O vocabulário singular de Adriano Mangiavacchi.

17/abr

Sob a curadoria de Vanda Klabin, o artista Adriano Mangiavacchi comemora 85 anos com exibição individual na Galeria Patrícia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, .

“Pintar é preciso e viver também”, enfatiza o artista italiano Adriano Mangiavacchi. Prestes a completar 85 anos – mais da metade deles vividos no Brasil -, ele parece personificar essa livre atualização do célebre verso de Fernando Pessoa. Desde 2023, Adriano Mangiavacchi vem se dedicando à aquarela, linguagem que passou a orientar sua produção mais recente. A leveza e a fluidez desse meio serviram de ponto de partida para a série de pinturas realizadas ao longo do último ano, agora apresentadas ao público no dia 12 de maio. Suas raízes, no entanto, permanecem vivas em sua trajetória e obra. Sem abdicar de suas referências, o artista constrói um vocabulário singular. Em seu texto curatorial, Vanda Klabin destaca afinidades entre Adriano Mangiavacchi e o seu conterrâneo Emilio Vedova, expoente da action painting, cujos impulsos gestuais encontram eco em sua pintura.

Sobre o artista

Adriano Mangiavacchi nasceu em Roma, onde iniciou sua formação artística na Escola Artifici, e depois na Academia de Brera, em Milão. Na década de 1970, imigrou para o Brasil e decidiu fixar residência no Rio de Janeiro para trabalhar como engenheiro industrial na fábrica de automóveis italianos Fiat e Alfa Romeo. Conhece Luiz Aquila, quando passa a frequentar o seu curso de pintura, em Petrópolis. Em 1980 assume de fato   a vocação pela arte, ingressando no grupo de Paulo Garcez, com quem aprende a disciplina de trabalho, a procura da linguagem, a postura crítica. Em 1986, véspera de eleições, documentou os restos de propagandas que cobriam os muros da cidade. A dramaticidade e espontaneidade dessas intervenções acabaram por influenciar uma fase marcante de sua carreira, em um momento de grande potencial pictórico. “A cidade é uma fonte de inspiração extraordinária”, afirma.

Até 06 de junho.

A geometria de Rubem Valentim.

16/abr

O MAM Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ,  exibe mostra dedicada a Rubem Valentim.

Rubem Valentim é um dos nomes mais relevantes da arte brasileira no século 20. Ao longo de mais de quatro décadas, desenvolveu uma linguagem plástico-visual-signográfica de vocação universal, construída a partir de composições geométricas em diálogo com matrizes culturais brasileiras, sobretudo africanas e indígenas.

Em 1976, Rubem Valentim relata a busca por uma ordem sensível em seu Manifesto ainda que tardio. “A geometria é um meio. Procuro a claridade, a luz da luz”, diz. Ao refletir sobre seu trabalho, identifica uma organização da experiência: “[…] sou um indivíduo tremendamente inquieto e substancialmente emotivo. Talvez precisamente por isso busco, ávido, na linguagem plástica visual que uso, uma ordem sensível, contida, estruturada”.

A exposição é organizada em seis núcleos que correspondem às cidades que marcaram sua trajetória. O percurso tem início em Salvador, onde desenvolve suas primeiras experiências a partir da observação do cotidiano, da cultura material, dos objetos rituais das religiões de matriz africana e da arte moderna europeia. No Rio de Janeiro, para onde se muda em 1957, sua pesquisa ganha rigor construtivo e densidade simbólica, adotando signos como princípios organizadores. 

Em Roma, Rubem Valentim aprofunda a articulação vertical dos elementos, apontando para uma dimensão totêmica. De volta ao Brasil, fixa-se em Brasília, onde expande sua prática para o campo tridimensional e formula o Alfabeto Kitônico, sistema que sintetiza sua investigação sobre linguagem, cultura e construção. Nos anos finais de sua vida, entre Brasília e São Paulo, amplia seu repertório, desenvolvendo estudos com outros sistemas de crenças, como o I Ching e a ordem esotérica Rosa-Cruz.

A mostra culmina com a apresentação do Templo de Oxalá, instalação criada em 1977. Composto por estruturas totêmicas dispostas no espaço, o trabalho traduz, em escala ambiental, a linguagem desenvolvida por Rubem Valentim ao longo de sua trajetória.

Curadoria de Raquel Barreto e Phelipe Rezende.

Até 02 de agosto.

Diversos temas em perspectiva.

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, apresenta exposições que colocam em perspectiva temas como religiosidade, autoria, pertencimento e revisão histórica. Em cartaz, estão “Padê – sentinela à porta da memória”, “Bença! O Quilombo do Jaó pelo olhar das crianças” e “A História Inventada e a Invenção de Histórias”, de Roméo Mivekannin.

Entre os destaques está Padê – sentinela à porta da memória, em cartaz até 26 de julho. Com curadoria de Rosa Couto e Comitê Curatorial formado por Maurício Pestana, Renata Dias e Vera Nunes, a exposição toma Exu como eixo central para discutir comunicação, circulação e transformação. Organizada em três núcleos – “África”, “Travessia” e “Diáspora” -, a mostra articula obras do acervo do museu com produções contemporâneas, reunindo nomes como Emanoel Araujo, Sidney Amaral, Gustavo Nazareno, Carla Désirée, Mario Cravo Neto e Mestre Didi, entre outros. O percurso expositivo combina esculturas, fotografias, objetos do sagrado e instalações, evidenciando a permanência e as reinterpretações de Exu ao longo do tempo.

Em seus últimos dias, “A História Inventada e a Invenção de Histórias”, do artista beninense Roméo Mivekannin, segue em cartaz até 26 de abril. Com curadoria de Claudinei Roberto da Silva, a exposição reúne obras que partem de imagens clássicas da história da arte ocidental para propor deslocamentos de corpos, símbolos e centralidades. 

Como funcionam os vulcões.

Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, exibe até 18 de abril “Como funcionam os vulcões”, exposição coletiva que inaugurou o programa de 2026 da Carpintaria. A mostra reúne obras de Amélia Toledo, Arthur Chaves, Barrão, Cerith Wyn Evans, Ernesto Neto, Ivens Machado, Janaina Wagner, Leda Catunda, Maria Manoella e Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Yuli Yamagata.

“Como funcionam os vulcões” toma a imagem do vulcão como metáfora para uma formação cultural complexa. Longe de um fenômeno visível ou imediato, a exposição evoca processos que se desenvolvem ao longo do tempo, acumulando pressões, desejos, conflitos e fantasias até alcançar um ponto de liberação. Nesse sentido, o Carnaval é proposto não apenas como espetáculo, mas como a manifestação de um longo processo de gestação moldado por forças sociais, materiais e simbólicas.

Percorrendo escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura e técnicas mistas, a exposição enfatiza como o sentido se produz por meio da duração e da persistência material. As obras reunidas lidam com dinâmicas de acúmulo, transformação e emergência. Reunindo artistas de diferentes gerações e posições, a mostra apresenta práticas atentas a estados de latência e erupção, suspensão e excesso. Materiais são reunidos, sobrepostos, esticados, comprimidos ou colocados em movimento, registrando tensões entre controle e imprevisibilidade, estrutura e instabilidade. O encontro com as obras se dá entre o maravilhamento e a tensão, entre o que é encenado e o que permanece em estado latente.

As formas sugerem processos prolongados de fazer e desfazer, enquanto as disposições espaciais evidenciam limiares – entre interior e exterior, contenção e transbordamento, antecipação e liberação. Em vez de ilustrar um fenômeno social ou natural, essas obras operam em condições análogas de pressão e transformação.

Exposições simultâneas.

15/abr

Marcio Gobbi Escritório de Arte, Bela Vista, São Paulo, SP, apresenta simultaneamente as exposições “Mestres da Pintura Espontânea” e “Kaleidos”, ambas sob curadoria de Fedra de Faria Rugiero e Marcio Gobbi. Realizadas no mesmo espaço, as mostras colocam em diálogo obras de artistas da pintura espontânea brasileira e a produção de três artistas contemporâneos. A ocasião marca também o relançamento do livro “Mestres da Pintura Espontânea”, de Roberto Rugiero, dedicado à obra de expoentes dessa arte brasileira. A abertura acontece no dia 22 de abril.

A exposição “Mestres da Pintura Espontânea” apresenta cerca de quarenta obras de artistas reunidos no livro homônimo. A seleção reúne nomes de diferentes regiões do país e evidencia a diversidade de linguagens presentes na chamada pintura espontânea brasileira. Acrílica, óleo e pastel sobre tela, além de grafite e lápis de cor sobre papel, compõem o conjunto de técnicas presentes na mostra. O projeto dialoga diretamente com a pesquisa conduzida por Roberto Rugiero, cuja publicação se tornou referência para o estudo e a divulgação dessa vertente artística, ao reunir e contextualizar a produção de artistas de diferentes regiões do Brasil. É uma oportunidade ímpar de apreciar, lado a lado, os expoentes dessa pintura livre e verdadeira, inerente à manifestação da arte feita por pessoas simples e autodidatas, com seus símbolos próprios e contextos pessoais.

A mostra “Kaleidos” – palavra de origem grega associada à ideia de “formas belas” – reúne trabalhos de Alexandre Segrégio, Ana Tamanini e Céu D’Ellia. Embora desenvolvam pesquisas visuais bastante distintas, os três artistas são aproximados pela curadoria a partir da relação entre luz e forma. Alexandre Segrégio apresenta pinturas que exploram a paisagem natural com rigor hiper-realista, frequentemente centradas em representações de florestas. Ana Tamanini, artista que iniciou sua trajetória ainda na adolescência e teve como professores Wesley Duke Lee e Otto Stupakoff, desenvolve uma investigação pictórica baseada em estudos da geometria sagrada e dos chamados quadrados mágicos presentes em tapetes orientais. Já Céu D’Ellia, conhecido internacionalmente por sua atuação no cinema de animação, revela parte de sua pesquisa estética que (segundo a crítica de arte Denise Mattar) “…borram as fronteiras entre as linguagens verbal e visual, dilatando os limites artificialmente construídos pela crítica”. Ao aproximar artistas de formações e linguagens distintas, “Kaleidos” propõe olhar os diferentes modos de traduzir luz em forma. A exposição reúne cerca de quinze obras e destaca a diversidade de abordagens presentes na produção contemporânea.

Apresentadas simultaneamente, “Mestres da Pintura Espontânea” e “Kaleidos” estabelecem um encontro entre diferentes tempos e perspectivas da produção artística. Enquanto a primeira destaca a força expressiva da pintura espontânea brasileira reunida na pesquisa de Roberto Rugiero, a segunda aproxima três artistas contemporâneos cujas investigações visuais simultaneamente colidem, somam e se opõem. No conjunto, as duas mostras convidam o público a percorrer um panorama que atravessa tradições, linguagens e sensibilidades.

Até 22 de maio.

Novo gênero da pintura.

14/abr

O artista Maxwell Alexandre apresenta até 30 de maio sua primeira individual na Almeida & Dale, Vila Madalena, São Paulo, SP, “pintor preto, figuração branca.”. A mostra marca a “figuração branca” como novo gênero da pintura elaborado pelo artista. Maxwell Alexandre toma o corpo branco como principal assunto em suas pinturas recentes e o desloca da aparente neutralidade, evidenciando a relação histórica da branquitude no campo da arte. “Se existe figuração preta, há de haver uma figuração branca”, anuncia Maxwell Alexandre. 

Em “pintor preto, figuração branca.”, Maxwell Alexandre rompe tanto com a neutralidade do corpo branco na tradição pictórica quanto com o cubo branco, entendido pelo artista como espaço de distinção social e de retenção de valores do sistema das artes. Em uma expografia que transforma radicalmente o espaço da galeria, a mostra reúne desdobramentos das séries “Clube” (2020-2026) e “Cubo Branco” (2025-2026).

Sustentar o Efêmero.

13/abr

No Rio de Janeiro, o Ateliê397 acompanha a realização da exposição “Sustentar o Efêmero”, no Sesc Ramos RJ, com curadoria de Thais Rivitti e Juliana Monachesi, e assistência de Sophia Faustino.

A mostra reúne artistas participantes do grupo Rosa Choque, que se encontra quinzenalmente em um processo contínuo de troca e desenvolvimento de pesquisa. A exposição propõe refletir sobre como a arte pode reter, elaborar ou tensionar a dimensão efêmera da experiência, reunindo trabalhos em diferentes linguagens, como pintura, fotografia, colagem, escultura, instalação e bordado.

Venha nos visitar na Travessa Dona Paula (São Paulo – SP), de quarta a sábado, das 14h às 18h, e no Sesc Ramos (Rio de Janeiro – RJ), de terça a domingo, das 9h às 17h

Nino Cais na Galeria Lume.

10/abr

Nino Cais, artista multifacetado contemporâneo, ganha um novo desdobramento do seu trabalho na Galeria Lume, Jardim Europa, São Paulo, SP, com a exposição individual “Uma nova Ideia de voo”, com curadoria de Ana Carolina Ralston. A mostra propõe um mergulho na versatilidade do artista, no qual transita entre fotografia, colagem, vestimenta, escultura e vídeo para tensionar uma questão central em sua trajetória: o que constitui a identidade e como ela se transforma quando suspensa.

Partindo da ideia de que a tragédia emerge do embate entre duas verdades, a exposição evoca narrativas da mitologia grega para pensar o instante de passagem que antecede o renascer. Em diversas obras, rostos são cobertos por livros, embalagens e outros materiais, deslocando o protagonismo da face tradicionalmente associada ao reconhecimento e ao pertencimento e instaurando uma zona de opacidade. Ao velar, Nino Cais interrompe o olhar do outro e sugere a dissolução temporária dos vínculos sociais que estruturam o indivíduo. O gesto dialoga com o conceito de liminaridade formulado pelo antropólogo Arnold van Gennep, que define o período intermediário dos rituais de passagem como um tempo fértil, instável e transformador. O véu, recorrente nas obras, atua como uma membrana simbólica: cria a opacidade necessária para atravessar a experiência e permitir a reintegração sob uma nova configuração identitária.

No campo formal, o artista amplia a discussão ao subtrair partes de corpos e de estruturas arquitetônicas históricas, explorando a volumetria da imagem impressa. Ao “desbastar” fotografias e livros, Nino Cais transpõe para o papel um procedimento tradicional da escultura, redesenhando o pensamento escultórico em chave expandida. A imagem deixa de ser estritamente bidimensional e se torna tridimensional, ao afirmar a sua própria condição de objeto, uma presença física que por si só, ocupa e existe como forma.

Na sala externa da galeria, em frente a um pequeno jardim, a exposição se desdobra em um ambiente que evoca um viveiro de criaturas em transmutação. O diálogo com Constantin Brancusi emerge especialmente na relação com a série Maiastra, inspirada na ave mítica romena associada à luz e à metamorfose. Assim como em Brancusi a maiastra não representa um pássaro literal, mas a própria ideia de voo, Nino Cais se apropria dessa noção para criar novas formas a partir do tangram jogo de origem chinesa composto por sete peças geométricas. Fragmentando e recompondo capas de livros antigos, sobretudo de mitologias gregas e egípcias, o artista dá origem a pássaros e seres híbridos que preservam sua identidade material, mas transformam seu sentido conforme a posição e o encaixe. O procedimento também estabelece um diálogo com o pensamento neoconcreto, ao tratar o objeto como experiência sensível e relacional, deslocando-o da condição estática para um campo expandido de significados. Ao tensionar presença e apagamento, superfície e volume, integridade e ruína, Nino Cais constrói um território de suspensão. Suas obras habitam o intervalo, nem imagem plena, nem fragmento inerte e convidam o público a atravessar esse estado liminar. Entre o gesto de velar e o de revelar, o artista propõe uma reinvenção do olhar: tocar essas presenças em trânsito é, também, aceitar a possibilidade de renascer em uma nova ideia de voo.

Até 11 de maio.

Fonte: Dasartes.

Janaina Tschäpe na Fortes D’Aloia & Gabriel.

09/abr

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “piruetas de olhos abertos”, nova exposição de Janaina Tschäpe, sua primeira individual em São Paulo desde 2019. Ocupando o espaço da galeria na Barra Funda, a mostra reúne uma seleção de pinturas panorâmicas de grande formato em óleo e bastão de óleo, aquarela e pastel. Produzidas entre seu ateliê em Nova York, onde vive, e Bocaina, em Minas Gerais, seu refúgio no Brasil, as obras são construídas por meio de marcações amplas e caligráficas que combinam uma fluência próxima à escrita com massas turbulentas de cor em constante mistura. Em um processo de trabalho próximo às dinâmicas naturais, a artista aborda a pintura como um campo de instabilidade e resposta. Gesto e desenho operam em tensão: a imediaticidade da pincelada encontra a resistência da linha, cada uma alternadamente interrompendo e desacelerando a outra. Em vez de construir uma imagem resolvida, o trabalho se desdobra como um acontecimento moldado pelo tempo, pela troca e pela transformação.

A paisagem de Bocaina, marcada por vegetação densa, afloramentos minerais, luz em constante mutação e os ritmos mais lentos de um ambiente não urbano, informa essas composições de maneira decisiva. Em vez de representar lugares específicos, Janaina Tschäpe absorve a atmosfera da região, traduzindo sua umidade, verticalidade e seus horizontes estratificados em campos de cor e marcação. warm field (Giftgrün) (2026), uma pintura de grandes dimensões, é atravessada por essa sintonia com os ambientes naturais. Uma disposição turbulenta de vermelhos terrosos, ocres e marrons forma uma atmosfera mineral na qual irrompem verdes que evocam visões fugazes de vegetação. O que está em jogo é uma coerência sob pressão – a estrutura que emerge do próprio processo. Essa sensibilidade se desdobra em diálogo com a vida da artista em Nova York, onde a complexidade do tecido urbano, a velocidade vertiginosa e a arquitetura desorientadora da cidade oferecem uma experiência espacial contrastante que permeia sutilmente as pinturas. Uma obra como swept away (2026) expressa esse clima: as fronteiras porosas entre céu, água e terra encontram ecos em composições fluidas e vaporosas, nas quais abstração e paisagem convergem.

O espaço social na era digital.

Peter Halley apresenta uma nova exposição na Almeida & Dale Fradique, São Paulo, SP, “The American Connection”, primeira exposição do estadunidense no Brasil em cinco anos, apresentando um conjunto de pinturas recentes, com suas icônicas cores fluorescentes e estruturas de células que expandem o quadro.

Halley despontou como um dos principais nomes do pós-conceitualismo na década de 1980, e é reconhecido por suas pinturas geométricas fluorescentes que enfatizam cores e sistemas. Suas obras empregam a linguagem da abstração geométrica para explorar a organização do espaço social na era digital.

“As obras da exposição ”The American Connection” assumem a representação metafórica dos dispositivos eletrônicos ligados por condutores. São células que remetem aos sistemas neuronais ou de terminais informáticos, mas poderiam ser celas de uma prisão, como sugerem os títulos de algumas das pinturas recentes aqui expostas”, escreve Antonio Gonçalves Filho, diretor cultural da Almeida & Dale.

Com títulos como Cell (célula ou cela) e Prision (prisão), as pinturas refletem sobre as estruturas da organização social em uma produção artística que se identifica com o pensamento estruturalista e de filósofos franceses como Foucault, Baudrillard e Lyotard. Igualmente, as formas de sua obra parecem responder ao isolamento e individualização do momento atual. Como completa Gonçaves Filho: “o pintor mostra como a sedução da fluorescência e o antinaturalismo das luzes de computadores e celulares acabam por aprisionar o indivíduo contemporâneo”.

Até 30 de maio.