaca perfil multim\u00eddia de Heitor dos Prazeres e a import\u00e2ncia hist\u00f3rica de sua obra. A exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Heitor dos Prazeres \u00e9 meu nome&#8221; re\u00fane mais de 200 trabalhos, entre pinturas, desenhos e esbo\u00e7os, mobili\u00e1rio, indument\u00e1rias, partituras e acervo documental<\/p>\n<p class=\"p1\">D\u00e9cadas antes de o termo multim\u00eddia (ou mesmo &#8220;m\u00eddia&#8221;) se popularizar, Heitor dos Prazeres (1898-1966) j\u00e1 atuava em v\u00e1rias frentes art\u00edsticas, da m\u00fasica \u00e0 pintura, da cenografia ao figurino, passando pelo mobili\u00e1rio. Nascido dez anos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, registrou, em suas composi\u00e7\u00f5es e, a partir da d\u00e9cada de 1930, com pinc\u00e9is, tintas e suportes variados, da madeira \u00e0 tela, cr\u00f4nicas do Rio suburbano da primeira metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p class=\"p1\">Da mesma forma que frequentou as casas das tias da Pra\u00e7a Onze, como a da c\u00e9lebre Tia Ciata, e colaborou na funda\u00e7\u00e3o das primeiras escolas de samba da cidade, a exemplo de Mangueira, Portela e Deixa Falar (que originou a Est\u00e1cio de S\u00e1), sua produ\u00e7\u00e3o nas artes visuais retratou temas ignorados na \u00e9poca pela academia, como os cultos de matriz africana, as primeiras rodas de samba e a transforma\u00e7\u00e3o do sub\u00farbio rural em cen\u00e1rio urbano, com o surgimento das primeiras favelas.<\/p>\n<p class=\"p1\">Com curadoria de Raquel Barreto, Pablo Le\u00f3n de la Barra e Haroldo Costa, a sele\u00e7\u00e3o re\u00fane obras de cole\u00e7\u00f5es particulares, incluindo telas pouco vistas, e de institui\u00e7\u00f5es como o Masp, a Pinacoteca de S\u00e3o Paulo, o MAM do Rio, o Ipeafro e os Museus Castro Maya.<\/p>\n<p class=\"p1\">Entre as raridades, est\u00e3o duas de suas obras mais antigas, criadas poucos anos ap\u00f3s seu in\u00edcio na pintura, em 1937: &#8220;O sonho&#8221; (1939) e &#8220;Caboclo&#8221;, da d\u00e9cada de 1940. O t\u00edtulo da mostra \u00e9 retirado de uma fala do pr\u00f3prio pintor no document\u00e1rio que leva seu nome, dirigido por Ant\u00f4nio Carlos da Fontoura em 1965. Uma apresenta\u00e7\u00e3o que o situa entre os grandes nomes das artes brasileiras no s\u00e9culo XX e, ao mesmo tempo, introduz sua produ\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico mais jovem.<\/p>\n<p class=\"p1\">&#8211; O t\u00edtulo o reafirma como um homem negro que se coloca como sujeito de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e a representa assim. Ele foi nomeado de na\u00eff, mas, se n\u00e3o fosse o racismo estrutural, um artista desta grandeza seria considerado um pintor moderno &#8211; acredita Raquel Barreto. &#8211; Outra import\u00e2ncia da sua obra foi ter retratado a religiosidade afro-brasileira, que, neste momento, est\u00e1 sob ataque. Heitor era og\u00e3, o respons\u00e1vel, no candombl\u00e9, por tocar para que o orix\u00e1 des\u00e7a \u00e0 Terra. \u00c9 uma fun\u00e7\u00e3o de mediador, um tr\u00e2nsito que ele tamb\u00e9m desempenhou em sua vida art\u00edstica.<\/p>\n<p class=\"p1\">Curador de arte latino-americana do Guggenheim, de Nova York, Pablo Le\u00f3n de la Barra destaca a import\u00e2ncia hist\u00f3rica da mostra.<\/p>\n<p class=\"p1\">&#8211; A Hist\u00f3ria da Arte tratou artistas como Heitor por muito tempo como primitivos ou ing\u00eanuos, o que \u00e9 mais grave num pa\u00eds como o Brasil, onde o racismo dificulta o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, o que tem de ser considerado numa releitura como a que estamos propondo &#8211; ressalta o curador. &#8211; A pr\u00f3pria Tarsila (do Amaral) poderia ter sido considerava uma pintora na\u00eff, pela forma como abordava os temas, como romantizava a realidade brasileira, mas isso n\u00e3o aconteceu, como no caso do Heitor.<\/p>\n<p class=\"p1\">Autodidata, Heitor come\u00e7ou a ser reconhecido tamb\u00e9m na pintura a partir da d\u00e9cada de 1950, quando fica com o terceiro lugar para artistas nacionais na 1\u00aa Bienal Internacional de S\u00e3o Paulo, em 1951, e ganha uma sala especial na 2\u00aa Bienal, em 1953. Em 1966, participou do I Festival de Artes Negras em Dakar, no Senegal, meses antes de sua morte (a retrospectiva traz obras de Heitor e outros dois brasileiros na sele\u00e7\u00e3o, uma tela de Rubem Valentim e uma escultura de Agnaldo dos Santos). O evento marcou a mem\u00f3ria de Haroldo Costa, que sentou ao lado do pintor no voo.<\/p>\n<p class=\"p1\">&#8211; Tive o privil\u00e9gio de fazer parte da delega\u00e7\u00e3o brasileira para Dakar, e outro maior ainda de ir sentado ao lado do Heitor. Fomos conversando durante todo o voo e passei a admir\u00e1-lo ainda mais desde ent\u00e3o &#8211; recorda Costa. &#8211; Ele \u00e9 o melhor exemplar que conhe\u00e7o do &#8220;milagre brasileiro&#8221;. Tinha tudo para dar errado, mas foi grande em v\u00e1rias \u00e1reas. Muito gra\u00e7as \u00e0 ultrassensibilidade que teve ao longo da vida, como pioneiro na observa\u00e7\u00e3o do cotidiano da popula\u00e7\u00e3o negra e perif\u00e9rica, com a qual ele convivia.<\/p>\n<p class=\"p1\">Fundadora da MT Projetos de Arte, pela qual captou recursos para a exposi\u00e7\u00e3o via Lei Federal de Incentivo \u00e0 Cultura, a colecionadora Margareth Telles come\u00e7ou a planejar a mostra durante a pandemia, mas s\u00f3 no in\u00edcio do ano teve o projeto contemplado. Al\u00e9m de mostrar a uma nova gera\u00e7\u00e3o de espectadores a obra de Heitor dos Prazeres, ela desejava fazer um paralelo com o momento atual da arte contempor\u00e2nea brasileira, no qual quest\u00f5es sociais e relacionadas \u00e0 di\u00e1spora africana est\u00e3o no centro do debate.<\/p>\n<p class=\"p1\">&#8211; Al\u00e9m de ser apaixonada por seu trabalho, achava necess\u00e1rio fazer um recorte de sua produ\u00e7\u00e3o agora, para coloc\u00e1-lo em di\u00e1logo com artistas da nova gera\u00e7\u00e3o, como o Dalton Paula, o Arjan Martins, o Maxwell Alexandre. Ele foi pioneiro em tudo, foi o primeiro artista negro a ser premiado numa Bienal, em 1951, ao lado do (su\u00ed\u00e7o) Max Bill &#8211; contextualiza Margareth. &#8211; Foi o artista que abriu este caminho, retratando essa modernidade negra, da transi\u00e7\u00e3o do rural para o urbano, das rodas de samba, do Brasil p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>Rala\u00e7\u00e3o com a moda<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">Entre os legados da mostra, est\u00e1 a restaura\u00e7\u00e3o da tela &#8220;Pra\u00e7a XV&#8221; (1965), da cole\u00e7\u00e3o Castro Maya, apresentada em 1966 no 1\u00b0 Festival Mundial de Artes Negras, em Dakar, e do figurino do Bal\u00e9 do IV Centen\u00e1rio de S\u00e3o Paulo (1954), criado pelo pintor. Al\u00e9m das pe\u00e7as exibidas ao p\u00fablico pela primeira vez no CCBB, outra indument\u00e1ria assinada por Heitor para a companhia de dan\u00e7a pode ser vista no Museu de Arte do Rio (MAR), na mostra &#8220;Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros&#8221;, que tem Raquel Barreto como uma das curadoras.<\/p>\n<p class=\"p1\">&#8211; Mostramos um pouco deste envolvimento dele com a moda, assinando o figurino do bal\u00e9, uma cole\u00e7\u00e3o de tecidos da Rhodia, al\u00e9m do fato de ser um homem muito elegante, que se vestia sempre de forma impec\u00e1vel &#8211; destaca Raquel.<\/p>\n<p class=\"p1\">Para a curadora, a obra de Heitor dos Prazeres faz um registro precioso da realidade da popula\u00e7\u00e3o negra do Brasil em seu tempo, mas de forma diferente de outros pintores modernos que se debru\u00e7avam sobre o tema, como Di Cavalcanti e Portinari.<\/p>\n<p class=\"p1\">&#8211; Um dos aspectos que a gente quis destacar foram as cenas que ele pintou da inf\u00e2ncia de crian\u00e7as negras. Isso era uma ideia muito nova, porque n\u00e3o existia durante a escravid\u00e3o, e no p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o essa inf\u00e2ncia era abreviada pela necessidade do trabalho &#8211; comenta Raquel. &#8211; E em v\u00e1rias telas com brincadeiras, vemos muito a imagem da pipa, do bal\u00e3o no c\u00e9u, o que traz uma ideia de liberdade.<\/p>\n<p class=\"p1\">Fonte: Veja &#8211; por Por Nelson Gobbi.<\/p>\n<p class=\"p1\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retrospectiva no CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, destaca perfil multim\u00eddia de Heitor dos Prazeres e a import\u00e2ncia hist\u00f3rica de sua obra. 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