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Tainan Cabral no Museu de Arte do Rio.

 

Entre a aridez da vida cotidiana e a potência da celebração popular, a Zona Oeste do Rio de Janeiro é o território a partir do qual o artista Tainan Cabral constrói sua mais recente exposição. Com obras inéditas, o Museu de Arte do Rio apresenta “Armadilhas no Paraíso”, é a primeira mostra individual institucional do artista no MAR. A exposição conta com a curadoria de Marcelo Campos, Amanda Bonan, Jean Carlos Azuos, Amanda Rezende e Thayná Trindade. 

“Armadilhas no Paraíso” reúne mais de 150 itens, entre pinturas, esculturas e instalações construídas a partir de materiais, cores e símbolos do cotidiano do artista, que cresceu no bairro de Senador Camará. Com uma produção marcada pela investigação das relações entre paisagem, memória e construção de imaginários, Tainan Cabral desenvolve uma relação única para o público que visitar o MAR. O artista mergulha em suas próprias experiências de bairro e observações cotidianas.”Tem uma dimensão muito da infância no subúrbio, que é marcada por estar muito mais na rua do que dentro de casa, as barricadas vem da ideia de que você pode ter aquilo como uma escultura ou uma interação pública, eu acho que vem também da própria experiência do grafite. A gente vê uma geração de artistas que saiu do grafite e veio para suportes, digamos, mais tradicionais, como a pintura”, destaca Marcelo Campos, curador-chefe do MAR. 

A exposição surge justamente da energia antagônica do título “Armadilhas no paraíso” que atravessa esse território onde o artista cresceu e foi criado: de um lado, barricadas, manilhas, a aspereza cotidiana; de outro, os bailes funk, as feiras de rua, as relações com a liberdade e a própria natureza do lugar. “Nesse sentido urbanístico, há uma mistura de ruralidade e asfalto, há ruas que terminam em pedras, o árido sertão permanece como o imaginário para o Tainan. Quando ele fala de zona oeste, ele usa uma literatura que acompanha o trabalho dele, o livro de Armando Magalhães Corrêa que há 100 anos já falava exatamente do sertão carioca. É importante situar que a Zona Oeste está perto dos morros e das montanhas, nessa nova configuração de sudoeste. Porque essa relação, desse processo da natureza, ele fala do sertão carioca, de deus e o diabo no sertão carioca e que é exatamente essa dimensão do paraíso e da armadilha”, destaca o curador Jean Carlos Azuos. 

Ao reunir memória pessoal, crítica social, cultura popular e experimentação material, Tainan Cabral constrói uma exposição que funciona como um grande olhar ao território. Suas obras não procuram apenas representar a Zona Oeste, mas fazer com que sua presença física, cromática, sonora e simbólica atravesse o espaço expositivo. 

Até 28 de fevereiro de 2027.

Sobre o artista.

Tainan Cabral nasceu em 1990 no Rio de Janeiro, cidade onde vive e trabalha. Tainan Cabral iniciou sua prática artística com o desenho e o grafite, que logo evoluíram para pinturas abstratas. Extraindo seus temas e sua paleta de formas orgânicas e objetos cotidianos que povoam as ruas da periferia, ele cria paisagens de um realismo alucinógeno que dialogam com a história do Neoconcretismo e do Tropicalismo. Por meio de formas geométricas e biomórficas, gradientes de cor e fluorescência, o artista busca conduzir o espectador a um estado de transcendência visual, conceito que tem sido chamado de “Misticismo Tropical”.