Para a Art Basel Paris 2026 entre 23 e 25 de outubro, no Grand Palais, A Gentil Carioca (Stand A4) apresentará o tema “Sonhos e Pesadelos”. O sonho é um vasto território, onde as formas se expandem livremente e a lógica da vida cotidiana se dissolve. Sonhar não é uma fuga, mas a construção de mundos nos quais escolhemos acreditar. mundos que podem, às vezes, se transformar nos pesadelos de nossas próprias construções. Buscamos apresentar obras em que o sonho assume múltiplas formas e escalas, tornando-se uma matéria política e um confronto para imaginar outras formas de viver, recusando o que está dado e persistindo na luta.
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Objetos simbólicos do cotidiano.
Em sua primeira exposição individual, “Uma certa memória”, sob curadoria de Vanda Klabin, na Artur Fidalgo galeria, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, Emika Takaki apresenta uma série de pinturas recentes que transitam por objetos simbólicos do cotidiano. Suas telas funcionam como potentes metáforas visuais em torno do silêncio, da ancestralidade e da diáspora nipo-brasileira.
Através de rigorosos campos monocromáticos e do uso de cores escassas, o trabalho de Emika Takaki transforma o ato de olhar em um espaço de contemplação e encontro profundo entre o passado e o presente, a nostalgia e o esquecimento.
Até 30 de outubro.
Dialogar com diferentes formas de perceber o mundo.
30/set
Novo episódio de Depois que Tudo Foi Dito, com Josi, estreou no Arte 1. O Arte1 exibiu o terceiro episódio da série “Depois que Tudo Foi Dito”, realizada pelo MAM São Paulo a partir do 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”. O episódio tem como protagonista a artista Josi.
No episódio, Josi fala sobre sua trajetória e sobre uma prática artística atravessada por memórias de Carbonita, Caeté e do Vale do Jequitinhonha, por saberes populares e por experiências vividas durante uma residência artística no Benim. A artista compartilha seus processos com tintas naturais, preparadas a partir de materiais como feijão-preto, pequi, jenipapo, jurubeba, cascas de árvores, terras e pigmentos minerais, e conta como essas matérias vivas se transformam e participam da construção das obras.
Estruturada em episódios dedicados a artistas, curadoria e público, a série busca ampliar o conhecimento sobre o Panorama da Arte Brasileira e apresenta diferentes perspectivas sobre a exposição. As conversas aproximam as obras das trajetórias de seus criadores, do processo curatorial e das experiências dos visitantes, mostrando como a arte pode dialogar com questões presentes no cotidiano e com diferentes formas de perceber o mundo.
O 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”.
Com curadoria de Diane Lima e gerência de projetos de curadoria de Giovanna Querido, o 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” reúne 33 artistas de 11 estados brasileiros, representando todas as regiões do país e aproximando diferentes gerações, linguagens, materialidades e modos de fazer. A exposição parte de uma reflexão sobre o que pode existir para além dos limites já estabelecidos da representação, da linguagem e da própria ideia de arte brasileira.
Panorama da Arte Brasileira.
Realizado desde 1969, o Panorama da Arte Brasileira acompanha há mais de cinco décadas as transformações da produção artística no país e ocupa um lugar fundamental na trajetória do MAM e na História da Arte Brasileira. Ao longo de suas edições, consolidou-se como uma das principais plataformas de reflexão, experimentação e discussão sobre a arte produzida no Brasil.
“Depois que Tudo Foi Dito” é uma realização do Museu de Arte Moderna de São Paulo, com exibição pelo Arte1 por meio de parceria entre as instituições. A concepção e coordenação do projeto são de Ane Tavares; a direção e edição de vídeo são de Marina Paixão; o roteiro é assinado por Ane Tavares e Juliana Pithon; e a trilha sonora é de David Menezes.
Presença de Brumadinho no mapa internacional.
29/set
O colecionador Bernardo Paz prepara novo museu de arte contemporânea em Brumadinho. Idealizador do Inhotim, MG, Bernardo Paz avança em um novo projeto cultural que deve ampliar ainda mais a presença de Brumadinho no mapa internacional da arte contemporânea.
O empreendimento vem sendo noticiado como um novo museu a céu aberto, localizado nas proximidades do Inhotim, instituição que Bernardo Paz começou a idealizar nos anos 1980 e que abriu ao público em 2006. Segundo informações publicadas pela imprensa, o espaço circula com nomes provisórios como Instituto Bernardo Paz e Museu das Árvores. A proposta mantém diálogo com uma das marcas mais reconhecidas da trajetória de Bernardo Paz: a aproximação entre arte, paisagem, arquitetura e natureza em escala monumental.
Bernardo Paz amplia legado cultural em Brumadinho.
As reportagens indicam que o novo projeto já teria recebido investimentos expressivos, com paisagismo em andamento, plantio de milhares de árvores e a previsão de pavilhões distribuídos em uma área cercada por mata. Também foi noticiado que o acervo reunido para o espaço pode chegar a cerca de 3 mil obras de arte contemporânea. Entre os nomes mencionados nas matérias estão artistas como Anna Maria Maiolino, Sonia Gomes e Michael Heizer. A imprensa também aponta negociações envolvendo outros artistas internacionais, em sintonia com a proposta de criar um espaço voltado à produção contemporânea em diálogo com território, memória, matéria e experiência.
Nos últimos anos, Bernardo Paz também protagonizou um movimento decisivo para a institucionalização do Inhotim, ao transferir de forma definitiva obras, galerias e parte significativa da estrutura do instituto para uma governança voltada à perenidade da instituição. Essa passagem consolidou o caráter público de um projeto que nasceu de uma coleção privada e se tornou referência cultural brasileira.
Mais do que a criação de um novo espaço expositivo, a iniciativa aponta para a continuidade de uma visão cultural de longo prazo: produzir experiências em que arte e natureza não funcionam como cenários separados, mas como partes de uma mesma paisagem sensível, pública e transformadora.
Momento de renovação poética e formal.
A Athena, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta “Sair do próprio caminho e deixar o mundo entrar”, exposição de Rafael Alonso. Com texto de Luna Grimberg, a mostra reúne um conjunto inédito de pinturas realizadas em seu novo ateliê, instalado na antiga casa da pintora Lucia Laguna, no bairro do Rocha, Zona Norte do Rio de Janeiro. A mudança de endereço marca também uma inflexão significativa na trajetória do artista, revelando um momento de renovação poética e formal.
A casa, seus quintais e a vizinhança característica dos subúrbios cariocas – marcada por construções em constante transformação e soluções arquitetônicas informais – passam a integrar diretamente o campo de observação do artista. Estes entornos constituem uma nova experiência do cotidiano e reorganizam o seu modo de olhar e de pintar.
As obras, inéditas, apontam para uma sensível transformação em relação à produção anterior de Rafael Alonso. Agora em formatos menores, convidam a uma aproximação mais íntima, instaurando um ritmo de observação pausado e silencioso.
Uma produção marcada pelo estudo da cor.
O Museu Inimá de Paula, Belo Horizonte, MG, apresenta “Aldir Mendes: Geometrias do Olhar”, exposição que reúne cerca de 40 obras de Aldir Mendes de Souza (1941-2007). Com trabalhos realizados entre as décadas de 1960 e 2000, a mostra oferece uma visão abrangente da trajetória do artista e acompanha as transformações de uma produção marcada pelo estudo da cor, pela construção geométrica e pela interpretação da paisagem brasileira.
O artista construiu uma produção múltipla, que transitou pela pintura, pelo desenho, pela gravura, pela escultura, pela performance e pela imagem técnica. Médico cirurgião plástico formado pela Escola Paulista de Medicina, aproximou arte e ciência em experiências com radiografias e termografias, ampliando os limites de sua pesquisa visual.
Participou de importantes momentos da arte no Brasil, incluindo diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo, e realizou exposições em instituições como o MASP, o Museu de Arte Brasileira da FAAP, o Museu Nacional de Belas Artes, o MAC-USP, o Paço das Artes e a Pinacoteca de São Paulo. Suas obras também estão presentes em relevantes coleções privadas e públicas.
Até 24 de janeiro de 2027.
Os ciclos da lua e a materialidade da cor.
28/set
Artista constrói ateliê na Serra do Cipó, MG, onde investiga os ciclos da lua e a materialidade da cor.
A Mitre Galeria, Jardins, São Paulo, SP, apresenta “candeia”, individual de Gisele Camargo com texto curatorial de Miguel A. López. A mostra nasce da mudança da artista para a Serra do Cipó, em Minas Gerais, onde instalou um novo ateliê cercado por cachoeiras, cânions e espécies endêmicas do cerrado.
No centro da exposição, dois polípticos de grande escala ocupam as extremidades opostas da galeria: Lua Cheia e Lua Nova. Cada um traduz as variações cromáticas e luminosas de um momento do ciclo lunar – a escuridão quase total de quando a lua se posiciona entre a Terra e o Sol, e a plenitude de quando aparece inteiramente iluminada.
Para Miguel A. López, a cor na pintura de Gisele Camargo “deixa de ser um atributo estável e passa a constituir um acontecimento: uma vibração instável que oscila entre a experiência sensorial, a observação científica e a especulação poética”.
Entre os dois polípticos, quatro pinturas de médio formato apresentam formas sinuosas e ondulantes sobre fundos escurecidos. Silhuetas que podem ser vegetais, correntes de água, sombras animais, campos magnéticos ou fenômenos atmosféricos.
O ateliê na Serra do Cipó funcionará também como residência artística interdisciplinar, recebendo artistas, biólogos, botânicos, brigadistas do cerrado e astrônomos. “Acredito que o artista contemporâneo tem uma função com a sociedade”, diz Gisela Camargo. “Faz parte do meu trabalho trazer outras pessoas para vivenciar este lugar que eu amo tanto.”
Até 03 de outubro.
Oficinas gratuitas de capacitação para mulheres
25/set
Como parte da exposição “Amazônicas: Poéticas femininas”, serão realizadas em outubro duas oficinas gratuitas no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ).
Nos dias 01 e 02 de outubro, será realizada a oficina de “Produção Executiva para Exposições de Artes Visuais”, com Stella Paiva, produtora cultural e gerente de produção do Museu de Arte do Rio (MAR).
Nos dias 29 e 30 de outubro, acontecerá a oficina “Criação de Projetos de Performance”, com a artista Cristiane Martins. A programação é gratuita e exclusiva para mulheres (mediante autodeclaração).
“Essas oficinas de economia criativa foram pensadas para o avanço das mulheres, ampliando a formação técnica e artística de quem está começando ou querendo começar uma carreira profissional no universo artístico e atuar em grandes projetos….”, afirma Sissa Aneleh, curadora e diretora artística da exposição “Amazônicas: poéticas femininas”.
Sobre a exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas”.
A exposição apresenta um amplo panorama da arte produzida por mulheres da região amazônica, desde a década de 1970 até os dias de hoje. São trabalhos feitos em diferentes suportes, como pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte, das artistas Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wɨra Tini e Yaka Huni Kuin.
Sobre o Museu das Mulheres.
O Museu das Mulheres (Museu DAS), sediado em Brasília, é o primeiro museu brasileiro dedicado a valorizar e dar visibilidade à produção artística, cultural e histórica de mulheres. Possui programação em artes plásticas e visuais, cinema, eventos, além de programa educativo, área de pesquisa, acervo e editora própria.
Duas gerações da pintura brasileira.
24/set
A Simões de Assis participa da Frieze London 2026, de 14 a 18 de outubro, e apresenta um diálogo entre Miguel Bakun e Thalita Hamaoui, duas gerações da pintura brasileira. Obras de Miguel Bakun realizadas entre as décadas de 1940 e 1960 e pinturas inéditas de Hamaoui, produzidas especialmente para esta edição.
Separadas por décadas, suas produções encontram pontos de contato na maneira como transformam a paisagem em campo de sensibilidade. Entre o mundo exterior e a experiência interior, as obras articulam diferentes formas de perceber, imaginar e dar corpo ao que nos cerca.
Sobre o artista.
Miguel Bakun (Mallet, Brasil, 1909 – Curitiba, Brasil, 1952) filho de imigrantes ucranianos, nasceu no sul do estado do Paraná, Brasil. Ainda jovem, em 1926, ingressou na Escola de Aprendizes da Marinha, em Paranaguá, e em seguida foi transferido para a Escola de Grumetes do Rio de Janeiro, onde começou a realizar esboços a lápis, desenhos de observação, retratos, caricaturas e paisagens – como fazia também seu colega e contemporâneo José Pancetti. Em 1930, em virtude de um acidente, desligou-se da Marinha e mudou-se para Curitiba.
Mesmo sem formação sistematizada em artes plásticas, Miguel Bakun montou ateliê em sua residência e, para manter o sustento, trabalhou como fotógrafo lambe-lambe. Nos anos 1940, passou a compartilhar ateliê com outros artistas no centro da cidade, em prédio cedido pela Prefeitura. A década é considerada promissora para ele, marcada por suas primeiras participações e premiações no Salão Paranaense de Belas Artes e pela participação em duas edições do Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Chegou a receber algum interesse da crítica: no texto mais emblemático desse período, o artista e professor Guido Viaro afirmou que Bakun “elimina o ar das paisagens como se fosse uma experiência de Física”. Os anos 1950 foram os mais prolíficos, quando pintou retratos, naturezas-mortas, marinhas e sobretudo paisagens, além de murais na residência do então governador Moysés Lupion, hoje o Castelo do Batel. Ao final da década, produziu obras com alusões animistas, em que figuras alegóricas se confundem com os contornos das paisagens.
Apesar das eventuais premiações e da amizade com agentes do circuito, Miguel Bakun não chegou a se inserir plenamente no incipiente sistema de artes local, nem pôde viver apenas da venda de suas obras. Emergiu em uma cena de gradual modernização do repertório da pintura acadêmica, na qual a expressividade assertiva de suas obras parecia fora de lugar – experimental ou subjetiva demais. Quando, porém, uma nova geração de artistas ganhou protagonismo na arte curitibana, foram as obras abstratas que tomaram o debate, o que também mantinha Miguel Bakun na periferia do olhar. Em seus últimos anos, já sofrendo por sua precária situação econômica, Miguel Bakun recebeu tratamento médico por causa de forte depressão. Encerrou sua vida em 14 de fevereiro de 1963.
Participou de diversas exposições individuais das quais destacam-se: “Miguel Bakun” (2024), Mendes Wood DM, Bruxelas; “Miguel Bakun” (2019), Simões de Assis, São Paulo; “Miguel Bakun – Na Beira do Mundo” (2010), Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; “Miguel Bakun: Natureza e Destino” (2010), Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo. Entre as coletivas estão: “ABERTO/02” (2023), Casa de Vilanova Artigas, São Paulo; “Aprendendo com Miguel Bakun: Subtropical” (2019), Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “Brasil 500 Anos de Artes Visuais” (2000), Fundação Bienal de São Paulo. Possui trabalhos em coleções importantes como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; Luís Antonio de Almeida Braga Collection, Rio de Janeiro, Brasil; MAC PR – Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, Brasil; MUPA – Museu Paranaense, Curitiba, Brasil; and MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil.
Uma investigação concentrada na cor.
Galeria Mayer Mizrahi, Jardim Paulista, São Paulo, SP, exibe, a partir de 03 de outubro, “O arrebatamento da pintura”, exposição individual de Sou Kit Gom, com curadoria de Denise Mattar. A mostra reúne 30 pinturas realizadas entre 2023 e 2026, nas quais ambientes e outros elementos reconhecíveis permanecem como pontos de partida para uma investigação cada vez mais concentrada na cor, no gesto e na própria matéria da pintura.
Na leitura da curadora, a força do trabalho de Sou Kit Gom está na relação entre o que imagina e o que acontece quando a pintura começa a se fazer. Ele parte de uma composição pensada e desenhada, mas, diante da tela, aceita que o processo tome outros caminhos. “Quando pinto, tudo muda”, diz o artista. A cor, então, ganha autonomia e passa a participar da construção da obra.
Flores, vasos, casas, árvores, mesas e cadeiras continuam reconhecíveis, mas deixam de cumprir apenas a função de representar o mundo para se tornarem também cor, matéria, gesto e estrutura. “Uma flor começa como flor e termina como pincelada”, observa a curadora. A figura permanece, mas é atravessada pela pintura, em um movimento que aproxima o artista da abstração não pela eliminação do mundo visível, mas por sua transformação. Sou Kit Gom identifica esse movimento ao dizer que está em um caminho de “abdicar da figura”, embora ela ainda permaneça como uma espécie de âncora enquanto a pintura procura escapar dela. Para Denise Mattar, a tensão entre estrutura e liberdade, reconhecimento e dissolução, motivo e matéria é justamente o que dá vida ao trabalho.
“A ideia encontra a matéria, o desenho encontra a cor, a estrutura encontra o gesto. E a pintura reivindica seu próprio caminho. Nesse embate, entre aquilo que o artista pretende fazer e aquilo que a pintura exige dele, está o lugar mais vivo da obra de Sou Kit Gom.” – Denise Mattar.
Até 31 de outubro.




























