Exposição de esculturas de Leonardo Stockinger.

09/out

“Todas as Outras Casas”, exposição individual de esculturas de Leonardo Stockinger pode ser visitada no casarão rosa da Rua Luciana de Abreu, 450, Porto Alegre, RS, onde funciona a Galeria Stockinger. Com a curadoria de Heloisa Medeiros, “Todas as Outras Casas” estabelece uma relação direta de sua obra com a ocupação dos espaços, a transitoriedade das coisas, das pessoas, seus desafios e desejos.   

A fala do artista.

“A ideia de Todas as Outras Casas é simples e vai muito de encontro com o que eu acredito. Que é a arte exercendo sua função principal de alicerce da comunicação. Compartilhar, trocar e interagir. A proposta é um encontro que celebra a arte e as conexões”.

“Os reencontros e as descobertas dos últimos meses em Porto Alegre deixaram marcas em lugares desconhecidos em mim e na minha arte. Produzi em alta intensidade, ampliei meu vocabulário e reacessei lugares de sentimento profundo. Abro as portas de casa, deixo entrar, saio e sempre volto, foi mais ou menos assim esse tempo. Muitos me viram trabalhando diariamente, foi uma vitrine a céu aberto, alguns entraram para ficar, outros deram só uma passadinha, até os acenos foram marcantes”.

.

Sobre o artista

Nascido em Porto Alegre (RS) em 1980, radicado na Austrália desde 2005, Leonardo Stockinger é um escultor formado em 2009 pela Escola Nacional de Arte em Sydney, Austrália. Em 2012 formou-se no TAFE como técnico em fabricação de metais. O artista cresceu cercado por arte. O avô, Francisco Stockinger, artista austríaco-brasileiro, um dos principais escultores modernos de sua geração, o influenciou profundamente. Em 2025, apresentou a exposição “Vísceras-Corpo e Existência”, em Porto Alegre e Sydney. Em 2026 apresentou “Depois de 1000 Anos”, no Museu de Arte do Paço, com curadoria de Bernardo José de Souza.

 

Um patrimônio universal.

07/out

A mostra “Remissões – permanências e releituras”, com curadoria de José Francisco Alves e Marco Aurélio Biermann Pinto, poderá ser visitada a partir do dia 09, na Casa da Memória Unimed, Porto Allegre, RS.

Em exibição, um importante acervo, proveniente de museus e coleções particulares, além de obras de artistas de diversas épocas, inspiradas na experiência social e cultural das Missões, com abordagens sobre aquela produção de arte e arquitetura do século XVI. Há obras produzidas especialmente para a exposição e outras já existentes com o tema, realizadas desde a década de 1940 até o presente.

Serão passados em vídeo fragmentos de um filme raro realizado pelo destacado pesquisador Carlos Galvão Krebs (1914-1992), durante suas investigações sobre as Missões, na década de 1980. A mostra destaca a fundação da Missão de São Nicolau, em 1626, a primeira das Reduções do Tape, no território do atual Rio Grande do Sul, feito da Companhia de Jesus, conhecida como a Ordem dos Jesuítas, e considerado de importância na História Universal

Durante o período da exposição, serão realizadas no Auditório da Casa da Memória Unimed RS palestras gratuitas com especialistas em Missões Jesuíticas, investigadores de Porto Alegre, Santa Maria e Rio Grande (FURG), em duas manhãs de sábado (10h) nos dias 17 deste mês e 28 de novembro.

Côa Road Movie Um ateliê a céu aberto.

O Instituto Ling, bairro Três Figueiras, Porto Alegre, RS,  apresenta “Côa Road Movie”, exposição de Guilherme Dable e Marcelo Moscheta. Resultado de uma expedição artística realizada ao longo dos 135 km do rio Côa, no interior de Portugal, a mostra reúne desenhos, pinturas, aquarelas, fotografias e diferentes registros produzidos durante e após a travessia. 

Ao percorrerem o território da nascente à foz, sem roteiro pré-definido e em constante diálogo com a paisagem, os artistas transformaram a experiência da viagem em matéria artística. As obras refletem sobre memória, tempo, território e os limites entre expedição, viagem e ateliê, propondo um percurso sensorial por uma região marcada pela presença da natureza preservada e por vestígios milenares da ocupação humana.

Criadas a partir do contato direto com a paisagem, as obras surgem de um processo que combina observação, deslocamento, coleta e criação. Como definem os artistas: “Um rio de sedimentos e memória, uma reflexão sobre os limites entre expedição, viagem e ateliê. Mais sensorial do que narrativo, como olhar pela janela de um carro em movimento.”

A abertura acontece no dia 13 de outubro, terça-feira, às 19h, com uma conversa aberta ao público entre os artistas. No encontro, a dupla compartilhará as experiências, percursos e processos de criação que deram origem à exposição.

Sobre os artistas.

Guilherme Dable (1976, Porto Alegre, Brasil) foi um dos fundadores e co-gestor do Atelier Subterrânea, espaço independente baseado em Porto Alegre, ativo entre 2006 e 2015. Vive e trabalha a partir de Porto Alegre. Sua pesquisa abarca principalmente as linguagens do desenho e da pintura, expandindo-se para investigações que flertam com a ocupação do espaço, não se atendo somente aos suportes tradicionais das linguagens. Suas obras estão nas coleções públicas do Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAM/RJ), Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), Fundação Vera Chaves Barcelos (FVCB), Instituto Ling, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC/RS), Casa do Olhar Luiz Sacilotto e da Coleção Gilberto Chateaubriand, entre outras. Foi artista residente no Vermont Studio Center (Estados Unidos) em 2015, no Instituto Cultural Torus (Brasil) em 2018, e no Kristinestad Artist Residency (Finlândia) em 2024.

Marcelo Moscheta (1976, São José do Rio Preto, Brasil) é artista visual e pesquisador cuja prática articula base processual e profunda referência conceitual. Formado em Educação Artística pela UNICAMP, vive e trabalha atualmente em Portugal, onde dedica-se ao Doutorado em Arte Contemporânea na Universidade de Coimbra. Sua pesquisa parte das relações primordiais entre o homem e o meio ambiente, explorando como as intervenções humanas emergem dos atos de perambular e caminhar.

Uma linguagem em constante deslocamento.

Em cartaz no Museu de Arte de Blumenau, SC, a exposição “Paisagem como linguagem: entre espaço, imagem e experiência” está aberta para visitação até o dia 1º de novembro. A artista plástica gaúcha radicada na Itália Cristie Boff foi uma das escolhas da curadora Ana Zavadil para participar da mostra coletiva.

A paisagem nessa exposição, não se apresenta como cenário, ou pano de fundo, mas como uma linguagem em constante deslocamento. Ela emerge entre o que é visto e o que é vivido, entre o espaço que se habita, a imagem que se constrói e a experiência que se partilha. 

A paisagem é abordada não como motivo iconográfico, ou referência geográfica, mas como linguagem transversal, que atravessa práticas, materiais e modos de percepção. Mais do que representar o mundo, as obras operam a paisagem como campo expandido, em que o espaço, a imagem e a experimentação se articulam de forma indissociável, pois, no campo expandido, as categorias tradicionais deixam de ser fixas e passam a operar como relações. A exposição reúne obras que abordam a paisagem como linguagem e experiência, articulando espaço, imagem, corpo e signo e convida o público a experimentar a paisagem como condição compartilhada e em permanente transformação.

Artistas participantes.

Andréa Brächer, Alexandra Eckert, Cátia Usevicius, Cleci A. Serpa, Cristie Boff, Edson Possamai, Esther Bianco (in memorian), Fátima Pinto, Isa Dóris Teixeira de Macedo, Isabel Ferreira, Isabel Marroni, Ivone Rabelo, Jane Maria, Jussara Moreira, Kika Costa, Lisi Wendel, Mara Castilhos, Mari Sangoi, Márcia Marostega, Maria Cristina, Mariza Vedana, Mary Marodin, Mhel Gabbardo, Mylène d’Huyer, Paulo Abenzrragh, Rita da Rosa, Selir Straliotto, Tina Dumoncel e Virginia Ghiggi.

Diferentes possibilidades de sugerir movimento.

06/out

A xilogravura “Procura do Branco” (1966),  de Vera Chaves Barcellos, integra o material educativo da exposição coletiva “Uma Força Estranha”, em cartaz na Sala dos Pomares, na Fundação Vera Chaves Barcellos, em Viamão, RS. Na xilogravura, o contraste cromático entre as linhas verdes e as manchas laranjas sobre o fundo preto e branco, carregam a potência da obra. Criam uma sensação de movimento, como se as formas lutassem para ocupar o mesmo espaço.

Como obras relacionadas, os trabalhos de Lily Hwa e Suely Anna Kelling também exploram diferentes possibilidades de sugerir movimento em um quadro. Na gravura de Lily Hwa, o contraste entre o fundo acinzentado e as linhas escuras cria profundidade. Já na pintura de Suely Anna Kelling, formas ovaladas e traços vermelhos em meio a um vórtice azul-escuro, produzem uma movimentação orgânica e fluida.

O material educativo foi desenvolvido pelas equipes do Programa Educativo, Margarita Kremer e Ethiene Nachtigall, e do Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Vera Chaves Barcellos, por Yuri Flores Machado e João Lizardo. A partir dos três vetores de aproximação propostos por Ana Albani de Carvalho – natureza, corpo e geometrias instáveis -, o conteúdo reúne sete fichas com propostas de atividades relacionadas a 16 obras da exposição, além de reflexões sobre os trabalhos das artistas e sugestões de conteúdos audiovisuais e literários, voltadas a professores e educadores.

Um diálogo transgeracional.

A aproximação entre Abraham Palatnik (Natal, 1928 – Rio de Janeiro, 2020) e Juan Parada (Curitiba, 1978) em exposição (Reverbero, Resonance) na Simões de Assis, Curitiba, PR, exibe um encontro entre os artistas que converge em um diálogo transgeracional que investiga cinetismo, luz e matéria.

Os rumos da história da arte foram recalculados pela presença de Abraham Palatnik, ao lado de Jesús Rafael Soto e Carlos Cruz-Diez. O grupo ocupa um lugar fundamental e fundador na arte cinética latino-americana ao potencializar o artesanal e a utilização de suportes pouco convencionais nas artes visuais. Os aparelhos cinecromáticos de Palatnik – estruturas de motores e luzes – obtiveram grande reconhecimento, tendo inclusive participado da primeira Bienal de São Paulo, em 1951, com menção especial do júri internacional. 

Diante da amplitude de sua dimensão matérica, Abraham Palatnik também realizou obras que dispensam a utilização de dispositivos eletrônicos e simulam o movimento na projeção de camadas e sombras. 

Há um diálogo com a poética de Juan Parada, que desenvolve sua pesquisa em cerâmica e escultura há mais de duas décadas. Ao longo de sua trajetória de pesquisa, afinou seu conhecimento técnico, como quando em 2016, realizou uma residência artística no Jingdezhen International Studio na China e posteriormente na Holanda, em 2022, no European Ceramic Workcentre em Oisterwijk. Os artistas apresentam uma dinâmica visual em ressonância, em um ritmo progressivo da forma na criação de relevos e volumetria, evidenciando a destreza técnica somada a reinvenção da linguagem.

Em Abraham Palatnik e Juan Parada nenhum processo e sistema pode ser descrito por relações lineares de causa e efeito, são atuantes e habitam o território do devir e da variabilidade. Ambos constroem sistemas completos/complexos em produção de sentido. A matemática e a precisão constroem sistemas virtuais, mas é na matéria que nos deparamos com a dimensão física e temporal dos artistas, desvelando seus desvios.

Até 17 de outubro. 

Marcando a trajetória de Alfredo Jaar.

30/set

A Pinacoteca do Ceará apresentou a primeira exposição individual de Alfredo Jaar (Santiago, 1956) em Fortaleza, com curadoria de Moacir dos Anjos. A mostra,  com 16 obras produzidas entre os anos 1980 e 2026, exibiu quase cinco décadas de trajetória do artista, arquiteto e cineasta chileno. Entre os destaques estão instalações imersivas já consagradas como “Lamento das imagens” (2002), “O som do silêncio” (2006) e “06.01.2020 18.39” (2022) – esta última inédita no Brasil -, além de “A luz do nosso céu”, obra criada especialmente para o pátio aberto da Pinacoteca. A instalação nasceu de uma visita de Alfredo Jaar ao espaço dois anos antes da abertura: a luz intensa de Fortaleza, que ilumina e ofusca simultaneamente, inspirou o artista cuja prática é fundamentalmente construída sobre as qualidades e paradoxos da luz.

Presença de Brumadinho no mapa internacional.

29/set

O colecionador Bernardo Paz prepara novo museu de arte contemporânea em Brumadinho. Idealizador do Inhotim, MG, Bernardo Paz avança em um novo projeto cultural que deve ampliar ainda mais a presença de Brumadinho no mapa internacional da arte contemporânea.

O empreendimento vem sendo noticiado como um novo museu a céu aberto, localizado nas proximidades do Inhotim, instituição que Bernardo Paz começou a idealizar nos anos 1980 e que abriu ao público em 2006. Segundo informações publicadas pela imprensa, o espaço circula com nomes provisórios como Instituto Bernardo Paz e Museu das Árvores. A proposta mantém diálogo com uma das marcas mais reconhecidas da trajetória de Bernardo Paz: a aproximação entre arte, paisagem, arquitetura e natureza em escala monumental.

Bernardo Paz amplia legado cultural em Brumadinho.

As reportagens indicam que o novo projeto já teria recebido investimentos expressivos, com paisagismo em andamento, plantio de milhares de árvores e a previsão de pavilhões distribuídos em uma área cercada por mata. Também foi noticiado que o acervo reunido para o espaço pode chegar a cerca de 3 mil obras de arte contemporânea. Entre os nomes mencionados nas matérias estão artistas como Anna Maria Maiolino, Sonia Gomes e Michael Heizer. A imprensa também aponta negociações envolvendo outros artistas internacionais, em sintonia com a proposta de criar um espaço voltado à produção contemporânea em diálogo com território, memória, matéria e experiência.

Nos últimos anos, Bernardo Paz também protagonizou um movimento decisivo para a institucionalização do Inhotim, ao transferir de forma definitiva obras, galerias e parte significativa da estrutura do instituto para uma governança voltada à perenidade da instituição. Essa passagem consolidou o caráter público de um projeto que nasceu de uma coleção privada e se tornou referência cultural brasileira. 

Mais do que a criação de um novo espaço expositivo, a iniciativa aponta para a continuidade de uma visão cultural de longo prazo: produzir experiências em que arte e natureza não funcionam como cenários separados, mas como partes de uma mesma paisagem sensível, pública e transformadora.

Esculturas concebidas por José Adário.

O Museu Inimá de Paula, em colaboração com a Galatea, apresenta José Adário: Raiz de Ferro, exposição dedicada à obra de José Adário dos Santos (Salvador, 1947), com curadoria e texto crítico de Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador. A mostra abre no dia 30 de setembro, durante o horário de funcionamento do museu, das 10h às 18h30.

Mestre ferreiro, José Adário desenvolve uma prática em que o domínio da forja está profundamente ligada aos saberes transmitidos no candomblé e à sua trajetória na Ladeira da Conceição da Praia, em Salvador, onde aprendeu o ofício ainda jovem. No ferro moldado pelo fogo, o artista cria esculturas ligadas a divindades como Exu, Ogum, Oxóssi, Oxumaré e Ossain, como forma de materializar os fundamentos e atributos associados a cada uma delas.

A exposição reúne esculturas concebidas por José Adário para o campo artístico, distintas das ferramentas que o artista também produz para os terreiros, onde são consagradas e passam a integrar os assentamentos dos orixás, além de registros de Adenor Gondim, fotógrafo baiano que acompanha seu trabalho há décadas.

Uma produção marcada pelo estudo da cor.

O Museu Inimá de Paula, Belo Horizonte, MG, apresenta “Aldir Mendes: Geometrias do Olhar”, exposição que reúne cerca de 40 obras de Aldir Mendes de Souza (1941-2007). Com trabalhos realizados entre as décadas de 1960 e 2000, a mostra oferece uma visão abrangente da trajetória do artista e acompanha as transformações de uma produção marcada pelo estudo da cor, pela construção geométrica e pela interpretação da paisagem brasileira.

O artista construiu uma produção múltipla, que transitou pela pintura, pelo desenho, pela gravura, pela escultura, pela performance e pela imagem técnica. Médico cirurgião plástico formado pela Escola Paulista de Medicina, aproximou arte e ciência em experiências com radiografias e termografias, ampliando os limites de sua pesquisa visual.

Participou de importantes momentos da arte no Brasil, incluindo diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo, e realizou exposições em instituições como o MASP, o Museu de Arte Brasileira da FAAP, o Museu Nacional de Belas Artes, o MAC-USP, o Paço das Artes e a Pinacoteca de São Paulo. Suas obras também estão presentes em relevantes coleções privadas e públicas.

Até 24 de janeiro de 2027.