{"id":29068,"date":"2025-09-02T16:44:42","date_gmt":"2025-09-02T16:44:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=29068"},"modified":"2025-09-02T16:44:42","modified_gmt":"2025-09-02T16:44:42","slug":"mam-sao-paulo-encontra-instituto-tomie-ohtake","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/mam-sao-paulo-encontra-instituto-tomie-ohtake","title":{"rendered":"MAM S\u00e3o Paulo encontra Instituto Tomie Ohtake."},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 50%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-29068 gallery-columns-2 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Tarik-0001.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Tarik-0001-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Tarik-000.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Tarik-000-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Se os lugares importam, deslocar-se \u00e9 se transformar \u2013 sem, no entanto, apagar os rastros do que j\u00e1 se foi. A arte, nesse contexto, \u00e9 um campo privilegiado para apreender as camadas de tradu\u00e7\u00e3o, opacidade, atrito e reinven\u00e7\u00e3o que marcam o movimento de pessoas, formas e hist\u00f3rias. Foi com esse olhar que se iniciou a colabora\u00e7\u00e3o entre o Instituto Tomie Ohtake e o Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo (MAM S\u00e3o Paulo), num momento em que a cole\u00e7\u00e3o do museu paulista se coloca em circula\u00e7\u00e3o pela cidade e enquanto o Instituto Tomie Ohtake preparava uma exposi\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 obra de \u00c9douard Glissant. Logo come\u00e7amos a conversar sobre o quanto a cole\u00e7\u00e3o do MAM S\u00e3o Paulo carrega marcas da demografia heterog\u00eanea do pa\u00eds e de sua maior metr\u00f3pole; sobre como a hist\u00f3ria de nossas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 definida por tr\u00e2nsitos e muta\u00e7\u00f5es; e sobre como tanto modernidade quanto contemporaneidade est\u00e3o imbu\u00eddas de legados de trocas e disputas entre territ\u00f3rios, linguagens e pessoas. Glissant usava a express\u00e3o aqui-l\u00e1 para sublinhar que &#8220;aqueles que est\u00e3o aqui v\u00eam sempre de um &#8220;l\u00e1&#8221;, da vastid\u00e3o do mundo&#8221;. Seu foco era afirmar que cada pessoa e comunidade carregam rastros de outras paisagens, l\u00ednguas e culturas, e que por isso nenhum lugar \u00e9 homog\u00eaneo ou pode ser compreendido como uma unidade coerente. Para o poeta, ao contr\u00e1rio do que alguns afirmam, a diversidade resultante dos movimentos entre territ\u00f3rios enriquece a experi\u00eancia dos lugares, colocando-os em rela\u00e7\u00e3o com todas as l\u00ednguas e lugares do mundo. Partindo dessa premissa, a exposi\u00e7\u00e3o prop\u00f5e um exerc\u00edcio de escuta e aproxima\u00e7\u00e3o, em que as obras da cole\u00e7\u00e3o do MAM s\u00e3o reunidas a partir do cruzamento de rastros &#8211; ora em resson\u00e2ncia, ora em desvio. Mais do que ilustrar deslocamentos, as obras os incorporam como mat\u00e9ria, gesto e pensamento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A exposi\u00e7\u00e3o se estrutura em dois n\u00facleos, distribu\u00eddos em salas distintas, cada qual tensionando, \u00e0 sua maneira, os modos de estar no mundo a partir da experi\u00eancia do deslocamento e da rela\u00e7\u00e3o com o outro. As obras presentes no espa\u00e7o entre as salas introduzem algumas formas fundamentais dessa tens\u00e3o: o texto, o mapa, e o isolamento. A primeira sala re\u00fane obras marcadas por travessias f\u00edsicas e simb\u00f3licas &#8211; migra\u00e7\u00f5es, di\u00e1sporas, ex\u00edlios, deslocamentos volunt\u00e1rios ou for\u00e7ados, externos ou internos. Essas obras n\u00e3o apenas tematizam o movimento, mas o incorporam em suas mat\u00e9rias, gestos e constru\u00e7\u00f5es formais. Elas apontam para as din\u00e2micas geopol\u00edticas, afetivas e institucionais que moldam quem pode ou n\u00e3o circular, permanecer ou retornar. Aqui, o deslocar-se \u00e9 compreendido como experi\u00eancia complexa, feita de perdas, reinven\u00e7\u00f5es e resist\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A segunda sala se volta para as tens\u00f5es entre corpo, territ\u00f3rio e identidade. Re\u00fane obras que elaboram, por meio de imagens, superf\u00edcies e s\u00edmbolos, processos de afirma\u00e7\u00e3o individual e coletiva &#8211; modos de inscrever a presen\u00e7a em contextos marcados por silenciamento, normatividade ou viol\u00eancia. Essas obras n\u00e3o se pretendem fixas ou ilustrativas: tratam de negocia\u00e7\u00f5es sempre em curso, onde o corpo se torna lugar de disputa e de cria\u00e7\u00e3o de sentido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Cada uma dessas salas \u00e9 orientada por uma obra que, em sua forma, j\u00e1 enuncia a instabilidade das fronteiras. Em uma, a multiplicidade de bandeiras de diferentes cidades brasileiras, de um mesmo estado, revela o car\u00e1ter fragmentado e imaginativo dos signos c\u00edvicos que organizam o espa\u00e7o nacional. Em outra, os retratos de pessoas em condi\u00e7\u00e3o migrante &#8211; vendedores ambulantes que falam outras l\u00ednguas, portam outros gestos, e vivem a precariedade de quem n\u00e3o p\u00f4de permanecer onde pertencia &#8211; tornam vis\u00edvel uma face cotidiana e estrutural da exclus\u00e3o. Essas duas entradas n\u00e3o apenas introduzem os n\u00facleos da exposi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m operam como dispositivos de leitura que colocam em rela\u00e7\u00e3o o que se ver\u00e1 a seguir: deslocamentos e afirma\u00e7\u00f5es, mapas e corpos, simetrias e tens\u00f5es, aus\u00eancias e resist\u00eancias. Ao caminhar entre as salas, o visitante \u00e9 convidado a perceber como a arte &#8211; e as cole\u00e7\u00f5es &#8211; podem se tornar campos sens\u00edveis, em que ecos do &#8220;l\u00e1&#8221; se inscrevem no &#8220;aqui&#8221;, e onde o entre-lugar se faz espa\u00e7o de sentido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ana Roman, Cau\u00ea Alves, Gabriela Gotoda e Paulo Miyada, curadores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 02 de novembro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se os lugares importam, deslocar-se \u00e9 se transformar \u2013 sem, no entanto, apagar os rastros do que j\u00e1 se foi. 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