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AGENDA CULTURAL

Homenagem a Sante Scaldaferri

15/abr

No próximo dia 16, quarta-feira, às 19h00min, na Sala Walter da Silveira, Bilbioteca Pública dos Barris, Salvador, Bahia, serão exibidos dois documentários sobre a obra do notável artista plástico baiano Sante Scaldaferri. Uma justa homenagem ao conhecido artista plástico. Acompanhe a programação e as sinopses dos dois documentários.

 

 

16/04 – 19h00min
Sante Scaldaferri, A Dramaturgia do Sertão; Direção: Walter Lima; Documentário | 26min | 1999

 

Vídeoarte sobre o pintor, ator, gravurista, cenógrafo e professor Sante Scaldaferi (1928). Formado na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, Scaldaferri foi assistente da arquiteta Lino Bo Bardi. No cinema, trabalhou como cenógrafo em produções do Cinema Novo e como ator em filmes de Glauber Rocha.

 

 

16/04 – 19h30min
Sante Scaldaferri; Direção: Cícero Bathomarco; Documentário | 34 min |2013

 

Na primavera de 2011, o Palacete das Artes Rodin Bahia promoveu a exposição POP / BIENAIS com obras do premiadíssimo artista plástico Sante Scaldaferri. O documentário que leva o nome do artista, teve como base os diversos quadros e painéis expostos na referida mostra. SANTE fala do conteúdo e da forma do seu trabalho, do seu processo criativo, da descoberta de uma “escrita” própria, da sua convivência com Glauber Rocha, da sua fidelidade à temática cultural nordestina, da sua resistência na realização de trabalhos não folclóricos e de fácil comercialização.

 

Ficha técnica :

Locução: Selma Santos;

Direção de fotografia: Carlos Modesto;

Edição: Mirilusa Barreto;

Pesquisa sonora: Robinson Roberto;

Roteiro e direção: Cicero Bathomarco;

Ano de realização: 2013.

Adriana Varejão em nova série

12/abr

Há cinco anos sem realizar uma exposição com apenas trabalho inéditos, Adriana Varejão apresenta a recém-criada série “Polvo” no Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda, São Paulo, SP. O “Polvo” é fruto de uma pesquisa de forte caráter conceitual, desenvolvida ao longo de 15 anos, sobre a representação das cores de pele dos brasileiros e a ambivalência das definições de raça no país.

 

O ponto de partida foi o resultado da pesquisa do IBGE de 1976, que deixou em aberto a pergunta Qual é a sua cor?. O resultado foram 136 diferentes termos, alguns inusitados e muitos deles, figurativos, em contraponto aos cinco grupos estabelecidos: branco, preto, vermelho, amarelo e pardo. Adriana escolheu os 33 mais exóticos, poéticos e significativos e, a partir deles, criou as suas próprias tintas a óleo baseadas em tons de pele. Assim, surgiram as cores Fogoió?, Enxofrada, Café com leite, Branquinha, Burro quando foge, Cor firme, Morenão, Encerada e Queimada de sol, entre outras.

 

O resultado deste processo é um objeto de arte: uma caixa com 33 tubos de tinta (com tiragem de 200 exemplares), além da série de pinturas elaboradas a partir destas tintas, que criam um imenso painel. As telas são retratos de Adriana, executadas por outros pintores retratistas, com intervenções da artista. A cor da pele é neutra, acinzentada, com pinceladas geométricas e de inspiração indígena, realizadas com os tons das tintas Polvo. Acompanhando os retratos, pinturas circulares abstratas trazem a escala destas mesmas tintas. E todo o conjunto mantém a estreita relação com seus trabalhos anteriores, sempre lidando com questões como a miscigenação, o colonialismo e a cor da pele.

 

No dia 24 de abril, ela abre outra mostra “Polvo”, na Lehmann Maupin Gallery, em Nova York, com 12 retratos.

 

Panorâmica: Pela primeira vez, a artista ganhará uma panorâmica numa grande instituição pública americana. A mostra, ainda sem titulação, será aberta no dia 18 de novembro no Institute of Contemporary Art, em Boston.

 

 

Até 17 de maio.

Antonio Sobral e o desenho expandido

O dconcept escritório de arte, Vila Flávio de Carvalho – Jardins, São Paulo, SP, abre a mostra “Força Latente” do artista plástico, desenhista e cineasta Antonio Sobral com 25 obras entre desenhos, colagens, pinturas, backlights e fotografias  que se pretendem anti-ilustrativas buscando a liberdade anterior a um conceito formal: “a experiencia do mundo e a da linguagem no devenir”. Antonio Sobral cloca-se na posição de experimentar e ousar constantemente. Sua abordagem em técnicas previamente utilizadas como a colagem e o desenho, mostra-se distinta em trabalhos recentes onde procura atingir metas de intimismo de forma direta. Ao optar pelos pequenos formatos busca uma escala não sublime e sim humana. “Formas simples e símbolos primeiros balizam a espontaneidade num universo frágil e colorido” define o artista.

 

Seus desenhos se desvincularam de temas permitindo a seu instinto, na repetição dos gestos, criar novos padrões estéticos unindo formas e cores. Nas palavras do artista, “trata-se de mimeticamente desenhar como o cérebro pensa: associativamente, contraditoriamente, auto-referencialmente, e relativamente”. Seu pensamento crítico acerca do mundo que habita faz com que seus recentes trabalhos exibam questionamentos face o inconformismo da padronização do ser humano e busque o instinto e a consciência de sua própria vontade.

 

Nesta exposição individual, “Força Latente” Sobral reúne trabalhos nos quais se mostra “à margem de códigos sociais que condicionam a produção de imagens” mas também remete ao expressionismo abstrato dos anos 1980, sempre mantendo sua abordagem intimista.

 

 

De 23 de abril a 24 de maio.

Arte Chinesa

11/abr

Inaugura na Oca, Parque Ibirapuera, São Paulo, SP, a exposição “ChinaArteBrasil”. A mostra apresenta mais de 110 obras distribuídas entre pinturas, esculturas, instalações, fotografias, vídeos, site specifics, todas inéditas em São Paulo, criações de 62 artistas chineses contemporâneos. “ChinaArteBrasil” propõe intensificar o diálogo cultural entre Brasil e China. Assim, duas curadoras, historiadoras de arte, foram convidadas para selecionar o acervo da mostra: a brasileira residente em Berlim Tereza de Arruda e a chinesa Ma Lin, que vive e trabalha em Shangai.

 

Tereza reuniu obras de artistas pertencentes à primeira geração dos grandes expoentes que demarcaram o cenário chinês e internacional a partir da década de 1990. São eles: Ai Weiwei, Cao Fei, Chen Qiulin, Cui Xiuwen, Feng Zhengjie, He Sen, Huang Yan, Jin Jiangbo, Li Dafang, Li Wei, Liu Jin, Lu Song, Luo Brothers, Ma Liuming, Miao Xiaochun, Rong Rong & Inri, Shi Xinning, Wang Chengyun, Wang Qingsong, Wang Shugang, Weng Fen, Xiao Ping, Xiong Yu, Xu Ruotao, Yang Fudong, Yang Qian, Yang Shaobin, Yin Xiuzhen, Yu Hong, Yuan Gong, Zhang Hui e Zhou Tiehai.

 

Em “A Arte Chinesa Intervém na Sociedade”, o foco são as conversas sobre como os artistas apresentam os problemas sociais e como rompem os limites da arte.

No segmento “História, Memória e Futuro”?, Ma Lin mostra artistas que, por meio de diferentes temas e suportes, exploram diferentes problemas que as pessoas alguma vez já imaginaram ou negligenciaram. A terceira e última parte, “Imagem e Forma”, discute o desenvolvimento da pintura no pós-modernismo, que destaca o relacionamento entre imagem e forma.

 

 

Até 18 de maio.

Fotografias de Renan Cepeda

09/abr

A Galeria Tempo, Copacabana (ao lado do Copacabana Palace Hotel), Rio de Janeiro, RJ, exibirá paisagens do Rio de Janeiro, através de “Wave”, exposição individual de Renan Cepeda. O artista é considerado um dos grandes nomes da fotografia brasileira contemporânea e apresentará nove imagens em grandes formatos.A exposição traz um extrato da nova experiência de Renan Cepeda com a fotografia infravermelha obtida por câmera digital. Algumas fotografias digitais, mais recentes, em que o autor teve que fazer opção de cores no computador. Como este tipo de luz é invisível obviamente não possui cor. É quando a fotografia digital realizada por uma câmera modificada em laboratório deixa a critério do fotógrafo a escolha da matiz de cada imagem, multiplicando suas possibilidades criativas. O livro “Rio Infravermelho”, lançado pelo artista há quatro meses, pela editora Casa da Palavra foi também um fator motivador para esta exposição que exibirá algumas imagens que não foram publicadas na apurada edição.

 

 

A palavra do artista

 

“Considero o Rio de Janeiro uma cidade feia encravada num dos mais belos sítios do Mundo. As paisagens tomadas de longe, a partir das montanhas, do mar ou da outra margem da baía, contrastam radicalmente com a visão de quem está ao pés de um prédio em Copacabana (que deve ter sido a mais linda praia do planeta até um século atrás), ou no fluxo de algum engarrafamento na Paulo de Frontin.  Nos incomoda nesta cidade a total falta de personalidade arquitetônica e a trágica ausência de planejamento urbano. Desde sua fundação foi porto das riquezas arrastadas do interior profundo do Brasil, e desta maneira o caráter de seu povo foi forjado pela violência e leviandade de oportunistas e aventureiros que não tinham compromisso nenhum com a terra. Este espírito ainda está em voga por aqui, como uma herança maldita de exploradores, colonizadores e desterrados.  E é, por outro lado, tão grande a beleza e a generosidade da natureza que jamais nos forçou para uma postura mais moderada e racional com nosso espaço, ao contrário: é como se ainda houvesse muito a ser explorado e arrancado de suas florestas e rios e os primeiros a chegarem serão os beneficiados, enquanto que aqueles que clamam por preservá-los ficam de ingênuos e sonhadores. É preciso dizer que o carioca está para o Rio, neste sentido, como está o brasileiro para seu riquíssimo e vasto país. Em mais um aspecto o povo da Guanabara é caixa de ressonância da mentalidade dos de Pindorama.  Imaginem se as considerações de D. João VI vigorassem: de Botafogo para oeste, todo o litoral seria um parque protegido… porque não restaurar este sonho?

 

“Decidi separar a cidade de seu panorama natural. Sem manipular as imagens, princípio que mantenho em todos os meus trabalhos como fotógrafo, o filme infravermelho camufla o concreto sobre as bordas das montanhas e pedras. Quando isso não é possível, recorro ao filme infravermelho colorido (que também não se fabrica mais), que interpreta como vermelho as matas luxuriantes das florestas, relegando a uma massa branca a cidade que macula a paisagem. Não poderia haver melhor recurso para isso, sem falar na magia em se registrar algo que não se vê  a olho nú e que o fotógrafo, em sua razão de existir, descortina para seu público. Um pequeno orgulho que tenho de minha profissão”.

 

 

Um recorte do depoimento de Arthur Dapieve

 

“A ideia de viver num paraíso perdido marca o imaginário dos habitantes do Rio mais do que o de qualquer outro brasileiro graças à espetacular paisagem natural de sua cidade. Entre seus habitantes, sobrevive um sentimento que se assemelha a uma imaginária memória coletiva: o de que a cidade era ainda mais bela, e decerto bem mais pura, antes que a ação do homem, ao menos a ação do homem branco, lhe oferecesse a maçã do pecado, que os seres humanos começassem a se reproduzir sem controle, e que construções começassem a ser erguidas sem ordenamento algum. Este, claro, é um sentimento paradoxal: a cidade seria melhor quando ainda não existia cidade. Portanto, os cariocas vivem sobre os escombros desse paraíso, nostálgicos de alguma data antes de 1555, ano da fundação do primeiro forte francês numa ilha da Baía de Guanabara, dez anos antes da fundação oficial da cidade pelo português Estácio de Sá. Assim sendo, além do banho de mar e do jogging no calçadão, há um exercício bastante familiar ao morador do Rio. Consiste em contemplar a paisagem e limpá-la das interferências humanas numa espécie de Photoshop mental. Saem o Cristo Redentor do alto do Corcovado, as antenas de TV do Sumaré, os bondinhos do Pão de Açúcar, o caos arquitetônico do paredão de prédios à beira-mar, as favelas perigosamente encarapitadas nos morros, o trânsito infernal, a massa de gente a vagar pelas ruas. Sobra tão somente a cidade ideal, ou melhor, sobra a natureza exuberante que é o seu traço distintivo entre as metrópoles do mundo. Nenhuma delas – nem sua “gêmea” do outro lado do Atlântico Sul, a Cidade do Cabo – tem aquelas montanhas e toda uma floresta dentro de si. Mesmo a Floresta da Tijuca, porém, faz parte do esforço de recuperar parte daquele paraíso terreal: ela nasceu de um projeto de reflorestamento empreendido à época do imperador D. Pedro II pelo major Manoel Gomes Archer. O desmatamento causado pelas fazendas de café que cobriam quase todas as encostas da região ameaçava o suprimento de água para a então capital do Brasil.”

 

“O fotógrafo Renan Cepeda – carioca nascido em 1966, em um dos bairros mais tradicionais da cidade, Santa Teresa, onde ainda reside – faz mais ou menos o que o heroico major fez na Floresta da Tijuca e o que cada um dos seus conterrâneos faz quase todo dia, andando na rua ou da janela de um carro preso num engarrafamento. Graças a registros feitos em infravermelho, ele “refloresta” áreas para sempre perdidas à cidade, além de fixar imagens que de outro modo se perderiam em devaneios individuais. Nesse sentido, o presente livro é como uma viagem no tempo. Por conta do efeito criado pelo reflexo da luz infravermelha em áreas do Rio hoje ocupadas por prédios ou barracos, as construções surgem como ruínas de uma civilização perdida. Difícil dizer, porém, se Cepeda retrocede ou avança, se ele flagra um Rio arqueológico ou se ele antecipa um Rio apocalíptico, depois que seus despojos forem engolfados pela natureza vigilante. Para o próprio Cepeda, a fotografia infravermelha foi uma tábua de salvação. Tendo feito um registro “normal” e casual de uma manifestação de moradores em Copacabana, no final dos anos 1980, ele foi levado para o Jornal do Brasil – então um dos quatro periódicos mais importantes do país – por Carlos Hungria. Lá, Cepeda se profissionalizou na dureza e na diversidade das pautas diárias e na convivência com colegas experientes, como o próprio Hungria, Orlando Brito, Geraldo Viola, Alberto Ferreira, Evandro Teixeira e Chiquito Chaves. Sua técnica se aprimorou no trabalho como repórter fotográfico, para o qual uma jornada poderia incluir partida de futebol, vítimas de chacina e retrato de artista. No entanto, faltava algo para Cepeda, faltava a possibilidade de se expressar de maneira autoral. Ele não queria ser apenas “mais um” e passou a nutrir uma certa ojeriza pela fotografia que se contenta em reproduzir algo que já está à vista de todos. Não que desejasse manipular imagens, alterando-as após a captação, como hoje também é tão comum. De jeito nenhum. A influência do fotojornalismo persistia. Cepeda queria era revelar aspectos ocultos em seus objetos”.

 

“Filmes em infravermelho deixados por seu pai – um fotógrafo amador que tinha um laboratório em casa – serviram para dar vazão a esse desejo de imprimir uma marca distinta ao próprio trabalho. Cepeda utilizou as horas vagas, que em um jornal nunca são muitas, para começar a registrar uma das cidades mais fotografadas do mundo sob uma outra luz. Literalmente. A infravermelha. Nunca mais parou, embora, a princípio, ainda não soubesse direito qual o propósito. A crise vocacional se agravou no decorrer dos anos 1990. O jornalismo já não lhe dizia nada, e por pouco Cepeda não desistiu da fotografia em prol do cinema depois de ser correspondente da agência francesa Sipa-Presse na cidade. Então, em 2002, quando a galerista Anita Schwartz convidou-o a montar a primeira exposição individual, Cepeda lançou mão das fotos infravermelhas. O sucesso da mostra Invisíveis provou-lhe que o seu lado B poderia se transformar no seu lado A. A partir dali, ele percebeu que conseguiria viver da fotografia de arte. Embora paralelamente tenha desenvolvido outras linhas de trabalho, como o light painting, na qual a iluminação manual e/ou o movimento de câmera criam desenhos de luz, Cepeda desde então transformou as fotografias infravermelhas em sua marca registrada. A fotografia infravermelha permite a Cepeda revelar, mesmo ao mais observador dos cariocas, aspectos desconhecidos de sua cidade, além de materializar aquela visão paradisíaca. Não se trata, porém, apenas de uma questão físico-química. O que realmente valoriza o seu trabalho é como escolhe os ângulos que, aliados à luz tornada visível pela fotografia infravermelha, criam estranheza onde antes havia apenas uma familiaridadeblasée. Pegue-se uma fotografia da pista de atletismo na altura de um dos extremos do Parque do Flamengo, próximo de onde fica o pequeno obelisco em memória de Estácio de Sá, fundador da cidade. O monumento não aparece na foto, encoberto que está pelos ipês-rosas (que fazem pensar na temporada de floração das cerejeiras no Japão). A coloração e a ausência de gente transmite uma sensação de paz cada vez menos compatível com o Rio. A “assinatura” da cidade está em segundo plano e é, nada mais, nada menos, que metade do Morro do Pão do Açúcar, com estação de bondinho e tudo, destituído da majestade quase onipresente nos registros turísticos e publicitários. Ali, com Cepeda, o Pão de Açúcar se torna quase incongruente.”

 

 

Sobre o artista

 

Carioca praticante, de família portuguesa, Renan Cepeda é formado em Mecânica Industrial pelo CEFET-RJ. Começou a fotografar em preto e branco com 11 anos de idade, influenciado por seu pai, um fotógrafo amador. Escolado na experiência do fotojornalismo no Jornal do Brasil dos anos 1980, colaborou também para as maiores publicações do país, e foi correspondente da agência francesa SIPA-Presse no Rio. Dedicando-se hoje integralmente à fotografia de arte, Renan Cepeda é reconhecido pelas pesquisas sobre técnicas fotográficas incomuns, como a fotografia infravermelha e o light painting, tendo sido contemplado por vários prêmios no Brasil e exterior. Em 2010 fundou o Ateliê Oriente com os fotógrafos Kitty Paranaguá e Thiago Barros, seu local de trabalho no bairro de Santa Teresa.

 

 

De 16 de abril a 07 de julho.

Arte em extensão

08/abr

Com 4 metros de altura e 100 de extensão, criação única de Fabian Marcaccio espalha-se por espaços variados da Casa Daros, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ. A grande arte. Único trabalho a ser exibido na mostra de mesmo nome, Casa Daros, “Paintant Stories”, do argentino radicado em Nova York, Fabian Marcaccio, explora sem acanhamento o conceito de arte monumental. Trata-se de um obra de técnica mista sobre tela, com presença marcante de tinta a óleo, 4 metros de altura e nada menos do que 100 metros de extensão. Apresentado pela primeira vez no continente americano, o trabalho criado em 2000 (cujo nome, em tradução livre, seria algo como “histórias pintantes”) vai percorrer sinuosamente os espaços expositivos do 1º andar. Em certo ponto, atravessa uma janela e cruza, suspenso, o pátio interno (por um trecho de 14 metros), antes de seguir seu caminho entrando do outro lado do centro cultural. Além de impressionar quando admirada a distância, a criação de fôlego exibe grande riqueza de detalhes a quem a observa mais de perto.

 

 

Até 10 de agosto.
Fonte: VEJA-RIO, texto Rafael Teixeira.

Coleção Sylvio Perlstein

Atração no MAM, Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, a exposição que reúne 150 obras do colecionador Sylvio Perlstein provoca um efeito ambíguo sobre o visitante. A primeira sensação é de caos, como se os trabalhos pouco ou nada tivessem a ver uns com os outros. Há módulos dedicados à pop art, à fotografia vintage, ao surrealismo, à arte povera e ao minimalismo, por exemplo. Aos poucos, entretanto, vai se revelando um certo espírito comum a todo o conjunto, que mescla algo de curioso, bem-humorado – inusitado, como anuncia o nome da mostra. Um dos colecionadores mais reputados do mundo, o brasileiro de origem belga, atualmente radicado em Paris, tem aqui exibida uma relevante parte do seu acervo. Há nomes canônicos, como Dalí, Kandinsky, Magritte, Warhol, Man Ray, Basquiat, Duchamp, Miró e Haring (que comparece com seu primeiro óleo sobre tela, Mickey Mouse, de 1981), entre muitos outros. Sumidades da arte contemporânea, a exemplo de Richard Serra e Nan Goldin, também ocupam o espaço e convivem com nomes menos conhecidos. Pautada pelo olhar único de Perlstein, à margem de tendências e do mercado, a coleção não reúne necessariamente as obras mais famosas desses artistas – o que, inusitadamente, só reforça a sua expressividade. Após o Rio de Janeiro, a exposição será exibida no MAM-SP.

 

 

A palavra do curador do MAM-RIO

 

Conheci Sylvio Perlstein faz uns dez anos. O marchand Jean Boghici ligou-me dizendo que estava com um colecionador belga que amava o Rio, crescera na cidade e formara ao longo da vida uma das coleções mais interessantes que conhecia. À época, eu era crítico de arte do jornal O Globo. Não perdi tempo e fui conhecê-lo em um hotel de Ipanema. De fato, Sylvio era uma pessoa peculiar. De bermuda e sandálias, fomos conversar no calçadão. Alguns dias depois, publiquei uma entrevista com ele na capa do Segundo Caderno.

 

Sua coleção era, de fato, única. Todavia, o que mais me interessou é que ela foi sendo formada junto aos artistas que conhecera e que lhe abriam as portas do ateliê e dos amigos artistas. Os surrealistas vieram por meio da amizade com Man Ray. Os minimalistas e conceituais por meio de Robert Ryman – que conhecera em um bar, ainda em meados da década de 1960. Assim, ele foi construindo uma coleção que juntava partes da arte do século 20 que nunca conversam nos livros de história e crítica. Os surrealistas e os conceituais, os dadaístas e os minimalistas, os europeus, os norte-americanos e os brasileiros.

 

Enfim, muita coisa boa da arte do século 20, momentos marcadamente radicais, convivem sem cerimônia nas salas, nos quartos e na biblioteca de sua casa parisiense. O ambiente que acolhe a coleção é autêntico e traz um pouco da vida daquelas obras. Não há afetação nem deslumbramento de colecionador que transforma a casa em galeria. As obras pertencem à casa, ao espaço de habitação, de convivência, de moradia. Na biblioteca, objetos dadaístas e peças primitivas misturam-se aos livros e elementos decorativos sem diferenciações e caixas de acrílico. O espaço é todo ele artístico e não artístico, nos convida a ficar nele sem perder o travo de estranhamento de todos aqueles “mundos”, que palpitam sem parar.

 

Trazer essa coleção ao MAM é compartilhar um pouco do meio século de convivência íntima de Sylvio Perlstein com obras de arte seminais – e pouco colecionáveis. É o desdobramento, com a arrojada intervenção de Leonel Kaz, daquela primeira conversa na praia de Ipanema, em que ele dizia adorar o Rio e querer mostrar aqui sua coleção. Aí está. Mais que uma coleção, o que vemos é o resíduo de uma experiência cotidiana.
Luis Camillo Osorio

 

 

Até 25 de maio.

Fontes: site MAM-RIO; VEJA-RIO.

Cores & Formas com Ranulpho

07/abr

O conceituado marchand Carlos Ranulpho, através de sua Ranulpho Galeria de Arte, Bairro do Recife, Recife, PE, apresenta a exposição “Cores&Formas” com a participação de obras assinadas por Carlos Scliar, Claudio Tozzi, Juarez Machado, Lula Cardoso Ayres, Fédora e Vicente do Rego Monteiro, Virgolino, Reynaldo Fonseca, Siron Franco, Mário Nunes Alcides Santos e a participação especial de obras (e texto) do pintor Carlos Araujo que afirma:

 

Que belas recordações as visitas que fazia em minha adolescência na Galeria Ranulpho em São Paulo! Pacientemente ele atendia àquele curioso rapaz e revelava as belezas das pinturas de grandes artistas que, devido a seu trabalho, a cidade tinha a honra de acolher. Maravilhosas surpresas do espírito que o tempo se encarrega de explicitar. Agora tenho a oportunidade de me apresentar no Recife, através da mesma galeria da qual recebi tanto carinho e orientação. Dos treze aos trinta anos, me dediquei à pintura que descrevia um mundo das consequências da ausência da solidariedade e amor ao próximo nas atitudes humanas. Este trabalho resultou em monografia editada por Claude Draeger, em Paris, apresentada por Pietro Maria Bardi e Pierre Restany. A partir dos trinta adentrei, pela Misericórdia Divina, ao mundo das causas que provocavam tanta desigualdade, e esta época marcou minha conversão, também pela Misericórdia; a partir de então comecei a pintar a Mensagem Bíblica. Após 25 anos este caminho resultou na edição de “Bíblia Citações” em 2007, com 1200 pinturas que tentam ilustrar cerca de 1750 versículos da Bíblia Sagrada e gostaria de deixar, através delas um depoimento que veio através de mim como instrumento, de uma Força imensamente maior, adimensional.

 

 

Até 17 de abril.

Nazareno apresenta obras inéditas

O Oi Futuro, Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, exibe a exposição “Somos Iguais” do artista Nazareno, sob a curadoria de Tainá Azeredo. No primeiro nível, o artista apresentará instalação composta por 18 instrumentos musicais infantis restaurados, acompanhados de fotografias em grandes formatos registrando o estado em que foram encontrados. Uma trilha sonora criada pelo músico Paulo Beto a partir dos próprios instrumentos de brinquedo, especialmente para a mostra, completa a ambientação. O arranjo parte da tentativa de reprodução de músicas infantis e melodias harmônicas, mas acaba por criar sons inusitados produzidos pelos instrumentos defeituosos. Os pequenos instrumentos exibidos foram pinçados da coleção particular de Nazareno, formada desde o final dos anos 1990. O artista começou a restaurá-los no ano 2000 e enfrenta dificuldades em conseguir peças para completar os reparos. Para exibir sua visão sobre homens e instrumentos, as obras serão expostas com suas particularidades moldadas pelo tempo. Alguns foram completamente restaurados, outros apresentam mazelas e os danos causados pelo uso e o passar dos anos.

 

“Alguns foram fabricados há mais de 60 anos e as peças já não são mais produzidas”, conta Nazareno. “Este trabalho tem relação direta com os sentimentos humanos. A impossibilidade de consertar os danos se mostrou como uma metáfora: assim como os brinquedos, alguns sentimentos, depois de danificados, não podem ser reparados. Nesse ponto, acredito que nós ‘Somos Iguais’ aos instrumentos”, conclui.

 

No nível térreo, serão exibidas fotos autobiográficas inéditas da série de “De Onde (eu) Venho”, que ilustram o processo criativo do artista, registrando seu local de trabalho. Completam a mostra três vídeos do artista feitos especialmente para a ocasião. Munido de uma câmera, Nazareno foi a casas de amigos registrar particularidades de seus ambientes. Os vídeos foram designados pelos nomes dos proprietários das residências. A produção está a cargo de Anderson Eleotério e Izabel Ferreira – ADUPLA Produção Cultural.

 

 

Sobre o artista

 

Nazareno nasceu em São Paulo e passou sua infância e adolescência em Fortaleza. Em 1987, mudou-se para o Distrito Federal, onde concluiu bacharelado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília em 1998. A partir do ano seguinte, participou de diversas exposições de destaque pelo Brasil e exterior e foi premiado no Salão de Artes Visuais de Brasília de 2001. Em 2004, lançou o livro “São as Coisas que Você Não Vê que nos Separam” e em 2013 o livro “Num lugar não longe de você”. Possui obras em diversas coleções públicas e privadas. Nazareno é reconhecido por explorar aspectos relativos a memórias, perdas e superações. Também trabalha questões como a impossibilidade de transformação do sujeito frente ao mundo contemporâneo. “Entrar no trabalho de Nazareno é como abrir um álbum de família, em que cada página e cada imagem vem acompanhada de uma narrativa pessoal, transformada pelo tempo e pela memória. Buscando nas raízes profundas de sua própria história e escavando um passado familiar, o artista fala sobre a impossibilidade da recuperação de emoções que pertencem a um tempo antigo”, explica a curadora, Tainá Azeredo.

 

 

Sobre o Oi Futuro

 

O Oi Futuro é o instituto de responsabilidade social da Oi, que desenvolve e apoia programas e projetos nas áreas de educação, cultura e sustentabilidade. O Oi Futuro tem um compromisso com a transformação e com a inclusão social, tendo como missão promover o desenvolvimento humano por meio das tecnologias da informação e da comunicação. Desde 2001, suas ações visam democratizar o acesso ao conhecimento e reduzir distâncias geográficas e sociais, com especial atenção à população jovem.

 

Na educação, os programas NAVE e Oi Kabum! usam as tecnologias da informação e da comunicação, capacitando jovens para profissões na área digital e criativa, fornecendo conteúdo pedagógico para a formação de educadores da rede pública e fomentando o desenvolvimento de modelos inovadores. Já na área cultural, o Oi Futuro mantém dois espaços culturais no Rio de Janeiro (RJ) e um em Belo Horizonte (MG), com programação nacional e internacional de qualidade reconhecida e a preços acessíveis, e o Museu das Telecomunicações nas duas cidades, além de apoiar festivais e projetos em todas as regiões Brasil por meio do Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados.

 

O programa Oi Novos Brasis reafirma o compromisso do Instituto no campo da sustentabilidade, com o apoio e o desenvolvimento de parcerias com organizações sem fins lucrativos para a viabilização de ideias inovadoras que utilizem a tecnologia da informação e comunicação para acelerar o desenvolvimento humano. O esporte completa o seu escopo de atuação apoiando projetos aprovados pelas Leis de Incentivo ao Esporte, tendo sido a Oi a primeira companhia de telecomunicações a apostar nos projetos socioeducativos inseridos na Lei Federal.

 

 

De 14 de abril até 1º de junho.

Isabel Ramil no Santander Cultural

Espaço que contribui há mais de década para a divulgação da arte contemporânea no circuito de Porto Alegre, RS, o Santander Cultural iniciou sua programação de exposições para 2014. Com a primeira das quatro mostras do “Projeto RS Contemporâneo”, que destaca a produção de jovens artistas, a instituição abre um calendário que ainda contará com Vik Muniz e uma homenagem à memória do escritor Moacyr Scliar.

 

A exposição “A Dimensão Lírica das Coisas” apresenta a produção recente de Isabel Ramil. O curador Gilberto Habib selecionou trabalhos que, ao mesmo tempo em que demonstram a diversidade de linguagens de uma artista em formação (fotografia, vídeo, gravura, desenho e áudio), têm em comum referências de infância e família. É o caso de “Implacável”, instalação composta por áudio e 25 fotos que a artista registrou nas ruas de Rosário do Sul, RS, cidade de seus avós. Nesse trabalho, Isabel Ramil compõe cenas a partir de uma série de lugares que são igualmente identificados por placas de sinalização, criando uma espécie de jogos de metalinguagem. O folder da exposição traz uma foto de Isabel Ramil em performance na qual representa o escritor Marcel Proust na pose que foi pintado por Jacques-Emile Blanche.

 

O RS Contemporâneo ainda apresentará a produção dos artistas Daniel Escobar, Romy Pocztaruk e Ismael Monticelli.  Seguindo com sua programação, em 21 de maio o Santander trará uma exposição que já se candidata a figurar entre as principais do ano em Porto Alegre: Vik Muniz, um dos nomes brasileiros mais requisitados no exterior, apresentará 45 trabalhos produzidos desde os anos 1980. O artista é conhecido por usar materiais e imagens de todo tipo, de lixo reciclável a recortes de revistas. Destacando colagens e fotografias, será a primeira individual de Vik em Porto Alegre.

 

 

Até 04 de maio.

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