Coletiva na Baró Mallorca

22/jun

 

 

A galeria BARÓ Mallorca, Carrer Can Sanç 13, Palma, Mallorca, Islas Baleares, España, anuncia sua nova mostra coletiva, “WE KILLED THE BUNNY!” – uma mostra delirante com curadoria do venezuelano Rolando J. Carmona. A exposição reúne um grupo de importantes artistas de diferentes nacionalidades e contextos que, entre ficção científica, desenhos e instalações, deixam vestígios de um mundo híbrido. Os artistas presentes são Assume Vivid Astro Focus (AVAF), Arturo Herrera, Adrián Villar Rojas, Claes Oldenburg, Daniel Arsham, Erwin Olaf, Amparo Sard, Fernando Renes, Anita Molinero, AES+F, Lyz Parayzo, Soju Tao e Albert Pinya.

 

Cildo Meireles na Revue Cahiers D’Art/Edição Standard

20/jun

 

A Cahiers d’Art apresenta o último número de sua histórica Revue em homenagem a Cildo Meireles. Uma avaliação resplandecente da obra do artista brasileiro Cildo Mireles, a edição apresenta textos publicados anteriormente e placas requintadamente impressas de suas instalações, esculturas e uma seleção de desenhos. A edição é assinada por Guilherme Wisnik e Diego Matos.

 

A palavra do artista

 

Ao longo de vinte anos, meu trabalho tem sido uma sucessão de viagens para o meio. Nas artes visuais, o meio é um conceito amplo e vago: o espaço. E é a repetição obstinada dessa obsessão que me interessa como artista. Tematizando-o. Reconstruindo-o. Juntando tudo. A obra tem sempre vários caminhos possíveis: contém todos eles. Esse caos fascinante é o que mais me atrai nas artes visuais: fazê-lo é totalmente libertador (fato que não impede de ser usado, às vezes, como mero substituto para os ofícios mentais).

 

Cildo Meireles

 

A edição está disponível em inglês e em francês. Apresenta-se embrulhada em papel glassine, dentro de uma caixa de apresentação em cartão.

 

Informação adicional

Edição Padrão

Página 175

Ilustrações 165

Capa mole

Edição bilingue, inglês e francês

Dimensões 24,5 × 3 × 31,5 cm

Peso 1,5kg

 

Mostra de artista colombiano

15/jun

 

 

 
A Casanova, Jardim Paulista, São Paulo, SP, apresenta até 23 de julho a exposição individual “Simpatia Cósmica”, do artista colombiano Santiago Reyes Villaveces.
Agora em seu retorno a São Paulo, o artista apresenta uma série inédita de trabalhos instalativos e desenhos produzidos nos últimos anos, voltados para a cosmologia estóica e as leis naturais que regem encontros e desencontros dominados pelo acaso.
Tendo a simpatia como eixo de sua filosofia, os estóicos identificaram a relação entre a Terra e a Lua no fenômeno das marés como parte da simpatia cósmica. Esta relação é a força de atração gravitacional de todas as coisas no universo, humanas e não humanas e até mesmo aquelas que não se tocam.
A exposição começa com um letreiro de néon vermelho escrito no alfabeto cirílico, com a frase de Yuri Gagarin (Я вижу землю; eu vejo a Terra). Em 12 de abril de 1961, Gagarin foi a primeira pessoa a escapar do campo gravitacional e ver o planeta de fora. No instante em que a imagem da Terra foi fixada na retina de Gagarin, ficou claro que a Terra é uma só; uma única esfera na qual estamos todos juntos. “Eu vejo a Terra” torna presentes as forças simbólicas da frase de Gagarin para convidar os espectadores a banharem-se no espectro da luz vermelha que carrega consigo o fato de que a Terra é o único lugar que nós humanos e não-humanos temos que existir em harmonia.
A mostra continua com dois desenhos lunares, o positivo e o negativo da fotografia tirada em Sobral, Brasil em 1919; registrando o eclipse. Foi com esta foto que se comprovou de maneira empírica a teoria da relatividade.
Em seguida, um meticuloso desenho em grafite da Pedra Lunar da Boa Vontade que Richard Nixon deu ao ex-presidente do Brasil, Emílio Médici, em 1971. Este fragmento lunar, trazido de volta pela missão Apollo 17 em 1973 contém um único tipo de gravidade e chegou ao país devido a forças e vontades políticas que motivaram a propulsão dos foguetes à corrida espacial. Com um olhar atento, a obra incita uma provocação e questionamento sobre todo o contexto das diplomacias internacionais e legados coloniais no contexto da exploração espacial.
A exposição contempla também um espaço mais orgânico, composto por uma instalação em uma sala coberta com tapumes de madeira rosa. Nela está suspenso do teto uma escultura que reproduz o órgão vestibular do ouvido interno; também conhecido como o nosso órgão sensorial de gravidade.
Assim tece uma genealogia de forças gravitacionais de atração como um confronto de conhecimentos e discursos, sem linearidade ou ontologia. Partilhamos experiências com todo o conjunto de corpos, esta atração que supera barreiras espaciais e temporais. Aquilo que vivemos em conjunto, com outra pessoa, com a natureza, e até mesmo com o universo é a simpatia cósmica existente entre todos os seres e as coisas.
Reyes Villaveces abre a pluralidade e as contradições de um fenômeno cósmico, escultórico, espacial, fisiológico e político. Objetos, obras, espaço e espectadores são atraídos uns pelos outros e o artista nos convida a sentir o equilíbrio e a delicadeza desta balança universal; o campo gravitacional é um espaço para ser adentrado.

Sobre o artista
Santiago Reyes Villaveces é um artista colombiano que nasceu e trabalha em Bogotá. Nascido em 1986, o artista esteve entre 2008 e 2009 em  São Paulo dedicando-se à Escola de Comunicações e Artes no departamento de Artes plásticas da USP e realizou no mesmo ano a exposição “Projecto Manometria” na Pinacoteca de São Paulo como o coletivo DELENGUAAMANO. Em sua prática, Santiago explora os legados estruturais do passado colonial, além de abordar também temas como as injustiças ambientais e sócio-políticas e como elas se manifestam através do elementar. Em 2015 ele ganhou o Abraaj Royal College of Art Innovation Fellowship 2015-2017. Santiago possui mestrado em Escultura pelo Royal College of Art em Londres e bacharelado em Artes Visuais e História e Teoria da Arte pela Universidad de los Andes em Bogotá. Em 2019 ele foi o vencedor do Prêmio Matteo Olivero na Itália. Suas obras e projetos foram apresentados em espaços públicos e privados em diversos lugares ao redor  do mundo; contamos com  a Exposição Arabidopsis Thaliana no Museo de Arte Moderno de Bogotá (2021) com curadoria de Eugenio Viola; a sua exposição individual Spirit Level (2020), Ncontemporary Gallery Milan, Itália; exposição individual Lo bravo y lo manso (2019), Galería Instituto de Visión, Bogotá, Colômbia; Bienal Academiae Youth Art (2017) Bolzano, Itália; exposição individual Reside (2016), Galeria Marie Laure Fleisch Bruxelas, Bélgica; o projeto site-specific Traino (2014) Cavallerizza Reale, Turim, Itália; a exposição com o coletivo DELENGUAAMANO (Gilberto Mariotti, Néstor Gutiérrez y Santiago Reyes Villaveces) Monuemtria (2009) na Pinacoteca do Estado de São Paulo com curadoria de Ivo Mesquita.

Obras inéditas de Antonio Asis no Brasil

13/jun

 

 

A Galeria Simões de Assis, em seu módulo de Curitiba, PR, apresenta uma seleta de obras do artista argentino Antonio Asis. A exposição obedece ao título geral de “Antonio Asis: Partículas Mentais – Obras de 1960 a 2019″.

 

Texto de Matthieu Poirier

 

Esta primeira exposição de Antonio Asis (Buenos Aires, 1932 – Paris, 2019) no Brasil reúne um conjunto de importantes obras de seu espólio. Ela pretende mostrar, ao longo de uma trajetória de quase 60 anos, a singularidade de um dos inventores e personagens essenciais da arte óptica e cinética. Durante a primeira metade dos anos 1950, Asis teve sua formação na Escuela de Bellas Artes de Buenos Aires – como seu compatriota Julio Le Parc – onde foi iniciado na arte geométrica do Construtivismo e da Bauhaus, bem como na lógica perceptiva da teoria da Gestalt por Héctor Cartier. Este também o introduziu à arte cinética, cuja aparição se deu na exposição “Le Mouvement” (O Movimento), em 1955, na Galeria Denise René em Paris, o que levou Asis a se estabelecer nessa capital em 1956, no coração de sua efervescência estética. Foi-lhe necessário reformar a abstração do pós-guerra, ainda tributária de valores e padrões de composição ultrapassados. Desse modo, ele explorou, durante certo tempo, o gesto circular “livre” e natural da mão, projeções luminosas e gráficas, mas também a geometria colorida de Albers. Isso o levou a criar, entre 1956 e 1960, um sistema estético singular, que excluiu peremptoriamente a pintura de cavalete. Afastou-se, assim, da aura da tela têxtil, esticada no chassis, privilegiando suportes deliberadamente modestos, como o papel, a cartolina ou, por vezes, a madeira, mais adaptados à elevada precisão do traço do compasso e do tira-linhas – privilégio de arquitetos e designers gráficos – assim como aos matizes lisos, planos e regulares da superfície pictórica. Asis usa as boas formas da Gestalt (o círculo e o quadrado) como ponto de partida. Traduz intuitivamente a concepção moderna da realidade micro e macroscópica como um continuum vibrante de partículas, um sfumato atmosférico. A energia dessas partículas pintadas, minúsculos elementos que formam a camada pictórica, desdobra-se não tanto no suporte inerte, mas na mente do espectador, nos recônditos de seu cérebro. A forma geométrica rigorosa, multiplicada e potencializada em uma miríade de signos, desintegra-se ali mesmo, in vivo, num fenômeno vibrante e instável. O conjunto da obra de Asis é, assim, constituído por séries contendo combinações matemáticas potencialmente infinitas, cada obra distinguindo-se por sua estrutura, ou seu “código”, absolutamente únicos, e pelos seus micro-acidentes pictóricos (transbordamentos, empastamentos, marcas do ateliê e outras rebarbas) detectáveis a olho nu. À luz da teoria da informação e da ciência cognitiva, sua linguagem reúne a frontalidade de Mondrian e as “grades ébrias” de Moholy-Nagy. Essa lógica da tremulação emerge em Asis de arranjos mais mecânico. Porém, como sempre, o diabo mora nos detalhes: é se aproximando de cada elemento, distinguindo os múltiplos pequenos acidentes e irregularidades no traçado dos contornos e na aplicação da cor com a ajuda de finíssimos pincéis, que a ação sempre manual do artista aparece. Essa recusa da expressividade (das paixões, que tradicionalmente se liga à policromia), bem como a adoção de uma combinatória que rege a forma, são então associadas à arte programmata, teorizada em 1962 por Umberto Eco, e encontram suas fontes em Jean Arp e Sophie Tauber-Arp. Até sua morte, em 2019, Asis aplicou esse método com excepcional constância, até formar o que aparenta ser – após cerca de sete décadas e com exceção de um punhado de múltiplos – uma imensa mandala budista: diagramas geométricos feitos por monges tibetanos com areia de várias cores diretamente no chão. Na era da serigrafia e da reprodutibilidade mecânica, então adotada por Vasarely ou mesmo Warhol, Asis optou, portanto, pela ação manual, apenas com leve emprego de ferramentas, e, assim, antimoderna. Porém, a história agora lhe dá razão: as primeiras produções dessa gigantesca e sistemática palheta de cores, já desde 1958, foram pintadas em rigorosos matizes lisos, planos, em quadrados ou discos. Elas prefiguram certos capítulos da pintura conceitual e pós-conceitual que viriam mais tarde: por um lado, as pinturas da série Farben de Gerhard Richter (a partir de 1972) e, por outro lado, as Spot Paintings de Damien Hirst (a partir de 1986). Considerando as mundanidades do mercado incompatíveis com a concentração monástica exigida pela sua arte, Asis exerce incansavelmente sua prática no refúgio de seu ateliê parisiense. A esse respeito, a atual organização de um catálogo raisonné, de um comitê científico e da reestruturação do seu espólio e dos seus arquivos, em articulação com várias instituições museológicas, convidam hoje a uma melhor compreensão de sua obra, da qual o próprio artista, com grande modéstia, mas também escaldado pelos anos de esquecimento que a arte cinética conheceu, não quis participar. O exame da obra, tanto na sua totalidade como no detalhe, leva-nos a pensar que a verdadeira singularidade de Asis foi mal compreendida: ele foi também um proponente da arte programada e um precursor da arte conceitual, na medida em que parte da sua prática foi tecida em paralelo à teoria da informação – que se tornaria a “informática”, na qual os dados digitais são exibidos no plano, em grade, de acordo com abcissas e ordenadas, a fim de serem mais bem integrados pelo sujeito. Da mesma forma, ele foi, como Bridget Riley ainda é, um defensor da policromia pictórica, um herdeiro das nuvens neoimpressionistas de Seurat, das teorias das cores de Chevreul e dos “contrastes simultâneos” de cores teorizados pelo casal Delaunay. Asis criou, simultaneamente, “pinturas” autênticas e fenômenos em si. Elas não têm a finalidade de ajudar a apreender melhor o objeto visto; ao contrário, ao recusar a percepção “plena”, jogam contra o olho e não a favor dele. Assim, os padrões de círculos concêntricos – alvos -, sozinhos ou às vezes dispostos em uma grade, abundantes na arte perceptiva de Asis, são tanto visuais quanto antivisuais. Em Interférences (Interferências), por exemplo, anéis concêntricos se sobrepõem como as ondas produzidas por gotas de chuva caindo em uma superfície de água. Mas não nos enganemos, de uma obra a outra, de uma nuvem a uma constelação, de um tabuleiro de xadrez a essa forma-chave aparentemente simples, composta de finos círculos coloridos e concêntricos, e que o artista realizou de 1968 até sua morte: foi o próprio olho que se tornou o alvo.

 

Até 23 de julho.

 

A diversidade artística africana hoje

30/mai

 

 

O curso inaugural da Escola do MAB apresenta um panorama contemporâneo do trabalho de oito artistas mulheres, originárias de distintas regiões do continente africano – Magdalena Odundo (Quênia), Julie Mehretu (Etiópia), Sue Williamson (África do Sul), Jane Alexander (África do Sul), Ghada Amer (Egito), Toyin Ojih Odutola (Nigéria), Colette Omogbai (Nigéria) e Peju Laiywola (Nigéria).

 

Da cerâmica à pintura, da performance à instalação, da fotografia ao vídeo, suas obras abarcam múltiplas linguagens e revelam a diversidade da produção artística africana hoje. Ao longo de oito aulas, iremos comentar os trabalhos dessas artistas, sempre amparadas pelos seus contextos histórico e sociais de produção.

 

Será emitido certificado.

Ministrantes

Emi Koide, Sabrina Moura e Sandra Salles.

Coordenação: Sabrina Moura.

Investimento

Curso completo: R$ 240,00

Descontos: estudantes, professores e maiores de 60 anos têm 10% de desconto.

Período

De 30/05 a 18/07 das 19h às 21h.

Duração de cada aula: 2h

Duração total do curso: 12h

​Modalidade: online – Plataforma Zoom

 

Novidades no Inhotim

27/mai

 

 

O Instituto Inhotim, em Brumadinho, MG, vai inaugurar obras e exposições temporárias. O próximo dia 28 marca a abertura da temporada, que traz Isaac Julien, importante nome nos campos da instalação e do cinema, que foi convidado a expor um de seus trabalhos mais emblemáticos na Galeria Praça. O Acervo em Movimento, programa criado para compartilhar com o público as obras recém-integradas à coleção, inaugura com trabalhos dos artistas brasileiros Arjan Martins e Laura Belém, ambos instalados em áreas externas do instituto. Jaime Lauriano também integra a lista dos artistas participantes da programação, e abre o projeto  Inhotim Biblioteca, que vai convidar, anualmente, artistas e pesquisadores que estabeleçam diálogos com a biblioteca do instituto. A instalação do artista mantém relação direta com o Segundo Ato do projeto Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra (MAN), ao propor a curadoria de uma nova bibliografia que contempla autores negros para integrar o acervo da biblioteca do Inhotim.

 

Instalado na Galeria Mata, o Segundo Ato do projeto, realizado, assim como o Primeiro Ato, em curadoria conjunta entre Inhotim e Ipeaafro, aborda o Teatro Experimental do Negro, movimento encabeçado por Abdias Nascimento, e que está nas origens do Museu de Arte Negra. As inaugurações são parte do Território Específico, eixo de pesquisa que norteia a programação do Instituto Inhotim no biênio de 2021 e 2022, pensada para debater e refletir a função da arte nos territórios a níveis local e global, e também a relação das instituições com seu entorno, mirando os desdobramentos de um museu e jardim botânico como o Inhotim.

 

Em um trabalho que une poesia e imagem, Isaac Julien parte de uma exploração lírica sobre o mundo privado do poeta, ativista social, romancista, dramaturgo e colunista afro-americano Langston Hughes (1902 – 1967) e seus colegas artistas e escritores negros que formaram o Renascimento do Harlem – movimento cultural baseado nas expressões culturais afro-americanas que ocorreu ao longo da década de 1920.

 

A obra foi dirigida por Julien na época em que era membro da Sankofa Film and Video Collective, e contou com assistência do crítico de cinema e curador Mark Nash, que trabalhou no arquivo original e pesquisa cinematográfica.  A investigação sobre personalidades proeminentes do século 20, como Langston, é uma constante na obra de Isaac Julien. O artista se debruça sobre a vida destas figuras a fim de revisitar as narrativas históricas oficiais.

 

Nome seminal da arte contemporânea, Julien nasceu em 1960 em Londres, onde vive e trabalha, e utiliza em sua obra elementos provenientes de disciplinas e práticas variadas, como o cinema, a fotografia, a dança, a música, o teatro, a pintura e a escultura, integrando-os em instalações audiovisuais, obras fotográficas e documentários. São latentes nas obras de Arjan Martins conceitos sobre migrações e outros deslocamentos de corpos e presenças entre espaços de luta e poder, e ainda as diásporas e os movimentos coloniais que se deram em territórios afro-atlânticos.  Na instalação de “Birutas” (2021) – apresentada no caminho entre a obra “Piscina” (2009), de Jorge Macchi e “A origem da obra de arte” (2002), de Marilá Dardot – Arjan expõe aparelhos destinados a indicar a direção dos ventos, que se fundem às bandeiras marítimas e seus códigos internacionais para transmitir mensagens entre embarcações e portos.  “Na fusão desses dois elementos, birutas e bandeiras náuticas, Arjan trata do trânsito de corpos através dos oceanos, do tráfico de pessoas escravizadas e das diásporas causadas pelos movimentos coloniais”, explica Douglas de Freitas, curador do Inhotim.

 

Fonte: Diário do Comércio

 

 

Francisco Sobrino na Dan Galeria

25/mai

 

 

A Dan Galeria, Jardins, São Paulo, SP, anuncia a representação do artista Francisco Sobrino (1932 – 2014). Para celebrar este momento, promove a abertura da exposição “Francisco Sobrino, Estrutura Modular e Luz”, primeira individual do artista no Brasil. Com curadoria de Franck James Marlot, a mostra contará com esculturas, pinturas e serigrafias que datam do final dos anos 1950. Será lançado nesta ocasião, o livro “Francisco Sobrino”, uma co-edição da Dan Galeria que conta com textos de Matthieu Poirier, Marjolaine Lévy e Alfonso de la Torre. A Dan Galeria, gradece à Celia, Delia e Daniel Sobrino, filhos do artista, pela possibilidade de realização dessa parceria, um projeto que foi desejado ansiosamente para dividir com o público apreciador de arte.

 

Sobre o artista

 

Nascido em Guadalajara, Espanha, participou do grupo GRAV (Paris, 1961), que desenvolveu a pesquisa estética ligada a arte ótica, cinética e interativa. Entre os artistas pertencentes ao movimento estavam Julio Le Parc, Horacio Garcia Rossi, François Morellet, Joël Stein e Yvaral Vasarely. Francisco Sobrino participou de diversas exposições importantes como a 36ª Bienal de Veneza de 1972, a 3ª Documenta Kassel, de 1964, e a mostra “Responsive Eye”, no MoMA, em 1965. Além de ter obras pertencentes a acervos institucionais como Beacon Collection (Boston, United States), Fondazione Peggy Guggenheim (Venezia, Italia), Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madrid, España), Musée national d’art moderne – Centre Georges Pompidou (Paris, France), Museo de Arte Contemporáneo (Madrid, España), Musée Tamayo (Ciudad de México, México), Tate Modern entre outros. Em 2015 foi inaugurado o Museo Francisco Sobrino em sua cidade natal (Guadalajara, Espanha), que abriga obras representativas da trajetória do artista.

 

Até 30 de julho.

 

Outra visão do Brasil do século XIX

19/mai

 

 

Johann Moritz Rugendas, Emil Bauch, Thomas Ender, Friedrich Hagedorn, Eduard Hildebrandt e Augusto Müller são alguns dos artistas e cientistas germânicos que registraram a paisagem humana e natural do país

 

 

Em 1999, o casal Maria Cecília (1922-2014) e Paulo Geyer (1921-2004) doou ao Museu Imperial, em Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro, sua coleção de arte e a casa que a abriga, no bairro carioca do Cosme Velho. Em 2014, a Coleção Geyer foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tornando-se Patrimônio Cultural do Brasil. O conjunto era considerado a maior brasiliana em mãos particulares do país.

 

 

A partir desta coleção preciosa de 4.255 pinturas, gravuras, desenhos, mapas, livros de viagem e objetos, os curadores Maurício Vicente Ferreira Júnior, diretor do Museu Imperial, e o historiador de arte Rafael Cardoso selecionaram 200 obras, para reconstituir parte da contribuição germânica (alemães, austríacos e suíços) à formação cultural do Brasil do século XIX, completada por peças do acervo do Museu Imperial e itens emprestados da coleção particular de Flávia e  Frank Abubakir. Nasceu, assim, a mostra “O Olhar Germânico na Gênese do Brasil”, em cartaz a partir de sábado, 21 de maio, no Museu Imperial, sob patrocínio da Unipar, através da Lei de Incentivo à Cultura.

 

 

“Ao contrário do que preconiza o senso comum, que costuma enfatizar a relação com a França, a participação de artistas de língua alemã foi intensa e constante ao longo do século XIX. A exposição recupera o legado desses artistas através das obras de Thomas Ender, J.M. Rugendas, barão de Löwenstern, Ferdinand Pettrich, Augusto Müller, Friedrich Hagedorn, Eduard Hildebrandt, Franz Keller, Ernst Papf, Emil Bauch, entre outros, oferecendo uma visão nova e vibrante do Brasil numa época formativa para a ideia da nacionalidade”,  declara a curadoria.

 

 

Cena política internacional

 

 

Foi depois da derrota de Napoleão Bonaparte que o Império Austríaco e o Império Português, então sediado no Rio de Janeiro, começaram a firmar uma aliança estratégica – expressada pelo casamento do príncipe D. Pedro de Alcântara com a arquiduquesa Leopoldina, filha do imperador austríaco Francisco I, em 1817. A comitiva que acompanhou a futura imperatriz em sua vinda ao Brasil incluiu os naturalistas Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius, incumbidos pela Academia de Ciências da Baviera de realizarem longa viagem de pesquisa pelo país. Trocas efetivas se ampliaram a partir de então.

 

 

A exposição

 

 

“O Olhar Germânico na Gênese do Brasil” está dividida em núcleos que contemplam os temas: Rio de Janeiro à vista – pinturas de paisagem com temática do RJ; Retratos da vida da corte – retratos de notáveis do Império; Olhar a gente brasileira – obras com figuras anônimas, a maioria aquarelas e desenhos; Imaginar o Brasil – livros e estampas litográficas relacionadas a vistas e viagens pelo país, e O olhar do colecionador, instalação com imagens e objetos da Casa Geyer.

 

 

Rio de Janeiro à vista

 

 

Com a abertura dos portos em 1808, passaram a circular pelo mundo marcos paisagísticos do Rio de Janeiro, como Corcovado, Pão de Açúcar, Igreja da Glória e Morro do Castelo, em pinturas e litografias. Esta internacionalização propiciou trânsito comercial, diplomático, científico e a vinda de artistas, atraídos pela natureza deslumbrante do novo país. Muitos vinham de países de língua alemã. Neste núcleo está a contribuição destes artistas à formação de uma iconografia da cidade. A onipresença da escravidão não escapou à atenção dos pintores.

 

 

Retratos da vida da corte

 

 

A concessão de títulos nobiliárquicos e honrarias servia para confirmar o status social e econômico. Os contemplados iam da família imperial a súditos anônimos e duques, marqueses, condes, viscondes, barões, comendadores e dignatário de ordens imperiais. Neste segmento estão retratos pintados de notáveis. Eles exerceram a função de dar visibilidade à posição social do retratado. O mercado local se tornou atraente para artistas estrangeiros especializados em retratos. E eles vieram para o Brasil.

 

 

Olhar a gente brasileira

 

 

Os artistas do século XIX registraram o cotidiano de uma sociedade ainda afundada nas relações perversas com a escravidão. A massa escravizada, presente na paisagem humana, está retratada nos trabalhos deste núcleo. A estranheza do cenário aos olhos dos artistas estrangeiros os moveu a chamar a atenção do mundo para a situação dos escravos, que a sociedade fingia ignorar.

 

 

Imaginar o Brasil

 

 

A circulação internacional de livros, estampas, panoramas e álbuns de vistas deste segmento evidenciou a contraposição entre uma Europa civilizada e o suposto exotismo do resto do mundo. O imaginário que se formou da natureza tropical, selvagem e indomável, passou a confrontar uma ideia de domesticidade e civilidade como marcas de pertencimento cultural. O olhar estrangeiro oferecia uma lente para os brasileiros que quisessem enxergar a imensidão do Brasil.

 

 

O olhar do colecionador

 

 

Maria Cecilia e Paulo Geyer passaram quatro décadas a coletar, em casas de leilões mundo afora, pinturas, gravuras, desenhos, mapas, livros de viagem e objetos de arte para criar a Coleção Geyer.  A doação integral do conjunto e da casa que o abriga a uma instituição pública (Museu Imperial) é um exemplo de caráter social e merece ser sempre festejada. Esta sala se dedica a invocar o espírito do casal de filantropos e recordar um ambiente da casa em que viveram durante tantos anos no Rio de Janeiro.

 

 

Homenagem a Petrópolis

 

 

Completam a mostra objetos produzidos por artistas germânicos radicados em Petrópolis, como as esculturas de madeira de Carlos Spangenberg –  suas bengalas eram apreciadas por D. Pedro II. Copos e pesos de papel de vidro e cristal lapidados por Henrique e Guilherme Sieber, eram os souvenirs mais procurados pelos que visitavam Petrópolis. As peças destes artistas e mais as pinturas de Karl Ernest Papf e de Friedrich Hagedorn, pertencentes à coleção do Museu Imperial, estarão lado a lado com itens da Coleção Geyer, como paisagens da cidade serrana e seus arredores. É uma homenagem da curadoria a Petrópolis, tão afetada pelas chuvas recentes.

 

 

Patrocínio

 

 

“O Olhar Germânico na Gênese do Brasil” tem patrocínio, através da Lei de Incentivo Fiscal, da Unipar, hoje fabricante de cloro, soda e PVC, cuja origem, a Refinaria União, foi fundada por Alberto Soares de Sampaio, pai de Maria Cecília Geyer, como refinaria de petróleo. Seu genro Paulo Geyer se tornou sócio de Alberto neste negócio. Após a morte de Geyer em 2004, seu neto Frank Geyer Abubakir entrou para o conselho da empresa, representando os herdeiros. Em 2008, Frank se tornou chairman e atualmente é presidente do conselho da Unipar.

 

 

A obra de Francis Pelichek revisitada

10/mai

 

 

Será inaugurada no  próximo sábado, dia 14 de maio, às 11h, na Pinacoteca Aldo Locatelli da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, RS, a exposição “Francis Pelichek – Um boêmio moderno em Porto Alegre”.

A exposição apresenta um pouco da vida e da obra desse pequeno-grande artista, que chegou ao estado em 1922, onde viveu até seu falecimento precoce, em 1937. São aproximadamente 60 obras de acervos públicos e particulares, que oferecerão a oportunidade tanto de conhecer um pouco mais da produção de Francis Pelichek, como de pensar acerca do cenário artístico em Porto Alegre ao longo das décadas de 1920 e 1930. A curadoria é de Paula Ramos e Ana Luiza Koehler que desenvolve, no âmbito de seu doutorado, pesquisa sobre o artista.

 

 

Cores vivas de Jan Kaláb

09/mai

 

 

No dia 14 de maio termina a exposição “Calor”, primeira individual do destacado artista tcheco Jan Kaláb, na Galeria Movimento, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. A exposição já começa com a pintura na fachada da casa em que está a galeria, seguindo pelas escadas até o espaço interior. Jan Kaláb usou as cores vivas e os tons degradês de seu trabalho, ao fazer esta intervenção.   Para o curador Ulisses Carrilho, o trabalho de Kaláb, à luz dos acontecimentos mundiais recentes, sugere algo de “nuclear, bombástico, de energia, de onda de calor, onda térmica”. “E as formas também parecem celulares, microscópicas, como um zoom in”.

 

 

Depois de ser pioneiro no grafite na República Tcheca, e em seguida revolucionar a arte urbana naquele país, Jan Kaláb, nascido em Praga em 1978, ganhou o mundo com suas pinturas de cores vibrantes, em telas com formatos diversos montadas em chassis que ele mesmo constrói. Nos últimos dois anos expôs em Xangai, Miami, Bruxelas, Paris, Madri, Basel e Londres, e é muito ativo no circuito internacional de arte desde 2001. Adora o Brasil, em que esteve quando expôs nas coletivas “De Dentro e de Fora”, no MASP, em 2011, e na primeira Bienal de Grafite no MUBE, em São Paulo, em 2010.