Sete fotógrafos no Museu Afro Brasil

05/dez

O Museu Afro Brasil, promove no próximo dia 08 de dezembro, às 12h, a abertura da exposição coletiva “Olhares Revelados”. Como sugere o nome da mostra, “Olhares Revelados” pretende desnudar aos olhos do espectador a arte da constante busca pelo sentido da imagem no fazer fotográfico. A curadoria da exposição é de Silvio Pinhatti.

 

Nos últimos anos, temos experimentado a cada instante um imenso crescimento da produção de imagens por multidões de celular em punho e redes sociais como o Instagram e o Facebook. Como é possível, num cenário como esse, valorizar a produção fotográfica e ressignificar o ofício do fotógrafo? Se hoje um senso comum afirma que ‘qualquer um’ pode produzir imagens – que vão se perder nas redes sociais num movimento praticamente sem autoria – como cristalizar a arte fotográfica com o cuidado, a atenção e o labor que ela merece? Como estender uma linha do tempo que faça jus a artistas tão fundamentais, que nos ensinaram que a fotografia é uma arte narrativa, memorável, imprescindível? Se tem se tornado tão banal a produção de imagens prolixas, é possível observar nelas uma frouxidão de sentido que sem dúvida não faz parte da fotografia como surgiu e se encorpou ao longo do século XX. Desse modo, é preciso que estejamos atentos aos artistas-fotógrafos que continuam zelando por essa arte”, afirma Pinhatti.

 

“Olhares Revelados” reúne 87 fotografias de sete fotógrafos brasileiros: Andrea Fiamenghi, Eidi Feldon, Gil Rennó, Lucila de Avila Castilho, Paulo Behar, Pedro Sampaio e Tuca Reinés. Para além do ofício que une os sete profissionais, os artistas selecionados possuem em comum o afeto e a celebração do fazer fotográfico tal qual o mesmo se popularizou no século 20, buscando por meio da fotografia a beleza, a comunicação e a impressão de sentido à imagem.

 

 

 

Sobre os artistas

 

Andrea Fiamenghi
Nascida em São Paulo, Andrea Fiamenghi vive em Salvador, na Bahia, desde os quatro anos idade. Sua paixão pela fotografia a fez encontrar-se com a obra de Pierre Verger, grande fotógrafo e antropólogo francês, residente em Salvador. Do encontro com a obra e sob a influência do mestre, começa a retratar o povo nas ruas de Salvador e a desenvolver pesquisas. Na mostra “Olhares Revelados”, Andrea apresenta imagens da Cerimônia Águas de Oxalá e as festas do calendário religioso do Terreiro Iiê Axé Opô Aganju.

 
Eidi Feldon
Designer e fotógrafa, Eidi Feldon fez orientação de fotografia com Claudia Andujar nos anos 1970, e desde então sempre esteve de máquina em punho. Em “Olhares Revelados”, Feldon mostra registros da série “Thesaurus – O Lugar da Observância”, que reúne fotos que nos falam de um vestígio de tempo passado, mas também de um conjunto de circunstâncias do presente, que antevê os aspectos disruptivos de uma civilização que atravessa o seu momento mais pungente de deterioração ecológica.

 

Gil Rennó
Há quinze anos vivendo na Serra da Mantiqueira, Gil Rennó vem fotografando a fauna e a flora locais, sua gente, seu comércio e seus hábitos. Na exposição “Olhares Revelados” o artista apresenta fotografias de duas manifestações da cultura popular local cruciais para a população da Serra da Mantiqueira. São elas as comemorações da Festa de Treze de Maio no bairro do Quilombo em São Bento do Sapucaí, e a Via Sacra no município de Gonçalves (MG), em que a população faz uma peregrinação em volta da pedra do Cruzeiro.

 
Lucila de Avila Castilho
Nascida em São Paulo, em 1957, a artista é especialista em fotografia de viagem. Segundo o fotógrafo André Douek: “Na fotografia de Lucila identificamos os elementos, as estações e as criaturas. Estamos diante das cenas da gênesis”. Na exposição “Olhares Revelados”, Lucila apresenta imagens da Escócia, Chile, Itália e Islândia.

 

Paulo Behar
Com diversas fotos publicadas pela National Geographic e BBC Brasil, Paulo Behar procura registrar as belezas da natureza e vida selvagem, com um olhar que busque impactar e emocionar o espectador. Na mostra “Olhares Revelados”, o artista mostra fotografias da natureza selvagem encontradas em lugares como Chile, Cananéia (SP), Cubatão (SP), Pantanal do Rio Negro (MS), Poconé (MT), Barão de Melgaço (MT), Jardim (MS), Miranda (MS), Porto Jofre (MT).

 

Pedro Sampaio
Paulistano de 27 anos, acostumado à vida da metrópole e com formação multidisciplinar, Pedro Sampaio fotografa a resistência cultural dos que vivem à margem da globalização nos centros urbanos. Em suas viagens para Cuba, Irã, Líbano, países desacreditados pela imagem dos noticiários ou comunidades brasileiras isoladas da grande mídia, a fotografia lhe permitiu registrar aquilo que testemunhava.

 

Tuca Reinés
O premiado fotógrafo Tuca Reinés exibe retratos feitos na aldeia de Jerusalém, província de Laikipia, centro do Quênia, África. Com cerca de 300 habitantes, a aldeia congrega três das principais etnias do norte do país: Samburu, Turkana e Borana.

 

 

Até 13 de janeiro de 2019.

 

Hiper-realismo no CCBB/SP

21/nov

Trabalhos ligados ao hiper-realismo são o ponto de partida da nova exposição no CCBB, São Paulo, SP, “50 Anos de Realismo – Do Fotorrealismo à Realidade Virtual”. O público encontrará em exibição cerca de 90 obras, entre pinturas, esculturas, vídeos e instalações interativas, feitas por 30 artistas de vários lugares do mundo. Um dos destaques é o trabalho hiper-realista de Giovani Caramello. Tereza de Arruda responde pela curadoria. Há obras de que participaram da Documenta de Kassel em 1972, pioneira em dar visibilidade a essa tendência no campo internacional.

 

Um dos destaques é o inglês John Salt, que mudando-se para os Estados Unidos na década de 1960, passou a registrar em suas pinturas as paisagens suburbanas ou parcialmente rurais do país, como carros abandonados e trailers dilapidados. Neste setor também estão as obras a óleo e aquarelas do norte-americano Ralph Goings (1928 – 2016), que retratam caminhonetes, restaurantes populares e naturezas-mortas de produtos triviais, como embalagens de ketchup e mostarda.

 

No 2º e no 3º andares, os trabalhos foram divididos em quatro temas: paisagem e paisagem urbana, retrato e natureza-morta, onde encontram-se pinturas em grandes dimensões baseadas em espaços arquitetônicos e urbanos do britânico Ben Johnson, as paisagens naturais da inglesa Raphaella Spence e as representações geométricas inspiradas em fachadas de prédios modernistas do brasileiro Hildebrando de Castro.

 

Neste espaço há também obras tridimensionais de escultores do hiper-realismo que mostram representações do corpo humano. Além do trabalho de Caramello, – único brasileiro na exposição dedicado a este estilo -, há esculturas do dinamarquês Peter Land.

 

No 1º andar e no subsolo estão as artes que exploram a realidade virtual. Neste setor, destacam-se o japonês Akihiko Taniguchi, que desenvolve modelos detalhados em 3-D de espaços do cotidiano e os insere na realidade virtual de sua obra; e a brasileira Regina Silveira, que explora mídias distintas em uma mesma obra, sendo precursora em trabalhos com vídeo, fotografia, colagem, xerox e postais. Na exposição, apresenta uma animação digital.

 

Desde a abertura, o CCBB São Paulo já realizou um bate-papo gratuito sobre realismo na contemporaneidade aberto ao público. Participaram Tereza de Arruda (curadora), Bianca Kennedy, Fiona Valentine Thomann, Hildebrando de Castro, Rafael Carneiro, Regina Silveira, Ricardo Cinalli, The Swan Collective (artistas) e Maggie Bollaert (consultora).

 

Até 14 de janeiro de 2019.

Anita Schwartz exibe duas artistas 

A Anita Schwartz Galeria, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta as exposições “Entre Águas”, de Maritza Caneca, e “Revoada”, de Claudia Melli, ocupando o térreo e o segundo andar da galeria. Maritza Caneca dá continuidade à pesquisa com piscinas, tema que permeia sua trajetória artística desde 2012. Já em Revoada”, Claudia Melli apresenta um conjunto de desenhos realizados entre 2017 e 2018, numa alusão ao movimento da vida e a passagem do tempo.

 

Em sua segunda individual no Rio de Janeiro, a fotógrafa Maritza Caneca expõe o resultado de suas andanças por Budapeste em julho de 2018, onde visitou 56 piscinas em cinco dias. Com 9 imagens inéditas, de 100 X 150cm e ampliadas em papel algodão, a seleção traz o registro das termas Rudas, Szechenyi, Gellert, Kiraly, Lukacs, Palatinus e Römai e inclui, ainda, a foto da instalação “Swimming Pool” (2016), de Leandro Erlich, que fica no Museum Voorlinden, em Wassenaar, na Holanda. Além das 9 imagens inéditas fará parte da exposição a obra “Swimming Pool”, 2018, que foi apresentada na ArtRio, e três obras em formato redondo em metacrilato, fineart, em tamanhos variados. A mostra terá um texto de apresentação assinado por Vanda Klabin. “Este ainda é o trabalho das piscinas, mas em evolução. Quando chego em uma piscina é sempre uma surpresa. Por isso escolhi Budapeste, com suas termas de origem árabe, turca, romana. É um universo vasto de diferentes formas”, comenta Maritza.

 

Tendo como referência a obra de David Hockney e James Turell, o olhar da artista, que começou a carreira nos sets de cinema, está refletido na geometria dos elementos com que trabalha. “Busco a simetria nas imagens, mas não tenho compromisso com o local. A ideia ao registrar este ambiente é que ele se torne atemporal, único”, explica. Maritza Caneca completa a mostra com um vídeo em looping e duas esculturas de cubo em azulejo, cada uma com seis placas de 14 x 14cm, fruto da temporada em Lisboa no início de 2018. “Desde o início busco diferentes maneiras de registrar esta experiência. Em 2017 fiz o primeiro trabalho com azulejos, com a instalação de um grande painel com fotos da piscina do Copacabana Palace. Quando estive em Portugal, tive a oportunidade de aprimorar a técnica com azulejo queimado e produzir as placas com diferentes desenhos em cima das fotos de Budapeste”, completa.

 

Paulista radicada no Rio de Janeiro, após três anos sem expor na cidade, Claudia Melli faz sua primeira individual na Anita Schwartz Galeria. “Revoada” é um conjunto de 80 desenhos em nanquim sobre placas de vidro, com dimensões variadas, realizados entre 2017 e 2018. No contêiner, no terraço da galeria, Claudia Melli complementará a exposição com o vídeo “Imagens da Lua” (2007, 14’8”), da Sonda Espacial Kaguya do Japão, com imagens de diferentes momentos da lua ao longo de sua rotação. A mostra aborda um tema recorrente no trabalho da artista, antes representado pelos mares, árvores e vento: a passagem do tempo. Inspirada pela Andorinha do Mar do Ártico (Sterna Paradisaea), espécie que entre as aves realiza extensas migrações, alcançando ao final do ciclo uma distância equivalente a uma volta completa ao redor da Terra, a artista se apropria do voo das aves em uma mesma direção para representar os ciclos naturais da vida. “Assim como a migração de certos animais, a passagem das estações, o movimento das marés, o dia e a noite, a nossa respiração. Sendo a Terra um sistema fechado, o nosso ar, água, vida, alimento e tudo mais, não vem de outro lugar senão do eterno e sistemático movimento que acontece em nosso planeta através dos ciclos da natureza, mantendo o fluxo da vida contínuo fazendo com que estejamos todos conectados. Não se trata de uma visão ecológica, mas da minha perplexidade diante de tamanha perfeição e beleza”, comenta.

 

 

 

Sobre Maritza Caneca

 

Há cinco anos, Maritza Caneca se dedica a fotografar piscinas pelos quatro cantos do mundo. Já esteve em Israel, Suíça, Cuba e clicou o espelho d´água mais antigo de Lisboa. Seus trabalhos são conhecidos no circuito da arte internacional, em exposições coletivas na Arte Cartagena, Art Copenhagen, Scope Miami Beach, Scope Basel Suíça e Scope Nova York. Recentemente, a artista foi selecionada para uma residência artística no disputado BakehouseArtComplex, em Miami, onde tem um estúdio ao lado de mais de 50 artistas. Seu percurso artístico começa nos anos 1980 como fotógrafa de still em filmagens cinematográficas. Desde então, assinou importantes projetos no cinema e na TV, entre eles “A luz do Tom” (2013), de Nelson Pereira dos Santos; “Carlos Burle Gigantes por Natureza” (2012), de Felipe Jofily; e “Viver com Fé, em Jerusalem”, com Cissa Guimarães, para o GNT. Suas fotos podem ser vistas no Rio de Janeiro, São Paulo, Los Angeles, Barcelona, Genebra e Londres. Entre as individuais estão as exposições “Water Diaries”, na Clima Art Gallery (2018), e “Pool Series”, na Bossa Gallery (2016), ambas em Miami.

 

 

 

Sobre Claudia Melli

 

Expondo desde 2007, Claudia Melli atua na fronteira entre o desenho e fotografia, sempre indagando sobre a natureza dos mecanismos de percepção. Participou de algumas coletivas como o projeto de interferência no Museu da República, no Rio de Janeiro em 2007, “3 atos 3 artistas” na Galeria Eduardo Fernandes, em São Paulo (2009) e “Monumental”, na Marina da Glória (Rio de Janeiro, 2018). Entre as individuais estão a mostra “ONDE”, galeria Durex, Rio de Janeiro em 2008, “Série Azul” na Fundação Walter Wulltrich – Projeto Brasiléia (Basel, Suíça – 2014) e “Lugares onde nunca estive”, no MAM Rio (2015).

 

 

 

De 22 de novembro a 12 de janeiro de 2019.

Thereza Miranda, no MNBA

12/nov

“Instantes Múltiplos”, é o título da exposição de 67 das premiadas gravuras de Thereza Miranda, incorporadas ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ, através do Prêmio Marcantonio Vilaça de Artes Plásticas FUNARTE/MinC. A mostra também celebra os 90 anos da artista, possuidora de uma trajetória ímpar e que a situa entre as mais importantes gravadoras brasileiras.

 

Em sua proposta conceitual, a exposição “Instantes Múltiplos”, com curadoria da técnica do MNBA Laura Abreu, é dividida em núcleos temáticos que proporcionam a visão tanto da apresentação de gravuras feitas em metal, do início da carreira da artista, como as das séries “Germinação”, “Nova Germinação” e “Germinação Vida”, obras das décadas de 1960 e início de 1970 e das fotogravuras, técnica que une a fotografia às técnicas da gravura e que foi muito difundida pela artista no Brasil, datadas de meados da década de 1970 àquelas do início dos anos 2000.

 

As fotogravuras têm como temas os diferentes lugares e países que Thereza Miranda conheceu. Viajante, através de uma câmara fotográfica e de seu olhar sensível, a artista registrou a paisagem urbana, a natureza, detalhes arquitetônicos como telhados, janelas, portas, ruas, etc.

 

Como professora, Thereza Miranda, que dá aulas de gravura e ilustração na PUC-RJ desde 1974,  tem generosamente compartilhado seu conhecimento, contribuindo para a difusão da gravura e sua valorização como meio de expressão artística. Seus primeiros passos na gravura aconteceram no MAM-RJ, em 1963, e daí  em diante impulsionou sua carreira participando de diversas bienais de gravura, no Brasil e no exterior, como no Chile, Inglaterra e Polônia. Em 2008, comemorou com uma grande retrospectiva seus 45 anos de carreira, no MAM-RJ.

 

 

Até 16 de dezembro.

Senise na Silvia Cintra + Box4

08/nov

A Galeria Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, J, inaugura no dia 08 de novembro a nova exposição individual de Daniel Senise. “Biógrafo” reúne pinturas e fotografias que possuem um elemento de ligação entre si, um retângulo no centro da tela. Esse retângulo reaparece, de alguma forma, em todas as obras da exposição com tratamentos e materiais diferenciados.

 

Um retângulo dentro do retângulo da própria tela, é a ideia central da série “Biógrafo”, que também dá título à exposição. Essa série começou a ser feita em 2013 e será composta por 85 obras. Na exposição serão apresentados três “biógrafos” inéditos. As outras pinturas da mostra retratam interiores de grandes museus e os quadriláteros representam as pinturas expostas nesses espaços. Serão três telas que reproduzem o Museu de Nantes e a Capela Rothko, em Houston, EUA.

 

A técnica das pinturas é a mesma que o artista tem utilizado desde o início dos anos 2000. Com um tecido bem fino, Senise “imprime” o chão de espaços abandonados e recolhe resíduos e vestígios que mostram o acúmulo de memória, e o que sobrou daquele espaço e do tempo. Com poeira, cola e outros restos, o artista vai criando diferentes tonalidades de tecido e depois com uma espécie de marchetaria vai recriando esses espaços na tela.

 

Além das pinturas, a exposição terá uma série de fotografias. São imagens feitas em 2014, nas obras em andamento no antigo Hospital Matarazzo em São Paulo, sobre as quais Senise sobrepõe placas de madeira recolhidas no próprio espaço e que estão representadas nas imagens.

 

 

Até 15 de dezembro.

Ana Sario exibe “Polaroid” 

06/nov

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, apresenta, a partir do dia 09 de novembro, “Polaroid”, exposição individual da artista Ana Sario. A mostra reúne um grande conjunto de pinturas inéditas realizadas em 2018 que se apropriam do formato da fotografia Polaroid.

 

Ana Sario busca traduzir, por meio de suas pinturas, os estados de espírito ou sensações que imagens ou situações de contemplação causam em nós: os muitos tons de azul que se encontram e se modificam lentamente no céu do fim do dia, a vista do jardim interrompida por uma cortina persiana cor-de-rosa, um campo vasto florido que alcança até o infinito o nosso campo de visão, ou até mesmo a luz intensa da manhã que atravessa, pelas frestas, um arbusto de hibiscos. O assunto da janela, aparece no trabalho de Sario sob abordagens diversas, trazendo à reflexão os aspectos do olhar: quando em paisagens longínquas que nunca acessaremos em sua totalidade, ou em naturezas-mortas compostas por vasos de plantas ou bibelôs tão ao alcance das mãos; quando em telas que, compostas por fitas isolantes, tijolinhos de barro ou pela ação que simula o próprio tecido que serve de suporte, parecem vedar algo que está por detrás, mas que na realidade já é ali a pintura em si.

 

Em “Polaroid”, Ana Sario explora esse assunto aproximando-se mais explicitamente das discussões em torno da imagem fotográfica. Ao fazer clara referência em suas pinturas ao formato da fotografia instantânea que dá título à exposição e ao se utilizar de imagens coletadas na internet ou produzidas pela câmera do celular, a artista propõe uma reflexão sobre a nova dinâmica da contemplação à qual estamos submetidos na era digital. Há uma justaposição de temporalidades nesse conjunto de pinturas: o tempo acelerado dos olhos que ansiosos percorrem as telas dos dispositivos eletrônicos ou das mãos inquietas e da “chuva de likes” agora fazem parecer vagaroso o tempo da imagem que se revela na superfície do papel fotossensível ou até mesmo o tempo dos pincéis e das tintas na execução de uma tela de 10,5 x 10,5 cm.

 

A discussão sobre o tempo parece também atrelada à discussão sobre o espaço, como observou José Bento Ferreira, autor do texto da exposição: “Ao proporcionar uma encarnação para a imagem sem corpo, a pintura salva-a da irreferência à qual está eternamente condenada no não-lugar das infovias, submetida à avaliação visual instantânea dos cliques, incompatível com uma fruição verdadeira. Por outro lado, a série de pinturas produzidas a partir de imagens encontradas nas derivas virtuais reconfigura o espaço ao redor, torna-o “heterotópico” conforme a formulação do filósofo Michel Foucault, isto é, um lugar que está fora de todos os lugares, um “contraespaço”.”

 

 

Sobre a artista

 

Ana Sario, 1984 – São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo. Participou das exposições coletivas: “Os Primeiros 10 Anos” e “Energias da Arte”, ambas realizadas no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil; “Além da Forma” no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil; “Em espera” no Museu Murillo La Greca, Recife, Brasil e MACC – Museu de Arte Contemporânea de Campinas, Campinas, Brasil; MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, Brasil. De agosto a dezembro apresenta outros trabalhos da série “Polaroid” em exposição individual no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto. Ana Sario integra a publicação “Pintura Brasileira Século XXI”, da Editora Cobogó.

 

 

Visitação de 09 de novembro de 2018 a 12 de janeiro de 2019.

Bonsai – Microcosms Macrocosms

A Galeria Marcelo Guarnieri, unidade de São Paulo, Jardins, apresenta, a partir do dia 09 de novembro, a exposição individual do artista japonês Yamamoto Masao. A mostra reúne livros e fotografias realizados entre 1989 e 2018, incluindo sua mais recente série “Bonsai – Microcosms Macrocosms”, iniciada em 2018.

 

“Bonsai – Microcosms Macrocosms” consiste em um conjunto de registros feitos por Yamamoto Masao dos Bonsais cultivados por Minoru Akiyama, o mais jovem artista de Bonsai a receber o prestigioso prêmio Primeiro-Ministro do Japão. Por meio dessas fotografias, Yamamoto procura entender como o Bonsai, “uma criação nascida de uma colaboração lúdica entre a natureza e as pessoas”, é capaz de dominar a atmosfera do ambiente onde é instalado, promovendo uma sensação de paz e tranquilidade. “Bonsais famosos podem ter centenas ou milhares de anos. Talvez esse tempo de resistência dê à árvore uma espécie de aura. Sua vida, sustentada dentro de um pequeno vaso, com a menor quantidade de terra, abraça a tranquilidade da vida e a agitação da morte. Sua grandeza não é algo que possa ser explicado em palavras.”, afirma Yamamoto.

 

Além das séries “A Box of Ku”, “Nakazora”, “Kawa=Flow” e “Shizuka=Cleanse” (exibida pela primeira vez no Brasil), serão apresentadas também as “caixas-poemas” “Ryokan” e os “livros-sanfona”. As “caixas-poemas” contêm em seu interior, cada, cerca de seis fotografias pequenas e um haiku de autoria de Ryokan (1758 – 1831), importante poeta e monge zen-budista japonês. Na mostra, são dispostas em vitrines, onde é possível ver o conjunto de imagens e versos em diálogo. Já os livros são apresentados abertos, de maneira que o espectador consiga visualizar todas as imagens. O artista entende ambos os formatos também como espaços expositivos, que possuem uma dinâmica própria, onde fica evidente a dimensão material da fotografia – nas imperfeições das bordas do papel  e de seu caráter intimista.

 

“O mundo do Bonsai é semelhante ao mundo do haiku e do waka, já que são construídos apenas por elementos mínimos. Além disso, sempre senti que a fotografia e o haiku são métodos de expressão muito semelhantes. Através do meu trabalho “Bonsai – Microcosms Macrocosms”, quero que todos vejam e experimentem esse efeito mínimo ainda que máximo, ou em outras palavras, infinito. Você pode pensar “…eu poderia ir ver um verdadeiro Bonsai”, mas eu queria que as pessoas ouvissem as “conversas” que eu tive diretamente com o Bonsai. Continuo o meu trabalho em busca de um terreno comum entre a quintessência do Bonsai e a quintessência do que eu percebo como o universo, que é: todas as coisas.”

 

As pequenas dimensões de algumas fotografias de Masao Yamamoto, assim como os livros ou as caixas, refletem seu interesse pelas miudezas e detalhes, por aquilo que cabe na palma da mão, que precisa ser olhado com calma e atenção. Atenção e paciência também são convocadas na hora de perceber e capturar situações fugazes, pequenas, porém nunca menores em grau de importância, carregadas de poesia e beleza. Pode ser o bater de asas de um pássaro, o olhar vidrado de um bicho, a sombra de um papel que voa ou até mesmo um vaso de flores equilibrando-se na beirada de uma mesa. Podem ser também árvores em miniatura ou coisas que encontra pelos bosques ao redor de sua casa, que em Bonsai e Shizuka adquirem grandes dimensões. As fotografias de Yamamoto, ampliadas quase sempre em preto e branco, se revelam por meio de um manejo cuidadoso da luz, e evidenciam a importância que tanto a claridade, como a escuridão, podem ter na construção de significados.   

 

O haiku é uma forma tradicional poética da literatura japonesa, consiste em um poema curto de 17 sílabas, dividido em três versos, que procura registrar a percepção de um “momento privilegiado”, normalmente relacionado ao meio-ambiente e às estações do ano. Em português, pode ser chamado de haikai ou haicai. O haiku deriva de uma forma poética mais antiga, mas ainda popular, a waka, que havia sido usada durante mil anos antes do haiku. A palavra waka significa “poema japonês”. Bonsai é uma forma de arte japonesa que se utiliza de grama e árvores: um punhado de terra e um vaso são usados para recriar paisagens selvagens em miniatura. O esforço necessário para nutrir e cultivar essas plantas por décadas é imenso, exigindo habilidade especializada. Em outras palavras, o bonsai é uma forma viva de arte.

 

 

Sobre o artista

 

Yamamoto Masao, 1957 – Gamagori, Japão. Vive e trabalha na província de Yamanashi, Japão. As fotografias de Yamamoto Masao capturam instantes e detalhes que, a um rápido olhar, poderiam passar despercebidos. As cenas que constrói, envoltas em uma atmosfera poética, nos remetem a um tempo passado, enigmático e silencioso. Suas fotos em preto e branco por vezes ganham tons amarelados e pequenos rasgos, o que as permite incorporar a carga de uma idade avançada. Assumindo, às vezes, pequenas dimensões, podem ser seguradas na palma da mão ou levadas no bolso da calça, como pequenos amuletos; podem ainda ser guardadas em caixas e formar coleções preciosas, como são as caixas de fotografias de nossos pais e avós. Em algumas situações, Yamamoto escolhe dispô-las na parede em arranjos que assemelham-se a nuvens; os conjuntos acabam por formar poemas visuais que exigem do observador um olhar mais cuidadoso e desacelerado. Suas primeiras exposições foram realizadas em 1994 e 1996 em São Francisco e Nova York e foram seguidas por inúmeras outras nos Estados Unidos, Europa, Japão, Rússia e Brasil, incluindo, mais recentemente, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, em agosto de 2017. Seus trabalhos integram coleções de museus internacionais de prestígio, como o Museum of Fine Arts, Houston; the International Center of Photography, New York; the Victoria & Albert Museum, Londres; Maison Européenne de la Photographie, Paris. Ele publicou inúmeros livros nos EUA, Espanha, Japão e Alemanha, que foram resenhados no New York Times, no Los Angeles Times e em outras importantes revistas.

 

 

Visitação: de 09 de novembro de 2018 a 12 de janeiro de 2019.

Tomie Ohtake em NY

30/out

A Galeria Nara Roesler | Nova York, apresenta um novo desdobramento da aclamada exposição “Tomie Ohtake: Nas Pontas dos Dedos”, com curadoria de Paulo Miyada, curador chefe do Instituto Tomie Ohtake. Especialmente organizada por Miyada para a filial de New York e incluindo pinturas, estudos, gravuras e fotografias, esta exposição concisa apresenta exemplares do rico corpo de obra criado por Tomie Ohtake nas décadas de 1960 e 70, além de raros registros do processo feitos pela própria artista. A exposição é um desdobramento das exposições “Tomie Ohtake: na ponta dos dedos” apresentadas na Galeria Nara Roesler | São Paulo (agosto a setembro de 2017) e na Galeria Nara Roesler | Rio de Janeiro (fevereiro a março de 2018) e proporciona um enfoque único sobre o desenvolvimento das composições da artista, de colagens de recortes de revistas a óleos sobre tela.

 

 

Sobre a artista

 

Tomie Ohtake é uma figura fundamental na história da abstração brasileira. Sua dedicada investigação dos aspectos formais, temporais e espirituais da cor, da forma e do gesto resultaram num corpo de obra extraordinário, produzido ao longo de seis décadas. Nascida em 1913, ela teve uma criação tradicional em Kyoto e viajou ao Brasil em 1936 para visitar um de seus irmãos, que fizera parte de uma grande onda de imigração japonesa ao país. Impossibilitada de voltar ao Japão devido à Segunda Guerra Mundial, Tomie Ohtake destacou que dois fatores foram fundamentais em sua decisão de se estabelecer permanentemente no Brasil: ela encantou-se de imediato com a luminosidade tropical única do país, e percebeu que no Brasil teria a oportunidade de ser uma artista com liberdades criativas que lhe seriam negadas, como mulher, no Japão. Após casar-se e criar seus dois filhos, dedicou-se a seu trabalho e estabeleceu uma ligação estreita com o grupo Seibi, uma rede informal de artistas nipo-brasileiros unidos por seu interesse pela abstração. Mas Tomie Ohtake também era ligada a grupos mais amplos de críticos e artistas, como Willys de Castro, Mário Pedrosa, Paulo Herkenhoff e Mira Schendel, entre outros. Essa multiplicidade de filiações e ligações a desobrigava de alinhar-se com qualquer abordagem artística específica, colocando-a numa trajetória artística singular. Foram Mira Schendel e, principalmente, Paulo Herkenhoff que incentivaram a artista a empregar mais explicitamente elementos das tradições japonesas, como o zen-budismo e a caligrafia. Em 1975, Tomie Ohtake afirmou: “Meu trabalho é ocidental, mas tem grande influência japonesa, um reflexo da minha criação. Esta influência está na busca da síntese: poucos elementos devem dizer muito. Na poesia haiku, por exemplo, fala-se do mundo em dezessete sílabas”.

 

 

A palavra do curador Paulo Miyada

 

 

Tomie Ohtake: Nas pontas dos dedos I. Cortes de cores Na passagem entre as décadas de 1950 e 1960, a primeira incursão de Tomie Ohtake na pintura abstrata tornou-se conhecida pelo caráter “cego” de um informalismo feito com intensidade e sem premeditação, muitas vezes com pinceladas lançadas, literalmente, de olhos fechados. A seguir, logo no princípio dos anos 1960, sua pintura condensou-se em formas mais claras, apresentadas em composições com nítida distinção de figura e fundo. As figuras, no caso, assemelham-se a formas geométricas simples, porém de contornos tremeluzentes, como se rasgadas com a ponta dos dedos. O que pouca gente sabe é que isso não é mera similitude: nessa época, a artista de fato começou a fazer estudos usando papéis coloridos retirados de revistas e rasgados à mão. Era uma forma de lidar com a instantaneidade do gesto e impregnar todo o processo de pintura com um teso equilíbrio entre acaso e controle. As composições encontradas por Tomie Ohtake nas diminutas colagens serviram de roteiro para pinturas.

 

De 01 de novembro a 22 de dezembro.

Nelson Felix em ação

23/out

A “Esquizofrenia da forma e do êxtase” é parte de três ações de Nelson Felix. A primeira, com deslocamentos a dois lugares na América: Anchorage, no Alasca e Ushuaia, na Argentina. Os pontos seriam como “o início e o fim” das cordilheiras formadas pelas Montanhas Rochosas na América do Norte, e dos Andes na América do Sul, vistas poeticamente pelo artista como a coluna vertebral do globo terrestre. Para a segunda ação, no edifício da Ocupação da 9 de Julho, centro de São Paulo, o artista trabalhou o espaço externo e interno da Galeria Reocupa, inaugurada no dia 16 de outubro. A última, como parte da 33ª Bienal de São Paulo, traz uma série de sete esculturas ao Pavilhão da Bienal.

 

 

Exposição na Galeria Reocupa

 

Obras inéditas realizadas nas partes externas e internas do edifício da Ocupação 9 de Julho por Nelson Felix estarão disponíveis para visitação na recém-inaugurada Galeria Reocupa, como mais uma etapa do processo de “Esquizofrenia da forma e do êxtase”. Segundo Nelson, “o amálgama desta série de ações foi feito através do desenho, do ato de desenhar constante. Nesse exagero de elementos articulados nasce uma noção de “paisagem”, uma noção de espaço em que se mesclam espaço natural, operações poéticas e espaço construído. Está carregada de percepções, significados, história, sentimentos, desejos, memórias. Um esforço se faz necessário por parte do observador. A obra requer tempo para que você possa tatear e começar a ver sua estrutura”.

 

 

Visitação:  até 02 de fevereiro de 2019;

quinta – domingo, 14h às 20h – Ocupação 9 de Julho • Rua Álvaro de Carvalho, 427

 

 

Conversa com Nelson Felix

 

Durante a inauguração da exposição na Galeria Reocupa, Nelson Felix realizou conversa aberta com o público. Para o artista, a percepção do espaço se caracteriza por um emaranhado de questões, englobando a poesia e o desenho. Nesse sentido, faz uso de esculturas, objetos, fotografias, ações, coordenadas geográficas e deslocamentos para construir uma ideia de espaço que extrapola o local imediato da obra instalada, atingindo a escala do global.

 

Ocupação 9 de Julho • Rua Álvaro de Carvalho, 427

 

22/09/2018 – 23/09/2018
10:54 às 10:55

Ato na Ocupação 9 de Julho

 

Neste ato, cuja duração é de 24 horas e abrange o equinócio de primavera – que, em 2018, ocorre às 22h54 de 22 de setembro – Nelson Felix instala uma escultura composta de ferro, cabo de aço e dois mandacarus de sete metros cada nas empenas do edifício da Ocupação 9 de Julho. Após a instalação das peças, o artista retrata a cena em desenhos feitos in situ, tal qual fazem os pintores de natureza morta.

 

Ocupação 9 de Julho • Rua Álvaro de Carvalho, 427

Exibição de Rochelle Costi

17/out

A fotógrafa Rochelle Costi, realiza a exposição – “Passatempo” -, individual no Museu do Trabalho, Porto Alegre RS. A curadoria é de Gabriela Motta.

 

Durante os anos 1980 Rochelle Costi não era apenas uma artista que vivia em Porto Alegre. Rochelle vivia, trabalhava com e atuava na cena cultural local, tendo a própria cidade, seus
personagens e lugares como matéria prima de sua produção artística. O Hotel Majestic em meio a sua transformação em Casa de Cultura Mário Quintana, em 1984, foi palco de um preview da exposição da artista, “Vivo Retrato”, que iria circular por varias cidades do Brasil nos anos seguintes.

 

A Usina do Gasômetro antes de ser um espaço cultural da cidade está em seus registros fotográficos. O bar Ocidente, um dos lugares mais icônicos da contracultura nacional, onde o movimento punk e o público LGBTQ+ sempre conviveram, com toda a sua fauna ensandecida, como canta Nei Lisboa na música Berlim, Bom Fim também figura na sua produção do período, como o próprio Nei. Isso tudo ao lado da turma da Casa de Cinema, do Falcão (ator), das bandas Os Replicantes, DeFalla, TNT, Cascaveletes, das festas no Scalp, da escadaria da Igreja das Dores, da ponte do Guaíba, do morro da TV. Rochelle Costi estava em todos esses lugares e com todos esses sujeitos, fotografando-os, expondo, criando situações e gerando imagens nas quais é possível acompanhar, além das inquietações estéticas da artista, a própria cidade em transformação.

 

Exatos trinta anos após mudar-se para São Paulo, Rochelle Costi retorna com sua primeira individual na cidade. Passatempo, a exposição que a artista apresenta no Museu do Trabalho é um olhar para esse tempo que passou, mas um olhar de hoje, capaz de nos fazer rir e refletir sobre as transformações da cidade, das relações sociais, do nexo sempre tensionado entre os sujeitos e o lugar em que vivem. Essa mirada sobre sua trajetória, e acima de tudo sobre a trajetória da cena cultural da cidade nos faz lembrar, principalmente, que as conquistas sociais, culturais, humanistas, não são definitivas. São avanços que fazem parte de um processo em permanente negociação e que, novamente, se vêem ameaçados pela ascensão de um conservadorismo que enxerga no outro uma ameaça e não um espelho da sua própria humanidade contraditória.

 

É assim que, ao articular registros, resíduos, amostras de obras desenvolvidas ainda no início de sua trajetória, a artista atribui aos trabalhos, através de seus novos formatos e contextos, significados outros, condizentes com o cenário político e cultural que vivemos na atualidade. Há uma Porto Alegre de ontem e há uma Porto Alegre de hoje, e a proximidade entre ambas mobiliza

reflexões sobre os rumos e desvios das políticas sócio-culturais da cidade, das cidades.

 

 

Abertura: dia 20 de outubro, sábado, às 19 horas.