A paisagem como espaço de transformação.

07/jul

A Galatea exibe “A invenção do Paraíso: Gabriela Melzer & Ygor Landarin”, exposição que reúne trabalhos inéditos dos artistas na unidade da galeria em Salvador. A mostra aproxima duas pesquisas que, embora desenvolvidas a partir de procedimentos distintos, convergem na investigação da paisagem como espaço de transformação.

Na exposição, Gabriela Melzer apresenta um conjunto de pinturas que dá continuidade à sua pesquisa em torno da abstração e da cor. Inspirada por formas encontradas na natureza e pelas transformações produzidas pelo tempo sobre a arquitetura e a paisagem.

Ygor Landarin apresenta trabalhos desenvolvidos a partir de seu interesse pelas paisagens costeiras brasileiras e pelos vestígios que o tempo deposita sobre a matéria. Bordados, esculturas e vitrálias incorporam areia, conchas, pedras, resina e porcelana fria em composições que acabam por servir como cartografias afetivas das cidades que viveu e dos territórios com os quais se relacionou em sua trajetória. A obra de Juarez Paraíso torna-se um ponto de partida importante de parte da produção do artista, especialmente na série Paraízo (2026).

Embora partam de linguagens distintas, as pesquisas de Gabriela Melzer e Ygor Landarin compartilham interesses fundamentais. Em ambos os trabalhos, a forma surge como algo em permanente constituição, resultado de processos de acumulação, transformação e reinvenção. O paraíso, que dá título à exposição, aparece não como um lugar idealizado, mas como uma construção continuamente reelaborada pelo tempo e pela imaginação.

A arte fotográfica como memória.

Entre abril de 2020 e junho de 2025, Paulo Mittelman registrou as transformações e intervenções observadas nas janelas do prédio da antiga Fábrica Bhering, hoje Espaço Cultural Bhering. O resultado desse olhar atento e sensível compõe “Vítreo”, exposição que será inaugurada no dia 30 de julho no Espaço BB, no Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, ocasião em que também será lançado o livro homônimo, que reúne as fotografias acompanhadas por poesias de Mirian de Carvalho, doutora em Filosofia pela UFRJ. 

A exposição apresenta 22 fotografias selecionadas pela curadora Marcia Marschhausen. Todas foram impressas em canvas com borda infinita e montadas em chassis de madeira.

“O conceito curatorial da mostra envolve, do ponto de vista teórico, uma proposição sobre a arte fotográfica como memória histórico-artística e, do ponto de vista da experiência estética, prioriza trazer ao plano sensível nexos entre a fotografia de Mittelman, poesias de Mirian de Carvalho e pinturas e grafites de artistas anônimos, construindo diálogos imagístico-visuais e imagístico-textuais sobre várias intervenções percebidas nas janelas do Espaço Cultural Bhering”, observa  Mirian de Carvalho.

O tema escolhido exerce fascínio sobre Mitterman desde sua infância: “Enfoquei um mundo de pinturas e grafites integrados ao vidro, por isso o nome “Vítreo” me fascinou. Encaixou perfeitamente nesses trabalhos clicados nos corredores e no amplo espaço conhecido como Pombal, na Fábrica Bhering, onde tudo é rodeado por vidraças que lembram minha atração pelas peças de vidro desde menino, quando garimpava cacos de vidro coloridos nas ruas, brilhando entre os paralelepípedos, como se fossem pedras preciosas. Comecei a fotografar com 16 anos e ainda carrego dentro de mim aquela criança curiosa diante das coisas do mundo que gostaria de transformar através do meu olhar e da magia de uma bola de cristal”.

Sobre o artista. 

Formado pela Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro, Paulo Mittelman é psicólogo clínico e psicanalista (SEPLA). Com 57 anos de trajetória na fotografia, Paulo Mittelman acumula em seu currículo reconhecimentos como o prêmio no Le Plus Grand Concours Photo du Monde, promovido pela revista Photo, além de ter sido finalista do Open Competition do Sony World Photography Awards 2013 em 2017 teve seis fotografias incluídas no livro “Arte Brasileira na Contemporaneidade – Vol. II”, projeto e realização de Carmen E. Pousada, Inn Gallery e Platypus Editora.

Sobre Mirian de Carvalho.

Doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na qual lecionou Estética nos programas de Graduação e de Pós-graduação e orientou teses e dissertações. Filiada à Associação Brasileira de Críticos de Arte e à Associação Internacional de Críticos de Arte. Foi 2ª vice-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), de 2002 a 2005. Sua poesia foi objeto de estudo do pesquisador e poeta Cláudio Willer, que escreveu o livro intitulado Mirian de Carvalho: a poesia em movimento, São Paulo: Quaisquer, 2018. A autora assina o Blog da Mirian, no Digestivo Cultural.

 

A transparência do vidro.

Jean-Michel Othoniel exibe “Poetic Living” até 11 de julho na Casa de Vidro, Morumbi, São Paulo, SP. Ao longo de 40 anos, o artista francês Jean-Michel Othoniel desenvolveu uma prática heterogênea que transita entre desenho, escultura e instalação num crescente dimensional que de maneira extremamente hábil nunca se distancia totalmente do diálogo íntimo com a natureza e a arquitetura. A escala que hora reverencia o “homem artesão” e hora se volta ao cosmos absoluto se manifesta de modo colaborativo em que saberes se mesclam e se materializam em “jóias escultóricas”.

Trata-se de uma fusão de conhecimentos, técnicas e intenções antropológicas que alicerçam a própria arquitetura de Lina Bo Bardi – uma soma de vivências e posicionamento crítico que tornam seus edifícios abrigos de ideias brutalmente honestas. Para ambos, a construção se soma ao objeto em si na consagração de sua clareza simbólica, um método que o artista define como “geometria emocional”.

Para ele, esse sentimento se traduz de maneira mais clara a partir de 1993, quando  inicia sua parceria com mestres artesãos de Murano e explora as possibilidades técnicas, a sutileza das cores e a transparência do vidro para expressar um estado de encantamento com o mundo. Formas simples como cubos e esferas se organizam em correntes e empilhamentos que põe em perspectiva a nossa distorcida noção espacial – micro arquiteturas feitas de tijolos de vidro aterram nosso olhar enquanto enormes colares ornam algo maior; uma natureza quase imensurável.

Uma relação de proporcionalidade que fundamenta a própria intenção de Lina com a Casa de Vidro – a arquitetura que pousa delicadamente no terreno e reverencia a paisagem; amplos planos envidraçados que incorporam a mata à arquitetura moderna; o piso azul em pastilha de vidro que expande o céu e ilumina os interiores. Interiores esses marcados pela fusão simbólica entre o pragmático, o sagrado e o popular da dinâmica intelectual entre Lina Bo e Pietro Maria Bard

Esses paralelos improváveis se alinham numa feliz coincidência para a exposição “Poetic Living” acontecer no Instituto Bardi/ Casa de Vidro justamente quando se comemoram os 75 anos de sua construção. As obras de Jean-Michel Othoniel refletem em seu brilho um emaranhado de soluções e memórias aqui presentes enquanto expandem a própria experiência do visitante, através da reabertura do caminho para o ateliê de Lina (depois de anos fechados para os visitantes), pelo qual poderão ser conferidas as inéditas “Liseron”, em aço inoxidável, e uma série de luminárias em vidro Murano na mesma linha dos vasos solitários que já dentro da Casa dialogam com o próprio acervo histórico do Bardi.   

Entre outras criações inéditas estão a instalação “Tribute easels to Lina Bo Bardi” – um conjunto de 5 cavaletes inspirados pela icônica solução para o Masp, construídos com blocos de vidro soprados a mão e sobre os quais “flutuam” aquarelas que retratam as flores do próprio jardim.

Bem como uma enorme escultura da série “Mirror Necklace”, em inox e folha de ouro, debruçada sobre a árvore no vão central da sala, no coração da Casa. Completam a mostra um conjunto de tamboretes “Midnight Souls”, distribuídos pelos interiores em harmonia com o acervo permanente de móveis e arte, como uma evolução natural dessa coleção construída ao longo de 40 anos de convívio do casal.

Bruno Simões.

Sobre o artista.

Jean-Michel Othoniel (Saint-Étienne, França, 1964) é um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, graduado pela École Nationale Supérieure d’Arts, na França, e com formação na Villa Medici, na Itália. Suas esculturas, em diálogo com dimensões arquitetônicas, operam uma geometria monumental. Esculpe peças que se assemelham a joias, tanto pelo aspecto formal, quanto pelo preciosismo dos materiais, que vão de contas a tijolos de vidro de Murano soprado. Suas formas contemplativas navegam pelos reinos paradoxais da monumentalidade e delicadeza, do ornamento e do minimalismo. Com mais de 100 exposições individuais ao redor do mundo, além de centenas de exposições coletivas, Jean-Michel Othoniel foi amplamente premiado, com destaque para a distinção de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras da França. Suas obras integram importantes coleções internacionais como, o Centre Pompidou, a Fondation Cartier pour l’art contemporain, em Paris; o Musée National d’Art Moderne de Paris; o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, o Brooklyn Museum, em Nova York; o Museum of Glass, em Tacoma; a Peggy Guggenheim Collection, em Veneza; o Museum of Contemporary Art (MoCA), Mi

Representada pela Galeria Patricia Costa.

06/jul

Fundada em 2003 por Patricia Costa e Silva, que possui 45 anos de experiência no mercado, a Galeria Patricia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, passa a representar a artista Raquel Saliba, escultora que transforma materiais como cerâmica e bronze em instigantes seres que chegam a atingir quase três metros de altura.

Nascida em Itaúna, Minas Gerais, formada em Psicologia, a artista dedica-se exclusivamente à arte há 15 anos, movida por um fascínio singular por técnicas ancestrais e processos primordiais. Entre elas estão a Anagama – queima japonesa – e a Obvara, método de queima cerâmica originado no Leste Europeu no século XII, que consiste em retirar a peça incandescente do forno. Raquel Saliba também experimenta o uso de gás em fornos híbridos combinados com lenha. Em uma de suas séries mais recentes, deixou que a ação do mar oxidasse algumas peças, resultando em superfícies que alternam entre o reluzente e o rústico.

Sobre a artista.

Raquel Saliba já morou em diferentes partes do mundo, o que possibilitou que ela fizesse vários cursos e exposições como no Carrossel do Louvre (maio de 2018), por exemplo. Residindo atualmente no Rio de Janeiro, ela vem se dedicando cada vez mais às esculturas em cerâmica, bronze e outras matérias. Parte de sua formação artística: Curso Objeto e Poema 2025 e 2026 com Xico Chaves no Parque Lage; Colagem com Pedro Varela em 2024; O Processo Criativo com Charles Watson em 2020 no Parque Lage; Encontros e Reflexões, com Iole de Freitas, 2019, Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil; exposição coletiva A Cara do Rio (Centro Cultural dos Correios), 2018; curso Conversando sobre esculturas objeto etc. e tal com Joao Goldberg, Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil em 2016 e 2017; cursos de escultura e cerâmica no Morley College, Londres, Reino Unido 2014 e 2015; cursos de escultura no Heatherley School of Art, Londres, Reino Unido em 2015; workshop “O inconsciente na argila”, com Sandy Brown, Inglaterra, junho de 2015; cursos de Cerâmica e Escultura na UAL (University Arts of London), professor Timothy Harker, Londres, Reino Unido em 2013; Centro de Artes de Fremantle, Austrália Ocidental 2003. Recentemente, participou de duas exposições simultâneas no Museu Histórico da Cidade: a individual “Bashar: nós humanos” e outra com a artista e amiga Anna Bella Geiger, “Avesso”, ambas com curadoria de Shannon Botelho.

Colagens inéditas de Ricardo Stambowsky.

03/jul

Colecionador de histórias e peças adquiridas ao longo de anos e repletas de valor afetivo, Ricardo Stambowsky realiza primeira exposição de colagens selecionadas pela curadora e amiga Vanda Klabin na Galeria Patricia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ.

Ricardo Stambowsky constituiu um repertório próprio, que revela agora numa faceta até então conhecida apenas pelos mais íntimos em seu círculo de amizades. “Encontros Improváveis” apresentará ao público colagens inéditas, sob curadoria da amiga de longa data Vanda Klabin.

Inaugura no dia 22 de julho, na Galeria Patricia Costa, em curta temporada. Notório em sua trajetória como cerimonialista, Ricardo sempre cultivou uma relação íntima com a imagem, inclusive em incursões pelas artes plásticas: frequentou as aulas de Ivan Serpa no MAM e de modelo vivo com Waldir Damásio. A veia artística, enfim, se manifestou. Inicialmente produzidas para presentear amigos próximos, suas colagens nasceram de maneira espontânea, sem pretensões expositivas. Com o passar do tempo, entretanto, o exercício contínuo de recortar, deslocar e recombinar elementos revelou uma linguagem autoral marcada pela liberdade associativa e pela construção de narrativas visuais inesperadas.

Nas obras reunidas para a mostra, elementos aparentemente desconexos encontram-se em composições surpreendentes. O resultado são imagens que transitam entre memória, poesia e imaginário, propondo ao espectador múltiplas possibilidades de leitura.

Sobre o artista,

Ricardo Stambowsky é carioca e tem 78 anos. Por parte de pai, neto de russos que emigraram para Salvador durante a revolução bolchevique. A mãe era pernambucana de família da aristocracia canavieira. Formado em Direito pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas e em Jornalismo pela Faculdade da Cidade, é casado há 53 anos com Sueli Pittigliani. Como advogado trabalhou na companhia construtora da família e como jornalista em diversas revistas, jornais e programas de televisão. Nos anos 80, teve em Juiz de Fora uma danceteria de muito sucesso. Porém, as Artes Plásticas sempre fizeram parte de sua trajetória. Frequentou as aulas do Ivan Serpa no MAM e de modelo vivo com Waldir Damásio. Cerimonialista e organizador de festas e eventos há 40 anos, a veia artística falou mais forte e agora se dedica com paixão a montar colagens utilizando recortes de revistas antigas que colecionou ao longo da vida.

Até até 1º de agosto.

Vik Muniz reproduz itens do acervo.

02/jul

O Museu Nacional, São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, abre mostra com obras de Vik Muniz com as cinzas do incêndio. Com ajuda da equipe que trabalhou no resgate e de cientistas, artista reproduz peças originais do acervo da institução.

Comovido com o incêndio que destruiu o Museu Nacional, em setembro de 2018, Vik Muniz criou uma coleção em polímero infundido com as cinzas, na qual reproduz itens do acervo. 

Tudo foi desenvolvido em parceria com as equipes que atuaram nos escombros e cientistas da PUC-Rio. 

Até 30 de agosto.

Exibição da artista indígena Yacunã Tuxá.

01/jul

A Caixa Cultural RJ, Unidade Passeio,  recebe, a partir do dia 07 de julho, a exposição “Toda Árvore Tem Raiz”, primeira mostra individual da artista indígena Yacunã Tuxá, que reúne mais de 25 obras em diferentes linguagens e suportes, como pintura, fotografia, poesia, muralismo, escultura, lambe-lambe, vídeo mapping e performance. Depois de um sucesso retumbante em Salvador, a exposição permanece em cartaz até 20 de setembro.

O projeto contempla a trajetória da artista indígena pertencente ao povo Tuxá de Rodelas, na Bahia, marcada por deslocamentos forçados e resistência. Yacunã Tuxá vem consolidando uma produção que articula ancestralidade, política e imaginação urbana, com passagens por instituições como o MASP, Pinacoteca de São Paulo e Muncab.

A curadoria de Naine Terena e Vera Nunes em diálogo com a artista, propõe uma experiência expositiva que combina identidade indígena com contextos culturais dos não-indígenas, criando um percurso imersivo que convida o público a refletir sobre os atravessamentos vividos por corpos indígenas, seus territórios e sua espiritualidade. A mostra incorpora elementos simbólicos como o rio, a canoa e a Jurema, planta sagrada que atravessa a mostra como eixo espiritual e político. O feminino indígena emerge como estrutura fundamental, afirmando as mulheres como raízes profundas da terra, sustentando histórias de resistência, cuidado e reinvenção.

Sobre a artista.

Yacunã Tuxá (@yacunatuxa) é uma das principais vozes da arte indígena contemporânea no Brasil, com atuação nas artes visuais, literatura, muralismo e curadoria, articulando memória, ancestralidade e política. Seu trabalho já esteve presente em importantes instituições culturais, rendeu prêmios de destaque, projetos curatoriais e grandes intervenções urbanas, além da publicação de seu primeiro livro de poemas, consolidando sua produção artística como uma potente ferramenta de resistência, afirmação identitária e cura coletiva.

Tiago Carneiro da Cunha na Carpintaria.

30/jun

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “Férias para Sempre”, exposição individual de Tiago Carneiro da Cunha. Reunindo um novo conjunto de pinturas, a mostra do artista paulistano, radicado no Rio de Janeiro, se desenvolve por meio de cenas enigmáticas nas quais estados de lazer, prazer e repouso tornam-se cada vez mais difíceis de distinguir de imagens de colapso, desaparecimento ou morte. Corpos reclinados aparecem ao longo das obras, espalhados por praias, jardins, ruas e interiores, sua imobilidade suspensa entre férias e catástrofe. Ao mesmo tempo bem-humoradas, inquietantes e teatrais, as pinturas resistem a narrativas fixas, permitindo que momentos de ócio, vulnerabilidade e absurdo componham um tableau aberto a múltiplas interpretações.

Todas as telas são produzidas em um formato recorrente, compartilhando as mesmas dimensões, como variações dentro de uma mesma estrutura formal e conceitual. As composições se abrem para espaços amplos que oscilam entre paisagem e cenário teatral, conforme os enquadramentos panorâmicos de Tiago Carneiro da Cunha criam um campo visual em que primeiro plano e fundo se tornam protagonistas equivalentes. Coqueiros inclinados ecoam as posturas das figuras, enquanto crepúsculos dramáticos, focos concentrados de luz e construções espaciais marcadas conferem a muitas cenas uma qualidade quase autoiluminada. A exposição inclui duas interpretações distintas da Pietà, aproximando um dos motivos centrais da tradição clássica de imagens extraídas da vida contemporânea. Ao longo de “Férias para Sempre”, ambientes idílicos e urbanos convivem e se contaminam, animados por referências à cultura visual e à atmosfera cotidiana do Rio de Janeiro. Em conjunto, essas pinturas exploram o território incerto onde espetáculo e intimidade, humor e melancolia, férias eternas e descanso final começam a se confundir.

Entre suas exposições individuais recentes destacam-se Maldita Comédia, Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo e Green Galaxy, Misako & Rosen, Tóquio. Participou também das exposições coletivas Terraphilia: Beyond the Human in the Thyssen-Bornemisza Collections, no Museo Nacional Thyssen-Bornemisza,  Estado Bruto, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro e A iminência das poéticas – 30ª Bienal de São Paulo. O artista possui obras em importantes coleções públicas, entre elas o SFMoMA – San Francisco Museum of Modern Art, em San Francisco; TBA21 Thyssen-Bornemisza Art Contemporary Collection, Madrid; a Saatchi Collection, em Londres; o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio); o Museu de Arte do Rio (MAR); e o Arizona State University Art Museum, em Tempe.

A exposição é acompanhada por um texto de Gabriel Secchin.

Até 29 de agosto.

Liberdade e pertencimento.

Guilherme Moraes, curador de “Maravilhosa Catástrofe”, a exposição individual de Fefa Lins em cartaz na Amparo 60, Recife, PE, destaca os novos caminhos da produção de Fefa Lins. Nesta mostra, Fefa Lins amplia sua investigação sobre imagem, desejo, liberdade e pertencimento.

No texto que acompanha a exposição, o curador escreve: “Com o teor lumínico e cromático dos trópicos, as pinturas não convergem apenas para um Fernando progressivamente solar. Conectam-se por uma sensibilidade exacerbada, projetada tanto na teatralidade e nos maneirismos que ecoam saberes coreografados por corpos queer, quanto na abertura ao encontro, ao prazer e à indeterminação da massa brincante.”

Aberta desde 27 de junho. 

Elegantes manejos da cor.

Com 120 obras que fazem uma retrospectiva da trajetória de um dos artistas mais emblemáticos do Planalto Central, a exposição “Galeno, o mistério do simples” é um convite a um universo que mistura referências populares a um dos mais elegantes manejos da cor da arte brasileira. Em cartaz na Caixa Cultural, a exposição traz obras selecionadas pelo curador Paulo Herkenhoff e vem acompanhada de uma vitrine que reúne reportagens históricas do Correio Braziliense sobre Francisco Galeno. 

O ponto de partida da curadoria de Herkenhoff está nas origens do artista. Nascido em Parnaíba (PI), filho de uma costureira e de um marceneiro que veio tentar a vida na construção de Brasília nos anos 1960, Francisco Galeno fez dos objetos, cores e histórias que o cercavam a matéria prima para as pinturas e esculturas. Lamparinas feitas de alumínio, piões de brincadeiras de crianças, carretéis de linhas, pipas e barcos formavam o universo da infância que acabou transportado para  as pinturas. “A gente está trabalhando com a complexidade simples da obra dele, mas acho que o Galeno aponta para muitas digressões. “O Galeno tem suas particularidades. A obra dele traz uma memória do Nordeste.” O artista foi o responsável pelo painel da Igreja Nossa Senhora de Fatima.

Até 04 de outubro.