Projeto brasileiro contemplado em Nova York.

11/mar

Artistas brasileiras apresentam exposição inédita em Nova York. Mostra foi o único projeto brasileiro contemplado no edital da Apexart, que teve 658 inscritos de todo o mundo.

Será inaugurada no dia 27 de março a exposição inédita “O útero também é um punho”, na Apexart, instituição educativa e cultural localizada em Nova York, 291 Church St. NYC. Com curadoria de Talita Trizoli e Renata Freitas, a mostra terá cerca de 30 obras de dez artistas brasileiras e de uma argentina radicada no Brasil, feitas em diferentes suportes, como pintura, desenho, escultura, instalação, vídeo e performance, que discutem os direitos reprodutivos das mulheres. Paralelamente à exposição, serão realizadas diversas atividades, como performances, visita guiada, roda de conversa e oficina artística.

A exposição apresentará obras das artistas Guillermina Bustos, Leíner Hoki, Leticia Ranzani, Liane Roditi, Ludmilla Ramalho, Mariana Feitosa, Natali Tubenchlak, Raffaella Yacar, Renata Freitas, Rikia Amaral e Rosa Bunchaft, todas integrantes do coletivo G.A.F. (Grupo de Acompanhamento Feminista). Elas são oriundas de diferentes estados brasileiros, como Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com realidades diversas, mostrando que as discussões sobre o tema perpassam a localidade, idade e raça. 

Mesmo sendo um tema extremamente importante e que vem ganhando cada vez mais discussões na sociedade, no campo das artes visuais ele ainda é muito restrito. Desta forma, a exposição vem cobrir esta lacuna. 

O nome da exposição é uma referência ao poema da brasileira Angélica Freitas, “O útero é do tamanho de um punho”.

Até 23 de maio.

 

Um artista para poetas.

03/mar

A exposição Gonçalo Ivo – Janela para a África (Gonçalo Ivo – Fenêtre sur l’Afrique) se fundamenta no pensamento de Édouard Glissant, poeta e ensaísta martinicano, para quem o museu do futuro não deve simplesmente “recapitular” uma narrativa fechada, mas sim inventar constantemente novos arranjos e relações. Torna-se um espaço de circulação de formas, onde as pinturas e esculturas do artista brasileiro dialogam com uma seleção de obras africanas do acervo da Maison Gacha.

Trata-se de um diálogo institucional inédito para este pintor, carioca de 1958. Gonçalo Ivo desenvolve uma abstração nutrida pela observação da natureza, da música em todas as suas formas e das culturas com as quais teve contato. Suas telas e esculturas, em ressonância com as obras africanas, surgem como “obras insulares”, fragmentos autônomos que adquirem pleno significado dentro de um arquipélago de ressonâncias. A exposição evoca também o poder da antropofagia cultural, tal como formulada por Oswald de Andrade: absorver o outro, consciente ou inconscientemente, torna-se um princípio de criação. Nos estúdios de Gonçalo Ivo, pigmentos, papéis e sons se sobrepõem como inúmeras dobras, revelando uma complexidade interior.

As correspondências exploradas não se baseiam em meras semelhanças formais, mas em afinidades sensíveis: os tecidos Kasai do Congo, os tecidos Baoulé da Costa do Marfim, o tecido Kente do Togo e as cabaças Bamileke dos Camarões dialogam com telas abstratas contemporâneas, esculturas totêmicas e composições geométricas. Apresentar esses objetos africanos sob uma nova perspectiva nos permite repensar as categorias e a maneira como a história da arte moldou nossa percepção desse patrimônio.

Ao direcionar a interpretação da obra de Gonçalo Ivo para uma cultura visual aberta, a exposição revela o artista não apenas como um “artista para artistas”, mas também como um artista para poetas. Em um mundo imprevisível, a poesia é necessária.

Curadores: Danilo Lovisi, Leonardo Ivo.

Até 09 de Julho. 

Kelton Campos Fausto na ARCOmadri 2026.

26/fev

A Gentil Carioca retorna à ARCO Madrid 2026 com FUNFUN, apresentação solo com obras inéditas de Kelton Campos Fausto. Entre 04 e 08 de março.

Nas palavras da artista, FUNFUN mergulha na simbologia de Òbàtálá – o grande Òrìṣà Funfun – explorando a pureza, a criação, o caráter e os caminhos espirituais que moldam o Orí, o destino e a conduta humana.

Em iorubá, FUNFUN significa “branco”, simbolizando clareza, integridade ética e equilíbrio espiritual. Inspirada no universo simbólico de Obàtálá, a mostra entende a prática artística como um gesto ético e reflexivo. Por meio de repetição, estrutura e movimento, Kelton Campos Fausto investiga autoria, responsabilidade e o equilíbrio entre corpo, mente e ambiente.

A Gentil Carioca participa da seção Perfis | Arte Latino-americana, curada por José Esparza Chong Cuy, pavilhão 09 stand 9P03.

O têxtil como campo de memória.

24/fev

A artista angolana-portuguesa Ana Silva, inaugura Eau, na GAMeC, em Bérgamo, Itália. Essa é a sua primeira exposição individual na instituição italiana.

Eau apresenta um novo conjunto de obras da artista, cujo trabalho se apoia no têxtil como campo de memória, crítica social e reinvenção de materiais. Suas peças têm origem em um bordado tradicional africano, historicamente realizado exclusivamente por homens no continente. Ao intervir manualmente nessas superfícies e assumir também o papel de bordadora, Ana opera uma inversão simbólica do gesto original, introduzindo camadas de memória e autoria Em Eau, Ana trabalha em colaboração com bordadeiras da região de Bergamo, aprofundando sua investigação sobre a crise global da água. O resultado são obras que expõem a desigualdade no acesso à água, contrapondo a sutileza do bordado à urgência do tema.

A mostra integra o momento de transição entre dois eixos curatoriais da instituição e conecta-se ao programa Pedagogy of Hope, voltado ao papel formativo e transformador da arte, desenvolvido em diálogo entre o Departamento de Educação e a curadoria da GAMeC.

Sobre a artista.

Ao bordar nossas humanidades sublimes e obscuras nesses rostos semi-abstratos, Ana Silva nos lembra gentilmente que a reapropriação de nossas memórias para melhor construir nosso futuro é um trabalho de corpo a corpo, de coração a coração.

Charlotte Diez-Bento

Ana Silva vive e trabalha em Lisboa, Portugal, expressa sua criatividade por meio da diversidade de materiais que utiliza. Tela, madeira, metal, tinta acrílica e tecido são elementos que compõem e dão forma à sua arte. Durante suas caminhadas pelos mercados de Luanda, começou a distorcer o uso primário de sacos de ráfia e outros artefatos para um trabalho de memória; de objetos abandonados a objetos revividos: “Não consigo separar meu trabalho da minha experiência em Angola, em uma época em que o acesso a materiais era difícil devido à guerra de independência e à guerra civil. Minha criatividade nasceu da exploração de meu ambiente imediato. Essa experiência teve um grande impacto em minha maneira de trabalhar e em minha vida de modo geral.”

Nova representação e estreia na feira.

23/fev

A Galatea anuncia a representação do artista Gabriel Branco (São Paulo, Brasil, 1997) e sua participação na feira ARCOmadrid 2026, que acontecerá entre os dias 04 e 08 de março no pavilhão da IFEMA em Madrid, Espanha.

Em sua estreia na feira, a galeria apresentará um estande solo na seção de perfis de arte latino-americana, com a primeira exposição de Gabriel Branco a reunir pinturas e fotografias – linguagens distintas e complementares que constituem sua prática.

Gabriel Branco é artista visual, nascido em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, SP. Sua produção inicia-se com a fotografia de caráter autobiográfico que baseia-se em elementos do cotidiano como o baile funk, o comércio de rua e a arquitetura popular, transformando referências culturais em um vocabulário artístico que propõe a valorização das diversas experiências que a periferia possui.

Após a iniciação do artista na técnica da pintura, sua expressão subjetiva tomou forma e cor. Principalmente a partir da técnica de velatura – processo de adicionar luz na pintura por meio da retirada de tinta da tela – Gabriel Branco constrói, com gradações cromáticas, imagens abstratas que suspendem o olhar.

No estande, esses universos distantes se aproximam e se encontram através da experiência de vida e técnica do artista. Nas fotografias, o território urbano e periférico que construiu as referências estéticas iniciais de Gabriel Branco se manifesta na captura da imagem em seu estado mais aproximado da realidade. Nas pinturas abstratas, formas do mundo natural e do universo cósmico se tornam referências formais, colocando em evidência um tempo de produção mais alargado e procedimentos que definem a imagem que se revelará ao final do processo da pintura após os ajustes de luz, cor e forma feitos pelo artista.

 

Um artista acreano na Colômbia.

09/fev

A obra do artista visual acreano Ueliton Santana é destaque no Museu de Arte Moderna de Medellín (MAMM), na Colômbia, integrando a exposição “Bubuia. Águas como fonte de imaginações e desejos”, em cartaz até o dia 22 de fevereiro. A mostra reúne produções que dialogam com temas como memória, território e cultura nas Amazônias.

Em “Corpos vulneráveis em tempos de crise”, Ueliton Santana aborda a fragilidade da existência e a violência que atravessa diferentes territórios amazônicos. A instalação apresenta figuras que confrontam o espectador desde o primeiro instante, propondo uma reflexão direta sobre as marcas da violência e da exclusão. Inspiradas em práticas e saberes culturais de povos amazônicos, as redes que compõem a obra sustentam e protegem os corpos representados. De acordo com o texto noticiado pelo próprio museu, “…o descanso se transforma em dignidade e os corpos se convertem em um gesto de resistência frente à violência”.

Um vídeo publicado pelo MAMM detalha as inspirações de Ueliton Santana para a obra, que reúne a representação de seis corpos, de diferentes tamanhos, envoltos em redes e dispostos no chão. Todas as redes utilizadas na instalação foram pintadas à mão pelo artista. “Esta obra não se olha, se confronta”, afirma no vídeo divulgado.

Presença brasileira na ZonaMaco.

05/fev

A Simões de Assis, São Paulo/Curitiba/Balneário Camboriú, apresenta na ZonaMaco 2026, Centro Citibanamex, Av. del Conscripto 311, Lomas de Sotelo Hipódromo de las Américas, Miguel Hidalgo, Ciudad de México, uma seleção de obras que tem como eixo a ideia de matéria e de suas transformações e metamorfoses. A arte latino-americana tem sido, há muito tempo, celebrada por suas contribuições aos movimentos Concreto, Geométrico, Cinético e à Op Art, como se a produção visual da região tivesse começado apenas na década de 1950 e se limitasse exclusivamente a esses meios e discursos. No entanto, sabemos que existem aspectos visuais muito mais amplos que podem ser reconhecidos do México à Argentina, do Atlântico ao Pacífico, e que, há séculos, artistas vêm criando perspectivas, estéticas, narrativas e modos de existir singulares. Com esta seleção, a galeria busca fomentar uma discussão sobre a investigação de diferentes materiais em contextos e poéticas distintas, bem como sobre sua importância na Arte Contemporânea.

Artistas:

Abraham Palatnik, Carlos Cruz-Diez, Dashiell Manley, Felipe Suzuki, Gabriel de la Mora, Jean-Michel Othoniel, João Trevisan, Juan Parada, Julia Kater, Macaparana, Manfredo de Souzanetto, Mano Penalva, Marcia de Moraes, Mika Takahashi, Patricia Iglesias Peco, Sergio Lucena e Thalita Hamaoui.

Laura Lima no Institute of Contemporary Arts.

27/jan

“The Drawing Drawing”, é a primeira exposição individual de Laura Lima no Institute of Contemporary Arts (ICA), em Londres. A mostra reúne instalações performativas nas galerias Superior e Inferior do ICA e tem como eixo central uma nova comissão que reconfigura a aula tradicional de desenho de modelo vivo, dissipando as fronteiras entre público e obra de arte. Trabalhos como Ascenseur (2013) e uma cena relacionada ao Balé Literal integram a exposição, marcada por movimento, descoberta poética e imprevisibilidade.

Na quarta-feira, 28 de janeiro, às 18:45, a artista conversa com Andrea Nitsche-Krupp, curadora do ICA London, sobre sua prática e o processo criativo da exposição. “Laura Lima: The Drawing Drawing” conta com o apoio do British Council e do Instituto Guimarães Rosa, como parte da Temporada de Cultura Reino Unido-Brasil 2025-26.

Sobre a artista.

Laura Lima escancara a melancolia da miséria humana: obra da distância, da falta de contato entre indivíduos e do adiamento incessante da satisfação do desejo.

Lisette Lagnado, Obra da Distância, 2000.

Artista brasileira, Laura Lima vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ. Seres vivos e arquitetura são alguns dos elementos integrantes da obra de Laura Lima, que inclui em seu ofício como artista a “práxis” vital do tempo da experiência – participante e do espectador na obra – e o fazer filosófico, variando de meios – desde bordados à mão a organizações ativistas e chamamentos abertos -, e utilizando ferramentas técnicas que expõe um contraste poderoso com suas referências visuais. Transformar o espaço em uma obra viva, um organismo abrangente, na qual a experiência do espectador no ambiente construído é central para o significado da obra, é um exemplo de apresentação criada por Laura Lima.

Até 29 de março.

no Victoria & Albert Museum.

23/jan

O artista Jonathas de Andrade exibiu, no Victoria and Albert Museum, em South Kensington, Londres, três de seus filmes:  “Jangadeiros e Canoeiros” (“Rafters and Canoers”, 2025, 15 min), “Jogos Dirigidos” (“Directed Games”, 2019, 26 min), e “Olho da Rua” (“Out Loud”, 2022, 25 min) com apresentação ao vivo da trilha sonora com os músicos Homero Basílio, Antonio José do Rego Barreto Filho e Emerson Rodrigues da Silva. A exibição com apresentação musical integrou o “Brasil Contemporâneo: Simpósio e Concerto de Cinema”, que reuniu importantes artistas, curadores e músicos do Brasil para explorar a prática fotográfica contemporânea, o cinema e o som ao vivo, dentro do programa do V&A Photography Centre, que dialoga com práticas globais de fotografia e imagem em movimento

Jonathas de Andrade apresentou-se com a artista Rosângela Rennó, além dos curadores e pesquisadores Thyago Nogueira e Daniele Queiroz dos Santos, para discutir uma série de projetos curatoriais e comissionados pelo Museu, oferecendo uma visão sobre os contextos culturais, políticos e artísticos que moldam a prática visual contemporânea no Brasil.

Em 2023, Catherine Troiano, curadora do departamento de fotografia do Victoria and Albert Museum, convidou Jonathas de Andrade para uma pesquisa comissionada, e assim ele pode realizar o trabalho a que estava se dedicando. O resultado pôde ser visto na exposição “Permanência Relâmpago”, na Nara Roesler São Paulo, em setembro e outubro de 2025, e em novembro no Victoria and Albert Museum, que passou a abrigar em seu acervo as obras produzidas por Jonathas de Andrade. O MOCA (The Museum of Contemporary Art) de Los Angeles comprou o filme  “Jangadeiros e Canoeiros” para sua coleção. E ainda “Jangadeiros e Canoeiros” vai integrar o prestigioso Festival Internacional de Filmes de Rotterdam, em sua 55ª edição, entre 29 de janeiro a 8 de fevereiro de 2026. Jonathas de Andrade foi convidado por Vanja Kaludjercic, diretora do Festival.

Niemeyer na Itália na Casa Zalszupin.

16/dez

Milagre. Com esta palavra, Oscar Niemeyer foi definido por Lucio Costa no fundamental artigo “Muita construção, alguma arquitetura e um milagre”, de 1951. O vínculo entre Niemeyer e a Itália teve início quando o arquiteto carioca tinha 60 anos de idade, havendo já concebido os palácios da nova capital de seu país, participado do projeto da sede da ONU e realizado dezenas de projetos na Europa, América do Norte, África e Oriente Médio. 

A relação com a Península Itálica começou com o encantamento do proprietário da editora Mondadori ao visitar o Palácio do Itamaraty, em Brasília. Seu maravilhamento foi tamanho, que ele resolveu procurar Niemeyer para encomendar um projeto com as mesmas colunas e arcos para sediar sua empresa: o mestre moderno fez uma estrutura semelhante, mas, nos arredores de Milão, o espaçamento entre pilares não é equidistante e possui uma variação rítmica. O Palazzo Mondadori foi inaugurado em 1975 e abriu uma sequência de projetos arquitetônicos de Oscar Niemeyer na Itália. Mais três edificações foram construídas: as sedes das empresas Fata e Cartiere Burgo, nas cercanias de Turim, e o Auditório de Ravello, na Costa Amalfitana, aberto quando o dédalo brasileiro estava com 102 anos. 

Esta mostra-inventário também apresenta projetos que ficaram no papel. Em 1985, Niemeyer visitou Veneza e idealizou uma versão alternativa para a Ponte dell’Accademia: seu desenho arquitetônico era respeitoso com o contexto e, simultaneamente, uma saudável provocação para incitar transformações na singular cidade de incontáveis canais e mais de 1600 anos de existência. Para Pádua, o arquiteto engendrou um auditório para 2 mil pessoas, cuja cobertura seria um anfiteatro para 3 mil espectadores ao ar livre. Em Vicenza, ele planejou um teatro emergindo em meio a uma praça rebaixada. Oscar Niemeyer idealizou até um World Trade Center em Milão, uma versão em miniatura do Copan para a cidadela de Este, um campus de desenvolvimento automobilístico e um grande estádio em Turim. 

Nesta Casa Zalszupin, optou-se por não expor maquetes de projetos arquitetônicos: em vez de modelos em escalas reduzidas, apresenta-se um amplo conjunto de móveis desenhados pelo arquiteto. O banco Marquesa, a cadeira de balanço Rio, e as poltronas Alta e Baixa comprovam aqui a profunda correspondência entre as formas inventadas por Niemeyer em todos os âmbitos de projeto que ele se propôs ao longo da vida. 

Feito com o apoio da Fundação Oscar Niemeyer e fundamentado em pesquisas realizadas em bibliotecas e arquivos históricos no Brasil e na Itália, este mapeamento de treze projetos – quatro construídos e nove não executados – do arquiteto brasileiro na Península Itálica confirma a capilaridade global adquirida pela sua obra. Uma das dimensões do “milagre” identificado por Lucio Costa reside na capacidade de Oscar Niemeyer subverter o fluxo do colonialismo no século XX. 

Francesco Perrotta-Bosch, curador.

Até 14 de março de 2026.