Nino Cais na Galeria Lume.

10/abr

Nino Cais, artista multifacetado contemporâneo, ganha um novo desdobramento do seu trabalho na Galeria Lume, Jardim Europa, São Paulo, SP, com a exposição individual “Uma nova Ideia de voo”, com curadoria de Ana Carolina Ralston. A mostra propõe um mergulho na versatilidade do artista, no qual transita entre fotografia, colagem, vestimenta, escultura e vídeo para tensionar uma questão central em sua trajetória: o que constitui a identidade e como ela se transforma quando suspensa.

Partindo da ideia de que a tragédia emerge do embate entre duas verdades, a exposição evoca narrativas da mitologia grega para pensar o instante de passagem que antecede o renascer. Em diversas obras, rostos são cobertos por livros, embalagens e outros materiais, deslocando o protagonismo da face tradicionalmente associada ao reconhecimento e ao pertencimento e instaurando uma zona de opacidade. Ao velar, Nino Cais interrompe o olhar do outro e sugere a dissolução temporária dos vínculos sociais que estruturam o indivíduo. O gesto dialoga com o conceito de liminaridade formulado pelo antropólogo Arnold van Gennep, que define o período intermediário dos rituais de passagem como um tempo fértil, instável e transformador. O véu, recorrente nas obras, atua como uma membrana simbólica: cria a opacidade necessária para atravessar a experiência e permitir a reintegração sob uma nova configuração identitária.

No campo formal, o artista amplia a discussão ao subtrair partes de corpos e de estruturas arquitetônicas históricas, explorando a volumetria da imagem impressa. Ao “desbastar” fotografias e livros, Nino Cais transpõe para o papel um procedimento tradicional da escultura, redesenhando o pensamento escultórico em chave expandida. A imagem deixa de ser estritamente bidimensional e se torna tridimensional, ao afirmar a sua própria condição de objeto, uma presença física que por si só, ocupa e existe como forma.

Na sala externa da galeria, em frente a um pequeno jardim, a exposição se desdobra em um ambiente que evoca um viveiro de criaturas em transmutação. O diálogo com Constantin Brancusi emerge especialmente na relação com a série Maiastra, inspirada na ave mítica romena associada à luz e à metamorfose. Assim como em Brancusi a maiastra não representa um pássaro literal, mas a própria ideia de voo, Nino Cais se apropria dessa noção para criar novas formas a partir do tangram jogo de origem chinesa composto por sete peças geométricas. Fragmentando e recompondo capas de livros antigos, sobretudo de mitologias gregas e egípcias, o artista dá origem a pássaros e seres híbridos que preservam sua identidade material, mas transformam seu sentido conforme a posição e o encaixe. O procedimento também estabelece um diálogo com o pensamento neoconcreto, ao tratar o objeto como experiência sensível e relacional, deslocando-o da condição estática para um campo expandido de significados. Ao tensionar presença e apagamento, superfície e volume, integridade e ruína, Nino Cais constrói um território de suspensão. Suas obras habitam o intervalo, nem imagem plena, nem fragmento inerte e convidam o público a atravessar esse estado liminar. Entre o gesto de velar e o de revelar, o artista propõe uma reinvenção do olhar: tocar essas presenças em trânsito é, também, aceitar a possibilidade de renascer em uma nova ideia de voo.

Até 11 de maio.

Fonte: Dasartes.

Janaina Tschäpe na Fortes D’Aloia & Gabriel.

09/abr

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “piruetas de olhos abertos”, nova exposição de Janaina Tschäpe, sua primeira individual em São Paulo desde 2019. Ocupando o espaço da galeria na Barra Funda, a mostra reúne uma seleção de pinturas panorâmicas de grande formato em óleo e bastão de óleo, aquarela e pastel. Produzidas entre seu ateliê em Nova York, onde vive, e Bocaina, em Minas Gerais, seu refúgio no Brasil, as obras são construídas por meio de marcações amplas e caligráficas que combinam uma fluência próxima à escrita com massas turbulentas de cor em constante mistura. Em um processo de trabalho próximo às dinâmicas naturais, a artista aborda a pintura como um campo de instabilidade e resposta. Gesto e desenho operam em tensão: a imediaticidade da pincelada encontra a resistência da linha, cada uma alternadamente interrompendo e desacelerando a outra. Em vez de construir uma imagem resolvida, o trabalho se desdobra como um acontecimento moldado pelo tempo, pela troca e pela transformação.

A paisagem de Bocaina, marcada por vegetação densa, afloramentos minerais, luz em constante mutação e os ritmos mais lentos de um ambiente não urbano, informa essas composições de maneira decisiva. Em vez de representar lugares específicos, Janaina Tschäpe absorve a atmosfera da região, traduzindo sua umidade, verticalidade e seus horizontes estratificados em campos de cor e marcação. warm field (Giftgrün) (2026), uma pintura de grandes dimensões, é atravessada por essa sintonia com os ambientes naturais. Uma disposição turbulenta de vermelhos terrosos, ocres e marrons forma uma atmosfera mineral na qual irrompem verdes que evocam visões fugazes de vegetação. O que está em jogo é uma coerência sob pressão – a estrutura que emerge do próprio processo. Essa sensibilidade se desdobra em diálogo com a vida da artista em Nova York, onde a complexidade do tecido urbano, a velocidade vertiginosa e a arquitetura desorientadora da cidade oferecem uma experiência espacial contrastante que permeia sutilmente as pinturas. Uma obra como swept away (2026) expressa esse clima: as fronteiras porosas entre céu, água e terra encontram ecos em composições fluidas e vaporosas, nas quais abstração e paisagem convergem.

O espaço social na era digital.

Peter Halley apresenta uma nova exposição na Almeida & Dale Fradique, São Paulo, SP, “The American Connection”, primeira exposição do estadunidense no Brasil em cinco anos, apresentando um conjunto de pinturas recentes, com suas icônicas cores fluorescentes e estruturas de células que expandem o quadro.

Halley despontou como um dos principais nomes do pós-conceitualismo na década de 1980, e é reconhecido por suas pinturas geométricas fluorescentes que enfatizam cores e sistemas. Suas obras empregam a linguagem da abstração geométrica para explorar a organização do espaço social na era digital.

“As obras da exposição ”The American Connection” assumem a representação metafórica dos dispositivos eletrônicos ligados por condutores. São células que remetem aos sistemas neuronais ou de terminais informáticos, mas poderiam ser celas de uma prisão, como sugerem os títulos de algumas das pinturas recentes aqui expostas”, escreve Antonio Gonçalves Filho, diretor cultural da Almeida & Dale.

Com títulos como Cell (célula ou cela) e Prision (prisão), as pinturas refletem sobre as estruturas da organização social em uma produção artística que se identifica com o pensamento estruturalista e de filósofos franceses como Foucault, Baudrillard e Lyotard. Igualmente, as formas de sua obra parecem responder ao isolamento e individualização do momento atual. Como completa Gonçaves Filho: “o pintor mostra como a sedução da fluorescência e o antinaturalismo das luzes de computadores e celulares acabam por aprisionar o indivíduo contemporâneo”.

Até 30 de maio. 

Núcleo Pop-Art Brasileira.

07/abr

A Galatea ocupa o estande F06 da SP-Arte 2026, que começa nesta quarta-feira, dia 08, e segue até domingo, dia 12, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, São Paulo, SP.

A novidade na edição deste ano é a seção do estande dedicada a obras que se inscrevem no campo da Pop Art. Intitulado “Pop Art Brasileira: uma política de contrastes”, o núcleo reúne obras dos anos 1960 e 1970, auge da Pop Art no Brasil, um dos movimentos que retomou a representação figurativa dentro do contexto da Ditadura Militar no país e transformou a estética industrial e da cultura de massa em crítica política e social.

Destaque para “Une Serpent contre l’enfant” (1968), de Antonio Dias, exemplo da linguagem gráfica e uso de cores vibrantes do movimento e “Verão 6” (1967), de Glauco Rodrigues, abordagem crítica e bem-humorada da cultura e da iconografia carioca. O núcleo inclui ainda outros artistas essenciais, como Antonio Henrique Amaral, Montez Magno, Georgete Melhem, Vilma Pasqualini, Cláudio Paiva, Antonio Manuel, Pietrina Checcacci e Rubens Gerchman.

Nova artista representada pela Galatea.

02/abr

A Galatea tem o prazer de anunciar a representação da artista Mucki Botkay (Rio de Janeiro, 1958 – vive e trabalha no Rio).

A inventiva de Mucki Botkay com cores começa no fim da década de 1970, quando, após cursar artes decorativas na École Supérieure des Ensembliers, em Genebra, retorna ao Brasil. Aqui, dá continuidade à pintura, mas decide que ela deveria ser tridimensional. Bordando a tela, entremeando fios e criando linhas difusas, a artista produz uma pintura feita sem tinta, mas com uma matéria – a miçanga – que toca, em cor e vibração de energia, a alma brasileira.

O jornalista e curador Leonel Kaz indaga: “A função do artista não é a de criar algo fora do banal para acrescentar ao mundo o que ainda não foi visto? É o que Mucki consegue fazer com as telas bordadas, em que os fios invisíveis sustentam miçangas que fazem brotar uma paleta de cores de aguda contemporaneidade – cores desenvolvidas pela artista, exclusivamente, para os seus trabalhos. O resultado são pinturas que impactam o olhar com diferentes percepções dos ecossistemas da Mata Atlântica (manguezais, laguna, restingas), não só reencenando a natureza, como também esticando a figuração de modo a flertar com a abstração.”

A partir dessa decomposição da natureza, Mucki Botkay constrói cenas que operam como convites à contemplação e à imaginação de um universo vivo. Essas imagens se apresentam como “janelas imaginárias” – título, inclusive, de sua primeira exposição individual pela Galatea, realizada em Salvador em 2024. Em junho deste ano, Mucki Botkay também apresentará sua primeira individual internacional na galeria Anat Ebgi, em Los Angeles, e em novembro exibe novamente na Galatea, dessa vez em São Paulo.

Mostra a dois na Gomide&Co.

01/abr

A Gomide&Co, Bela Vista, São Paulo, SP, apresenta “Alexandre da Cunha – Dudi Maia Rosa”, exposição que propõe estabelecer um diálogo entre duas práticas que, a partir de procedimentos distintos, compartilham um interesse profundo pela materialidade e pelo potencial transformador de materiais industriais. A exposição segue em cartaz até 23 de maio. O texto crítico é da crítica de arte e curadora independente Fernanda Morse.

Desde os anos 1980, Dudi Maia Rosa (São Paulo, 1946) desenvolve um trabalho singular que tensiona os limites tradicionais da pintura. Utilizando resina poliéster e fibra de vidro, o artista constrói superfícies ora translúcidas e ora opacas, nas quais cor, estrutura e suporte surgem simultaneamente. Diferentemente da pintura convencional, em que a imagem é aplicada sobre uma base preexistente, em suas obras a própria matéria pictórica constitui o corpo do trabalho.

Ao comentar o encontro entre os dois artistas na exposição, Alexandre da Cunha reconhece a importância que artistas da geração de Dudi Maia Rosa tiveram na formação de seu próprio repertório. Segundo ele, tratou-se de um grupo que operou com grande liberdade diante dos limites disciplinares da pintura e da escultura: “…o Dudi faz parte de uma geração que teve bastante influência na minha prática em algum momento. Esses artistas fizeram algo muito corajoso. No caso do Dudi, ainda mais, porque há uma liberdade enorme no trabalho dele”. Alexandre da Cunha destaca especialmente a fluidez com que o artista transita entre diferentes escalas e configurações formais. Por sua vez, Dudi Maia Rosa observa no trabalho de artistas como Alexandre da Cunha um deslocamento significativo na relação com a matéria e com os objetos do cotidiano, no qual elementos provenientes da cultura material contemporânea passam a ser reorganizados em composições que preservam algo de sua origem ao mesmo tempo em que adquirem novas qualidades formais.

Apesar das diferenças de linguagem, o encontro entre os dois artistas revela afinidades importantes. Tanto nas “pinturas-objeto” de Dudi Maia Rosa quanto nas “esculturas pictóricas” de Alexandre da Cunha, materiais associados ao universo industrial – como plásticos, resinas e fibras sintéticas – tornam-se centrais na construção da obra. Em ambos os casos, esses elementos são deslocados de seus contextos habituais e reinscritos em novas relações entre forma, espaço e percepção, evidenciando como a experimentação com a matéria pode expandir os limites tradicionais da pintura e da escultura.

A Gomide&Co agradece às galerias Almeida & Dale, representante de Dudi Maia Rosa, e Luisa Strina, representante de Alexandre da Cunha, por apoiarem a realização da exposição.

Pinturas a quatro mãos.

31/mar

A Gabriel Wickbold Gallery, Vila Nova Conceição, em São Paulo, SP, apresenta “Código-Mãe”, exposição inédita de Jane e Gabriel Wickbold, mãe e filho, que reúne 22 pinturas desenvolvidas em colaboração direta ao longo de um processo contínuo no ateliê. Realizadas a quatro mãos e em dimensões variadas, as obras partem de um exercício compartilhado de construção pictórica, no qual gesto, repetição e permanência assumem papel central. A abertura acontece no dia 06 de abril.

O projeto se estrutura a partir de um retorno à produção de Jane Wickbold, artista com atuação desde a década de 1990, cuja trajetória foi interrompida no início dos anos 2000 e é agora retomada publicamente. Esse reencontro não se dá sob a lógica de uma revisão retrospectiva, mas como operação prática: ambos passam a trabalhar simultaneamente sobre as mesmas superfícies, estabelecendo um campo comum de ação e linguagem. Com trajetória consolidada desde 2012, Gabriel Wickbold desloca aqui sua prática para a pintura, assumindo o processo como eixo estruturante. Ao lado de Jane, desenvolve uma dinâmica baseada na repetição do gesto, na construção por camadas e na relação direta com o tempo de execução.

As obras não partem de uma imagem prévia, mas da inscrição contínua de marcas sobre a superfície. Cada traço corresponde a um intervalo, a um registro de presença, fazendo com que a pintura opere como campo de acumulação temporal. Mais do que resultado formal, o trabalho se constrói como processo visível, no qual a duração se torna matéria. As pinturas incorporam telas de sombream – materiais utilizados no cultivo de plantas sensíveis à luz direta – que passam a operar como elemento estrutural na construção das obras. Ao mesmo tempo em que sugerem proteção e mediação, essas superfícies introduzem um jogo de presença e apagamento, no qual a imagem se organiza por sobreposição e instabilidade.

“Código-Mãe” não se organiza apenas como colaboração, mas como investigação. Mais do que recuperar uma trajetória interrompida, o projeto coloca em questão a própria noção de ausência, ao sugerir que determinadas presenças continuam a operar na construção de uma linguagem, mesmo quando não ocupam um lugar visível. Ao deslocar a relação para o campo da linguagem, a exposição propõe uma leitura da prática artística como espaço de continuidade, no qual a autoria se constrói menos como afirmação individual e mais como resultado de processos de transmissão, muitas vezes invisíveis.

Até 06 de junho.

Artistas mulheres de diferentes gerações.

30/mar

Em um formato exclusivamente digital, a Almeida & Dale, São Paulo, SP, apresenta uma curadoria de obras de seu acervo. “Traçado do Mundo” reúne artistas mulheres de diferentes gerações e nacionalidades. Com práticas que atravessam pintura, escultura, desenho e têxteis, essas artistas elaboram um campo no qual a materialidade, o gesto e os processos de construção de imagem se articulam a partir de deslocamentos entre linguagens e suportes.

 O conjunto evidencia procedimentos diversos que transitam entre abstração e figuração, fazendo emergir superfícies vibrantes, nas quais memória, tempo e experiência se entrelaçam. A recorrência de paisagens, mapas, corpos e matérias orgânicas aponta para uma compreensão do mundo como um campo instável, no qual territorialidade, natureza e cosmologia são continuamente reconfiguradas. Ao articular dimensões subjetivas e políticas, íntimas e coletivas, o conjunto propõe novos modos de ver, narrar e habitar o mundo.

Com obras de Alice Shintani, Daiara Tukano, Elena Damiani, Eleonore Koch, Guga Szabzon, Lais Myrrha, Lidia Lisbôa, Mariana Palma, Marina Woisky, Marlene Almeida, Maya Weishof, Miriam Inez da Silva, Nino Kapanadze, Rebeca Carapiá e Sara Ramo.

Obras inéditas de Denilson Baniwa.

26/mar

A Gentil Carioca São Paulo, Higienópolis, dá as boas-vindas à exposição solo inédita de Denilson Baniwa Yawara Akanga (cabeça de cachorro, em tradução livre), no dia 07 de abril, a partir das 16h.

A mostra reunirá 15 obras recentes e dá continuidade à pesquisa do artista sobre a presença não indígena na região do Rio Negro e no território amazônico. O texto crítico é assinado por Miguel A. López, curador-chefe do Museo Universitario del Chopo, México.

Esta é a segunda exposição individual do artista na unidade paulista, sucedendo *Moqueca de Maridos* (2023).

Em sua produção, Baniwa revisita o passado por meio da reinterpretação de imagens provenientes de tradições e representações locais, bem como de instituições europeias e norte-americanas – como o Musée du Quai Branly, o Museu Nacional de Etnologia de Lisboa, a Biblioteca da Universidade de Princeton e a Fundação Getty – além de arquivos fotográficos de internatos católicos e missões salesianas em aldeias amazônicas.

Obra singular pautada pelo rigor formal.

24/mar

A Galatea anuncia “Paulo Roberto Leal: maleabilidades construtivas”, exposição dedicada à obra de Paulo Roberto Leal (Rio de Janeiro, 1946 – 1991), com abertura no dia 28 de março, sábado, das 11h às 15h, na unidade da Padre João Manoel, Jardins, São Paulo, SP. A exibição dessa mostra estará em cartaz até 09 de maio e reúne trabalhos de séries emblemáticas como “Armagens”, “Armaduras” e “Entretelas”, além de pinturas realizadas pelo artista ao longo da década de 1980, nos anos finais de seu trabalho antes de sua morte precoce, aos 46 anos.

A mostra conta com texto crítico da curadora Mayara Carvalho, evidencia um período central na produção de Paulo Roberto Leal, no qual a investigação sobre uma “geometria sensível”, vinculada ao neoconcretismo carioca, se consolida como eixo de sua pesquisa, orientando uma prática marcada por procedimentos como costura, sobreposição e modulação.

Iniciando sua trajetória artística no final dos anos 1960, paralelamente ao trabalho como economista no Banco Central, Paulo Roberto Leal desenvolveu uma obra singular pautada pelo rigor formal e pela experimentação com materiais não convencionais. A partir da década de 1970, aprofundou de forma autodidata uma investigação em torno das qualidades plásticas do papel, do tecido e da própria tela, criando objetos e composições que questionam as fronteiras entre pintura, escultura e instalação. Já a série “Vilas” (1986), composta por pinturas realizada sobre papel artesanal, coexiste com uma produção que, no início dos anos 1980, marca a aproximação do artista com a pintura em formatos mais amplos e com blocos de cores vibrantes – fase que se tornaria a sua última, antes de falecer em 1991.