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AGENDA CULTURAL

Duas gerações da pintura brasileira.

A Simões de Assis participa da Frieze London 2026, de 14 a 18 de outubro, e apresenta um diálogo entre Miguel Bakun e Thalita Hamaoui, duas gerações da pintura brasileira. Obras de Miguel Bakun realizadas entre as décadas de 1940 e 1960 e pinturas inéditas de Hamaoui, produzidas especialmente para  esta edição.

Separadas por décadas, suas produções encontram pontos de contato na maneira como transformam a paisagem em campo de sensibilidade. Entre o mundo exterior e a experiência interior, as obras articulam diferentes formas de perceber, imaginar e dar corpo ao que nos cerca.

Sobre o artista.

Miguel Bakun (Mallet, Brasil, 1909 – Curitiba, Brasil, 1952) filho de imigrantes ucranianos, nasceu no sul do estado do Paraná, Brasil. Ainda jovem, em 1926, ingressou na Escola de Aprendizes da Marinha, em Paranaguá, e em seguida foi transferido para a Escola de Grumetes do Rio de Janeiro, onde começou a realizar esboços a lápis, desenhos de observação, retratos, caricaturas e paisagens – como fazia também seu colega e contemporâneo José Pancetti. Em 1930, em virtude de um acidente, desligou-se da Marinha e mudou-se para Curitiba.

Mesmo sem formação sistematizada em artes plásticas, Miguel Bakun montou ateliê em sua residência e, para manter o sustento, trabalhou como fotógrafo lambe-lambe. Nos anos 1940, passou a compartilhar ateliê com outros artistas no centro da cidade, em prédio cedido pela Prefeitura. A década é considerada promissora para ele, marcada por suas primeiras participações e premiações no Salão Paranaense de Belas Artes e pela participação em duas edições do Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Chegou a receber algum interesse da crítica: no texto mais emblemático desse período, o artista e professor Guido Viaro afirmou que Bakun “elimina o ar das paisagens como se fosse uma experiência de Física”. Os anos 1950 foram os mais prolíficos, quando pintou retratos, naturezas-mortas, marinhas e sobretudo paisagens, além de murais na residência do então governador Moysés Lupion, hoje o Castelo do Batel. Ao final da década, produziu obras com alusões animistas, em que figuras alegóricas se confundem com os contornos das paisagens.

Apesar das eventuais premiações e da amizade com agentes do circuito, Miguel Bakun não chegou a se inserir plenamente no incipiente sistema de artes local, nem pôde viver apenas da venda de suas obras. Emergiu em uma cena de gradual modernização do repertório da pintura acadêmica, na qual a expressividade assertiva de suas obras parecia fora de lugar – experimental ou subjetiva demais. Quando, porém, uma nova geração de artistas ganhou protagonismo na arte curitibana, foram as obras abstratas que tomaram o debate, o que também mantinha Miguel Bakun na periferia do olhar. Em seus últimos anos, já sofrendo por sua precária situação econômica, Miguel Bakun recebeu tratamento médico por causa de forte depressão. Encerrou sua vida em 14 de fevereiro de 1963.

Participou de diversas exposições individuais das quais destacam-se: “Miguel Bakun” (2024), Mendes Wood DM, Bruxelas; “Miguel Bakun” (2019), Simões de Assis, São Paulo; “Miguel Bakun – Na Beira do Mundo” (2010), Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; “Miguel Bakun: Natureza e Destino” (2010), Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo. Entre as coletivas estão: “ABERTO/02” (2023), Casa de Vilanova Artigas, São Paulo; “Aprendendo com Miguel Bakun: Subtropical” (2019), Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “Brasil 500 Anos de Artes Visuais” (2000), Fundação Bienal de São Paulo. Possui trabalhos em coleções importantes como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; Luís Antonio de Almeida Braga Collection, Rio de Janeiro, Brasil; MAC PR – Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, Brasil; MUPA – Museu Paranaense, Curitiba, Brasil; and MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil.

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