{"id":9289,"date":"2015-09-30T21:17:03","date_gmt":"2015-09-30T21:17:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/?p=9289"},"modified":"2015-09-30T21:17:03","modified_gmt":"2015-09-30T21:17:03","slug":"34o-panorama-no-mam-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/34o-panorama-no-mam-sp","title":{"rendered":"34\u00ba Panorama no MAM-SP"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-9289 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/10.-Panorama_MAM_Ave_Pe\u00e7a-l\u00edtica_Cole\u00e7\u00e3o-Museu-de-Arqueologia-e-Etnologia-da-UFPR_foto-Romulo-Fialdini.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/10.-Panorama_MAM_Ave_Pe\u00e7a-l\u00edtica_Cole\u00e7\u00e3o-Museu-de-Arqueologia-e-Etnologia-da-UFPR_foto-Romulo-Fialdini-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/4.-Panorama_Pinguim_Pe\u00e7a-l\u00edtica_Diabasio_colecao_MArquE-UFSC_foto-Karem-Kilim.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/4.-Panorama_Pinguim_Pe\u00e7a-l\u00edtica_Diabasio_colecao_MArquE-UFSC_foto-Karem-Kilim-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/8.-Panorama_MAM_Ave_Pe\u00e7a-l\u00edtica_colecao_MArquE-UFSC_foto-Romulo-Fialdini.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/8.-Panorama_MAM_Ave_Pe\u00e7a-l\u00edtica_colecao_MArquE-UFSC_foto-Romulo-Fialdini-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Destacar as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas tridimensionais de que se tem not\u00edcia, produzidas entre 4.000 e 1.000 anos A.C., no territ\u00f3rio que hoje \u00e9 o Brasil e propor uma experimenta\u00e7\u00e3o sobre como isso pode dialogar com a produ\u00e7\u00e3o nacional contempor\u00e2nea. Esse \u00e9 o mote do &#8220;34\u00ba Panorama da Arte Brasileira &#8211; da pedra da terra daqui&#8221;, mostra bienal do Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, Parque do Ibiorapuera, S\u00e3o Paulo, SP, com curadoria de Aracy Amaral, curadoria adjunta de Paulo Miyada e consultoria do arque\u00f3logo prof. Andr\u00e9 Prous.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para tra\u00e7ar um paralelo entre as esculturas pr\u00e9-hist\u00f3ricas encontradas em uma faixa que se estende no que hoje \u00e9 o sudeste do Brasil at\u00e9 o Uruguai e propor um di\u00e1logo atual, os curadores convidaram Berna Reale, Cao Guimar\u00e3es, Cildo Meireles, Erika Verzutti, Miguel Rio Branco e Pit\u00e1goras Lopes &#8211; seis artistas de gera\u00e7\u00f5es e regi\u00f5es diferentes e com pesquisas art\u00edsticas contrastantes. Os selecionados produzem trabalhos que conjecturam o Brasil e que s\u00e3o apresentados ao lado das cerca de 60 esculturas l\u00edticas em pedra polida exibidas pela primeira vez numa grande exposi\u00e7\u00e3o, que une o presente e o passado e agu\u00e7a a discuss\u00e3o sobre a arte nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ideia dos curadores \u00e9 trabalhar quest\u00f5es de territ\u00f3rio, paisagem e passagem do tempo, fazendo com que as esculturas arqueol\u00f3gicas atuem como n\u00facleo condutor da exposi\u00e7\u00e3o. Os artistas exercem s\u00e3o os interlocutores da ancestralidade ao mostrar a rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre passado e presente por meio das obras elaboradas, exclusivamente, para a mostra e feitas em diferentes suportes como v\u00eddeos, esculturas, fotografias, pinturas e instala\u00e7\u00f5es. O resultado revela um conte\u00fado visceral, tel\u00farico e eventual afinidade com os artefatos pr\u00e9-hist\u00f3ricos. \u201cAs preciosidades da nossa remota antiguidade s\u00e3o de indiscut\u00edvel per\u00edcia t\u00e9cnica, inventividade formal e coes\u00e3o estil\u00edstica e cultural\u201d, explica a curadora Aracy Amaral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O &#8220;34\u00ba Panorama da Arte Brasileira &#8211; da pedra da terra daqui&#8221; \u00e9 uma chance de projetar o horizonte po\u00e9tico e pl\u00e1stico de povos que lidaram com a passagem do tempo de maneira distinta da atitude &#8211; ora extrativista, ora desenvolvimentista &#8211; que predomina na ocupa\u00e7\u00e3o do Brasil desde o per\u00edodo colonial at\u00e9 hoje. Segundo estudos, as pe\u00e7as pr\u00e9-hist\u00f3ricas tinham utilidade religiosa e de ritual e foram encontradas em sambaquis (morros artificiais feitos de conchas) edificados h\u00e1 milhares de anos por sucessivas gera\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es costeiras chamadas de povos sambaquieiros. \u201cOs montes de conchas formam uma poderosa imagem de como construir rela\u00e7\u00f5es profundas com ideias de ancestralidade e de tempo, mas que, infelizmente, s\u00e3o tratados com indiferen\u00e7a pela maior parte dos pesquisadores e artistas brasileiros, um reflexo da desaten\u00e7\u00e3o que temos sobre nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u201d, comenta Paulo Miyada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sambaquis e povos sambaquieiros<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sambaquis s\u00e3o montes de conchas e valvas de moluscos criados pelo homem e encontrados ao redor do mundo em contextos e dimens\u00f5es variadas. Os sambaquis foram formados em intervalos que podiam durar mais de mil anos e crescer em altura e extens\u00e3o, chegando a ser altos como um pr\u00e9dio de seis andares e largos como um quarteir\u00e3o. Alguns serviam de base para habita\u00e7\u00e3o, cemit\u00e9rio ou centro cerimonial, enquanto outros ainda tinham fun\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas como habita\u00e7\u00e3o, ateli\u00eas de trabalho e s\u00edtio funer\u00e1rio. Embora pudessem reunir sepultamentos, os sambaquis perdiam refer\u00eancia a pessoas ou momentos espec\u00edficos para atuar como um monumento \u00e0 pr\u00f3pria ideia de ancestralidade. No Brasil h\u00e1 concentra\u00e7\u00f5es desse tipo de estrutura, com destaque para a faixa de, aproximadamente, mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o no litoral sul do pa\u00eds. \u00c9 a essa regi\u00e3o que est\u00e3o associados os chamados povos sambaquieiros que possu\u00edam raro dom para o trato do material do entorno e que manipulavam pedras com refinamento e precis\u00e3o. Ao longo de milhares de anos, essa povoa\u00e7\u00e3o produziu centenas de sambaquis, pe\u00e7as l\u00edticas, ferramentas e artefatos, mas sofreu gradual desaparecimento. Antes da chegada dos portugueses, novos grupos ind\u00edgenas, primeiro os G\u00eas e depois os belicosos tupis-guaranis conquistaram a regi\u00e3o da costa, trazendo novos costumes e cren\u00e7as. Hoje, sambaquis s\u00e3o preservados como patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico, mas at\u00e9 algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s eram utilizados como fonte para materiais de constru\u00e7\u00e3o. Nas desmontagens, objetos, ferramentas, artefatos e sepultamentos foram perdidos. Muitas das pe\u00e7as em exposi\u00e7\u00e3o foram descobertas em desmontes de fins extrativistas e removidas sem o registro arqueol\u00f3gico adequado. Agora, por lei, apenas escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas organizadas podem intervir nos sambaquis remanescentes. Foram registradas quase 300 esculturas de pedra ou de osso, mas dezenas desapareceram desde meados do s\u00e9culo XX. As pe\u00e7as preservadas s\u00e3o conservadas em museus, sendo que as maiores cole\u00e7\u00f5es est\u00e3o nas cidades de Joinville e Florian\u00f3polis (SC), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e centros de pesquisa em arqueologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Exposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Grande Sala apresenta dois vetores: o primeiro eixo contempla as cerca de 60 pe\u00e7as l\u00edticas exibidas em vitrines posicionadas longitudinalmente pelo espa\u00e7o expositivo. A maior parte dessas esculturas s\u00e3o de rochas magm\u00e1ticas, chamadas de diab\u00e1sios, e que eram produzidas por polimento e lascamento, trabalhadas com ajuda de \u00e1gua e areia e, por vezes, afiadas em pedras abrasivas. As pe\u00e7as prov\u00eam de diversas institui\u00e7\u00f5es como Museu de Arqueologia e Etnologia da USP; Museu Nacional, da UFRJ; Instituto de Ci\u00eancias Humanas, da UFPEL; Museu Arqueol\u00f3gico de Sambaqui de Joinville (MASJ); Museu de Arqueologia e Etnologia (MArquE) da UFSC; Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da UFPR; Museu do Homem do Sambaqui, de Florian\u00f3polis; al\u00e9m de Div. Museos y Patrimonio Dpto. Cultura e Museo de Arte Precolombino e Ind\u00edgena (MAPI), ambos do Uruguai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A outra parte da exposi\u00e7\u00e3o contempla as obras feitas, exclusivamente, para este Panorama e que s\u00e3o apresentadas numa ordem que remete ao passado distante e vai trazendo, aos poucos, o p\u00fablico de volta para o tempo atual. Introduzindo os visitantes ao universo dos povos sambaquieiros, a primeira obra exibida \u00e9 a do mineiro Cao Guimar\u00e3es, que viajou para o litoral de Santa Catarina para verificar os lugares em que antes existiam sambaquis. Sob um viaduto de Florian\u00f3polis, Cao encontrou um solo coberto de conchas, ostras e berbig\u00f5es. N\u00e3o era um sambaqui envolto pela urbaniza\u00e7\u00e3o, mas um terreno ocupado por trabalhadores que passam o dia separando moluscos das valvas. O artista criou uma fabula\u00e7\u00e3o sobre o lugar e a rela\u00e7\u00e3o com o tempo e a paisagem. As imagens atuais foram articuladas em um v\u00eddeo que atravessa tempos distintos do mesmo territ\u00f3rio somado a material de arquivo de monumentos mexicanos que, juntos, formam o v\u00eddeo-ensaio &#8220;Filme em Anexo&#8221;, de 15 minutos, que conecta a quest\u00e3o de territ\u00f3rio e poematiza o espa\u00e7o e o tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Miguel Rio Branco, conhecido por trabalhar pintura, foto e v\u00eddeo de forma sinest\u00e9sica e por abordar quest\u00f5es do territ\u00f3rio brasileiro sem se ater a classifica\u00e7\u00f5es, apresenta a instala\u00e7\u00e3o &#8220;Wishful thinking&#8221;, que envolve toneladas de pedras, entulho, plantas e televis\u00f5es. Numa sala fechada e clara, o artista cria uma ru\u00edna constru\u00edda, mas com ares de estufa, que mostra como a natureza quer tomar seu lugar de volta e provoca inquieta\u00e7\u00f5es sobre o que aconteceria com o planeta com o poss\u00edvel fim da humanidade. Nas TVs s\u00e3o exibidas uma s\u00e9rie de fotografias que ilustram fragmentos de cidades envelhecidas, quebradas, cenas de abandono e detritos. O projeto \u00e9 uma vers\u00e3o imersiva que mostra um caminho a percorrer, abordando pensamentos, mem\u00f3rias e processos de transforma\u00e7\u00e3o. \u201cEm outras palavras, esta nova obra refor\u00e7a o car\u00e1ter enigm\u00e1tico da mostra, trazendo parcelas daquilo que \u00e9 do territ\u00f3rio. Neste caso enquadrado como zona de decaimento, sujeira, tens\u00e3o, relaxamento e, ao mesmo tempo, inexplic\u00e1vel beleza\u201d, explica Miyada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O carioca Cildo Meireles, um dos nomes mais importantes da arte brasileira e reconhecido internacionalmente por lidar com temas referentes a territ\u00f3rio, hist\u00f3ria, pol\u00edtica e mem\u00f3ria traz uma obra on\u00edrica e simb\u00f3lica. Para a exposi\u00e7\u00e3o, Cildo realiza Fronteiras Verticais, um dos projetos da s\u00e9rie Arte F\u00edsica, concebido em 1969, quando tinha 21 anos. O trabalho consiste em elevar a altitude do pa\u00eds em alguns cent\u00edmetros ao utilizar um pequeno fragmento de kimberlito (pedra de valor geol\u00f3gico) no cume do Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, com 2.994 metros de altitude, localizado no norte do Amazonas pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com a Venezuela. Ao colocar em a\u00e7\u00e3o, o artista polemiza no\u00e7\u00f5es de territ\u00f3rio em um projeto de alcance simb\u00f3lico. Para a realiza\u00e7\u00e3o da obra, o artista contou com a participa\u00e7\u00e3o de yanomamis, \u00edndios detentores do espa\u00e7o naquela regi\u00e3o para a expedi\u00e7\u00e3o de cerca de duas semanas. Extremamente cuidadoso em zelar pela integridade do local, sagrado para essa etnia, a pequena pedra foi aderida sem agress\u00e3o ao espa\u00e7o. O projeto, que foi levado a cabo pelo tamb\u00e9m artista Edouard Fraipont e assistido por Miguel Escobar, \u00e9 apresentado em v\u00eddeo, acompanhado de estudos, documentos e registros fotogr\u00e1ficos da empreitada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mais jovem entre os artistas selecionados, a paulistana Erika Verzutti pertence a uma gera\u00e7\u00e3o mais recente, mas j\u00e1 com reconhecimento da cr\u00edtica. Escultora, o trabalho de Erika \u00e9 dif\u00edcil de definir por ser mais intuitivo, por\u00e9m repleto de refer\u00eancias, sejam elas hist\u00f3ricas, art\u00edsticas ou de design. Ao inventar, misturar e embaralhar, a artista cria formas simples poss\u00edveis de tra\u00e7ar rela\u00e7\u00e3o de compara\u00e7\u00e3o com os zo\u00f3litos pela afinidade morfol\u00f3gica, tamanho e semelhan\u00e7a. A pe\u00e7a-chave para a exposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o os \u201ccemit\u00e9rios\u201d, obras que ela trabalha ao longo do ano e d\u00e3o errado ou n\u00e3o s\u00e3o utilizadas. Ent\u00e3o, as pe\u00e7as abandonadas s\u00e3o acumuladas e depois reunidas numa s\u00f3 criando um grande trabalho, que possui not\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o com os sambaquis e com s\u00edmbolos funer\u00e1rios que refletem sobre a passagem do tempo e mostram uma ancestralidade expl\u00edcita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pit\u00e1goras Lopes apresenta oito telas em grandes formatos que est\u00e3o entre o abstrato e o figurativo e misturam manchas, rabiscos e texturas. Pintor que produz com compuls\u00e3o, Pit\u00e1goras passou meses trabalhando para a mostra e utilizando cores arenosas e terrosas, azuis marinhos e tra\u00e7os que fazem pensar em registros rupestres e silhuetas an\u00e1logas \u00e0s pe\u00e7as sambaquieiras, al\u00e9m de conchas, mares e morros. O artista goiano tem um trabalho que mistura refer\u00eancias e bebe da \u00e1gua da pintura de rua, do pop e da ilustra\u00e7\u00e3o, mas sem ser classificado em nenhuma delas. \u201cA produ\u00e7\u00e3o visual de Pit\u00e1goras enreda uma esp\u00e9cie de cosmogonia na qual a observa\u00e7\u00e3o atenta de um cotidiano marginal converge com a fantasia e com o del\u00edrio\u201d, exemplifica Miyada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, a paraense Berna Reale, artista comprometida com o presente e com a problem\u00e1tica social do Pa\u00eds, apresenta duas obras que finalizam o fluxo da exposi\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, trazem o p\u00fablico de volta para a atualidade. A primeira \u00e9 um v\u00eddeo que ilustra a corrup\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia ao misturar pol\u00edticos engravatados e v\u00edtimas fatais da viol\u00eancia urbana. O segundo trabalho \u00e9 uma instala\u00e7\u00e3o ambientada numa sala fechada e escura que simula uma boate popular, onde o som s\u00e3o sirenes e barulhos t\u00edpicos de uma viatura policial e a ilumina\u00e7\u00e3o s\u00e3o as luzes vermelhas e azuis de emerg\u00eancia filtradas por uma tela fixada no teto e perfurada por tiros \u00e0 queima roupa de diferentes calibres. Para contrastar com o clima tenso e pesado, no centro do inferninho s\u00e3o oferecidos aos visitantes suspiros dispostos em bandejas. \u201c\u00c0 pergunta \u201cpara que pode servir a arte\u201d, a obra de Berna Reale responde sempre: a arte serve para estar junto com os conflitos do seu tempo. N\u00e3o para resolv\u00ea-los, n\u00e3o para ensinar algo sobre eles e nem para apag\u00e1-los, mas, ao contr\u00e1rio, para torn\u00e1-los presentes, vis\u00edveis e \u00e1speros, \u201d finaliza o curador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sala Paulo Figueiredo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Sala Paulo Figueiredo fica reservada para ser um espa\u00e7o de aprofundamento do tema proposto pelo 34\u00ba Panorama da Arte Brasileira &#8211; da pedra da terra daqui. No local, s\u00e3o apresentados alguns zo\u00f3litos, acompanhados de ferramentas utilizadas na confec\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as l\u00edticas e que tamb\u00e9m pertencem aos museus das universidades. No centro da sala, mesas e vitrines apresentam informa\u00e7\u00f5es sobre o contexto da civiliza\u00e7\u00e3o dos povos sambaquieiros com explica\u00e7\u00f5es, perguntas e respostas, mapas e ilustra\u00e7\u00f5es. Nas paredes, s\u00e3o exibidos trabalhos anteriores ou recentes dos seis artistas selecionados e que se relacionam, de algum modo, com a mostra na Grande Sala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De 3 de outubro a 18 de dezembro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Destacar as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas tridimensionais de que se tem not\u00edcia, produzidas entre 4.000 e 1.000 anos A.C., no territ\u00f3rio que hoje \u00e9 o Brasil\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4773,3,6,11,15],"tags":[6939,6938,5037,6942,6941,5122,2255,703,6946,6943,6954,1612,6949,318,6940,6955,6950,6952,6951,6947,3802,6953,6948,962,6945,6944,1266],"class_list":["post-9289","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte-brasileira-2","category-arte-contemporanea","category-exposicoes","category-oparalelo","category-sao-paulo","tag-34o-panorama-da-arte-brasileira-da-pedra-da-terra-daqui","tag-andre-prous","tag-aracy-amaral","tag-arte-contemporanea-nacional","tag-artefatos-arqueologicos-pre-coloniais","tag-berna-reale","tag-cao-guimaraes","tag-cildo-meireles","tag-costa-do-uruguai","tag-discussao-sobre-a-arte-brasileira","tag-div-museos-y-patrimonio-dpto-cultura","tag-erika-verzutti","tag-instituto-de-ciencias-humanas-da-ufpel","tag-miguel-rio-branco","tag-mostra-bienal-do-mam","tag-museo-de-arte-precolombino-e-indigena","tag-museu-arqueologico-de-sambaqui-de-joinville","tag-museu-de-arqueologia-e-etnologia-da-ufpr","tag-museu-de-arqueologia-e-etnologia-da-ufsc","tag-museu-de-arqueologia-e-etnologia-da-usp","tag-museu-de-arte-moderna-de-sao-paulo","tag-museu-do-homem-do-sambaqui","tag-museu-nacional-da-ufrj","tag-paulo-miyada","tag-pecas-liticas-em-pedra-polida","tag-pitagoras-lopes","tag-sala-paulo-figueiredo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9289"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9289\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9293,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9289\/revisions\/9293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}