Investigando memória e conexões.

07/out

 artista visual Katia Wille investiga conexões entre a natureza-morta, o corpo feminino e a memória em exposição no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ, sob curadoria de Fernanda Terra.

A ideia de suspensão encontra uma tensão particular na pesquisa elaborada pela artista Katia Wille sobre a flor como corpo e matéria. Partindo dessa investigação que permeia sua trajetória desde 2013, Fernanda Terra selecionou cerca de 20 pinturas em acrílica sobre tela produzidas recentemente e que serão apresentadas em sua mostra individual  “À Carne da Flor”, que inaugura dia 17 de outubro, sábado, às 15h. Completam o conjunto objetos em matelassê e cadernos de desenho e pesquisa da artista.

“Existe uma tentativa desse corpo de sair da forma que o abriga, porque ela já o oprime. A louça se parte, o vaso racha e seus fragmentos passam a integrar a própria composição das obras. A ruptura também aparece na madeira, nos dípticos e nos mosaicos, fazendo da fragmentação uma parte constitutiva das imagens”, afirma Fernanda Terra.

A relação entre corpo feminino, forma e contenção, pontos fundamentais nessa mostra, encontra uma camada histórica particular no próprio espaço onde será apresentada, o Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo. O lugar  leva o nome de uma mulher que desempenhou um importante papel na vida cultural do Rio de Janeiro e na circulação de artistas e intelectuais em seu tempo. A presença de Laurinda Santos Lobo estabelece uma conexão direta com um dos temas que atravessam a exposição: a experiência das mulheres em diferentes momentos históricos e as formas pelas quais suas vozes, corpos e produções encontram espaço de existência e reconhecimento.

Sobre a artista.

Katia Wille é artista visual e pesquisadora. Sua pesquisa estende-se a trabalhos têxteis, instalações e processos colaborativos, incorporando resíduos, bordado e práticas de reutilização como modos de investigar memória, materialidade e construção simbólica. Projetos como Tota Machina (2018-2026), dedicado às relações entre arte e inteligência artificial, e O Avesso do Vestir, desenvolvido no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea (2023-2024), ampliam essa investigação para contextos tecnológicos e coletivos. Realizou exposições individuais no Brasil e no exterior, entre elas Tudo é Corpo (Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, 2025), I Wear My Insides Out (the Blanc Gallery, Nova York, 2024) e Pilotis (Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte, MG, 2022).

Até 03 de janeiro de 2027.

Abertura de um novo campo de investigação.

O artista Rodrigo de Castro, retoma a pintura a partir da experiência tridimensional em nova exposição. Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não representou uma ruptura, muito pelo contrário:  a abertura de um novo campo de investigação. Agora, na exposição “Rodrigo de Castro: A Ordem Sensível”, que abre no dia 15 de outubro, percorre o caminho inverso.

Com curadoria assinada, mais uma vez, por Vanda Klabin, a mostra reúne trabalhos nos quais Rodrigo de Castro amplia sua pesquisa sobre estrutura, equilíbrio, ritmo e percepção. “As esculturas nasceram, num primeiro momento, da observação das telas. A vontade de fazer com que a cor ocupasse o espaço me levou a pesquisar uma maneira de construir essa cor como escultura. Então, as esculturas se alimentavam, vamos dizer assim, do pensamento das pinturas. Eu percebo que agora acontece um diálogo no sentido inverso: a observação das esculturas me levou a trazer para o plano as complexidades que as esculturas criaram no espaço….Então, essas observações das esculturas abriram um caminho diferente, um novo caminho de pesquisa para levar como fonte daquela cor no espaço as maneiras de realizar isso na pintura. Há uma convergência maior entre cor, espaço e luz, fazendo fluir um diálogo mais intenso entre o que é pintura e o que é escultura porque na verdade é tudo fruto de um mesmo pensamento”, diz Rodrigo de Castro.

Sobre o artista.

Nascido em Belo Horizonte e formado em Engenharia, Rodrigo de Castro atualmente vive e trabalha em São Paulo, onde mantém seu ateliê, tendo realizado sua última individual no Rio de Janeiro em 2023. Ao longo de sua trajetória, participou de diversas coletivas e tem no currículo cerca de dez exposições solo, uma delas em Lisboa, em 2019. Atuou como curador em algumas mostras de seu pai, o artista e escultor Amílcar de Castro.

Até 14 de novembro. 

Individual de Ana Calzavara no Rio de Janeiro.

05/out

Artista paulista apresenta trabalhos inéditos criados durante uma intensa temporada de trabalho em Lisboa. Em “Desenredo”, pinturas convidam a uma renovação do olhar diante de um mundo saturado de imagens. 

Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir dessas questões que Ana Calzavara constrói “Desenredo”, sua segunda exposição individual na Maneco Müller : Multiplo Galeria, Leblon. 

A série inédita de pinturas a óleo aprofunda a investigação poética da artista sobre a experiência do olhar e a forma como apreendemos as imagens em um cotidiano atravessado por telas e fluxos incessantes de informação. Partindo dessa fragmentação, as pinturas de Ana Calzavara buscam justamente o contrário: captar do espectador um olhar mais duradouro e concentrado, no qual a atenção seja, de alguma forma, recuperada.

O texto crítico da mostra é de Pedro Duarte.

Segundo a artista, o nome da exposição, “Desenredo”, remete a esse embaralhamento do olhar, a uma narrativa que explodiu, se despedaçou e não é mais linear. “A exposição traz essa experiência da fragmentação, mas numa tentativa de subvertê-la. Quero provocar o espectador para olhar o mundo de uma forma diferente da que estamos acostumados. A exposição nasce do desejo de renovar a experiência do espectador com a imagem, de fazer com que essa imagem se relacione com ele de uma forma mais persistente, que não seja descartada, que traga uma reflexão”, explica a artista.

Mostra abre no dia 08 de outubro e pode ser visitada até 21 de novembro.

Origem urbana ganha novas configurações.

01/out

Bruno Bogossian retorna às exposições individuais no Rio de Janeiro depois de uma década. Com mais de 25 anos de trajetória e ex-integrante do Fleshbeck Crew, coletivo fundamental para a história do grafite carioca, o artista apresenta na Artur Fidalgo galeria, Copacabana, trabalhos inéditos que transitam entre pintura, desenho e escultura. 

Em “Caleidoscópica”, sua pesquisa de origem urbana ganha novas configurações em meio a cores vibrantes, formas geométricas, fragmentos botânicos, vestígios arquitetônicos e referências ao imaginário social. A mostra também celebra uma relação especial: são 10 anos de parceria entre Bruno Bogossian e a Artur Fidalgo galeria.

Objetos simbólicos do cotidiano.

Em sua primeira exposição individual, “Uma certa memória”, sob curadoria de Vanda Klabin, na Artur Fidalgo galeria, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, Emika Takaki apresenta uma série de pinturas recentes que transitam por objetos simbólicos do cotidiano. Suas telas funcionam como potentes metáforas visuais em torno do silêncio, da ancestralidade e da diáspora nipo-brasileira.

Através de rigorosos campos monocromáticos e do uso de cores escassas, o trabalho de Emika Takaki transforma o ato de olhar em um espaço de contemplação e encontro profundo entre o passado e o presente, a nostalgia e o esquecimento.

Até 30 de outubro.

Momento de renovação poética e formal.

29/set

A Athena, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta “Sair do próprio caminho e deixar o mundo entrar”, exposição de Rafael Alonso. Com texto de Luna Grimberg, a mostra reúne um conjunto inédito de pinturas realizadas em seu novo ateliê, instalado na antiga casa da pintora Lucia Laguna, no bairro do Rocha, Zona Norte do Rio de Janeiro. A mudança de endereço marca também uma inflexão significativa na trajetória do artista, revelando um momento de renovação poética e formal.

A casa, seus quintais e a vizinhança característica dos subúrbios cariocas – marcada por construções em constante transformação e soluções arquitetônicas informais – passam a integrar diretamente o campo de observação do artista. Estes entornos constituem uma nova experiência do cotidiano e reorganizam o seu modo de olhar e de pintar.

As obras, inéditas, apontam para uma sensível transformação em relação à produção anterior de Rafael Alonso. Agora em formatos menores, convidam a uma aproximação mais íntima, instaurando um ritmo de observação pausado e silencioso.

Exposição de Suely Farhi no CCJF.

28/set

O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ, abre, no dia 13 de outubro, a exposição “As Palavras”, da artista e poeta visual carioca Suely Farhi. Com curadoria de Luiza Interlenghi, a  mostra reunirá dez instalações, produzidas desde 1994 até hoje, incluindo obras inéditas, que trazem como tema o universo feminino. Esta será a primeira vez que a artista reúne trabalhos com essa temática.

“Suely Farhi investiga o limiar entre palavra, imagem e espaço – a linguagem transmuta a realidade. As palavras – substantivo feminino plural – desenham o invisível e aderem aos objetos para iluminar a força da mulher”, escreve a curadora Luiza Interlenghi no texto sobre a concepção da exposição.   

Além das obras inéditas, outras mais antigas foram atualizadas. “A temática principal do meu trabalho são esses pontos de tensão, de questionamento, de pensamento. Eu nem notava se estava fazendo algo que era feminino ou não”, afirma a artista. Sobre a atualização de algumas obras, ela diz: “Acho que esse milênio está ensinando a ver muito claramente algumas questões. Não quer dizer que eu não fosse feminista, mas a gente vai sabendo e vendo mais claramente certas coisas, inclusive até do meu próprio passado, coisas que vivi sem falar”, completa.

Na última semana da exposição, será realizado o jogo “Oráculo dos pensamentos”, às 17h, criado pela artista. Será realizado no dia 19 de novembro, com a participação dos artistas e poetas visuais Adriana Maciel, Elaine Pauvolid, Martha Niklaus, Maria Moreira, Monica Barki, Fernanda Junqueira, Fernando Gerheim, Simone Cupello, Xico Chaves e outros. “O jogo é um objeto facilitador de conversas públicas. Cartas estarão sobre as cadeiras e os artistas começam a ler um trecho do texto ao acaso. Ao ler uma frase do oráculo fala o que pensa, sente, intui ou deseja. E assim segue o jogo”, conta a artista.

Sobre a artista. 

Suely Farhi nasceu no Rio de Janeiro, em 1957, onde vive e trabalha. É arquiteta, artista e poeta visual. Explora os sentidos que brotam no encontro entre palavras e lugar. Realizou várias exposições individuais no Rio de Janeiro, como no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), Museu da República, no Paço Imperial, entre outros. Participou de mais de 100 exposições coletivas no Brasil e no exterior. Participou de antologias de poesia visual, como “Obra nome”, no Museu de Alcobaça, Portugal, com curadoria Wagner Barja; “Yá sé leer – imagén y escritura en el arte latinoamericano”, no Centro Wifredo Lam y la Galería Rubén Martínez Villena de la Habana Vieja, Cuba, com curadoria Ibis Hernández Abascal, Margarita Sánchez, Sandra Contreras y Elvia Rosa Castro; “Europalia”, em Bozar, Bruxelas, Bélgica, com curadoria de Sonia Salcedo del Castillo e “Visualidades Brasileiras – Funarte 50 anos”, no Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro, com curadoria de Luiza Interlenghi.

Até 22 de novembro. 

Oficinas gratuitas de capacitação para mulheres

25/set

Como parte da exposição “Amazônicas: Poéticas femininas”, serão realizadas em outubro duas oficinas gratuitas no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ). 

Nos dias 01 e 02 de outubro, será realizada a oficina de “Produção Executiva para Exposições de Artes Visuais”, com Stella Paiva, produtora cultural e gerente de produção do Museu de Arte do Rio (MAR).  

Nos dias 29 e 30 de outubro, acontecerá a oficina “Criação de Projetos de Performance”, com a artista Cristiane Martins. A programação é gratuita e exclusiva para mulheres (mediante autodeclaração). 

“Essas oficinas de economia criativa foram pensadas para o avanço das mulheres, ampliando a formação técnica e artística de quem está começando ou querendo começar uma carreira profissional no universo artístico e atuar em grandes projetos….”, afirma Sissa Aneleh, curadora e diretora artística da exposição “Amazônicas: poéticas femininas”.

Sobre a exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas”.

A exposição apresenta um amplo panorama da arte produzida por mulheres da região amazônica, desde a década de 1970 até os dias de hoje. São trabalhos feitos em diferentes suportes, como pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte, das artistas Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wɨra Tini e Yaka Huni Kuin.

Sobre o Museu das Mulheres.

O Museu das Mulheres (Museu DAS), sediado em Brasília, é o primeiro museu brasileiro dedicado a valorizar e dar visibilidade à produção artística, cultural e histórica de mulheres. Possui programação em artes plásticas e visuais, cinema, eventos, além de programa educativo, área de pesquisa, acervo e editora própria.

Um importante papel na cena cultural carioca.

23/set

Na última segunda-feira, 21 de setembro, A Gentil Carioca recebeu a Medalha Pedro Ernesto, uma das principais honrarias concedidas pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

A cerimônia aconteceu na sede da Câmara e reuniu amigos, artistas, familiares e a equipe d’A Gentil Carioca para celebrar o reconhecimento à trajetória da galeria e sua contribuição para a vida cultural da cidade ao longo de seus 23 anos de história.

Os sócios Ernesto Neto, Elsa Ravazzolo, Laura Lima e Marcio Botner receberam a medalha em nome d’A Gentil Carioca e compartilharam algumas palavras durante a cerimônia. A homenagem foi conduzida pela vereadora Tatiana Roque e contou também com a presença e as palavras do secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha.

A Medalha Pedro Ernesto é concedida a pessoas e instituições que se destacam por sua atuação na sociedade e pela contribuição à cidade do Rio de Janeiro. A homenagem reconhece, assim, a trajetória d’A Gentil Carioca e seu papel na cena cultural carioca ao longo de mais de duas décadas.

Construir outros modos de ver.

21/set

A Gentil Carioca apresenta “Ballet Noir: O Pós-Virtuosismo”, nova exposição de O Bastardo, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ. Com texto crítico de Osmar Paulino (Curador Negro), a exposição permanece em cartaz até 24 de outubro.

A partir da figura da bailarina negra, O Bastardo investiga as relações entre corpo, movimento e representação, tensionando os códigos que historicamente definiram o que é considerado arte, técnica e virtuosismo. Em diálogo crítico com a tradição da pintura europeia e com as representações da dança, o artista desloca o olhar para outras corporalidades, experiências e histórias que permaneceram à margem dessas narrativas.

Nas pinturas, O Bastardo volta-se não apenas para a beleza do movimento, mas também para aquilo que o sustenta: o esforço, o cansaço, o descanso, o gesto e a própria maquinaria do corpo. A partir de sua experiência como homem e pintor negro afro-brasileiro, o artista constrói outras possibilidades de representação, colocando em questão as hierarquias que atravessam a produção e a experiência da arte.

“Ballet Noir: O Pós-Virtuosismo” propõe, assim, uma contravisualidade, uma afrovisualidade, recusando a virtuosidade como medida de legitimidade e reivindicando outras formas de produzir e experimentar a imagem. Um manifesto visual sobre corpo, poder e a possibilidade de construir outros modos de ver.

Até 24 de outubro.