Celebrando a vida e a obra de Burle Marx.

30/jul

O aniversário de Roberto Burle Marx será celebrado com uma programação especial que reúne cinema, música, memória e arte no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro. No dia 04 de agosto, data em que o artista completaria 117 anos, a exposição “Roberto Burle Marx pelos Amigos”, apresentada pelo Memorial Judaico de Vassouras, promove uma série de atividades gratuitas que convidam o público a mergulhar na trajetória de um dos maiores nomes da cultura brasileira.

As comemorações têm início às 14h, no Teatro Correios Léa Garcia, com a exibição do documentário “Eu, Roberto Burle Marx”, dirigido pelas cineastas Soraia Cals e Tamara Leftel. O filme apresenta um retrato sensível da vida e da obra do artista, reunindo imagens históricas, registros de arquivo e depoimentos que revelam sua contribuição para o paisagismo, as artes visuais, a preservação da biodiversidade e a construção da identidade cultural brasileira.

Após a sessão, o público poderá participar de um debate com as diretoras, que compartilharão os bastidores da produção, o processo de pesquisa e a importância da preservação da memória de Burle Marx para as novas gerações. Em seguida, serão realizadas visitas guiadas à exposição “Roberto Burle Marx pelos Amigos”, conduzidas em pequenos grupos.

Às 17h, a programação prossegue com um recital em homenagem ao artista, revelando outra de suas grandes paixões: a música. A abertura do concerto ficará a cargo de Ana Cecília Burle Marx, sobrinha do artista, que presta uma homenagem afetiva ao tio em uma apresentação de canto acompanhada ao piano por Aleida Schweitzer. Na sequência, a pianista Miriam Grosman e a instrumentista Daniela Spielmann apresentam um repertório especialmente concebido para celebrar a sensibilidade artística e a riqueza cultural que marcaram a trajetória de Burle Marx.

Mais do que uma homenagem, a programação propõe uma experiência de encontro entre diferentes linguagens artísticas, aproximando o público do universo criativo de um artista que transitou com igual liberdade entre paisagismo, pintura, escultura, desenho, música e defesa da natureza.

Obras inéditas de Anna Maria Maiolino.

No dia 08 de agosto, a galeria Luisa Strina, Jardins, São Paulo, SP, abre a exposição “Presença”, com cerca de 25 obras inéditas da artista ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino, uma das mais influentes no cenário contemporâneo. Com texto crítico de Lotte Johnson, curadora do Barbican Centre, em Londres, a mostra, que estará em exibição na Sala 2, apresenta a diversidade da produção da artista e do uso de diferentes técnicas e materiais.

Premiada com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra, Anna Maria Maiolino exibe esculturas em cerâmica e vidro, desenhos e telas na mostra “Presença”, que ganhou esse nome justamente pela diversidade de sua produção artística e do uso de diferentes técnicas e materiais.

No espaço, o público encontra desenhos realizados com canetas de tinta permanente, a exemplo da série “Na Noite – No Escuro”; uma obra com seis peças em cerâmica Raku; e um conjunto de pontos e linhas, também em cerâmica Raku, denominado “Na Parede”. Há ainda obras em tinta acrílica sobre chapa de radiografia, como as da série “Marcas na Transparência”. No centro da sala, estarão seis esculturas de vidro – as peças “Do Sopro”, da série “Emanados” – apoiadas sobre estruturas de ferro.

Em “Presença”, as formas-esculturas são e sugerem, em sua maioria, signos. “Elas formam um conjunto expressivo com os pequenos desenhos fixados na parede. As obras criam uma presença física e tangível no espaço e com o espectador”, explica a artista. “Há, aqui, a importância de recuperar a presença, entendida como a dimensão física, material, sensorial e espacial da relação humana com o mundo. Valoriza-se o corpo e seus sentidos, tanto do autor quanto do espectador, como experiência estética.”

Até 19 de setemrbo. 

Ling apresenta Juliana dos Santos.

29/jul

O que acontece dentro de um ateliê artístico?

Entre os dias 03 e 07 de agosto, o Instituto Ling, Três Figueiras, Porto Alegre, RS, convida para acompanhar de perto o processo criativo da artista visual Juliana dos Santos, que desenvolverá uma intervenção inédita diretamente em uma das paredes do centro cultural.

Realizada durante o horário de funcionamento do prédio, a atividade tem entrada gratuita e oferece uma oportunidade rara: observar a construção da obra em tempo real, acompanhar as escolhas, os materiais e os caminhos que dão forma ao trabalho artístico.

Reconhecida por instalações imersivas que exploram as relações entre cor, tempo e espaço, Juliana Dos Santos transforma o azul extraído da flor Clitoria ternatea em matéria poética para refletir sobre identidade, memória e transformação. A artista integrou a 36ª Bienal de São Paulo e é uma das indicadas ao K21 GLOBAL Art Award 2026.

A ação integra o projeto Ling Apresenta | Por uma “geografia da ação”: corpo, matéria, território, com curadoria de Galciani Neves, que reúne artistas da região Sudeste em diálogo com o contexto cultural gaúcho por meio de intervenções concebidas especialmente para o Instituto Ling.

No dia 08 de agosto, às 10h, Juliana dos Santos participa de um encontro com o público ao lado da curadora para compartilhar reflexões sobre o desenvolvimento e o resultado da intervenção. A participação é gratuita mediante inscrição. 

Iniciativa de outra natureza narrativa.

28/jul

A exposição “Rebu” apresentou na Central, Higienópolis, São Paulo, SP, até 1° de agosto, 26 artistas partindo da ideia de fervor, diante do qual as poéticas, pesquisas e processos apresentados desafiam a estrutura do espaço da galeria, abrindo-o a interferências que desorientam suas dinâmicas implícitas e trazem para a discussão uma iniciativa de outra natureza narrativa, com outros contornos, que agita o modo como o espaço de uma galeria funciona ou é visto.

Composta por trabalhos que têm a pintura como suporte ou como questão, a coletiva evidencia o interesse da galeria em investigar novas poéticas, formar repertório para um novo público e manter-se atenta ao que acontece para além do circuito estabelecido da arte.

“A ideia de “Rebu” surge, assim, como um movimento que aposta no encontro e na fricção entre as pesquisas para criar um espaço onde as distintas investigações em arte funcionem como gesto crítico, arejando os combinados que costumam regular o convívio, a legitimação e a visibilidade dentro do circuito artístico”, escreve Yago Toscano que assina o texto da exposição.

A assinatura visual criativa de Daisy Xavier.

27/jul

A Galeria Maneco Müller : Multiplo, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, abre a mostra “ANFI”, com uma série recente e inédita de obras de artista Daisy Xavier.

Nos trabalhos, a artista explora a imagem das redes, simbologia recorrente em sua produção, dessa vez em pinturas e desenhos de grande escala, num dos momentos mais representativos da sua trajetória de 40 anos na arte visual. Sobre telas de linho cru ou papel branco, linhas enérgicas se cruzam e se conectam por meio de ganchos, formando redes intrincadas, que desafiam o olhar e parecem extrapolar os limites do quadro.

“A rede ao mesmo tempo que cria uma barreira e divide o espaço, permite ver o que está do outro lado, é permeável. Esse entrelaçamento, essa permeabilidade de fronteiras é o que me interessa”, diz a artista, que batizou a mostra de “ANFI”, prefixo grego que significa “em torno”, “ao redor” ou “duplicidade/de ambos os lados”.

“É a primeira individual de Daisy Xavier na galeria e tivemos a alegria de reunir um conjunto de trabalhos inéditos de grande força poética, com a assinatura visual criativa da artista”, finaliza Stella Ramos, sócia do espaço ao lado de Maneco Müller.

Até 04 de setembro.

Bienal Internacional de Curitiba.

24/jul

Mais uma vez, o maior museu de arte da América Latina abre as portas para abrigar a Bienal Internacional de Curitiba, que chega a sua 16ª edição e tem o Museu Oscar Niemeyer como a sua principal sede. Esta edição do evento se propõe a discutir temas relevantes atuais, como os limites da tecnologia em nossas vidas e as fronteiras entre o físico e o digital, apresentando a arte como espaço de pausa e reflexão.

Importantes artistas de diversos países e continentes compartilham suas formas de ver o mundo contemporâneo em instigantes mostras que acontecem simultaneamente em vários espaços do MON.

Curadoria.

Adriana Almada, Tereza de Arruda, Ferran Barenblit, Margarida Saraiva, Windy Lv, Xiao Ge, Massimo Scaringella, Antonella Pisilli, Royce W. Smith

Até 15 de novembro.

Uma paisagem em permanente reinvenção

O Museu de Arte Brasileira – MAB FAAP, Higienópolis, São Paulo, SP, exibe “Arte da Nossa Gente”, exposição inédita organizada pelo Instituto Totex, em parceria com a FAAP. A mostra reúne mais de 150 obras originais de artistas brasileiros de diferentes regiões do país, produzidas ao longo de décadas e em múltiplas linguagens, como pintura, escultura, gravura, bordado e cerâmica.

Partindo de um título que evoca a ideia de pertencimento, a exposição propõe um olhar sobre o Brasil por meio da paisagem. Em vez de buscar uma imagem única ou uma definição essencial do que seria “nossa gente”, a mostra convida o público a perceber a diversidade de experiências, memórias, técnicas e modos de vida que constituem o país. A paisagem surge como eixo curatorial por sua capacidade de revelar diferentes formas de relação com o território. As obras reunidas apresentam múltiplos modos de construir, habitar, transformar e representar o Brasil, evidenciando a riqueza de seus biomas, culturas e tradições.

Ao valorizar produções populares em diálogo com obras do acervo do MAB FAAP e de coleções convidadas, a exposição amplia repertórios e questiona fronteiras historicamente estabelecidas entre o popular, o erudito, o regional e o contemporâneo. O popular é entendido aqui como um campo vivo e plural, que se manifesta no cotidiano, na festa, na fé, no trabalho e nos saberes transmitidos entre gerações, em constante transformação.

O percurso expositivo é organizado a partir de quatro verbos: Construir, Habitar, Inventar e Moldar. Cada núcleo aborda diferentes maneiras de se relacionar com o território, desde as imagens que ajudaram a formar a ideia de Brasil até os gestos cotidianos, as narrativas imaginárias e os processos materiais que dão forma à arte.

“Arte da Nossa Gente” propõe um deslocamento de perspectiva, olhar para a paisagem brasileira como uma experiência compartilhada, feita de gestos, narrativas, técnicas e transformações. Uma paisagem em permanente reinvenção, assim como a própria ideia de quem somos.

Até 11 de outubro.

O realismo mágico como referência.

23/jul

Quando menos é mais.

Em tons menores (in minor keys), a curadoria que teve à frente Koyo Kouoh, primeira mulher africana a cuidar da Bienal de Veneza, tem 110 artistas em uma mostra que traz o realismo mágico como referência.

Por Fabio Cypriano.

A entrada no Pavilhão Central da 61ª Bienal de Veneza, no Giardini, é bastante ritualística: primeiro é preciso atravessar as colunas transformadas em viveiros de plantas pela artista nigeriana Otobong Nkanga. Em seguida passamos pelos trajes de Big Chief Demond Melancon, líder da tribo Young Seminole Hunters do Lower Ninth Ward de Nova Orleans, inspirados em práticas cerimoniais levadas aos Estados Unidos por escravizados africanos.

Seguimos, então, contornando as esculturas em cerâmica da senegalesa Seyni Awa Camara, que há 75 anos aprendeu de sua mãe as tecnologias ancestrais para produção de utensílios cotidianos, que hoje, aos 80 anos, ela reinventa em formato de bestiário.

Então, nos confrontamos com uma espécie de assembleia com dezenas de esculturas zoomórficas em cerâmica da artista e ativista peruana Célia Vásquez Yui, denominada O Conselho dos Espíritos Maternos dos Animais. Todos esses animais olham para apenas um lugar e parecem desafiar o visitante.

E, logo atrás, está a instalação Anatomia da Árvore da Magnólia para Koyo Kouoh e Toni Morrison, da cubana radicada nos Estados Unidos María Magdalena Campos-Pons, que tem como paisagem sonora uma composição de Kamaal Malak A obra é composta por um imenso painel em oito partes onde se veem as duas homenageadas do título com pés de coruja. Assentadas em galhos da magnólia, é como se elas cuidassem das sete esculturas em vidro à sua frente, realizadas em Murano, que sintetizam as etapas de floração.

Estas cinco obras, dispostas em três salas de um azul intenso, que ora parece o céu, ora o mar profundo, sintetizam o conceito da mostra Em tons menores, concebida pela curadora Koyo Kouoh (1967-2025), nascida em Camarões, primeira mulher africana a cuidar da Bienal de Veneza, que, contudo, não viu o resultado de seu trabalho, já que morreu praticamente um ano antes da abertura da mostra.

Quando o museu é rio.

22/jul

Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP,  apresenta a exposição “Quando o museu é rio”. Em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, a exposição reúne artistas contemporâneos e acervos científicos, arqueológicos, etnográficos e biológicos para refletir sobre memória, território e as formas de produção de conhecimento na Amazônia.

Com curadoria de Ana Roman, Sabrina Fontenele e Vânia Leal, e curadoria científica de Nelson Sanjad, Sâmia Batista e Sue Costa, a mostra parte das reflexões desenvolvidas no projeto Um rio não existe sozinho e propõe uma investigação sobre o papel contemporâneo das instituições dedicadas à memória, à ciência e à produção de conhecimento sobre a Amazônia. “Quando o museu é rio” acontece paralelamente às mostras “Viva Viva Escola Viva”, sobre o movimento indígena das Escolas Vivas, e “Estrelas escolhidas”, individual do artista Luiz Zerbini. 

Participam da mostra Déba Tacana, Elaine Arruda, Estúdio Flume, Francelino Mesquita, Gustavo Caboco, Mari Nagem, Noara Quintana, Paula Giordano, PV Dias, Rafael Segatto Barboza da Silva e Sallisa Rosa. 

Para Nelson Sanjad, Sue Costa e Sâmia Batista, curadores científicos da exposição, a mostra trata de “conexões entre pessoas; entre campos do conhecimento; entre humanos e não humanos; entre diferentes territórios; entre passado, presente e futuro. Um museu permite, promove e alimenta essas conexões, tal como as raízes de um imenso manguezal, que respiram, amparam, nutrem, protegem e abrigam a vida que flui no entorno, a lama ancestral que nos torna um e tudo. Apenas o museu é capaz de transformar o particular no coletivo, expandir o indivíduo para o todo social, dar um sentido e o horizonte que pode nos unir”. 

Até 16 de agosto.

Produção artística brasileira contemporânea.

20/jul

Mostra inédita “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”, com curadoria de Aldones Nino e Bruna Levi, integra a 16ª edição de uma das mais importantes bienais do mundo e apresenta um panorama da produção artística brasileira contemporânea.

O Brasil participará pela primeira vez da Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul, com um pavilhão nacional. Integrando a 16ª edição do evento, considerada uma das principais bienais de arte contemporânea do circuito internacional, a exposição “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento” será apresentada entre 05 de setembro e 15 de novembro de 2026, no Gwangju History & Folk Museum, reunindo obras de 35 artistas brasileiros de diferentes gerações, regiões e linguagens. A curadoria é de Aldones Nino e Bruna Levi, que propõem uma leitura da produção brasileira a partir da tradição antropofágica, atualizada como ferramenta crítica para refletir sobre as transformações sociais, ambientais e tecnológicas do presente.

Em diálogo com o tema da Bienal, “You Must Change Your Life”, dirigido artisticamente por Ho Tzu Nyen, o projeto brasileiro investiga modos de imaginar futuros possíveis diante das crises contemporâneas. Pintura, escultura, fotografia, vídeo, instalação e performance compõem um percurso que atravessa questões como ancestralidade, meio ambiente, inteligência artificial, memória e fabulação política. Entre os destaques estão diversas obras inéditas produzidas especialmente para a ocasião, além de trabalhos desenvolvidos durante uma residência artística em Seul por artistas convidados.

Segundo os curadores, o pavilhão não pretende funcionar apenas como representação institucional do país, mas como uma plataforma de diálogo entre diferentes realidades culturais do Sul Global. A exposição “Devorações do Amanhã” toma a antropofagia como um gesto de assimilação crítica das urgências do presente, propondo a ideia de “rebento” como imagem de nascimento, transformação e reinvenção coletiva. A mostra também evidencia a amplitude material da produção brasileira atual, reunindo desde pesquisas baseadas em pigmentos naturais, cerâmica e saberes tradicionais até investigações envolvendo inteligência artificial, linguagens digitais e novas tecnologias.

Participam da exposição Adriana Varejão, Alex Červený, Ayla Tavares, Cinthia Marcelle, Estevan Davi, Herbert De Paz, Heloisa Hariadne, Isabella Guedes, Ivens Machado, Jonas Arrabal, Josi, Laís Amaral, Lais Myrrha, Lucas Lugarinho, Luiza Crosman, Manauara Clandestina, Marcela Cantuária, Marcos Chaves, Maria Lira Marques, Mariana Rocha, Márcia Falcão, Maruan Sipert, Nathan Braga, Panmela Castro, Patrícia Abbott, Rayana Rayo, Sara Ramo, Ventura Profana, Vicente de Mello, Vinicius Gerheim, Vivian Caccuri, Shinji Nagabe, Walla Capelobo, Xadalu Tupã Jekupé e Yhuri Cruz, reafirmando a diversidade de perspectivas que marca a arte contemporânea brasileira no cenário internacional.

O  Pavilhão Brasileiro poderá ser visitado de 05 de setembro a 15 de novembro de 2026, no Gwangju History & Folk Museum, durante a Bienal de Gwangju.