{"id":30786,"date":"2026-05-06T14:58:22","date_gmt":"2026-05-06T14:58:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=30786"},"modified":"2026-05-06T14:58:48","modified_gmt":"2026-05-06T14:58:48","slug":"comigo-ninguem-pode","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/comigo-ninguem-pode","title":{"rendered":"Comigo ningu\u00e9m pode."},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-30786 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comigo-Bienal-0000.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comigo-Bienal-0000-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comigo-Bienal-0001.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comigo-Bienal-0001-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comigo-Bienal-0002.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comigo-Bienal-0002-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Comigo ningu\u00e9m pode \u00e9 o nome, em portugu\u00eas, da Dieffenbachia, uma das plantas mais comuns nas casas brasileiras, escolhida como s\u00edmbolo de prote\u00e7\u00e3o espiritual. A ambiguidade e o sincretismo do termo original, que tamb\u00e9m se tornou um ditado popular, podem ser interpretados como &#8220;Ningu\u00e9m pode me domar&#8221;, &#8220;Ningu\u00e9m pode me derrotar&#8221; ou at\u00e9 mesmo &#8220;N\u00e3o me desafie!&#8221;, em alus\u00e3o \u00e0 toxicidade da planta. Na evoca\u00e7\u00e3o espacial de &#8220;Comigo ningu\u00e9m pode&#8221;, a mostra coloca em di\u00e1logo duas artistas contempor\u00e2neas engajadas na reescrita performativa das hist\u00f3rias coloniais: Rosana Paulino (S\u00e3o Paulo, 1967) e Adriana Varej\u00e3o (Rio de Janeiro, 1964). Juntos, seus trabalhos abrem a possibilidade de perceber o transcendente no vis\u00edvel.<\/p>\n<p>Comigo ningu\u00e9m pode reflete sobre a manifesta\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e da espiritualidade na cultura brasileira, destacando sua estreita rela\u00e7\u00e3o com a natureza e com dimens\u00f5es al\u00e9m do humano. O projeto prop\u00f5e um visceral jogo de perguntas e respostas sobre como espiritualidade e natureza s\u00e3o capazes de gerar um imagin\u00e1rio p\u00fablico que, ao reescrever a hist\u00f3ria, reconstr\u00f3i os muros da mem\u00f3ria e ressignifica as ru\u00ednas e feridas coloniais por meio de seres fant\u00e1sticos e m\u00e1gicos. Por meio de obras novas e hist\u00f3ricas, a exposi\u00e7\u00e3o apresenta uma realidade que desafia o racionalismo universal e os percursos predeterminados moldados pelo capital racial global.<\/p>\n<p>Situada entre o tempo em espiral e as ondas tumultuosas propostas por Varej\u00e3o, a mostra inclui a instala\u00e7\u00e3o difusa Aracnes (1996-2026), de Paulino, um muro de concreto inacabado no qual habita uma fr\u00e1gil rede de fios intercalados por fotografias impressas de corpos subjugados. Esta \u00e9 envolvida por Still Life amid Ruin (Natureza-morta em meio \u00e0 ru\u00edna) (2026), de Varej\u00e3o, uma escultura pintada que exp\u00f5e noventa metros lineares de transmuta\u00e7\u00e3o voluptuosa: por meio de uma t\u00e1tica barroca que a artista desenvolve desde os anos 1980, o concreto torna-se carne, ouro; a madeira torna-se cer\u00e2mica, que se transforma em solo e planta. Essas metamorfoses constituem Comigo ningu\u00e9m pode (2026), desenho de Paulino que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 mostra.<\/p>\n<p>A longa tradi\u00e7\u00e3o da cer\u00e2mica brasileira n\u00e3o apenas d\u00e1 forma \u00e0s tecel\u00e3s de Paulino, entrela\u00e7adas com ninfas e casulos, mas tamb\u00e9m sustenta os motivos de flores-flechas e o gesso seco sobre tela deixado por Varej\u00e3o ao longo do tempo, criando fissuras que atravessam a hist\u00f3ria, os azulejos e os anjos. Suspensos no alto, parecem flutuar e despencar do c\u00e9u de concreto, tumultuado e moderno. Figuras amb\u00edguas, s\u00e3o testemunhas das experi\u00eancias de terror suturadas pelo passado colonial em Varej\u00e3o, com Paisagem canibal (2003), e em Paulino, com Atl\u00e2ntico vermelho (2026). Ambas tamb\u00e9m observam uma mulher transformar-se em b\u00fafala e perturbam a grade do c\u00e2none ocidental ao dialogar com Une petite mort (2005), de Varej\u00e3o. Juntamente com as muitas outras composi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis presentes nesta exposi\u00e7\u00e3o, a cena recorrente de mulheres negras reduzidas a estere\u00f3tipos ativa uma experi\u00eancia regenerativa, enquanto representa\u00e7\u00e3o das veias, sementes e ra\u00edzes da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Diane Lima, curadora.<\/p>\n<p>De 09 de maio\u2009at\u00e9 \u200922 de novembro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comigo ningu\u00e9m pode \u00e9 o nome, em portugu\u00eas, da Dieffenbachia, uma das plantas mais comuns nas casas brasileiras, escolhida como s\u00edmbolo de prote\u00e7\u00e3o espiritual. 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