Sustentar o Efêmero.

13/abr

No Rio de Janeiro, o Ateliê397 acompanha a realização da exposição “Sustentar o Efêmero”, no Sesc Ramos RJ, com curadoria de Thais Rivitti e Juliana Monachesi, e assistência de Sophia Faustino.

A mostra reúne artistas participantes do grupo Rosa Choque, que se encontra quinzenalmente em um processo contínuo de troca e desenvolvimento de pesquisa. A exposição propõe refletir sobre como a arte pode reter, elaborar ou tensionar a dimensão efêmera da experiência, reunindo trabalhos em diferentes linguagens, como pintura, fotografia, colagem, escultura, instalação e bordado.

Venha nos visitar na Travessa Dona Paula (São Paulo – SP), de quarta a sábado, das 14h às 18h, e no Sesc Ramos (Rio de Janeiro – RJ), de terça a domingo, das 9h às 17h

Diferentes linguagens da produção contemporânea.

Exposição coletiva com 22 artistas propõe reflexão sobre a presença feminina na produção contemporânea. Juliana Monaco Art apresenta até 26 de abril no Solar Fábio Prado, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, a mostra coletiva “Arte e Mulher” reunindo 22 artistas em torno de um recorte que atravessa diferentes linguagens da produção contemporânea. Com curadoria de Juliana Mônaco, a exposição articula pintura, escultura, fotografia, bordado e arte digital em um conjunto que evidencia a diversidade de procedimentos e a singularidade das trajetórias apresentadas.

Participam da mostra Anne Walbring, Baby Gras, Bruna Fernandes, Carol Poci, Cintia Gardioni, Debora Faria, Diana Salomone, Elis, Erica Nogueira, Illuzione, Leila Biscuola, Luiza Whitaker, Maria Theresa Muniz, Mary Carmen, Miazoe, Reco Marder, Sandra Quinto, Silvia Ferreira, Sissi Soares, Suzy Fukushima, Vanessa Del Bel e Viviane Coghi. A reunião dessas artistas reforça o caráter plural da exposição, em que diferentes práticas e pesquisas se articulam em um campo de convivência e contraste.

Ao longo da história, a presença feminina no campo das artes foi frequentemente condicionada por estruturas que limitaram visibilidade, circulação e reconhecimento. Ainda que esse cenário venha sendo progressivamente transformado, a afirmação de trajetórias e a consolidação de espaços de legitimação seguem em processo. Nesse contexto, a mostra se insere como parte de um movimento mais amplo de ampliação de repertórios e reposicionamento de narrativas. As obras apresentadas não se organizam a partir de um eixo homogêneo. Ao contrário, configuram um campo em que distintas práticas coexistem e se tensionam, revelando modos de fazer que transitam entre elaboração formal, experimentação e memória. O gesto artístico assume papel central, operando como ponto de conexão entre experiências diversas e evidenciando processos que articulam pensamento e materialidade.

Ao ocupar o espaço expositivo, cada trabalho afirma uma presença própria, ao mesmo tempo em que se insere em uma dinâmica coletiva. A curadoria atua nesse ponto de articulação, estabelecendo um percurso em que o olhar do público é conduzido por aproximações, contrastes e ressonâncias entre as obras, sem diluir suas especificidades. Sem recorrer a definições fixas, “Arte e Mulher” se constrói a partir da ideia de multiplicidade. O conjunto apresentado evidencia um panorama em que diferentes vozes se afirmam de maneira autônoma, ampliando as possibilidades de leitura sobre a produção contemporânea e contribuindo para o reconhecimento de práticas que historicamente buscaram – e seguem buscando – seu lugar no campo artístico.

Nino Cais na Galeria Lume.

10/abr

Nino Cais, artista multifacetado contemporâneo, ganha um novo desdobramento do seu trabalho na Galeria Lume, Jardim Europa, São Paulo, SP, com a exposição individual “Uma nova Ideia de voo”, com curadoria de Ana Carolina Ralston. A mostra propõe um mergulho na versatilidade do artista, no qual transita entre fotografia, colagem, vestimenta, escultura e vídeo para tensionar uma questão central em sua trajetória: o que constitui a identidade e como ela se transforma quando suspensa.

Partindo da ideia de que a tragédia emerge do embate entre duas verdades, a exposição evoca narrativas da mitologia grega para pensar o instante de passagem que antecede o renascer. Em diversas obras, rostos são cobertos por livros, embalagens e outros materiais, deslocando o protagonismo da face tradicionalmente associada ao reconhecimento e ao pertencimento e instaurando uma zona de opacidade. Ao velar, Nino Cais interrompe o olhar do outro e sugere a dissolução temporária dos vínculos sociais que estruturam o indivíduo. O gesto dialoga com o conceito de liminaridade formulado pelo antropólogo Arnold van Gennep, que define o período intermediário dos rituais de passagem como um tempo fértil, instável e transformador. O véu, recorrente nas obras, atua como uma membrana simbólica: cria a opacidade necessária para atravessar a experiência e permitir a reintegração sob uma nova configuração identitária.

No campo formal, o artista amplia a discussão ao subtrair partes de corpos e de estruturas arquitetônicas históricas, explorando a volumetria da imagem impressa. Ao “desbastar” fotografias e livros, Nino Cais transpõe para o papel um procedimento tradicional da escultura, redesenhando o pensamento escultórico em chave expandida. A imagem deixa de ser estritamente bidimensional e se torna tridimensional, ao afirmar a sua própria condição de objeto, uma presença física que por si só, ocupa e existe como forma.

Na sala externa da galeria, em frente a um pequeno jardim, a exposição se desdobra em um ambiente que evoca um viveiro de criaturas em transmutação. O diálogo com Constantin Brancusi emerge especialmente na relação com a série Maiastra, inspirada na ave mítica romena associada à luz e à metamorfose. Assim como em Brancusi a maiastra não representa um pássaro literal, mas a própria ideia de voo, Nino Cais se apropria dessa noção para criar novas formas a partir do tangram jogo de origem chinesa composto por sete peças geométricas. Fragmentando e recompondo capas de livros antigos, sobretudo de mitologias gregas e egípcias, o artista dá origem a pássaros e seres híbridos que preservam sua identidade material, mas transformam seu sentido conforme a posição e o encaixe. O procedimento também estabelece um diálogo com o pensamento neoconcreto, ao tratar o objeto como experiência sensível e relacional, deslocando-o da condição estática para um campo expandido de significados. Ao tensionar presença e apagamento, superfície e volume, integridade e ruína, Nino Cais constrói um território de suspensão. Suas obras habitam o intervalo, nem imagem plena, nem fragmento inerte e convidam o público a atravessar esse estado liminar. Entre o gesto de velar e o de revelar, o artista propõe uma reinvenção do olhar: tocar essas presenças em trânsito é, também, aceitar a possibilidade de renascer em uma nova ideia de voo.

Até 11 de maio.

Fonte: Dasartes.

Janaina Tschäpe na Fortes D’Aloia & Gabriel.

09/abr

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “piruetas de olhos abertos”, nova exposição de Janaina Tschäpe, sua primeira individual em São Paulo desde 2019. Ocupando o espaço da galeria na Barra Funda, a mostra reúne uma seleção de pinturas panorâmicas de grande formato em óleo e bastão de óleo, aquarela e pastel. Produzidas entre seu ateliê em Nova York, onde vive, e Bocaina, em Minas Gerais, seu refúgio no Brasil, as obras são construídas por meio de marcações amplas e caligráficas que combinam uma fluência próxima à escrita com massas turbulentas de cor em constante mistura. Em um processo de trabalho próximo às dinâmicas naturais, a artista aborda a pintura como um campo de instabilidade e resposta. Gesto e desenho operam em tensão: a imediaticidade da pincelada encontra a resistência da linha, cada uma alternadamente interrompendo e desacelerando a outra. Em vez de construir uma imagem resolvida, o trabalho se desdobra como um acontecimento moldado pelo tempo, pela troca e pela transformação.

A paisagem de Bocaina, marcada por vegetação densa, afloramentos minerais, luz em constante mutação e os ritmos mais lentos de um ambiente não urbano, informa essas composições de maneira decisiva. Em vez de representar lugares específicos, Janaina Tschäpe absorve a atmosfera da região, traduzindo sua umidade, verticalidade e seus horizontes estratificados em campos de cor e marcação. warm field (Giftgrün) (2026), uma pintura de grandes dimensões, é atravessada por essa sintonia com os ambientes naturais. Uma disposição turbulenta de vermelhos terrosos, ocres e marrons forma uma atmosfera mineral na qual irrompem verdes que evocam visões fugazes de vegetação. O que está em jogo é uma coerência sob pressão – a estrutura que emerge do próprio processo. Essa sensibilidade se desdobra em diálogo com a vida da artista em Nova York, onde a complexidade do tecido urbano, a velocidade vertiginosa e a arquitetura desorientadora da cidade oferecem uma experiência espacial contrastante que permeia sutilmente as pinturas. Uma obra como swept away (2026) expressa esse clima: as fronteiras porosas entre céu, água e terra encontram ecos em composições fluidas e vaporosas, nas quais abstração e paisagem convergem.

O espaço social na era digital.

Peter Halley apresenta uma nova exposição na Almeida & Dale Fradique, São Paulo, SP, “The American Connection”, primeira exposição do estadunidense no Brasil em cinco anos, apresentando um conjunto de pinturas recentes, com suas icônicas cores fluorescentes e estruturas de células que expandem o quadro.

Halley despontou como um dos principais nomes do pós-conceitualismo na década de 1980, e é reconhecido por suas pinturas geométricas fluorescentes que enfatizam cores e sistemas. Suas obras empregam a linguagem da abstração geométrica para explorar a organização do espaço social na era digital.

“As obras da exposição ”The American Connection” assumem a representação metafórica dos dispositivos eletrônicos ligados por condutores. São células que remetem aos sistemas neuronais ou de terminais informáticos, mas poderiam ser celas de uma prisão, como sugerem os títulos de algumas das pinturas recentes aqui expostas”, escreve Antonio Gonçalves Filho, diretor cultural da Almeida & Dale.

Com títulos como Cell (célula ou cela) e Prision (prisão), as pinturas refletem sobre as estruturas da organização social em uma produção artística que se identifica com o pensamento estruturalista e de filósofos franceses como Foucault, Baudrillard e Lyotard. Igualmente, as formas de sua obra parecem responder ao isolamento e individualização do momento atual. Como completa Gonçaves Filho: “o pintor mostra como a sedução da fluorescência e o antinaturalismo das luzes de computadores e celulares acabam por aprisionar o indivíduo contemporâneo”.

Até 30 de maio. 

O Paço Imperial e suas gestões.

08/abr

Como parte da exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, será realizada neste sábado, dia 11, às 15hs, a mesa de conversa “O Paço e suas gestões”, com a participação da diretora Claudia Saldanha e dos ex-diretores Lauro Cavalcanti e Paulo Sérgio Duarte, com mediação do historiador de arte e professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, Ivair Reinaldim. A conversa, que será realizada na Sala dos Archeiros, será gratuita e aberta ao público.

Com curadoria de Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, em parceria com a equipe da instituição, a mostra “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” ocupa 12 salões e os dois pátios internos com cerca de 160 obras de 130 artistas, de diferentes gerações, que fazem parte da história do centro cultural, como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Denilson Baniwa, Hélio Oiticica, Iole de Freitas, Ivens Machado, Luiz Aquila, Luiz Zerbini, Lygia Clark, Lygia Pape, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Roberto Burle Marx, Tunga, entre muitos outros. Completam a mostra uma série de vídeos feitos pela Rio Arte com alguns artistas nas décadas de 1980 e 1990.

Ao longo de sua história, o Paço Imperial realizou exposições com diversas vertentes, que vão desde arte contemporânea até arte popular, passando por arquitetura, design, paisagismo, história e patrimônio. Desta forma, a exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” abrange esse conceito e traz a ideia de reunião, sem hierarquia, juntando os artistas contemporâneos aos artistas populares, unindo diferentes gerações, técnicas e suportes em uma única mostra, dividida por núcleos temáticos. “Se a palavra constelação define um agrupamento de estrelas, cosmologicamente distantes umas das outras, mas conectadas pela imaginação humana, constituindo uma forma reconhecível com finalidades diversas, aqui reunidas, as obras produzidas por diferentes gerações de artistas procuram reforçar sua singularidade, assim como sua interação por proximidade”, afirmam os curadores, que ressaltam também a importância da constelação institucional, com obras emprestadas por diversos parceiros, como Instituto Moreira Salles, Museu Bispo do Rosário, Museu de Imagens do Inconsciente, Museu de Arte do Rio, Museus Castro Maya, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu do Folclore e Sítio Roberto Burle Marx.

A exposição é complementada por 15 vídeos da série sobre arte contemporânea produzida pela Rio Arte, com artistas como Amilcar de Castro (filmado no Paço Imperial durante sua exposição em 1989), Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Lygia Clark, Lygia Pape, Tunga, entre outros. 

Composições e profundidades abissais.

A Gentil Carioca anuncia a representação da artista Mariana Rocha.

Sobre a artista.

Mariana Rocha é artista visual e professora, graduada em Artes Visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2013) e possui Mestrado em Artes Visuais pela mesma instituição (2021). Sua obra aborda questões relacionadas ao corpo, à memória e ao feminino, em trabalhos que se encontram nas interseções entre o desenho e a pintura, a performance e a fotografia. Em sua pesquisa, investiga a existência de um mar dentro do próprio corpo, entendendo ambos como universos equiparáveis em suas composições e profundidades abissais, além de tecer relações com a fauna marinha, especialmente com os animais classificados como moluscos.

Recentemente a artista realizou a individual “Pele inquieta”, parte do 34º Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo (CCSP), e participou da coletiva “Tromba d’água”, junto a 13 artistas mulheres latino-americanas no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Em 2025, apresentou sua primeira individual n’A Gentil Carioca, no Rio de Janeiro, “Desde Sempre o Mar”, e integrou a coletiva “Pequenas Pinturas III”, no Auroras, em São Paulo. No ano anterior, participou das coletivas “Visões do céu e da Terra”, na Pinacoteca de São Paulo; “Espelhos d’água viva”, no Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro; e “Dos Brasis – Arte e Pensamento negro”, no SESC Belenzinho (São Paulo) e no SESC Quitandinha (Rio de Janeiro). Suas obras integram os acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Instituto Inhotim, MG.

Núcleo Pop-Art Brasileira.

07/abr

A Galatea ocupa o estande F06 da SP-Arte 2026, que começa nesta quarta-feira, dia 08, e segue até domingo, dia 12, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, São Paulo, SP.

A novidade na edição deste ano é a seção do estande dedicada a obras que se inscrevem no campo da Pop Art. Intitulado “Pop Art Brasileira: uma política de contrastes”, o núcleo reúne obras dos anos 1960 e 1970, auge da Pop Art no Brasil, um dos movimentos que retomou a representação figurativa dentro do contexto da Ditadura Militar no país e transformou a estética industrial e da cultura de massa em crítica política e social.

Destaque para “Une Serpent contre l’enfant” (1968), de Antonio Dias, exemplo da linguagem gráfica e uso de cores vibrantes do movimento e “Verão 6” (1967), de Glauco Rodrigues, abordagem crítica e bem-humorada da cultura e da iconografia carioca. O núcleo inclui ainda outros artistas essenciais, como Antonio Henrique Amaral, Montez Magno, Georgete Melhem, Vilma Pasqualini, Cláudio Paiva, Antonio Manuel, Pietrina Checcacci e Rubens Gerchman.

Nova artista representada pela Galatea.

02/abr

A Galatea tem o prazer de anunciar a representação da artista Mucki Botkay (Rio de Janeiro, 1958 – vive e trabalha no Rio).

A inventiva de Mucki Botkay com cores começa no fim da década de 1970, quando, após cursar artes decorativas na École Supérieure des Ensembliers, em Genebra, retorna ao Brasil. Aqui, dá continuidade à pintura, mas decide que ela deveria ser tridimensional. Bordando a tela, entremeando fios e criando linhas difusas, a artista produz uma pintura feita sem tinta, mas com uma matéria – a miçanga – que toca, em cor e vibração de energia, a alma brasileira.

O jornalista e curador Leonel Kaz indaga: “A função do artista não é a de criar algo fora do banal para acrescentar ao mundo o que ainda não foi visto? É o que Mucki consegue fazer com as telas bordadas, em que os fios invisíveis sustentam miçangas que fazem brotar uma paleta de cores de aguda contemporaneidade – cores desenvolvidas pela artista, exclusivamente, para os seus trabalhos. O resultado são pinturas que impactam o olhar com diferentes percepções dos ecossistemas da Mata Atlântica (manguezais, laguna, restingas), não só reencenando a natureza, como também esticando a figuração de modo a flertar com a abstração.”

A partir dessa decomposição da natureza, Mucki Botkay constrói cenas que operam como convites à contemplação e à imaginação de um universo vivo. Essas imagens se apresentam como “janelas imaginárias” – título, inclusive, de sua primeira exposição individual pela Galatea, realizada em Salvador em 2024. Em junho deste ano, Mucki Botkay também apresentará sua primeira individual internacional na galeria Anat Ebgi, em Los Angeles, e em novembro exibe novamente na Galatea, dessa vez em São Paulo.

Mostra a dois na Gomide&Co.

01/abr

A Gomide&Co, Bela Vista, São Paulo, SP, apresenta “Alexandre da Cunha – Dudi Maia Rosa”, exposição que propõe estabelecer um diálogo entre duas práticas que, a partir de procedimentos distintos, compartilham um interesse profundo pela materialidade e pelo potencial transformador de materiais industriais. A exposição segue em cartaz até 23 de maio. O texto crítico é da crítica de arte e curadora independente Fernanda Morse.

Desde os anos 1980, Dudi Maia Rosa (São Paulo, 1946) desenvolve um trabalho singular que tensiona os limites tradicionais da pintura. Utilizando resina poliéster e fibra de vidro, o artista constrói superfícies ora translúcidas e ora opacas, nas quais cor, estrutura e suporte surgem simultaneamente. Diferentemente da pintura convencional, em que a imagem é aplicada sobre uma base preexistente, em suas obras a própria matéria pictórica constitui o corpo do trabalho.

Ao comentar o encontro entre os dois artistas na exposição, Alexandre da Cunha reconhece a importância que artistas da geração de Dudi Maia Rosa tiveram na formação de seu próprio repertório. Segundo ele, tratou-se de um grupo que operou com grande liberdade diante dos limites disciplinares da pintura e da escultura: “…o Dudi faz parte de uma geração que teve bastante influência na minha prática em algum momento. Esses artistas fizeram algo muito corajoso. No caso do Dudi, ainda mais, porque há uma liberdade enorme no trabalho dele”. Alexandre da Cunha destaca especialmente a fluidez com que o artista transita entre diferentes escalas e configurações formais. Por sua vez, Dudi Maia Rosa observa no trabalho de artistas como Alexandre da Cunha um deslocamento significativo na relação com a matéria e com os objetos do cotidiano, no qual elementos provenientes da cultura material contemporânea passam a ser reorganizados em composições que preservam algo de sua origem ao mesmo tempo em que adquirem novas qualidades formais.

Apesar das diferenças de linguagem, o encontro entre os dois artistas revela afinidades importantes. Tanto nas “pinturas-objeto” de Dudi Maia Rosa quanto nas “esculturas pictóricas” de Alexandre da Cunha, materiais associados ao universo industrial – como plásticos, resinas e fibras sintéticas – tornam-se centrais na construção da obra. Em ambos os casos, esses elementos são deslocados de seus contextos habituais e reinscritos em novas relações entre forma, espaço e percepção, evidenciando como a experimentação com a matéria pode expandir os limites tradicionais da pintura e da escultura.

A Gomide&Co agradece às galerias Almeida & Dale, representante de Dudi Maia Rosa, e Luisa Strina, representante de Alexandre da Cunha, por apoiarem a realização da exposição.