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AGENDA CULTURAL

A imaginação de Andrey Rossi

16/set

Quem olha Andrey Rossi, jovem de 26 anos, de fala tranquila e com um leve sotaque interiorano, nem imagina todas as ideias que inspiram seus trabalhos. Ele que tem obras em acervos institucionais como o do MAM-Rio, e em importantes coleções particulares como a coleção Gilberto Chateaubriand, e a coleção Coleccion Gomez Porsche, em Buenos Aires, Argentina, chega à região do ABC com a exposição “Laboratório Clandestino”, na OMA | Galeria, São Bernardo do Campo, São Paulo, SP. “Essa mostra tem uma sequência que vai desde os estudos, a “cobaia”, ao produto final. Quis ressaltar um processo que valorizasse a ação do tempo e o que é o essencial com um ar de ilegal, de algo provisório, de passagem”, conta o artista.

 

A curadoria é assinada por Douglas Negrisolli e conta com 29 obras. Dessas, 24 são inéditas e estão divididas em quatro assemblages (diferentes materiais incorporados em uma peça, criando um novo conjunto sem desconstruir o sentido original), 12 pinturas e 13 desenhos (ambas com técnicas diversas). Para Thomaz Pacheco, galerista da OMA | Galeria, receber as obras de um artista em ascensão reforça o crescimento do espaço dentro do cenário da arte paulista. “Essa mostra é resultado de uma parceria com a Galeria QAZ e estamos muito felizes por fazer um intercâmbio cultural. Promover um artista como ele em nossa região é uma honra”, afirma.

 

 

 A palavra do artista

 

“Cresci em uma família de marceneiros e sempre fui incentivado a explorar esse material e a exercer minha criatividade. Lembro de explorar locais abandonados só para perceber como o tempo age. Acho que essa ação também é um dos temas recorrentes em minhas obras”, conta Andrey Rossi.

 

 

 A palavra do curador

 

“O Andrey é muito criativo e, de certa forma, ele “brinca de ser Deus” quando mistura humanos com animais e ao transparecer um fascínio misturado com estranheza ao executar isso. Essa é uma mostra em que a transformação do Ser e a metamorfose são os temas que instigam os visitantes”, explica Douglas Negrisolli.

 

 

 Sobre o artista

 

Andrey Rossi nasceu e reside em Porto Ferreira, interior de São Paulo. Para ele, a infância na pequena cidade e a profissão do pai (marceneiro) são algumas das principais influências de sua arte. É licenciado em Educação Artística, com Habilitação em Artes Plásticas, pela UNESP, Universidade Estadual Paulista. Seu início profissional foi em 2008, em Bauru, SP, com a produção da obra “Aborto em 2º Grau”. No ano passado, pós graduou-se em Discurso e Leitura de Imagem na UFSCAR, Universidade Federal de São Carlos.

 

 

 Sobre a OMA | Galeria

 

Primeira galeria de Artes Visuais no ABC, também conta com espaço cultural para a realização de encontros, workshops e debates. Localizada no centro de São Bernardo do Campo, uma das principais cidades da Grande São Paulo, a OMA | Galeria, que está sob os cuidados dos galeristas Thomaz Pacheco (artista e executivo) e Gisele Pacheco (premiada arquiteta e designer), se destaca pelo foco no trabalho de arquitetos, designers de interiores e decoradores, oferecendo obras de arte exclusivas para aqueles que buscam agregar valor aos projetos desenvolvidos, e vem se consolidando como referência em artes visuais na região.

 

 

 De 19 de setembro a 25 de outubro.

Programação #31Bienal

Programa no Tempo, ativação de obras, performances, atividades educativas, no Parque Ibirapuera, São Paulo, SP.

 

10 set • 19h • Pavilhão Bienal • área Parque • térreo – no Tempo | Sarau Kambinda

 

O sarau pretende promover a poesia e o encontro de poetas e artistas que fazem parte do movimento cultural periférico e de matriz africana.

 

14 set • 16h • Pavilhão Bienal • área Parque • térreo – no Tempo | O Menor Sarau do Mundo

 

Intervenção poética em que participam o poeta Giovani Baffô e um público de até três pessoas sob um guarda-chuva. Com duração de um minuto e vinte segundos, o poeta
decla­mará três poemas curtos autorais de alto teor de entorpecimento.

 

17 set • 15h • Parque do Ibirapuera • portão 5 – Ativação de obra | “… – OHPERA – MUDA – …”, por Alejandra Riera e UEINZZ

 

O encontro acontece ao lado do atual Centro de Convivência e Cooperativa (CECCO), antigo armazém convertido em refúgio provisório das atividades da Cinemateca Brasileira – entre as quais um cineclube – depois do incêndio de 1957.  Ali, grupo monta um cinema provisório para a exibição do filme “… – OHPERA – MUDA…”

 

17 set • 19h • Pavilhão Bienal • área Parque • térreo – Educativo | Encontro Oba Inã + Mcs

O Rio de Juarez Machado

Chama-se “Rio de Outrora e Rio de Agora”, a exposição individual de pinturas que marca o retorno de exposições de Juarez Machado no Brasil. A mostra foi inaugurada na Galeria de Arte Maurício Pontual, Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ, em Copacabana. Uma visão divertida e peculiar do Rio, retratado em duas épocas pelo artista catarinense, atualmente radicado na França.

 

 

Juarez Machado, um eterno criador de imagens

 

Juarez Machado é um artista que transcende a pintura propriamente dita, com seu humor irreverente, este artista sempre deixou sua marca. Nesta exposição, Juarez Machado escolheu como tema a cidade do Rio de Janeiro, retratando duas épocas com seus traços muito peculiares.

 

Mauricio Pontual

 

 

Até 30 de setembro.

Krajcberg, a condecoração

Frans Krajcberg, um dos artistas que mais se destacou na França através de suas obras, ao longo de sua carreira, receberá pelas mãos do presidente francês François Hollande, a mais alta condecoração cultural do pais: “Ordre des Arts et des Lettres” – ”Ordem das Artes e Letras”. A condecoração visa recompensar  as pessoas que se distinguem pela sua criação no domínio artístico ou literário ou pela sua contribuição ao desenvolvimento das artes e das letras na França e no mundo. O  artista, de 94 anos, viaja para Paris em novembro. Já receberam a condecoração personalidades internacionais como Clint Eastwood, Bob Dylan e Os Irmãos Campana, entre outros.

Tunga na Mendes Wood

15/set

Com obras compostas de terracota, gesso e cristais,Tunga criou as esculturas que se encontram em cartaz na Galeria Mendes Wood, Jardim Paulista, São Paulo, SP. A mesma mostra agora exibida, “From La Voie Humide”, recebeu boas críticas recentemente em sua primeira inauguração, em Nova York. O artista exibe formas de caldeirões, tripés e partes de corpos relacionados, uma referência diretamente ligada à Alquimia. Também estão expostos desenhos recentes. As esculturas foram concebidas nos últimos anos. Os trabalhos mesclam e sintetizam interesses diversos do artista, como a Poesia, Psicologia, Física e Alquimia.

 

 

Até 04 de outubro.

Duas na Casa da Imagem

Marcia Xavier e Letícia Ramos, na Casa da Imagem, Sé, São Paulo, SP, a partir de um ensaio fotográfico, científico-policial, que pertence ao acervo da Coleção de Fotografias do Museu da Cidade, sobre um ato de vandalismo no prédio da Prefeitura no dia 02 de agosto de 1947, desenvolveram uma instalação sonora e visual, criando um ambiente de mistério e  tensão inspirado nessas imagens.

 

Ao entrar pelo corredor que dá acesso às duas salas expositivas, o visitante é acompanhado pelo áudio da instalação sonora que percorre toda e exposição. Como o som não fica aparente, não se sabe se o que se ouve esta acontecendo ao vivo ou não. O espectador é seguido por passos no corredor que dá acesso à primeira sala, toda iluminada por retroprojetores dispostos no chão aos pares, ora iluminando as três paredes, ora fazendo uma projeção de imagens ou objetos, como num fotograma. As duas janelas dessa sala são vedadas, uma por imagem de duas pessoas como vistas através dela e a outra por madeira com uma lente incrustada no painel, um olho mágico que faz ver uma das imagens do vandalismo impressa em um material transparente, que dá uma sensação de 3D ou de um negativo de vidro. Nas duas paredes há dois ensaios: um sobre a queda de um arquivo e outro sobre a queda de uma folha de papel.

 

São fotografias realizadas com a técnica da estroboscopia, inspiradas nas imagens resultantes de experiências de estudo do movimento. No ambiente há vários áudios soando ao mesmo tempo — passos, bagunças e vidro quebrado. Já na segunda sala, depara-se com um filme e seu projetor 16mm; thriller de suspense realizado com uma colagem de imagens do arquivo e outras captadas pelas artistas nas novas salas do DEOPS, acompanhados pelo áudio de uma respiração.

 

 

Sobre as artistas

 

Marcia Xavier (Belo Horizonte – MG – 1967). Graduada em 1989 em Comunicação Visual pela Fundação Armando Álvares Penteado em São Paulo. Pesquisa a imagem em movimento e suas distorções. Constrói aparelhos ópticos como lunetas, binóculos e telescópios, um híbrido do cinema com a escultura. Realizou mais de dez individuais em galerias e museus e cinqüenta coletivas, ao longo de 16 anos de carreira. Exposições internacionais: 2012 Eloge du vertige, Maison Européenne de la Photographie, Paris, França; 2007 Institut Valencia d’Art Modern, Espanha; 2005 Gabarito na Galeria 111 em Lisboa, Portugal; 2003 Layers of Brazilian Art, Faulconer Gallery, Iwoa, EUA; 2002 Jogos Excêntricos, Galeria do Museu Botanique Bruxelas, Bélgica; 2000 Museu de las artes de Guadalaraja, México. Esteve na VI Bienal de Havana 1997; III  Bienal do Mercosul 2001 e IV Bienal de Curitiba 2007 e das Paralelas a Bienal de São Paulo I, II, III e IV. Ganhou prêmio nos Salões de Ribeirão Preto e Belo Horizonte. Concebeu uma obra múltipla editada pela Fundação Bienal de São Paulo em 2009. Participou das Feiras de Arte: Frieze Londres, Basel Miami e Arco Madri. Faz parte das seguintes coleções: Société Generale d’art Contemporain, Paris, França; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu de Arte Moderna de São Paulo; Banco Itaú S.A e SESC BELENZINHO. Lançou em 2003 o livro ET EU TU, em parceria com Arnaldo Antunes pela editora Cosac e Naif, ganhador do prêmio Jabuti de 2004 pelo projeto gráfico e produção editorial. Participou das seguintes Performances em parceria com Arnaldo Antunes: 2011 Museu Miró, Barcelona, Espanha; 2010 Festival Brazil, Southbank Center, Londres, Inglaterra; 2009 Multiplicidades, Oi Futuro Rio de Janeiro 2008/2009 e Festival de poesia em Berlim 2008.

 

Letícia Ramos (Santo Antônio da Patrulha – RS, Brasil,1976). Cursou Arquitetura e Urbanismo na UFRGS e Cinema na Fundação Armando Álvares Penteado, FAAP. Seu foco de investigação artística é a criação de aparatos fotográficos próprios para a captação e reconstrução do movimento e sua apresentação em video , instalação e fotografia. Seus trabalhos possuem um forte caráter processual e geralmente se inserem dentro de projetos de investigação mais ampla.  A artista foi ganhadora de importantes prêmios e bolsas para a pesquisa e realização artistica, entre eles, o Prêmio Marc Ferréz de criação fotográfica para o desenvolvimento do projeto Bitácora (2011/2012). Como resultado desta pesquisa, publicou o livro de artista “Cuaderno de Bitácora” e  participou da residência The artic circle (2011) a bordo de um veleiro rumo ao Pólo Norte. O trabalho fotográfico produzido durante a expedição, foi vencedor do Prêmio Brasil Fotografia – pesquisas contemporâneas (2012). Em 2103 foi participante do programa “Islan Session – visitas a ilha, “ da 9º Bienal do Mercosul e desenvolveu o projeto de filme 35mm , livro , web e LP, VOSTOK, uma viagem ficcional a um lago pré-histórico submerso na Antártida. No mesmo ano  foi contemplada pela bolsa  de fotografia do Instituto Moreira Salles e Revista Zum e desenvolveu a pesquisa MICROFILME . Recentemente foi ganhadora do importante prêmio internacional de fotografia, BESPHOTO 2014 . No momento está com duas outras exposições em cartaz: “Nos sempre teremos marte ” – Museu Fundação Berardo, Lisboa e VOSTOK _ screnning # 1 – individual da artista em sua galeria Mendes Wood DM – SP.

 

 

 

 De 20 de setembro a 19 de outubro. 

Ivan Grilo no CCSP

Com curadoria de Bernardo Mosqueira, “Quando cai o céu” é a nova individual do artista Ivan Grilo, será o próximo cartaz do CCSP – Centro Cultural São Paulo, Paraíso, São Paulo, SP. A exposição, que é fruto da premiação que o artista conquistou no edital PROAC Artes Visuais 2013, apresenta 13 conjuntos de trabalhos, entre fotografias e instalações. Ao ser agraciado com o prêmio, Grilo foi pesquisar os arquivos do Centro Cultural São Paulo, onde encontrou documentos de uma rica pesquisa idealizada em 1938 por Mário de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo.

 

Ao mesmo tempo em que as manifestações populares corriam o risco de desaparecer com a crescente urbanização do país, o avanço tecnológico da época trazia novas possibilidades de captação destes eventos através de fotos, áudios e filmes.  Foi essa questão que levou o importante escritor a organizar a Missão de Pesquisas Folclóricas, expedição que buscou mapear as origens da cultura popular brasileira. Não fosse a chegada de Prestes Maia ao governo Municipal, a expedição se concluiria e o levantamento inicial proposto não teria parando em Pernambuco, mas alcançando o culturalmente rico estado da Bahia.

 

Interessados mais no que deixou de ser registrado pela equipe de Mário de Andrade, Ivan Grilo e Bernardo Mosqueira foram a campo em busca de subsídios para a realização da presente exposição. Em “Quando cai o céu”, Ivan Grilo busca mesclar as influências das vivências com as culturas ancestrais africanas adquiridas durante a viagem à Bahia com o modelo cartesiano de trabalho que sempre adotou em suas produções.

 

 

A palavra do curador

 

“Nosso trabalho se relacionava, então, também, com toda a genealogia de artistas viajantes interessados no Homem. Logo que optamos pela Bahia, decidimos ir a Cachoeira: importante cidade pra história do povo negro no Brasil. Em Salvador, antes, tivemos acesso irrestrito a todo o material da Fundação Pierre Verger, e lá encontramos a certidão de sua passagem por aquele município. Porém, logo entendemos que nosso interesse não seria registrar (capturar e trazer) a imagem do exótico. Diferente disso, nosso interesse é a crítica social e as narrativas: mais especificamente, somos encantados pela relação entre resistência e história oral. Os trabalhos de Ivan expandem, preenchem e iluminam a interseção entre o rigor conceitual, a crítica social e a criação (ou tradução) de narrativas poéticas. Não há nada nessa montagem que não tenha razão de ser”.

 

Ainda segundo o curador, “A história do povo negro no Brasil não é de vencedores, nem perdedores, nem vencidos, mas, sim, uma história de sobreviventes em glória. “Somos escolhidos da sorte. Somos tambores ricos de fé. (…). Somos o amor e seus aliados. Somos os filhos dos encantados”, ouvimos na Bahia. Por isso, “Quando cai o céu” é apenas onde começamos a contar a história de algumas nações que foram muito mais violentamente exploradas do que pensamos, mas que são muito mais do que se pode imaginar”, completa.

 

 

Sobre o artista

 

Ivan Grilo, 1986, vive e trabalha em Itatiba/SP. Graduado em Artes Visuais pela PUC-Campinas, atuou durante três anos como artista-assistente no atelier de Marcelo Moscheta. Atualmente participa das exposições coletivas: “Novas Aquisições da Coleção Gilberto Chateaubriand”, no MAM (RJ) e “Pororoca, a Amazônia no MAR”, no Museu de Arte do Rio. Em 2013 exibiu “Estudo para medir forças” na Casa França-Brasil (RJ), integrando o Projeto Cofre; além de ser premiado no edital PROAC Artes Visuais, do Governo do Estado de São Paulo, que deu origem à presente exposição. Em 2012 recebeu o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, além de ter sido indicado ao Prêmio Investidor Profissional de Arte (PIPA) e ter participado da residência internacional “Transitante: entre álbuns e arquivos” no Arquivo Municipal Fotográfico de Lisboa / Portugal. Dentre as principais coletivas estão: “Bienal MASP Pirelli de Fotografia”, em São Paulo, “I Bienal do Barro” em Caruaru-PE, “2nd Ural BiennialofContemporaryArt”, na Rússia, “16a Bienal de Cerveira”, em Portugal, “11a Bienal do Recôncavo” em São Félix / BA, e “Arte Pará”, no Museu Histórico do Estado do Pará. Tem obras nos acervos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/Coleção Gilberto Chateaubriand (MAM), no Museu de Arte do Rio (MAR), na Fundação Bienal de Cerveira, entre outros. Atualmente é representado por Luciana Caravello Arte Contemporânea (RJ) e SIM Galeria (PR).

 

 

Sobre o CCSP

 

Espaço público de cultura e convívio, o Centro Cultural São Paulo (da Secretaria Municipal de Cultura) recebe o público em quatro pavimentos de uma área de 46.500 m² localizada entre as ruas Vergueiro e a 23 de maio, e entre as estações Vergueiro e Paraíso do Metrô. Inaugurado em 13 de maio de 1982, a partir da necessidade de uma extensão da Biblioteca Mário de Andrade, transformou-se em um dos primeiros espaços culturais multidisciplinares do país. O projeto concebido por um grupo de arquitetos coordenado por Eurico Prado Lopes e Luiz Telles deu origem a um espaço caracterizado pela arquitetura do encontro, que atualmente oferece: um conjunto de bibliotecas com acervo multidisciplinar, expressivas coleções da cidade de São Paulo – Coleção de Arte da Cidade, Discoteca Oneyda Alvarenga, Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade, Arquivo Multimeios e Coleção Memória do Centro Cultural São Paulo.

 

 

De 20 de setembro a 07 de dezembro.

DOIS NA VILANOVA

A Galeria Vilanova, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, inaugura a exposição “Entre Flores e Entrelinhas”, dos artistas plásticos Virgilio Neves e Vitor Azambuja, com curadoria de Bianca Boeckel. Para a mostra, foram selecionadas 11 obras inéditas – entre desenhos e pinturas -, cujo tema principal é a primavera e as sensações que acompanham essa estação, em trabalhos que envolvem todos os nossos sentidos e reproduzem flores, cores e aromas.

 

Em duas telas e quatro desenhos, Virgilio Neves cria linhas que ocupam o campo visual dos suportes e que delimitam imagens de maneira aleatória, entregue ao acaso. Após procurar por diversos tipos de ferramentas, o artista iniciou uma pesquisa com extrato de própolis líquido, utilizando este elemento em seus desenhos juntamente com uma caneta definitiva. O resultado obtido foi surpreendente não apenas pelos valores formais, mas pelas metáforas que surgiram a partir de então: “O aroma do própolis trazia sensações positivas que me devolviam à infância. E o poder de fixação desta substância e do seu aroma sobre o papel também estavam intimamente ligados ao poder de fixação desta memória em minha mente.”, comenta.

 

Por sua vez, Vitor Azambuja apresenta cinco telas com um tema recorrente em sua produção: a exuberância das rosas, em tons de cores inusitados e sempre surpreendentes – sua já conhecida marca. Apesar de sua inspiração na natureza, o artista não pinta pela observação e sim pela imaginação – a harmonia na combinação de suas cores não é fruto da reprodução, mas sim o resultado de um ato criativo autônomo. Formado em música pelo Conservatório Brasileiro de Música, como pianista, “para ele as flores, principalmente, o levam indubitavelmente aos sons que delas exalam”, disse Geraldo Edson de Andrade, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte.

 

Em uma celebração ao início da estação mais florida do ano, a primavera, “Entre Flores e Entrelinhas” propicia ao público uma nova visão sobre um tema corriqueiro, com pinturas e desenhos que não apenas se complementam, mas também estreitam o diálogo com o espectador. Nas palavras de Bianca Boeckel: “As obras dos dois artistas cantam e dançam diante dos nossos olhos”.

 

 

De 20 de setembro a 03 de novembro.

Nelson Leirner no Projeto Respiração

12/set

O Projeto Respiração, na Fundação Eva Klabin, Lagoa, Rio de Janeiro, RJ, apresenta, em sua edição de aniversário – a 19ª desde 2004 -, a exposição “Nossa casa, minha vida – Visite apartamento mobiliado no local”, uma intervenção do artista Nelson Leirner, um dos grandes nomes da arte, na casa-museu da Lagoa. O curador Marcio Doctors destaca que convidou Nelson Leirner por ser “um artista que conserva o frescor inventivo da juventude, capaz de encontrar saídas estéticas surpreendentes para as situações mais adversas, da mesma forma que o Projeto Respiração foi uma estratégia curatorial, pioneira no mundo, criada para provocar novas leituras de um acervo fabuloso de arte clássica que estava engessado pelo tempo na Fundação Eva Klabin”.

 

“Leirner mantém-se coerente com a sua linguagem, conservando, com espírito lúdico, uma fina ironia e uma crítica contundente das estruturas políticas do mundo da arte e da sociedade contemporânea”.

 

Em texto que acompanha a exposição, o próprio artista escreve sobre seu trabalho “Nossa casa minha vida – Visite apartamento mobiliado no local”: “Convidado por Marcio Doctors – curador da Fundação Eva Klabin e do Projeto Respiração – a participar com uma intervenção comemorando os Dez anos do bem-sucedido evento, me vi sentado em um dos luxuosos quartos da mansão situada na Lagoa, discutindo com Marcio como seria minha ação. A suntuosidade da casa e o nobre lugar onde estava edificada me faziam pensar em como utilizar o espaço oferecido sem nem uma intervenção em seu interior.  Minha primeira intenção foi colocar o palacete à venda. Hipoteticamente vendido serviria para a construção de um edifício  usufruído por uma classe A, o que politicamente me desagradava como conceito. Foi a partir deste pensamento que me ocorreu inverter o seu uso: faria uma intervenção sem entrar no mérito destes programas sociais, e sim apontar todos os desmandos praticados em seu uso pelo nosso governo. Resolvi usar o programa ‘Minha Casa Minha Vida’ construindo dentro de uma das salas um apartamento totalmente mobiliado em 24 metros quadrados para ser habitado por uma família composta de um casal e dois filhos. Fiz questão de não dar minha opinião, mas sim recolher o material vindo de nossa imprensa. O recolhido daria para escrever um livro, e vou abaixo anexar algumas linhas que corroboram o projeto:

 

‘(…) Habitar não é apenas morar, mas sim ter necessariamente acesso a transporte, infraestrutura urbana…escola, postos de saúde, enfim um conceito que implica convivência, funcionalidade e mobilidade social…

(…) Enquanto não controla com responsabilidade e comando firme, as obras do Minha Casa Minha Vida servem somente para dar oportunidade a seus auxiliares  de fazerem um ‘pé de meia’, como ‘Minha Casa Minha oportunidade’.

(…) Mobilidade…Falta de Planejamento …as pessoas querem morar perto de onde existe trabalho.

(…) Quadrilha que explorava 5 mil pessoas em seis condomínios do Minha Casa Minha Vida…

(…) Dilma utiliza telão com transmissão ao vivo para entregar casas em sete Estados.

(…) Dilma só pode entregar obras até sexta feira: um dia antes, ela e dez ministros vão participar de solenidade em sete Estados para inaugurações simultâneas do Minha Casa.

(…) residencial do Minha Casa Minha Vida apresentam riscos… rachaduras, forro cedendo, e casas inclinadas são problemas encontrados.

(…) Famílias ocupam casas interminadas… Residências estão sem teto, portas, janelas…

(…) Após cinco anos de espera, grupo invade conjunto do Minha Casa Minha Vida’.

…e muito mais…”.

 

 

Sobre a Coleção Eva Klabin

 

A Fundação Eva Klabin possui um acervo com obras que remontam do Egito Antigo ao Impressionismo. As obras de arte, espalhadas pelas diferentes salas da casa, em meio ao mobiliário e objetos de arte decorativas, refletem a paixão da colecionadora Eva Klabin (São Paulo,1903-Rio de Janeiro,1991) pela arte. A colecionadora reuniu um dos mais importantes acervos de arte clássica dos museus brasileiros, com mais de duas mil peças, procedentes de quatro continentes e cobrindo um arco de tempo de quase cinquenta séculos. Um dos grandes destaques do acervo é a coleção dos mestres da Renascença e do Maneirismo, onde podem ser vistas pinturas, esculturas e relevos de artistas como Tintoretto, Botticelli, Bernardo Strozzi, Guiberti, Luca e Andrea della Robbia, entre outros. É possível também deparar-se com gravuras de Rembrandt ou uma paisagem do impressionista Camille Pissarro, assim como pinturas inglesas dos sec. XVIII de Reynolds e Gainsborough ou pinturas flamengas e holandesas do sec. XV ao XVII de artistas como Isenbrandt, Jan Provost, Govaert Flinck ou Gerard Ter Borch. Outras atrações são as coleções de objetos de arte chinesa de diferentes dinastias e as cerâmicas pré-colombianas, dos diferentes povos que habitaram as Américas.

 

 

Até 16 de novembro.

Tapetes Voadores na ArtRio

 

Luste Editores promove o lançamento do livro “Os Tapetes Voadores da Mata Atlântica”, da artista plástica Cristina Schleder, na edição 2014 da ArtRio, Pier Mauá, Centro, Rio de Janeiro, RJ. A obra conta com fotografias autorais que registram texturas, tramas e detalhes de sua inspiração maior – a Natureza, sendo que as imagens e espelhamentos de alguns fragmentos possibilitam novos significados à importância e beleza deste ecossistema. O patrocínio é do Banco Pine.

 

Para a criação da série, Cristina Schleder adentrou a área da Mata Atlântica munida de olhos treinados em busca do inusitado, do oculto, e não de uma mera imagem. Em seus momentos preferidos, os “pós-chuva” ou os dias nublados de luz prateada, quando a vegetação atinge seu pico de beleza, a artista vislumbrava detalhes de cores que surgiam em troncos e musgos, criando uma inédita fábula visual formada por fotografias marcantes. Sua imersão era tamanha que encontrava novos personagens, os quais a acolhiam e descortinavam um novo cenário, levando-a a lembrar das estórias em que os seres viajavam em tapetes voadores. Desenhos, formatos, cores e padronagens surgiam diante da artista, leves e harmônicos, que possibilitavam a imaginação de Cristina alçar vôo.

 

Nas palavras da própria artista, travestida em uma personagem de contos: “(…) a verdade deste pensamento mágico conseguia levá-la para todos os lugares imaginados, sentada em seu próprio tapete voador que a mata, com seus fios, tramas e bordados, teceu especialmente para ela.”

 

 

 Quando: 13 de setembro, às 15h

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