Obras inéditas de Anna Maria Maiolino.

30/jul

No dia 08 de agosto, a galeria Luisa Strina, Jardins, São Paulo, SP, abre a exposição “Presença”, com cerca de 25 obras inéditas da artista ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino, uma das mais influentes no cenário contemporâneo. Com texto crítico de Lotte Johnson, curadora do Barbican Centre, em Londres, a mostra, que estará em exibição na Sala 2, apresenta a diversidade da produção da artista e do uso de diferentes técnicas e materiais.

Premiada com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra, Anna Maria Maiolino exibe esculturas em cerâmica e vidro, desenhos e telas na mostra “Presença”, que ganhou esse nome justamente pela diversidade de sua produção artística e do uso de diferentes técnicas e materiais.

No espaço, o público encontra desenhos realizados com canetas de tinta permanente, a exemplo da série “Na Noite – No Escuro”; uma obra com seis peças em cerâmica Raku; e um conjunto de pontos e linhas, também em cerâmica Raku, denominado “Na Parede”. Há ainda obras em tinta acrílica sobre chapa de radiografia, como as da série “Marcas na Transparência”. No centro da sala, estarão seis esculturas de vidro – as peças “Do Sopro”, da série “Emanados” – apoiadas sobre estruturas de ferro.

Em “Presença”, as formas-esculturas são e sugerem, em sua maioria, signos. “Elas formam um conjunto expressivo com os pequenos desenhos fixados na parede. As obras criam uma presença física e tangível no espaço e com o espectador”, explica a artista. “Há, aqui, a importância de recuperar a presença, entendida como a dimensão física, material, sensorial e espacial da relação humana com o mundo. Valoriza-se o corpo e seus sentidos, tanto do autor quanto do espectador, como experiência estética.”

Até 19 de setemrbo. 

Cosmologia afro-brasileira e referências rituais.

A Simões de Assis, Jardins, apresenta a individual de Ayrson Heráclito, “Ojú-Inú”, em seu espaço em São Paulo. A partir da noção iorubá de Ojú-Inú – “olho interno” – Ayrson Heráclito apresenta um conjunto de obras atravessadas pela cosmologia afro-brasileira e pelas referências rituais que orientam sua prática artística.

Com texto crítico de Hélio Menezes, a exposição reúne cerca de 30 obras entre esculturas, aquarelas, fotografias e vídeos. Compartilhando da ideia de percepção estética e espiritual formulada pelo historiador da arte Rowland Abiodun, Heráclito propõe um percurso em que matéria, memória, corpo e ancestralidade se articulam como formas de conhecimento e criação.

Realizada enquanto o artista integra a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, In Minor Keys, a mostra apresenta trabalhos inéditos que aprofundam questões centrais de sua pesquisa, estabelecendo diálogos entre ritual, história e imaginação.

Ayrson Heráclito (Macaúbas, 1968). É artista, professor e curador. Possui doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC São Paulo, e mestrado em Artes Visuais pela UFBA. Com um olhar particular, a obra de Ayrson Heráclito evidencia as raízes afro-brasileiras e seus elementos sagrados, projetando ações e práticas que compõem a história e a cultura da população negra.

Outro importante marco na carreira do artista foi Transmutação da Carne, iniciado em 1994. A obra surgiu a partir de um documento que descreve as torturas cometidas pelos senhores de engenho contra os escravizados. Em 2015, Heráclito reapresentou Transmutação da Carne durante a exposição Terra Comunal, da artista sérvia Marina Abramović (1946), no Sesc Pompéia. Uma de suas principais pesquisas é Sacudimentos, sobre o tráfico negreiro entre a Bahia e o Senegal, realizada em 2015 e apresentada na 57ª Bienal de Veneza (2017). Composta por vídeos e fotografias, a obra é construída a partir de rituais de limpeza da Casa dos Escravos na Ilha de Goré e de um grande engenho de açúcar no Brasil, exorcizando os fantasmas da colonização.

Integrou a 61st International Art Exhibition of La Biennale di Venezia (2026), com curadoria de Koyo Kouoh, intitulada “Minor Keys”; 16ª Bienal de Sharjah, Emirados Árabes; After the End of the World: Pictures from Panafrica, The Art Institute of Chicago; 35ª Bienal de São Paulo; 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza tendo conquistado o Leão de Ouro de melhor participação nacional; 57ª Bienal de Veneza; Bienal de fotografia de Bamako, Mali; e da Trienal de Luanda, Angola. Em 2021 e 2022, teve uma grande exposição individual, “Ayrson Heráclito: Yorùbáiano” no MAR, Rio de Janeiro e na Pina Estação, São Paulo. Foi um dos curadores-chefes da 3ª Bienal da Bahia, curador convidado do núcleo “Rotas e Transes: Áfricas, Jamaica e Bahia” no projeto Histórias Afro-Atlânticas no MASP, que esteve em cartaz no MASP e no Instituto Tomie Ohtake. Recebeu o prêmio de Residência Artística em Dakar do Sesc_Videobrasil e a Raw Material Company, Senegal. Possui obras em acervos do Museu Solomon R. Guggenheim, Nova York; Musem der Weltkulturen, Frankfurt; MAR – Museu de Arte do Rio; Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador; MON, Curitiba; Videobrasil e Coleção Itaú. 

Ling apresenta Juliana dos Santos.

29/jul

O que acontece dentro de um ateliê artístico?

Entre os dias 03 e 07 de agosto, o Instituto Ling, Três Figueiras, Porto Alegre, RS, convida para acompanhar de perto o processo criativo da artista visual Juliana dos Santos, que desenvolverá uma intervenção inédita diretamente em uma das paredes do centro cultural.

Realizada durante o horário de funcionamento do prédio, a atividade tem entrada gratuita e oferece uma oportunidade rara: observar a construção da obra em tempo real, acompanhar as escolhas, os materiais e os caminhos que dão forma ao trabalho artístico.

Reconhecida por instalações imersivas que exploram as relações entre cor, tempo e espaço, Juliana Dos Santos transforma o azul extraído da flor Clitoria ternatea em matéria poética para refletir sobre identidade, memória e transformação. A artista integrou a 36ª Bienal de São Paulo e é uma das indicadas ao K21 GLOBAL Art Award 2026.

A ação integra o projeto Ling Apresenta | Por uma “geografia da ação”: corpo, matéria, território, com curadoria de Galciani Neves, que reúne artistas da região Sudeste em diálogo com o contexto cultural gaúcho por meio de intervenções concebidas especialmente para o Instituto Ling.

No dia 08 de agosto, às 10h, Juliana dos Santos participa de um encontro com o público ao lado da curadora para compartilhar reflexões sobre o desenvolvimento e o resultado da intervenção. A participação é gratuita mediante inscrição. 

Iniciativa de outra natureza narrativa.

28/jul

A exposição “Rebu” apresentou na Central, Higienópolis, São Paulo, SP, até 1° de agosto, 26 artistas partindo da ideia de fervor, diante do qual as poéticas, pesquisas e processos apresentados desafiam a estrutura do espaço da galeria, abrindo-o a interferências que desorientam suas dinâmicas implícitas e trazem para a discussão uma iniciativa de outra natureza narrativa, com outros contornos, que agita o modo como o espaço de uma galeria funciona ou é visto.

Composta por trabalhos que têm a pintura como suporte ou como questão, a coletiva evidencia o interesse da galeria em investigar novas poéticas, formar repertório para um novo público e manter-se atenta ao que acontece para além do circuito estabelecido da arte.

“A ideia de “Rebu” surge, assim, como um movimento que aposta no encontro e na fricção entre as pesquisas para criar um espaço onde as distintas investigações em arte funcionem como gesto crítico, arejando os combinados que costumam regular o convívio, a legitimação e a visibilidade dentro do circuito artístico”, escreve Yago Toscano que assina o texto da exposição.

Uma conversa e final de exposições.

A Gentil Carioca São Paulo convida para a última semana das exposições “Mão Amiga”, de José Bento, e “∞ ∞ (infinita infinito)”, de Maria Nepomuceno, em cartaz até sábado, 1º de agosto.

Em “Mão Amiga”, realizada em parceria com a Galeria Sardenberg, José Bento parte da tradicional junção de madeira que dá nome à exposição para refletir sobre relações de interdependência, apoio e construção coletiva, aproximando natureza e cultura, floresta e construção, utensílio e monumento.

Em “∞ ∞ (infinita infinito)”, Maria Nepomuceno apresenta obras inéditas em que cordas, contas, tecidos e cerâmicas se entrelaçam em esculturas que tensionam gravidade, equilíbrio e movimento. Com texto de apresentação assinado por Laura Lima, a mostra propõe um encontro entre escultura e pintura, em trabalhos que parecem pulsar e se expandir pelo espaço.

Como parte da programação de encerramento da individual de José Bento, “Mão Amiga”, realizada em parceria com a Galeria Sardenberg, na quinta-feira, 30 de julho, às 19h30, acontece uma conversa entre o artista e o curador Rodrigo Moura, com mediação de Ricardo Sardenberg. O encontro revisita mais de quatro décadas da produção do artista, abordando seu processo de criação, suas referências e a atualidade de sua pesquisa.

Park Chae Dalle & Park Chae Biole.

27/jul

Novas artistas representadas

A Galatea anuncia a representação da artista Park Chae Biole e da artista Park Chae Dalle (1997, Paris, França), em co-representação com a galeria Anne-Laure Buffard, de Paris.

A parceria sucede a exposição dupla Park Chae Biole & Dalle: alargar o tempo, tecer a vida, apresentada pela Galatea em 2026, ocasião que marcou a primeira apresentação das artistas no Brasil e deu início a um diálogo que agora se desdobra em sua representação pela galeria.

Irmãs gêmeas, Park Chae Biole e Park Chae Dalle compartilham uma trajetória marcada por deslocamentos entre França e Coreia do Sul. Nascidas em Paris, passaram a infância na província de Gangwon. Ambas retornaram à França para estudar na École Nationale Supérieure d’Arts de Paris-Cergy (ENSAPC) e, desde então, desenvolvem carreiras individuais que incluem residências, exposições e projetos internacionais na Europa e na Ásia.

Embora suas pesquisas dialoguem em torno das relações entre pintura, espaço e paisagem, cada artista constrói um vocabulário próprio.

Na prática de Park Chae Biole, a pintura expande seus limites ao ocupar suportes que também organizam o espaço, como persianas, bolsas e superfícies têxteis, transformando-se simultaneamente em imagem e objeto. Já para Park Chae Dalle, a pintura se aproxima da escrita e da poesia. A artista produz os próprios tecidos sobre os quais trabalha, frequentemente por meio do tricô, e, para ela, tricotar, pintar e escrever constituem formas de uma “paciência ativa”: gestos repetitivos que fazem do tempo um elemento constitutivo da obra.

A assinatura visual criativa de Daisy Xavier.

A Galeria Maneco Müller : Multiplo, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, abre a mostra “ANFI”, com uma série recente e inédita de obras de artista Daisy Xavier.

Nos trabalhos, a artista explora a imagem das redes, simbologia recorrente em sua produção, dessa vez em pinturas e desenhos de grande escala, num dos momentos mais representativos da sua trajetória de 40 anos na arte visual. Sobre telas de linho cru ou papel branco, linhas enérgicas se cruzam e se conectam por meio de ganchos, formando redes intrincadas, que desafiam o olhar e parecem extrapolar os limites do quadro.

“A rede ao mesmo tempo que cria uma barreira e divide o espaço, permite ver o que está do outro lado, é permeável. Esse entrelaçamento, essa permeabilidade de fronteiras é o que me interessa”, diz a artista, que batizou a mostra de “ANFI”, prefixo grego que significa “em torno”, “ao redor” ou “duplicidade/de ambos os lados”.

“É a primeira individual de Daisy Xavier na galeria e tivemos a alegria de reunir um conjunto de trabalhos inéditos de grande força poética, com a assinatura visual criativa da artista”, finaliza Stella Ramos, sócia do espaço ao lado de Maneco Müller.

Até 04 de setembro.

O realismo mágico como referência.

23/jul

Quando menos é mais.

Em tons menores (in minor keys), a curadoria que teve à frente Koyo Kouoh, primeira mulher africana a cuidar da Bienal de Veneza, tem 110 artistas em uma mostra que traz o realismo mágico como referência.

Por Fabio Cypriano.

A entrada no Pavilhão Central da 61ª Bienal de Veneza, no Giardini, é bastante ritualística: primeiro é preciso atravessar as colunas transformadas em viveiros de plantas pela artista nigeriana Otobong Nkanga. Em seguida passamos pelos trajes de Big Chief Demond Melancon, líder da tribo Young Seminole Hunters do Lower Ninth Ward de Nova Orleans, inspirados em práticas cerimoniais levadas aos Estados Unidos por escravizados africanos.

Seguimos, então, contornando as esculturas em cerâmica da senegalesa Seyni Awa Camara, que há 75 anos aprendeu de sua mãe as tecnologias ancestrais para produção de utensílios cotidianos, que hoje, aos 80 anos, ela reinventa em formato de bestiário.

Então, nos confrontamos com uma espécie de assembleia com dezenas de esculturas zoomórficas em cerâmica da artista e ativista peruana Célia Vásquez Yui, denominada O Conselho dos Espíritos Maternos dos Animais. Todos esses animais olham para apenas um lugar e parecem desafiar o visitante.

E, logo atrás, está a instalação Anatomia da Árvore da Magnólia para Koyo Kouoh e Toni Morrison, da cubana radicada nos Estados Unidos María Magdalena Campos-Pons, que tem como paisagem sonora uma composição de Kamaal Malak A obra é composta por um imenso painel em oito partes onde se veem as duas homenageadas do título com pés de coruja. Assentadas em galhos da magnólia, é como se elas cuidassem das sete esculturas em vidro à sua frente, realizadas em Murano, que sintetizam as etapas de floração.

Estas cinco obras, dispostas em três salas de um azul intenso, que ora parece o céu, ora o mar profundo, sintetizam o conceito da mostra Em tons menores, concebida pela curadora Koyo Kouoh (1967-2025), nascida em Camarões, primeira mulher africana a cuidar da Bienal de Veneza, que, contudo, não viu o resultado de seu trabalho, já que morreu praticamente um ano antes da abertura da mostra.

O vazio como um elemento ativo.

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP,  apresenta, entre 1º de agosto e 19 de setembro, a exposição individual de Masao Yamamoto (Gamagori – Japão, 1957). A mostra se organiza ao redor da ideia de Ma (間), um conceito estético e filosófico japonês que descreve a pausa e o intervalo significativo entre espaços, objetos, sons, movimentos e acontecimentos e que entende o vazio como um elemento ativo que dá forma, ritmo e significado a experiência. A expografia conta com o apoio da arquiteta e paisagista Sakae Ishii.

Além das fotografias, a exposição apresenta diferentes formatos editoriais desenvolvidos pelo artista ao longo de sua carreira, como os livros em sanfona e as caixas-poemas da série Ryokan. Cada uma dessas caixas abriga cerca de seis pequenas fotografias acompanhadas por um haiku do poeta e monge zen-budista Ryōkan (1758-1831). Dispostas em vitrines, elas revelam um diálogo íntimo entre palavra e imagem, propondo ao visitante uma leitura pausada e fragmentária. 

Ao aproximar as fotografias de Masao Yamamoto da intervenção concebida por Sakao Ishii, a exposição evidencia o Ma como um princípio que organiza tanto a composição visual quanto a experiência espacial do visitante, fazendo com que os intervalos, as pausas e os vazios assumam um papel estruturante na percepção da obra. A Galeria Marcelo Guarnieri agradece a colaboração de Sakae Ishii, cuja generosidade transcende esta exposição e se insere em uma relação de amizade, diálogo e troca cultivada ao longo de anos.

A autonomia própria de Allan Weber.

22/jul

A Almeida & Dale anuncia a representação de Allan Weber (1992, Rio de Janeiro).  A representação chega em um momento decisivo da trajetória do artista: Weber integra o 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”, sob curadoria de Diane Lima, a partir de setembro deste ano, e realizou recentemente sua primeira exposição individual institucional no Brasil, “Existe uma vida inteira que tu não conhece”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. 

Trabalhando com fotografia, escultura e instalação, o artista constrói seu repertório a partir da observação das dinâmicas sociais e materiais que organizam o cotidiano urbano – da comunidade 5 Bocas, no Rio, onde nasceu e vive, às condições do trabalho plataformizado ao redor do mundo. Allan Weber nomeia esse repertório “tecnologias de existência”: um saber-fazer que nasce fora dos manuais, e estrutura, com autonomia própria, a vida nas grandes cidades. 

Em 2024, Weber recebeu o SEED Award da Prince Claus Fund e realizou residência artística no Reino Unido, viabilizada pelo Nottingham Contemporary. Da experiência nasceu My Order (2025), mostra apresentada no Nottingham Contemporary e no De La Warr Pavilion. Participou também de coletivas no Brasil como Funk: um grito de ousadia e liberdade – apresentada no Museu da Língua Portuguesa, São Paulo (2025), e no Museu de Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro (2023) – e Fazer o moderno, construir o contemporâneo: Rubem Valentim, Inhotim, Brumadinho (2023). Sua obra integra as coleções do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) e do Museu de Arte de São Paulo (MASP).