Presença de artistas mulheres em exposição.

14/maio

A Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB) inaugurou a exposição coletiva “Há pouco?”, com curadoria de Bruna Fetter, professora do Instituto de Artes da UFRGS e diretora cultural da instituição. A abertura ocorreu na Fundação Vera Chaves Barcellos, Sala dos Pomares, Rodovia Tapir Rocha, 8480 (parada 54), Viamão, RS. 

Há pouco? reúne obras de mais de 90 artistas mulheres e abrange diversas linguagens, como gravura, desenho, fotografia, pintura, arte postal e vídeo. Composta inteiramente por trabalhos pertencentes ao acervo artístico da Fundação Vera Chaves Barcellos, a mostra constitui um recorte institucional até então inédito e plural, que celebra a variedade de gerações, saberes, contextos, temáticas, mídias e escalas. 

Nas palavras da curadora Bruna Fetter: “Esta exposição parte da dupla possibilidade de interpretação de um simples jogo de palavras – há pouco – como disparador de uma reflexão sobre passagem do tempo, percepção de visibilidade, inserção profissional e representatividade. Estamos falando sobre a presença de artistas mulheres no acervo da Fundação Vera Chaves Barcellos, constituído a partir do olhar, interesses, relações profissionais e afetivas de uma artista mulher. Um acervo que soma mais de 1.500 obras de mais de 200 artistas mulheres.”

Artistas participantes. 

Lygia Clark, Mira Schendel, Regina Silveira, Anna Letycia, Vera Chaves Barcellos, Ione Saldanha, Maria Lídia Magliani, Lygia Pape, Anna Bella Geiger, Jac Leirner, Anna Maria Maiolino, Judith Lauand, Regina Vater, Maria Lucia Cattani, Karin Lambrecht, Maria Tomaselli, Carmela Gross, Zoravia Bettiol, Romanita Disconzi, Susana Mentz, Rosângela Rennó, Shirley Paes Leme, Sonya Grassmann, Lia Menna Barreto, Elaine Tedesco, Angela Jansen, Esther Ferrer, Margarita Kremer, Conceição Piló, Mara Alvares, Sonia Castro, Gerty Saruê, Marilice Corona, Nara Amélia, Ana Baxter, Johanna Vanderbeck, Lorena Geisel, Letícia Ramos, Elza Lima, Marina Rheingantz, Téti Waldraff, Brígida Baltar, Anna Esposito, Teresa Poester, Sonia Moeller, Dora Longo Bahia, Marilá Dardot, Maristela Salvatori, Marilene Burtet Pieta, Thereza Miranda, Helena Kanaan, Heloisa Schneiders da Silva, Maria de Lourdes Sanchez Hecker, Helena Martins-Costa, Liliana Porter, Celina Almeida Neves, Germana Monte-Mór, Lenora de Barros, Sophia Martinou, Lurdi Blauth, Camila Schenkel, Elida Tessler, Nazareth Pacheco, Gisela Waetge, Dione Veiga Vieira, Monika Funke Stern, Flavya Mutran, Mitti Mendonça, Rochele Zandavalli, Glaucis de Morais, Mariane Rotter, Susana Solano, Vitória Cribb, Carolina Gleich, Mary Dritschel, Marta Penter, Glória Munayer, Diana Domingues, Claudia Dal Canton, Laura Lima, Maria di Gesu, Laura Fróes, Ana Miguel, Lenir de Miranda, Simone Michelin Basso, Sandra Cinto, Vilma Sonaglio, Jeanette Chávez, Letícia Parente, Laura Miranda, Mônica Infante, Marlies Ritter, Regina Ohlweiler e Sofia Borges.

Sobre a Fundação Vera Chaves Barcellos.

Em atividade desde 2005, a Fundação Vera Chaves Barcellos – FVCB é uma instituição cultural privada e sem fins lucrativos, com atuação em Viamão e Porto Alegre, RS. Tem como missão preservar, pesquisar e difundir a obra da artista Vera Chaves Barcellos e a Coleção Artistas Contemporâneos, bem como incentivar a formação de público, a criação artística e a investigação das artes visuais da década de 1960 até os dias atuais. A FVCB atua em prol da transformação da sociedade através da democratização da arte, com uma programação acessível e gratuita voltada para diversos públicos. 

Visitação: até 11 de julho. 

Obras de Wanda Pimentel adquiridas pelo MoMA.

13/maio

Dois desenhos da série “Animais Preto e Branco” (1965-67) de Wanda Pimentel passaram a integrar o acervo do MoMA – Museu de Arte Moderna de Nova York. A aquisição foi realizada por meio da galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, responsável pelo espólio da artista; Esta aquisição marca a segunda vez que o museu adquire obras de Wanda Pimentel, após a incorporação de uma pintura da série “Envolvimento” à coleção do MoMA em 2024.

“Esta aquisição reforça a presença de Wanda Pimentel na coleção do MoMA e representa um importante reconhecimento da singularidade de sua prática. Ver este conjunto de desenhos da década de 1960 entrar para a coleção do museu destaca a força experimental de um trabalho que foi fundamental para o desenvolvimento de uma linguagem pop profundamente brasileira e latino-americana. Também representa um passo significativo no reconhecimento internacional de Wanda Pimentel como uma das grandes vozes femininas da arte do século XX.” – Alexandre Gabriel, sócio e diretor da Fortes D’Aloia & Gabriel.

Sobre a artista.

Wanda Pimentel nasceu no Rio de Janeiro em 1943, onde viveu até sua morte em 2019. A prática de Wanda Pimentel se distingue por uma qualidade precisa e de contornos nítidos, abrangendo linhas geométricas e superfícies lisas em obras que frequentemente desafiam a categorização como abstratas ou figurativas. No final da década de 1960 e início da década de 1970, suas pinturas retratavam espaços domésticos e objetos do cotidiano em cores vibrantes, em consonância estilística com a Nova Figuração brasileira. Nas décadas seguintes, a artista incorporou a paisagem carioca circundante à sua composição formal, retratando montanhas e vistas através de uma moldura semelhante a uma janela; construiu esculturas de tampas de bueiro, direcionando seu olhar para baixo, para ambientes ocultos, e pintou sequências de animais geometricamente representados, ampliando seu escopo para incluir figuras não humanas.

O início da trajetória de Wanda Pimentel coincide com o começo de um longo período de opressão e violência estatal no Brasil após 1964, quando a Ditadura Militar foi instaurada e se consolidou até 1985. O paralelo destaca como sua obra reage e, ao mesmo tempo, subverte a atmosfera sufocante sentida durante os chamados “anos de chumbo”, marcados por comunidades cada vez mais isoladas, valores sociais conservadores, fortes barreiras políticas e uma relação turbulenta com a identidade nacional. Nesse sentido, a obra de Wanda Pimentel funciona tanto como um código visual forjado sob condições opressivas quanto como um mapa para ressignificar o isolamento.

Internacionalmente, a obra de Wanda Pimentel foi apresentada em algumas das exposições mais importantes dedicadas à revisitação da arte latino-americana do pós-guerra, incluindo Radical Women: Latin American Art, 1960-1985 no Hammer Museum e no Brooklyn Museum, bem como International Pop, organizada pelo Walker Art Center e itinerante para o Philadelphia Museum of Art e o Dallas Museum of Art. Mais recentemente, seu trabalho foi apresentado em exposições como Vital Signs: Artists and the Body no MoMA – The Museum of Modern Art e Pop Brasil: vanguardia y nueva figuración, 1960s-70s no MALBA – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, Argentina. No Brasil, importantes apresentações de sua obra incluem Envolvimentos no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, além de exposições recentes organizadas pela Fortes D’Aloia & Gabriel em São Paulo e Rio de Janeiro, reafirmando o lugar central de Wanda Pimentel na história da arte contemporânea brasileira.

Comigo ninguém pode.

06/maio

Comigo ninguém pode é o nome, em português, da Dieffenbachia, uma das plantas mais comuns nas casas brasileiras, escolhida como símbolo de proteção espiritual. A ambiguidade e o sincretismo do termo original, que também se tornou um ditado popular, podem ser interpretados como “Ninguém pode me domar”, “Ninguém pode me derrotar” ou até mesmo “Não me desafie!”, em alusão à toxicidade da planta. Na evocação espacial de “Comigo ninguém pode”, a mostra coloca em diálogo duas artistas contemporâneas engajadas na reescrita performativa das histórias coloniais: Rosana Paulino (São Paulo, 1967) e Adriana Varejão (Rio de Janeiro, 1964). Juntos, seus trabalhos abrem a possibilidade de perceber o transcendente no visível.

Comigo ninguém pode reflete sobre a manifestação da fé e da espiritualidade na cultura brasileira, destacando sua estreita relação com a natureza e com dimensões além do humano. O projeto propõe um visceral jogo de perguntas e respostas sobre como espiritualidade e natureza são capazes de gerar um imaginário público que, ao reescrever a história, reconstrói os muros da memória e ressignifica as ruínas e feridas coloniais por meio de seres fantásticos e mágicos. Por meio de obras novas e históricas, a exposição apresenta uma realidade que desafia o racionalismo universal e os percursos predeterminados moldados pelo capital racial global.

Situada entre o tempo em espiral e as ondas tumultuosas propostas por Varejão, a mostra inclui a instalação difusa Aracnes (1996-2026), de Paulino, um muro de concreto inacabado no qual habita uma frágil rede de fios intercalados por fotografias impressas de corpos subjugados. Esta é envolvida por Still Life amid Ruin (Natureza-morta em meio à ruína) (2026), de Varejão, uma escultura pintada que expõe noventa metros lineares de transmutação voluptuosa: por meio de uma tática barroca que a artista desenvolve desde os anos 1980, o concreto torna-se carne, ouro; a madeira torna-se cerâmica, que se transforma em solo e planta. Essas metamorfoses constituem Comigo ninguém pode (2026), desenho de Paulino que dá título à mostra.

A longa tradição da cerâmica brasileira não apenas dá forma às tecelãs de Paulino, entrelaçadas com ninfas e casulos, mas também sustenta os motivos de flores-flechas e o gesso seco sobre tela deixado por Varejão ao longo do tempo, criando fissuras que atravessam a história, os azulejos e os anjos. Suspensos no alto, parecem flutuar e despencar do céu de concreto, tumultuado e moderno. Figuras ambíguas, são testemunhas das experiências de terror suturadas pelo passado colonial em Varejão, com Paisagem canibal (2003), e em Paulino, com Atlântico vermelho (2026). Ambas também observam uma mulher transformar-se em búfala e perturbam a grade do cânone ocidental ao dialogar com Une petite mort (2005), de Varejão. Juntamente com as muitas outras composições possíveis presentes nesta exposição, a cena recorrente de mulheres negras reduzidas a estereótipos ativa uma experiência regenerativa, enquanto representação das veias, sementes e raízes da sociedade brasileira.

Diane Lima, curadora.

De 09 de maio até  22 de novembro.

Os desdobramentos contemporâneos da abstração.

04/maio

O MARGS Porto Alegre, RS, apresenta a exposição “Carlos Wladimirsky – A permanência do tempo”. A inauguração será no dia 09 de maio (sábado), às 10h30.

Um dos mais destacados artistas gaúchos de sua geração, Carlos Wladimirsky (Porto Alegre/RS, 1956) desenvolve sua produção desde os anos 1970. Nesses 50 anos de trajetória, explorou desenho, pintura, gravura, joalheria e cerâmica, constituindo uma linguagem visual própria, vinculada aos desdobramentos contemporâneos da abstração e às suas possibilidades expressivas e de experimentação.

Sua atuação como artista visual se deu em sequência a uma intensa vivência com o teatro experimental e a performance. Também foi um dos artistas integrantes do Espaço N.O. – Centro Alternativo de Cultura, ponto de referência para a arte experimental e de vanguarda em Porto Alegre entre 1979 e 1982.

Nos anos 1980, a produção de Wladimirsky foi logo reconhecida por prêmios em salões pelo Brasil. Nesse contexto, o MARGS apresentou, em 1983, a sua primeira individual. A exposição “Carlos Wladimirsky – A permanência do tempo” apresenta um panorama da produção do artista desde os anos 1980, com uma seleção de desenhos, pinturas e objetos do acervo do MARGS e de coleções particulares, sendo a sua primeira mostra de resgate e caráter histórico.

Com curadoria de Francisco Dalcol, diretor do MARGS, “Carlos Wladimirsky – A permanência do tempo” dá sequência ao atual ciclo de mostras monográficas inéditas de artistas com trajetória e que integram o acervo do MARGS, como parte do programa expositivo “História do MARGS como História das Exposições”. 

Até 02 de agosto.

 

Burle Marx: plantas em movimento.

30/abr

O Museu Judaico de São Paulo, Bela Vista, apresenta até 02 de agosto a exposição “Burle Marx: plantas em movimento”.

A exibição apresenta um recorte introdutório da obra paisagística de Roberto Burle Marx e seus colaboradores, com foco no uso de algumas espécies vegetais. Burle Marx se notabilizou por criar um paisagismo tropical a partir das observações que fazia in loco, em expedições pelo Brasil e em viagens internacionais para o reconhecimento da vegetação de cada lugar, sempre acompanhado por um grupo de amigos botânicos, arquitetos, artistas e jardineiros, além da equipe de paisagistas de seu escritório. Assim, utilizou plantas nativas numa época em que a tradição era importar espécies vegetais de fora do país para desenhar áreas verdes segundo modelos tradicionais franceses e ingleses.

No entanto, Burle Marx nunca aplicou esses princípios de forma sectária, incorporando, em muitos de seus jardins, espécies exóticas tropicais que se adaptavam bem a determinados contextos locais. Nesse sentido, o artista-paisagista combinou a reversão dos estigmas de um país colonizado com a incorporação de elementos exógenos, numa atitude claramente cosmopolita, que pode ser associada à recusa de concepções fixas de identidade nacional. Assim, ao estabelecer uma associação entre plantas e seres humanos, ou entre natureza e sociedade, propomos, nesta exposição, a aproximação entre o legado estético e cultural de Burle Marx e certos princípios progressistas da judeidade, ligados à diáspora e à criação de identidades definidas pelo movimento constante.

Nesta mostra, transcendemos a apresentação meramente sequencial das composições paisagísticas de Burle Marx e sua equipe, e procuramos iluminar a relação entre certos projetos — públicos e privados — e a presença recorrente de determinadas espécies vegetais, reconstruindo um léxico básico com o qual o paisagista trabalhou, sempre de forma coletiva.
“A realização desta exposição neste espaço tem o propósito de ampliar a compreensão sobre o legado de Burle Marx, ao propor uma chave de leitura pouco revisitada em seu trabalho: sua herança judaica. A convite do MUJ, o pesquisador e artista Daniel Jablonski investiga como essa relação, transmitida pela via paterna, se inscreve em uma dimensão pouco visível — mas que atravessa sua maneira de estar no mundo. Uma perspectiva que dialoga com o entendimento do museu, que compreende a experiência judaica como parte de uma história mais ampla de migrações, travessias e múltiplas formas de continuidade.”

Marilia Neustein – Diretora-Executiva do Museu Judaico de São Paulo.

“Ao longo de sete décadas, Roberto Burle Marx e seus colaboradores constituíram um acervo paisagístico com mais de 150 mil itens, reunindo projetos urbanísticos, estudos, croquis, desenhos, fotografias, documentos, publicações, peças de arte e outros materiais. Fundado 2019 como uma organização da sociedade civil, o BMI é é fruto do compromisso inicial dos atuais sócios do Escritório Burle Marx em preservar, difundir e ressignificar o legado de conceitos e realizações que esse arquivo histórico congrega.”
Isabela Ono – Diretora-Executiva do Instituto Burle Marx.

A trajetória singular de Waltercio Caldas.

29/abr

Com cerca de 100 trabalhos, exposição percorre seis décadas da produção de Waltercio Caldas e apresenta uma leitura de sua trajetória singular, marcada pela investigação sobre tempo, espaço e percepção. Tempo, para Waltercio Caldas, é matéria de trabalho. Essa é a premissa que estrutura o (tempo), a exposição que a Casa Roberto Marinho, Cosme Velho, Rio de Janeiro, RJ,  inaugura no dia 14 de maio, reunindo cerca de 100 obras produzidas entre 1967 e 2025 por um dos nomes mais influentes da arte contemporânea brasileira. Projetada pelo próprio artista, a exposição ocupa os espaços da instituição com esculturas, pinturas, desenhos, livros e ambientes que abrangem seis décadas de produção e revelam a consistência de uma pesquisa rigorosa em torno das tensões entre forma, espaço e percepção.

Waltercio Caldas surgiu no cenário artístico brasileiro no final da década de 1960, em um momento de intensa renovação das artes visuais no país. Em diálogo com artistas e críticos que repensavam os limites da escultura, do objeto e da ideia de obra de arte, seu trabalho integrou a virada que deslocou o foco da representação para a experiência perceptiva e para o questionamento dos meios da arte. Desde então, sua trajetória vem sendo acompanhada por críticos como Paulo Venancio Filho e Paulo Sergio Duarte, que identificam em sua prática uma investigação rigorosa sobre linguagem, percepção e espaço.

Sobre o artista.

Waltercio Caldas nasceu em 1946, no Rio de Janeiro. Escultor, desenhista, artista gráfico e cenógrafo, estudou pintura com Ivan Serpa, em 1964, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Entre 1969 e 1975, fez desenhos, objetos e esculturas. Em 1973 sua primeira individual recebeu o prêmio de melhor exposição do ano pela Associação Brasileira de Críticos de Arte. Nos anos 1970, deu aulas no Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, e foi coeditor da revista Malasartes e do jornal A Parte do Fogo. Integrou a comissão de Planejamento Cultural do MAM Rio, responsável pela criação da Sala Experimental. Realizou exposições no Brasil e no exterior e foi agraciado pela Associação Brasileira de Críticos de Arte, em 1993, com o prêmio Mário Pedrosa, pelo conjunto da obra e por sua mostra individual realizada no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Esteve presente em várias Bienais de São Paulo, na Bienal de Veneza e na Documenta de Kasell (Alemanha). Na Bienal Entre Abierto, em Cuenca, Equador, em 2011, recebeu o prêmio com a obra Parábolas de Superfície. Participou da coletiva Art Unlimited em Basileia, Suíça. Em 2005 recebeu o grande prêmio da Bienal da Coreia. Seus trabalhos estão em coleções de importantes instituições, como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), o Museu Reina Sofia (Espanha), o Centro Georges Pompidou (França), o Museu de Arte (MASP), a Pinacoteca do Estado e o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Até 27 de setembro. 

MariAntônia recebe a mostra Rever Baravelli.

24/abr

O Centro MariAntonia da USP, Vila Buarque, São Paulo, SP, inaugura no dia 09 de maio, a exposição “REVER BARAVELLI”, dedicada à obra de Luiz Paulo Baravelli. Com curadoria de Maria Alice Milliet e realização da Galeria Marcelo Guarnieri, a mostra reúne aproximadamente 60 obras que atravessam diferentes momentos da trajetória de mais de cinquenta anos do artista.

A exposição propõe uma revisão panorâmica da produção de Baravelli, destacando a diversidade de procedimentos, técnicas e linguagens que caracterizam seu trabalho. Ao longo de décadas, o artista construiu uma obra marcada pela experimentação e pela articulação entre pintura, desenho, objeto e relevo. Em seu trabalho, observa-se uma vontade de extrapolar os limites do quadro, seja em pinturas que adquirem contornos orgânicos ao se afastarem do regime da moldura quadrangular; seja no uso da perspectiva, entendida menos como elemento regulador da visão e mais como força propositiva e vertiginosa, capaz de sugerir profundidades potencialmente infinitas na pintura.

Para a curadora Maria Alice Milliet, a prática de Baravelli se dá na interseção entre arte e artesania. Em seu processo, ele assume o papel de artista/artesão ao manipular materiais como madeira, acrílico ou metal para construir suportes e estruturas que expandem os limites da pintura. Sua iconografia incorpora desde desenhos de observação até uma ampla gama de imagens captadas em diversas mídias. Para tanto, recorre a estratégias como o ready-made e a colagem.

A exposição destaca núcleos importantes de sua pesquisa. Entre eles, as investigações sobre paisagem em sua construção ambígua entre interior e exterior e a recorrência do nu feminino, tema presente desde sua formação nos anos 1960. Nesse conjunto, destaca-se a série realizada em 1984 com a técnica da encáustica, na qual o artista abandona o desenho preparatório e passa a pintar diretamente sobre a tela, produzindo imagens de intensidade dramática e expressiva. Ao longo do percurso expositivo, o público encontrará trabalhos que transitam entre o bidimensional e o tridimensional, incluindo estruturas que evocam maquetes, relevos e pinturas que extrapolam os limites do quadro. Essa diversidade reflete a recusa de Baravelli em se ater a uma linguagem única, reafirmando seu interesse em capturar a complexidade e a instabilidade da realidade visível.

 

Sobre o artista. 

Luiz Paulo Baravelli é formado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, e por desenho e pintura pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). O artista iniciou sua carreira em meados dos anos 1960 produzindo pinturas, desenhos e colagens, influenciadas, de maneira mais direta, pela obra de Wesley Duke Lee, seu ex-professor na FAAP, e de modo mais amplo, pelo vocabulário da cultura Pop. Baseando sua prática na intersecção e troca entre a produção e o ensino de arte, Baravelli participa da fundação da Escola Brasil, em 1970, junto a José Resende, Carlos Fajardo e Frederico Nasser; da Revista Malasartes entre 1975 e 1976 e da Revista Arte em São Paulo entre 1981 e 1983, ambas junto a importantes artistas e críticos da cena contemporânea. Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas destacando-se: Bienal de São Paulo (Brasil); Bienal de Veneza (Itália); Bienal de Havana (Cuba); Bienal do Mercosul, Porto Alegre (Brasil); Museu de Arte de São Paulo (MASP- Brasil); Pinacoteca do Estado, São Paulo (Brasil); Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio (Japão); Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro (Brasil); Museu de Arte Moderna de São Paulo (Brasil); Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (Brasil); Itaú Cultural, São Paulo (Brasil); Museo de Arte Moderno de Buenos Aires (Argentina);  Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (Brasil); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (Brasil) e Paço Imperial, Rio de Janeiro (Brasil).

Até 26 de julho. 

 

Adriana Varejão e Rosana Paulino em Veneza.

23/abr

Brasil aposta em força feminina e espiritualidade no Pavilhão de Veneza. O projeto curatorial reúne duas das artistas mais importantes do país em um diálogo inédito sobre memória, fé e colonialidade.

A Fundação Bienal de São Paulo anunciou o projeto curatorial do Pavilhão do Brasil na Biennale Arte 2026, que será ocupado integralmente pelas artistas Adriana Varejão e Rosana Paulino. Intitulada “Comigo ninguém pode”, a exposição tem curadoria de Diane Lima e propõe um encontro inédito entre duas trajetórias fundamentais da arte contemporânea brasileira. Realizada em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, a participação brasileira conta com patrocínio da Petrobras.

Inspirada na planta popular que dá nome à mostra – símbolo de proteção e resiliência -, a exposição parte de uma dimensão sensível e simbólica para articular questões ligadas à história, espiritualidade e natureza. Em uma abordagem instalativa, o projeto rompe com a linearidade do tempo e coloca em diálogo obras históricas e produções inéditas das artistas, abordando feridas coloniais, processos de transformação e a construção de imaginários no Brasil.

A expografia, assinada por Daniela Thomas, foi concebida em diálogo direto com a arquitetura modernista do Pavilhão do Brasil, projetado em 1964 por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral. A proposta é ativar o espaço como parte da experiência, com obras que se distribuem de forma não convencional, criando percursos sensoriais e aproximando pintura, escultura e desenho de uma dimensão quase performativa.

Ao reunir mais de três décadas de produção de ambas as artistas, “Comigo ninguém pode” enfatiza tensões e aproximações simbólicas, materiais e cromáticas. Enquanto Rosana Paulino investiga memória, corpo e reconstrução a partir da experiência da mulher negra, Adriana Varejão explora, por meio da pintura, simulações de materiais como carne, azulejo e concreto. O encontro entre as duas artistas constrói uma narrativa potente sobre identidade, história e imaginação, projetando o Brasil no centro do debate contemporâneo internacional.

Fonte: Das Artes.

Desenhos de Iberê Camargo ao logo do tempo.

14/abr

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, convida para a abertura da exposição “Iberê Camargo: quem sabe, o tempo…” , neste sábado, dia 18 de abril, a partir das 14h.

Com curadoria de Carmela Gross, a mostra reúne 1.091 estudos e desenhos de Iberê Camargo (1914-1994), configurando a maior exposição do artista em número de obras já apresentada. O conjunto abrange diferentes momentos de sua trajetória, incluindo trabalhos realizados ainda na adolescência, quando Iberê Camargo  tinha apenas 13 e 14 anos.

A exposição oferece um olhar aprofundado sobre o processo criativo do artista, revelando a potência e a continuidade de sua investigação ao longo do tempo.

Sustentar o Efêmero.

13/abr

No Rio de Janeiro, o Ateliê397 acompanha a realização da exposição “Sustentar o Efêmero”, no Sesc Ramos RJ, com curadoria de Thais Rivitti e Juliana Monachesi, e assistência de Sophia Faustino.

A mostra reúne artistas participantes do grupo Rosa Choque, que se encontra quinzenalmente em um processo contínuo de troca e desenvolvimento de pesquisa. A exposição propõe refletir sobre como a arte pode reter, elaborar ou tensionar a dimensão efêmera da experiência, reunindo trabalhos em diferentes linguagens, como pintura, fotografia, colagem, escultura, instalação e bordado.

Venha nos visitar na Travessa Dona Paula (São Paulo – SP), de quarta a sábado, das 14h às 18h, e no Sesc Ramos (Rio de Janeiro – RJ), de terça a domingo, das 9h às 17h