Novo livro de Diógenes Moura

25/jan

 

A Editora Noir, promove o lançamento do livro “Minhocão” de autoria de Diógenes Moura em São Paulo dia 25 de janeiro,  das 15h às 18h na Livraria Martins Fontes, Avenida Paulista, 509.

Em seu novo  livro,  Diógenes  Moura apresenta contos sobre  os inescapáveis destinos dos que vivem às margens do mais famoso viaduto de São Paulo. Em capítulos curtos, secos, vastos, e em situações limites e tragicômicas, “Minhocão” faz da arquitetura do seu elevado de concreto a geografia dos que habitam os dois lados  da “cicatriz” urbana,  com  suas vidas  recônditas e alquebradas, dentro e fora dos seus apartamentos, com  vistas  para o vazio  e o nada da metrópole.

“Este livro  traz uma  coleção de gente que  habita a veia  desalumiada do centro da cidade. Uma anomalia encravada, onde  resta  um grau  de vaidade, o enfeite na fala, no corpo e na casa. O mundo em ruínas e a redenção vaza, tímida, entre  os escombros”.

 

Beto  Brant (Cineasta) Trecho da orelha  do livro.

O escritor Diógenes  Moura  é um  observador e perscrutador da  região em  que mora  em São Paulo, o bairro Campos Elíseos e seus entornos, deste 1989, vindo de Salvador, a cidade que primeiro o recebeu com  sua família pernambucana.

Na metrópole onde  os homens quase  não mais conseguem desafiar os deuses, o autor construiu e alargou sua literatura, demarcada por  personagens que  lidam com  seus abismos,  abandonos e loucuras, tendo no retrovisor suas vidas  atordoadas e/ou desfeitas em seus lugares  de origem, restando à cidade de São Paulo a missão de perpetuar ou encurtar suas existências.

Em seu novo  livro  de contos Minhocão (Editora Noir),  Diógenes  Moura aproveita a experiência de ter frequentado por  sete anos o Elevado Presidente João  Goulart, com  uma  caderneta, um  lápis  e um  olhar  muito atentos não  somente para  o que acontecia em seus caminhos de concreto, mas, principalmente, para os habitantes dos apartamentos que margeiam os dois lados do viaduto.

“Ao longo desse  período e de  uma  pandemia no  meio,  ele (Diógenes Moura) se sentou no meio-fio do Minhocão e passou  a buscar  vidas  dos dois  lados  daquelas pistas elevadas que escondem a miséria  sob seus pés e que passam a impressão de levar  todos a qualquer lugar.  Mas a sensação  é de um enorme presídio de desejos, sonhos  e fantasias, de onde  não se sairá jamais”,  escreve  o jornalista, escritor e editor Gonçalo Junior,  na quarta capa do livro.

Com sua dicção peculiar, sua geografia humana  muito particular e uma escrita concisa  e abundante em  acontecimentos, Minhocão faz um  retrato devastador  sobre  nós  mesmos,  o  que  não  enxergamos e o  que  tentamos  esconder, com  personagens ordinários, vivendo  no  limite de  suas condições materiais, desejos  e frustrações, tendo como refúgio, seus apartamentos-cubículos, com seus  objetos envelhecidos e resquícios de  vidas  natimortas. Um  retrato sem arrodeio de uma sociedade high  tech que teima em se autopropagar moderna, civilizada e bondosa.

 

Trechos do livro:

“Em um dia de domingo qualquer, tantos uns, tantos outros, Cesário  Triste saiu de casa com  uma  caderneta e um lápis  e entrou na padaria da esquina.  Tomou café com  leite, engoliu três bolinhas embranquecidas para não endoidar, subiu  a rampa em direção ao viaduto, sentou-se na listra branca que divide as duas pistas  e morreu. Em outro domingo qualquer, arregalou os olhos  e começou a girar  a cabeça de um lado  para  o outro como se estivesse sendo  exorcizado. Com  as pupilas dilatadas  pelo  susto, dedicou-se a invadir os apartamentos dos outros, aqueles  que moram nas duas margens da imensa serpente de concreto que corta uma parte da cidade, onde  os homens desafiam o que resta dos deuses”.

“Cada replicante que Ambrósio Terminante das Tripas enfim  descongela para colocar em cima dos ombros e pedir dinheiro entre  os carros  no semáforo, embaixo do viaduto, leva pelo menos seis horas para a carne ficar no ponto e voltar a ter a respiração natural, o piscar dos olhos, remover a memória embutida, as lembranças dos que ficaram para trás, imaginar um rosto vivo  de alguém que não sabe se um dia terá amanhãs”

 

Sobre o autor

Diógenes  Moura é escritor, curador de fotografia, roteirista e editor independente. Nasceu  na Rua do Lima, em Recife,  Pernambuco. Morou durante quase  17 anos em Salvador, Bahia.  Desde  1989, vive  em  São Paulo,  no  bairro de Campos Elíseos. Com o livro  Vazão 10.8 – A Última Gota de Morfina (Vento Leste Editora, 104 págs.), lançado em  2021, entrou na lista  dos  Semifinalistas do  Prêmio Oceanos  em  2022. Com  11  livros  publicados entre  romance, contos, crônicas e poesia,  já recebeu um prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), em 2010, de melhor livro de contos/crônicas por  Ficção Interrompida (Uma  Caixa de Curtas), também finalista do Prêmio Jabuti de 2011. O seu primeiro romance autoficcional Vazão 10.8 – A Última Gota de Morfina está sendo adaptado para o cinema  pelo diretor Beto  Brant.

 

 

Gustavo Speridião no CCJF

16/jan

 

Um dos mais destacados e engajados artistas brasileiros da atualidade, Gustavo Speridião apresenta um panorama de sua obra recente na mostra “Gustavo Speridião -Manifestação contra a viagem no tempo”, no Centro Cultural Justiça Federal, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Com curadoria de Evandro Salles, são apresentadas cerca de 150 obras, entre pinturas, desenhos, colagens, fotografias, filmes, objetos e faixa-poema, produzidos entre 2006 e 2022, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Paris. Desde 2016 o artista não realiza uma exposição institucional no Rio de Janeiro.

“É uma mostra antológica, que revela um artista denso e profícuo, que se inscreve fortemente nas raízes construtivas da arte”, afirma o curador Evandro Salles.

A mostra tem patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através do Edital Retomada Cultural RJ2. Tendo todo o seu trabalho perpassado pela palavra e pelo poema, Speridião apresenta obras impactantes, sejam pelo seu tamanho, por suas formas ou por suas frases-poemas, em trabalhos que mostram o amplo campo de linguagens exploradas pelo artista.

Cerca de 50 pinturas em grandes dimensões, com tamanhos que chegam a 6 metros de comprimento, estão na exposição ao lado de mais de 80 desenhos de menor formato e pequenos objetos em gesso. Faixas-poemas, que participaram de manifestações nas ruas do Rio de Janeiro, fotografias e dois filmes produzidos pelo artista – um curta e um média-metragem – completam a exposição.

Os trabalhos trazem em sua temática questões políticas, existenciais, filosóficas e em defesa da liberdade de expressão, mas sempre dentro de uma narrativa poética. Trazendo o universo das ruas, muitas obras incorporam durante o processo de trabalho manchas, respingos, eventuais rasgos e sujeiras e que acabam se integrando à obra. “O pincel ou o lápis agem como uma faca. Cortando a superfície do plano em gravações definitivas, irretocadas. Suas referências históricas são explicitadas. Suas apropriações reveladas. Suas palavras são ditas (e escritas). Seus erros são incorporados ao lado de seus acertos. Nada há a esconder. Revela-se o aparecimento das verdades cruas, das ilusões vãs ou das realidades cruéis”, diz o curador.

Em trabalho inédito, seis grandes telas são dispostas em hastes fincadas em blocos de concreto urbano, semelhantes aos que encontramos nas ruas, feitos com britas. Formam um círculo por onde o público poderá caminhar e imergir, vendo a tela e seu avesso. “Sempre trabalhei com arte urbana. Os blocos de concreto me interessam como objeto e fazem a tela se tornar mais espacial, caminhando mais para a escultura. É uma fórmula que me interessa”, afirma o artista. Mesmo sendo uma quase escultura ou instalação, Speridião diz que “…tudo é parte da pintura, de um plano pictórico que está em várias dimensões”. Esses mesmos blocos de concreto aparecem em outras obras, com madeiras e pequenas faixas com textos como “A arte da revolução” ou “Tudo insuportável”.

Se elementos das ruas, como os blocos de concreto, são utilizados nas obras, o contrário também acontece e obras criadas no ateliê do artista na Gamboa, na zona portuária do Rio de Janeiro, vão para as ruas, como a faixa-poema, em grandes dimensões, medindo 2,5m X 4,5m, realizada em colaboração com Leandro Barboza, que participou de manifestações no Rio de Janeiro, e na exposição estará presa por cabos de madeira, apoiadas em blocos de concreto.

Para mostrar a ampla produção do artista, que transita por diversas linguagens, também são apresentadas fotografias, que mostram construções de imagens, e dois filmes: o média-metragem “Estudos Superficiais” (2013), ganhador do prêmio Funarte de Arte Contemporânea, em 2014, que registra lugares, imagens urbanas, momentos e pessoas, que cruzaram o caminho do artista, e curta-metragem “Time Color” (2020), que fala sobre a existência da humanidade, superação da natureza, geometria e formação da gravidade.

O título da exposição foi retirado de uma colagem de 2009 na qual, sobre uma imagem de manifestação publicada em um jornal, o artista escreve com tinta a frase que dá nome à mostra: “Manifestação contra a viagem no tempo”, em uma referência a situações recentes da nossa história. “Para enfrentar a desmemória de um falso passado, propõe e nos remete em poema ao real do aqui e agora. Imagem e palavra se articulam na construção de um terceiro sistema: POEMA”, afirma o curador.

 

Sobre o artista

Gustavo Speridião trabalha em uma grande variedade de mídias, incluindo fotografia, filmes, colagens e desenhos. De simples piadas visuais a esboços que convidam a interpretações complexas. Em sua obra, Gustavo Speridião não tem medo de parafrasear e citar coisas que o cercam, desde os discursos de trabalhadores até assuntos políticos globais ou filmes de vanguarda modernistas à história da arte. Há uma espécie de energia crítica que consegue mostrar uma atitude em relação ao que ele considera que deve ser discutido, reavaliado e recriado. O mundo inteiro pode ser o tema de seu trabalho. Tudo o que existe no mundo contemporâneo constitui sua gramática visual. O artista assimila a velocidade do mundo contemporâneo, mas recusa todos os discursos oficiais que tentam nos convencer de que a luta de classes já está completamente perdida. Speridião examina os problemas universais enfrentados pelo homem e os transforma em arte visual. Com sua criação e interpretação de imagens e a forma de editá-las, sua poesia reivindica o direito de ter voz contra o capitalismo.

 

Sobre o curador

Artista e curador. Notório Saber em Arte reconhecido pela Universidade de Brasília – UnB. Mestre em Arte e Tecnologia pelo Instituto de Artes da Universidade de Brasília – UnB. Profissionalmente, atuou dirigindo diversas instituições culturais: criador e diretor Executivo da Fundação Athos Bulcão – Brasília; Secretário Adjunto de Cultura do Distrito Federal (1997-1998); Diretor Cultural do Museu de Arte do Rio – MAR (2016-2019). Um dos fundadores no Rio de Janeiro do Instituto CASA – Convergências da Arte, Sociedade e Arquitetura. Diretor da empresa cultural Lumen Argo Arte e Projeto. Idealizou e realizou nos últimos anos inúmeras exposições de artes visuais em museus e centros culturais, das quais destacam-se: O Rio do Samba – Resistência e Reinvenção – Museu de Arte do Rio-MAR, 2018; Tunga, o rigor da distração, 2017, Museu de Arte do Rio-MAR; Claudio Paiva – O colecionador de Linhas, MAR, 2018; O Poema Infinito de Wlademir Dias-Pino – Museu de Arte do Rio-MAR, 2016; Casa • Cidade • Mundo – sobre arte e arquitetura – Centro Cultural Hélio Oiticica. Rio de Janeiro. 2015.; A Experiência da Arte – com obras de Cildo Meireles, Eduardo Coimbra, Ernesto Neto, Paula Trope, Vik Muniz, Waltercio Caldas e Wlademir Dias Pino – CCBB-Brasília – 2014, SESC Santo André – São Paulo 2015; Amilcar de Castro – Repetição e Síntese – panorama da obra do artista mineiro – CCBB-Belo Horizonte 2014; Arte para Crianças – Museu da Vale, Vila Velha – ES; Museu de Arte Moderna do RJ; Casa das Onze Janelas, Belém; CCBB Brasília; SESC Pompéia, São Paulo; Itinerância de 2006 a 2010; Curador Geral do Espaço Brasil no Carreau du Temple, Paris – Ano do Brasil na França; 2005.

 

 

Despedida de curadoria

11/jan

 

Com a abertura da exposição “M’Kumba”, que reúne fotografias de Gui Christ, no dia 14 de janeiro, às 10h, deixa o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), Gamboa, Rio de Janeiro, RJ, o pesquisador, jornalista, curador e ativista social Marco Antonio Teobaldo, que esteve à frente da instituição desde 2010.

Desde então, o IPN se tornou referência em escravidão no Brasil, se consolidando em um importante pólo de resistência cultural, afirmação da Negritude, da arte e da memória. Ao todo, sob sua curadoria, foram realizadas três exposições permanentes – no Museu Memorial Pretos Novos, criado em 2011 – 37 exposições na Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, instituída em 2012, e uma exposição no Espaço Tia Lúcia, aberto em 2019 em homenagem à artista local, com o objetivo de ser um espaço exclusivo para exibição de arte bruta, design e artesanato.

Marco Antonio Teobaldo deixa a instituição a que é tão ligado para se dedicar ao mestrado em Museologia na UniRio, onde já está mergulhado em um tema que ainda não foi estudado: Museologia de Terreiro. Ele vai também colaborar mais intensivamente com o Museu de Imagens do Inconsciente, onde faz parte do Conselho Consultivo da Sociedade Amigos do Museu; continuar o seu trabalho no Comitê de Gestão Compartilhada da Coleção Nosso Sagrado, do Museu da República; partilhar suas experiências na Rede de Museologia Social, da qual faz parte e a representa na Comissão Consultiva do Sistema Estadual de Museus, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro; e seguir a curadoria do Museu Memorial Iyá Davina, onde vem desenvolvendo o seu trabalho desde 2018.

A curadora Evangelina Seiler comenta que Marco Antonio Teobaldo é “um pesquisador que sempre apoiou e investigou a produção artística contemporânea, principalmente no que se refere à arte de terreiro, indígena e das raízes africanas da nossa história. Seu trabalho como curador no Instituto Pretos Novos foi pioneiro, se iniciou muito antes deste segmento artístico ganhar a atenção que recentemente se vê nas instituições no Brasil e no mundo. Sua contribuição para a cultura ficou registrada como de excelência”.

Clara Gerchman, cofundadora e gestora do acervo do Instituto Tunga e fundadora e diretora do Instituto Rubens Gerchman, diz: “O que vale destacar entre as muitas conquistas e feitos, muitas primeiras vezes, ações inaugurais, é que Marco Antonio Teobaldo musealizou aquele espaço, conseguindo com sua equipe e com Mercedes Guimarães mostrar e formar a apropriação daquele local. É claro que qualquer instituto, sua missão e visão, pode mudar com o passar do tempo, se redimensionar, mas foi muito importante nessa primeira grande fase, durante mais de uma década, esse papel dessa consciência, de fincar essa bandeira territorial, de existência. Isso aqui existe. Vamos botar no mapa, na cidade, no entorno, no país, vamos dar uma noção de pertencimento, vamos estruturar. Outras fases virão, e o IPN irá amadurecer, mas essa primeira etapa de vida foi muito fecunda por sua existência, como um legado, um lugar de memória, de pensamento, de exposições. A questão de musealização passa por aí. Tenho muito orgulho de ter acompanhado essa belíssima trajetória”.

Sobre ele, conta Heloisa Buarque de Hollanda – escritora e diretora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (Letras/UFRJ): “Desde 2010 sou testemunha do trabalho de Teobaldo para criar e transformar o IPN em uma referência nacional sobre a escravidão no Brasil. Em 2011, Teobaldo prosseguiu, criando o Museu Memorial Pretos Novos, com janelas arqueológicas e vestígios das escavações. Em 2012, criou a Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, tudo isso no período de três anos. A galeria atraiu novos artistas ligados às questões daquele histórico território preto e da escravidão e da diáspora africana enquanto constituintes da nossa sociedade e da persistência estrutural do racismo entre nós. A galeria apresentou uma programação diversificada e libertária, oferecendo aos artistas possibilidades de desenvolver trabalhos inéditos e desafiadores. Simultaneamente, era criado um fluxo de visitação entre os dois espaços expositivos, ou seja, o Museu Memorial Pretos Novos e a Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, atraindo e formando um público novo para a arte e para a memória do Brasil. Alguns artistas que se apresentaram no espaço da Galeria foram Rosana Paulino, Lidia Lisboa, No Martins, Heberth Sobral, Moisés Patrício, Tia Lúcia e Mel Duarte. Hoje, todos conhecidos no circuito de arte, talvez pelo gosto do novo e do emergente na cultura,  que define o trabalho e o sonho de Teobaldo. Um amigo, um parceiro e um profissional competente e criador”.

Para Mario Chagas, diretor do Museu da República, Marco Antonio Teobaldo “fez uma diferença significativa à frente do IPN porque aportou um conhecimento especializado, técnico, e, para além de tudo, isso um saber sensível, delicado, dinâmico. Ele conseguiu ao longo do tempo fazer coisas notáveis. Colocou o IPN na pauta da cultura do Rio de Janeiro, realizou exposições, promoveu debates, inseriu o IPN no âmbito da rede da museologia social do Rio de Janeiro, o que não é pouca coisa, onde tem dado contribuições notáveis. E tudo isso associado ao fato de que ele é uma pessoa de axé. É também vinculado ao Ilê Omolu Oxum, e conseguiu fazer uma articulação para raros: o IPN, Museu Memorial Iyá Davina, do Ilê Omolu Oxum, e o Museu de Imagens do Inconsciente. Ele articulou essas áreas diversas com delicadeza, sabedoria, amorosidade, aspectos importantíssimos que caracterizam Teobaldo”.

 

As cores de Mario Cravo Neto

09/jan

 

A exposição inédita “Tudo Era Novo Sob o Sol da Bahia”, do artista visual Mario Cravo Neto, que pode ser vista até o dia 18 de fevereiro na Galeria Mario Cohen, nasceu da parceria entre a Galeria Mario Cohen e o Instituto Mario Cravo Neto. O filho do artista, Christian Cravo, abriu o acervo do Instituto MCN, em Salvador, para a curadoria de Mario Cohen. Nesse cuidadoso trabalho de seleção, Cohen buscou fotografias em cores menos óbvias do artista, como a série “Geometrias” e os retratos coloridos de cenas da cultura baiana. A mostra traz 22 obras e mais da metade das imagens selecionadas pela curadoria serão expostas ao público pela primeira vez. Os trabalhos remontam a diferentes fases do fotógrafo, durante as décadas de 1970, 1980 e 1990.

 

Sobre o artista

Nascido e criado na Bahia, o fotógrafo vivenciou, nas décadas de 1950 e 1960, a efervescência da cena artística baiana, convivendo com grandes nomes da cultura nacional como Jorge Amado, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Mario Cravo Neto também aprendeu novas formas de enxergar a beleza da cultura popular local com o antropólogo francês Pierre Verger, que influenciou diretamente sua produção. Dessa forma, os temas abordados por ele giram em torno da religiosidade, do povo baiano, da natureza e do candomblé. O artista é um dos nomes mais importantes da fotografia contemporânea brasileira, reconhecido internacionalmente e com trabalhos expostos em acervos de diversos países, como França, Estados Unidos, Espanha e Holanda.

 

Sobre a galeria

A exposição marca também a inauguração da nova Galeria Mario Cohen. Fundada em 2000, esta que foi a primeira galeria especializada em fine art photography da América Latina, abriu seu novo espaço, na Rua Capitão Francisco, 69, Jardim Europa. Com projeto original de Isay Weinfeld e atualizado pelo arquiteto André Vainer, a nova galeria possui 137m² e abriga importante acervo de nomes como Cristiano Mascaro, Bob Wolfenson, Ellen von Unwerth, Gui Paganini, MAR+VIN, Norman Parkinson, Pierre Verger, Sebastião Salgado, entre outros.

 

34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto

15/dez

 

Abertura da 34ª Bienal em Arles, na França com obras de Regina Silveira, Noa Eshkol, Carmela Gross e Daiara Tukano, artistas que estarão na itinerância da 34ª Bienal de São Paulo em Arles.

No dia 16 de dezembro, o programa de mostras itinerantes da “34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto” desembarca em seu último destino: a cidade de Arles. A exposição fica em cartaz até 05 de março de 2023 e foi realizada e produzida pela Fundação Bienal de São Paulo em parceria com o LUMA Arles, com apoio da Fundação ENGIE.

A mostra, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti e Vassilis Oikonomopoulos, é organizada a partir dos enunciados “A ronda da morte de Hélio Oiticica”, “Cantos Tikmũ’ũn”, “O sino de Ouro Preto” e “Os retratos de Frederick Douglass” e conta com trabalhos de Alice Shintani, Amie Siegel, Carmela Gross, Daiara Tukano, Gala Porras-Kim, Jaider Esbell, Manthia Diawara, Naomi Rincón Gallardo, Noa Eshkol, Regina Silveira, Seba Calfuqueo, Sueli Maxakali, Victor Anicet e Zózimo Bulbul. Na abertura da exposição e no dia seguinte, Seba Calfuqueo realizará uma performance inédita. Não deixe de conferir o registro em nossas redes sociais.

O LUMA Arles é localizado no Parc des Ateliers, um parque industrial construído no século 19 voltado à manutenção e construção de locomotivas. Remodelado, desde 2013 ele é voltado a atividades culturais.

Saiba tudo sobre as itinerâncias em nosso site.
34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto
Programa de mostras itinerantes

LUMA Arles
Arles (França)
16 de dezembro de 2022 – 05 de março de 2023
Les Forges, Parc des Ateliers
35 avenue Victor Hugo
13200 Arles

Lançamento da Coleção PHTBX

06/dez

 

 

A palavra dos editores

O que têm em comum a maestria da cor de Walter Firmo;  a abordagem híbrida e conceitual no olhar de Claudia Jaguaribe; o registro histórico e intimista do Clube da Esquina pelas lentes de Cafi; a dramaticidade de luz e cores nos movimentos femininos de Ana Quintella; o noir enigmático construído por Milton Montenegro e a aridez e o alumbramento da paisagem de Walter Carvalho? A participação na Coleção Phtbx (PHOTOBOX), uma proposta inovadora de colecionismo, difusão e memória da arte fotográfica. Um time de estreia dos sonhos para amantes da fotografia, experientes ou iniciantes na arte de colecionar. As primeiras edições já estão disponíveis para pré-venda em nosso site e com desconto de 15% para compras realizadas até o dia 07/12/22.

Angela Magalhães, Nadja Peregrino e Gabriela Toledo, curadoras e pesquisadoras da fotografia, traçam um recorte sobre a trajetória artística de fotógrafos consagrados e trazem, em edição personalizada, caixas individuais contendo 12 obras em impressão fine art. Compõem a edição um texto curatorial sobre cada artista e o selo do impressor – Estúdio Lupa. As caixas, desenvolvidas com exclusividade pela Ipsis, terão tiragem limitada, numerada e certificada, com projeto gráfico assinado por Mariana Jaguaribe. Caso tenha interesse em obter mais informações sobre a Coleção Phtbx (Photobox), entre em contato e enviaremos um catálogo com mais detalhes sobre o conteúdo de cada caixa. Entre luzes e sombras, entre o visível e o invisível, o desafio é adentrar num mundo onde o imaginário é a mola mestra da vida.

Ana Chafir, Gabriela Toledo e Sergio Cohn.

 

Exposição Haverá consequências

17/nov

17

 

No sábado, 26 de novembro, às 11h, a Fundação Vera Chaves Barcellos, Viamão, Rio Grande do Sul, inaugura a mostra coletiva “Haverá consequências”, que reúne mais de 60 obras de 57 artistas na Sala dos Pomares da Fundação Vera Chaves Barcellos.

 

Inscrições para Transporte Gratuito

Saída no sábado, 26/11, às 10h30, em frente ao Theatro São Pedro (Praça Mal. Deodoro, s/nº – Centro Histórico de Porto Alegre). Inscreva-se pelo e-mail educativo.fvcb@gmail.com ou pelo telefone (51) 98229-3031.

 

Sobre a exposição

Trata-se da primeira mostra com curadoria da professora e pesquisadora Bruna Fetter à frente da Direção Cultural da FVCB, função assumida em abril deste ano. Realizada integralmente a partir do Acervo da instituição, “Haverá consequências” representa um exercício de encontros e aproximações que se materializam por meio de rastros e vestígios da memória, reverberando no presente e nos desdobramentos futuros. As obras presentes na mostra – seja em termos temáticos, materiais ou mesmo formais – são compreendidas simultaneamente como imagem-índice-percurso, o que possibilita diferentes leituras, relações e caminhos. Fazem parte da seleção apresentada trabalhos em fotografia, vídeo, gravura, pintura, objeto, arte postal, serigrafia e livro de artista.

Nas palavras da curadora, Bruna Fetter: “Ao partir da noção de rastro e vestígio, Haverá consequências busca tecer fios que atravessam nossas compreensões de passado-presente-futuro, causa e consequência. Na mostra encontraremos imagens e objetos que são resíduos de pensamentos e ações ocorridas no passado, mas que pela sua condição de obra de arte tornam-se testemunhos perenes a nos acessar em diferentes contextos e tempos. Reunindo um grupo de obras da coleção da FVCB, a exposição resulta de uma imersão minha neste Acervo, e também de um trabalho muito próximo a todas as equipes da instituição, inaugurando meu trabalho como diretora cultural da Fundação.”

 

Artistas Participantes

Begoña Egurbide | Bill Viola | Brígida Baltar | Cao Guimarães | Carla Borba | Carlos Krauz | Christian Cravo | Cinthia Marcelle | Claudia Hamerski | Claudio Goulart | Clovis Dariano | Darío Villalba | Dennis Oppenheim | Dirnei Prates | Elaine Tedesco | Elcio Rossini | Eliane Prolik | Ethiene Nachtigall | Fabiano Rodrigues | Fernanda Gomes | Frantz | Geraldo de Barros | Guilherme Dable | Heloisa Schneiders da Silva | Hudinilson Jr. | Ío (Laura Cattani e Munir Klamt) | Jaume Plensa | Joan Fontcuberta | João Castilho | Lluís Capçada | Luanda | Lucia Koch | Mara Alvares | Marco Antonio Filho | Margarita Andreu | Mariana Silva da Silva | Mario Ramiro | Marlies Ritter | Michael Chapman | Nelson Wiegert | Nick Rands | Patricio Farías | Paulo Nazareth | Perejaume | Regina Vater | Rosângela Rennó | Roselane Pessoa | Sarah Bliss | Sascha Weidner | Sol Casal | Susy Gómez | Telmo Lanes | Tuane Eggers | Vera Chaves Barcellos | Wanda Pimentel | Yuri Firmeza

 

Sobre a curadora

Bruna Fetter. Professora e pesquisadora do Instituto de Artes da UFRGS, Bruna Fetter é Doutora em História, Teoria e Crítica de Arte pelo PPGAV/UFRGS, Programa de Pós-Graduação no qual hoje atua como docente. Vice-coordenadora do curso de especialização em Práticas Curatoriais da UFRGS, foi pesquisadora visitante na New York University (2014/2015), possibilitado por bolsa Fulbright. Atualmente é diretora cultural da Fundação Vera Chaves Barcellos. Curadora das mostras Do abismo e outras distâncias (Mamute Galeria, Porto Alegre/2017), Expedições pela Paragem das Conchas (Espaço de Artes da UFCSPA, Porto Alegre/2016), Da matéria sensível: afeto e forma no acervo do MAC/RS (Porto Alegre/2014), O sétimo continente (Zipper Galeria, São Paulo/2014) e Qualquer lugar (Casa Triângulo, São Paulo/2013). Também realizou a curadoria da mostra Mutatis mutandis, com Bernardo de Souza (Largo das Artes, Rio de Janeiro/2013); e dividiu a curadoria da mostra Cuidadosamente, através com Angélica de Moraes (São Paulo/2012). Entre 2006 e 2007 coordenou a equipe de produção executiva da 6a Bienal do Mercosul. É membro da ANPAP, da ABCA e da AICA. Coautora do livro As novas regras do jogo: sistema da arte no Brasil (Editora Zouk, 2014), colaborou nas publicações Artes visuais – ensaios brasileiros contemporâneos (org. Fernando Cocchiarale, André Severo e Marília Panitz, FUNARTE, 2017), Práticas contemporâneas do mover-se (org. Michelle Sommer, Circuito, 2015) e A palavra está com elas: diálogos sobre a inserção da mulher nas artes visuais (org. Lilian Maus, Panorama Crítico, 2014).

 

 

Variações técnicas de Ricardo Villa

 

Luciana Caravello Galeria SP, Itaim Bibi, São Paulo,  apresenta “Tudo está Acontecendo”, primeira exposição individual do multiartista paulistano Ricardo Villa na cidade, no Espaço GEMA, com 15 trabalhos com suportes plurais resultantes de uma pesquisa iniciada em 2006 onde o artista ‘busca compreender as implicações e determinações do capital na construção da realidade social’.

“O conjunto de trabalhos que será apresentado, procura demonstrar como a economia se estabeleceu como “ciência oficial”, onde a vida passa a ser tratada como uma questão numérica, descartando tudo fora do escopo do cálculo; ilustrando como a lógica neoliberal busca invadir todos os aspectos das relações sociais e reduzi-los a sua função econômica”, explica o artista. Para Marcio Harum, “em uma era de hegemonia das narrativas econômica, enquanto vai sendo constantemente reafirmada a construção de mundo, o artista Ricardo Villa reflete sobre a ideia de civilização, ao chamar a nossa atenção para outras possibilidades de organização das mentalidades em um planeta cada vez mais ciente de sua própria vulnerabilidade.”

“Tudo está Acontecendo” é o momento em que Ricardo Villa dedica-se a destacar a simultaneidade e determinação das metodologias econômico/sociais que constroem a experiencia social. As obras escolhidas, derivadas de uma pesquisa ativa a 16 anos e ainda em andamento, mantém a utilização do papel moeda dialogando com alguns trabalhos anteriores em concreto e tecido. Segundo o artista, “os trabalhos que produzo são muito variados em termos de técnica; trabalho com vídeo/animação, desenho, colagem, tecelagem, dobradura, tradução, fotografia, etc. A pesquisa/tema tende a variar na medida em que avança, compondo um mesmo campo de interesse.”

Para dar feitio às suas obras, no momento de sua concepção, Ricardo Villa “parte da necessidade de compreender o que determina nossas vidas, nossas convicções, pontos de vista sobre o mundo. O método para isso é viver e buscar estratégias de conversação e construção de afetos.”

“O pensamento por trás da pesquisa artística e o universo das relações do capital que afetam a vida e a produção de artistas no sistema de arte são a tônica deste trabalho.” Marcio Harum

 

Sobre o artista 

Ricardo Villa (São Paulo, 1982) – Vive e trabalha em São Paulo. Formado em Arte e Cultura fotográfica pelo Centro Universitário Senac (bolsista Prouni). Entre suas principais exposições estão: “Até Começar a parecer ordem” (individual), Luciana Caravello Arte Contemporânea (2017). “São Paulo não é uma cidade, Invenções do centro”, Sesc 24 de maio (2017); “ Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos” (2017), OCA/SP; “Como Atravessar Paredes”, Prêmio CCBB Contemporâneo (individual) Centro Cultural Banco do Brasil/RJ (2016); ArtePará (2016); Encontro de Mundos, Museu de Arte do Rio/MAR (2015); “Falso Movimento” Luciana Caravello Arte Contemporânea (2014); “Vanitas” Central Galeria de Arte (2011); “Abre-Alas15”, A Gentil Carioca (2018) e residência Re:uso JACA Centro de Arte e Tecnologia BH/SA.

 

Até 17 de dezembro.

 

 

Dois novos espaços

 

Com o nome inspirado pela palavra que abre uma das obras fundamentais da literatura brasileira, “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, Nonada ocupa dois espaços: um em Copacabana e outro em um galpão industrial na Penha, subúrbio do Rio de Janeiro. A mostra inaugural reuniu obras de 32 artistas de diversas cidades brasileiras, com pesquisas que abrangem temas atuais, entre os quais racismo, questões políticas, sociais e de gênero. Em Copacabana as obras de “A Palavra: Prosa”, e na Penha “A Palavra: Verso”. Na Penha, a artista e DJ Marta Supernova realizou uma apresentação no dia da abertura. O texto crítico é do artista, poeta e compositor André Vargas. Nonada é uma galeria dedicada a dar visibilidade à excelência da produção artística, e local de pesquisa e debate plural.

 

Artistas expositores

Os artistas da exposição inaugural de Nonada são: 13unituh (André Moura), de Realengo, Rio; Agrippina, de São Gonçalo, Rio; Alan Oju, de Santo André, São Paulo; Allan Pinheiro, do Complexo do Alemão, Rio; André Barion, de São Paulo; Andy Villela, Rio; Bruno Alves, Cidade Júlia, São Paulo; Bruno Lyfe, de Ramos, Rio; Carlos Mello Carvalho, de Jundiaí, São Paulo; Carmen Garcia, São Paulo; Castiel Vitorino Brasileiro, de Fonte Grande, Vitória, Espírito Santo; Darks Miranda, de Fortaleza, e vive no Rio; Diambe, Rio; Emerson Freire, de São Paulo; Fabio Menino, de São Paulo; Fernanda Gomes, de Porangaba, São Paulo; Gabriel Branco, São Paulo; Guilherme Almeida, Salvador; Gustavo Magalhães, de Goioerê, Paraná, e vive em Curitiba; Guto Oca, de São Paulo, e mora em João Pessoa; Jorge Cupim, do Rio; Juan Casemiro, vive entre Conceição das Pedras, Minas, e São Paulo; Link (Diego Jesus Bezerra), de São Paulo; Lucas Almeida, de São Paulo; Maria Pia Garcez, do Rio; Marta Supernova, do Rio; Melissa Oliveira, do Morro do Dendê, Rio; Miguel Afa, do Complexo do Alemão, Rio; Pazza Pennello, de Odessa, Ucrânia, e vive em Kiev; Renan Aguena, do Rio; Siwaju, de São Paulo, e vive no Rio; e Vika Teixeira, do Morro do Inferninho, Niterói. Rua Ministro Armando de Alencar, 35/506 – 22471-080 – Rio de Janeiro RJ

 

Política e Lirismo

Em Copacabana, no espaço de 70 metros quadrados da Nonada ZS na Rua Aires Saldanha, próximo à Rua Bolívar, área boêmia e perto do futuro Museu da Imagem do Som, em exibição obras com um teor maior de crítica política e social. Na Penha, na Nonada ZN, na área de mais de 200 metros quadrados e 4,5 metros de altura, os trabalhos serão mais líricos. São variadas as linguagens dos artistas, em diversos materiais e suportes – pinturas, esculturas, fotografias, poesia, vídeos, entre outros – que percorrem várias pesquisas, discutindo temas de nosso tempo.

 

“A palavra: Prosa” / “A palavra: Verso”

André Vargas, em seu texto crítico, escreve sobre “A Palavra: Prosa” – “Também celebramos em convulsão a realidade, como quem não se fia em depressões e nostalgias. E, talvez, sejamos os que mais festejam as cisões da cidade no terror mais concreto de todo santo dia. É o paliativo, um antitérmico, a alegria. Apaga-se com ela uma barricada em chamas num futuro de rebeldias, mas rebela-se com ela no presente de extremo frio das agonias. Uma fuga, uma aventura, uma brisa. A grande alegoria.” E sobre “A Palavra: Verso” – “Respondemos mal à medicação, porque não criamos a doença. Quem a criou segue imune e impune de seu caráter maligno.

Acrônica das classes é a sua consciência, e o sintoma mais comum éo vigor da poesia. (…) Num mundo que gira padrões, que sejamos a altera presença. Pois quando nos encantamos em um mundo desencantado, dando razão à loucura, nesse mundo desconcertado, arruinamos as bases de uma hegemonia, que ainda não sabe, mas agoniza engasgada com o próprio rabo.”

A iniciativa da criação de Nonada é de Paulo Azeco e João Paulo Balsini, a que se juntaram os dois irmãos Ludwig e Luiz Danielian, donos da Danielian Galeria, na Gávea. “Há uma qualidade impressionante de trabalhos feitos por artistas que não têm tanto acesso ao circuito de galerias, que trazem temas atuais, entre eles questões políticas, sociais, de racismo e gênero. Queremos apresentar de forma plural novos talentos, visões e força criativa”, comenta Paulo Azeco, graduado em Artes Visuais na Universidade Federal de Goiás com pós-graduação em “Métiers d’art: lesArtsAppliqué”, na École Boulle”, em Paris, e uma longa trajetória em galerias importantes em São Paulo. Ludwig Danielian conta que sempre desejou ter um espaço de arte no subúrbio, diferente do perfil da galeria na Gávea. Com o projeto de Paulo Azeco e João Paulo Balsini – colecionador de arte e advogado com atuação em políticas públicas – revitalizou, junto com seu irmão Luiz Danielian, a fábrica de moda praia e lingerie aberta por seu pai em 1968, e desativada há sete anos.

Por um ano, os quatro sócios pesquisaram artistas e seus trabalhos, em um processo “extremamente orgânico, que abrange desde nossa experiência como também indicações de artistas, curadores, e de buscas que fizemos em mídias sociais”, diz Paulo Azeco. “Não queremos levantar bandeiras, rótulos, e sim valorizar a arte boa, que independe de estereótipos. Queremos ter esta proposta de galeria em Copacabana, bairro popular, e no subúrbio,na periferia do circuito de arte, para que se leve excelentes trabalhos a todos. Pretendemos promover discussões livres, contemporâneas, abertas, sem julgamentos prévios”, complementa Ludwig Danielian.

 

Guimarães Rosa

Nonada é a palavra que abre uma das obras fundamentais da literatura brasileira, “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa (27 de junho de 1908 – 19 de novembro de 1967), “um neologismo criado para representar o não-lugar ou a negação de existência”, escrevem os sócios no texto de apresentação do novo espaço de arte. “Nonada é um lugar híbrido: pesquisa, acolhe, expõe e dialoga. Deixa de ser nada e passa a ser essência por acreditar que o mundo precisa de arte, e que a arte por si só já é lugar.Parte da ideia do não-lugar para ilustrar uma visão que, ao se afastar de rótulos, amplia diálogos, se norteando pela pesquisa,o debate e a importância da curadoria. A galeria de arte enquanto agente promotor de encontros e descobertas com anseio pela experimentação”.

 

Sobre Nonada

Um neologismo criado para representar o não lugar ou a negação de existência. Nonada é a palavra que abre uma das obras fundamentais da literatura brasileira, “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, e que representa o pensamento que alicerça este projeto. Parte da ideia do não-lugar para ilustrar uma visão que ao se afastar de rótulos, amplia diálogos, se norteando pela pesquisa e debate sociológico e na importância da curadoria. A galeria de arte enquanto agente promotor de encontros e descobertas com anseio pela experimentação. Sua forma concreta se dá quando rompe padrões dos circuitos sociais e culturais. Entende a pluralidade como necessidade para sua pertinência enquanto personagem contemporâneo, e que é motivo e condição de se ser .Nonada é híbrido, pesquisa, acolhe, expõe e dialoga. Deixa de ser nada e passa a ser essência por acreditar que o mundo precisa de arte…e arte por si só já é lugar.

 

Até 04 de março de 2023.

 

 

Formas diferentes de retratar a paisagem

16/nov

 

A galeria samba arte contemporânea, Shopping Fashion Mall, apresenta até 11 de dezembro, as exposições “Primavera em Júpiter”, do artista carioca Fernando Mello Brum, e “Mario Baptista Street”, do premiado fotógrafo paulistano Mario Baptista, em seus dois espaços em São Conrado. Em comum, as exposições trazem formas diferentes de retratar a paisagem, em obras com cores fortes e vibrantes. As duas exposições que tem a paisagem como tema, Fernando Mello Brum apresenta desenhos e pinturas inéditos que marcam uma nova fase em sua obra e o fotógrafo Mario Baptista fará sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro.

“Apesar de um ser pintura e o outro fotografia, a paisagem é um tema comum na pesquisa dos dois artistas. São olhares diferentes, formas diferentes de se retratar a paisagem. Fernando tem o olhar para o micro, Mario para o macro”, afirma Cali Cohen, sócia da galeria samba arte contemporânea.

Fernando Mello Brum apresentará 40 trabalhos inéditos, sendo 20 pinturas em óleo sobre tela e 20 desenhos, alguns em pastel oleoso e outros em nanquim. As obras são fruto da observação do artista sobre o cotidiano e marcam uma nova fase de maturidade pictórica em seu trabalho, com cores fortes, marcantes e vibrantes, que trazem o embate entre a paisagem real e fragmentada.

“Pego ideias, coisas que interessam ao meu olhar, sempre voltado para a paisagem e para os pequenos detalhes, que muitas vezes passam despercebidos ao olhar dos outros”, conta Fernando Mello Brum, que em suas obras amplia detalhes do que vê a sua volta, dando a elas, através de um olhar particular um novo sentido.

As obras se aproximam mais do universo lúdico e infantil, o que se deve à convivência com o sobrinho de três anos, exaltando além das cores, as características físicas da tinta, como peso e maleabilidade, que o artista explora sobrepondo, raspando, misturando, criando volumes e deixando marcas de pinceladas aparentes, nos dando a sensação de movimento.

Já Mario Baptista apresentará 13 fotografias inéditas, produzidas entre 2018 e 2022, que retratam detalhes captados pelo olhar atento do fotógrafo em grandes metrópoles pelo mundo, em imagens que quase parecem pinturas, com cores fortes e vibrantes. Para conseguir o efeito desejado, o artista usa a técnica de longa exposição e trabalha com contrastes. A exposição integra a 15ª edição do FotoRio. As fotografias da exposição apresentam momentos efêmeros e detalhes que não escaparam ao clique do fotógrafo. “Para fotografar, procuro ir a lugares de grande concentração de cores, geometria, grafite, luzes, néon, coisas que chamam atenção. Eu costumo dizer que eu não tiro fotos, são elas que me tiram”, afirma Mário Baptista, que apesar de fotografar desde os 13 anos, somente há três resolveu se dedicar exclusivamente à fotografia. Autodidata, já coleciona diversos prêmios em seu currículo, como o PX3 – Prix de la Photographie Paris. Feitas em São Paulo, Oxford, Paris e Los Angeles, as imagens são um retrato das grandes metrópoles. “O lugar geográfico é mero acaso do destino. Todos esses lugares estão dentro de mim. O meu olhar naturalmente busca referências que conversam”, conta Mário Baptista.

 

Sobre Fernando Mello Brum

Fernando Mello Brum é formado em Design pela PUC-Rio. Trabalha através da observação do cotidiano no campo pictórico. Busca explorar o conceito de paisagem de modo nostálgico, onde é possível compreender a dinâmica dela: incluindo a manipulação de seus efeitos e os limites do espetáculo. Suas pinturas criam uma relação com a realidade da paisagem e aquela que pode vir a ser imaginada pelo espectador. Em 2015 e 2016, participou da feira Art Lima, Peru, com a Galeria TAC. Em 2017, realizou exposição individual na Galeria TAC em Lima, Peru. Em 2019, realizou uma residência artística em Berlim, Alemanha, finalizada com uma individual na Galeria coGalleries na mesma cidade. Neste mesmo ano fez mais uma exposição individual na Z42 Arte no Rio de Janeiro, com curadoria de Fernando Cocchiarale. Em 2020, participou de uma exposição coletiva na Galeria Simone Cadinelli no Rio de Janeiro, em 2021, do Salão de Artes Visuais na Galeria Ibeu Online, no Rio de Janeiro e da Coletiva Da Pintura, com curadoria de Isabel Portella e Patrícia D’Angelo na Z42 Arte em 2022.

 

Sobre Mario Baptista

Mario Baptista recebeu os seguintes prêmios: Grande Prêmio Fotografe 2022 – Finalista – série “O que vemos, o que nos olha”. Setembro, 2022 International Photography Awards IPA – Finalista – “His own paths”. Setembro,22. Monovisions Photography Awards – Menção Honrosa – “His own paths”. Passaram-se três décadas para que Mario Baptista realizasse uma exposição individual desde que ganhou sua primeira máquina fotográfica. Apesar do longo período de convivência com câmeras, ele passou a se dedicar exclusivamente à fotografia somente em 2019. O fruto dessa imersão plena na captura de imagens foi conhecido em 2021, quando abriu, em São Paulo, a mostra “Cidade Errante”. Fruto de seu olhar sensível e apurado diante da paisagem urbana e humana da metrópole, a exposição reuniu 17 imagens selecionadas sob a curadoria do jornalista, fotógrafo e crítico Eder Chiodetto. Desde então, Mario Baptista segue produzindo novos trabalhos e ressignificando seu acervo pessoal de fotos anteriores junto a curadores que trazem outros olhares sobre a produção do artista. Esse desenvolvimento pode ser apreciado em sua participação em março de 2022, na nova feira paulista ArtSampa 22 no museu OCA do Ibirapuera, como também pelos ensaios curatoriais: Diálogos… e o que vem depois; O que vemos, o que nos vê; Paisagens Mediadas; Alquimia fotossensível; Imaginários Urbanos; e outros. Baptista também tem uma intensa atividade com o projeto social Feito Formiguinhas.

 

Sobre a galeria

A samba arte contemporânea, fundada em 2015 por Arnaldo Bortolon e Cali Cohen, é um espaço que privilegia o diálogo contínuo entre artistas renomados e emergentes de diferentes gerações e regiões brasileiras. Com seu variado acervo em exposição permanente, apresenta de forma singular as obras desses artistas, que colocados lado a lado, nos oferecem inúmeras possibilidades de apresentação e percepção, independentemente de escala, suporte e técnica. A galeria possui dois espaços expositivos, sua ocupação se alterna entre as exposições de acervo, as individuais dos artistas representados e as de projetos curatoriais particulares. Com o intuito de divulgar, promover e difundir a produção contemporânea, a galeria se propõe também a ser um espaço de pesquisa, experimentação e educação através de ações relacionadas. Atua em cooperação com projetos de integração da arte com o entorno, extrapolando o espaço expositivo da galeria e aproximando as obras dos artistas do público circulante. A galeria trabalha com Antonio Bandeira, Antonio Dias, Adriana Lerner, Anna Maria Maiolino, Ascânio MMM, Bruna Amaro, Erinaldo Cirino, Diogo Santos, Elisa Arruda, Fernando Mello Brum, Franz Weissmann, Ione Saldanha, José Rezende, Jota Testi, Manfredo de Souzanetto, Roberval Borges, Thiago Haidar, Washington da Selva, entre outros.