{"id":3637,"date":"2013-08-29T13:54:51","date_gmt":"2013-08-29T13:54:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=3637"},"modified":"2013-08-30T17:57:38","modified_gmt":"2013-08-30T17:57:38","slug":"a-arte-de-pietrina-checcacci","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/a-arte-de-pietrina-checcacci","title":{"rendered":"A arte de Pietrina Checcacci"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-3637 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Pietrina3.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Pietrina3-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Pietrina2.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Pietrina2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/FOTO-ANDRE-TELLES-5531.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/FOTO-ANDRE-TELLES-5531-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/FOTO-ANDRE-TELLES-5531-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/FOTO-ANDRE-TELLES-5531-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/FOTO-ANDRE-TELLES-5531-299x300.jpg 299w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/FOTO-ANDRE-TELLES-5531-500x500.jpg 500w, https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/FOTO-ANDRE-TELLES-5531.jpg 599w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u201cPietrina Checcacci \u2013 Nuvem\u201d est\u00e1 em cartaz na <strong>Galeria BNDES<\/strong>, Centro Rio de Janeiro, RJ. Trata-se de um momento singular na carreira da artista que, atrav\u00e9s desta exposi\u00e7\u00e3o, exibe uma panor\u00e2mica de seus trabalhos distribu\u00eddos entre pinturas, desenhos e esculturas. Desde o in\u00edcio de sua vida profissional a artista manteve o corpo humano como signo referencial de sua obra e o momento atual \u00e9 uma reflex\u00e3o absoluta sobre seus \u00faltimos trabalhos cujo t\u00edtulo claramente indica ser uma passagem, uma nova fase, seja de balan\u00e7o e\/ou novos caminhos pict\u00f3ricos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A palavra da artista<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fazem 6 anos desde a \u00faltima exposi\u00e7\u00e3o que fiz no Rio de Janeiro na qual completei o meu depoimento ao mundo em 50 anos de labor. O tema principal e sempre: o ser humano: vida\/morte \u2013 prazer \/dor. Desde 2012, gra\u00e7as \u00e0 casualidade m\u00e1gica que impulsiona os artistas, comecei a trabalhar em branco e preto numa sequ\u00eancia que chamo NUVEM. E como nuvens seguiam aleat\u00f3rias na dire\u00e7\u00e3o que elas exigiam, al\u00e9m de qualquer racionalidade. Deixei que me levassem aonde quisessem ir. S\u00f3 agora descobri que com elas debrucei-me sobre os 55 anos do meu trabalho de arte onde coer\u00eancia, liberdade e meticulosos cuidados artesanais foram a diretriz. O que fa\u00e7o necessita de sil\u00eancio e solid\u00e3o para germinar refletir e comentar o mundo: tarefa da arte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto de Andr\u00e9 Seffrin<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A T\u00daNICA INCONS\u00daTIL DE PIETRINA CHECCACCI<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas sucessivas s\u00e9ries de pinturas, serigrafias, esculturas ou m\u00faltiplos de Pietrina Checcacci nos defrontamos com a bela alian\u00e7a entre dom\u00ednio t\u00e9cnico e arte de amar, algo lim\u00edtrofe ao que Carlos Drummond de Andrade soube dizer, e com ironia subjacente, no poema \u201cA paix\u00e3o medida\u201d. Paix\u00e3o sensual que, em Pietrina, pode eventualmente transformar-se em visceral e ag\u00f4nica, nesse caso mais pr\u00f3xima talvez da poesia de Jorge de Lima. O que equivale a dizer que a obra pl\u00e1stica de Pietrina se desenvolve \u00e0s vezes em \u00e1guas turbulentas, em territ\u00f3rios eruptivos, em espa\u00e7os de inesperados e rec\u00f4nditos esplendores. N\u00e3o por acaso, como se pode concluir, seu universo se mant\u00e9m t\u00e3o pr\u00f3ximo da poesia e dos poetas. E ao erigir corpo e cidade numa \u00fanica e v\u00e1ria paisagem metaf\u00edsica, Pietrina acaba por assumir um caminho n\u00e3o s\u00f3 est\u00e9tico mas tamb\u00e9m \u00e9tico, \u00e0 beira das tantas descobertas cient\u00edficas que em medidas iguais nos fascinam e fragilizam. Em cada linha ou escala crom\u00e1tica, em cada sugest\u00e3o aleg\u00f3rica ou simplesmente jocosa, Pietrina cria suas formas profusas que ora se auto-referem, ora se desdobram a partir de uma \u00fanica proposta, de mem\u00f3ria ancestral e labor obsessivo. Nos rastros de um t\u00edtulo famoso de Roland Barthes, \u00e9 como se o artista andasse sempre e sem descanso em busca dos fragmentos de um discurso amoroso. Varia\u00e7\u00f5es sobre o mesmo tema que, ao longo dos anos, cambiantes e crescentes, mantiveram-na incorrupt\u00edvel e adepta de uma arte realizada sem amarras, medos ou eventuais fugas. E \u00e9 claro que esse universo bem nutrido e din\u00e2mico, impulsionado pela raiz dos s\u00edmbolos do viver, do amar e do criar, \u00e9 seara de poucos artistas. Agora, em outro desdobramento n\u00e3o menos tel\u00farico de sua vast\u00edssima obra, e como antes, na s\u00e9rie \u201cA cria\u00e7\u00e3o hoje\u201d, de 2007, Pietrina novamente evoca nossa g\u00eanese de modo um tanto ins\u00f3lito e inquietante.\u00a0 Como na s\u00e9rie anterior de tenu\u00edssimas rosas ou rostos estranhos, o acento dram\u00e1tico se tornou mais impactante. Vultos suspensos em sombras uterinas, seres semoventes em improv\u00e1vel solid\u00e3o, in\u00edcio e fim de retorcidos p\u00e9riplos terrestres. E aqui a aproxima\u00e7\u00e3o se d\u00e1 com um dos t\u00edtulos seminais de outro grande poeta, Cec\u00edlia Meireles \u2013 Solombra. Sol e sombra ou, quem sabe, o inomin\u00e1vel. Como se, ao se afastar um pouco da sensualidade e do erotismo que a notabilizaram nos anos 70 e 80, Pietrina de repente se defrontasse com um mundo mais \u00e1spero e enigm\u00e1tico. E \u00e9 mesmo um mundo estranho \u00e0s festas humanas que se entremostra nestas telas cheias de luz e sombra. Como tatuagens de um inframundo, sem antes e sem depois, \u00e0 merc\u00ea do acaso, esvaindo-se em dist\u00e2ncias. Diz Cec\u00edlia: \u201cH\u00e1 mil rostos na terra: e agora n\u00e3o consigo recordar um sequer\u201d. Um mundo de ess\u00eancias e pouca transpar\u00eancia, que n\u00e3o se sabe dentro ou fora, e sem nenhum conforto. Como se deu no final da s\u00e9rie \u201cRosas\u201d, em 2009, o DNA como reflexo ou duplicidade (espelhos l\u00edquidos), poss\u00edveis fetos ou nuvens sugerindo a anatomia humana, arco-\u00edris ou amebas, tudo sem os v\u00e9us da alegoria, esp\u00e9cie de err\u00e2ncia amorosa ou catarse. No insulamento do corpo na paisagem, no seu ex\u00edlio, temos o sangue que se faz bruma e sombra. Ventres, \u00f3vulos, montanhas, \u00e1guas, panos, frutos, planetas, estrelas, pulsa\u00e7\u00f5es celestes, sem princ\u00edpio nem fim. Preponderam o preto e o branco nestas inesperadas nebulosas, formas primordiais do cosmos ou da g\u00eanese humana, amplamente analisada ou sugerida em tudo que Pietrina comp\u00f4s desde sempre. Vermelho sangu\u00edneo, negro e cinza s\u00e3o cores estabilizadas em suas incessantes mobilidades pl\u00e1sticas, desde os recortes de corpo fossilizados do final dos anos 70 ou mesmo antes, desde a fase Evaterra, por volta de 1973. No come\u00e7o foi o pop, o \u00e2nimo fotogr\u00e1fico, a vincula\u00e7\u00e3o a um certo expressionismo, e o breve comprometimento pol\u00edtico, habitado aqui e ali pelo l\u00fadico, o humor\u00edstico e at\u00e9 o kitch da cultura de massa que aos poucos desapareceu em favor de um denso comprometimento humano, pleno e soberano. E foi esse comprometimento humano que a encaminhou para uma exuberante (e exaltada) sensualidade er\u00f3tica ainda muito pouco estudada pela cr\u00edtica. Um mundo an\u00f4nimo (de corpos geralmente sem rosto) criado aos peda\u00e7os e que mais se revelou, a caminho da abstra\u00e7\u00e3o, no sinuoso de frestas, pregas e fossos, angulosidades, sugest\u00e3o de volumes que acabou por fim desembocando na tridimensionalidade. Em 1977, em entrevista a Antonio Hohlfeldt, Pietrina admitiu que existe em sua pintura um sentido escult\u00f3rico de massas e volumes, aquela \u201cinevit\u00e1vel dimens\u00e3o escult\u00f3rica\u201d que Roberto Pontual capturou em 1978. No entanto, aqui e agora, o artista alcan\u00e7a o grau zero de suas pesquisas, uma li\u00e7\u00e3o das cores de serenidade quase cruel. O t\u00eanue rosa, o cinza fugidio e certos azuis profundos da s\u00e9rie das rosas \u201cescandalosamente\u201d er\u00f3ticas j\u00e1 anunciavam delicadas superposi\u00e7\u00f5es de gal\u00e1xias, buracos negros, confins do universo que pulsam dentro de cada um de n\u00f3s, no que somos em nossos corpos e em nossa luz. Sim, como disse certa vez outro poeta, L\u00eado Ivo, \u201csomos corpos, somos os nossos corpos\u201d, seja nos longes da paisagem que se faz corpo ou no corpo que a sugere, \u00e0 flor da pele. Uma paisagem inaugural porque s\u00e3o inaugurais todas estas descobertas imediatamente transpostas ou traduzidas numa arte que se manifesta coesa, inteiri\u00e7a como um continuum vital, uma t\u00fanica incons\u00fatil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 18 de outubro.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u201cPietrina Checcacci \u2013 Nuvem\u201d est\u00e1 em cartaz na Galeria BNDES, Centro Rio de Janeiro, RJ. Trata-se de um momento singular na carreira da\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11,14],"tags":[1484,1489,1486,1487,1485,1488,1483],"class_list":["post-3637","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte-contemporanea","category-exposicoes","category-oparalelo","category-rio-de-janeiro","tag-andre-seffrin","tag-antonio-hohlfeldt","tag-carlos-drummond-de-andrade","tag-cecilia-meireles","tag-galeria-bndes","tag-ledo-ivo","tag-pietrina-checcacci"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3637","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3637"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3637\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3644,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3637\/revisions\/3644"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}