{"id":8605,"date":"2015-07-07T00:20:58","date_gmt":"2015-07-07T00:20:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=8605"},"modified":"2015-07-07T00:20:58","modified_gmt":"2015-07-07T00:20:58","slug":"guignard-no-mam-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/guignard-no-mam-sp","title":{"rendered":"Guignard no MAM-SP"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-8605 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Guignard-MAM.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Guignard-MAM-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Guignard-MAM2.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Guignard-MAM2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Guignard-MAM3.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Guignard-MAM3-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>O MAM-SP, Port\u00e3o 3, Parque do Ibirapuera, SP, apresenta a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Guignard &#8211; A mem\u00f3ria pl\u00e1stica do Brasil moderno&#8221;. A curadoria \u00e9 do cr\u00edtico de arte Paulo Sergio Duarte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>A palavra do curador<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nGuignard e o arquip\u00e9lago moderno no Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nUm dos f\u00e9rteis caminhos para se pensar a forma\u00e7\u00e3o da arte moderna no Brasil \u00e9 uma met\u00e1fora geol\u00f3gica. Imaginemos um arquip\u00e9lago em forma\u00e7\u00e3o, com ilhas de diferentes altitudes, umas mais elevadas, outras menos. Estamos bem antes de um territ\u00f3rio cont\u00ednuo, de um continente, como veremos se formar a partir dos anos 1950, com a assimila\u00e7\u00e3o das linguagens construtivas do segundo p\u00f3s-guerra, no qual as linguagens das obras promovem um intenso di\u00e1logo entre si, independentemente das rela\u00e7\u00f5es pessoais entre os artistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ideia do arquip\u00e9lago vem do car\u00e1ter idiossincr\u00e1tico das linguagens exploradas, j\u00e1 modernas, que, entretanto, n\u00e3o conversam umas com as outras, cada uma buscando seu pr\u00f3prio caminho. Poder\u00edamos pensar o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o desse arquip\u00e9lago com algumas ilhas j\u00e1 decididamente modernas, por exemplo, Almeida J\u00fanior (1851-1899), Castagneto (1851-1900), Eliseu Visconti (1866-1944), essas ilhas ir\u00e3o se multiplicar com Anita Malfatti (1889-1964), Tarsila do Amaral (1886-1973), Lasar Segall (1891-1957), Goeldi (1895-1961), Di Cavalcanti (1897-1976), Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), Ismael Nery (1900-1934), Pancetti (1902-1958), Candido Portinari (1903-1962), C\u00edcero Dias (1907-2003), entre tantos outros. Para o impulso multiplicador, teve papel importante, entre outros fatores, uma vontade de ser moderna, que aflige a cultura brasileira ao longo das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado e se consubstancia na Semana de Arte Moderna de 1922, em S\u00e3o Paulo. Trata-se, agora, n\u00e3o s\u00f3 de experi\u00eancias modernas isoladas \u2013 como os romances de Machado de Assis e Lima Barreto, ou a poesia dos simbolistas Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens \u2013, mas tamb\u00e9m de uma atitude de combate sistem\u00e1tico, conduzida por artistas, escritores e intelectuais, contra os valores acad\u00eamicos que ofereciam obst\u00e1culo \u00e0 modernidade. Entre as ilhas modernas desse arquip\u00e9lago, encontra-se uma de elevada altitude: a obra de Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo, RJ, 1896 \u2013 Belo Horizonte, MG, 1962).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O lirismo de Guignard \u00e9 \u00fanico em nossa modernidade. As paisagens e festas que muitas vezes fazem flutuar \u2013 numa atmosfera azul acinzentado, \u00e0s vezes muito escuro \u2013 edifica\u00e7\u00f5es, casas, igrejas, junto a bal\u00f5es, parecem expor uma fenomenologia do aparecimento, tal como os desenhos e monotipias de Mira Schendel, e as pinturas de Rothko. \u00c9 como se a arte flagrasse o momento em que as coisas surgem, antes mesmo de encontrarem seu lugar definitivo em um terreno. Os retratos de Guignard, juntamente com as paisagens, s\u00e3o outros cap\u00edtulos privilegiados da obra do artista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seriam muitos os retratos em que poder\u00edamos nos deter, mas os autorretratos, perseguidamente realizados ao longo de d\u00e9cadas, apontam para o l\u00e1bio leporino que, segundo seus bi\u00f3grafos, interferiu decisivamente em sua exist\u00eancia, particularmente, na vida amorosa. Mas, surpreendentemente, n\u00e3o se intrometeu na vida do educador. Guignard foi um grande formador de artistas, utilizando-se de gestos e da voz deformada pela defici\u00eancia; era capaz de ensinar e, de suas escolas, sa\u00edram grandes artistas, antes no Rio de Janeiro e, particularmente, na experi\u00eancia desenvolvida em Belo Horizonte, a partir de 1944, convidado pelo prefeito Juscelino Kubitschek. Das li\u00e7\u00f5es de Guignard, \u00e9 preciso lembrar aquelas do desenho, recordadas por um dos nossos maiores artistas, seu disc\u00edpulo Amilcar de Castro, sobre o uso do l\u00e1pis duro, o grafite seco que n\u00e3o permitia corre\u00e7\u00f5es. Errou, tem que assumir. E, segundo Amilcar, do desenho ensinado por Guignard, deriva toda sua obra escult\u00f3rica. N\u00e3o \u00e9 pouco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diz-se que sua obra \u00e9 decorativa; Matisse tamb\u00e9m foi um grande revolucion\u00e1rio decorativo. Agradar aos olhos, hoje, pode ser um pecado, mas, quando uma grande obra se emancipa na modernidade, trazendo prazer \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, e apresenta, com ela, momentos de reflex\u00e3o junto com o prazer de olhar, \u00e9 tudo de que precisamos. Aqui, ela est\u00e1 apresentada, com momentos de alguns de seus contempor\u00e2neos. Espera-se que o prazer de olhar seja acompanhado pelo gozo do pensar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Sergio Duarte<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A partir de 07 de julho.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O MAM-SP, Port\u00e3o 3, Parque do Ibirapuera, SP, apresenta a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Guignard &#8211; A mem\u00f3ria pl\u00e1stica do Brasil moderno&#8221;. 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