MariAntonia recebe a mostra Rever Baravelli.

24/abr

O Centro MariAntonia da USP, Vila Buarque, São Paulo, SP, inaugura no dia 09 de maio, a exposição “REVER BARAVELLI”, dedicada à obra de Luiz Paulo Baravelli. Com curadoria de Maria Alice Milliet e realização da Galeria Marcelo Guarnieri, a mostra reúne aproximadamente 60 obras que atravessam diferentes momentos da trajetória de mais de cinquenta anos do artista.

A exposição propõe uma revisão panorâmica da produção de Baravelli, destacando a diversidade de procedimentos, técnicas e linguagens que caracterizam seu trabalho. Ao longo de décadas, o artista construiu uma obra marcada pela experimentação e pela articulação entre pintura, desenho, objeto e relevo. Em seu trabalho, observa-se uma vontade de extrapolar os limites do quadro, seja em pinturas que adquirem contornos orgânicos ao se afastarem do regime da moldura quadrangular; seja no uso da perspectiva, entendida menos como elemento regulador da visão e mais como força propositiva e vertiginosa, capaz de sugerir profundidades potencialmente infinitas na pintura.

Para a curadora Maria Alice Milliet, a prática de Baravelli se dá na interseção entre arte e artesania. Em seu processo, ele assume o papel de artista/artesão ao manipular materiais como madeira, acrílico ou metal para construir suportes e estruturas que expandem os limites da pintura. Sua iconografia incorpora desde desenhos de observação até uma ampla gama de imagens captadas em diversas mídias. Para tanto, recorre a estratégias como o ready-made e a colagem.

A exposição destaca núcleos importantes de sua pesquisa. Entre eles, as investigações sobre paisagem em sua construção ambígua entre interior e exterior e a recorrência do nu feminino, tema presente desde sua formação nos anos 1960. Nesse conjunto, destaca-se a série realizada em 1984 com a técnica da encáustica, na qual o artista abandona o desenho preparatório e passa a pintar diretamente sobre a tela, produzindo imagens de intensidade dramática e expressiva. Ao longo do percurso expositivo, o público encontrará trabalhos que transitam entre o bidimensional e o tridimensional, incluindo estruturas que evocam maquetes, relevos e pinturas que extrapolam os limites do quadro. Essa diversidade reflete a recusa de Baravelli em se ater a uma linguagem única, reafirmando seu interesse em capturar a complexidade e a instabilidade da realidade visível.

 

Sobre o artista. 

Luiz Paulo Baravelli é formado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, e por desenho e pintura pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). O artista iniciou sua carreira em meados dos anos 1960 produzindo pinturas, desenhos e colagens, influenciadas, de maneira mais direta, pela obra de Wesley Duke Lee, seu ex-professor na FAAP, e de modo mais amplo, pelo vocabulário da cultura Pop. Baseando sua prática na intersecção e troca entre a produção e o ensino de arte, Baravelli participa da fundação da Escola Brasil, em 1970, junto a José Resende, Carlos Fajardo e Frederico Nasser; da Revista Malasartes entre 1975 e 1976 e da Revista Arte em São Paulo entre 1981 e 1983, ambas junto a importantes artistas e críticos da cena contemporânea. Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas destacando-se: Bienal de São Paulo (Brasil); Bienal de Veneza (Itália); Bienal de Havana (Cuba); Bienal do Mercosul, Porto Alegre (Brasil); Museu de Arte de São Paulo (MASP- Brasil); Pinacoteca do Estado, São Paulo (Brasil); Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio (Japão); Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro (Brasil); Museu de Arte Moderna de São Paulo (Brasil); Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (Brasil); Itaú Cultural, São Paulo (Brasil); Museo de Arte Moderno de Buenos Aires (Argentina);  Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (Brasil); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (Brasil) e Paço Imperial, Rio de Janeiro (Brasil).

Até 26 de julho. 

 

Granato e a força simbólica das máscaras.

A DAN Galeria Contemporânea, Itaim Bibi, São Paulo, SP, exibe a exposição “Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?” até 25 de junho.

A força das máscaras africanas é inegável. Como percebeu Picasso, a arte negra impressiona e não só por confrontar a estética naturalista, mas por ter na origem uma função mágica; ele viu as máscaras como instrumentos de comunicação.  No caso de Granato, a atração por essa iconografia, tão estranha aos códigos ocidentais, veio da busca de suas raízes culturais e do desejo de afirmação identitária. Tal como aconteceu com Picasso, não foram os valores formais que o seduziram, inicialmente, mas o reconhecimento da força simbólica das máscaras.

Os mascarados – usando costumes de fibras naturais e portando adereços feitos de peles, chifres, penas, conchas etc. – dançam e praticam gestos simbólicos conforme certas convenções. Essas atuações, guardadas todas as ressalvas, encontram ressonância nas práticas performáticas de Ivald Granato, atividades que atravessaram toda sua carreira e o fizeram reconhecido.

Sheroanawe Hakihiiwe apresenta Thapiri/Sonho.

A galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardins, apresenta “Thapiri/Sonho”, a primeira exposição individual de galeria de Sheroanawe Hakihiiwe em São Paulo, após sua apresentação individual no MASP, Tudo isso somos nós, em 2023. Artista yanomami radicado na Amazônia venezuelana, Hakihiiwe apresenta na FDAG Jardins um conjunto de pinturas e monotipias que articulam uma linguagem visual enraizada em saberes e modos de ver indígenas. Compostas por linhas, pontos, círculos e padrões repetidos, as obras, que foram expostas ano passado em mostra homônima no MAC Parque Forestal, em Santiago, no Chile, partem de observações do cotidiano na floresta. Rastros de animais, estruturas vegetais e formações naturais são traduzidas em um vocabulário gráfico marcado pela síntese e pelo ritmo.

Radicado na comunidade yanomami de Mahekoto-Theri, Hakihiiwe desenvolve uma prática que reflete a continuidade entre experiência vivida e imaginada. Suas composições ecoam as estruturas mnemônicas das tradições orais yanomami, nas quais repetição e acumulação operam como formas de sustentar e transmitir conhecimento entre gerações. Por meio desse procedimento, seu trabalho produz uma memória simultaneamente corporal, simbólica e coletiva.

As obras em exposição articulam aquilo que é observado durante o dia com o que é vivenciado nos sonhos: presenças, sinais e formas de conhecimento transmitidas por espíritos e outros seres. Nesta mostra, a pintura opera como registro e também como meio de passagem, situando o visitante em uma experiência em camadas, onde diferentes planos de existência se entrecruzam. A apresentação reflete o compromisso contínuo de Hakihiiwe com a preservação e ativação dos conhecimentos culturais, simbólicos e ecológicos de sua comunidade.

Neste ano, o trabalho de Hakihiiwe foi apresentado em importantes exposições internacionais, incluindo Wayamou: Lenguas de lo común, no Museo Tamayo, na Cidade do México, onde expõe em diálogo com Laura Anderson Barbata, de quem aprendeu, no início dos anos 1990, técnicas de produção de papel com fibras naturais em um intercâmbio de saberes. Atualmente, participa de Several Eternities in a Day: Form in the Age of Living Materials, no Hammer Museum, em Los Angeles, onde apresenta uma instalação de grande escala com pinturas e desenhos. O artista também integra Exposition Générale, na Fondation Cartier pour l’art contemporain, em Paris, mostra inaugural do novo espaço da instituição, que possui obras suas em sua coleção permanente.

As obras desta exposição foram exibidas pela primeira vez na Sala TAC, em Caracas, Venezuela, em 2023. No Chile,em 2025, a mostra Thapiri / Sueño teve curadoria de Paola Nava e Luis Romero. Agradecemos especialmente a Melina Fernández Temes e  Luis Romero da ABRA Caracas, galeria de Sheroanawe Hakihiiwe na Venezuela, também ao MAC de Santiago do Chile e Paola Nava por seu apoio e colaboração.

Até 13 de junho.

O vídeo comissionado de Rose Afefé.

23/abr

A Gentil Carioca noticia que a artista Rose Afefé participa da 61ª edição da Bienal de Veneza como parte de The Message Is in the Pattern, terceira edição do Post-National Digital Pavilion – programa digital desenvolvido pelo Institute of International Visual Arts (iniva) em colaboração com o British Council.

Desenvolvido em diálogo com a comissão do Pavilhão Britânico de Lubaina Himid, o projeto reúne artistas convidados a desenvolver novas obras digitais que exploram práticas sociais e artísticas, engajamento comunitário e processos de tradução cultural.

Nesta edição, Rose Afefé participa com mais duas artistas Anya Paintsil (Reino Unido) e Rajyashri Goody (Índia). Com curadoria de Beatriz Lobo, Rose apresenta um novo trabalho em vídeo comissionado no âmbito do programa.

Para quem não sabe, ela é a mulher que construiu uma cidade sozinha. Luiz Zerbini, 2024.

Rose Afefé nasceu em Varzedo, no interior da Bahia, em 1988. A partir do resgate de memórias da infância, a artista trabalha em várias mídias, incluindo instalação, pintura e fotografia. Iniciou em 2018 a construção da obra Terra Afefé, uma microcidade em escala humana construída com terra, utilizando a técnica do adobe (tijolo de barro cru) e pintada com cal. Situada na zona rural de Ibicoara, Bahia, na região da Chapada Diamantina, Terra Afefé se apresenta como um lugar de encontro e convivência, que relaciona arte e vida e fomenta perspectivas locais a fim de potencializar os saberes do território. A observação e a interação com a natureza são empregadas para conduzir produções de vida mais pulsantes e espontâneas. A poética desse território desdobra-se, por fim, na produção e fabulação imagética que cerca o fazer artístico de Rose Afefé.

Diferentes afetos e percepções.

22/abr

A Flexa, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, anuncia sua décima exposição, “Morar na cor”, que integra o programa de 2026 da galeria. A mostra tem curadoria assinada por Luisa Duarte e Daniela Avellar, e é acompanhada de texto crítico de Renato Menezes, curador da Pinacoteca de São Paulo. A coletiva propõe pensar a cor, na arte, para além de sua dimensão estritamente formal.

Partindo da compreensão de que os cromatismos são atravessados pela experiência, pela subjetividade e pelo cotidiano, a exposição coletiva entende toda paleta de cor enquanto um campo ativo, capaz de produzir diferentes afetos e percepções. A cor aparece, nas obras reunidas, como força estruturante dos trabalhos e da experiência proposta ao público, cuja expografia se inspira no trabalho do arquiteto mexicano Luis Barragán, e é assinada por Julio Shalders.

Ao tensionar a tradição ocidental que historicamente relegou a cor a um lugar de excesso ou até mesmo de superficialidade, “Morar na cor” propõe um deslocamento. Saindo do ornamento para ocupar o lugar do pensamento, a cor é capaz tanto de preencher o espaço expositivo como se presentificar nas distintas obras agrupadas, fazendo com que o espectador reflita sobre os sentidos simbólicos contidos na experiência cromática. O título da exposição se inspira no ensaio homônimo publicado por Lygia Pape em 1988. Nele, a artista reflete sobre a relação da cor com as moradias vernaculares cariocas.

Fazem parte da mostra Abraham Palatnik, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Aluísio Carvão, Amadeo Luciano Lorenzato, Amelia Toledo, Ana Claudia Almeida, André Ricardo, Antonio Ballester Moreno, Antonio Bandeira, AVAF, Beatriz Milhazes, Carlos Vergara, Cícero Dias, Dudi Maia Rosa, Frank Stella, Ione Saldanha, Jorge Guinle, Judith Lauand, Lucia Koch, Luiz Braga, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Marcone Moreira, Maria Leontina, Mariana Palma, Miguel Rio Branco, Milton Dacosta, Montez Magno, Paulo Pasta, Rafael Kamada, Rodrigo Cass, Rubem Valentim, Sol LeWitt, Tomie Ohtake, entre outros.

Exposição internacional de Dani Cavalier.

A Galatea tem o prazer de apresentar “Dani Cavalier: Tramadas”, primeira exposição internacional de Dani Cavalier, que abre no dia 23 de abril na LLANO, na Cidade do México. Realizada no contexto de um intercâmbio entre a LLANO e a Galatea, galeria que representa a artista, a mostra reúne trabalhos que integram a pesquisa de Dani Cavalier em torno das chamadas “pinturas sólidas”; Nelas, os limites entre pintura, escultura e instalação são tensionados por meio da justaposição de blocos de cor em tecidos reaproveitados.

Ao mesmo tempo em que partem de elementos estruturais da pintura convencional, como tela, chassi, cor e composição, as pinturas sólidas os subvertem. No lugar de tinta e pincel, a artista utiliza retalhos coloridos de Lycra, vindos da coleta de resíduos da produção do período em que esteve à frente de uma marca de moda praia.

Na mostra na LLANO, destacam-se séries que ampliam as possibilidades formais e conceituais de sua prática. Em “As Tensas”, Dani Cavalier trabalha com pedaços maiores de Lycra. As linhas não são recortadas, mas construídas pela força elástica do material ao ser grampeado ao chassi – gesto tradicional do preparo da tela que, aqui, antecede e já constitui a própria pintura. As transições entre cores evocam tanto a fisicalidade investigada pelo neoconcretismo, em diálogo com Lygia Clark, quanto a proximidade com as dobras e inflexões do corpo.

Já a série “Marquinha” parte da observação de que mesmo em materiais industriais, variações sutis de tonalidade podem ocorrer entre as produções dos lotes de lycra. A partir dessa constatação, a artista desenvolve composições que exploram variações de branco sobre branco e preto sobre preto, incorporando no título a referência às marcas deixadas pelo sol na pele.

Um campo de investigação sensível.

A artista Isabella Lemos de Moraes inaugura, no dia 09 de maio, a exposição “Quando a Mente Transborda”, sua primeira mostra individual, no Espaço BB, no Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ. Marcia Marschhausen, que assina a curadoria, selecionou cerca de 15 obras recentes, produzidas entre 2025 e 2026, que revelam diferentes momentos de seu processo criativo.

As obras apresentadas em “Quando a Mente Transborda” tensionam os limites entre controle e espontaneidade, configurando um campo de investigação sensível no qual matéria e emoção se entrelaçam. Cada tela registra um instante, um momento em que o gesto ultrapassa o limite da palavra e encontra, na pintura, sua forma de existência.

A produção abstracionista de Isabella dialoga com tradições da pintura moderna e contemporânea, evocando referências como Jackson Pollock, Gerhard Richter e Mark Rothko, especialmente no que se refere à relação entre abstração, matéria e expressão.

Até 19 de maio. 

A arte como eixo estruturante da linha.

17/abr

Leo Batistelli e Gaitee.

Coleção “Entre Linhas” na exposição “Leo Battistelli: água viva”.

A marca paulistana Gaitee lançou neste ano a coleção “Entre Linhas”, que toma a arte como eixo estruturante da linha. A coleção de inverno nasce do gesto criativo que transforma sentimentos em linguagem e expressão, traduzindo-se em peças que posicionam a arte como território de criação.

Foi nesse contexto que a marca realizou o shooting da coleção na unidade da Galatea na Rua Padre João Manuel, em São Paulo. As imagens foram produzidas durante a exposição “Leo Battistelli: água viva”, individual do artista argentino radicado no Rio de Janeiro. A mostra reuniu, no final de 2025, esculturas e painéis em cerâmica, porcelana, vidro, metais e minerais, explorando a relação entre matéria, luz e espiritualidade.

Obras como “Pôr do Sol” (2025), um painel de sete metros em cerâmica e cobre, “Iemanjá” (2004) e as séries de “Líquens”, em diferentes ligas e escalas, atravessam a maior parte das imagens produzidas, imprimindo às fotografias a materialidade e o imaginário presentes na exposição.

O vocabulário singular de Adriano Mangiavacchi.

Sob a curadoria de Vanda Klabin, o artista Adriano Mangiavacchi comemora 85 anos com exibição individual na Galeria Patrícia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, .

“Pintar é preciso e viver também”, enfatiza o artista italiano Adriano Mangiavacchi. Prestes a completar 85 anos – mais da metade deles vividos no Brasil -, ele parece personificar essa livre atualização do célebre verso de Fernando Pessoa. Desde 2023, Adriano Mangiavacchi vem se dedicando à aquarela, linguagem que passou a orientar sua produção mais recente. A leveza e a fluidez desse meio serviram de ponto de partida para a série de pinturas realizadas ao longo do último ano, agora apresentadas ao público no dia 12 de maio. Suas raízes, no entanto, permanecem vivas em sua trajetória e obra. Sem abdicar de suas referências, o artista constrói um vocabulário singular. Em seu texto curatorial, Vanda Klabin destaca afinidades entre Adriano Mangiavacchi e o seu conterrâneo Emilio Vedova, expoente da action painting, cujos impulsos gestuais encontram eco em sua pintura.

Sobre o artista

Adriano Mangiavacchi nasceu em Roma, onde iniciou sua formação artística na Escola Artifici, e depois na Academia de Brera, em Milão. Na década de 1970, imigrou para o Brasil e decidiu fixar residência no Rio de Janeiro para trabalhar como engenheiro industrial na fábrica de automóveis italianos Fiat e Alfa Romeo. Conhece Luiz Aquila, quando passa a frequentar o seu curso de pintura, em Petrópolis. Em 1980 assume de fato   a vocação pela arte, ingressando no grupo de Paulo Garcez, com quem aprende a disciplina de trabalho, a procura da linguagem, a postura crítica. Em 1986, véspera de eleições, documentou os restos de propagandas que cobriam os muros da cidade. A dramaticidade e espontaneidade dessas intervenções acabaram por influenciar uma fase marcante de sua carreira, em um momento de grande potencial pictórico. “A cidade é uma fonte de inspiração extraordinária”, afirma.

Até 06 de junho.

Como funcionam os vulcões.

16/abr

Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, exibe até 18 de abril “Como funcionam os vulcões”, exposição coletiva que inaugurou o programa de 2026 da Carpintaria. A mostra reúne obras de Amélia Toledo, Arthur Chaves, Barrão, Cerith Wyn Evans, Ernesto Neto, Ivens Machado, Janaina Wagner, Leda Catunda, Maria Manoella e Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Yuli Yamagata.

“Como funcionam os vulcões” toma a imagem do vulcão como metáfora para uma formação cultural complexa. Longe de um fenômeno visível ou imediato, a exposição evoca processos que se desenvolvem ao longo do tempo, acumulando pressões, desejos, conflitos e fantasias até alcançar um ponto de liberação. Nesse sentido, o Carnaval é proposto não apenas como espetáculo, mas como a manifestação de um longo processo de gestação moldado por forças sociais, materiais e simbólicas.

Percorrendo escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura e técnicas mistas, a exposição enfatiza como o sentido se produz por meio da duração e da persistência material. As obras reunidas lidam com dinâmicas de acúmulo, transformação e emergência. Reunindo artistas de diferentes gerações e posições, a mostra apresenta práticas atentas a estados de latência e erupção, suspensão e excesso. Materiais são reunidos, sobrepostos, esticados, comprimidos ou colocados em movimento, registrando tensões entre controle e imprevisibilidade, estrutura e instabilidade. O encontro com as obras se dá entre o maravilhamento e a tensão, entre o que é encenado e o que permanece em estado latente.

As formas sugerem processos prolongados de fazer e desfazer, enquanto as disposições espaciais evidenciam limiares – entre interior e exterior, contenção e transbordamento, antecipação e liberação. Em vez de ilustrar um fenômeno social ou natural, essas obras operam em condições análogas de pressão e transformação.