Uma exposição individual de Yuli Yamagata.

21/set

A Kunsthalle Lissabon apresenta “Para onde os sonâmbulos vão?”,
uma exposição individual de Yuli Yamagata (São Paulo, 1989). A
exposição dá continuidade ao projeto iniciado no Católica Art Center,
em outubro de 2025, e resulta de uma colaboração com a Escola das
Artes da Universidade Católica Portuguesa, no Porto.
Conhecida pelas suas obras de caráter híbrido, Yuli Yamagata
desenvolve uma prática que combina materiais e técnicas têxteis para
criar volumes exuberantes que oscilam entre o orgânico e o artificial, o
reconhecível e o fantástico. O seu trabalho utiliza referências da
cultura pop, do design e do quotidiano para construir um glossário
visual, simultaneamente lúdico e inquietante, em que o humor surge
lado a lado com o insólito e o familiar é constantemente atravessado
pelo inesperado.
Em “Para onde os sonâmbulos vão?”, Yuli Yamagata transforma a
Kunsthalle Lissabon num ambiente onírico e imersivo, propondo uma
leitura alternativa do espaço. A exposição desenrola-se segundo uma
lógica próxima da dos sonhos, como uma sequência de imagens em
permanente metamorfose, em que formas, escalas e materiais desafiam
a perceção.
Povoando o espaço, as obras distribuem-se pelo chão e pelas paredes,
parecendo transbordar os seus próprios limites. Tecidos prolongam-se
para além dos suportes, enquanto flores, recorrentes ao longo da
exposição, brotam de diferentes corpos e objetos. Elas surgem de
cerebelos, do umbigo de um bebé ou de outros lugares inesperados.
Elementos emergem de sapatos de salto, pedaços de queijo
transformam-se em novas formas e uma pequena televisão parece
ondular no tempo e no espaço. No centro da sala, alguém dorme
debaixo de uma cortina de queijo, numa cena que poderia pertencer a
um sonho ou simplesmente ao que acontece enquanto os corpos
dormem.
Sem oferecer narrativas lineares ou interpretações fechadas, a
exposição propõe uma experiência guiada pela associação livre, pela

curiosidade e pela perceção sensorial. A (des)configuração de formas,
materiais e referências aproxima-se de questões exploradas pelo
surrealismo e pela psicanálise, nas quais o sonho permite que imagens,
desejos e memórias se encontrem para além da lógica consciente. É
também nesse plano que surge a figura do monstro: não
necessariamente como uma criatura fantástica, mas como aquilo que

perturba as fronteiras entre o familiar e o estranho, o humano e o não-
humano, o que conhecemos e o que ainda não sabemos nomear. No

universo de Yuli Yamagata, essas fronteiras permanecem
deliberadamente instáveis: situações inusitadas e associações
improváveis são apresentadas com uma dimensão lúdica e exagerada,
fazendo com que o humor surja precisamente daquilo que pode causar
estranheza. É nesse espaço liminal que os sonhos escapam aos limites
do sono.
A Kunsthalle Lissabon é apoiada pela República Portuguesa – Cultura,
Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes e pela Vasco
Collection. A exposição “Para onde os sonâmbulos vão?” conta com o
apoio da Fortes D’Aloia & Gabriel.

Sobre a artista.
Yuli Yamagata nasceu em São Paulo, SP, 1989, onde vive e trabalha. A
sua prática combina materiais têxteis, técnicas de costura, resinas e
objetos do quotidiano para criar esculturas nas quais o orgânico e o
artificial, o familiar e o fantástico se cruzam. Entre as suas exposições
individuais recentes incluem-se: Alô?, Universidade Católica do Porto,
Porto, Portugal (2025); Ghosts don’t wear watches, Anton Kern
Gallery, Nova York, Estados Unidos (2024); Dois pra cá, dois pra lá,
Fortes D’Aloia & Gabriel | Carpintaria, Rio de Janeiro, Brasil (2023);
The new, the old and the hole, Anton Kern Gallery, Nova York,
Estados Unidos (2023). Yuli Yamagata participou das exposições
coletivas: Vai, Vai Saudade, MADRE – Museu d’Arte Contemporânea
Donnaregina, Nápoles, Itália (2024); The Appearance: Art of the Asian
Diaspora in Latin America and the Caribbean, The Americas Society,
Nova York, Estados Unidos (2024); Chão da praça: Obras do acervo
da Pinacoteca, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo, Brasil (2023);

Nunca só essa mente, nunca só esse mundo, Fortes D’Aloia & Gabriel
| Carpintaria, Rio de Janeiro, Brasil (2023); entre outras.

Até 07 de novembro.

Bárbara Wagner & Benjamin de Burca.

A obra em vídeo “Future of Yesterday” (2026) ocupa o centro da exposição no De Pont Museum, um museu de arte contemporânea em Tilburg, Brabante do Norte, Holanda. Recebeu o nome do advogado e empresário Jan de Pont. Após sua morte, seu patrimônio previu a criação de uma fundação para estimular as artes visuais contemporâneas

Neste novo trabalho, Bárbara Wagner e Benjamin de Burca voltam seu olhar para a cena “hardcore” alemã, com foco especial no “Straight Edge” (abreviado como sXe): um movimento que surgiu na Costa Leste dos Estados Unidos como uma cultura “limpa” (“clean”) no âmbito do “post-hardcore punk”.

Até 28 de fevereiro de 2027.

Uma geometria do sensível.

Este viewing room da Almeida & Dale reúne um conjunto de obras que tomam o geometrismo como princípio estruturante, estabelecendo um arco que se inicia na década de 1960 e alcança a produção contemporânea. Mais do que um estilo ou vocabulário formal, nas obras apresentadas aqui, a geometria aparece aqui como um modo de pensamento em exercícios de forma e composição, assim como instrumento para a elaboração de experiências subjetivas. 

Incluindo obras de nomes como Alfredo Volpi, Amilcar de Castro, Cassio Michalany, Geraldo de Barros, Judith Lauand, Luiz Sacilotto e Lygia Pape, o percurso atravessa as experiências do concretismo e do neoconcretismo, até momentos nos quais a racionalidade construtiva foi progressivamente confrontada pela experiência sensível e pela dimensão fenomenológica da obra. Nesse contexto, a forma deixa de operar como estrutura autônoma para constituir-se como campo de relações, aberto à percepção, ao movimento e à experiência, exemplar nos trabalhos de André Ricardo, Felipe Cohen, Mira Schendel, Montez Magno, Paulo Pasta e Rubem Valentim, entre outros.

Construir outros modos de ver.

A Gentil Carioca apresenta “Ballet Noir: O Pós-Virtuosismo”, nova exposição de O Bastardo, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ. Com texto crítico de Osmar Paulino (Curador Negro), a exposição permanece em cartaz até 24 de outubro.

A partir da figura da bailarina negra, O Bastardo investiga as relações entre corpo, movimento e representação, tensionando os códigos que historicamente definiram o que é considerado arte, técnica e virtuosismo. Em diálogo crítico com a tradição da pintura europeia e com as representações da dança, o artista desloca o olhar para outras corporalidades, experiências e histórias que permaneceram à margem dessas narrativas.

Nas pinturas, O Bastardo volta-se não apenas para a beleza do movimento, mas também para aquilo que o sustenta: o esforço, o cansaço, o descanso, o gesto e a própria maquinaria do corpo. A partir de sua experiência como homem e pintor negro afro-brasileiro, o artista constrói outras possibilidades de representação, colocando em questão as hierarquias que atravessam a produção e a experiência da arte.

“Ballet Noir: O Pós-Virtuosismo” propõe, assim, uma contravisualidade, uma afrovisualidade, recusando a virtuosidade como medida de legitimidade e reivindicando outras formas de produzir e experimentar a imagem. Um manifesto visual sobre corpo, poder e a possibilidade de construir outros modos de ver.

Até 24 de outubro. 

Artista recupera saberes e narrativas indígenas.

Nos últimos anos, o Instituto Caldeira, Porto Alegre, RS, vem ampliando seu olhar para a arte, a cultura e as diferentes formas de ocupar e transformar a cidade. Desse movimento nasceram duas iniciativas: Horizontes Urbanos e, em parceria com a Fundação Bienal do Mercosul, surgiu a iniciativa do Espaço Bienal, com o lançamento da primeira grande exposição com a mostra “Fogo de Pátio”, do artista indígena de origem guarani, Xadalu Tupã Jekupé – que também pintou um dos murais do projeto Horizontes Urba

A pesquisa de Xadalu atravessa espiritualidade, memória e história e aborda processos de apagamento cultural no território do Pampa. Em sua produção, o artista recupera saberes e narrativas indígenas para colocá-los em circulação no presente. 

Agora, o fogo volta a ocupar o centro da narrativa dentro da galeria. Mais do que representar uma lembrança ancestral, ele é apresentado como um conhecimento vivo, capaz de produzir relações e imaginar futuros. A proposta dialoga com o projeto Horizontes Urbanos, do Instituto Caldeira, voltado à transformação do 4º Distrito de Porto Alegre e à criação de conexões entre arte, cidade, cultura e inovação.

Antes da inauguração da mostra, Xadalu participa do talk “Inovar a história: tecnologia, memória e outros modos de produzir conhecimento”, ao lado do curador, artista e escritor Aldones Nino. A realização de “Tatá Rupa – Fogo de Pátio” é uma iniciativa apresentada pelo Instituto Caldeira, Fundação Bienal do Mercosul e Ministério da Cultura, em parceria institucional com a Galeria Ecarta.

Até janeiro de 2027.

Exposição Projeto Acervo.

A Casa de Cultura Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, convida para mergulhar na arte brasileira das décadas de 1980 e 1990 com a reabertura da exposição “Projeto Acervo – Coleção Casa de Cultura Laura Alvim”.

Preservando o legado cultural da anfitriã, Laura Alvim, a mostra reúne um recorte expressivo do acervo da casa, celebrando a riqueza e a liberdade de expressão plástica da época através de obras figurativas, geométricas e abstratas.

Nesta edição, focaliza o trabalho de artistas consagrados como Rubens Gerchman, Leonílson e Luiz Aquila, além de grandes nomes da arte nacional como Daniel Senise e João Câmara. A exposição também exibe talentos que marcaram a icônica mostra “Como vai você, Geração 80?” e continuaram explorando novas direções artísticas.

A curadoria da exposição é assinada pelas museólogas: Éricka Madeira e Thereza Khunert, 

Até 18 de outubro. 

O gesto como liberdade e pensamento.

18/set

A Superfície, Vila Madalena, São Paulo, SP, anunciou a exposição coletiva “Gestos” que acontece por ocasião da inauguração da nova sede da Superfície, localizada na Rua Mourato Coelho 790a. Agora, em um único endereço, as atividades da galeria – espaços expositivos, acervo e Arquivo Superfície -, conta com uma livraria e um café abertos ao público. O texto de apresentação é de Paulo Venancio Filho e curadoria assinada por ele em parceria com Gustavo Nóbrega. 

Tomando como ponto de partida o livro homônimo do filósofo Vilém Flusser, a mostra investiga o gesto como um movimento carregado de intenção, liberdade e pensamento. Para Flusser, o gesto é a expressão de uma liberdade que produz sentido. Pintar, desenhar, fotografar, gravar, modelar, escrever, performar ou instalar são diferentes modos de pensamento em ação. Cada linguagem inventa seu próprio gesto; cada artista transforma um procedimento em forma.

Com a apresentação de uma obra de Waltercio Caldas concebida especialmente para a exposição, “Gestos” reúne trabalhos de Andréa Hygino, Anna Maria Maiolino, Artur Barrio, Carlos Vergara, Celeida Tostes, Christo, Cildo Meireles, Clóvis Dariano, Dominique Gonzalez-Foerster, E. M. de Melo e Castro, Fernando Lemos, Iberê Camargo, José Resende, Letícia Parente, Luiz Alphonsus, Mara Alvares, Márcia X, Maria Laet, Mira Schendel, Neide Sá, Regina Silveira, Sonia Andrade, Thereza Simões, Tunga, Vera Chaves Barcellos e Wanda Pimentel, “Gestos” propõe um percurso em que diferentes gerações e contextos históricos se encontram sem hierarquias. Em comum, cada obra evidencia o gesto como operação estética, pensamento materializado e forma de relação com o mundo.

Até 17 de outubro.

Exposição Afromayores abriu em setembro.

Primeira atividade do Instituto Cervantes em parceria com Instituto Pretos Novos, projeto audiovisual, fotográfico e de memória retorna ao Brasil em setembro.

Dedicada às histórias de pessoas negras e afrodescendentes com mais de 65 anos vinculadas à Espanha, a exposição itinerante “Afromayores” retorna ao Brasil em exibição na nova Galeria do Centro Cultural Pretos Novos, Gamboa, Rio de Janeiro, RJ. O projeto audiovisual, fotográfico e de memória foi criado pela jornalista e escritora Lucía Mbomío e pelo fotógrafo e documentarista Laurent Leger Adame e reúne retratos, entrevistas e arquivos pessoais para construir uma memória plural da presença negra na sociedade espanhola.

Para essa itinerância, o Instituto Cervantes do Rio de Janeiro está trazendo ao Brasil o músico brasileiro Batata. Residente há décadas na Espanha, ele é o único carioca/brasileiro retratado na exposição. Na ocasião, haverá um sarau de música e um coquetel de gastronomia afro-brasileira. O CEDINE-PIR e a Embaixada da Espanha no Brasil também apoiam a mostra. 

Sobre o projeto “Afromayores”.

O lema do projeto, “Somos porque foram”, resume a importância dessa transmissão intergeracional: compreender o presente exige reconhecer as pessoas e experiências que o tornaram possível. Ao chegar ao Brasil, a exposição estabelece um diálogo particularmente significativo com um território profundamente marcado pela história da diáspora africana. A circulação do projeto permite colocar em relação experiências negras construídas em contextos distintos e refletir sobre memória, pertencimento, deslocamento, envelhecimento e legado.

Sobre os criadores

Lucía Mbomío é jornalista atuante na televisão, escritora, diretora e roteirista de documentários. A sua trajetória profissional e literária tem abordado questões relacionadas à identidade, à memória, às diásporas africanas e às experiências afrodescendentes na Espanha.

Laurent Leger-Adame é fotógrafo e documentarista especializado em retrato e narrativa visual. Seu trabalho explora identidade, memória, dignidade e representação, combinando prática artística, documental e audiovisual.

Até 28 de novembro.

Guilherme Kid no Museu de Arte do Rio.

17/set

Com obras inéditas na galeria da Biblioteca, o artista Guilherme Kid investiga a transmissão de saberes entre gerações e territórios nas culturas negras brasileiras e afirma a ancestralidade como fundamento de criação, identidade e permanência.

Terreiros, quintais, rodas e agremiações de samba aparecem nas narrativas do artista Guilherme Kid como espaços fundamentais de formação, preservação e circulação de conhecimentos. Ao reconhecer esses lugares como legítimos produtores de saberes, o artista da Zona Oeste do Rio de Janeiro evidencia a memória compartilhada como instrumento de continuidade e afirmação das culturas negras brasileiras.

A partir dessa poética, o Museu de Arte do Rio inaugura “Quem me ensinou sabia”, primeira exposição individual de Guilherme Kid na instituição. O artista que já colaborou com o MAR em projetos anteriores retorna com um conjunto de obras inéditas. A exposição faz parte da programação do Festival ARUA Summit e conta com a curadoria da equipe MAR, formada por Marcelo Campos, Amanda Bonan, Jean Carlos Azuos e Amanda Rezende.

Em suas pinturas, Guilherme Kid parte da escuta atenta e da vivência cotidiana para investigar como conhecimentos, memórias e tradições são preservados, compartilhados e renovados. A exposição também evidencia uma assinatura visual característica da produção de Kid, marcada pela presença de temas figurativos em suas pinturas, uma de suas principais marcas registradas. Nas obras, a dimensão cotidiana se articula à memória e à ancestralidade, criando imagens que refletem sobre os vínculos entre passado, presente e futuro.

A trajetória artística de Fernando Lemos.

“Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, Fernando Lemos” é a exposição que o Instituto Moreira Salles, Avenida Paulista, São Paulo, SP, exibe e celebra o centenário de nascimento do artista luso-brasileiro Fernando Lemos (1926-2019) apresentando ao público seu arquivo de fotografias, desenhos, obra política, poesia, projetos de design gráfico e moda adquirido pelo Instituto Moreira Salles em 2019, logo antes de sua morte. O estudo desse arquivo, em associação com o material preservado pela família, permite acompanhar a trajetória artística de 70 anos de produção de Fernando Lemos através de aproximadamente 400 objetos.

A exposição “Quanto mais desejo, mais invento o que vejo” é um projeto de parceria entre a Fundação Cupertino Miranda (Porto), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e o Instituto Moreira Salles.

Até 07 de fevereiro de 2027.