Metáfora para uma formação cultural.

12/fev

A exposição “Como funcionam os vulcões” inaugurou o programa de 2026 da Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ. A mostra reúne obras de Amélia Toledo, Arthur Chaves, Barrão, Cerith Wyn Evans, Ernesto Neto, Ivens Machado, Janaina Wagner, Leda Catunda, Maria Manoella e Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Yuli Yamagata.

Concebida em diálogo com a chegada do Carnaval no Rio de Janeiro, “Como funcionam os vulcões” toma a imagem do vulcão como metáfora para uma formação cultural complexa. Longe de um fenômeno visível ou imediato, a exposição evoca processos que se desenvolvem ao longo do tempo, acumulando pressões, desejos, conflitos e fantasias até alcançar um ponto de liberação. Nesse sentido, o Carnaval é proposto não apenas como espetáculo, mas como a manifestação de um longo processo de gestação moldado por forças sociais, materiais e simbólicas.

Percorrendo escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura e técnicas mistas, a exposição enfatiza como o sentido se produz por meio da duração e da persistência material. As obras reunidas lidam com dinâmicas de acúmulo, transformação e emergência. Reunindo artistas de diferentes gerações e posições, a mostra apresenta práticas atentas a estados de latência e erupção, suspensão e excesso. Materiais são reunidos, sobrepostos, esticados, comprimidos ou colocados em movimento, registrando tensões entre controle e imprevisibilidade, estrutura e instabilidade. O encontro com as obras se dá entre o maravilhamento e a tensão, entre o que é encenado e o que permanece em estado latente.

Um artista acreano na Colômbia.

09/fev

A obra do artista visual acreano Ueliton Santana é destaque no Museu de Arte Moderna de Medellín (MAMM), na Colômbia, integrando a exposição “Bubuia. Águas como fonte de imaginações e desejos”, em cartaz até o dia 22 de fevereiro. A mostra reúne produções que dialogam com temas como memória, território e cultura nas Amazônias.

Em “Corpos vulneráveis em tempos de crise”, Ueliton Santana aborda a fragilidade da existência e a violência que atravessa diferentes territórios amazônicos. A instalação apresenta figuras que confrontam o espectador desde o primeiro instante, propondo uma reflexão direta sobre as marcas da violência e da exclusão. Inspiradas em práticas e saberes culturais de povos amazônicos, as redes que compõem a obra sustentam e protegem os corpos representados. De acordo com o texto noticiado pelo próprio museu, “…o descanso se transforma em dignidade e os corpos se convertem em um gesto de resistência frente à violência”.

Um vídeo publicado pelo MAMM detalha as inspirações de Ueliton Santana para a obra, que reúne a representação de seis corpos, de diferentes tamanhos, envoltos em redes e dispostos no chão. Todas as redes utilizadas na instalação foram pintadas à mão pelo artista. “Esta obra não se olha, se confronta”, afirma no vídeo divulgado.

Símbolo emblemático da França.

06/fev

A capital paulista recebe a exposição inédita Galo Parade, que reúne 10 esculturas gigantes do galo gaulês (Le Coq Gaulois), um dos símbolos mais emblemáticos da França, criadas por artistas contemporâneos brasileiros. As obras celebram a conexão cultural entre Brasil e França por meio da arte e poderão ser visitadas gratuitamente até 22 de fevereiro, na Esplanada Cetenco Plaza – 3 entradas (dias úteis):Av. Paulista, 1842; ⁠Rua Frei Caneca, 1381; Alameda Ministro Rocha Azevedo, 72.; aos finais de semana, pela Alameda Ministro Rocha Azevedo, 72.  

O galo gaulês tem origem em um trocadilho da língua latina, na qual gallus significava tanto “galo” quanto “habitante da Gália”, nome antigo da França. Ao longo dos séculos, o símbolo ganhou status nacional, representando valores como vigilância, coragem e orgulho. Na Galo Parade, esse ícone é reinterpretado por artistas com vínculos com a cultura francesa, seja por meio de vivências, estudos ou referências artísticas. Participam da exposição Isabelle Tuchband e Thiago Neves, artistas que já levaram suas obras à França em mostras coletivas e individuais, além de Aline Fraga Seelig, Ana K Brizzi, Carol Murayama, Caligrapixo, Cris Campana, Isa Silva, Kamila de Deux e Mateus Bailon. A curadoria é assinada pela francesa Catherine Duvignau. Como parte das ações comemorativas, a entrada do edifício onde está localizado o escritório da Pluxee, em Pinheiros, receberá a pintura de um galo gaulês, criada pela artista Kamila Mello, em celebração à conexão cultural entre Brasil e França. 

“Ao ocupar o espaço urbano durante o período do aniversário da cidade, a Galo Parade convida o público a uma experiência estética vibrante, reforçando São Paulo como um território de encontro entre culturas, linguagens artísticas, arte acessível e histórias compartilhadas”, comenta Catherine Duvignau.

A ampliação de significados.

03/fev

A Coordenação de Artes Visuais, Secretaria Municipal de Cultura, Prefeitura de Porto Alegre e o Museu de Arte do Paço promovem a exposição “Transfigurações” do artista Edu Devens e curadoria de Andre Venzon.

Sobre o artista.

Edu Devens nasceu em 1971, Piratini/RS, vive e trabalha em Pelotas/RS. Artista visual e pesquisador, graduando em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), desenvolve uma produção que investiga os corpos dissidentes e a fragmentação dos modelos normativos da masculinidade. Por meio da fotografia expandida, da transferência de imagem, da escultura e da instalação, sua obra tensiona os regimes de visibilidade do corpo e os dispositivos simbólicos que sustentam suas representações.

Na mostra, “Transfigurações”, que chega à Sala da Fonte, no Museu de Arte do Paço, Porto Alegre, RS, está reunida a mais recente série “Fragmentos do masculino”, em mármore, além da série “Experimentações Clandestinas” sobre ferramentas de pá e corte e a escultura “Transmutar” sobre caixas de isopor. A prática da transferência fotográfica manual de retratos e nus artísticos para suportes de pedra, metal e isopor cria uma interlocução entre pele, memória e matéria. Essa operação artística, simultaneamente, enriquece cada elemento e dá a esses objetos uma vida emergente, conferindo-lhes expressão e ampliação de significados.

Anna Bella Geiger aos 92 anos.

02/fev

A inauguração da segunda edição do Projeto Maravilha, no Parque Bondinho Pão de Açúcar, na Urca, Zona Sul do Rio de Janeiro, ocorreu na tarde ensolarada e de muito muito calor do dia 14 de janeiro. Diante da escadaria que desce até o Bosque das Artes, onde seria apresentada a instalação “Typus Terra Incognita” (2025), os organizadores do evento e o grupo que acompanhava Anna Bella Geiger debatiam a melhor forma de levar a escultora, gravadora, videoartista e pintora de 92 anos até a sua obra. Antes que chegassem a um consenso, a própria artista já convocava os demais, a partir dos últimos degraus da escada.

Obras emblemáticas.

No dia 06 de fevereiro, às 16h, a curadora Denise Mattar realizará uma visita guiada à exposição “Geometria Visceral”, que apresenta um panorama da mais recente produção do artista paulistano Gilberto Salvador no Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ. Com entrada gratuita, a visita contará com tradução em libras. A mostra, que ocupa todos os três salões do segundo pavimento do Paço Imperial, pode ser vista até o dia 1º de março.

A exposição apresenta cerca de 40 obras, entre pinturas, esculturas e vídeos. Há 17 anos sem expor no Rio de Janeiro, o artista tem uma forte relação com a cidade, tendo criado, inclusive, obras que retratam a paisagem carioca. Preocupado com a acessibilidade, o artista, que tem dificuldade de locomoção devido à paralisia infantil que teve aos nove meses de vida, criou duas esculturas táteis, que podem ser tocadas pelos visitantes. “Eu acho fundamental o público ter essa experiência”, afirma o artista.

A exposição é uma oportunidade para o público carioca ter contato com a obra deste importante artista, que tem mais de 60 anos de trajetória e nunca deixou de trabalhar, mesmo diante de tantas adversidades. A mostra está focalizada na produção mais recente do artista, mas começa com obras emblemáticas criadas nas décadas de 1960 e 1970, que pontuam o percurso de Gilberto Salvador nas artes. Entre elas está “Viu…!” (1968), que destaca o embate com a Ditadura militar, período de extrema importância na obra de Gilberto Salvador. “Desde os seus primeiros trabalhos nos anos 1960, Gilberto soube fundir a racionalidade construtiva com um ímpeto visual orgânico. Suas primeiras experimentações gráficas e pictóricas revelam uma consciência política imbricada ao ato plástico – a cor como discurso, o traço como denúncia”, conta a curadora.

Linguagem plástica e pesquisas.

28/jan

A artista Marina Ribas apresenta “Nada é de n0vo”, uma nova configuração da exposição homônima realizada em 2023, agora no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Centro, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro, RJ. Em consonância com a ideia que atravessa a pesquisa da artista e o próprio título da exposição, a mostra inclui cerca de 15 obras de diferentes fases de sua trajetória, somando trabalhos inéditos a obras anteriores.

Tendo o ovo como signo central, a exposição investiga ideias de origem, ciclos, fertilidade e a latência do que está por vir. Como forma arquetípica, o ovo se afirma também como geometria orgânica de origem natural, tensionando matéria, volume e espaço arquitetônico ao longo da exposição. A linguagem plástica se desdobra por meio de múltiplas técnicas, como esculturas; pinturas em relevo de espuma solidificada; instalações; totens; performance; e fotografia. Não é proposto um percurso curatorial fechado: o público é convidado a construir sua própria leitura a partir das relações entre as obras, dos materiais e das espacialidades.

Parte da exposição reúne registros de ações performáticas realizadas por Marina Ribas em diferentes contextos urbanos e institucionais. Nessas intervenções – denominadas infiltrações poéticas – ovos produzidos por ela se relacionam com obras clássicas e contemporâneas em escolas de arte, museus e praças públicas. As fotografias impressas em canvas e o vídeo apresentados na mostra operam simultaneamente como vestígios dessas ações e como trabalhos autônomos. Ao deslocar um gesto efêmero para o campo da permanência, a artista propõe um manifesto silencioso em homenagem às artistas historicamente invisibilizadas ou inviabilizadas na narrativa da História da Arte segundo a perspectiva europeia, levantando questionamentos em torno de temas como autoria, circulação e legitimação no sistema da arte.

Até 07 de fevereiro. 

Uma exposição de audiovisual expandido.

23/jan

“A gruta, a ilha”, uma exposição multimídia que segue em cartaz até o final de fevereiro, no Sesc Copacabana, terá conversas entre as artistas e cineastas Darks Miranda e Mariana Kaufman e convidadas, com entrada gratuita. Na primeira rodada, no dia 28 de janeiro, quarta-feira, às 18h30, será em torno das pesquisas das autoras Sara Ramos, Juliana Fausto e Janaína Oliveira nos campos do Cinema, das Artes Visuais e da Literatura em diálogo com o universo especulativo da mostra.

A gruta, a ilha.

Em um ambiente de penumbra, o visitante se encontra experimentando o universo ficcional, fantástico e sombrio de duas personagens femininas que inventam mundos e sugerem viagens tanto espaciais quanto temporais. É dentro dessa atmosfera que as artistas e cineastas Darks Miranda e Mariana Kaufman apresentam “A gruta, a ilha”, exposição de audiovisual expandido com curadoria da artista e professora Anna Costa e Silva. Tendo como base a produção em vídeo das duas artistas, “A gruta, a ilha” conta também com esculturas, objetos e instalações que, juntamente com as projeções audiovisuais, compõem o universo da exposição.

Para além de exercerem uma prática artística híbrida, em diferentes mídias, Mariana Kaufman e Darks Miranda, que acaba de ganhar o Prêmio Pipa 2025, têm trabalhado em torno das ideias de imaginação e fantasia como propulsoras da invenção de outros tempos e espaços, a partir da força criadora da arte. 

Até 22 de fevereiro. 

Exposição multimídia “A gruta, a ilha” recebe convidadas no Sesc Copacabana, artistas e cineastas Darks Miranda e Mariana Kaufman, Anna Costa e Silva, Para além de exercerem uma prática artística híbrida, em diferentes mídias, Mariana Kaufman e Darks Miranda, que acaba de ganhar o Prêmio Pipa 2025, têm trabalhado em torno das ideias de imaginação e fantasia como propulsoras da invenção de outros tempos e espaços, a partir da força criadora da arte.  

Alessandra Rehder no Museu Lasar Segall.

21/jan

Exposição individual “Xaiure maaraesé xasaysu ndé (Eu vim porque te amo): das cinzas à criação”, de Alessandra Rehder no Museu Lasar Segall, Vila Mariana, São Paulo, SP. Alessandra Rehder (São Paulo, 1989), é artista representada pela Galeria Andrea Rehder Arte Contemporânea, com curadoria do Luiz Armando Bagolin. A mostra reúne trabalhos inéditos, instalações e imagens que atravessam diferentes camadas técnicas e poéticas da artista. 

A exposição propõe mais que um conjunto de obras: cria uma atmosfera. Entre painéis, recortes, dispositivos tridimensionais e obras que transitam entre fotografia, matéria e instalação, Alessandra Rehder convoca o público a uma imersão sensível na complexidade da natureza e de seus tempos. Como escreve o curador, não se trata de reforçar slogans ambientais, mas de instaurar uma “pedagogia da atenção”, capaz de reconfigurar o olhar sobre a floresta, seus ritmos profundos e suas camadas quase invisíveis. 

Em “Imersão Amazônica”, milhares de folhas recortadas são sobrepostas sobre uma fotografia real da floresta primária paraense, criando um corpo vegetal que respira e se transforma – uma imagem que pede demora. Em “Círculo do Tempo”, cortes de troncos revelam anéis e temporalidades não humanas, adensados por um vídeo em time-lapse que inverte o crescimento da árvore como uma arqueologia poética da vida vegetal. Já em “Rolo da Floresta”, rolos e testes fotográficos se tornam dispositivos de memória, tensionando a própria noção de imagem e seus modos de existência. 

A mostra reafirma o interesse de Alessandra Rehder por processos experimentais, por uma fotografia que se desloca do campo da captura para o da escuta. Seus trabalhos, resultado de pesquisas visuais ao longo de mais de quinze anos em diferentes países, incorporam vivências com comunidades de baixo IDH, questões ambientais contemporâneas e relações entre território, sobrevivência e transformação. Entre 2021 e 2023, a artista desenvolveu em Murrebue, Moçambique, o projeto social EEC (Espaço Ecológico Cultural), voltado para práticas de compostagem, permacultura e agrofloresta – experiência que reverbera em sua compreensão ampliada da imagem como gesto ético e social. Com obras presentes em galerias, feiras e instituições no Brasil e no exterior, e vivendo atualmente entre Frankfurt e São Paulo, Alessandra Rehder apresenta seu projeto mais denso e abrangente, convocando o público a reaprender a ver e a sentir. 

Até 23 de fevereiro.

Beatriz Milhazes no Museu de Arte da Bahia.

20/jan

“Beatriz Milhazes: 100 Sóis” é a primeira exposição individual da artista em Salvador e reúne, no MAB – Museu de Arte da Bahia, uma ampla seleção de obras que percorre 30 anos de sua produção, oferecendo um vislumbre de diferentes fases de sua trajetória e evidenciando elementos recorrentes que estruturam sua poética.

Com curadoria do crítico e historiador de arte Tiago Mesquita, a mostra apresenta pinturas históricas, trabalhos inéditos, colagens recentes e uma instalação nas janelas do museu, revelando como diferentes meios alimentam sua pesquisa, tendo a pintura como eixo central e meio principal de sua prática de ateliê, cuja reverberação atravessa toda a sua obra.Os trabalhos são dispostos em uma espécie de colagem espacial, revelando tanto a amplitude do repertório formal de Beatriz Milhazes quanto a sofisticação de suas estratégias compositivas. Nesse arranjo, torna-se evidente o modo como suas obras dialogam com a arte moderna em diferentes geografias, a tradição construtiva, o design, a moda, o carnaval carioca, a alegoria, o ornamento, a decoração barroca e uma coreografia de formas dançantes, ao mesmo tempo em que incorporam questões estruturais da imagem pop, dimensão que atravessa sua trajetória e reafirma sua posição como uma das vozes centrais da abstração contemporânea.

A artista apresenta um novo vitral concebido para as janelas da instituição, no qual seus padrões característicos são aplicados em filmes translúcidos multicoloridos que filtram a luz solar e projetam feixes caleidoscópicos pelo espaço expositivo. Também em exibição está “A Seda”, obra emblemática de sua produção dos anos 2000, na qual elementos gráficos em cores vibrantes se expandem do centro da tela em movimento centrífugo. No núcleo, um emaranhado de arabescos rendados forma o coração da composição, combinando fluidez e ordem em uma estrutura orgânica em expansão. Já em trabalhos mais recentes, como “Memórias do Futuro II” (2023), a artista sobrepõe grafismos feitos com caneta de tinta acrílica (marcadores Molotow) às formas transferidas por sua técnica de monotransfer, acrescentando uma nova camada de padrões ao intrincado jogo de tramas em rotação e criando estratos que se articulam em uma rede complexa e multidirecional.

Até 26 de abril.