A curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli.

08/maio

A Pinakotheke, prestigiosa instituição de arte fundada no Rio de Janeiro por Max Perlingeiro em 1979, reconhecida pela excelência de suas exposições e publicações, abre para o público sua nova sede em Higienópolis, São Paulo, SP, no dia 18 de maio, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”, uma vasta visão sobre as diversas facetas desta vertente da arte iniciada na primeira década do século 20.

A mostra inaugural do novo espaço tem curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, e reunirá aproximadamente 100 obras de 60 artistas – europeus, latino-americanos, norte-americanos e do Caribe. O novo espaço em Higienópolis é acompanhado também de uma reestruturação da Pinakotheke, e no novo organograma, Max Perlingeiro é o diretor-geral, e seus filhos assumem a diretoria-executiva de cada espaço – Max Morales Perlingeiro, em São Paulo; Mariana Perlingeiro Mattos, no Rio de Janeiro; e Victor Perlingeiro, em Fortaleza – e Camila Perlingeiro, que já é a responsável pelas edições dos livros de arte, passa a responder como diretora criativa. Ivan Perlingeiro, irmão de Max, será o diretor de operações. O novo endereço passou por obras de adequação e modernização, a cargo do escritório Luciano Dalla Marta Arquitetura.

Na entrada, o público será recebido por vídeos das artistas contemporâneas Letícia Parente, Lenora de Barros, Kátia Maciel e Lia Chaia. No primeiro andar estarão trechos dos filmes clássicos “Le Sang d’un poète” de Jean Cocteau e “Un chien andalou”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí. No segundo andar, ficarão os núcleos do Surrealismo europeu, do norte-americano e caribenho. Na área central, a sala especial de Louise Bourgeois; e em destaque as obras de Magritte – “La magie noire”, e “La fin du monde”; a escultura “Mujer de pie”, de Picasso; a escultura “Femme debout”, de Giacometti; a pintura “O enigma de um dia”, de Giorgio de Chirico, pertencente ao MAC USP; “Configuration”, de Hans (Jean) Arp; e “St. Tropez”, de Picabia; a grande xilogravura “Metamorphose”, de M.C. Escher, com quatro metros de comprimento. Na última sala, outro trabalho de Escher – “Bond of Union”; dois óleos sobre tela de Ferdinand Desnos: “Le lapin blanc” e “Sem título”; obras de Salvador Dalí: a escultura em bronze “Vénus spatiale”, três trabalhos da série “La suite catalane”: “L’etoile de mer”, “Les fleches” e “Les pigeons”- e “The Persistence of Memory II”, em lã e colagem; e “Sem título”, de Victor Brauner.

Publicação ilustrada.

Ao longo da exposição, será lançado pela Pinakotheke Editora um livro bilíngue sobre o tema “Surrealismos: arte para além da razão”. Fartamente ilustrada, a publicação terá textos de Max Perlingeiro, Tadeu Chiarelli, Dawn Adès, João Frayze-Pereira e Thiago Gil Virava.

De 18 de maio até 15 de agosto. 

Investigação sobre memória e pertencimento.

07/maio

Belo Horizonte, Uberaba e Juiz de Fora se encontram no Rio de Janeiro em “O Caminho do Ouro”, exposição que será inaugurada no dia 21 de maio na a.thebaldigaleria, no CasaShopping, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. Mais do que a origem geográfica em comum, os artistas mineiros Hélio Siqueira, Paulo Miranda, Paulo Torres e Petrillo compartilham nesta coletiva investigações que partem de matéria e memória das terras de Minas Gerais, estabelecendo um percurso sensível entre tradição e contemporaneidade.

Reunindo trabalhos inéditos de produção recente, a mostra foi concebida por Edson Thebaldi, marchand à frente da galeria que celebra 40 anos de trajetória este ano. O conjunto de obras atravessa diferentes linguagens como técnica mista utilizando pigmentos naturais, colagem, carvão e pastel oleoso sobre lona e sobre papel, esculturas em cerâmica em alta temperatura submetidas a fornos com queima a lenha e têmpera acrílica com pigmentos minerais, terra e concreto retirado das calçadas das cidades.

Hélio Siqueira apresenta a série de objetos “Bilhas”, uma alusão às cerâmicas utilizadas na antiguidade como reservatórios de água. Potes, castiçais, moendas, pilões e solitários que povoavam a vida e enfeitavam as casas nas fazendas.

A paisagem é o ponto de partida para uma investigação sensível sobre memória e tempo nas obras produzidas por Paulo Miranda para a exposição. 

A busca por novos horizontes é o eixo que atravessa os trabalhos de Paulo Torres desenvolvidos para a coletiva. Em meio ao mar de concreto e asfalto que define a paisagem urbana contemporânea, o artista investiga aquilo que se oculta sob as camadas do tempo: cores veladas, marcas, desgastes e vestígios que a cidade acumula silenciosamente todos os dias.

Nesta nova série de obras expostas na a.thebaldigaleria, o artista visual Petrillo dá continuidade à sua investigação sobre a paisagem. Desta vez, investiga e se volta para as jazidas e a topografia mineira, que servem como pretexto dialético para a construção imagética das obras. 

Até 14 de junho.

Jardim do Éden de Joana Vasconcelos.

Pela primeira vez o Brasil recebe no Farol Santander, Centro, São Paulo, SP, uma das obras mais emblemáticas de Joana Vasconcelos: “Jardim do Éden”. Uma instalação imersiva que convida o público a caminhar por um labirinto que expõe a artificialidade da natureza através de uma inusitada experiência ótica.

Esse percurso transporta o espectador para um paraíso de sonhos e imaginação através dessa obra única que já passou por diversos continentes. “Jardim do Éden” é uma instalação que convida o espectador a caminhar. Através do fluxo luminoso e dos motores síncronos, as flores artificiais dispostas em forma de labirinto produzem um efeito cinético semelhante ao produzido pela fibra ótica. Ao mesmo tempo uma suave trilha sonora – que alude ao canto de dezenas de pequenos insetos – produzida pelo som mecânico das respetivas máquinas em funcionamento. 

O percurso neste paraíso onírico expõe a artificialidade da natureza através de uma inusitada experiência ótica, unicamente possível devido à exigência da sua apresentação num espaço interior privado de luz natural. Joana Vasconcelos concebe um surpreendente simulacro que reporta invariavelmente para o questionamento, a sabotagem e a apropriação de uma narrativa ancestral.

Até 21 de junho.

Pesquisa com a cerâmica e o aço inox.

Para marcar os 25 anos de trajetória da artista Ana Holck, será inaugurada no dia 21 de maio a exposição “Imprevistos”, na galeria Maneco Müller: Multiplo, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, com a mais recente produção da artista carioca. Serão apresentadas cerca de 16 obras inéditas, produzidas este ano, em um desdobramento da pesquisa da artista com a cerâmica e o aço inox. Os novos trabalhos trazem elementos inéditos, como novas formas e a introdução de cores no barro, algo nunca antes utilizado pela artista. Ana Holck é uma das mais destacadas artistas de sua geração e ao longo de mais de duas décadas de atuação construiu uma carreira consolidada no meio da arte.

“Sua prática se desdobra por meio de uma investigação contínua de estruturas espaciais, tensões materiais e a dimensão experiencial da escultura. Trabalhando principalmente com materiais como metal e porcelana, Holck constrói ambientes que desafiam a estabilidade da forma, ao mesmo tempo que ativam a percepção e a presença corporal do espectador”, afirma a crítica e curadora de arte Daniela Labra, que assina o texto da exposição e há mais de uma década acompanha o trabalho da artista.

Sobre a artista.

Ana Holck (Rio de Janeiro, 1977) é formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/UFRJ (2000), com Mestrado em História pela PUC-Rio (2003) e Doutorado em Linguagens Visuais pela EBA-UFRJ (2011). Inicia sua trajetória nos anos 2000, com instalações de grande formato, entre as quais, Elevados, no Paço Imperial (2005), Bastidor, no CCBB RJ (2010) e Splash, no SESC Pinheiros (2010). Entre suas mais recentes mostras individuais estão Ensaios Lineares, na Pinakotheke Cultural, Rio de Janeiro, e Deslocamentos Orbitais, na Zipper Galeria, São Paulo, ambas em 2024, e Entroncados, Enroscados e Estirados, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, em 2023. Entre as coletivas estão: O Espetáculo da Coerência (2026), na Maneco Muller Multiplo, Rio de Janeiro; Elas (2025), no MAC Niterói, Rio de Janeiro; Entre Elas (2025), na Amelie Maison D’Art, Paris; O Mistério das Coisas Por Baixo das Pedras e dos Seres (2024), no Museu Histórico da Cidade, Rio de Janeiro; Qual o tema (2024), na mul.ti.plo Espaço Arte, Rio de Janeiro, entre outras. Possui obras nos acervos do Itaú Cultural, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM Rio, MAM São Paulo, MAC Niterói, entre outros.

Até 17 de julho.

Casa70 Galeria tem nova artista representada.

06/maio

 

Idealizada pela empresária cultural Elis Valadares, a Casa70, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, anuncia a representação de Samira Pavesi, artista visual brasileira baseada em Vitória, Espírito Santo. Sua prática explora elementos visuais como grades e telas de contenção, frequentemente utilizando materiais encontrados ou aludindo à sua forma e dimensão simbólica por meio de gestos intuitivos. A pesquisa da artista investiga, conceitualmente a ambiguidade entre prisão e proteção, acúmulo e vazio, questionando a relação humana com a percepção de liberdade e manifesta-se em uma diversidade de suportes que inclui pintura, escultura, escrita, fotografia, instalação e assemblage.

Algumas de suas obras integram acervos públicos, como o da Justiça Federal do Espírito Santo, Fundação de Cultura de Ilhabela, SP (prêmio aquisição), Fundação de Cultura de Campo Mourão, PR (prêmio aquisição) e no Museu Regional do norte de Minas, Montes Claros – MG. Samira Pavesi participou de residências artísticas relevantes em iniciativas internacionais, incluindo o programa Joya AiR: Arte + Ecologia em Velez Blanco, Espanha, NOWHERE, em Lisboa e o PADA Studios, em Barreiro, Portugal. Sua formação inclui experiências na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, entre outras plataformas.

Samira Pavesi chega para reforçar o time de artistas representados pela galeria, entre eles Carolina Kasting, Diana Gondim, Fessal, Gabriela Cardoso, Heberth Sobral, Mariana Riena, Safe Art, e Volnei Malaquias. O espaço também reúne obras de Anna Bella Geiger, Antonio Dias, Carlos Vergara, Pietrina Checcacci e Rubens Gerchman, criando um diálogo entre diferentes gerações, linguagens e trajetórias da arte contemporânea brasileira. 

Linguagem a partir de diferentes suportes.

A exposição “Entre raízes e paredes”, nova individual da artista Denise Calasans, inaugura no dia 06 de maio, no Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, com curadoria de Marisa Flórido.

Carioca, com trajetória que atravessa o design, as artes visuais e a pesquisa em memória social, Denise Calasans desenvolve um trabalho que articula natureza, afeto e linguagem a partir de diferentes suportes, como pintura, instalação, vídeo e trabalhos têxteis. Sua produção investiga as relações entre o espaço doméstico e o território vegetal como campos de memória, gesto e construção simbólica. A exposição reúne um conjunto inédito de obras organizadas nos núcleos jardim e casa, propondo um percurso que atravessa materiais, temporalidades e formas de inscrição, onde o feminino se apresenta como força de transmissão e transformação.

“Jardim e casa – que operam como regimes sensíveis complementares: um voltado à dissolução das demarcações, à fluidez e à expansão do gesto; outro, à inscrição, à memória e à ambivalência do cotidiano. Entre ambos, a artista constrói um campo de ressonâncias, contaminações e porosidade das bordas: entre natureza e cultura, privado e o público, o inumano e o cultivado, o cuidado e a violência, a memória e o apagamento”, escreve Marisa Flórido. 

Até 20 de junho.

As cores naturais de Tito Terapia.

04/maio

A Galatea tem o prazer de apresentar “Terra, cores naturais e a potência de pertencer pelos tons”, primeira individual internacional do artista Tito Terapia (1977, São Paulo, Brasil) que abre no dia 12 de maio na Kevin Kramer Gallery, em Nova York.

A exposição reúne trabalhos inéditos de pequeno e médio formato, em que Tito mobiliza referências tanto da tradição da pintura clássica quanto da arte popular brasileira, dialogando com gêneros centrais do cânone figurativo, como a paisagem e a natureza-morta.

Suas pinturas entrelaçam memórias pessoais enquanto evocam as idiossincrasias de sua comunidade e de seu contexto social. O uso de pigmentos naturais coletados nos arredores de sua casa, na Zona Leste de São Paulo, aprofunda essa relação, incorporando a materialidade da paisagem em cada obra e reforçando a conexão entre sua produção e o território, atribuindo às telas um sentido de pertencimento e resistência.

A trajetória singular de Waltercio Caldas.

29/abr

Com cerca de 100 trabalhos, exposição percorre seis décadas da produção de Waltercio Caldas e apresenta uma leitura de sua trajetória singular, marcada pela investigação sobre tempo, espaço e percepção. Tempo, para Waltercio Caldas, é matéria de trabalho. Essa é a premissa que estrutura o (tempo), a exposição que a Casa Roberto Marinho, Cosme Velho, Rio de Janeiro, RJ,  inaugura no dia 14 de maio, reunindo cerca de 100 obras produzidas entre 1967 e 2025 por um dos nomes mais influentes da arte contemporânea brasileira. Projetada pelo próprio artista, a exposição ocupa os espaços da instituição com esculturas, pinturas, desenhos, livros e ambientes que abrangem seis décadas de produção e revelam a consistência de uma pesquisa rigorosa em torno das tensões entre forma, espaço e percepção.

Waltercio Caldas surgiu no cenário artístico brasileiro no final da década de 1960, em um momento de intensa renovação das artes visuais no país. Em diálogo com artistas e críticos que repensavam os limites da escultura, do objeto e da ideia de obra de arte, seu trabalho integrou a virada que deslocou o foco da representação para a experiência perceptiva e para o questionamento dos meios da arte. Desde então, sua trajetória vem sendo acompanhada por críticos como Paulo Venancio Filho e Paulo Sergio Duarte, que identificam em sua prática uma investigação rigorosa sobre linguagem, percepção e espaço.

Sobre o artista.

Waltercio Caldas nasceu em 1946, no Rio de Janeiro. Escultor, desenhista, artista gráfico e cenógrafo, estudou pintura com Ivan Serpa, em 1964, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Entre 1969 e 1975, fez desenhos, objetos e esculturas. Em 1973 sua primeira individual recebeu o prêmio de melhor exposição do ano pela Associação Brasileira de Críticos de Arte. Nos anos 1970, deu aulas no Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, e foi coeditor da revista Malasartes e do jornal A Parte do Fogo. Integrou a comissão de Planejamento Cultural do MAM Rio, responsável pela criação da Sala Experimental. Realizou exposições no Brasil e no exterior e foi agraciado pela Associação Brasileira de Críticos de Arte, em 1993, com o prêmio Mário Pedrosa, pelo conjunto da obra e por sua mostra individual realizada no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Esteve presente em várias Bienais de São Paulo, na Bienal de Veneza e na Documenta de Kasell (Alemanha). Na Bienal Entre Abierto, em Cuenca, Equador, em 2011, recebeu o prêmio com a obra Parábolas de Superfície. Participou da coletiva Art Unlimited em Basileia, Suíça. Em 2005 recebeu o grande prêmio da Bienal da Coreia. Seus trabalhos estão em coleções de importantes instituições, como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), o Museu Reina Sofia (Espanha), o Centro Georges Pompidou (França), o Museu de Arte (MASP), a Pinacoteca do Estado e o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Até 27 de setembro. 

Alice Yura na Pinacoteca de São Paulo.

28/abr

A Pinacoteca de São Paulo apresenta a exposição “Alice Yura: um ato fotográfico”, na Galeria Praça do edifício Pina Contemporânea, São Paulo, SP. Com curadoria de Thierry Freitas, a mostra reúne ensaios visuais recentes em diálogo com um robusto conjunto documental e material herdado da família da artista.

Vencedora do Prêmio FOCO ArtRio de 2022, Alice Yura (1990) nasceu em uma família de imigrantes japoneses que se estabeleceu no Brasil na década de 1950, e foi criada em um ambiente marcado pela produção de imagens. Seu avô, seu pai e seus tios atuaram como fotógrafos em sua cidade natal, no interior do Mato Grosso do Sul, experiência que atravessa e fundamenta sua prática artística. A artista aproxima a imagem dos campos da performance e da teatralidade, desdobrando sua pesquisa em torno da memória e da autobiografia.

Estruturada em três núcleos, a exposição articula diferentes tempos e regimes da imagem. No primeiro, são apresentados materiais provenientes do Foto Yura, estúdio fotográfico da família que, ao longo da segunda metade do século XX, constituiu-se como espaço central de sociabilidade em Aparecida do Taboado, no Rio Grande do Sul. Fotografias, objetos e documentos evidenciam tanto a trajetória da família quanto as transformações da fotografia, do analógico ao digital.

O segundo núcleo reúne o ensaio Foto Yura (2022), no qual a artista investiga suas heranças familiares ao mesmo tempo em que tensiona papéis sociais. Ao se colocar como modelo de seu pai, com o retrato do avô ao fundo, Alice Yura reencena uma linhagem marcada por um ofício historicamente masculino, deslocando as posições de autoria e representação. A exposição recria o cenário dessas imagens, convidando o público a ocupar esse espaço.

No terceiro núcleo, a artista se apropria de arquétipos da história da arte e de figuras da Antiguidade para reencená-los a partir de seu próprio corpo. Ao mobilizar essas imagens, Alice Yura propõe novas possibilidades de identificação e permanência, afirmando a produção de imagens por corpos transexuais como forma de construir lastro simbólico para além das convenções de gênero. A série Restos de Carnaval integra esse conjunto, assim como uma obra inédita na qual a artista se apresenta como Cupido, tensionando iconografias clássicas a partir de uma corporalidade dissidente. Ao tomar a biografia como eixo, a exposição propõe um deslocamento entre documento, memória e ficção, reafirmando a imagem como espaço de presença, encenação e fabulação.

MariAntônia recebe a mostra Rever Baravelli.

24/abr

O Centro MariAntonia da USP, Vila Buarque, São Paulo, SP, inaugura no dia 09 de maio, a exposição “REVER BARAVELLI”, dedicada à obra de Luiz Paulo Baravelli. Com curadoria de Maria Alice Milliet e realização da Galeria Marcelo Guarnieri, a mostra reúne aproximadamente 60 obras que atravessam diferentes momentos da trajetória de mais de cinquenta anos do artista.

A exposição propõe uma revisão panorâmica da produção de Baravelli, destacando a diversidade de procedimentos, técnicas e linguagens que caracterizam seu trabalho. Ao longo de décadas, o artista construiu uma obra marcada pela experimentação e pela articulação entre pintura, desenho, objeto e relevo. Em seu trabalho, observa-se uma vontade de extrapolar os limites do quadro, seja em pinturas que adquirem contornos orgânicos ao se afastarem do regime da moldura quadrangular; seja no uso da perspectiva, entendida menos como elemento regulador da visão e mais como força propositiva e vertiginosa, capaz de sugerir profundidades potencialmente infinitas na pintura.

Para a curadora Maria Alice Milliet, a prática de Baravelli se dá na interseção entre arte e artesania. Em seu processo, ele assume o papel de artista/artesão ao manipular materiais como madeira, acrílico ou metal para construir suportes e estruturas que expandem os limites da pintura. Sua iconografia incorpora desde desenhos de observação até uma ampla gama de imagens captadas em diversas mídias. Para tanto, recorre a estratégias como o ready-made e a colagem.

A exposição destaca núcleos importantes de sua pesquisa. Entre eles, as investigações sobre paisagem em sua construção ambígua entre interior e exterior e a recorrência do nu feminino, tema presente desde sua formação nos anos 1960. Nesse conjunto, destaca-se a série realizada em 1984 com a técnica da encáustica, na qual o artista abandona o desenho preparatório e passa a pintar diretamente sobre a tela, produzindo imagens de intensidade dramática e expressiva. Ao longo do percurso expositivo, o público encontrará trabalhos que transitam entre o bidimensional e o tridimensional, incluindo estruturas que evocam maquetes, relevos e pinturas que extrapolam os limites do quadro. Essa diversidade reflete a recusa de Baravelli em se ater a uma linguagem única, reafirmando seu interesse em capturar a complexidade e a instabilidade da realidade visível.

 

Sobre o artista. 

Luiz Paulo Baravelli é formado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, e por desenho e pintura pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). O artista iniciou sua carreira em meados dos anos 1960 produzindo pinturas, desenhos e colagens, influenciadas, de maneira mais direta, pela obra de Wesley Duke Lee, seu ex-professor na FAAP, e de modo mais amplo, pelo vocabulário da cultura Pop. Baseando sua prática na intersecção e troca entre a produção e o ensino de arte, Baravelli participa da fundação da Escola Brasil, em 1970, junto a José Resende, Carlos Fajardo e Frederico Nasser; da Revista Malasartes entre 1975 e 1976 e da Revista Arte em São Paulo entre 1981 e 1983, ambas junto a importantes artistas e críticos da cena contemporânea. Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas destacando-se: Bienal de São Paulo (Brasil); Bienal de Veneza (Itália); Bienal de Havana (Cuba); Bienal do Mercosul, Porto Alegre (Brasil); Museu de Arte de São Paulo (MASP- Brasil); Pinacoteca do Estado, São Paulo (Brasil); Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio (Japão); Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro (Brasil); Museu de Arte Moderna de São Paulo (Brasil); Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (Brasil); Itaú Cultural, São Paulo (Brasil); Museo de Arte Moderno de Buenos Aires (Argentina);  Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (Brasil); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (Brasil) e Paço Imperial, Rio de Janeiro (Brasil).

Até 26 de julho.