{"id":25854,"date":"2024-06-13T14:11:33","date_gmt":"2024-06-13T14:11:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=25854"},"modified":"2024-06-13T14:11:33","modified_gmt":"2024-06-13T14:11:33","slug":"exposicao-individual-de-fani-bracher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/exposicao-individual-de-fani-bracher","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o individual de Fani Bracher"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 50%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-25854 gallery-columns-2 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-002.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-002-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-002-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-002-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-002-1020x1024.jpg 1020w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-002-768x771.jpg 768w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-002-1531x1536.jpg 1531w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-002-299x300.jpg 299w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-002.jpg 1701w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-001.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fani-Bracher-001-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p class=\"p1\">A Galeria Evandro Carneiro Arte, G\u00e1vea, Rio de Janeiro, RJ, anuncia a Exposi\u00e7\u00e3o Fani Bracher, que estar\u00e1 aberta ao p\u00fablico at\u00e9 29 de junho. A mostra apresenta 29 obras da artista cuja trajet\u00f3ria reflete uma profunda conex\u00e3o com as paisagens e a hist\u00f3ria de Minas Gerais. A individual apresentar\u00e1 quatro caixas-colagens, in\u00e9ditas ao p\u00fablico, 14 grandes telas datadas em diversas fases e algumas gravuras feitas a partir de pigmentos e bordados sobre papel. Cada pe\u00e7a reflete a dedica\u00e7\u00e3o de Fani Bracher em explorar e reinterpretar as paisagens de Minas Gerais, oferecendo ao p\u00fablico uma vis\u00e3o \u00fanica e po\u00e9tica do territ\u00f3rio mineiro. A curadoria \u00e9 de Evandro Carneiro.<\/p>\n<p class=\"p1\">Fani Bracher \u00e9 conhecida por reduzir a paisagem \u00e0 sua estrutura m\u00ednima, utilizando c\u00e9u, montanhas e \u00e1rvores como elementos centrais de sua composi\u00e7\u00e3o. Sua obra reflete a temporalidade e a hist\u00f3ria de Minas Gerais, frequentemente abordando as cicatrizes deixadas pela minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Durante a pandemia, Fani Bracher explorou novas dimens\u00f5es crom\u00e1ticas, inspirada pela delicadeza da chita e pela mem\u00f3ria da casa verde de sua inf\u00e2ncia. Este per\u00edodo resultou em murais vibrantes e em uma s\u00e9rie de caixas-colagens que utilizam materiais naturais como pigmentos, pedras, folhas e carv\u00e3o, coletados em suas caminhadas pelos vales de Ouro Preto.<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>Sobre a artista<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>Paisagens imagin\u00e1rias e mem\u00f3rias da minera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">Fani Bracher nasceu em uma Fazenda Experimental de Coronel Pacheco, Zona da Mata Mineira, onde seu pai era pesquisador da Embrapa. Cresceu feliz e passou sua primeira inf\u00e2ncia bem vivida, no campo e em fam\u00edlia. Percebe-se a\u00ed uma ancestralidade rural e ligada \u00e0s pesquisas do solo que retomaremos adiante, ao comentar a sua pintura. Aos nove anos, foi estudar no col\u00e9gio interno Santa Catarina, em Juiz de Fora. Aos 17, cursou Comunica\u00e7\u00e3o na Federal dessa mesma cidade, onde conheceu o seu companheiro da vida inteira, Carlos Bracher. Em 1965, ainda namorados, Fani e Carlinhos &#8211; como o pintor \u00e9 chamado por sua amada &#8211; fundaram a Galeria Celina, que marcou culturalmente uma gera\u00e7\u00e3o de artistas e intelectuais mineiros. Em 1967 pintou seus primeiros quadros, paisagens rurais. No ano seguinte, ela e Bracher se casam e ele recebe o Pr\u00eamio de Viagem ao Estrangeiro pelo Sal\u00e3o de Belas Artes. Juntos, seguem para a Europa, l\u00e1 vivendo por dois anos, principalmente entre Portugal e Fran\u00e7a, mas conhecendo outros lugares e sempre antenados \u00e0s artes. Visitam todos os museus e fortalecem a rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em seu retorno ao Brasil, decidem viver em Ouro Preto, MG, e ali estabelecem resid\u00eancia, fam\u00edlia e la\u00e7os culturais. Parceiros na vida e em suas obras, constroem juntos uma bonita jornada. O casal teve duas filhas, Blima e Larissa, entre 1972 e 1976 e alguns anos mais tarde, j\u00e1 maduros artisticamente e av\u00f3s de Valentim, fundaram um centro cultural que dirigem at\u00e9 hoje: o Ateli\u00ea Casa Bracher. Nos anos 1970, Fani conseguiu conciliar a fam\u00edlia com uma carreira de sucesso. Mulher forte, &#8220;espartana&#8221; como ela mesma se define, seguiu estudando, produzindo e participando de Festivais de inverno, Sal\u00f5es e Concursos Nacionais de Artes Pl\u00e1sticas, chegando a ganhar alguns pr\u00eamios, at\u00e9 realizar, em 1977, as suas primeiras exposi\u00e7\u00f5es individuais, respectivamente em Vi\u00e7osa e Juiz de Fora. Da\u00ed em diante n\u00e3o parou de produzir, expor seu trabalho em diversas mostras e receber premia\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma trajet\u00f3ria art\u00edstica t\u00e3o rica e volumosa que n\u00e3o caberia reproduzi-la no espa\u00e7o gr\u00e1fico deste folder. Ainda assim, destaco alguns marcos, sem com isso desmerecer quaisquer outros eventos: as exposi\u00e7\u00f5es na Galeria Oscar Ser\u00e1phico, DF, 1979; na Galeria Bonino, RJ, 1982, 84, 85 e 88; no CCBB, RJ, 1996; Cynthia Bourne Gallery, Londres, 1996; Latin American Women, Miami, 1998; Galeria Errol Flynn, BH, 2005; Museu da Rep\u00fablica, DF, 2007; Os Bracher, Juiz de Fora, 2015, dentre tantas outras. Al\u00e9m dos Pr\u00eamios Jabuti de 1995 e Fernando Pini de Excel\u00eancia Gr\u00e1fica pelo livro do qual extra\u00edmos as cita\u00e7\u00f5es usadas aqui nesse texto. O conjunto de sua obra se evidencia na quantidade de coletivas de que participou e a sua qualidade espartana se mostra no volume de trabalho realizado e exposto. E tamb\u00e9m na robustez formal de sua pintura. Frederico Morais escreveu que a Fani &#8220;reduz a paisagem a sua estrutura m\u00ednima: c\u00e9u, montanhas, \u00e1rvores&#8221; e que ela &#8220;secciona as montanhas em planos para formar a estrutura espacial da composi\u00e7\u00e3o, planim\u00e9trica, ou, ao contr\u00e1rio, para indicar uma vis\u00e3o em movimento, a passagem do tempo&#8221; (Morais. In: Fani Bracher, Ed. Salamandra, 1994, p.10). Eu diria: o tempo hist\u00f3rico das Minas Gerais. Fani reside e trabalha onde escolheu viver: o quadril\u00e1tero ferr\u00edfero mineiro, na hist\u00f3rica Vila Rica (como Ouro Preto era chamada no auge do ciclo do ouro). No document\u00e1rio que sua filha dirigiu sobre a artista, ela confessou que o &#8220;\u00f3xido de ferro se tornou alimento&#8221; para a sua obra. Declarou tamb\u00e9m que &#8220;a cor da terra me faz bem, eu gosto, \u00e9 algo que me enche a alma&#8221; (Blima Bracher. A casa verde de todas as cores, 2021). Essa afinidade se d\u00e1 tanto porque ela pesquisa o solo das montanhas nos arredores de Ouro Preto, percorrendo as suas fendas e seus vales e riachos, em busca de pedras terrosas de que extrai os pigmentos com que pinta, como tamb\u00e9m porque ela expressa mem\u00f3rias inconfidentes das cicatrizes hist\u00f3ricas da minera\u00e7\u00e3o. O quadril\u00e1tero ferr\u00edfero \u00e9 justo ali onde a terra brasilis foi mais ferida pelo extrativismo mineral, desde os tempos coloniais at\u00e9 os dias de hoje. A regi\u00e3o \u00e9 continuamente cortada, mutilada e deformada. In\u00fameros cumes montanhosos desapareceram, como \u00e9 o caso do Monte Itabirito, entre tantos outros. Essa viol\u00eancia calada que a paisagem sofre n\u00e3o passa desapercebida pelas lentes de Fani Bracher. Fendas e crateras, solos sangrentos do vermelho ferroso, adobes terrosos e nuvens cinzas ou pretas que s\u00e3o quadradas de t\u00e3o pesadas pela evapora\u00e7\u00e3o oxidada da minera\u00e7\u00e3o, ossos de animais que j\u00e1 morreram&#8230; Paisagens que, como bem disse Morais &#8220;s\u00e3o um epit\u00e1fio e um alerta&#8221; (Idem, p.11).<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>O tempo transcorrido na cronologia das Minas Gerais.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">Em sua obra, Fani faz cortes sincr\u00f4nicos desse continuum e expressa uma paisagem enigm\u00e1tica que algumas vezes tamb\u00e9m \u00e9 imagin\u00e1ria, arquet\u00edpica, cheia de s\u00edmbolos, conforme destacou Ronald Polito (In: Fani Bracher, 1994, p. 128). &#8220;Quadros que s\u00e3o, a um s\u00f3 tempo, paisagens e incurs\u00f5es abstratas (nunca abstracionistas) sobre as rela\u00e7\u00f5es entre os estados de volume, densidade e alturas&#8221; (Idem, p.129). Obras que, tamb\u00e9m segundo este cr\u00edtico, s\u00e3o quase esfinges pict\u00f3ricas. Na reclus\u00e3o da pandemia, em Piau, ber\u00e7o materno de sua fam\u00edlia, Fani se abriu \u00e0s cores. Segundo ela, talvez tenha sido devido \u00e0 delicadeza pl\u00e1stica da chita, material com que estava trabalhando em bordados e panneaux quando a epidemia nos assolou. Tomou gosto por essa leveza colorida e fez de sua casa um museu a c\u00e9u aberto com 18 murais de 3&#215;4 metros. A &#8220;casa verde&#8221; da sua inf\u00e2ncia foi ressignificada com &#8220;todas as cores&#8221; pela pintora que sempre privilegiou os tons cinzas, ocres e terrosos em suas telas. A mesma doce e forte Fani Bracher que pinta sobre a mesa e n\u00e3o usa cavalete, que produz seus pr\u00f3prios pigmentos com pedras terrosas que ela mesma vai buscar nas montanhas, em pesquisas geol\u00f3gicas e mem\u00f3rias remanescentes de seu querido pai. Fani nos diz que &#8220;o quadro quando \u00e9 bom, ele vai na frente, se encaminha&#8221; (Live com Fani Bracher, Ateli\u00ea Casa Bracher, 2021). Isso explica porque em sua obra, sejam em paisagens rurais, ossos, flores ou montanhas, as diferentes fases v\u00e3o se avolumando sem nega\u00e7\u00e3o; ela concilia e agrega uma \u00e0 outra. Sua pintura \u00e9 contundente demais, pela express\u00e3o da historicidade de que falamos antes, mas, principalmente, pela est\u00e9tica de cada pe\u00e7a e do conjunto de sua produ\u00e7\u00e3o, un\u00edssona e diversa a um s\u00f3 tempo. Atualmente atingiu o \u00e1pice da for\u00e7a tel\u00farica de sua obra, fazendo &#8220;caixas-colagens&#8221; com pigmentos, pedras, folhas, carv\u00e3o, e terras em seus diferentes tons&#8230; Material que encontra em suas andan\u00e7as pelos vales e leva para dar forma em seu ateli\u00ea. H\u00e1 quatro delas nesta mostra, al\u00e9m de 14 grandes telas de diferentes datas e algumas gravuras, feitas a partir de pigmentos e bordados sobre papel. Vinte e nove trabalhos \u00e0 venda para serem contemplados na exposi\u00e7\u00e3o de 13 a 29 de junho na Galeria Evandro Carneiro.<\/p>\n<p class=\"p1\">Laura Olivieri Carneiro, maio de 2024.<\/p>\n<p class=\"p1\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Galeria Evandro Carneiro Arte, G\u00e1vea, Rio de Janeiro, RJ, anuncia a Exposi\u00e7\u00e3o Fani Bracher, que estar\u00e1 aberta ao p\u00fablico at\u00e9 29 de junho. 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