Uma seleção de 33 artistas de diferentes gerações.

16/set

A Galatea participa da 16ª edição da ArtRio, que acontece entre 16 e 20 de setembro, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. A galeria apresenta uma seleção de 33 artistas que atravessa diferentes gerações e contextos da arte moderna e contemporânea, reunindo nomes fundamentais da produção brasileira, artistas que exerceram influência na cena nacional ou que por ela foram influenciados, além de jovens talentos emergentes.

A robusta lista de artistas para o estande da Galatea na ArtRio 2026 reúne Anísio O. Couto, Arthur Palhano, Bogdan Koshevoy, Carlos Cruz-Díez, Carolina Cordeiro, Dani Cavalier, Edival Ramosa, Ernesto Neto, Francisco Galeno, Frans Krajcberg, Gabriel Branco, Gabriela Melzer, Gabriella Marinho, Grauben do Monte Lima, Guilherme Gallé, Hércules Barsotti, Ione Saldanha, Jac Leirner, Jaider Esbell, Joji Ikeda, Jorge Guinle, Leo Battistelli, Maíra Dietrich, Mari Ra Chacon, Mucki Botkay, Park Chae Biole, Park Chae Dalle, Roberto Burle Marx, Rodrigo Andrade, Silia Moan, Tito Terapia, Tomie Ohtake e Ygor Landarin.

O conjunto propõe um diálogo entre diferentes momentos e vertentes da arte moderna e contemporânea, aproximando experiências ligadas à abstração geométrica e construtiva, à pintura figurativa, às práticas têxteis e a pesquisas que exploram a materialidade por meio da cerâmica, da madeira e de outros suportes.

Representação do artista Francisco Galeno.

15/set

A Galatea anuncia a representação do artista Francisco Galeno (1956, Parnaíba, Piauí – 2025, Parnaíba, Piauí) e seu legado. Nascido na região do Delta do Parnaíba, Francisco Galeno cresceu em uma família de artesãos, entre ofícios ligados à carpintaria, ao couro, à costura, à renda e à construção de canoas. Ainda jovem, mudou-se para Brasília, estabelecendo-se em Brazlândia, onde iniciou sua trajetória artística. A partir de 2012, passou a dividir sua vida e produção entre Brazlândia e Parnaíba, mantendo ateliê nas duas cidades até seu falecimento, em 2025, aos 68 anos.

Interessado pelas artes desde jovem, Francisco Galeno estudou música e teatro antes de se dedicar às artes visuais. Em 1977, frequentou o ateliê-escola de Moreira Azevedo e, no ano seguinte, realizou curso livre de pintura com Maria Pacca, no Centro de Criatividade da Fundação Cultural do DF, dirigido por Luiz Áquila.

Para além dos estudos formais, o artista reivindicou o aprendizado advindo do contato com os artesãos que o cercavam, com a paisagem e os objetos da sua infância, e com a cidade de Brasília. Foi essa mescla que possibilitou o alcance de uma autenticidade no seu trabalho: carretéis, anzóis, pipas e latas de sardinha ora são depurados em linhas e formas geométricas para entrar na sua pintura, ora são apropriados em sua condição de objeto, sendo rearranjados de forma lírica e lúdica para compor uma obra escultórica.

Em seu currículo somam-se exposições nacionais e internacionais, tais como: sua última retrospectiva “Galeno, o mistério do simples” (Caixa Cultural Brasília, DF, Brasil, 2026); “Galeno, uma nova direção – Estripulias” (Museu Nacional dos Correios, Brasília, 2014); “Francisco Galeno” (Galerie Debret, Paris, 2002); “Viva Brasil Viva” (Coletiva, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, 1991); entre outras.

Em 2009, Francisco Galeno finalizou, a convite do IPHAN, o painel que ocupa o altar da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, onde estava uma pintura de Alfredo Volpi, apagada pelos militares na década de 1960. Suas obras fazem parte de diversas coleções permanentes, tais como: Museu de Arte de Brasília – MAB, Brasília; Palácio do Itamaraty, Brasília; Museu de Arte Contemporânea – MAC Niterói, Rio de Janeiro; Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro.

Memória familiar e imaginação.

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “espírito jardim humana”, primeira exposição individual de Tadáskía desde seu ingresso na galeria. Com abertura efetuada em 14 de setembro, na Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, a mostra reúne trabalhos que articulam memória familiar e imaginação. Ancoradas em uma cosmologia própria, as obras combinam formas abstratas e elementos orgânicos, que assumem figuras híbridas, situadas entre personagens e ambientes.

Em pinturas sobre tela e sobre suportes escultóricos em papel couro, folheado de madeira e MDF, a artista desenvolve um léxico de formas e presenças associado a uma espécie de anima, entendida como força constitutiva de sua criação. Bichos, legumes, cabelos, cascas e outras referências atravessam esse repertório, ao lado de galhos, palhas de taboa, bromélias, frutas, ovos, líquidos e outros materiais que se prolongam no espaço expositivo. Em suas “aparições”, como a artista denomina as fotografias realizadas em 35mm, assim como nas superfícies, ranhuras, relevos e passagens de cor, diferentes elementos se articulam entre imagem, matéria e forma. Aquilo que se apresenta de modo sugerido na pintura e no desenho ganha corpo e volume nos trabalhos escultóricos, estabelecendo relações entre diferentes meios e procedimentos.

“espírito jardim humana” assinala também uma inflexão sutil na produção recente de Tadáskía, marcada pelo aparecimento de áreas de branco e do suporte exposto. O branco reaparece nos desenhos e no interior das cascas, relevos pintados a óleo, e também em trechos onde a tinta foi raspada. Essas áreas de vazio assumem uma função compositiva, introduzindo intervalos de luz e abertura que alteram o ritmo e a atmosfera das obras. Ao redor desse núcleo, as esculturas articulam elementos encontrados e objetos transformados, aproximando materiais de diferentes origens e temporalidades. Grafismos e campos de cor organizam superfícies e camadas que ampliam as relações entre pintura, desenho e escultura.

Até 31 de outubro.

Exposição investiga modos de narrar.

14/set

A artista Rose Afefé participa do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, no MAM São Paulo, com curadoria de Diane Lima. Reunindo 33 artistas de 11 territórios e diferentes gerações e perspectivas, a exposição investiga modos de narrar, imaginar e construir a arte brasileira contemporânea, a partir de uma questão formulada pela filósofa Denise Ferreira da Silva sobre aquilo que pode existir para além do que já foi dito e feito sobre a violência colonial e racial.

A pesquisa de Rose Afefé parte do resgate de memórias e da relação com os territórios, articulando pertencimento, ocupação, convivência e fabulação. Desde 2018, esse percurso se materializa em “Terra Afefé”, uma microcidade em escala humana construída com terra e adobe na zona rural de Ibicoara, na Chapada Diamantina. Pensada como espaço de encontro, a obra articula arte e vida e mobiliza saberes locais, natureza e formas de organização coletiva, investigação que a artista desloca e reelabora em diferentes contextos.

No Panorama, essa pesquisa se desdobra em “Posse Simbólica”, série de 21 pinturas realizada em 2025 a partir da coleta de terra em um canteiro de obras da Grande Paris. As pinturas refletem sobre posse, pertencimento e fabulação de territórios, transformando fachadas em espaços simbólicos para tensionar fronteiras e criar formas de redistribuição e vínculo. A série também incorpora uma carta escrita por uma criança após uma conversa com a artista no Solar dos Abacaxis, na qual pede para viajar à África e conhecer seus ancestrais. A carta passa a integrar o trabalho como parte de um gesto que busca transformar a obra em meio para a realização desse desejo.

O 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” permanece aberto ao público até 24 de janeiro de 2027, no MAM São Paulo.

O Mar de Rosas de Paulo von Poser.

11/set

“Mar de Rosas” celebra os trinta anos da exposição que, em 1996, reuniu pela primeira vez um conjunto de obras dedicado exclusivamente à rosa. Desde então, essa flor tornou-se presença constante na arte e na vida de Paulo von Poser, acompanhando sua produção em desenhos, pinturas, aquarelas, gravuras, esculturas, instalações e performances. A rosa surgiu discretamente nos desenhos realizados entre 1980 e 1985 e apareceu como protagonista em uma série desenvolvida em 1988, publicada no calendário do Museu de Arte Contemporânea no ano seguinte. A partir daí, atravessou inúmeras exposições, ora como elemento central, ora integrada às paisagens, às cidades e às reflexões sobre memória, natureza e espaço urbano.

A exposição “Mar de Rosas”, apresentada em 1996 no Espaço Ox, com curadoria de André Millan e Mariângela Bordon, representou um ponto de inflexão nessa pesquisa. Dela nasceu um universo que se expandiu muito além da pintura, dando origem a uma rara coleção de obras, objetos, fotografias, livros, poemas e referências dedicadas à presença e a história da rosa na cultura brasileira e internacional.

Nas décadas seguintes, esse percurso desdobrou-se em projetos realizados no Brasil e no exterior. As rosas dialogaram com as cidades em “Rosas no Ar” e “Rosas na Terra” (1999), transformaram-se em esculturas transparentes na exposição “Horizontes” (2001), participaram de exposições em Paris e Lima, sobrevoaram São Paulo em um dirigível na mostra “Você Está Aqui” (2006), ganharam escala monumental na escultura “Rosé au Calvaire”, instalada em Saint-Flour, na França (2007), permaneceram presentes em séries dedicadas à paisagem, à arquitetura e à cidade e, em 2012, na exposição “Floração”, apresentada no Museu de Arte Sacra de São Paulo, inspiraram desenhos das rosas barrocas presentes no acervo do Museu, e uma série de “Rosas relicários contemporâneos”. Em 2023, essa longa investigação encontrou uma nova dimensão na exposição “Rosas Brasileiras”, apresentada no Farol Santander, que reuniu a coleção construída pelo artista ao longo de décadas e obras de mais de uma centena de artistas brasileiros, provenientes de acervos públicos e privados, unidos pela presença da rosa.

A atual exposição não pretende ser uma retrospectiva. É uma celebração. Reúne obras de diferentes momentos, escolhidas por Paulo von Poser e pela curadora Flávia Daud, revelando a permanência e a transformação de um mesmo tema ao longo de três décadas. Mais do que uma flor, a rosa tornou-se uma linguagem da alma do artista. Presente nas mais diversas culturas e tradições espirituais, símbolo de beleza, regeneração e mistério, ela permanece como um enigma humano inesgotável. Cada nova obra representa uma tentativa de aproximar-se desse centro simbólico, onde natureza, memória e imaginação se encontram.

Celebrar os trinta anos de “Mar de Rosas” no Clube Atlético Monte Líbano é celebrar um percurso artístico que continua em pleno florescimento.

Uma criação artística diversa e potente.

Para a ArtRio 2026, Marina da Glória, Rio de Janeiro RJ, A Gentil Carioca, Pavilhão Terra, Stand A7, apresenta obras que enfatizam o potencial de uma criação artística diversa e potente, atravessada por dimensões críticas, estéticas, lúdicas, sociais e políticas.

A apresentação reúne trabalhos de Agrade Camíz, Arjan Martins, Ana Silva, Cabelo, Carlos Jacanamijoy, Diego Kohli, Denilson Baniwa, Jarbas Lopes, João Modé, José Bento, Kelton Campos Fausto, Laura Lima, Marcela Cantuária, Mariana Rocha, Maria Laet, Maria Nepomuceno, Misheck Masamvu, Miguel Afa, Novíssimo Edgar, O Bastardo, OPAVIVARÁ!, Pascale Marthine Tayou, Renata Lucas, Rose Afefé, Rodrigo Torres, Sallisa Rosa, Siwaju, Vinícius Gerheim e Vivian Caccuri.

Entre 17 e 20 de setembro.

Quando São Francisco encontra Guido Totoli.

Exposição reúne obras de diferentes décadas e criações recentes em torno de uma referência que acompanha o artista desde a infância.

Guido Totoli apresenta, em 17 de setembro, no Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, Higienópolis, a exposição “Guido Totoli e São Francisco – Terra, Transformação, Espírito”, com curadoria de Claudia Totoli. A mostra reúne 22 obras entre desenhos, pinturas, esculturas e cerâmicas, realizadas em diferentes momentos de uma trajetória que atravessa mais de sete décadas, incluindo tanto peças de seu acervo pessoal quanto trabalhos criados especialmente para a ocasião. A partir de sua relação com São Francisco de Assis, o conjunto estabelece um diálogo entre terra, transformação e espírito.

A escolha de São Francisco é proposital e sua presença acompanha a produção de Totoli, ganhando na exposição novas possibilidades de leitura a partir do diálogo entre obras de diferentes períodos. Para a curadora, esse percurso evidencia uma afinidade que ultrapassa a representação do santo e se aproxima de valores presentes na própria produção do artista, como a relação com a natureza, a simplicidade e a atenção ao outro.

“A relação de Guido com São Francisco atravessa sua trajetória. Ao selecionar as obras, fui percebendo como a figura do santo, sua relação com a natureza e sua atenção aos mais necessitados já estavam presentes, de diferentes formas, em sua produção. Parecia que tudo já estava conversando”, define Claudia Totoli.

Essa leitura também orientou a construção do espaço expositivo. O percurso parte da ideia de peregrinação: no centro, as esculturas formam uma cruz grega inscrita em um octógono; ao redor, desenhos, pinturas e painéis cerâmicos apresentam diferentes momentos da vida e da mensagem de São Francisco. Elementos sonoros e uma fragrância inspirada em folhas e capim fresco integram a montagem. 

A exposição integra a programação do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo dedicada aos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, aproximando diferentes tempos da produção de Totoli em torno de uma referência que permanece ativa em seu trabalho.

A fala do artista.

“Com a minha idade e experiência, pude transitar por vários temas durante minha carreira. Experimentei vários instrumentos, mas foi na pintura, cerâmica, escultura em terracota e desenho que adquiri um conhecimento muito grande. Manusear esses materiais é a minha vida”.

“Hoje, para me inspirar, junto tudo o que aprendi na minha vida e que se completou agora. Onde estou, na rua, no carro, estou tendo ideias. Daí me preparo mentalmente através dessas ideias e coloco em prática.”.

Até 07 de novembro.

 

A presença física das estruturas em Wolfram Ullrich.

10/set

A Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, exibe a exposição “Ambiguidade construtiva e ativação do espaço”, de Wolfram Ullrich. Com texto crítico de Guilherme Wisnik, a mostra apresenta um conjunto de obras inéditas do artista alemão que tomam partido do ilusionismo como maneira de se compreender a relação entre objeto e ambiente de forma ativa. Wolfram Ullrich trabalha com materiais industriais, lisos, polidos, exatos. O artista atualiza a tradição do abstracionismo geométrico em chave contemporânea, apostando na percepção ativa como instrumento de reflexão e posicionamento dos sujeitos em relação às intrincadas teias de relações que nos envolvem.

A mostra intitulada “Ambiguidade construtiva e ativação do espaço” reúne obras que constroem a ilusão de profundidade e exploram, ativando a relação entre o corpo do espectador, a obra e o espaço. Como observa Guilherme Wisnik, “não há um ponto de vista privilegiado para se observar esses trabalhos, nem, portanto, uma forma estável de reconhecê-los”. A cor desempenha papel fundamental nessa experiência. Recorrentes na produção do artista, os tons vibrantes, entre eles, o vermelho intenso presente em parte dos trabalhos da exposição, não funcionam como gesto expressivo, mas como elementos que acentuam a presença física das estruturas. Para Guilherme Wisnik, o vermelho confere “corporalidade ao conjunto serial”, reforçando a dimensão quase arquitetônica das obras.

Mais do que uma exposição sobre geometria, portanto, a mostra de Wolfram Ullrich coloca em cena uma pergunta bastante contemporânea: até que ponto podemos confiar no nosso próprio olhar? Entre superfície e volume, pintura e escultura, matéria e imagem, suas obras transformam o ato de observar em uma experiência de descoberta.

Sobre a Galeria Raquel Arnaud.

Fundada em 1973, é referência no cenário da arte contemporânea brasileira e internacional. Com foco em arte construtiva, cinética e contemporânea,destaca-se  r promover artistas cuja produção explora a relação entre espaço, forma e luz. Atualmente, sob a direção de Raquel Arnaud e Myra Arnaud Babenco, o espaço entra em um novo momento, estando sempre  em conexão com o mercado e com a arte contemporânea. 

Até 30 de novembro.

Leituras que ultrapassam as classificações.

A Galatea e o TropiGalpão apresentam a coletiva “Atravessamentos Naturais”, com curadoria de Tomás Toledo, sócio fundador da Galatea, no espaço do Tropigalpão no Rio de Janeiro. A mostra reúne trabalhos de Anísio O. Couto, Chico da Silva, Grauben do Monte Lima, Silia Moan e Ygor Landarin e abre no dia 17 de setembro, das 18h às 21h.

A exposição tem como eixo as obras de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima, dois artistas históricos que dedicaram suas produções à natureza brasileira, transformando elementos da paisagem, da fauna e da flora em universos pictóricos marcados pela fabulação e pela experimentação cromática.

A partir de suas obras, a mostra estabelece justaposições com os trabalhos de Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin, três artistas contemporâneos cujas pesquisas permitem olhar para esses autores históricos a partir de questões do presente. Ao destacar a atualidade das produções de Chico da Silva  e Grauben do Monte Lima, a exposição propõe leituras que ultrapassam as classificações que por muito tempo as restringiram ao campo da arte popular.

Investigando relações entre interior e exterior.

09/set

No sábado, 19 de setembro, a partir das 19h, Agrade Camíz inaugura sua nova exposição individual, “Nome Próprio”, n’A Gentil Carioca, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Com texto crítico do curador, escritor e crítico cultural ganês-americano Larry Ossei-Mensah, a mostra reúne um conjunto de pinturas recentes que dão continuidade à pesquisa da artista sobre memória, experiência urbana e as formas como lugares e vivências se transformam em linguagem.

Nascida e criada no Rio de Janeiro, Agrade Camíz parte de experiências relacionadas aos espaços em que cresceu, especialmente o Jacaré e os subúrbios da cidade. Em “Nome Próprio”, essas experiências não aparecem como relatos ou imagens a serem reconhecidas, mas como algo que permanece incorporado à maneira como a artista constrói suas pinturas. Portões, janelas, muros, fachadas e outras formas presentes em sua memória tornam-se pontos de partida para investigar relações entre interior e exterior, proximidade e distância, proteção e exposição.

O título da exposição parte justamente dessa relação entre nomear e reconhecer: um nome pode identificar uma pessoa, mas não é capaz de abarcar toda a sua complexidade. Da mesma maneira, as pinturas de Agrade Camíz oferecem referências e pontos de reconhecimento sem se fecharem em um significado único.

A abertura celebra também os 23 anos d’A Gentil Carioca, com uma festa que reúne Quimera (Escola de Mistérios), Baixa Santo Sound System e Glau. Na mesma ocasião, será inaugurada a Parede Gentil nº 46, “O levante das mariposas”, de Marcela Cantuária, em memória das guerrilheiras Sônia e Helenira, além de um bolo especial de Novíssimo Edgar e Adelia Santanna.

Em sua nova exposição, Agrade Camíz marca um novo momento de sua pesquisa, em que referências que atravessaram sua trajetória já não precisam ser explicitamente retratadas. A arquitetura se torna estrutura, a memória se transforma em cor e o corpo passa a operar como medida da experiência.

A exposição “Nome Próprio” fica em cartaz até 31 de outubro.