Cores intensas em exibição em Paris.

05/out

O fotógrafo brasileiro Rafael Pavarotti ganhou exposição no Musée des Arts Décoratifs, em Paris. Em cartaz até maio de 2027, a mostra reúne mais de 200 imagens do artista paraense, incluindo capas de revistas de moda e retratos de nomes como Beyoncé, Rihanna e Harry Styles. A curadoria de “Raphael Pavarotti, photographe” é de Sébastien Quéquet.

Nascido em Belém, no Pará, Rafael Pavarotti construiu uma assinatura visual marcada por cores intensas e saturadas e por referências à cultura afro-brasileira. A exposição reúne trabalhos encomendados e projetos pessoais, passando por seus primeiros experimentos até uma série de retratos masculinos publicada pela Double Magazine em 2019. Aos 15 anos, ele deixou Belém e partiu para uma trajetória que passou por destinos nacionais e internacionais, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo e Londres, até chegar a Paris, onde se estabeleceu em 2025.

O trabalho de Rafael Pavarotti já passou pelas páginas de alguns dos principais veículos de moda e cultura do mundo, como The New York Times, W Magazine, i-D, Dazed, Perfect Magazine e diferentes edições da Vogue. Ao mesmo tempo, construiu uma trajetória próxima de grandes grifes, com trabalhos para Balenciaga, Mugler, Balmain, Chanel, Dior e Ferragamo. Entre as personalidades que já passaram por suas lentes estão figuras da cultura pop atual, como A$AP Rocky, Addison Rae, Charli XCX e Tyla, além de Gisele Bündchen, fotografada para a campanha de primavera 2024 da Balmain.

Investigando as conexões sutis.

 

A Galeria Marilia Razuk, Itaim Bibi, São Paulo, SP, abriu espaço para o mais novo trabalho de Carolina Colichio. Intitulada “Cavalinhas e Falésias”, a mostra apresenta peças produzidas em alumínio fundido, coordenadas com processos que já pautam suas criações, como a cerâmica, a porcelana, os esmaltes e o milenar método de pintura, a encáustica.

Carolina Colichio transita entre escultura, pintura e instalações e tem sua pesquisa artística criada a partir da prática diária de observação e do deslocamento entre a cidade e a natureza, investigando as conexões sutis entre o ambiente urbano e o tempo profundo do planeta.

Até 03 de novembro.

O sonho é um vasto território.

01/out

Para a Art Basel Paris 2026 entre 23 e 25 de outubro,  no Grand Palais, A Gentil Carioca (Stand A4) apresentará o tema “Sonhos e Pesadelos”. O sonho é um vasto território, onde as formas se expandem livremente e a lógica da vida cotidiana se dissolve. Sonhar não é uma fuga, mas a construção de mundos nos quais escolhemos acreditar. mundos que podem, às vezes, se transformar nos pesadelos de nossas próprias construções. Buscamos apresentar obras em que o sonho assume múltiplas formas e escalas, tornando-se uma matéria política e um confronto para imaginar outras formas de viver, recusando o que está dado e persistindo na luta.

Origem urbana ganha novas configurações.

Bruno Bogossian retorna às exposições individuais no Rio de Janeiro depois de uma década. Com mais de 25 anos de trajetória e ex-integrante do Fleshbeck Crew, coletivo fundamental para a história do grafite carioca, o artista apresenta na Artur Fidalgo galeria, Copacabana, trabalhos inéditos que transitam entre pintura, desenho e escultura. 

Em “Caleidoscópica”, sua pesquisa de origem urbana ganha novas configurações em meio a cores vibrantes, formas geométricas, fragmentos botânicos, vestígios arquitetônicos e referências ao imaginário social. A mostra também celebra uma relação especial: são 10 anos de parceria entre Bruno Bogossian e a Artur Fidalgo galeria.

Objetos simbólicos do cotidiano.

Em sua primeira exposição individual, “Uma certa memória”, sob curadoria de Vanda Klabin, na Artur Fidalgo galeria, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, Emika Takaki apresenta uma série de pinturas recentes que transitam por objetos simbólicos do cotidiano. Suas telas funcionam como potentes metáforas visuais em torno do silêncio, da ancestralidade e da diáspora nipo-brasileira.

Através de rigorosos campos monocromáticos e do uso de cores escassas, o trabalho de Emika Takaki transforma o ato de olhar em um espaço de contemplação e encontro profundo entre o passado e o presente, a nostalgia e o esquecimento.

Até 30 de outubro.

Marcando a trajetória de Alfredo Jaar.

30/set

A Pinacoteca do Ceará apresentou a primeira exposição individual de Alfredo Jaar (Santiago, 1956) em Fortaleza, com curadoria de Moacir dos Anjos. A mostra,  com 16 obras produzidas entre os anos 1980 e 2026, exibiu quase cinco décadas de trajetória do artista, arquiteto e cineasta chileno. Entre os destaques estão instalações imersivas já consagradas como “Lamento das imagens” (2002), “O som do silêncio” (2006) e “06.01.2020 18.39” (2022) – esta última inédita no Brasil -, além de “A luz do nosso céu”, obra criada especialmente para o pátio aberto da Pinacoteca. A instalação nasceu de uma visita de Alfredo Jaar ao espaço dois anos antes da abertura: a luz intensa de Fortaleza, que ilumina e ofusca simultaneamente, inspirou o artista cuja prática é fundamentalmente construída sobre as qualidades e paradoxos da luz.

Dialogar com diferentes formas de perceber o mundo.

Novo episódio de Depois que Tudo Foi Dito, com Josi, estreou no Arte 1. O Arte1 exibiu o terceiro episódio da série “Depois que Tudo Foi Dito”, realizada pelo MAM São Paulo a partir do 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”. O episódio tem como protagonista a artista Josi.

No episódio, Josi fala sobre sua trajetória e sobre uma prática artística atravessada por memórias de Carbonita, Caeté e do Vale do Jequitinhonha, por saberes populares e por experiências vividas durante uma residência artística no Benim. A artista compartilha seus processos com tintas naturais, preparadas a partir de materiais como feijão-preto, pequi, jenipapo, jurubeba, cascas de árvores, terras e pigmentos minerais, e conta como essas matérias vivas se transformam e participam da construção das obras.

Estruturada em episódios dedicados a artistas, curadoria e público, a série busca ampliar o conhecimento sobre o Panorama da Arte Brasileira e apresenta diferentes perspectivas sobre a exposição. As conversas aproximam as obras das trajetórias de seus criadores, do processo curatorial e das experiências dos visitantes, mostrando como a arte pode dialogar com questões presentes no cotidiano e com diferentes formas de perceber o mundo.

O 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”.

Com curadoria de Diane Lima e gerência de projetos de curadoria de Giovanna Querido, o 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” reúne 33 artistas de 11 estados brasileiros, representando todas as regiões do país e aproximando diferentes gerações, linguagens, materialidades e modos de fazer. A exposição parte de uma reflexão sobre o que pode existir para além dos limites já estabelecidos da representação, da linguagem e da própria ideia de arte brasileira.

Panorama da Arte Brasileira.

Realizado desde 1969, o Panorama da Arte Brasileira acompanha há mais de cinco décadas as transformações da produção artística no país e ocupa um lugar fundamental na trajetória do MAM e na História da Arte Brasileira. Ao longo de suas edições, consolidou-se como uma das principais plataformas de reflexão, experimentação e discussão sobre a arte produzida no Brasil.

“Depois que Tudo Foi Dito” é uma realização do Museu de Arte Moderna de São Paulo, com exibição pelo Arte1 por meio de parceria entre as instituições. A concepção e coordenação do projeto são de Ane Tavares; a direção e edição de vídeo são de Marina Paixão; o roteiro é assinado por Ane Tavares e Juliana Pithon; e a trilha sonora é de David Menezes.

Dois artistas representados pela Galatea.

39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP.

Quem visitar o 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP, Parque do Ibirapuera, curado por Diane Lima, poderá conferir obras de Ygor Landarin e Carolina Cordeiro, artistas representados pela Galatea.

Ygor Landarin (Uruguaiana, 1995) apresenta duas obras inéditas comissionadas para a exposição. Da porosidade dos bordados de “Onda mãe” à estrutura mais rígida de “Pedra pai”, o artista incorpora areia, conchas, ouriços e argila coletados em diferentes pontos da costa brasileira.

Carolina Cordeiro (Belo Horizonte, 1983) exibe “O tempo é”, instalação idealizada em 2023 e revisitada para o Panorama. Placas de zinco e espelhos artesanais se distribuem em estruturas de aço, trazendo para a sala de exposição um material familiar às construções e moradias brasileiras e presente também em outros territórios do Sul Global.

Nas obras dos dois artistas, os materiais dizem mais do que sua aparência sugere. A areia e a argila recolhidas por Ygor Landarin, assim como o zinco empregado por Carolina Cordeiro, trazem para o museu experiências ligadas a territórios brasileiros e formas cotidianas de vida. Ao lhes dar lugar na construção das obras, os artistas abrem espaço para outras maneiras de perceber, narrar e imaginar o mundo – questão que percorre esta edição do Panorama.

Até 24 de janeiro de 2027.

Presença de Brumadinho no mapa internacional.

29/set

O colecionador Bernardo Paz prepara novo museu de arte contemporânea em Brumadinho. Idealizador do Inhotim, MG, Bernardo Paz avança em um novo projeto cultural que deve ampliar ainda mais a presença de Brumadinho no mapa internacional da arte contemporânea.

O empreendimento vem sendo noticiado como um novo museu a céu aberto, localizado nas proximidades do Inhotim, instituição que Bernardo Paz começou a idealizar nos anos 1980 e que abriu ao público em 2006. Segundo informações publicadas pela imprensa, o espaço circula com nomes provisórios como Instituto Bernardo Paz e Museu das Árvores. A proposta mantém diálogo com uma das marcas mais reconhecidas da trajetória de Bernardo Paz: a aproximação entre arte, paisagem, arquitetura e natureza em escala monumental.

Bernardo Paz amplia legado cultural em Brumadinho.

As reportagens indicam que o novo projeto já teria recebido investimentos expressivos, com paisagismo em andamento, plantio de milhares de árvores e a previsão de pavilhões distribuídos em uma área cercada por mata. Também foi noticiado que o acervo reunido para o espaço pode chegar a cerca de 3 mil obras de arte contemporânea. Entre os nomes mencionados nas matérias estão artistas como Anna Maria Maiolino, Sonia Gomes e Michael Heizer. A imprensa também aponta negociações envolvendo outros artistas internacionais, em sintonia com a proposta de criar um espaço voltado à produção contemporânea em diálogo com território, memória, matéria e experiência.

Nos últimos anos, Bernardo Paz também protagonizou um movimento decisivo para a institucionalização do Inhotim, ao transferir de forma definitiva obras, galerias e parte significativa da estrutura do instituto para uma governança voltada à perenidade da instituição. Essa passagem consolidou o caráter público de um projeto que nasceu de uma coleção privada e se tornou referência cultural brasileira. 

Mais do que a criação de um novo espaço expositivo, a iniciativa aponta para a continuidade de uma visão cultural de longo prazo: produzir experiências em que arte e natureza não funcionam como cenários separados, mas como partes de uma mesma paisagem sensível, pública e transformadora.

A obra de uma artesã sofisticada.

Em “Malha de Cobre”, Daniela Cutait reúne malhas metálicas, correntes e argolas de cobre sobre suporte de madeira. A composição leva para a parede a lógica construtiva da joalheria, universo que atravessou sua trajetória por quase 15 anos. Quando a luz atravessa os intervalos entre os elementos, as sombras prolongam o desenho e modificam a percepção do volume. A estrutura conserva a precisão do adorno e assume um ritmo orgânico, recorrente na pesquisa da artista.

Sobre a artista.

Daniela Cutait, nasceu em 1969, em São Paulo, SP, cidade onde vive e trabalha. Estudou artes plásticas na FAAP no início dos anos 90, desde sempre curiosa, criativa, comunicativa e inquieta. A artista orbitou pelo universo das pedras, das joias, seus contornos e brilhos, desenhando acessórios de moda por quase 15 anos. 

“Sou uma andarilha, busco inspiração pela beleza na simplicidade e na delicadeza do quase invisível pelas ruas por onde passo, em qualquer lugar do mundo”. 

“A natureza passou a me chamar mais atenção por seu movimento quase esquecido nos dias de hoje devido ao distanciamento das relações pessoais engolidas por esta era cibernética em que vivemos”. 

Ao mesmo tempo orgânicos e ornamentados, espontâneos e estilizados, as esculturas de Daniela trazem uma dimensão textural e visual únicas onde as sombras dão continuidade ao trabalho, dependendo uma da outra, objeto, luz e sombra. Suas séries são o resultado do trabalho de uma artesã sofisticada que através do recolhimento criativo em seu atelier em São Paulo, surge um conjunto de peças feitas em crochê de fios de cobre, correntes em alumínio e contas que brotam de seu acervo pessoal durante os anos que manteve uma relação mais estreita com a moda. A artista examina o contraste dos materiais feitos pelo homem com as formas da natureza em suas instalações etéreas formadas a partir do crochê em fios de metal e malhas tecidas à mão. 

Criou seu próprio conceito, de “Wall Fashion Art” e transformou seus acessórios de moda em arte, sempre inspirada por joalheiros e artistas consagrados como JAR (Joel Arthur Rosenthal), Boucheron, Ruth Asawa, escultora modernista americana, entre muitos outros. As peças são únicas e numeradas. O resultado brinca com o lúdico e o paradoxo da vida efêmera capturada em uma cápsula de tempo.

“Hoje, meu prazer é vestir as paredes das casas das pessoas e não apenas “as pessoas”, afinal cada casulo reflete a nossa história e é a tradução de nossa existência a cada momento”.