O olhar de Rochelle Costi.

11/set

Rochelle Costi fotografou aquilo que quase ninguém costuma registrar. O olhar de Rochelle Costi chega em POA em mostra que revela o extraordinário do cotidiano. A exposição reúne obras produzidas entre 2004 e 2022, e convida o público a capturar a passagem do tempo em atividade inspirada na artista. 

A partir de 12 de setembro, esse olhar, que ajudou a consolidar Rochelle Costi como uma das principais fotógrafas da arte contemporânea brasileira, ganha novo contexto na exposição “Rochelle Costi: Tudo é rua”, em cartaz na sede do 4º Distrito do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC/RS), em Porto Alegre, RS. 

Séries com imagens de fachadas, ruas e marcas deixadas pelo tempo não apenas documentam, mas revelam histórias, modos de viver e as transformações silenciosas da rotina. Com curadoria de Fernanda Albuquerque e Gabriela Motta, a mostra reúne quase duas décadas de trabalho, elevando cenas aparentemente banais a imagens que falam sobre a memória e a passagem do tempo.

Nascida em Caxias do Sul, Rochelle Costi construiu uma obra que se afastou das fotos factuais para investigar detalhes que permanecem. Mais do que personagens ou eventos, registrava as relações que eles estabelecem com os lugares que habitam. Sua força artística e distinção na fotografia nacional seguem relevantes: além da exposição na capital gaúcha, outra mostra ocorre na Galeria Luciana Brito, em São Paulo, desde 22 de agosto.

O extraordinário do público

Antes mesmo da abertura da mostra, em Porto Alegre, as curadoras e o Educativo do MAC/RS propõem um Encontro de Educadores nos dias 10 e 11 de setembro. Será um espaço de troca, formação e aprofundamento em torno da exposição da artista. Serão abordadas estratégias de mediação, leituras possíveis da obra de Rochelle Costi e reflexões sobre práticas educativas em arte contemporânea. Gratuita, a atividade é voltada a educadores, professores e mediadores interessados em ampliar suas ferramentas de atuação, promovendo diálogos entre arte, público e território. Em diálogo com as séries, a atividade ocupa a sede do MAC/RS no 4º Distrito, região marcada por intensas transformações urbanas e crescente reutilização de espaços. Em sua trajetória, a artista desenvolveu diversos trabalhos a partir da aproximação com territórios específicos, interessando-se menos pelas paisagens e mais pelas histórias que cada lugar carrega.

Já na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), o projeto Acervo em Foco apresenta “Mudanças (ascensão econômica)” (2000), obra do acervo do MAC/RS, que transforma um quarto em retrato indireto de modos de vida, identidade e condição social. Em dois registros, a reorganização dos móveis modifica o ambiente e também aquilo que ele revela e oculta, ampliando a investigação sobre como objetos cotidianos podem contar histórias sem que os sujeitos apareçam.

A exposição e o Encontro de Educadores reforçam o que há de mais sensível no olhar de Rochelle Costi, convidando a participar da permanente reinvenção do dia a dia.

Até 31 de janeiro de 2027.

A pesquisa antropológica de Douglas Lopes.

10/set

sta é a primeira mostra de Douglas Lopes fora do Complexo da Maré, onde ele nasceu, trabalha e mora até hoje. Sua pesquisa antropológica, através da fotografia, foi escolhida por Sergio Burgi, do Instituto Moreira Salles, para participar de um prêmio internacional em Bolonha, Itália, foi o único indicado do Rio de Janeiro. Ele foi diretor de fotografia da série da Globoplay “Marielle, o documentário”. A Fábrica Bhering, Santo Cristo, é um prédio industrial histórico, na zona portuária do Rio de Janeiro, que funciona como  polo de arte, cultura e economia criativa.

Douglas Lopes inaugura a mostra “Entre a Favela, o Inferno e o Céu”, na Fábrica Bhering, o artista apresenta fotografias que exploram as relações entre paisagem, memória e os imaginários construídos sobre as favelas cariocas. Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) inaugura exposição individual na quarta, 16 de setembro, das 11h às 18h, no quinto andar da Fábrica Bhering. Com curadoria de Vinicius Mesquita, “Entre a favela, o inferno e o céu” apresenta séries de fotografias emblemáticas de sua produção e uma instalação inédita.

A mostra é parte de um projeto mais amplo de Douglas Lopes, contemplado com uma bolsa de dois anos no Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conduzido por agentes culturais de diferentes favelas e complexos, o programa tem como objetivo estimular iniciativas concebidas e desenvolvidas a partir desses territórios. Além da exposição, o projeto contempla a publicação de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento, e passa a se chamar Estúdio Maré.

Até 18 de fevereiro de 2027.

Mosaico vibrante da cultura brasileira.

28/ago

A rua pulsa. Respira histórias, abriga encontros, guarda memórias em movimento. É nesse fluxo, entre passos, motores, olhares e afetos, que o Brasil se revela e se reinventa todos os dias.

Em cartaz até 11 de outubro, a exposição inédita “Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura” convida a mergulhar nessa paisagem viva, onde arte, celebrações, moda e automóveis se entrelaçam para contar uma história coletiva. Com 112 obras de arte, 104 fotografias, vídeos, instalações experienciais e obras site-specific, o percurso se expande em 17 looks de moda, 7 carros icônicos – incluindo os carros-conceito Dolce Camper e o Mio -, compondo um mosaico vibrante da cultura brasileira.

Entre as grandes atrações, instalações imersivas que convidam ao sentir, veículos históricos que atravessam gerações e experiências sensoriais que despertam memória, pertencimento e imaginação.

Em diálogo com os 50 anos da Fiat no Brasil e os 20 anos da Casa Fiat de Cultura, a mostra celebra caminhos, conecta tempos, imagina o futuro e convida cada visitante a viver, com intensidade, o Brasil em movimento.

Pesquisas sobre o espaço e seu entorno.

CHÃO e|and CHAOS + AQUI, de João Modé, abriu no porão do Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny, na PUC-Rio, como parte da mostra Respiração, coletiva que inaugura a ART CUT’26, a Trienal de Arte das Universidades Católicas. Com o tema Exercícios de Empatia e curadoria-chefe de Nuno Crespo, Respiração conta com a cocuradoria de Luiz Camillo Osorio e Carlos Eduardo Félix da Costa e é organizada em três núcleos: Suspirar, Respirar e Conspirar.

Criada especialmente para a Trienal, CHÃO e|and CHAOS + AQUI parte das características físicas e da história do Solar, articulando elementos de sua arquitetura a pesquisas sobre o espaço e seu entorno. Entre as intervenções, Modé reveste parte do piso com argila, material amplamente utilizado na construção, em intervenções sutis que revelam detalhes do espaço e dialogam com seus arcos, o pé-direito, as dimensões reduzidas das salas e a umidade. A ocupação de Modé também incorpora objetos provenientes da pesquisa histórica do Solar, como um caramanchão de bambu, e inclui a projeção de AQUI.

AQUI, em processo desde 2009, é um filme autônomo projetado dentro da exposição. O trabalho reúne documentação fotográfica de viagens e deslocamentos realizados por Modé desde o fim dos anos 1980 e reflete sobre as relações entre fotografia, espaço, tempo e memória. A ênfase está nos lugares, em suas dimensões micro e macro, como espaços de memória afetiva e de uma geografia poética. Não aparecem pessoas; algumas vezes, apenas vozes. Nas palavras do artista, “O projeto AQUI pretende questionar o papel da fotografia na formação de uma memória espacial e temporal.” O trabalho recebeu o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia em 2012.

A exposição fica em cartaz até 15 de novembro, com entrada gratuita, no Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny, PUC-Rio.

O filme AQUI está disponível na íntegra para assistir online.

Um novo olhar.

27/ago

O Ministério da Cultura e a Fundação Vera Chaves Barcellos convidam para a abertura da exposição coletiva “Uma Força Estranha”, que será inaugurada no dia 29 de agosto de 2026, sábado, das 11h às 17h, na Sala dos Pomares, em Viamão, RS.
Dando continuidade à programação expositiva de 2026, dedicada à produção de artistas mulheres, “Uma Força Estranha” traz um novo olhar para o Acervo Artístico da Fundação, reunindo 53 obras de 36 artistas brasileiras e internacionais. O conjunto contempla trabalhos em desenho, pintura, gravura,  fotografia, vídeo, objeto, instalação, entre outras técnicas e linguagens. A organização é de Vera Chaves Barcellos, com expografia de Arthur Bonfim e textos de Ana Albani de Carvalho

Nas palavras de Vera Chaves Barcellos:
“Uma Força Estranha se inspira em uma das obras primas da música popular brasileira de todos os tempos, a criação de 1978, de Caetano Veloso, eternizada pela incomparável voz de Gal Costa. Em Força Estranha, Caetano traça poeticamente a defesa da criação e da linguagem artística como uma força incontida que impulsiona o/a artista a criar de forma verdadeira e atemporal. Aqui, podemos ver exemplos dessa força estranha nessas verdades expressas em suas mais diversas formas, nas obras deste conjunto de mulheres.”

Artistas participantes.

Regina Silveira, Lia Menna Barreto, Maria Lídia Magliani, Gisela Waetge, Wanda Pimentel, Karin Lambrecht, Marina Camargo, Maria Lucia Cattani, Débora Bolzsoni, Teresa Poester, Helena D’Avila, Fernanda Chemale, Romy Pocztaruk, Dione Veiga Vieira, Ío (Laura Cattani e Munir Klamt), Paula Krause, Brígida Baltar, Lurdi Blauth, Ananda Kuhn, Elaine Tedesco,  Thereza Miranda Alves, Ana Maria Tavares, Lily Hwa, Suely Anna Kelling, Vera Chaves Barcellos, Mara Alvares, Sarah Bliss, Mariana Silva da Silva, Virginia de Medeiros, Heloisa Schneiders da Silva, Carla Borba, Begoña Egurbide, Monika Funke Stern, Marlies Ritter, Teresa Puppo, Francesca Llopis.

Multiplicidade de vozes e identidades.

26/ago

A Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, convida no dia 29 de agosto, das 11h às 15h, para a aberturada da exposição “Speaking in Tongues” (Falando em línguas), com curadoria de Magalí Arriola, que apresenta obras – esculturas, pinturas, desenhos, fotografia, objetos – dos artistas Antonio Dias, Dan Graham, Carlos Bunga, Tania Pérez Córdova, Jonathan Torres, Ann Lislegaard, Petrit Halilaj, Gino De Dominicis, Adriano Amaral, Julia Gallo e a dupla Guadalupe Rosales e rafa esparza.

A curadora explica que “Speaking in Tongues” (Falando em línguas) se opõe à “lógica contemporânea que busca nos categorizar como indivíduos – apagando todas as formas de opacidade – criando categorias e associações”. Contra essa tendência, a mostra reúne uma multiplicidade de vozes e identidades, e “reativa a especulação, o sonho e outras formas de subjetividade como estratégias para resistir à urgência de cristalizar o futuro”.

“Aquilo que se apresentava como futuro deixa de ser o lugar das grandes narrativas, previsões, promessas ou adivinhações e passa a ser, em vez disso, um campo conjectural no qual tecnologia e messianismo, medo e nostalgia, espera e utopia, conspiração e linearidade, trama e profecia se entrelaçam”, afirma Magalí Arriola. 

A mostra integra o ciclo comemorativo dos 50 anos de trajetória de Nara Roesler, e celebra o Roesler Hotel, projeto iniciado em 2004 e que, ao longo de 29 edições, acolheu artistas, curadores e ideias de diferentes partes do mundo, como um espaço de experimentação. Nesta edição especial, foi convidada a escritora e curadora Magalí Arriola, ex-diretora do Museo Tamayo, na Cidade do México, e curadora do Pavilhão do México na 58ª Bienal de Veneza (2019), e curadora chefe da Bienal Internacional de Arte e Cidade de Bogotá (Bog27) em 2027, entre muitas outras funções.

Até o dia 24 de outubro. 

Seleção de obras da Almeida & Dale.

20/ago

No estande C05, na ARCA, Vila Madalena, São Paulo, SP, a Almeida & Dale promove um encontro entre artistas contemporâneos e figuras-chave do século XX nos contextos brasileiro e latino-americano.  

Confira a seleção de obras de Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Ana Elisa Egreja, André Ricardo, Beatrice Arraes, Beatriz Milhazes, Candido Portinari, Carlos Garaicoa, David Almeida, Di Cavalcanti, Diego Rivera, Elena Damiani, Eleonore Koch, Feliciano Centurión, Felipe Cohen, Guga Szabzon, Guillermo Kuitca, Gustavo Caboco, Héctor Zamora, Heitor dos Prazeres, Hélio Melo, Henrique Oliveira, Ivan Campos, Jaider Esbell, José Bento, José Leonilson, Lucas Arruda, Luiz Sacilotto, Lygia Pape, Maria Martins, Mariana Palma, Marina Woisky, Maya Weishof, Mira Schendel, Nelson Felix, Paulo Pasta, Rubem Valentim, Saint Clair Cemin, Sergio Camargo, Sheroanawe Hakihiiwe, Thiago Martins de Melo, Túlio Pinto, Vanderlei Lopes e Vivian Caccuri.

Um diálogo entre três gerações.

19/ago

A Luciana Brito Galeria, Jardim Europa, São Paulo, SP, apresenta “Flores e Vasos”, no espaço do Pavilhão. Com curadoria de Nessia L. Pope, reúne fotografias de Rochelle Costi (1961-2022, Brasil), Gaspar Gasparian (1899-1966, Brasil) e Robert Mapplethorpe (1946-1989, EUA), tomando as representações de flores e vasos como eixo para estabelecer um diálogo entre três gerações e distintas abordagens da fotografia.

Flores e Vasos. 

Rochelle Costi, Gaspar Gasparian, Robert Mapplethorpe.

Historicamente associados à tradição da natureza-morta, flores e vasos são aqui reconfigurados por meio de olhares singulares, atravessados por diferentes contextos, procedimentos e sensibilidades. Essa temática atravessa a história da arte como um campo fértil de experimentação formal e simbólica, ocupando um lugar central na tradição da natureza-morta. A partir dos séculos XVI e XVII, artistas europeus passaram a explorá-la como exercício de observação e virtuosismo técnico. Com o advento da fotografia, no século XIX, esse repertório é retomado e reinterpretado: mais do que a dimensão estética dos arranjos, entram em jogo questões como enquadramento, luz, encenação e serialidade. Nesse contexto, flores e vasos transcendem sua condição de meros motivos pictóricos para se constituírem como dispositivos de reflexão acerca do tempo, da forma, da sensualidade e da experiência cotidiana.

Nas fotografias de Gaspar Gasparian, flores e vasos emergem do silêncio, por meio da construção de composições rigorosas, nas quais cada elemento parece cuidadosamente medido. O que se revela não é apenas o arranjo, mas um estado de suspensão, em que o tempo se imobiliza e a imagem se afirma como articulação de forma, luz e permanência. Um aspecto fundamental de sua produção, sobretudo nas décadas de 1940 e 1950, é a construção de cenários em estúdio, concebidos como espaços de experimentação. Neles, Gaspar Gasparian organizava flores, vasos e outros elementos com precisão, controlando minuciosamente a iluminação e o enquadramento. Esses arranjos, ao mesmo tempo que dialogam com a tradição da natureza-morta, evidenciam a fotografia como campo de construção, no qual cada imagem resulta de decisões formais rigorosamente elaboradas.

Já Robert Mapplethorpe aborda o tema a partir de uma dimensão simultaneamente formal e sensual. Nos anos 1970 e 1980, o artista desenvolveu suas célebres séries de flores (lírios, orquídeas e tulipas) em fotografias isoladas ou dispostas em vasos simples, contra fundos neutros. À primeira vista, essas imagens dialogam com a tradição clássica por meio de composições equilibradas e de uma iluminação controlada, contraste acentuado e rigor técnico, de caráter quase escultórico. No entanto, as flores deixam de ser meros elementos decorativos ou alegóricos e passam a ser tratadas como corpos, atravessados por erotização e sensualização, especialmente nas orquídeas. 

Rochelle Costi, por sua vez, em produção mais recente (entre 2015 e 2022), explora a temática a partir de uma dimensão relacional e cotidiana, elaborando anseios, memórias e inquietações por meio do que está no seu dia a dia. A artista encontrava seus objetos de investigação no ambiente doméstico e no entorno do bairro onde vivia, o Pacaembu, região de caráter relativamente bucólico na cidade de São Paulo. Diferentemente de Gaspar Gasparian e Robert Mapplethorpe, Rochelle Costi construia arranjos florais vibrantes, marcados por uma dimensão afetiva e sensível, utilizando flores coletadas e vasos provenientes de sua própria coleção, ou ainda recipientes improvisados, como garrafas, potes e outros objetos banais, que ganham presença e significado nas composições. Seu olhar se intensifica na articulação entre cor, excesso e certa estética kitsch, revelando, nas imagens, modos de vida, gostos e formas de afeto.

Ao aproximar Gaspar Gasparian, Robert Mapplethorpe e Rochelle Costi em torno da tradição da natureza-morta de flores e vasos, a exposição Flores e Vasos coloca em diálogo três gerações e contextos distintos da fotografia. Em Gaspar Gasparian, os arranjos são cuidadosamente encenados, revelando um interesse experimental e formal, herdado do experimentalismo inédito do Foto Cine Clube Bandeirante; em Robert Mapplethorpe, flores e vasos são depurados e monumentalizados como formas escultóricas, atravessadas por tensão simbólica e erótica; já Rochelle Costi desloca esse repertório para o campo do cotidiano e do afeto, evidenciando hábitos e construções culturais. Entre encenação, idealização e contingência, os três artistas reconfiguram o gênero, expandindo-o como campo de investigação sobre forma, corpo e vida social.

Até 17 de outubro.

Livro de Leonardo Finotti e o legado arquitetônico.

Uma Coleção de Arquitetura Moderna Latino-Americana

Volume 2

Lançamento, dia 22 de agosto na Gomide & Co., Bela Vista, São Paulo, SP.

No segundo volume de sua trilogia “Uma Coleção de Arquitetura Moderna Latino-Americana”, o fotógrafo brasileiro Leonardo Finotti dá continuidade à sua reavaliação do legado arquitetônico moderno da América Latina, reconstruindo edifícios fundamentais por meio das lentes de sua câmera. Deslocando o foco dos grandes protagonistas para geografias e escalas menos visíveis, Leonardo Finotti explora outras nove metrópoles: Buenos Aires, Santiago, Rio de Janeiro, Brasília, Quito, San José, Caracas, Cidade da Guatemala e Guadalajara.

O ensaio que acompanha a obra, escrito pela curadora e pesquisadora Alexia Tala, situa o trabalho de Leonardo Finotti no âmbito dos discursos arquitetônico e fotográfico, com ênfase especial em sua conexão com o legado da arte concreta brasileira, a fotografia serial e o ato de arquivar como uma forma de intervenção.

A fotografia como reação a uma provocação.

.na boca da noite…, o novo livro de Nair Benedicto, reúne 30 fotografias realizadas entre 2018 e 2024 durante uma série de expedições pelo Rio São Francisco. Concebido por Fausto Chermont como um ensaio independente a partir dessas imagens, revela uma dimensão mais silenciosa e poética do olhar de uma fotógrafa reconhecida por sua produção documental e social. O lançamento será no sábado, 22 de agosto, das 11h às 16h, na Kobbi Gallery, Vila Madalena, São Paulo, SP.

Com 64 páginas e tiragem de 500 exemplares, a publicação apresenta uma Nair Benedicto que observa a paisagem, as pessoas e o território sem abandonar a atenção que sempre orientou sua fotografia, mas permitindo que a experiência do lugar conduza a imagem para outro campo. 

No texto que acompanha, escrito pela própria fotógrafa em 2024, essa experiência aparece como fluxo de imagens e sensações. No lusco-fusco da “boca da noite”, árvores, ventos, plantas rasteiras, pequenas flores entre pedras de minério, pessoas e animais surgem diante de seu olhar. A paisagem se transforma continuamente e, com ela, também aquilo que a fotógrafa acreditava saber.

Sobre a artista.

Nair Benedicto nasceu em 1940, em São Paulo. Construiu uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada à fotografia. Formada em Rádio e Televisão pela USP, fundou em 1979 a Agência F4, ao lado de Juca Martins, Delfim Martins e Ricardo Malta, e participou da criação do NAFoto, em 1991. Sua produção aborda questões sociais brasileiras, com trabalhos dedicados, entre outros temas, às mulheres, aos povos indígenas, aos trabalhadores e à infância. Suas fotografias integram acervos de importantes instituições brasileiras e internacionais, entre elas o MoMA (NY, US), e o MAM-Rio. Em 2025, doou seu acervo fotográfico à Unicamp.