{"id":7600,"date":"2015-03-04T22:09:49","date_gmt":"2015-03-04T22:09:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=7600"},"modified":"2015-03-05T15:15:01","modified_gmt":"2015-03-05T15:15:01","slug":"tres-exposicoes-de-baravelli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/tres-exposicoes-de-baravelli","title":{"rendered":"Tr\u00eas exposi\u00e7\u00f5es de Baravelli"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 50%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-7600 gallery-columns-2 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Baravelli1.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Baravelli1-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Baravelli21.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Baravelli21-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta uma s\u00e9rie de exposi\u00e7\u00f5es do artista Luiz Paulo Baravelli. A primeira ser\u00e1 aberta no dia 07 de mar\u00e7o na unidade da galeria em Ribeir\u00e3o Preto, no mesmo dia o Instituto Figueiredo Ferraz apresenta a retrospectiva \u201cObjeto versus espa\u00e7o, abstra\u00e7\u00e3o versus empatia\u201d e a terceira exposi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 na unidade da galeria em S\u00e3o Paulo e acontecer\u00e1 no dia 11 de abril.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Texto do artista<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nEscrevo algumas notas a respeito da exposi\u00e7\u00e3o; notas soltas em vez de um texto corrido com come\u00e7o, meio e fim; principalmente porque n\u00e3o quero chegar ao fim!<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&#8211; Anedota (ap\u00f3crifa?): o pioneiro cineasta russo Serguei Eisenstein fazia filmes muito longos, com tr\u00eas, quatro horas de dura\u00e7\u00e3o. Quando os exibidores quiseram reduzi-los \u00e0s duas horas de praxe, Eisenstein reagiu: \u201cSe quiserem cortar meu filme, que cortem no sentido do comprido. S\u00f3 v\u00e3o ver meia tela de imagem, mas v\u00e3o ter a hist\u00f3ria toda!\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&#8211; Creio que a palavra \u201cretrospectiva\u201d significa um olhar para tr\u00e1s. Talvez tecnicamente esta exposi\u00e7\u00e3o seja isso, na medida em que inclui trabalhos dos \u00faltimos cinq\u00fcenta anos. Mas&#8230; estive lendo um pequeno livro que conta a trajet\u00f3ria de Piet Mondrian. Ele come\u00e7ou fazendo paisagens bem figurativas, l\u00e1 por 1908, 1909 e foi gradualmente simplificando, depurando, geometrizando e, passando pelas abstra\u00e7\u00f5es que conhecemos, chegou at\u00e9 a s\u00edntese de \u201cBroadway Boogie-Woogie\u201d, em 1943. Imagino que teria sido imposs\u00edvel para ele em 1943 voltar a fazer uma pintura figurativa como as de 1909, 34 anos antes.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nSem me comparar a ele, \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel que em 2015 eu, com naturalidade, volte a fazer uma pintura como a \u201cLuis XV\u201d, de 1966. Estes 49 anos de intervalo n\u00e3o tornam (para mim, pelo menos) esta pintura obsoleta, esta palavra que o Modernismo tornou terr\u00edvel. Com a no\u00e7\u00e3o retro assim em cheque, como se pode ent\u00e3o dar um nome a esta exposi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&#8211; \u201cSe uma coisa come\u00e7a, come\u00e7ou. Se come\u00e7ou, \u00e9 assim mesmo\u201d. (Gertrude Stein)<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&#8211; Durante estes cinquenta anos, trabalhei imerso em uma situa\u00e7\u00e3o onde todo mundo sabe tudo e ao mesmo tempo ningu\u00e9m sabe nada (eu inclusive). \u00c9 um exagero ret\u00f3rico, mas d\u00e1 para saber do que estou falando.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&#8211; Resumindo um texto de Christoph Asendorf: \u00c9 comum nos estudos de percep\u00e7\u00e3o mostrar \u00e0s pessoas o desenho em perspectiva isom\u00e9trica de um cubo. Como as arestas s\u00e3o paralelas a vista n\u00e3o consegue se decidir se ele \u00e9 c\u00f4ncavo ou convexo. Ver as duas situa\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo \u00e9 imposs\u00edvel. Diz ele: \u201cSe o cubo \u00e9 visto como convexo ele se torna um objeto (abstra\u00e7\u00e3o), se \u00e9 percebido como c\u00f4ncavo \u00e9 um espa\u00e7o (empatia).\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nObjeto versus espa\u00e7o, abstra\u00e7\u00e3o versus empatia pode ser uma porta dupla para entrar nesta exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&#8211; Trabalho \u00e0 noite porque \u00e9 quando a luz est\u00e1 do lado de dentro.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&#8211; Se h\u00e1 um personagem de fic\u00e7\u00e3o com o qual me identifico \u00e9 com a Sherazade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Para um visitante que n\u00e3o conhe\u00e7a meu trabalho esta exposi\u00e7\u00e3o pode trazer uma perplexidade. A variedade do trabalho \u00e9 enorme e, sem consultar as etiquetas, \u00e9 dif\u00edcil adivinhar as datas em que as obras foram feitas. Penso uma explica\u00e7\u00e3o que pode ser redutiva, mas serve para come\u00e7ar: l\u00e1 atr\u00e1s, no come\u00e7o da d\u00e9cada de 60 me propus a ter uma sensibilidade em vez de ter um m\u00e9todo.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nNaquela \u00e9poca predominava aqui o concretismo, com suas regras, rigores e tabus. Visitando as exposi\u00e7\u00f5es deles eu pensava : o que estes artistas fazem quando n\u00e3o est\u00e3o pintando? Ser\u00e1 que andam na rua, olham para as pessoas e as coisas? Por que isso n\u00e3o aparece no trabalho? Porque n\u00e3o enfrentam o mundo em sua riqueza e complexidade em vez de se confinar a uma clausura \u00e1rida e met\u00f3dica?<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nQuando completei 60 anos, a guisa de balan\u00e7o fiz uma lista de minhas influ\u00eancias e refer\u00eancias, artistas de todo tipo que vieram antes de mim e com os quais aprendi algo. Entre os trezentos e tantos nomes, Mill\u00f4r Fernandes, com seus aforismos enganosamente simples: \u201cLivre pensar \u00e9 s\u00f3 pensar\u201d, \u201cEnfim, um escritor sem estilo\u201d, etc. Li essas coisas ainda mo\u00e7o e adotei, porque me pareceu \u00f3bvio. E quando, juntamente com Fajardo, Nasser e Resende, conheci Wesley Duke Lee, em 1964, percebi nele uma atitude semelhante. Sem hesitar o nomeei meu mestre e os dois anos de estudos seguidos de outros de colabora\u00e7\u00e3o e amizade foram decisivos para que eu escolhesse meu caminho. Desisti do curso de arquitetura (desistimos, todos os quatro) porque a no\u00e7\u00e3o de liberdade e autonomia que Wesley emanava, me \u201ccondenou \u00e0 liberdade\u201d, para usar a frase de outra pessoa de minha lista. Quando, mais tarde, j\u00e1 na d\u00e9cada de 70 Fajardo, Nasser, Resende e eu fizemos a Escola Brasil nossa inten\u00e7\u00e3o foi colocar os alunos diariamente nesta situa\u00e7\u00e3o de liberdade informada e consciente.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nNo meu trabalho pessoal no atelier, como na Escola, liberdade n\u00e3o significa falta de crit\u00e9rio e que qualquer coisa valha. A liberdade significa tamb\u00e9m determinar o pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Assim consciente e deliberadamente restrinjo meu trabalho a desenho e pintura, que \u00e9 meu \u201csoft spot\u201d, a \u00e1rea onde me sinto confort\u00e1vel e eficiente. As experi\u00eancias em tr\u00eas dimens\u00f5es do in\u00edcio da carreira foram rareando porque percebi que as pe\u00e7as n\u00e3o resultavam escult\u00f3ricas, mas pict\u00f3ricas, como que pinturas e desenhos no espa\u00e7o. Esculturas s\u00e3o coisas, objetos s\u00f3lidos e concretos; percebi que o meu mundo \u00e9 o mundo impalp\u00e1vel da imagem, filha da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nLiberdade gera autonomia e isso tem um primeiro pre\u00e7o: o isolamento. N\u00e3o conhe\u00e7o outro artista que esteja fazendo um trabalho semelhante ao meu e assim prossigo sozinho. O segundo pre\u00e7o \u00e9 uma decorr\u00eancia: eu sou o assunto do meu trabalho.\u00a0 Dizendo assim parece cabotino e pretensioso, mas explico, com um exemplo: um rep\u00f3rter, vendo um fato qualquer, digamos um atentado terrorista, n\u00e3o pode ignor\u00e1-lo e vai relat\u00e1-lo com a maior objetividade poss\u00edvel evitando qualquer subjetividade. J\u00e1 um artista tem uma esp\u00e9cie de dupla personalidade: ele \u00e9 uma pessoa comum que coexiste no mesmo corpo com um artista, um \u2018percebedor\/fazedor residente\u2019. O artista vai tentar perceber se esse fato realmente atingiu a pessoa. Se for sens\u00edvel e honesto pode chegar \u00e0 conclus\u00e3o politicamente incorret\u00edssima que n\u00e3o est\u00e1 se importando a m\u00ednima com o atentado, mas que naquele mesmo dia foi tocado inexplicavelmente por outra coisa completamente diferente, a sombra que uma \u00e1rvore projetava no muro da casa e vai tratar disso. Ele n\u00e3o ignora o atentado, apenas percebe e deve ter a coragem de assumir que h\u00e1 um n\u00edvel acima do \u00f3bvio. Um artista n\u00e3o \u00e9 um rep\u00f3rter, n\u00e3o \u00e9 um divulgador de boas causas nem um designer que precisa atender a solicita\u00e7\u00e3o de um cliente. N\u00e3o tenho editor nem causas a defender e nem clientes, s\u00f3 minha sensibilidade. \u00c9 dif\u00edcil, \u00e0s vezes.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nS\u00e3o cinquenta anos dessa atitude que est\u00e3o \u00e0 mostra no Instituto Figueiredo Ferraz e nas duas unidades da Galeria Marcelo Guarnieri &#8211; Ribeir\u00e3o Preto e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nLuiz Paulo Baravelli, fevereiro, 2015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta uma s\u00e9rie de exposi\u00e7\u00f5es do artista Luiz Paulo Baravelli. 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