Niemeyer na Itália na Casa Zalszupin.

16/dez

Milagre. Com esta palavra, Oscar Niemeyer foi definido por Lucio Costa no fundamental artigo “Muita construção, alguma arquitetura e um milagre”, de 1951. O vínculo entre Niemeyer e a Itália teve início quando o arquiteto carioca tinha 60 anos de idade, havendo já concebido os palácios da nova capital de seu país, participado do projeto da sede da ONU e realizado dezenas de projetos na Europa, América do Norte, África e Oriente Médio. 

A relação com a Península Itálica começou com o encantamento do proprietário da editora Mondadori ao visitar o Palácio do Itamaraty, em Brasília. Seu maravilhamento foi tamanho, que ele resolveu procurar Niemeyer para encomendar um projeto com as mesmas colunas e arcos para sediar sua empresa: o mestre moderno fez uma estrutura semelhante, mas, nos arredores de Milão, o espaçamento entre pilares não é equidistante e possui uma variação rítmica. O Palazzo Mondadori foi inaugurado em 1975 e abriu uma sequência de projetos arquitetônicos de Oscar Niemeyer na Itália. Mais três edificações foram construídas: as sedes das empresas Fata e Cartiere Burgo, nas cercanias de Turim, e o Auditório de Ravello, na Costa Amalfitana, aberto quando o dédalo brasileiro estava com 102 anos. 

Esta mostra-inventário também apresenta projetos que ficaram no papel. Em 1985, Niemeyer visitou Veneza e idealizou uma versão alternativa para a Ponte dell’Accademia: seu desenho arquitetônico era respeitoso com o contexto e, simultaneamente, uma saudável provocação para incitar transformações na singular cidade de incontáveis canais e mais de 1600 anos de existência. Para Pádua, o arquiteto engendrou um auditório para 2 mil pessoas, cuja cobertura seria um anfiteatro para 3 mil espectadores ao ar livre. Em Vicenza, ele planejou um teatro emergindo em meio a uma praça rebaixada. Oscar Niemeyer idealizou até um World Trade Center em Milão, uma versão em miniatura do Copan para a cidadela de Este, um campus de desenvolvimento automobilístico e um grande estádio em Turim. 

Nesta Casa Zalszupin, optou-se por não expor maquetes de projetos arquitetônicos: em vez de modelos em escalas reduzidas, apresenta-se um amplo conjunto de móveis desenhados pelo arquiteto. O banco Marquesa, a cadeira de balanço Rio, e as poltronas Alta e Baixa comprovam aqui a profunda correspondência entre as formas inventadas por Niemeyer em todos os âmbitos de projeto que ele se propôs ao longo da vida. 

Feito com o apoio da Fundação Oscar Niemeyer e fundamentado em pesquisas realizadas em bibliotecas e arquivos históricos no Brasil e na Itália, este mapeamento de treze projetos – quatro construídos e nove não executados – do arquiteto brasileiro na Península Itálica confirma a capilaridade global adquirida pela sua obra. Uma das dimensões do “milagre” identificado por Lucio Costa reside na capacidade de Oscar Niemeyer subverter o fluxo do colonialismo no século XX. 

Francesco Perrotta-Bosch, curador.

Até 14 de março de 2026.

Revelando riqueza artística e densidade simbólica.

 

O Museu de Imagens do Inconsciente, Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, RJ, convida para a abertura, em 20 de dezembro, às 10h, da exposição “Riquezas do mundo interno – coleções e leituras”, que reúne mais de 60 obras produzidas por pacientes psiquiátricos, oriundas de quatro museus: o próprio MII, o Museu Arthur Bispo do Rosário – ambos no Rio de Janeiro -, o Museu de Arte Osório Cesar, em Franco da Rocha, São Paulo, e o Museu da Oficina de Criatividade, em Porto Alegre.

A curadoria é de Luiz Carlos Mello, diretor do Museu de Imagens do Inconsciente, criado pela Dra. Nise da Silveira (1905-1999) em 1952. O ponto de partida para a mostra – que será de longa duração, e estará no edifício -sede do MII – foi o livro “Do asilo ao museu – Nise da Silveira e as coleções da loucura” (2024, Hólos Consultoria), de Eurípedes Gomes Cruz Jr., músico e museólogo que trabalhou por 25 anos junto com a Dra. Nise, em que analisa a formação, ao longo do último século, das coleções criadas em vários países com as obras produzidas por pacientes psiquiátricos.

Esta é a primeira vez que o Museu de Imagens do Inconsciente apresenta obras de outros museus, e haverá ainda um segmento com reproduções em papel de algodão fine-art, em tamanhos variados, de coleções similares localizadas na Europa, como a Coleção Prinzhorn, na Alemanha, Arte Bruta, em Lausanne, Suíça, Coleção Adamson, na Wellcome Library, em Londres. As obras – pinturas e esculturas – não estarão dispostas em ordem cronológica, mas agrupadas em aproximações poéticas.

A exposição “Riquezas do mundo interno – coleções e leituras” faz parte das comemorações dos 50 anos da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente, atualmente presidida pela Dra. Margareth Dalcolmo, e foi possível graças à emenda parlamentar da deputada federal Jandira Feghalli e o patrocínio, via Lei Rouanet, do Itaú Cultural.

“As mais de 60 obras expostas revelam riqueza artística e densidade simbólica, trazendo universos onde a fantasia e a imaginação alcançam dimensões inusitadas. As riquezas trazidas à superfície por pessoas que experimentaram semelhantes mergulhos estão representadas na exposição. O público será impactado pelas imagens”, afirma o curador Luiz Carlos de Mello.

No dia da abertura da exposição será feito o lançamento das novas edições revistas e ampliadas de dois livros: “Nise da Silveira, Caminhos de uma psiquiatra rebelde”, de Luiz Carlos Mello, como parte das comemorações dos 50 anos da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente, com edição da Hólos Consultoria e Automática; e “Nise da Silveira – afeto, liberdade e criatividade”, de Walter Melo, editado pelo Conselho Federal de Psicologia.

Arte Brasileira no Canadá.

12/dez

A maior exposição de arte brasileira já apresentada no Canadá, “Tropi-X” está em cartaz no Museum London, ON, reúne até 19 de abril de 2026 mais de 70 obras de 44 artistas para explorar expressões ousadas e em transformação de identidade, cultura e diáspora no Canadá. A exposição é curada por Alena Robin & Rodrigo D’Alcântara.

No centro da mostra está uma coleção rara de obras dos anos 1970 doadas pelo casal de visionários John e Elizabeth Moore: pinturas vibrantes, esculturas e trabalhos têxteis enraizados no folclore, na religião sincrética, na cultura popular e na experimentação modernista. Doada em 1985 e em grande parte invisível por mais de três décadas, essa seleção histórica reflete um momento decisivo na história da arte brasileira – moldado pela diversidade regional e pela transformação modernista.

Essas obras dialogam de forma dinâmica com trabalhos contemporâneos de 20 artistas brasileiro-canadenses que vivem em diferentes regiões do país, conectando passado e presente. Os artistas contemporâneos de “Tropi-X” desafiam narrativas herdadas e oferecem novas perspectivas sobre pertencimento e memória cultural. Organizada em três núcleos temáticos – Folclore Remix, Trópicos em Loop e Fantasmas Sincréticos – “Tropi-X” propõe uma reflexão urgente sobre a complexidade da arte brasileira e sua presença em transformação no panorama cultural canadense. 

“Tropi-X” apresenta obras de: Adelita Pandini, Alexandre Filho, Aline Setton, Antonio Maia, Bruno Capinan, Bruno Smoky, Bruno Tausz, César G. Villela, Christiano de Araujo, Elenir de Oliveira Teixeira, Eloisa de Aquino, Enrico Bianco, Farnese de Andrade, Felipe Fittipaldi, Fernando V. da Silva, Francisco da Silva (Chico), Genaro de Carvalho, Gilda Azeredo de Azevedo, Giorgia Volpe, Glauco Rodrigues, Hélio Basto, Hélio Eudoro, Hélio Rôla, Ian Indiano, Ivan Moraes, Jorge Maia, José Sabóia, Ludmila Steckelberg (VahMirè), Lucas Peixe, Luciano Mauricio, Luiza Albertini, Manoel Chatel, Marcio Melo, Mariana Marcassa, Marina FAW, Nakitta Hannah Correa, Napoleon Poty Lazzarotto, Raquel Trindade (Kambinda), Renina Katz, Richelli Fransozo, Sebastião Januário, Tarcisio Cataldi, Vinicius de Aguiar Sanchez (O Vico) e Ziltamir Soares de Maria (Manxa).

O elemento regional do Rio Grande do Sul.

25/nov

 

Reunindo dezenas de pinturas, desenhos, gravuras e esculturas, a exposição “Sul no Olhar” foi concebida sob a curadoria das acadêmicas de Museologia Maria Teixeira da Silva e Pietra Fredrich a partir da Coleção Rolf Zelmanowicz, acervo integrado ao Museu de Arte do Paço – MAPA. 

Sul no Olhar

O casal Rolf Udo Zelmanowicz (1931-2023) e Elisabete de Medeiros Zelmanowicz (1940) iniciaram em 1969 uma notável coleção, reunindo trabalhos de artistas do século XX, cuja temática predominante é o elemento regional do Rio Grande do Sul, representado por personas, paisagens e cenas do cotidiano urbano e rural. Para além do mero recorte geográfico, as imagens reunidas evocam memórias, identidades e a diversidade cultural da região, tomando o passado como um impulso poético para imaginar o futuro. Nesta exposição é apresentada ao público uma seleção de obras pertencentes à Coleção Rolf Zelmanowicz, generosamente doada pelo casal em 2023 ao Museu de Arte do Paço – MAPA.

Pietra Fredrich – Maria Teixeira da Silva.

Exposição Sul No Olhar 

Artistas participantes

Angelo Guido, Antônio Caringi, Enrique Castells Capurro, Clara Pechansky, Danúbio Gonçalves, Deville, Elisabete Zelmanowicz, Ernesto Frederico Scheffel, Esteban Roberto Garino, Francis Pelichek, Guido Mondin, João Fahrion, Libindo Ferrás. Nelson Boeira Faedrich, Oscar Boeira, Oscar Crusius, Plínio Bernhardt, João Luiz Roth, José Lutzenberger, Leopoldo Gotuzzo, Xico Stockinger, Vasco Prado.

 

A Suíte Tropical de Di Cavalacanti.

13/nov

A Galeria Mayer Mizrahi, Jardim Paulista, São Paulo, SP, inaugura exposição marcando o lançamento da série Suíte Tropical, uma seleção de dez obras de Di Cavalcanti realizadas em serigrafias certificadas pela filha do artista Elisabeth di Cavalcanti, reunidas com o propósito de ampliar o acesso à visualidade intensa e calorosa de um dos grandes nomes da arte brasileira. O conjunto se organiza em torno de temas recorrentes na obra de Di Cavalcanti: o corpo, a festa, o cotidiano, as mulheres, os ritmos da cor e da vida. O título suíte é uma referência à forma musical que evoca uma sequência de movimentos harmônicos, mas também uma expressão que dialoga com a tradição de grandes séries gráficas da arte.

Além de apresentar as serigrafias, a exposição, com curadoria de Denise Mattar, traz textos do artista, uma cronologia ilustrada, vídeo e legendas comentadas que contextualizam as obras selecionadas. Assim o que se oferece ao espectador é uma suíte brasileira, ou melhor, tropical, na qual cada imagem carrega a pulsação de um país reinventado por traço e cor.  Suas figuras não são apenas personagens: são paisagens humanas, sínteses do trópico em sua plenitude sensual e simbólica. A curadora destaca que a exposição proporciona uma experiência de leitura sensível, revelando dimensões da obra do artista ainda pouco acessíveis ao grande público.

Até 13 de dezembro.

 

Para lembrar da pintora Lucy Citti Ferreira.

06/nov

A jornalista, pesquisadora e escritora Mazé Torquato Chotil, baseada em Paris, resgata a trajetória da artista plástica Lucy Citti Ferreira, brasileira de formação europeia, cuja obra transita entre São Paulo e a capital francesa. No livro “Lucy Citti Ferreira: a pintora esquecida do modernismo”, Mazé Torquato Chotil revela uma artista autônoma, sensível e injustamente apagada da História da Arte Brasileira.

A artista plástica Lucy Citti Ferreira viveu entre dois mundos, o Brasil e a França, e construiu uma trajetória singular no Modernismo brasileiro. Nascida em São Paulo, em maio de 1911, passou parte da infância e juventude na Europa, especialmente na França e na Itália, o que influenciou profundamente sua formação estética. Estudou nas escolas de belas-artes francesas e desenvolveu uma produção marcada pela sensibilidade, pelo rigor técnico e por um diálogo constante entre pintura e música.

Apesar de sua formação sólida e da atuação no cenário artístico paulista, foi, por décadas, relegada ao esquecimento. A jornalista e escritora Mazé Torquato Chotil, autora do livro “Lucy Citti Ferreira: a pintora esquecida do modernismo”, decidiu enfrentar esse apagamento histórico. “Ela era artista tal qual o Lasar Segall”, afirma Mazé Torquato Chotil, referindo-se ao pintor com quem Lucy Citti Ferreira manteve uma relação profissional e afetiva. “Segall dizia: “Ela não era minha aluna, era minha colega de trabalho”.”

Mazé Torquato Chotil explica que o desafio maior foi justamente falar de Lucy Citti Ferreira como artista autônoma, e não como musa ou sombra de Lasar Segall. “Quando ela volta ao Brasil, já era uma pintora formada, com diploma, com experiência europeia. Era uma profissional à part entière, como dizem os franceses.” A autora destaca que a pintura de Lucy Citti Ferreira e Lasar Segall compartilhava influências europeias e que foi (o escritor e figura-chave do Modernismo brasileiro) Mário de Andrade quem os apresentou, reconhecendo afinidades estéticas entre os dois.

A biografia escrita por Mazé Torquato Chotil é também um exercício de justiça histórica, especialmente no que diz respeito à invisibilização das mulheres artistas. “Como muitas outras, Lucy foi esquecida porque era mulher. Pintora, numa época em que isso não era permitido.” A autora lembra que mesmo nomes como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral foram “desenterradas” apenas nos anos 1980, após décadas de apagamento.

O trabalho de pesquisa foi intenso. Mazé Torquato Chotil passou dias mergulhada no centro de documentação da Pinacoteca do Estado de São Paulo, onde Lucy Citti Ferreira deixou um acervo valioso antes de morrer. “Ela fez um testamento do material que tinha – arquivos, cartas, muitas telas – e doou à APAC (Associação de Proteção e Apoio à Cultura), com a condição de que fossem distribuídas a outros museus.” Hoje, obras de Lucy Citti Ferreira estão presentes em instituições como o Museu de Arte Judaica de Paris, o MUnA em Minas Gerais, e até em cidades como Bauru, ampliando o acesso à sua produção.

Ao final da vida, Lucy Citti Ferreira fez questão de doar seu acervo, garantindo que sua obra fosse estudada e preservada. Para Mazé Torquato Chotil, esse gesto é um legado poderoso. “Ela queria que o público brasileiro tivesse acesso à sua arte. E hoje, graças a esse gesto e ao trabalho de pesquisadores, podemos finalmente reconhecer sua contribuição à história da arte brasileira do século 20.”

O livro “Lucy Citti Ferreira: a pintora esquecida do modernismo” se encontra disponível em Paris na Livraria Portuguesa e Brasileira, e no Brasil com distribuição da Editora Patuá.

Fonte: Márcia Bechara.

 

A permanência da obra de Abelardo Zaluar.

27/out

A Galeria de Arte Ipanema apresentou a exposição inédita de Abelardo Zaluar, dedicada a um dos nomes mais singulares da abstração geométrica brasileira. A mostra reuniu 25 trabalhos em vinil sobre tela, produzidos entre as décadas de 1970 e 1980.

O texto crítico que acompanhou a exposição trazia a  assinatura do artista Gonçalo Ivo, ex-aluno de Zaluar, que recuperou memórias de seu convívio com o mestre e ressaltou a dimensão espiritual e humanista de sua obra: “Tenho para mim que, em sua passagem neste ínfimo mundo, Abelardo Zaluar (1924-1987) viveu e criou como um monge. Fez de seu ofício um sacerdócio. Humanista convicto, tal qual um Midas, transformou pigmentos, formas e espaços em um mundo de encantamento e transcendência espiritual”.

A obra de Zaluar

Nascido em Niterói, RJ, Abelardo Zaluar construiu uma trajetória marcada pela independência de filiações a grupos ou correntes, desenvolvendo uma linguagem própria que combinava rigor geométrico e sensualidade barroca. Desde o início de sua carreira, nos anos 1940, transitou da figuração para a abstração, incorporando colagens, sobreposições de áreas de cor e experimentações com tridimensionalidade e trompe l’oeil. Nos anos 1970, incorporou recortes, transparências e colagens de cartões e lâminas de acrílico, criando jogos sensoriais que ampliavam a dimensão pictórica de sua obra. Essa produção, frequentemente comparada por críticos como Mário Pedrosa e Frederico Morais a referências internacionais, como Ben Nicholson, permanece única no panorama brasileiro, ao mesmo tempo rigorosa e lúdica.

Trajetória e reconhecimento

Professor, pintor, desenhista e gravador, Abelardo Zaluar participou de importantes coletivas e bienais entre as décadas de 1950 e 1980. Foi premiado no Salão Nacional de Arte Moderna (1963), recebeu destaque no Prêmio Leirner de Arte Contemporânea (1959), e realizou retrospectivas em instituições como o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e o Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC/PR). A singularidade de sua produção, à margem das classificações dominantes da crítica, fez de sua obra um território de liberdade criativa, hoje redescoberto como uma das contribuições mais originais da arte brasileira moderna. A exposição, acompanhada de um catálogo organizado pela Galeria de Arte Ipanema, com textos críticos e reproduções das obras, oferece uma visão abrangente da produção de Abelardo Zaluar e sua influência na arte brasileira.

 

São Paulo ganhou novo espaço.

A cidade de São Paulo inaugurou um novo espaço expositivo voltado à Arte Moderna e Contemporânea. Localizado no sétimo andar do Itaú Cultural, na Avenida Paulista, o Espaço Milú Villela – Brasiliana: Arte Moderna e Contemporânea amplia o acesso do público ao Acervo Itaú Unibanco, considerado a maior coleção corporativa de arte da América Latina, com mais de 15 mil obras.

Com 280 m², o novo andar se junta ao Espaço Olavo Setúbal, inaugurado em 2014, e ao Espaço Herculano Pires, aberto em 2023, reforçando o compromisso da instituição em apresentar diferentes recortes da Arte e da Cultura brasileira. O espaço leva o nome de Milú Villela, psicóloga que presidiu o Itaú Cultural por quase duas décadas, entre 2001 e 2019. A entrada é gratuita.

A mostra inaugural, de longa duração, se chama “Brasil das Múltiplas Faces” e conta com curadoria de Agnaldo Farias e projeto expográfico do arquiteto Daniel Winnik. A exposição reúne 185 obras de 150 artistas, datadas de 1889 até os dias atuais. Nomes como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Tomie Ohtake, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Rosana Paulino e Adriana Varejão estão entre os destaques. Segundo Sofia Fan, gerente de artes visuais e acervos do Itaú Cultural, o novo espaço promove reflexões sobre identidade e diversidade por meio de diferentes narrativas visuais. “O foco em arte moderna e contemporâne traz uma continuidade destas relações, estimulando o olhar crítico e promovendo uma visita não linear e profundamente reflexiva”

O grande intérprete do Amor e da Modernidade.

20/out

Para celebrar a vida e o legado do poeta Vinícius de Moraes, que completaria 112 anos, o Museu de Arte do Rio (MAR) abriu a exposição “Vinicius de Moraes – por toda a minha vida” que ficará em cartaz até 03 de fevereiro de 2026.

Com curadoria de Eucanaã Ferraz e Helena Severo, a mostra reúne mais de 300 itens entre manuscritos, fotografias históricas, vídeos, livros raros, capas de discos, objetos e documentos pessoais, instrumentos musicais, esculturas e obras de arte de artistas amigos de Vinicius. 

“Vinicius de Moraes foi um dos construtores do Brasil moderno – aquele que se reconhece na poesia, na música, no afeto e na liberdade. Sua obra atravessa o século vinte como um fio de beleza e humanidade, revelando um país que aprendeu a cantar o amor e a emoção. Nesta exposição propomos um percurso sensível por sua vida e criação, pela alegria e delicadeza com que soube transformar o cotidiano em arte”; analisa a curadora Helena Severo.

A mostra propõe uma viagem afetiva e estética pela vida e pela obra de Vinicius de Moraes – o poeta, diplomata, dramaturgo, jornalista, compositor e cantor que marcou a cultura brasileira do século XX. Organizada em núcleos temáticos, a exposição percorre seus principais eixos de criação: a música, a poesia, o teatro, as artes visuais e as cidades que fizeram parte de sua trajetória.

Entre os grandes destaques está o espaço dedicado a “Orfeu da Conceição” (1956), peça teatral que inaugurou a parceria de Vinicius de Moraes com Tom Jobim. O núcleo apresenta croquis originais de figurinos de Lila Bôscoli e Carlos Scliar, cartazes de divulgação de Djanira, Scliar e Luiz Ventura, fotografias de José Medeiros registrando os ensaios da montagem e um desenho em alto-relevo de Oscar Niemeyer para o cenário do espetáculo, que estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O público poderá conferir alguns instrumentos como o piano, utilizado em parcerias como a série “Os afro-sambas” (1966), com Baden Powell, também foi tocado por Tom Jobim durante ensaios da peça “A invasão” (1962), de Dias Gomes.

A mostra traz ainda obras inéditas, como gravuras e desenhos de Lasar Segall, Guignard, Di Cavalcanti, Carlos Leão, Oswaldo Goeldi, Augusto Rodrigues e Dorival Caymmi. Entre os destaques, está o quadro “Retrato de Vinicius de Moraes” (1938), de Cândido Portinari. As artes plásticas e visuais reafirmam a convivência de Vinicius de Moraes com grandes nomes de sua geração. Estão reunidas obras de Portinari, Guignard, Pancetti, Santa Rosa, Cícero Dias, Dorival Caymmi, Carybé e Carlos Scliar, artistas que foram amigos próximos do poeta.

“Vinicius de Moraes – por toda a minha vida” reafirma o legado do poeta como um dos grandes intérpretes do amor e da modernidade, cuja obra permanece viva e presente. Para além de sua produção literária e musical, a exposição evidencia o homem que viveu intensamente as transformações culturais e comportamentais de seu tempo, ajudando a moldar a sensibilidade brasileira.

 

Originais de Juarez Machado.

13/out

Juarez Machado é o artista que transforma a vida em cena. Entre pinceladas, cores e gestos, ele construiu uma das carreiras mais marcantes da arte brasileira, uma narrativa onde o cotidiano se torna espetáculo, e cada obra, um fragmento de história.

Artista de trânsito internacional, agora, parte dessa trajetória ganha vida na Galeria Dom Quixote, CasaShopping, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, através da exposição “O Contador de Histórias”, reunindo mais de 80 obras originais.

Sobre o artista.

Juarez Machado nasceu em 1941 em Joinville, Santa Catarina. Pintor, escultor, desenhista, caricaturista, cenógrafo e escritor. Aos 14 anos, trabalhou em uma oficina gráfica, no setor de produções de rótulos de remédios, embalagens e cartazes para laboratórios. Aos 18 anos Juarez Machado, resolveu explorar outras cidades, indo para Curitiba onde matriculou-se na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Logo ao se formar, realizou sua primeira individual na Galeria Cocaco, dando início a sua carreira de contínuo sucesso. Em 1965, mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 1978 mudou para Paris, onde fez seu terceiro ateliê, mas antes, visitou Nova York, Londres, Itália, Dinamarca, Chipre, Israel e Grécia onde tomou partido dos acontecimentos do universo artístico de cada região. Ganhou o prêmio da 5ª Bienal de Arte da Itália, prêmio Cenários em Televisão, prêmio “Barriga Verde” de Artes Plásticas de Santa Catarina, prêmio Nakamori, Japão, pelo melhor livro infantil, entre outros. Sua cidade natal (Joinville), deu-lhe o título de Cidadão Honorário em 1982, e o presidente da República concedeu-lhe a Ordem do Mérito de Rio Branco, em 1990. Divide suas atividades entre a França e o Brasil.

Até 16 de novembro.