A trajetória singular de Waltercio Caldas.

29/abr

Com cerca de 100 trabalhos, exposição percorre seis décadas da produção de Waltercio Caldas e apresenta uma leitura de sua trajetória singular, marcada pela investigação sobre tempo, espaço e percepção. Tempo, para Waltercio Caldas, é matéria de trabalho. Essa é a premissa que estrutura o (tempo), a exposição que a Casa Roberto Marinho, Cosme Velho, Rio de Janeiro, RJ,  inaugura no dia 14 de maio, reunindo cerca de 100 obras produzidas entre 1967 e 2025 por um dos nomes mais influentes da arte contemporânea brasileira. Projetada pelo próprio artista, a exposição ocupa os espaços da instituição com esculturas, pinturas, desenhos, livros e ambientes que abrangem seis décadas de produção e revelam a consistência de uma pesquisa rigorosa em torno das tensões entre forma, espaço e percepção.

Waltercio Caldas surgiu no cenário artístico brasileiro no final da década de 1960, em um momento de intensa renovação das artes visuais no país. Em diálogo com artistas e críticos que repensavam os limites da escultura, do objeto e da ideia de obra de arte, seu trabalho integrou a virada que deslocou o foco da representação para a experiência perceptiva e para o questionamento dos meios da arte. Desde então, sua trajetória vem sendo acompanhada por críticos como Paulo Venancio Filho e Paulo Sergio Duarte, que identificam em sua prática uma investigação rigorosa sobre linguagem, percepção e espaço.

Sobre o artista.

Waltercio Caldas nasceu em 1946, no Rio de Janeiro. Escultor, desenhista, artista gráfico e cenógrafo, estudou pintura com Ivan Serpa, em 1964, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Entre 1969 e 1975, fez desenhos, objetos e esculturas. Em 1973 sua primeira individual recebeu o prêmio de melhor exposição do ano pela Associação Brasileira de Críticos de Arte. Nos anos 1970, deu aulas no Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, e foi coeditor da revista Malasartes e do jornal A Parte do Fogo. Integrou a comissão de Planejamento Cultural do MAM Rio, responsável pela criação da Sala Experimental. Realizou exposições no Brasil e no exterior e foi agraciado pela Associação Brasileira de Críticos de Arte, em 1993, com o prêmio Mário Pedrosa, pelo conjunto da obra e por sua mostra individual realizada no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Esteve presente em várias Bienais de São Paulo, na Bienal de Veneza e na Documenta de Kasell (Alemanha). Na Bienal Entre Abierto, em Cuenca, Equador, em 2011, recebeu o prêmio com a obra Parábolas de Superfície. Participou da coletiva Art Unlimited em Basileia, Suíça. Em 2005 recebeu o grande prêmio da Bienal da Coreia. Seus trabalhos estão em coleções de importantes instituições, como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), o Museu Reina Sofia (Espanha), o Centro Georges Pompidou (França), o Museu de Arte (MASP), a Pinacoteca do Estado e o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Até 27 de setembro. 

No Museu Vassouras.

28/abr

Chama-se “Chegança” a exposição de abertura do Museu Vassouras, desenvolvida a partir das narrativas e vivências do Vale do Café, marcando a chegada do Museu na cidade, e a reabertura do espaço para receber as pessoas, contar e compartilhar histórias.

Para que ela aconteça, o curador Marcelo Campos com a assistência curatorial de Thayná Trindade,  costuraram narrativas, mais de 150 obras e 65 artistas para promover um encontro entre pesquisa, escuta e celebração.

O vídeo comissionado de Rose Afefé.

23/abr

A Gentil Carioca noticia que a artista Rose Afefé participa da 61ª edição da Bienal de Veneza como parte de The Message Is in the Pattern, terceira edição do Post-National Digital Pavilion – programa digital desenvolvido pelo Institute of International Visual Arts (iniva) em colaboração com o British Council.

Desenvolvido em diálogo com a comissão do Pavilhão Britânico de Lubaina Himid, o projeto reúne artistas convidados a desenvolver novas obras digitais que exploram práticas sociais e artísticas, engajamento comunitário e processos de tradução cultural.

Nesta edição, Rose Afefé participa com mais duas artistas Anya Paintsil (Reino Unido) e Rajyashri Goody (Índia). Com curadoria de Beatriz Lobo, Rose apresenta um novo trabalho em vídeo comissionado no âmbito do programa.

Para quem não sabe, ela é a mulher que construiu uma cidade sozinha. Luiz Zerbini, 2024.

Rose Afefé nasceu em Varzedo, no interior da Bahia, em 1988. A partir do resgate de memórias da infância, a artista trabalha em várias mídias, incluindo instalação, pintura e fotografia. Iniciou em 2018 a construção da obra Terra Afefé, uma microcidade em escala humana construída com terra, utilizando a técnica do adobe (tijolo de barro cru) e pintada com cal. Situada na zona rural de Ibicoara, Bahia, na região da Chapada Diamantina, Terra Afefé se apresenta como um lugar de encontro e convivência, que relaciona arte e vida e fomenta perspectivas locais a fim de potencializar os saberes do território. A observação e a interação com a natureza são empregadas para conduzir produções de vida mais pulsantes e espontâneas. A poética desse território desdobra-se, por fim, na produção e fabulação imagética que cerca o fazer artístico de Rose Afefé.

Diferentes afetos e percepções.

22/abr

A Flexa, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, anuncia sua décima exposição, “Morar na cor”, que integra o programa de 2026 da galeria. A mostra tem curadoria assinada por Luisa Duarte e Daniela Avellar, e é acompanhada de texto crítico de Renato Menezes, curador da Pinacoteca de São Paulo. A coletiva propõe pensar a cor, na arte, para além de sua dimensão estritamente formal.

Partindo da compreensão de que os cromatismos são atravessados pela experiência, pela subjetividade e pelo cotidiano, a exposição coletiva entende toda paleta de cor enquanto um campo ativo, capaz de produzir diferentes afetos e percepções. A cor aparece, nas obras reunidas, como força estruturante dos trabalhos e da experiência proposta ao público, cuja expografia se inspira no trabalho do arquiteto mexicano Luis Barragán, e é assinada por Julio Shalders.

Ao tensionar a tradição ocidental que historicamente relegou a cor a um lugar de excesso ou até mesmo de superficialidade, “Morar na cor” propõe um deslocamento. Saindo do ornamento para ocupar o lugar do pensamento, a cor é capaz tanto de preencher o espaço expositivo como se presentificar nas distintas obras agrupadas, fazendo com que o espectador reflita sobre os sentidos simbólicos contidos na experiência cromática. O título da exposição se inspira no ensaio homônimo publicado por Lygia Pape em 1988. Nele, a artista reflete sobre a relação da cor com as moradias vernaculares cariocas.

Fazem parte da mostra Abraham Palatnik, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Aluísio Carvão, Amadeo Luciano Lorenzato, Amelia Toledo, Ana Claudia Almeida, André Ricardo, Antonio Ballester Moreno, Antonio Bandeira, AVAF, Beatriz Milhazes, Carlos Vergara, Cícero Dias, Dudi Maia Rosa, Frank Stella, Ione Saldanha, Jorge Guinle, Judith Lauand, Lucia Koch, Luiz Braga, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Marcone Moreira, Maria Leontina, Mariana Palma, Miguel Rio Branco, Milton Dacosta, Montez Magno, Paulo Pasta, Rafael Kamada, Rodrigo Cass, Rubem Valentim, Sol LeWitt, Tomie Ohtake, entre outros.

Um campo de investigação sensível.

A artista Isabella Lemos de Moraes inaugura, no dia 09 de maio, a exposição “Quando a Mente Transborda”, sua primeira mostra individual, no Espaço BB, no Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ. Marcia Marschhausen, que assina a curadoria, selecionou cerca de 15 obras recentes, produzidas entre 2025 e 2026, que revelam diferentes momentos de seu processo criativo.

As obras apresentadas em “Quando a Mente Transborda” tensionam os limites entre controle e espontaneidade, configurando um campo de investigação sensível no qual matéria e emoção se entrelaçam. Cada tela registra um instante, um momento em que o gesto ultrapassa o limite da palavra e encontra, na pintura, sua forma de existência.

A produção abstracionista de Isabella dialoga com tradições da pintura moderna e contemporânea, evocando referências como Jackson Pollock, Gerhard Richter e Mark Rothko, especialmente no que se refere à relação entre abstração, matéria e expressão.

Até 19 de maio. 

O vocabulário singular de Adriano Mangiavacchi.

17/abr

Sob a curadoria de Vanda Klabin, o artista Adriano Mangiavacchi comemora 85 anos com exibição individual na Galeria Patrícia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, .

“Pintar é preciso e viver também”, enfatiza o artista italiano Adriano Mangiavacchi. Prestes a completar 85 anos – mais da metade deles vividos no Brasil -, ele parece personificar essa livre atualização do célebre verso de Fernando Pessoa. Desde 2023, Adriano Mangiavacchi vem se dedicando à aquarela, linguagem que passou a orientar sua produção mais recente. A leveza e a fluidez desse meio serviram de ponto de partida para a série de pinturas realizadas ao longo do último ano, agora apresentadas ao público no dia 12 de maio. Suas raízes, no entanto, permanecem vivas em sua trajetória e obra. Sem abdicar de suas referências, o artista constrói um vocabulário singular. Em seu texto curatorial, Vanda Klabin destaca afinidades entre Adriano Mangiavacchi e o seu conterrâneo Emilio Vedova, expoente da action painting, cujos impulsos gestuais encontram eco em sua pintura.

Sobre o artista

Adriano Mangiavacchi nasceu em Roma, onde iniciou sua formação artística na Escola Artifici, e depois na Academia de Brera, em Milão. Na década de 1970, imigrou para o Brasil e decidiu fixar residência no Rio de Janeiro para trabalhar como engenheiro industrial na fábrica de automóveis italianos Fiat e Alfa Romeo. Conhece Luiz Aquila, quando passa a frequentar o seu curso de pintura, em Petrópolis. Em 1980 assume de fato   a vocação pela arte, ingressando no grupo de Paulo Garcez, com quem aprende a disciplina de trabalho, a procura da linguagem, a postura crítica. Em 1986, véspera de eleições, documentou os restos de propagandas que cobriam os muros da cidade. A dramaticidade e espontaneidade dessas intervenções acabaram por influenciar uma fase marcante de sua carreira, em um momento de grande potencial pictórico. “A cidade é uma fonte de inspiração extraordinária”, afirma.

Até 06 de junho.

A geometria de Rubem Valentim.

16/abr

O MAM Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ,  exibe mostra dedicada a Rubem Valentim.

Rubem Valentim é um dos nomes mais relevantes da arte brasileira no século 20. Ao longo de mais de quatro décadas, desenvolveu uma linguagem plástico-visual-signográfica de vocação universal, construída a partir de composições geométricas em diálogo com matrizes culturais brasileiras, sobretudo africanas e indígenas.

Em 1976, Rubem Valentim relata a busca por uma ordem sensível em seu Manifesto ainda que tardio. “A geometria é um meio. Procuro a claridade, a luz da luz”, diz. Ao refletir sobre seu trabalho, identifica uma organização da experiência: “[…] sou um indivíduo tremendamente inquieto e substancialmente emotivo. Talvez precisamente por isso busco, ávido, na linguagem plástica visual que uso, uma ordem sensível, contida, estruturada”.

A exposição é organizada em seis núcleos que correspondem às cidades que marcaram sua trajetória. O percurso tem início em Salvador, onde desenvolve suas primeiras experiências a partir da observação do cotidiano, da cultura material, dos objetos rituais das religiões de matriz africana e da arte moderna europeia. No Rio de Janeiro, para onde se muda em 1957, sua pesquisa ganha rigor construtivo e densidade simbólica, adotando signos como princípios organizadores. 

Em Roma, Rubem Valentim aprofunda a articulação vertical dos elementos, apontando para uma dimensão totêmica. De volta ao Brasil, fixa-se em Brasília, onde expande sua prática para o campo tridimensional e formula o Alfabeto Kitônico, sistema que sintetiza sua investigação sobre linguagem, cultura e construção. Nos anos finais de sua vida, entre Brasília e São Paulo, amplia seu repertório, desenvolvendo estudos com outros sistemas de crenças, como o I Ching e a ordem esotérica Rosa-Cruz.

A mostra culmina com a apresentação do Templo de Oxalá, instalação criada em 1977. Composto por estruturas totêmicas dispostas no espaço, o trabalho traduz, em escala ambiental, a linguagem desenvolvida por Rubem Valentim ao longo de sua trajetória.

Curadoria de Raquel Barreto e Phelipe Rezende.

Até 02 de agosto.

Como funcionam os vulcões.

Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, exibe até 18 de abril “Como funcionam os vulcões”, exposição coletiva que inaugurou o programa de 2026 da Carpintaria. A mostra reúne obras de Amélia Toledo, Arthur Chaves, Barrão, Cerith Wyn Evans, Ernesto Neto, Ivens Machado, Janaina Wagner, Leda Catunda, Maria Manoella e Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Yuli Yamagata.

“Como funcionam os vulcões” toma a imagem do vulcão como metáfora para uma formação cultural complexa. Longe de um fenômeno visível ou imediato, a exposição evoca processos que se desenvolvem ao longo do tempo, acumulando pressões, desejos, conflitos e fantasias até alcançar um ponto de liberação. Nesse sentido, o Carnaval é proposto não apenas como espetáculo, mas como a manifestação de um longo processo de gestação moldado por forças sociais, materiais e simbólicas.

Percorrendo escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura e técnicas mistas, a exposição enfatiza como o sentido se produz por meio da duração e da persistência material. As obras reunidas lidam com dinâmicas de acúmulo, transformação e emergência. Reunindo artistas de diferentes gerações e posições, a mostra apresenta práticas atentas a estados de latência e erupção, suspensão e excesso. Materiais são reunidos, sobrepostos, esticados, comprimidos ou colocados em movimento, registrando tensões entre controle e imprevisibilidade, estrutura e instabilidade. O encontro com as obras se dá entre o maravilhamento e a tensão, entre o que é encenado e o que permanece em estado latente.

As formas sugerem processos prolongados de fazer e desfazer, enquanto as disposições espaciais evidenciam limiares – entre interior e exterior, contenção e transbordamento, antecipação e liberação. Em vez de ilustrar um fenômeno social ou natural, essas obras operam em condições análogas de pressão e transformação.

Sustentar o Efêmero.

13/abr

No Rio de Janeiro, o Ateliê397 acompanha a realização da exposição “Sustentar o Efêmero”, no Sesc Ramos RJ, com curadoria de Thais Rivitti e Juliana Monachesi, e assistência de Sophia Faustino.

A mostra reúne artistas participantes do grupo Rosa Choque, que se encontra quinzenalmente em um processo contínuo de troca e desenvolvimento de pesquisa. A exposição propõe refletir sobre como a arte pode reter, elaborar ou tensionar a dimensão efêmera da experiência, reunindo trabalhos em diferentes linguagens, como pintura, fotografia, colagem, escultura, instalação e bordado.

Venha nos visitar na Travessa Dona Paula (São Paulo – SP), de quarta a sábado, das 14h às 18h, e no Sesc Ramos (Rio de Janeiro – RJ), de terça a domingo, das 9h às 17h

Exposição Casa Fluminense na Casa Brasil.

09/abr

Até o dia 08 de julho, a Casa Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Casa Fluminense”, com 97 obras de 60 artistas de diferentes regiões do estado. Entre eles, está a dupla carioca Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que apresenta a obra “Pierrô Apaixonado”. A escultura integrou a quarta alegoria do desfile deste ano do GRES Unidos de Vila Isabel, escola da qual são carnavalescos, com enredo em homenagem ao multiartista Heitor dos Prazeres. A exposição tem patrocínio da Petrobras, Ministério da Cultura e Governo do Brasil.

Vencedores do prêmio PIPA 2025, um dos mais importantes das artes visuais brasileiras, Gabriel Haddad e Leonrado Bora acreditam que não existem fronteiras entre as chamadas “artes carnavalescas” e a “arte contemporânea”. A prova disso são as diversas exposições, em importantes instituições, que eles vêm participando nos últimos anos. A mostra na Casa Brasil é mais uma delas e acontece em meio aos preparativos do enredo para o carnaval de 2027.

Sobre os artistas.

Gabriel Haddad e Leonardo Bora são multiartistas e professores brasileiros que encontram nas linguagens das escolas de samba a sua principal encruzilhada criativa. Enquanto carnavalescos, desenvolveram narrativas escritas e visuais para diversas agremiações. Misturando vozes e materialidades, expuseram trabalhos em instituições como o Museu de Arte do Rio, CCBB-RJ, Centre National du Costume (Moulins), Grand Palais (Paris), Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, SESC Pinheiros, Museu do Samba e o MUHCAB. Os enredos que desfiam em palavras, fantasias e alegorias propõem reflexões acerca de temas como religiosidade, fantasmagoria, metalinguagem e memória.