Duas gerações da pintura brasileira.

24/set

A Simões de Assis participa da Frieze London 2026, de 14 a 18 de outubro, e apresenta um diálogo entre Miguel Bakun e Thalita Hamaoui, duas gerações da pintura brasileira. Obras de Miguel Bakun realizadas entre as décadas de 1940 e 1960 e pinturas inéditas de Hamaoui, produzidas especialmente para  esta edição.

Separadas por décadas, suas produções encontram pontos de contato na maneira como transformam a paisagem em campo de sensibilidade. Entre o mundo exterior e a experiência interior, as obras articulam diferentes formas de perceber, imaginar e dar corpo ao que nos cerca.

Sobre o artista.

Miguel Bakun (Mallet, Brasil, 1909 – Curitiba, Brasil, 1952) filho de imigrantes ucranianos, nasceu no sul do estado do Paraná, Brasil. Ainda jovem, em 1926, ingressou na Escola de Aprendizes da Marinha, em Paranaguá, e em seguida foi transferido para a Escola de Grumetes do Rio de Janeiro, onde começou a realizar esboços a lápis, desenhos de observação, retratos, caricaturas e paisagens – como fazia também seu colega e contemporâneo José Pancetti. Em 1930, em virtude de um acidente, desligou-se da Marinha e mudou-se para Curitiba.

Mesmo sem formação sistematizada em artes plásticas, Miguel Bakun montou ateliê em sua residência e, para manter o sustento, trabalhou como fotógrafo lambe-lambe. Nos anos 1940, passou a compartilhar ateliê com outros artistas no centro da cidade, em prédio cedido pela Prefeitura. A década é considerada promissora para ele, marcada por suas primeiras participações e premiações no Salão Paranaense de Belas Artes e pela participação em duas edições do Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Chegou a receber algum interesse da crítica: no texto mais emblemático desse período, o artista e professor Guido Viaro afirmou que Bakun “elimina o ar das paisagens como se fosse uma experiência de Física”. Os anos 1950 foram os mais prolíficos, quando pintou retratos, naturezas-mortas, marinhas e sobretudo paisagens, além de murais na residência do então governador Moysés Lupion, hoje o Castelo do Batel. Ao final da década, produziu obras com alusões animistas, em que figuras alegóricas se confundem com os contornos das paisagens.

Apesar das eventuais premiações e da amizade com agentes do circuito, Miguel Bakun não chegou a se inserir plenamente no incipiente sistema de artes local, nem pôde viver apenas da venda de suas obras. Emergiu em uma cena de gradual modernização do repertório da pintura acadêmica, na qual a expressividade assertiva de suas obras parecia fora de lugar – experimental ou subjetiva demais. Quando, porém, uma nova geração de artistas ganhou protagonismo na arte curitibana, foram as obras abstratas que tomaram o debate, o que também mantinha Miguel Bakun na periferia do olhar. Em seus últimos anos, já sofrendo por sua precária situação econômica, Miguel Bakun recebeu tratamento médico por causa de forte depressão. Encerrou sua vida em 14 de fevereiro de 1963.

Participou de diversas exposições individuais das quais destacam-se: “Miguel Bakun” (2024), Mendes Wood DM, Bruxelas; “Miguel Bakun” (2019), Simões de Assis, São Paulo; “Miguel Bakun – Na Beira do Mundo” (2010), Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; “Miguel Bakun: Natureza e Destino” (2010), Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo. Entre as coletivas estão: “ABERTO/02” (2023), Casa de Vilanova Artigas, São Paulo; “Aprendendo com Miguel Bakun: Subtropical” (2019), Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “Brasil 500 Anos de Artes Visuais” (2000), Fundação Bienal de São Paulo. Possui trabalhos em coleções importantes como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; Luís Antonio de Almeida Braga Collection, Rio de Janeiro, Brasil; MAC PR – Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, Brasil; MUPA – Museu Paranaense, Curitiba, Brasil; and MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil.

Narrativas da diáspora asiática no Brasil.

17/set

Para o projeto Independent 20th Century 2026, a Gomide&Co apresenta uma obra que explora narrativas da diáspora asiática no Brasil. A seleção reflete sobre a arte diaspórica através do conceito de trânsito, entendido tanto como tema quanto como estratégia na construção de trajetórias artísticas.

O projeto reúne pinturas e esculturas de artistas de ascendência asiática, destacando os diálogos culturais que moldaram a abstração informal, lírica e caligráfica do pós-guerra, bem como seus desdobramentos dentro das práticas modernas e contemporâneas. A incorporação de referências do Leste Asiático contribuiu para expandir e diversificar o panorama artístico latino-americano, que foi profundamente moldado pelas experiências de artistas imigrantes e seus descendentes.

Desde o final da década de 1990, no século XXI, os trânsitos migratórios do Japão, da China e de outros países do Leste Asiático promoveram encontros entre diferentes tradições visuais e modernismos locais. Essas trocas materializaram-se de diversas maneiras – em gestos caligráficos, economia formal, rigor construtivo e abordagens à cor e ao material.

O projeto reúne artistas cujas trajetórias se desenvolveram por meio dessas experiências de deslocamento e intercâmbio cultural. Shoko Suzuki é uma figura central na história da cerâmica artística no Brasil, tendo introduzido o forno noborigama e a queima em alta temperatura no país; Megumi Yuasa desenvolveu uma prática que une cerâmica, filosofia, e política, ao mesmo tempo que contrapõe contribuindo para a formação de artistas e para o desenvolvimento da cerâmica contemporânea no Brasil; Massao Okinaka propôs uma síntese entre o “sumi-e” e um realismo objetivo influenciado por vertentes ocidentais. Inclui-se também Tomie Ohtake, figura central da abstração brasileira, reconhecida por sua investigaçãode cor e forma; Manabu Mabe, cujo trabalho evoluiu da pintura figurativa de paisagem para a abstração informal; Naotoshi Kinoshita, que encontrou na paisagem brasileira um campo fértil para unir referências de sua formação artística japonesa com uma linguagem de síntese formal e intensidade expressiva; Alina Okinaka, cuja pintura, particularmente através da natureza-morta, investiga as relações entre forma, cor e composição por meio de elementos do cotidiano; e Sachiko Koshikoku, cujo trabalho abstrato uniu referências da cultura japonesa e elementos extraídos das tradições visuais mesoamericanas e andinas.

A seleção também inclui Akinori Nakatani, cuja produção cerâmica incorporou referências mesoamericanas e sistemas gráficos associados às culturas indígenas das Américas; e Chen Kong Fang, um pintor sino-brasileiro cujo trabalho estabeleceu conexões entre as tradições visuais orientais e a pintura ocidental.

Embora seja essencial reconhecer a singularidade de diferentes diásporas – cada uma moldada por trajetórias, tensões e imaginários específicos – também é possível identificar experiências compartilhadas. Embora as origens desses movimentos sejam frequentemente associadas a guerras, perseguições e outros eventos macropolíticos, suas consequências também se desdobram no cotidiano: no lar, na língua, nos afetos, na comida e na relação com um novo território.

O projeto, portanto, consiste em examinar como essas experiências de deslocamento e pertencimento se inscrevem em diferentes linguagens artísticas. Ao reunir trajetórias e gerações distintas, a seleção destaca as maneiras pelas quais artistas de ascendência asiática têm participado da formação e da transformação da Arte Moderna e Contemporânea no Brasil.

II Ato de Florescer – Colecionar o Presente.

11/set

No dia 12 de setembro, será apresentado na Casa 70 Galeria, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, um novo momento de “Florescer – Diálogo entre a Arte Moderna Brasileira e a Produção Contemporânea”. 

“Estamos expondo novas obras de novos artistas e propondo uma outra maneira de viver a exposição e descobrir encontros entre diferentes gerações da arte brasileira”, diz a curadora Elis Valadares.

O II Ato reúne obras de Alberto da Veiga Guignard, Antonio Bandeira, Candido Portinari e José Pancetti, em diálogo com Bruno Borne, Bruno Marchetto, Carolina Kasting, Dani Lacerda, Diana Gondim, Fessal, Giovanna Nucci, Heberth Sobral, Iole de Freitas, Lair Uaracy, Lorena Bruno, Lucas Finonho, Lucas Ribeiro, Marcelo Carrera, Marcos Corrêa, Mariana Riera, Marina Rodrigues, Miru Brüggmann, Ricardo Alcaide, Safe Art, Samira Pavesi, Sabrina Cuiligotti, Tatiana Bertrand e Thomaz Velho.

Na primeira edição, inaugurada em julho, o espaço ampliou sua proposta curatorial ao promover um diálogo entre a arte moderna brasileira e a produção contemporânea representada pela galeria. Foram reunidas obras de quatro pilares fundamentais da pintura moderna brasileira em diálogo com a produção contemporânea desenvolvida pelos artistas representados pela CASA70 Galeria.

Na sequência, nos dias 18 e 19 de setembro, das 10h às 18h, acontece o II Ato de Florescer – Colecionar o Presente que sairá da Casa70 e estreia na Semana de Arte do Rio com a participação de 13 espaços de arte e criatividade.

Até 30 de setembro.

Superando os limites do espaço e do tempo.

08/set

A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900-1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos artistas mais inquietantes do Modernismo Brasileiro. 

Ismael Nery apropriou-se de linguagens como a ilustração, o cubismo e o surrealismo, alterando-as a partir de suas próprias inquietações. Em pinturas, desenhos e poemas, o corpo tornou-se o lugar onde ele investigou a instabilidade da identidade, a fusão entre os gêneros, a corrupção da matéria e o desejo religioso de superar os limites do espaço e do tempo. 

A mostra reúne cerca de 230 obras, entre desenhos, pinturas, retratos, autorretratos e composições com figuras humanas sensuais, muitas vezes andróginas, algumas ameaçadoras, que operam na fronteira entre o afeto e a violência, o desejo carnal e o trauma da finitude. 

Desde sempre compreendido como uma das vozes mais singulares da arte brasileira, Ismael Nery tem sua trajetória revista pela Pinacoteca nessa mostra panorâmica que apresenta suas contradições, sua densidade teórica e a radicalidade de suas invenções.

Em cartaz até 31 de janeiro de 2027.

Sobre o artista.

Ismael Nery (Belém, PA, 1900 – Rio de Janeiro, RJ, 1934) foi pintor, desenhista, arquiteto, cenógrafo, ilustrador e poeta. Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes em 1917 e complementou seus estudos na Académie Julian, em Paris, em 1920. Em suas viagens à Europa, entrou em contato com expoentes do surrealismo e do cubismo, como André Breton, Marcel Noll e Marc Chagall, desenvolvendo, contudo, uma poética própria pautada pelo Essencialismo. Autor de uma vasta produção gráfica e pictórica focada na figuração humana, na anatomia, na androginia e na retratística, faleceu precocemente aos 33 anos em decorrência de complicações da tuberculose. 

Sua filosofia fundamentava-se no desprendimento das noções de tempo e espaço, buscando na criação o desdobramento do “eu” e a revelação de uma verdade imutável situada por trás das formas efêmeras da matéria. Essa busca traduziu-se no recorrente tema da androginia e da duplicidade. Em suas telas, corpos desprovidos de gênero definido, figuras calvas e duplos espelhados se fundem em um abraço sensual ou melancólico. Exemplo central desse procedimento é a obra Autorretrato com Adalgisa (sem data), na qual a face do artista e a de sua esposa, a escritora e poeta Adalgisa Nery (1905-1980), aparecem sobrepostas e portadoras dos mesmos traços anatômicos, sugerindo manifestações complementares de um único organismo espiritual. Em outras obras, Ismael Nery desestrutura a anatomia das figuras humanas – expondo suas vísceras para depois reconstituí-las enquanto unidade. Em obras como Visão Interna – Agonia (1931) e Eternidade (1931), o corpo surge aberto, visceral e fragmentado: as entranhas humanas articulam-se com a paisagem e com a terra, convertendo o sofrimento em meditação sobre a mortalidade e a eternidade.

Uma robusta seleção de 33 artistas.

02/set

A Galatea participa da 16ª edição da ArtRio, que acontece entre 16 e 20 de setembro, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. A galeria apresenta uma seleção de 33 artistas que atravessa diferentes gerações e contextos da arte moderna e contemporânea, reunindo nomes fundamentais da produção brasileira, artistas que exerceram influência na cena nacional ou que por ela foram influenciados, além de jovens talentos emergentes.

A robusta lista de artistas para o estande da Galatea na ArtRio 2026 reúne Anísio O. Couto, Arthur Palhano, Bogdan Koshevoy, Carlos Cruz-Díez, Carolina Cordeiro, Dani Cavalier, Edival Ramosa, Ernesto Neto, Francisco Galeno, Frans Krajcberg, Gabriel Branco, Gabriela Melzer, Gabriella Marinho, Grauben do Monte Lima, Guilherme Gallé, Hércules Barsotti, Ione Saldanha, Jac Leirner, Jaider Esbell, Joji Ikeda, Jorge Guinle, Leo Battistelli, Maíra Dietrich, Mari Ra Chacon, Mucki Botkay, Park Chae Biole, Park Chae Dalle, Roberto Burle Marx, Rodrigo Andrade, Silia Moan, Tito Terapia, Tomie Ohtake e Ygor Landarin.

O conjunto propõe um diálogo entre diferentes momentos e vertentes da arte moderna e contemporânea, aproximando experiências ligadas à abstração geométrica e construtiva, à pintura figurativa, às práticas têxteis e a pesquisas que exploram a materialidade por meio da cerâmica, da madeira e de outros suportes.

Maria Martins e Marcel Duchamp.

05/ago

A Pinakotheke Editora lança “Impossível: a história de amor de Maria Martins e Marcel Duchamp”, do historiador de arte americano Francis M. Naumann. O lançamento será no dia 11 de agosto, às 19h, na Pinakotheke São Paulo, em Higienópolis, com uma conversa aberta entre o autor e o público, seguida de sessão de autógrafos e visita à exposição “Surrealismos: arte para além da razão”, na Pinakotheke São Paulo, em cartaz até 15 de agosto, onde há uma sala especial dedicada a Maria Martins, com uma coleção de esculturas e gravuras produzidas pela artista entre os anos 1940 e 1950.

Publicado nos EUA em abril de 2026 pela Abbeville Press, o livro ganha edição em português, com 192 páginas, ilustrado, e tradução de Richard Sanches. Com base em documentos e correspondências inéditas, Francis M. Naumann (1948), pesquisador e curador especializado em Dadaísmo e Surrealismo, conta, em um texto cativante, um dos episódios mais bem guardados da história da arte moderna: o caso amoroso entre o francês Marcel Duchamp (1887-1968) e a escultora brasileira Maria Martins (1894-1973), vivido em segredo na Nova York dos anos 1940. O amor secreto gerou obras-primas dos dois artistas, e o livro faz uma reparação histórica a Maria Martins, uma das escultoras surrealistas mais importantes e reconhecidas de sua geração.

Uma história de amor que gerou obra-prima.

Entre 1943 e 1951, Duchamp – já celebrado como um dos maiores intelectuais da arte do século XX – e Maria Martins viveram um caso amoroso intenso e deliberadamente oculto. Ela era escultora, brasileira, casada com o embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Ele era o artista que havia abandonado a fama para se dedicar ao xadrez e que, ao encontrá-la, se apaixonou pela primeira e única vez na vida.

O que Naumann narra é que esse amor não foi apenas uma história pessoal: foi o motor criativo que levou Duchamp a passar os últimos vinte anos de sua vida trabalhando em segredo em sua última e mais perturbadora obra, “Étant donnés” (1966), um “tableau” em tamanho natural que, quando inaugurado postumamente no Philadelphia Museum of Art em 1969, chocou o mundo da arte com a imagem de uma mulher nua, deitada, com as pernas abertas, segurando um lampião a gás. O modelo para aquela figura era o corpo de Maria Martins.

Uma descoberta histórica sobre Duchamp.

Naumann, maior especialista vivo na obra de Duchamp, e autor de sua correspondência selecionada, demonstra com rigor documental que a influência da escultora brasileira sobre o artista foi muito mais profunda do que se sabia. A partir de desenhos preparatórios, moldes do corpo de Maria, cartas trocadas pelo casal e análises formais das esculturas de ambos, o autor reconstrói a gênese do “Étant donnés” e prova que a relação entre a obra de Maria – especialmente suas esculturas surrealistas do ciclo amazônico – e a última grande obra de Duchamp nunca havia sido explorada pela literatura especializada.

A revalorização de Maria Martins.

O livro “Impossível” é também um ato de reparação histórica. Maria Martins foi, nos anos 1940, uma das escultoras surrealistas mais importantes e reconhecidas de sua geração. Celebrada por André Breton, comprada por Nelson Rockefeller, exposta nas galerias mais importantes de Nova York. Após sua morte, foi progressivamente esquecida fora do Brasil. Naumann a recoloca no centro da narrativa da arte moderna, não como musa ou coadjuvante, mas como artista que influenciou decisivamente o percurso criativo do homem considerado o artista mais inteligente do século XX. A escultura “O Impossível” (1945), de Maria Martins, condensa a dualidade entre desejo e interdito que atravessa sua produção. As formas orgânicas e ambíguas da escultura convidam o espectador a habitar um território de transformação permanente, no qual corpos se fundem à natureza e escapam de definições estáveis. A obra dialoga com o imaginário surrealista, mas carrega marcas fortes da fauna e das mitologias americanas. Há três versões de “O Impossível”: em bronze, pertencente ao acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; em gesso, no Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (Malba); e em bronze, produzida em 1946, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Na exposição “Surrealismos: arte para além da razão”, na Pinakotheke São Paulo, dentro da sala especial dedicada a Maria Martins, está a obra “Impossible” (1946), gravura em metal sobre papel, 34 × 26 cm.

Uma paisagem em permanente reinvenção

24/jul

O Museu de Arte Brasileira – MAB FAAP, Higienópolis, São Paulo, SP, exibe “Arte da Nossa Gente”, exposição inédita organizada pelo Instituto Totex, em parceria com a FAAP. A mostra reúne mais de 150 obras originais de artistas brasileiros de diferentes regiões do país, produzidas ao longo de décadas e em múltiplas linguagens, como pintura, escultura, gravura, bordado e cerâmica.

Partindo de um título que evoca a ideia de pertencimento, a exposição propõe um olhar sobre o Brasil por meio da paisagem. Em vez de buscar uma imagem única ou uma definição essencial do que seria “nossa gente”, a mostra convida o público a perceber a diversidade de experiências, memórias, técnicas e modos de vida que constituem o país. A paisagem surge como eixo curatorial por sua capacidade de revelar diferentes formas de relação com o território. As obras reunidas apresentam múltiplos modos de construir, habitar, transformar e representar o Brasil, evidenciando a riqueza de seus biomas, culturas e tradições.

Ao valorizar produções populares em diálogo com obras do acervo do MAB FAAP e de coleções convidadas, a exposição amplia repertórios e questiona fronteiras historicamente estabelecidas entre o popular, o erudito, o regional e o contemporâneo. O popular é entendido aqui como um campo vivo e plural, que se manifesta no cotidiano, na festa, na fé, no trabalho e nos saberes transmitidos entre gerações, em constante transformação.

O percurso expositivo é organizado a partir de quatro verbos: Construir, Habitar, Inventar e Moldar. Cada núcleo aborda diferentes maneiras de se relacionar com o território, desde as imagens que ajudaram a formar a ideia de Brasil até os gestos cotidianos, as narrativas imaginárias e os processos materiais que dão forma à arte.

“Arte da Nossa Gente” propõe um deslocamento de perspectiva, olhar para a paisagem brasileira como uma experiência compartilhada, feita de gestos, narrativas, técnicas e transformações. Uma paisagem em permanente reinvenção, assim como a própria ideia de quem somos.

Até 11 de outubro.

Um caminho de cultura, história e diversão.

17/jul

A edição de férias de inverno 2026 do Caminhos da Matriz está chegando e com novidades. O roteiro cultural que percorre mensalmente alguns dos prédios históricos ao redor da Praça da Matriz, Porto Alegre, RS, e que já faz parte da tradição porto-alegrense traz, pela primeira vez, a Pinacoteca Ruben Berta para o percurso.

Nesta edição, as senhas serão limitadas a 105. Elas devem ser retiradas a partir das 13h30 do dia 25 na entrada do Palácio da Justiça. O percurso tem início às 14h, com a visita ao Memorial do Judiciário, ao Memorial do Ministério Público e à Pinacoteca Ruben Berta. Um programa de visitas mediadas gratuitas, que apresenta mensalmente uma combinação diferente de três dos prédios históricos no entorno da Praça da Matriz.

Então já programe-se, no Palácio da Justiça, às 13h30 do dia 25 de julho, para garantir seu lugar. Venha conhecer mais sobre esses espaços que são parte importante da história de Porto Alegre em um caminho de cultura, história e diversão.

A Pinacoteca Ruben Berta é constituída por uma coleção criada por Assis Chateaubriand – mais conhecido como Chatô (1892-1968), a figura mais influente do rádio, imprensa e televisão brasileira no século XX. A coleção de 125 obras foi doada pelos Diários Associados de Chatô à Prefeitura de Porto Alegre em 1971 e está conservada no casarão localizado na Rua Duque de Caxias, 973, restaurado e reinaugurado para esta finalidade em 2013. 

Em cartaz está a exposição “Para mostrar o mundo: objetos do cotidiano”, realizada sob curadoria de Katia Prates. A curadora – que também é artista e professora do Departamento de Artes Visuais e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Ufrgs – selecionou um conjunto de pinturas, gravuras e desenhos pertencentes aos acervos da Pinacoteca Ruben Berta e da Pinacoteca Aldo Locatelli que apresentam a clássica temática da Natureza-morta. Na mostra, estão obras de artistas como Portinari, Di Cavalcanti, Carlos Scliar e Eliseu Visconti.  

As transformações da paisagem nacional.

14/jul

Trabalhos de Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Carybé, Alfredo Volpi e Cândido Portinari estão entre as mais de 200 obras de “Coleção Ingá: Brasil plural”, que chega ao Centro Cultural da Justiça Federal, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ. Parte do acervo do Museu do Ingá, de Niterói, a seleção reúne pinturas, esculturas, gravuras e objetos dos séculos XIX e XX.

Os curadores Marcus Lontra e Rafael Peixoto organizaram a seleção em seis núcleos, que perpassam temas como religião, identidade e pertencimento, as transformações da paisagem nacional, e a arte popular. Dentre as obras principais, estão o painel monumental de “Brasil em quatro fases”, de de 3 x 8 metros, no qual  Di Cavalcanti conta a história do Brasil desde a chegada dos portugueses, e o conjunto de quadros “Embarcações com índios”, de Carybé.

Até 27 de setembro.

Nova exposição na Casa70 Galeria.

13/jul

Se “Eclosão”, exposição que marcou a abertura da CASA70 Galeria, Gávea, celebrou o nascimento de um novo espaço dedicado à arte no Rio de Janeiro, “Florescer” lança um olhar sobre aquilo que acontece em seguida: o crescimento, a consolidação e a continuidade.

A exposição reúne obras de Alberto da Veiga Guignard, Antonio Bandeira, José Pancetti e Candido Portinari – quatro pilares fundamentais da pintura moderna brasileira – em diálogo com a produção contemporânea desenvolvida pelos artistas representados pela CASA70 Galeria. 

Participam da mostra Bruno Borne, Diana Gondim, FESSAL, Giovanna Nucci, Lair Uaracy, Lorena Bruno, Lucas Finonho, Lucas Ribeiro, Marcelo Carrera, Marcos Corrêa, Mariana Riera, Marina Rodrigues, Miru Brüggmann, Samira Pavesi, Tatiana Bertrand e Thomaz Velho.

“Longe de estabelecer uma leitura linear da história da arte, “Florescer” propõe um encontro entre diferentes momentos da produção artística brasileira, revelando continuidades, permanências e novas interpretações que atravessam décadas de criação”, afirma Elis Valadares.

Entre pinturas, esculturas, fotografias, obras sobre papel, design e mobiliário, a exposição convida o público a perceber que a arte se desenvolve por meio do diálogo entre gerações. 

Até 30 de setembro.