A obra de Portinari em Pequim.

03/jun

 

Uma das maiores exposições internacionais já dedicadas a Candido Portinari será apresentada em Pequim a partir de 08 de junho, marcando um novo capítulo na circulação global da arte brasileira. Com cerca de 60 obras, “O Brasil de Portinari” ocupa o Museu Nacional da China – o segundo museu mais visitado do mundo, localizado na Praça da Paz Celestial e com fluxo diário de cerca de 30 mil visitantes.

A escala do projeto impressiona: ao longo de quatro meses, a mostra ter´um público estimado em cerca de 4 milhões de pessoas, consolidando-se como uma das maiores plataformas de difusão internacional já dedicadas a um artista brasileiro.

Além do conjunto de obras, a exposição incorpora uma experiência digital imersiva de última geração, ampliando a leitura da produção de Portinari para além do formato expositivo tradicional e dialogando com o perfil de grandes instituições globais.

A abertura antecipada para o dia 08 de junho não é casual. No dia seguinte, o museu recebe o Fórum Global de Diretores de Museus, encontro que reúne lideranças de algumas das principais instituições do mundo. A mudança de data atende a um pedido da própria instituição chinesa, permitindo que esses diretores tenham acesso à exposição – um gesto que reforça o caráter estratégico da mostra.

Inserida no contexto do Ano da Cultura e do Turismo Brasil-China 2026, a iniciativa ultrapassa o campo artístico e se posiciona como instrumento de diplomacia cultural. Ao mobilizar um dos nomes mais reconhecidos da arte brasileira, o projeto constrói uma narrativa de identidade nacional voltada ao exterior, ao mesmo tempo em que fortalece laços institucionais entre os dois países.

Celebrando os 80 anos de Peticov.

02/jun

O Centro Cultural São Paulo apresenta “Peticov – A Exposição”. A mostra celebra os 80 anos de Antonio Peticov com mais de 400 obras do artista que tem papel pioneiro na projeção das artes plásticas brasileiras no exterior, cuja obra articula criação visual, matemática, ciência, geometria sagrada e filosofia.  

Com curadoria de Fábio Magalhães Gouvêa, a exposição reúne pinturas, gravuras, desenhos, esculturas, instalações e capas de discos, oferecendo um panorama abrangente da produção do artista, que viveu intensamente o cenário cultural da Tropicália. O público também irá se deparar com a inédita instalação “Pau de Arara”, trabalho que remete à repressão sofrida pelo artista e pela produção cultural durante o período da Ditadura militar. Outro núcleo reúne a série “O Tarô”, composta por 78 cartas criadas a partir das obras de Peticov em parceria com Marta Putz; além da série “Mitos do Folclore Brasileiro”, conjunto de 22 desenhos que também integram o livro “Brasil Encantado – Mitos e Mistérios do Nosso Folclore”, desenvolvido ao lado do escritor Eduardo Bueno. O livro será lançado em 03 de junho, data de abertura da mostra ao público.

Sobre o artista.

Antonio Peticov nasceu em 02 de julho de 1946, em Assis, interior de São Paulo. Iniciou sua carreira artística em 1965 e construiu uma trajetória internacional marcada pela experimentação e inovação. Participou das IX, X e XX Bienais de São Paulo e realizou exposições individuais em importantes instituições, como o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, além de mais de uma centena de exposições em galerias e instituições culturais nos cinco continentes. Pintor, escultor, desenhista, gravurista, holografista e programador visual, Peticov também é autor de 12 livros dedicados à sua obra e pensamento artístico. 

Até 02 de agosto.

Abstracionismos no MARGS.

01/jun

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), apresenta a exposição “Além da forma – Abstracionismos no MARGS, anos 1940-1970”. Exibição sob curadoria de Francisco Dalcol, segue em exibição até 05 de julho. A mostra explora um dos mais fascinantes temas da história da arte do século 20, a abstração nas artes visuais, um período de inovações e rupturas radicais, de impacto definitivo para a produção artística.

A seleção contempla desde nomes notórios, como Alfredo Volpi, Fayga Ostrower, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Yutaka Toyota, até artistas menos reconhecidos, além de mulheres pioneiras da abstração no Rio Grande do Sul, como Christina Balbão e Vera Chaves Barcellos.

O conjunto ainda inclui obras de artistas cuja produção se relaciona diretamente à arte abstrata (como Alfredo Volpi, Emanoel Araujo, Fayga Ostrower, Hércules Barsotti, Lothar Charoux, Luiz Barth, Nelson Ellwanger, Nelson Wiegert, Paulo Osório Flores e Rubens Costa Cabral), assim como de artistas que surpreendem por terem enveredado pela abstração (como Glauco Rodrigues), sem jamais terem defendido-a ou se assumido como não figurativos (como Carlos Scliar e Carlos Petrucci), ou ainda que chegaram a condená-la e atacá-la (como Danúbio Gonçalves). Também estão incluídas obras que, mesmo não sendo plenamente abstratas, permitem perceber a sua influência na experimentação formal e expressiva.

O patrimônio e suas comunidades.

26/maio

A mostra permanente Arte Pública Cerâmica – Edição Saquarema está entregue para preservar a memória de Saquarema, valorizar o patrimônio e suas comunidades tradicionais, com 67 imagens em fotocerâmica, em painel com 2m². Fixado no dia 07 de maio em área externa da emblemática Casa da Pedra, o painel resgata as memórias do município, que estão preservadas e aberta para visitação dos moradores, turistas e público em geral que frequenta o espaço.

Idealizado pela artista visual e ceramista, Julia Botafogo, com curadoria de Joanna da Hora, a partir da pesquisa histórica de Tainá Miê, o projeto Pedagogia do Barro destaca um dos eixos centrais da realização, quando uma chamada pública reuniu mais de 400 fotografias – cerca de metade enviadas por moradores, revelando narrativas sobre pesca, modos de vida, relações familiares, transformações da paisagem e memórias afetivas do território.  

A artista destaca que o conceito de “Pedagogia do Barro” amadureceu ao longo da experiência, especialmente a partir da reflexão sobre memória e permanência. “Uma das ideias que surgiu desse processo foi pensar a criação de vestígios para o futuro. A cerâmica permanece. Mesmo que um dia o painel não exista mais na parede, esses fragmentos podem sobreviver enterrados, como acontece com os sambaquis. Talvez daqui a milhares de anos alguém encontre esses cacos e reconstrua histórias sobre esse lugar.” Para Julia Botafogo, essa dimensão amplia o sentido da obra pública: “O projeto não fala só do presente. Ele cria marcas materiais capazes de atravessar o tempo.”

Fotografias do arquivo pessoal das comunidades e, também, com a colaboração de instituições locais, responsáveis por cerca de 200 fotografias provenientes de diferentes acervos, como: o Museu do Sambaqui; o Templo do Rock; o Museu de Conhecimentos Gerais; e, o acervo do Centro de Memória de Saquarema, de onde vieram mais de 170 imagens e que foi fundamental como ponto de partida para a pesquisa e para a definição dos recortes curatoriais da ação.

Poetic Living por Jean-Michel Othoniel.

25/maio

Jean-Michel Othoniel apresenta sua primeira exposição institucional, “Poetic Living”, na Casa de Vidro, Morumbi, em São Paulo, SP. Com texto de Bruno Simões, curador do InstituBardi/Casa de Vidro, reúne novas obras do artista francês, criadas especialmente para ocupar a casa em diálogo com a arquitetura e a produção de Lina Bo Bardi, além de aquarelas inspiradas nas flores do jardim da casa.

Por ocasião da abertura, foi lançada a coleção cápsula Zodiac Signs, criada em prata, ouro e pedras preciosas em colaboração com a THEYA. A exposição tem apoio da Simões de Assis e permanecerá em cartaz até 11 de julho.

Sobre o artista.

Jean-Michel Othoniel (Saint-Étienne, França, 1964) é um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, graduado pela École Nationale Supérieure d’Arts, na França, e com formação na Villa Medici, na Itália. Suas esculturas, em diálogo com dimensões arquitetônicas, operam uma geometria monumental. Esculpe peças que se assemelham a joias, tanto pelo aspecto formal, quanto pelo preciosismo dos materiais, que vão de contas a tijolos de vidro de Murano soprado. Suas formas contemplativas navegam pelos reinos paradoxais da monumentalidade e delicadeza, do ornamento e do minimalismo. Com mais de 100 exposições individuais ao redor do mundo, além de centenas de exposições coletivas, Jean-Michel Othoniel foi amplamente premiado, com destaque para a distinção de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras da França. Suas obras integram importantes coleções internacionais como, o Centre Pompidou, a Fondation Cartier pour L’art Contemporain, em Paris; o Musée National d’Art Moderne de Paris; o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, o Brooklyn Museum, em Nova York; o Museum of Glass, em Tacoma; a Peggy Guggenheim Collection, em Veneza; o Museum of Contemporary Art (MoCA), Miami; e o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York.

Sobre a Casa de Vidro.

Considerada um ícone da arquitetura moderna brasileira, a Casa de Vidro foi o primeiro projeto construído da arquiteta Lina Bo Bardi. Residência do casal Bardi por mais de 40 anos, foi, desde sua inauguração em 1951, ponto de encontro de artistas, arquitetos e intelectuais. Hoje, enquanto sede do Instituto Bardi/Casa de Vidro, continua sendo um espaço ativo e de troca de conhecimento aberto ao público, cumprindo seu papel de perpetuar o pensamento e a obra de Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi.

Rodrigo Cass e a Geometria Sensível.

21/maio

A Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa inaugurou a exposição “Geometria Sensível”, de autoria de Rodrigo Cass na Escola das Artes, no Porto, a primeira exposição individual do artista em Portugal, com organização da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com a Brotéria, e também na Brotéria, em Lisboa, no dia 26 de maio. 

No cerne da exposição está a noção de “geometria sensível”, que se manifesta nas formas, nas cores e nos gestos que atravessam as obras. Mais do que uma abordagem estritamente formal, essa geometria revela-se como um campo de tensão entre racionalidade e intuição, onde estruturas geométricas se articulam com experiências sensoriais e afetivas. Assim, o trabalho de Rodrigo Cass expande-se para uma dimensão em que gestos ativam planos e objetos, instaurando relações dinâmicas entre matéria e percepção, ao mesmo tempo em que evoca uma dimensão mística atravessada pelos quatro elementos – terra, água, ar e fogo – como forças primordiais que informam, transformam e vitalizam.

Sobre o artista.

Rodrigo Cass nasceu em São Paulo, SP, 1983. O artista dialoga com a tradição construtiva da arte brasileira por meio de um vocabulário formal que alude aos experimentos concretos e neoconcretos das décadas de 1960 e 1970. O interesse do artista por intersecções e fraturas do plano pictórico é notável, fazendo com que suas superfícies adquiram dimensões volumétricas no espaço em telas, relevos e vídeos. Concreto, fibra de vidro e linho, coloridos com têmpera, são alguns de seus materiais mais utilizados. Projetadas sobre objetos esculturais, as obras em vídeo de Rodrigo Cass fundem a fisicalidade da performance com a lógica pictórica, em que a cor e a textura aparecem como elemento construtor do espaço. Em sintonia com o carácter tecnicamente híbrido e conceitualmente polivalente da prática de Rodrigo Cass, o gesto do corpo comunica-se com a pincelada sobre a superfície da pintura, criando um campo de ressonâncias entre possibilidades formais e uma espacialidade virtual.

Celebrando a obra do escultor Carlos Tenius.

19/maio

O MAPA (Museu de Arte do Paço) inaugurou a exposição “Carlos Tenius – Voo Livre”, com curadoria de Paula Ramos e Eduardo Veras, na Praça Montevidéu, nº 10 (antiga prefeitura de Porto Alegre), coincidindo com o Dia Nacional do Artista Plástico, e aniversário do escultor.

A mostra celebra a obra máxima de Carlos Tenius, o “Monumento aos Açorianos” (1974), uma homenagem da Coordenação de Artes Visuais – CAV ao artista, que apresenta esculturas, desenhos inéditos, materiais de imprensa, documentos, cadernos pessoais e fotografias que contam as etapas de fundição, montagem e inauguração do monumento, há cinco décadas. Sua obra, método e atuação como artista-professor são referências, inspirando pesquisas sobre materialidade e dimensão pública, conectando memória histórica à produção artística contemporânea.

Presença de artistas mulheres em exposição.

14/maio

A Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB) inaugurou a exposição coletiva “Há pouco?”, com curadoria de Bruna Fetter, professora do Instituto de Artes da UFRGS e diretora cultural da instituição. A abertura ocorreu na Fundação Vera Chaves Barcellos, Sala dos Pomares, Rodovia Tapir Rocha, 8480 (parada 54), Viamão, RS. 

Há pouco? reúne obras de mais de 90 artistas mulheres e abrange diversas linguagens, como gravura, desenho, fotografia, pintura, arte postal e vídeo. Composta inteiramente por trabalhos pertencentes ao acervo artístico da Fundação Vera Chaves Barcellos, a mostra constitui um recorte institucional até então inédito e plural, que celebra a variedade de gerações, saberes, contextos, temáticas, mídias e escalas. 

Nas palavras da curadora Bruna Fetter: “Esta exposição parte da dupla possibilidade de interpretação de um simples jogo de palavras – há pouco – como disparador de uma reflexão sobre passagem do tempo, percepção de visibilidade, inserção profissional e representatividade. Estamos falando sobre a presença de artistas mulheres no acervo da Fundação Vera Chaves Barcellos, constituído a partir do olhar, interesses, relações profissionais e afetivas de uma artista mulher. Um acervo que soma mais de 1.500 obras de mais de 200 artistas mulheres.”

Artistas participantes. 

Lygia Clark, Mira Schendel, Regina Silveira, Anna Letycia, Vera Chaves Barcellos, Ione Saldanha, Maria Lídia Magliani, Lygia Pape, Anna Bella Geiger, Jac Leirner, Anna Maria Maiolino, Judith Lauand, Regina Vater, Maria Lucia Cattani, Karin Lambrecht, Maria Tomaselli, Carmela Gross, Zoravia Bettiol, Romanita Disconzi, Susana Mentz, Rosângela Rennó, Shirley Paes Leme, Sonya Grassmann, Lia Menna Barreto, Elaine Tedesco, Angela Jansen, Esther Ferrer, Margarita Kremer, Conceição Piló, Mara Alvares, Sonia Castro, Gerty Saruê, Marilice Corona, Nara Amélia, Ana Baxter, Johanna Vanderbeck, Lorena Geisel, Letícia Ramos, Elza Lima, Marina Rheingantz, Téti Waldraff, Brígida Baltar, Anna Esposito, Teresa Poester, Sonia Moeller, Dora Longo Bahia, Marilá Dardot, Maristela Salvatori, Marilene Burtet Pieta, Thereza Miranda, Helena Kanaan, Heloisa Schneiders da Silva, Maria de Lourdes Sanchez Hecker, Helena Martins-Costa, Liliana Porter, Celina Almeida Neves, Germana Monte-Mór, Lenora de Barros, Sophia Martinou, Lurdi Blauth, Camila Schenkel, Elida Tessler, Nazareth Pacheco, Gisela Waetge, Dione Veiga Vieira, Monika Funke Stern, Flavya Mutran, Mitti Mendonça, Rochele Zandavalli, Glaucis de Morais, Mariane Rotter, Susana Solano, Vitória Cribb, Carolina Gleich, Mary Dritschel, Marta Penter, Glória Munayer, Diana Domingues, Claudia Dal Canton, Laura Lima, Maria di Gesu, Laura Fróes, Ana Miguel, Lenir de Miranda, Simone Michelin Basso, Sandra Cinto, Vilma Sonaglio, Jeanette Chávez, Letícia Parente, Laura Miranda, Mônica Infante, Marlies Ritter, Regina Ohlweiler e Sofia Borges.

Sobre a Fundação Vera Chaves Barcellos.

Em atividade desde 2005, a Fundação Vera Chaves Barcellos – FVCB é uma instituição cultural privada e sem fins lucrativos, com atuação em Viamão e Porto Alegre, RS. Tem como missão preservar, pesquisar e difundir a obra da artista Vera Chaves Barcellos e a Coleção Artistas Contemporâneos, bem como incentivar a formação de público, a criação artística e a investigação das artes visuais da década de 1960 até os dias atuais. A FVCB atua em prol da transformação da sociedade através da democratização da arte, com uma programação acessível e gratuita voltada para diversos públicos. 

Visitação: até 11 de julho. 

Uma memória reinventada pelo sagrado.

13/maio

O Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN) celebra seus 21 anos de fundação com um presente à cidade: a apresentação do Centro Cultural Pretos Novos, novo espaço de arte e educação localizado à Rua do Livramento, 119, no bairro da Gamboa, Rio de Janeiro. A abertura ao público acontece no dia 13 de maio, às 17 horas, data não escolhida por acaso: é a mesma que, em 2005, viu nascer o IPN e que, na história do Brasil, marca a assinatura da Lei Áurea, em 1888.

Sobre o artista.

Geleia da Rocinha é artista visual carioca, nascido e criado na Rocinha, maior favela do Brasil. Autodidata, desenvolve uma linguagem plástica marcada pelo uso expressivo da cor, pela força do traço e por referências à cultura afro-brasileira, à religiosidade e à vida nas comunidades periféricas. Seus trabalhos são amplamente incorporados em cenográficas e projetos gráficos de grande repercussão na cena cultural nacional. Sua obra ocupa um lugar singular na cena da arte contemporânea brasileira por unir estética popular e engajamento político.

Sobre a curadoria.

O curador e museólogo, Marco Antonio Teobaldo, tem se dedicado à pesquisa e profunda relação com a cultura afro-brasileira desde 2008.

Memória à Flor da Tela

Em 1869, o fotógrafo alemão Alberto Henschel (Berlim – Alemanha, 13 de junho de 1827 / Rio de Janeiro – Brasil, 30 de junho de 1882) percorreu Recife com sua câmera e fixou, sobre papel e prata, os rostos de africanos escravizados. Eram retratos encomendados sob o signo do olhar colonial, imagens que documentavam corpos negros como objetos de curiosidade, classificação e posse. O registro sobreviveu. Os nomes, não. Mais de um século e meio depois, Geléia da Rocinha olha para essas fotografias e recusa a lógica que as produziu. O que ele devolve não é uma memória restaurada pela nostalgia, mas uma memória reinventada pelo sagrado. Em cada tela da sua mais nova série, Memória à flor da tela, pinturas em acrílica sobre MDF, produzidas em seu ateliê em São Gonçalo, uma figura fotografada por Henschel ressurge adornada com os símbolos, as cores e as insígnias dos orixás do Candomblé. Onde havia um retrato sem nome, há agora uma divindade. Onde havia um corpo marcado pela violência colonial, há uma presença espiritual que transcende qualquer arquivo.

Marco Antonio Teobaldo – Curador e museólogo

A geometria de Beatriz Milhazes na Pinacoteca

12/maio

Grande nome da arte brasileira, Beatriz Milhazes é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.

“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz Milhazes com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press – estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos. A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.

A exposição “Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” estará em cartaz desde 16 maio de 2026 até 14 de março de 2027.