O Paço Imperial e suas gestões.

08/abr

Como parte da exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, será realizada neste sábado, dia 11, às 15hs, a mesa de conversa “O Paço e suas gestões”, com a participação da diretora Claudia Saldanha e dos ex-diretores Lauro Cavalcanti e Paulo Sérgio Duarte, com mediação do historiador de arte e professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, Ivair Reinaldim. A conversa, que será realizada na Sala dos Archeiros, será gratuita e aberta ao público.

Com curadoria de Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, em parceria com a equipe da instituição, a mostra “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” ocupa 12 salões e os dois pátios internos com cerca de 160 obras de 130 artistas, de diferentes gerações, que fazem parte da história do centro cultural, como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Denilson Baniwa, Hélio Oiticica, Iole de Freitas, Ivens Machado, Luiz Aquila, Luiz Zerbini, Lygia Clark, Lygia Pape, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Roberto Burle Marx, Tunga, entre muitos outros. Completam a mostra uma série de vídeos feitos pela Rio Arte com alguns artistas nas décadas de 1980 e 1990.

Ao longo de sua história, o Paço Imperial realizou exposições com diversas vertentes, que vão desde arte contemporânea até arte popular, passando por arquitetura, design, paisagismo, história e patrimônio. Desta forma, a exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” abrange esse conceito e traz a ideia de reunião, sem hierarquia, juntando os artistas contemporâneos aos artistas populares, unindo diferentes gerações, técnicas e suportes em uma única mostra, dividida por núcleos temáticos. “Se a palavra constelação define um agrupamento de estrelas, cosmologicamente distantes umas das outras, mas conectadas pela imaginação humana, constituindo uma forma reconhecível com finalidades diversas, aqui reunidas, as obras produzidas por diferentes gerações de artistas procuram reforçar sua singularidade, assim como sua interação por proximidade”, afirmam os curadores, que ressaltam também a importância da constelação institucional, com obras emprestadas por diversos parceiros, como Instituto Moreira Salles, Museu Bispo do Rosário, Museu de Imagens do Inconsciente, Museu de Arte do Rio, Museus Castro Maya, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu do Folclore e Sítio Roberto Burle Marx.

A exposição é complementada por 15 vídeos da série sobre arte contemporânea produzida pela Rio Arte, com artistas como Amilcar de Castro (filmado no Paço Imperial durante sua exposição em 1989), Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Lygia Clark, Lygia Pape, Tunga, entre outros. 

Composições e profundidades abissais.

A Gentil Carioca anuncia a representação da artista Mariana Rocha.

Sobre a artista.

Mariana Rocha é artista visual e professora, graduada em Artes Visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2013) e possui Mestrado em Artes Visuais pela mesma instituição (2021). Sua obra aborda questões relacionadas ao corpo, à memória e ao feminino, em trabalhos que se encontram nas interseções entre o desenho e a pintura, a performance e a fotografia. Em sua pesquisa, investiga a existência de um mar dentro do próprio corpo, entendendo ambos como universos equiparáveis em suas composições e profundidades abissais, além de tecer relações com a fauna marinha, especialmente com os animais classificados como moluscos.

Recentemente a artista realizou a individual “Pele inquieta”, parte do 34º Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo (CCSP), e participou da coletiva “Tromba d’água”, junto a 13 artistas mulheres latino-americanas no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Em 2025, apresentou sua primeira individual n’A Gentil Carioca, no Rio de Janeiro, “Desde Sempre o Mar”, e integrou a coletiva “Pequenas Pinturas III”, no Auroras, em São Paulo. No ano anterior, participou das coletivas “Visões do céu e da Terra”, na Pinacoteca de São Paulo; “Espelhos d’água viva”, no Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro; e “Dos Brasis – Arte e Pensamento negro”, no SESC Belenzinho (São Paulo) e no SESC Quitandinha (Rio de Janeiro). Suas obras integram os acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Instituto Inhotim, MG.

Núcleo Pop-Art Brasileira.

07/abr

A Galatea ocupa o estande F06 da SP-Arte 2026, que começa nesta quarta-feira, dia 08, e segue até domingo, dia 12, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, São Paulo, SP.

A novidade na edição deste ano é a seção do estande dedicada a obras que se inscrevem no campo da Pop Art. Intitulado “Pop Art Brasileira: uma política de contrastes”, o núcleo reúne obras dos anos 1960 e 1970, auge da Pop Art no Brasil, um dos movimentos que retomou a representação figurativa dentro do contexto da Ditadura Militar no país e transformou a estética industrial e da cultura de massa em crítica política e social.

Destaque para “Une Serpent contre l’enfant” (1968), de Antonio Dias, exemplo da linguagem gráfica e uso de cores vibrantes do movimento e “Verão 6” (1967), de Glauco Rodrigues, abordagem crítica e bem-humorada da cultura e da iconografia carioca. O núcleo inclui ainda outros artistas essenciais, como Antonio Henrique Amaral, Montez Magno, Georgete Melhem, Vilma Pasqualini, Cláudio Paiva, Antonio Manuel, Pietrina Checcacci e Rubens Gerchman.

Iberê Camargo desde o princípio.

 

Com curadoria de Carmela Gross, a Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura a maior exposição em número de obras de Iberê Camargo. “Iberê Camargo: quem sabe, o tempo…” apresenta mais de mil estudos e desenhos do artista, incluindo os primeiros produzidos aos 13 anos de idade. 

No dia 18 de abril (sábado), a Fundação Iberê abre uma grande exposição dedicada aos estudos e desenhos de Iberê Camargo (1914-1994). Com curadoria de Carmela Gross, “Iberê Camargo – quem sabe, o tempo…” reúne 1.091 obras de diferentes momentos da trajetória do artista. Entre elas, estão nove desenhos produzidos entre 1927 e 1928 pelo adolescente Iberê Camargo, então com apenas 13 e 14 anos de idade.  

O convite à Carmela Gross foi feito durante sua exposição na Fundação Iberê Camargo, “Boca do Inferno” (2024), e aceito prontamente. A partir do conto de Iberê Camargo “O relógio”, escrito em 1959 e publicado apenas em 1988, a artista definiu que o tema seria Iberê Camargo antes da pintura; o tempo do desenho. 

“Quando fui convidada, busquei na memória as muitas e muitas pinturas que visitei em exposições, e tantas outras que revi em reproduções de livros. Mas não era sobre a pintura de Iberê que eu queria falar. Queria falar de um tempo que antecede à pintura, o tempo do desenho. E o desenho é outra coisa… a atenção ao pequeno, ao efêmero, as anotações distraídas sobre um papel qualquer, ensaios, repetições, rabiscos, rasuras, linhas incertas, restos, excessos, sombras… um ir e vir de perguntas sem respostas… enfim, coisa mental, no registro de Leonardo da Vinci”, conta a artista.  

Ao lado da assistente Carolina Caliento, durante um ano, Carmela Gross mergulhou nos mais de 3.800 desenhos que pertencem ao acervo da instituição. O conjunto, preservado pela Fundação Iberê Camargo, guarda não apenas obras, mas também a memória do processo do artista.  

Responsável pelo acervo da Fundação Iberê Camargo, Gustavo Possamai lembra que a existência desse material se deve, em grande parte, a duas outras figuras femininas fundamentais na vida de Iberê Camargo: Maria Coussirat Camargo, sua esposa, e a mãe de Maria, que a orientou a conservar tudo o que o artista produzia. “Quando o Iberê começou realmente a se dedicar à pintura, a mamãe me disse: “Maria, tudo o que o Iberê fizer, tudo, nem que seja um papelzinho assim, pequeno… tu guardas”. Foi o que eu fiz.” 

“(O acervo) é como uma arca de Noé, que nos convoca a viajar pelo universo Iberê. Impossível selecionar. Eu queria tudo, mostrar tudo! (…) Eu e minha assistente, Carolina, passamos semanas a fio na tarefa, ao mesmo tempo cansativa e prazerosa, de escolher cada exemplar – agrupamentos diversos… conjuntos, separações, novos ajuntamentos, acertos e dúvidas; um sem-fim de listas e tabelas numeradas, refeitas a cada dia, ponderando cada escolha pelo gosto ou pelo entusiasmo da descoberta… assim, chegamos a 1.091”, destaca a artista.  Definidas as obras, Carmela Gross e Carolina Caliento passaram a detalhar o complexo projeto de montagem que ocupará o quarto andar da Fundação Iberê Camargo. Como um roteiro cinematográfico, os desenhos e estudos serão apresentados em 93 pranchas de 1,20 por 0,80 m, compondo, no interior de cada plano, ao acaso, um mosaico de peças irregulares. “Juntos e ordenados em sequência, eles formaram virtualmente amplas janelas – janelas abertas nas paredes sólidas do edifício do museu, simbolicamente abertas de par em par para o mundo lá fora”, completa.  

Sobre a curadora.

Carmela Gross (São Paulo, 1946) é artista visual, pesquisadora e professora brasileira. Sua produção reúne desenhos, gravuras, instalações e intervenções urbanas. Participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, e é reconhecida por obras que investigam o espaço público, a linguagem e a experiência urbana contemporânea. 

Até 28 de março de 2027.

 

 

Nova artista representada pela Galatea.

02/abr

A Galatea tem o prazer de anunciar a representação da artista Mucki Botkay (Rio de Janeiro, 1958 – vive e trabalha no Rio).

A inventiva de Mucki Botkay com cores começa no fim da década de 1970, quando, após cursar artes decorativas na École Supérieure des Ensembliers, em Genebra, retorna ao Brasil. Aqui, dá continuidade à pintura, mas decide que ela deveria ser tridimensional. Bordando a tela, entremeando fios e criando linhas difusas, a artista produz uma pintura feita sem tinta, mas com uma matéria – a miçanga – que toca, em cor e vibração de energia, a alma brasileira.

O jornalista e curador Leonel Kaz indaga: “A função do artista não é a de criar algo fora do banal para acrescentar ao mundo o que ainda não foi visto? É o que Mucki consegue fazer com as telas bordadas, em que os fios invisíveis sustentam miçangas que fazem brotar uma paleta de cores de aguda contemporaneidade – cores desenvolvidas pela artista, exclusivamente, para os seus trabalhos. O resultado são pinturas que impactam o olhar com diferentes percepções dos ecossistemas da Mata Atlântica (manguezais, laguna, restingas), não só reencenando a natureza, como também esticando a figuração de modo a flertar com a abstração.”

A partir dessa decomposição da natureza, Mucki Botkay constrói cenas que operam como convites à contemplação e à imaginação de um universo vivo. Essas imagens se apresentam como “janelas imaginárias” – título, inclusive, de sua primeira exposição individual pela Galatea, realizada em Salvador em 2024. Em junho deste ano, Mucki Botkay também apresentará sua primeira individual internacional na galeria Anat Ebgi, em Los Angeles, e em novembro exibe novamente na Galatea, dessa vez em São Paulo.

Mostra a dois na Gomide&Co.

01/abr

A Gomide&Co, Bela Vista, São Paulo, SP, apresenta “Alexandre da Cunha – Dudi Maia Rosa”, exposição que propõe estabelecer um diálogo entre duas práticas que, a partir de procedimentos distintos, compartilham um interesse profundo pela materialidade e pelo potencial transformador de materiais industriais. A exposição segue em cartaz até 23 de maio. O texto crítico é da crítica de arte e curadora independente Fernanda Morse.

Desde os anos 1980, Dudi Maia Rosa (São Paulo, 1946) desenvolve um trabalho singular que tensiona os limites tradicionais da pintura. Utilizando resina poliéster e fibra de vidro, o artista constrói superfícies ora translúcidas e ora opacas, nas quais cor, estrutura e suporte surgem simultaneamente. Diferentemente da pintura convencional, em que a imagem é aplicada sobre uma base preexistente, em suas obras a própria matéria pictórica constitui o corpo do trabalho.

Ao comentar o encontro entre os dois artistas na exposição, Alexandre da Cunha reconhece a importância que artistas da geração de Dudi Maia Rosa tiveram na formação de seu próprio repertório. Segundo ele, tratou-se de um grupo que operou com grande liberdade diante dos limites disciplinares da pintura e da escultura: “…o Dudi faz parte de uma geração que teve bastante influência na minha prática em algum momento. Esses artistas fizeram algo muito corajoso. No caso do Dudi, ainda mais, porque há uma liberdade enorme no trabalho dele”. Alexandre da Cunha destaca especialmente a fluidez com que o artista transita entre diferentes escalas e configurações formais. Por sua vez, Dudi Maia Rosa observa no trabalho de artistas como Alexandre da Cunha um deslocamento significativo na relação com a matéria e com os objetos do cotidiano, no qual elementos provenientes da cultura material contemporânea passam a ser reorganizados em composições que preservam algo de sua origem ao mesmo tempo em que adquirem novas qualidades formais.

Apesar das diferenças de linguagem, o encontro entre os dois artistas revela afinidades importantes. Tanto nas “pinturas-objeto” de Dudi Maia Rosa quanto nas “esculturas pictóricas” de Alexandre da Cunha, materiais associados ao universo industrial – como plásticos, resinas e fibras sintéticas – tornam-se centrais na construção da obra. Em ambos os casos, esses elementos são deslocados de seus contextos habituais e reinscritos em novas relações entre forma, espaço e percepção, evidenciando como a experimentação com a matéria pode expandir os limites tradicionais da pintura e da escultura.

A Gomide&Co agradece às galerias Almeida & Dale, representante de Dudi Maia Rosa, e Luisa Strina, representante de Alexandre da Cunha, por apoiarem a realização da exposição.

A permanência e a vitalidade de uma linguagem.

A Galeria Mayer Mizrahi, Jardim Paulista, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Op-Art – Ilusão e Inclusão”, que reúne cerca de 26 obras entre pinturas, relevos, objetos e esculturas, centradas na investigação dos fenômenos ópticos, das vibrações cromáticas e das articulações espaciais que definem a Op-Art e a arte cinética. A mostra propõe um percurso em que a percepção do espectador deixa de ser passiva para se tornar elemento ativo na construção da experiência visual.

Sem recorrer a uma leitura histórica linear, o recorte aproxima diferentes gerações e desdobramentos dessa linguagem, evidenciando continuidades e tensões entre práticas que compartilham o interesse pela instabilidade do olhar. Nesse contexto, as estruturas cromáticas de Dario Perez-Flores instauram campos vibratórios que se transformam conforme o deslocamento do observador, em diálogo com as investigações pioneiras de Jesús Rafael Soto e Carlos Cruz-Diez, nas quais cor e movimento se constituem como fenômenos perceptivos.

A dimensão espacial da mostra se expande nas proposições de Yutaka Toyota, cujas superfícies refletivas e construções em aço inox tensionam luz e matéria, e nas esculturas de Rafael Barrios e Julio Le Parc, que deslocam os princípios ópticos para o campo tridimensional. Em outro eixo, as composições de Yuli Geszti articulam ritmo, repetição e variação, enquanto as séries “Portholes”, de J. Margulis, introduzem uma abordagem contemporânea que enfatiza a relação entre profundidade, cor e ilusão.

Ao reunir esses diferentes núcleos, a exposição evidencia a permanência e a vitalidade de uma linguagem que, ao longo de mais de meio século, segue propondo novas formas de relação entre obra e espectador. Mais do que um efeito visual, a Op-Art se afirma aqui como campo de experimentação sensorial, em que percepção, deslocamento e participação se tornam elementos constitutivos da experiência estética.

Op-Art – Ilusão e Inclusão

Artistas: Dario Perez-Flores, Jesús Rafael Soto, J. Margulis, Yuli Geszti, Yutaka Toyota, Carlos Cruz-Diez, Julio Le Parc, Rafael Barrios e Victor Vasarely

Até 09 de maio.

Pinturas a quatro mãos.

31/mar

A Gabriel Wickbold Gallery, Vila Nova Conceição, em São Paulo, SP, apresenta “Código-Mãe”, exposição inédita de Jane e Gabriel Wickbold, mãe e filho, que reúne 22 pinturas desenvolvidas em colaboração direta ao longo de um processo contínuo no ateliê. Realizadas a quatro mãos e em dimensões variadas, as obras partem de um exercício compartilhado de construção pictórica, no qual gesto, repetição e permanência assumem papel central. A abertura acontece no dia 06 de abril.

O projeto se estrutura a partir de um retorno à produção de Jane Wickbold, artista com atuação desde a década de 1990, cuja trajetória foi interrompida no início dos anos 2000 e é agora retomada publicamente. Esse reencontro não se dá sob a lógica de uma revisão retrospectiva, mas como operação prática: ambos passam a trabalhar simultaneamente sobre as mesmas superfícies, estabelecendo um campo comum de ação e linguagem. Com trajetória consolidada desde 2012, Gabriel Wickbold desloca aqui sua prática para a pintura, assumindo o processo como eixo estruturante. Ao lado de Jane, desenvolve uma dinâmica baseada na repetição do gesto, na construção por camadas e na relação direta com o tempo de execução.

As obras não partem de uma imagem prévia, mas da inscrição contínua de marcas sobre a superfície. Cada traço corresponde a um intervalo, a um registro de presença, fazendo com que a pintura opere como campo de acumulação temporal. Mais do que resultado formal, o trabalho se constrói como processo visível, no qual a duração se torna matéria. As pinturas incorporam telas de sombream – materiais utilizados no cultivo de plantas sensíveis à luz direta – que passam a operar como elemento estrutural na construção das obras. Ao mesmo tempo em que sugerem proteção e mediação, essas superfícies introduzem um jogo de presença e apagamento, no qual a imagem se organiza por sobreposição e instabilidade.

“Código-Mãe” não se organiza apenas como colaboração, mas como investigação. Mais do que recuperar uma trajetória interrompida, o projeto coloca em questão a própria noção de ausência, ao sugerir que determinadas presenças continuam a operar na construção de uma linguagem, mesmo quando não ocupam um lugar visível. Ao deslocar a relação para o campo da linguagem, a exposição propõe uma leitura da prática artística como espaço de continuidade, no qual a autoria se constrói menos como afirmação individual e mais como resultado de processos de transmissão, muitas vezes invisíveis.

Até 06 de junho.

Exposição de dois artistas radicados na Suíça.

Em novo capítulo de sua temporada de 2026, o Espaço Cultural do Hotel Praça da Matriz (HPM), Porto Alegre, RS, abre às 18h do dia 08 de abril, a exposição “Convergências”, com obras de dois artistas radicados na Suíça. São desenhos e pinturas do senegalês Momar Seck, além de obras em técnica mista do brasileiro Edmundo Timm – este em sua primeira mostra individual. Edmundo Timm também está confirmado para o tradicional bate-papo “Roda de Cultura”, iniciativa que aproxima o público e protagonistas do setor. O evento será dia 14, às 17h, com entrada gratuita a qualquer interessado.

Trajetórias intercontinentais.

O carioca Edmundo Timm está radicado na Suíça, onde atua desde 1998 como artista plástico autodidata, professor e produtor cultural nas áreas de teatro, dança, música, artes visuais e mindfullness. Já trabalhou também nos Estados Unidos, Alemanha e Honduras, promovendo intercâmbios culturais e conexões em arte contemporânea. Em Porto Alegre, onde viveu durante boa parte da década de 1980, destacam-se iniciativas como a coordenação do projeto “Travessia” (2018), voltado ao intercâmbio entre jovens da Escola Internacional de Genebra (Ecolint) e a Fundação Pão dos Pobres. Participou, ainda, de montagens de mostras em instituições como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Sua produção como artista plástico tem se voltado ao abstracionismo por meio de técnica mistas, combinada a abordagens clássicas na criação de uma linguagem moldada pela luz, natureza e movimentos orgânicos. 

O senegalês Momar Seck reside na Suíça, onde atua como pintor, desenhista e escultor. Diplomado pela Escola Superior de Formação de Professores de Arte de Dakar e pela Escola de Belas Artes de Genebra, é mestre em Artes Visuais pela Universidade de Estrasburgo, na França. Em três décadas e meia de carreira internacionalmente premiada, expôs em galerias e instituições de diversos países – inclusive no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), em 2018, ao integrar o projeto “Travessias”. Momar Seck selecionou dez obras para a exposição. Produzido por meio da combinação de desenho e pintura, o conjunto transita entre figuração e abstracionismo, em imagens nas quais linha e cor compartilham a mesma força expressiva. O resultado são silhuetas humanas, formas animais e vegetais, elementos simbólicos e fragmentados, na exploração de conceitos como memória, identidade e movimento.

Artistas mulheres de diferentes gerações.

30/mar

Em um formato exclusivamente digital, a Almeida & Dale, São Paulo, SP, apresenta uma curadoria de obras de seu acervo. “Traçado do Mundo” reúne artistas mulheres de diferentes gerações e nacionalidades. Com práticas que atravessam pintura, escultura, desenho e têxteis, essas artistas elaboram um campo no qual a materialidade, o gesto e os processos de construção de imagem se articulam a partir de deslocamentos entre linguagens e suportes.

 O conjunto evidencia procedimentos diversos que transitam entre abstração e figuração, fazendo emergir superfícies vibrantes, nas quais memória, tempo e experiência se entrelaçam. A recorrência de paisagens, mapas, corpos e matérias orgânicas aponta para uma compreensão do mundo como um campo instável, no qual territorialidade, natureza e cosmologia são continuamente reconfiguradas. Ao articular dimensões subjetivas e políticas, íntimas e coletivas, o conjunto propõe novos modos de ver, narrar e habitar o mundo.

Com obras de Alice Shintani, Daiara Tukano, Elena Damiani, Eleonore Koch, Guga Szabzon, Lais Myrrha, Lidia Lisbôa, Mariana Palma, Marina Woisky, Marlene Almeida, Maya Weishof, Miriam Inez da Silva, Nino Kapanadze, Rebeca Carapiá e Sara Ramo.