Juliana Galbetti apresenta, em Veneza, instalação com resíduos de tiro sobre a qual o público poderá caminhar. A obra “Era do Ruído” integra a mostra dos finalistas do Arte Laguna Prize que reunirá artistas de 50 países de 06 a 29 de novembro no Arsenale Nord, Sestiere Castello, 6611, Veneza, Itália.
Finalista da 21ª edição do Arte Laguna Prize, referência na promoção e difusão de artistas emergentes de todo o mundo, Juliana Galbetti apresentará a instalação “Era do Ruído” (Age of Noise) na exposição que reunirá os 240 finalistas das duas últimas edições do prêmio, com curadoria de Xiaoyu Weng e Jemima Kulumba.
Com 16 m², a instalação será composta por munições deflagradas, cápsulas e projéteis deformados e outros resíduos recolhidos em locais de prática de tiro, apresentados em vitrines horizontais, com estruturas metálicas e tampos de vidro temperado, sobre os quais o público poderá caminhar, como se percorresse um sítio arqueológico.
“A apresentação em vitrines de chão caminháveis aproxima os fragmentos dos modos de exposição da arqueologia, mas aquilo que está sob nossos pés não pertence a uma civilização desaparecida. São vestígios de uma prática ainda em operação. Tratamos o nosso presente como se ele já pudesse ser encontrado em uma escavação futura”, diz a artista.
A coleta, a organização como acervo e a experiência de caminhar sobre as vitrines oferecem um percurso que permite interrogar uma prática e sua permanência no presente. Fruto de uma pesquisa iniciada há cinco anos, “Era do Ruído” é uma instalação site-responsive (que dialoga com as características do espaço onde é apresentada), concebida para a 7ª Bienal do Sertão, em Diamantina, Minas Gerais, em 2025. Para a exposição em Veneza, a instalação será ampliada. “Há algo que convida à aproximação: o brilho dos materiais, a organização minuciosa e uma forma de apresentação que parece familiar. Mas, ao se deter ali, o olhar pode encontrar relações que não se acomodam tão facilmente nessa primeira impressão. Interessa-me quando aquilo que nos atrai também nos faz interrogar o que estamos vendo – e os critérios com que estamos olhando”, afirma a artista.
Selecionada entre mais de três mil inscritos de todo o mundo, Juliana Galbetti está entre os 120 finalistas da 21ª edição do prêmio, escolhidos por um júri internacional criterioso, que inclui o curador brasileiro Hélio Menezes, cocurador da 35ª Bienal de São Paulo, “Coreografias do impossível’. Também integraram o júri Sarah Crowe, Yuko Hasegawa, Wang Chunchen, Gianluigi Ricuperati, Linzi Stauvers e Jemima Kulumba.
Sobre a artista.
Juliana Galbetti nasceu em Joinville, SC, em 1976. Vive e trabalha em São Paulo. É formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina e iniciou sua trajetória nas artes visuais em 2018. A relação com materialidade, aparência e corpo se amplia, em sua pesquisa, para sistemas de classificação, arquivo, valor, ritual e representação. Sua produção transita entre instalação, escultura, desenho, fotografia, processos têxteis e práticas participativas. A partir de materiais carregados de densidade histórica, cultural e simbólica, constrói situações em que esses sistemas são deslocados, reencenados ou tensionados.



