ADEMAR MANARINI (Campinas, Abril de 1920 - São Paulo, Abril de 1989)

foto do artista

Texto: Obra do Artia - Divulgação

BIOGRAFIA:

Foi empresário, orquidófilo e fotógrafo autodidata premiado. Fundou empresas com material para cultivo de orquídeas. A primeira, Equipesca, fundada em 1960, situada em sua terra natal, ao passo que a outra foi fundada em 1970, o laboratório Equilab, que não mais existe, foi pioneira no desenvolvimento de cultura de orquídeas por micro-propagação no Brasil. Membro do Foto Cine Clube Bandeirante de São Paulo e participante da Escola Paulista na década de 1950, influenciado por Geraldo de Barros, realizou experiências construtivas por meio de fotogramas, superposições de negativos e viragens, revelando linhas e formas dentro do limite do abstrato. Na sua primeira fase fez estudos com retratos, nos quais o uso do contraste intensifica a expressividade, como destacou o crítico de arte e curador Paulo Herkenhoff: "Os retratos e imagens com fundo social revelam bem a intenção de Manarini em chegar ao valor real da sublimação artística e nem tanto à simples apresentação de fatos. Alguns desses trabalhos foram denominados rembrandtianos, pela concentração de luz focalizando as figuras diante de um fundo totalmente escuro." Manarini foi industrial de sucesso nos ramos de pesca, biotecnologia e agropecuária, e em função de atividades nestas áreas passou a usar a fotografia para registro de plantas. As fotos de folhas com suas nervuras nos limites cromáticos da escala entre preto e branco ou contraluz criam jogos de percepção. Em um segundo momento, a cor entra em seu trabalho como o elemento essencial nas fotos de orquídeas. No final da década de 1970, retomou a fotografia como atividade artística, produzindo a partir de intervenções no processo fotográfico, com dupla exposição, com sombras e reflexos, explorando a cor e a textura. Ademar Manarini foi considerado um dos 90 melhores fotógrafos brasileiros, pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. No prefácio do livro de Manarini, a admiração do designer Freddy Van Camp: "Sua obra de mais de cinco mil imagens, que me é bem conhecida, ainda me surpreende a cada dia (...). As imagens não constantes deste livro precisam ser mostradas a um público maior e que espero seja atingido, como eu fui, por sua fotografia." Em 1985, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo organizou uma retrospectiva sobre seu trabalho fotográfico: “Manarini, 35 anos de fotografia”.

REFERÊNCIA:

Ademar Manarini: fotografia / organizador Freddy Van Camp; textos, Wolfgang Pfeiffer, Paulo Herkenhoff, Heládio Brito; Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1992.

Texto: Renato Rosa/Bolsa de Arte/ Internet