Durante cerca de dez anos, Rodrigo Bivar construiu uma produção figurativa a partir de fotografias de cenas cotidianas. Por volta de 2015, passou também a investigar a abstração, primeiro por meio de construções geométricas e, posteriormente, de formas mais orgânicas. Esses dois caminhos nunca deixaram de coexistir em seu trabalho. Agora, pela primeira vez, eles se encontram fisicamente.
Esse encontro é um dos pontos centrais de “Ficção”, primeira exposição individual de Rodrigo Bivar na Galeria Zielinsky, Higienópolis, São Paulo, SP. Com texto crítico de Ana Roman, a mostra abre em 17 de outubro e reúne trabalhos inéditos produzidos ao longo de 2026, revelando diferentes desdobramentos da pesquisa do artista em torno da pintura, da cor, da forma e dos limites entre figuração e abstração.
O percurso culmina na última sala da galeria, onde Rodrigo Bivar apresenta uma obra site-specific concebida especialmente para a parede que ocupa. Sobre uma grande mata desenhada em escala arquitetônica, o artista dispõe pequenas telas com formas e seres presentes em outros momentos de sua produção. Figura e fundo, personagem e cenário, desenho e pintura passam a compartilhar um mesmo espaço, sem que procure esconder as diferenças de escala, técnica e suporte entre eles.
Nas pequenas pinturas reunidas em “Ficção”, o processo envolve desenhar, cobrir, apagar e escavar sucessivamente a superfície. Camadas de tinta se acumulam até que determinadas formas e contornos se estabeleçam. Algumas parecem sugerir personagens, gestos ou movimentos, mas escapam de uma identificação definitiva.
Até 28 de novembro.
