Objetos e desenhos de Edival Ramosa.

22/maio

A Galatea, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Edival Ramosa: Alfabeto solare”, individual do artista Edival Ramosa (1940, São Gonçalo, RJ – 2015, Niterói, RJ) que reúne pinturas, esculturas, objetos e desenhos produzidos ao longo de quase cinco décadas. A abertura acontece dia 28 de maio na unidade da galeria na Oscar Freire.

Resultado de uma pesquisa desenvolvida por André Pitol, que assina a curadoria e o texto crítico da exposição, “Edival Ramosa: Alfabeto solare” resgata trabalhos que permaneceram por longo período em coleções no Brasil e no exterior. Parte do conjunto apresentado integrou a 36ª Bienal de São Paulo, marco recente do processo de retomada crítica da obra do artista.

A obra de Edival Ramosa foi profundamente marcada pela sua vivência no continente africano e também europeu durante os anos 1960 e 1970. A influência de correntes da arte europeia e norte-americana no pós-guerra se vê nas suas investigações em torno de um estilo construtivista, com jogos ópticos e referências à visualidade urbana no uso de materiais como madeira esmaltada, aço inoxidável e acrílico.

Elementos como esferas, casulos, luas, cometas, sois e outros “objetos-forma”, como o artista descreve muitas de suas peças, ocuparam lugar central em sua produção, variando entre gradações cromáticas e formas geométricas. A partir da década de 1970, integrou à sua prática referências da estética indígena e afro-brasileira, empregando materiais como palha, peles, plumagens, miçangas e bambus

Até 25 de julho.

Fragmentos e transparências de Isabel Marroni.

O Museu de Arte do Paço (MAPA), Porto Alegre, RS, inaugura no dia 30 de maio, a exposição “Tudo Ainda Bruma”, exibição individual da artista visual Isabel Marroni, com curadoria de Anelise Valls.

“Tudo Ainda Bruma” apresenta dois núcleos instalativos da artista inspirados no conto “Voltar”, de Itamar Vieira Junior, em que deslocamento, memória e travessia ativam os corpos como paisagem interna. A exposição constrói um percurso imersivo onde o visitante é conduzido por estruturas têxteis suspensas, fragmentos e transparências que operam como  zonas de suspensão. Lembrar e perder tornam-se movimentos simultâneos. 

Sobre a artista

Isabel Marroni investiga o esvaecimento, a opacidade e formas de cegueira social, buscando transformar ausência e desaparecimento em linguagem visual. Ela iniciou sua trajetória artística em 1980, com formação em cursos livres de desenho e pintura e aprofundamento no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Participou por oito anos do Coletivo Atelier 6, com atuação em exposições e pesquisas no Brasil e no exterior, ministrou aulas de pintura por 35 anos. Desenvolve atualmente sua pesquisa em diálogo com acompanhamentos curatoriais e residências artísticas no Brasil e no exterior como o NowHere Lisboa sobre monitoria de Cristiana Tejo e Marilá Dardot. Residência artística Arurá na fazenda Bonsucesso – Santo Amaro, RJ, com a curadoria de Flávia Gomes.   

Até 31 de julho.

Estruturas tridimensionais de Maria Nepomuceno.

A Gentil Carioca São Paulo anuncia a exposição ∞ ∞ (infinita infinito), individual de Maria Nepomuceno, que abre ao público no dia 23 de maio, sábado, às 14h.

Em obras inéditas, concebidas especialmente para a exposição, Maria Nepomuceno cria estruturas tridimensionais em espiral que operam entre pintura, escultura e instalação. Trabalhando com cordas, contas, cerâmicas e tecidos, são construídas formas que cedem e pendem sob a ação da gravidade, articulando passagens graduais de cor e relações entre transparência, brilho e opacidade.

Os trabalhos foram desenvolvidos simultaneamente e em constante relação uns com os outros, ocupando o espaço expositivo como um único organismo em expansão. A ideia de infinitude – algo que não começa nem termina, como define a própria artista – atravessa a mostra como princípio construtivo, visível tanto nas formas espirais quanto na continuidade cromática que conecta as peças entre si e à arquitetura do espaço. O texto de apresentação é assinado por Laura Lima. 

Rodrigo Cass e a Geometria Sensível.

21/maio

A Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa inaugurou a exposição “Geometria Sensível”, de autoria de Rodrigo Cass na Escola das Artes, no Porto, a primeira exposição individual do artista em Portugal, com organização da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com a Brotéria, e também na Brotéria, em Lisboa, no dia 26 de maio. 

No cerne da exposição está a noção de “geometria sensível”, que se manifesta nas formas, nas cores e nos gestos que atravessam as obras. Mais do que uma abordagem estritamente formal, essa geometria revela-se como um campo de tensão entre racionalidade e intuição, onde estruturas geométricas se articulam com experiências sensoriais e afetivas. Assim, o trabalho de Rodrigo Cass expande-se para uma dimensão em que gestos ativam planos e objetos, instaurando relações dinâmicas entre matéria e percepção, ao mesmo tempo em que evoca uma dimensão mística atravessada pelos quatro elementos – terra, água, ar e fogo – como forças primordiais que informam, transformam e vitalizam.

Sobre o artista.

Rodrigo Cass nasceu em São Paulo, SP, 1983. O artista dialoga com a tradição construtiva da arte brasileira por meio de um vocabulário formal que alude aos experimentos concretos e neoconcretos das décadas de 1960 e 1970. O interesse do artista por intersecções e fraturas do plano pictórico é notável, fazendo com que suas superfícies adquiram dimensões volumétricas no espaço em telas, relevos e vídeos. Concreto, fibra de vidro e linho, coloridos com têmpera, são alguns de seus materiais mais utilizados. Projetadas sobre objetos esculturais, as obras em vídeo de Rodrigo Cass fundem a fisicalidade da performance com a lógica pictórica, em que a cor e a textura aparecem como elemento construtor do espaço. Em sintonia com o carácter tecnicamente híbrido e conceitualmente polivalente da prática de Rodrigo Cass, o gesto do corpo comunica-se com a pincelada sobre a superfície da pintura, criando um campo de ressonâncias entre possibilidades formais e uma espacialidade virtual.

Reverência ao legado de Emanoel Araujo.

20/maio

A exposição “Um Xirê Para Emanoel”, do artista Alberto Pitta, com curadoria de Vera Nunes, no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, será inaugurada no dia 22 de maio, às 18h30. A mostra reúne obras de Alberto Pitta em diálogo com trabalhos de Emanoel Araujo e Mãe Detinha de Xangô, propondo um percurso atravessado por ancestralidade, memória e permanência da arte negra brasileira.

Integrando a programação do Festival Akwaba, realizado pela Fundação Palmares, a mostra, com apoio da galeria Nara Roesler,  transforma o espaço expositivo em uma grande roda de encontro e reverência ao legado de Emanoel Araujo. Mais do que uma homenagem, a exposição propõe uma experiência construída a partir da circulação de memórias, da ancestralidade afro-brasileira e da celebração da permanência da arte negra como força de criação, continuidade e transformação.

A ideia da mostra surgiu durante encontros entre o artista, equipes do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Fundação Palmares e Galeria Nara Roesler, realizados no contexto de preparação do festival. Ao longo das conversas, nasceu o desejo de criar uma primeira exposição dedicada ao conjunto da produção de Alberto Pitta em diálogo com obras de Emanoel Araujo.

Sobre o artista.

Alberto Pitta é artista visual, designer e cenógrafo baiano, reconhecido por sua produção ligada à cultura afro-brasileira e às tradições do Carnaval de Salvador. Sua trajetória é marcada pelo uso de signos africanos, tecidos, estampas e referências aos orixás, articulando arte, ancestralidade e identidade negra em diferentes linguagens visuais. É fundador do tradicional Cortejo Afro, grupo criado em 1998 e conhecido pela valorização da estética e da cultura negra no carnaval baiano. Ao longo da carreira, participou de exposições, projetos culturais e ações voltadas à preservação e difusão das matrizes africanas na arte contemporânea brasileira.

Encontro entre artista expositor e curadoria.

O artista Adriano Mangiavacchi, que acaba de completar 85 anos – mais da metade deles vividos no Brasil -, participará de um bate-papo com a curadora de sua exposição “Pintar é Preciso”, como parte da programação do CIGA (Circuito Integrado de Galerias de Arte), iniciativa da ArtRio. O encontro será no próximo sábado, 23, às 15h, na Galeria Patrícia Costa, no Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ.

Desde 2023, Adriano Mangiavacchi vem se dedicando à aquarela, linguagem que passou a orientar sua produção mais recente. A leveza e a fluidez desse meio serviram de ponto de partida para a série de pinturas realizadas ao longo do último ano, agora apresentadas ao público na Galeria Patrícia Costa. 

“O conjunto de aquarelas e a série pinturas, cuja execução foi inspirada nas aquarelas, são os elementos dinamizadores dessa nova exposição de Adriano Mangiavacchi. Apontam para um novo campo de investigação e de ambivalências, provocadas pela luminosidade das cores, criando condições adversas de percepção. As sutis variações cromáticas se mesclam umas dentro das outras, guardam uma relação entre si e apresentam, ao mesmo tempo, uma liberdade de gestos e desdobramentos de formas e planos de cores que se erguem através das tintas, seja na superfície da tela ou do papel, em zonas interligadas. O artista utiliza técnicas diferenciadas, mas sempre potencializando o cromatismo, seja pela saturação ou acumulação; pela urgência ou pelo imediatismo; ou pelo próprio jogo de luz e sombra”, define Vanda Klabin.

Até 06 de junho.

Siron em exposição na Paulo Darzé.

19/maio

Quatro décadas de uma parceria reafirmada pelo tempo e pela renovação constante é o eixo da exposição “A vida como ela é”, recém aberta na Paulo Darzé Galeria, em Salvador. Siron Franco, é um artista goiano e, mais uma vez, apresenta suas obras na Bahia, onde desde sua participação na II Bienal Nacional da Bahia e a conquista do Prêmio Aquisição, é figura presente no cenário cultural baiano. A atual exposição é a sexta da parceria de Siron e a Paulo Darzé.

Mais do que uma retrospectiva, a mostra se apresenta como um percurso compartilhado, que evidencia a continuidade de um diálogo entre artista e galeria. A produção de Siron Franco se ancora em uma relação direta com a experiência da vida, explorando zonas de encontro entre o vivido, o imaginado e o inventado. Nesse território, suas pinturas instauram tensões que convidam o olhar a permanecer em movimento, sem se esgotar em interpretações imediatas.

Reconhecido por uma linguagem intensa e singular, o artista constrói uma obra que tensiona o espectador, provocando reflexões sobre percepção e existência. Em “A Vida Como Ela É”, essa inquietação se manifesta de forma renovada, reafirmando a capacidade da arte de instigar, deslocar e ampliar modos de ver e habitar o mundo.

Lançamento de Maria K na Livraria Argumento.

18/maio

 

A Nara Roesler Books lança o livro “Maria K.”, primeira publicação dedicada à obra da artista Maria Klabin na Livraria Argumento, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, no dia 18 de maio, às 19h. No dia do lançamento haverá um bate-papo com Maria Klabin e uma das autoras do livro, Priscyla Gomes.

Maria Klabin, nascida em 1978, no Rio de Janeiro, é reconhecida por suas pinturas e desenhos criados a partir do ambiente que a cerca. Suas obras fazem parte de importantes acervos institucionais, como o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, e Itaú Cultural, em São Paulo.

Preço do livro: R$ 160,00. 

Presença de artistas mulheres em exposição.

14/maio

A Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB) inaugurou a exposição coletiva “Há pouco?”, com curadoria de Bruna Fetter, professora do Instituto de Artes da UFRGS e diretora cultural da instituição. A abertura ocorreu na Fundação Vera Chaves Barcellos, Sala dos Pomares, Rodovia Tapir Rocha, 8480 (parada 54), Viamão, RS. 

Há pouco? reúne obras de mais de 90 artistas mulheres e abrange diversas linguagens, como gravura, desenho, fotografia, pintura, arte postal e vídeo. Composta inteiramente por trabalhos pertencentes ao acervo artístico da Fundação Vera Chaves Barcellos, a mostra constitui um recorte institucional até então inédito e plural, que celebra a variedade de gerações, saberes, contextos, temáticas, mídias e escalas. 

Nas palavras da curadora Bruna Fetter: “Esta exposição parte da dupla possibilidade de interpretação de um simples jogo de palavras – há pouco – como disparador de uma reflexão sobre passagem do tempo, percepção de visibilidade, inserção profissional e representatividade. Estamos falando sobre a presença de artistas mulheres no acervo da Fundação Vera Chaves Barcellos, constituído a partir do olhar, interesses, relações profissionais e afetivas de uma artista mulher. Um acervo que soma mais de 1.500 obras de mais de 200 artistas mulheres.”

Artistas participantes. 

Lygia Clark, Mira Schendel, Regina Silveira, Anna Letycia, Vera Chaves Barcellos, Ione Saldanha, Maria Lídia Magliani, Lygia Pape, Anna Bella Geiger, Jac Leirner, Anna Maria Maiolino, Judith Lauand, Regina Vater, Maria Lucia Cattani, Karin Lambrecht, Maria Tomaselli, Carmela Gross, Zoravia Bettiol, Romanita Disconzi, Susana Mentz, Rosângela Rennó, Shirley Paes Leme, Sonya Grassmann, Lia Menna Barreto, Elaine Tedesco, Angela Jansen, Esther Ferrer, Margarita Kremer, Conceição Piló, Mara Alvares, Sonia Castro, Gerty Saruê, Marilice Corona, Nara Amélia, Ana Baxter, Johanna Vanderbeck, Lorena Geisel, Letícia Ramos, Elza Lima, Marina Rheingantz, Téti Waldraff, Brígida Baltar, Anna Esposito, Teresa Poester, Sonia Moeller, Dora Longo Bahia, Marilá Dardot, Maristela Salvatori, Marilene Burtet Pieta, Thereza Miranda, Helena Kanaan, Heloisa Schneiders da Silva, Maria de Lourdes Sanchez Hecker, Helena Martins-Costa, Liliana Porter, Celina Almeida Neves, Germana Monte-Mór, Lenora de Barros, Sophia Martinou, Lurdi Blauth, Camila Schenkel, Elida Tessler, Nazareth Pacheco, Gisela Waetge, Dione Veiga Vieira, Monika Funke Stern, Flavya Mutran, Mitti Mendonça, Rochele Zandavalli, Glaucis de Morais, Mariane Rotter, Susana Solano, Vitória Cribb, Carolina Gleich, Mary Dritschel, Marta Penter, Glória Munayer, Diana Domingues, Claudia Dal Canton, Laura Lima, Maria di Gesu, Laura Fróes, Ana Miguel, Lenir de Miranda, Simone Michelin Basso, Sandra Cinto, Vilma Sonaglio, Jeanette Chávez, Letícia Parente, Laura Miranda, Mônica Infante, Marlies Ritter, Regina Ohlweiler e Sofia Borges.

Sobre a Fundação Vera Chaves Barcellos.

Em atividade desde 2005, a Fundação Vera Chaves Barcellos – FVCB é uma instituição cultural privada e sem fins lucrativos, com atuação em Viamão e Porto Alegre, RS. Tem como missão preservar, pesquisar e difundir a obra da artista Vera Chaves Barcellos e a Coleção Artistas Contemporâneos, bem como incentivar a formação de público, a criação artística e a investigação das artes visuais da década de 1960 até os dias atuais. A FVCB atua em prol da transformação da sociedade através da democratização da arte, com uma programação acessível e gratuita voltada para diversos públicos. 

Visitação: até 11 de julho. 

Uma memória reinventada pelo sagrado.

13/maio

O Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN) celebra seus 21 anos de fundação com um presente à cidade: a apresentação do Centro Cultural Pretos Novos, novo espaço de arte e educação localizado à Rua do Livramento, 119, no bairro da Gamboa, Rio de Janeiro. A abertura ao público acontece no dia 13 de maio, às 17 horas, data não escolhida por acaso: é a mesma que, em 2005, viu nascer o IPN e que, na história do Brasil, marca a assinatura da Lei Áurea, em 1888.

Sobre o artista.

Geleia da Rocinha é artista visual carioca, nascido e criado na Rocinha, maior favela do Brasil. Autodidata, desenvolve uma linguagem plástica marcada pelo uso expressivo da cor, pela força do traço e por referências à cultura afro-brasileira, à religiosidade e à vida nas comunidades periféricas. Seus trabalhos são amplamente incorporados em cenográficas e projetos gráficos de grande repercussão na cena cultural nacional. Sua obra ocupa um lugar singular na cena da arte contemporânea brasileira por unir estética popular e engajamento político.

Sobre a curadoria.

O curador e museólogo, Marco Antonio Teobaldo, tem se dedicado à pesquisa e profunda relação com a cultura afro-brasileira desde 2008.

Memória à Flor da Tela

Em 1869, o fotógrafo alemão Alberto Henschel (Berlim – Alemanha, 13 de junho de 1827 / Rio de Janeiro – Brasil, 30 de junho de 1882) percorreu Recife com sua câmera e fixou, sobre papel e prata, os rostos de africanos escravizados. Eram retratos encomendados sob o signo do olhar colonial, imagens que documentavam corpos negros como objetos de curiosidade, classificação e posse. O registro sobreviveu. Os nomes, não. Mais de um século e meio depois, Geléia da Rocinha olha para essas fotografias e recusa a lógica que as produziu. O que ele devolve não é uma memória restaurada pela nostalgia, mas uma memória reinventada pelo sagrado. Em cada tela da sua mais nova série, Memória à flor da tela, pinturas em acrílica sobre MDF, produzidas em seu ateliê em São Gonçalo, uma figura fotografada por Henschel ressurge adornada com os símbolos, as cores e as insígnias dos orixás do Candomblé. Onde havia um retrato sem nome, há agora uma divindade. Onde havia um corpo marcado pela violência colonial, há uma presença espiritual que transcende qualquer arquivo.

Marco Antonio Teobaldo – Curador e museólogo