Fabio Mauri na Bergamin & Gomide

24/mar

A Galeria Bergamin & Gomide, Jardins, São Paulo, SP, tem o prazer de apresentar a partir de 11 de março a primeira exposição individual no Brasil do artista italiano Fabio Mauri, o qual participou em 2012 da dOCUMENTA (13), em Kassel, além de seis edições da Bienal de Veneza (1954, 1974, 1978, 1993, 2013, 2015).

 

A mostra FABIO MAURI (SENZA ARTE) foi realizada em parceria com Olivier Renaud-Clément e com a galeria suíça Hauser & Wirth, que abriga toda a coleção do artista, e fez em 2015 e 2016 uma grande retrospectiva de Mauri nos Estados Unidos e em Londres.

 

Mauri nasceu em Roma, em 1926, e teve sua vida e obra marcadas pelo fascismo. Sua família era proprietária de uma das editoras mais importantes de literatura no país, por consequência, Mauri foi criado entre escritores e artistas e naturalmente se tornou amigo próximo de intelectuais e grandes nomes da vanguarda italiana do pós-guerra, como Ítalo Calvino, Umberto Eco, Pier Paolo Pasolini e Jannis Kounellis.

 

No final dos anos 1950, Mauri inicia sua produção artística em formatos tradicionais, como pinturas em telas e desenhos em papéis. Desde então, sua obra já tinha grande preocupação com questões ideológicas e políticas, o que foi acentuado nas décadas seguintes com o desenvolvimento da sua produção em formatos mais contemporâneos, em particular seu interesse pela “imagem projetada” e pela “tela escura” do cinema e da televisão – através de vídeos e projeções – além do elemento cênico, que se dava através da inserção do público dentro da obra em suas ações/performances e instalações, seja de forma participativa ou apenas como observador.

 

Segundo Carolyn Christov-Bakargiev, curadora da dOCUMENTA (13) e do Castello di Rivoli, “É verdade que Mauri abordou temas numerosos e diversos, usando uma variedade de abordagens expressivas, mas um fio comum fundamental, quase uma obsessão, percorre todos os seus movimentos, apesar do caráter multiformes de sua obra. Subjacente a todas as suas obras está uma meditação na tela – o cinema e a televisão – e as implicações da projeção para a sociedade e para a subjetividade contemporânea.”

 

Para a exposição na galeria, 25 obras foram selecionadas: no salão principal dois carpetes de grandes dimensões vão ocupar o centro da galeria, com as frases  Forse l’arte non è autonoma  [Talvez a arte não seja autônoma] e Non ero nuovo [Eu não era novo], ambos de 2009, e que fizeram parte da dOCUMENTA (13), em 2012, além de uma série de colagens e as instalações On the Liberty (1990) e Ventilatore (1990); no segundo ambiente serão apresentados treze trabalhos da série Photo Finish (1976); a última sala foi reservada para uma projeção do vídeo Seduta su l’ombra, de 1977. Todos os trabalhos são inéditos no Brasil e retratam um recorte abrangente da obra do artista.

 

Trabalhando em paralelo aos principais movimentos artísticos da época, como a Pop Art e a Arte Povera, Mauri colocou em discussão o papel da comunicação midiática como formadora da sociedade lá na década de 1960, quando a televisão ainda dava os primeiros passos. Enquanto artistas na Europa e nos Estados Unidos exploravam as nuances do consumismo e dissecavam os materiais essenciais da criação artística, Mauri abria frente para um questionamento que iria além da estética e da representação: como dar forma a algo tão abstrato como uma ideologia? Qual o papel do artista, do público e da mídia dentro dessa discussão? A problemática que o artista investigou por tantos anos é um assunto extremamente atual nos dias de hoje, sua obra reflete pontos cruciais da vida em sociedade e do pensamento do homem moderno.

 

Em 2015 a obra Il Muro Occidentale o del Pianto [O muro ocidental ou das lamentações], de 1993, ocupou a primeira sala do pavilhão central na 56a Bienal de Veneza, com curadoria de 56ª Bienal de Veneza, com curadoria de Okwui Enwezor. No mesmo ano o artista participou também pela primeira vez da Bienal de Istambul e sua obra foi incluída como parte da exposição permanente do Castello di Rivoli, enquanto outros trabalhos foram adquiridos pelo Centre Pompidou, em Paris.

Fabio Mauri na Bergamin & Gomide

07/mar

A Galeria Bergamin & Gomide, Jardins, São Paulo, SP, tem o prazer de apresentar a partir de 11 de março a primeira exposição individual no Brasil do artista italiano Fabio Mauri, o qual participou em 2012 da dOCUMENTA(13), em Kassel, além de seis edições da Bienal de Veneza (1954, 1974, 1978, 1993, 2013, 2015).

 

A mostra FABIO MAURI (SENZA ARTE) foi realizada em parceria com Olivier Renaud-Clément e com a galeria suíça Hauser & Wirth, que abriga toda a coleção do artista, e fez em 2015 e 2016 uma grande retrospectiva de Mauri nos Estados Unidos e em Londres.

 

Mauri nasceu em Roma, em 1926, e teve sua vida e obra marcadas pelo fascismo. Sua família era proprietária de uma das editoras mais importantes de literatura no país, por consequência, Mauri foi criado entre escritores e artistas e naturalmente se tornou amigo próximo de intelectuais e grandes nomes da vanguarda italiana do pós-guerra, como Ítalo Calvino, Umberto Eco, Pier Paolo Pasolini e Jannis Kounellis.

 

No final dos anos 1950, Mauri inicia sua produção artística em formatos tradicionais, como pinturas em telas e desenhos em papéis. Desde então, sua obra já tinha grande preocupação com questões ideológicas e políticas, o que foi acentuado nas décadas seguintes com o desenvolvimento da sua produção em formatos mais contemporâneos, em particular seu interesse pela “imagem projetada” e pela “tela escura” do cinema e da televisão – através de vídeos e projeções – além do elemento cênico, que se dava através da inserção do público dentro da obra em suas ações/performances e instalações, seja de forma participativa ou apenas como observador.

 

Segundo Carolyn Christov-Bakargiev, curadora da dOCUMENTA (13) e do Castello di Rivoli, “É verdade que Mauri abordou temas numerosos e diversos, usando uma variedade de abordagens expressivas, mas um fio comum fundamental, quase uma obsessão, percorre todos os seus movimentos, apesar do caráter multiformes de sua obra. Subjacente a todas as suas obras está uma meditação na tela – o cinema e a televisão – e as implicações da projeção para a sociedade e para a subjetividade contemporânea.”

 

Para a exposição na galeria, 25 obras foram selecionadas: no salão principal dois carpetes de grandes dimensões vão ocupar o centro da galeria, com as frases Forse l’arte non è autonoma [Talvez a arte não seja autônoma] e Non ero nuovo [Eu não era novo], ambos de 2009, e que fizeram parte da dOCUMENTA (13), em 2012, além de uma série de colagens e as instalações On the Liberty (1990) e Ventilatore (1990); no segundo ambiente serão apresentados treze trabalhos da série Photo Finish (1976); a última sala foi reservada para uma projeção do vídeo Seduta su l’ombra, de 1977. Todos os trabalhos são inéditos no Brasil e retratam um recorte abrangente da obra do artista.

 

Trabalhando em paralelo aos principais movimentos artísticos da época, como a Pop Art e a Arte Povera, Mauri colocou em discussão o papel da comunicação midiática como formadora da sociedade lá na década de 1960, quando a televisão ainda dava os primeiros passos. Enquanto artistas na Europa e nos Estados Unidos exploravam as nuances do consumismo e dissecavam os materiais essenciais da criação artística, Mauri abria frente para um questionamento que iria além da estética e da representação: como dar forma a algo tão abstrato como uma ideologia? Qual o papel do artista, do público e da mídia dentro dessa discussão? A problemática que o artista investigou por tantos anos é um assunto extremamente atual nos dias de hoje, sua obra reflete pontos cruciais da vida em sociedade e do pensamento do homem moderno.

 

Em 2015 a obra Il Muro Occidentale o del Pianto [O muro ocidental ou das lamentações], de 1993, ocupou a primeira sala do pavilhão central na 56a Bienal de Veneza, com curadoria de56ª Bienal de Veneza, com curadoria de Okwui Enwezor. No mesmo ano o artista participou também pela primeira vez da Bienal de Istambul e sua obra foi incluída como parte da exposição permanente do Castello di Rivoli, enquanto outros trabalhos foram adquiridos pelo Centre Pompidou, em Paris.

Mostra de André Bergamin

28/jun

“Entre o Êxtase e a Demência”, é o título da exposição individual de André Bergamin, que a Galeria Recorte, Consolação, SP, apresenta ao público. Trata-se de uma série inédita de trabalhos do jovem artista natural de Porto Alegre, RS. Em sua produção atual, André Bergamin mostra-se consciente de que o vínculo entre o homem e mundo se perdeu, e opta justamente por não retratar mais o mundo, mas sim o vínculo desfeito, e o faz a partir de retalhos.

 

As obras dessa exposição são compostas por fragmentos com formas que sugerem ritmo e movimento – nada parece estar parado. Cada imagem é como um retrato instantâneo de um universo sem sentido e em expansão. O caráter ilógico desses universos retratados é resultado do processo de criação do artista, que combina imagens previamente recortadas de forma aleatória e livre de narrativas – para que da interação entre as partes surja algo complexo de forma instantânea –, com camadas de significado possíveis que emancipam a percepção individual e permitem diversas leituras.

 

O nome da exposição – que também é título de uma das obras em cartaz – sugere um estado de incerteza da condição humana e revela a natureza ocasional de sua produção artística. A identificação das obras também é feita de forma casual: após cada trabalho estar finalizado, o artista elege frases randômicas de livros que estão ao seu alcance para nomear suas criações. Esse método reforça a ideia de desconexão entre cada parte dos elementos que ele usa para compor as obras de arte.

 

André Bergamin é artista visual autodidata, dono de humor tão afiado quanto a lâmina do seu estilete. Para ele, a colagem está em toda parte, pois acredita que vivemos experiências fragmentadas que são justapostas em nossas mentes. Radicado em Porto Alegre, André tem participado de exposições em cidades como Toronto, Nova Iorque, Barcelona. Ainda este ano suas obras devem integrar uma exposição coletiva em Trondheim, Noruega.

 

A curadoria da exposição é de Francisco Ribeiro. Curador independente e produtor cultural, Francis colabora desde 2009 com a Galeria Fita Tape, além de integrar a equipe de programação artística do Theatro São Pedro, Porto Alegre, RS.

 

 

De 06 de julho a 10 de setembro.

Luisa Editore na Oscar Cruz

11/mar

A Galeria Oscar Cruz, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, apresenta a segunda exposição individual da artista chilena radicada em São Paulo, Luisa Editore. A mostra traz obras inéditas, incluindo pinturas e colagens, que reafirmam o interesse da artista pelos processos da fatura da pintura e das suas etapas de produção. Luis Editores tem desenvolvido nos últimos anos, uma linguagem baseada na aplicação de fita adesiva para demarcar a pintura, e o seu uso posterior em outros suportes, como cartões. Criando assim, uma espécie de sistema, onde todo material é aproveitado e aplicado.

 

Em “AllaBreve, instalação que dá nome à exposição, onze cartões são alinhados por uma paleta de tons de vermelho encontrados em cada cartão. Nesta operação, ela descreve o trajeto inverso da pintura, como se respondesse a questão: realinhar algo que foi desconstruído e buscar um fio de nexo nas obras.

 

O título da exposição funciona quase que por antítese, referindo-se mais ao campo da música e da matemática, do que ao seu significado literal (“à maneira de” – “com rapidez”) – que sugere um ritmo bastante rápido. Visto que na pintura a óleo, a fatura é lenta, longa, permanente, profunda.

 

Na série de aproximadamente doze pinturas de médio e pequenos formatos, em sua maioria, passa a pensar o espaço por justaposição de grades, com deslocamentos modulados pelas espessuras das fitas adesivas. Nestas telas notamos a clareza da matemática, dada pela repetição do eixo ortogonal, que preenche o campo da pintura. Enquanto em outras telas destaca os cortes e rupturas dos planos das grades, para obter prováveis espaços de aberturas, cantos e frestas de luz. Referências à Arquitetura e ao automatismo dos processos da própria pintura estão lançados.

 

Há de se destacar, que no percurso da exposição duas pinturas contém grandes percentuais de campos negros, chegando a 80% uma delas. Essas obras foram as primeiras que foram criadas para a exposição e demarcam um provável hiato. Nota-se a partir daí, um interesse peculiar no espaço da tela e da pintura. Além da representação de possíveis plantas de arquitetura ou cidades em vista aérea, o olhar estaria mais aproximado do espaço desejado, em direção a um caminho onde a própria linguagem torna-se mais clara. Como se na escuridão,encontrasse o mínimo de clarão para ancorar o exercício da pintura.

 

 

 

Até 29 de abril.

Processos criativos

23/fev

O Wesley Duke Lee Art Institute, São Paulo, SP, abre na Ricardo Camargo Galeria, Jardim Paulistano, a exposição coletiva Proces/sos Cri/ativos –  Ex/periência  com 15 jovens artistas convidados a vivenciar uma experiência única: produzir a partir de uma imersão no universo de Wesley Duke Lee. Com obras em suportes diversos como pintura, colagem, fotografia, gravura, serigrafia e projeção em slide, e curadoria de Patricia Lee, concretiza-se mais um dos sonhos do artista de poder transmitir às novas gerações seu conhecimento e influências.

 

Por um período de dois meses, com encontros semanais, os artistas frequentaram a instituição – uma casa/museu – e tiveram acesso aos livros, textos diversos, fotografias, filmes, desenhos, livros, objetos e obras, podendo assim captar o artista em sua  essência. Como comentava Wesley Duke Lee, sua casa era ele mesmo virado de dentro para fora. Muitos artistas utilizaram referências do Grupo Rex, do qual Wesley Duke Lee foi um dos fundadores, que oferecia um contraponto combativo e bem-humorado ao mercado de artes, na década de 1960. Essas referências estão agora disponíveis na biblioteca do WDLAI.

 

A possibilidade de imersão no universo de Wesley Duke Lee é um dos objetivos do Instituto e um dos sonhos do artista, coordenado por sua sobrinha, Patrícia Lee: fazer circular seu conteúdo cultural e informativo na sociedade. Grande parte dos materiais já está à disposição de estudantes, pesquisadores e público. “Queremos, com iniciativas como esta, provocar o pensamento artístico e criativo, reinventar a didática à maneira de Wesley Duke Lee e estimular o autoconhecimento”, diz Patrícia Lee, diretora cultural do Instituto.

 

“PROCES/SOS CRI/ATIVOS” é o resultado do resgate da memória de Wesley Duke Lee através das mentes jovens do nosso tempo.  Artistas participantes: Adriana Moreno, Bruna Meyer, Claudia Di, Coletivo Quatro Patas, Felipe Ferraro, Gustavo Prata, Ile Sartuzi, Julia Kavazzini, Julia Milaré, Karina Ferro, Leandro Muniz, Margarita Jaime, Pedro Ermel, Wal Braz, Yuli Yamagata.

 

 

 

De 29 de fevereiro a 05 de março.

Collage Show : Barcelona

19/fev

Com apoio da Fundación Miró/Barcelona, o INT´NL Weird Collage Show desloca-se este ano para Barcelona, Espanha. A edição anterior realizou-se em Nova Iorque e a atual acontecerá no ESPRONCEDA CENTER for ART & CULTURE de 25 de fevereiro até 13 de março.

 

 

O grupo de artistas expositores nessa edição de Barcelona, oriundos de diversas partes do mundo, que  dedicam-se a prática da colagem como técnica artística autônoma, é composto por Alan Ganev & François Ares (Canadá), André Bergamin (Brasil), Anna Taratiel (BCN), Anthony Zinonos (EEUU), April Gertler (Alemanha), Ashkan Honarvar (Noruega), B. D. Graft (Países Baixos), Bill Noir (França), Chang Gang Lee (Japão), Charles Wilkin (USA), Cless (Espanha), Dennis Bush (Alemanha), Franco Fasoli (Argentina), Fred Free (EEUU), Gloria Vilches (BCN), Goster (Peru) Grande (Suécia), James Gallagher (EEUU), Jon Legere (EEUU), John Witlock (EEUU), Julia Busch (Alemanha), Mario Zoots (EEUU), Marta De Los Pájaros (BCN), Max-O-Matic (BCN), Mik de Sutter (EEUU), Niko Vartiainen (Finlândia), Rubén B (Espanha), Sergi Lacambra (BCN), Sylvia Stølan (Noruega), Tamar Cohen (EEUU) e Vincent Pacheco (EEUU), a curadoria é de Max-O-Matic & Rubén B.

Frida Kahlo na Caixa Cultural-Rio 

26/jan

A Caixa Cultural, Centro, Rio de Janeiro, RJ, em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, apresenta a exposição “Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México”, que reúne 30 obras da grande artista nascida no México. Em torno desses trabalhos de Frida Kahlo – 20 óleos sobre tela e dez em papel, entre desenhos, colagens e litografias – estão cerca de cem obras de outras quatorze artistas, principalmente mulheres nascidas ou radicadas no México, autoras de potentes produções, como María Izquierdo, Remedios Varo, Leonora Carrington, Rosa Rolanda, Lola Álvarez Bravo, Lucienne Bloch, Alice Rahon, Kati Horna, Bridget Tichenor, Jacqueline Lamba, Bona de Mandiargues, Cordélia Urueta, Olga Costa e Sylvia Fein.  Quando esteve em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo,a mostra atraiu 600 mil pessoas. Integrará a exposição uma mostra de filmes, dedicados às artistas Alice Rahon, Rara Avis, Jacqueline Lamba, Leonora Carrington, Remedios Varo, além de Frida Kahlo.

 

Com curadoria da pesquisadora Teresa Arcq, “Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México” proporciona ao público brasileiro um amplo panorama do pensamento plástico da artista, e revela a intrincada rede e o potente imaginário que se formaram tendo como eixo sua figura. A exposição, que abrange pinturas, esculturas e fotografias – além de vestimentas, acessórios, documentos, registros fotográficos, catálogos e reportagens – ocupará todo o espaço expositivo do segundo andar da Caixa Cultural.

 

A exposição foi idealizada e coordenada pelo Instituto Tomie Ohtake, de São Paulo, e tem o patrocínio da Caixa, com apoio da Secretaria de Relaciones Exteriores do México (SER), Embaixada do México no Brasil, do Instituto Nacional de Bellas Artes (INBA), do Consejo Nacional para la Cultura y las Artes (Conaculta) e do Conselho de Promoção Turística do México (CPTM).

 

Durante toda a sua vida, Frida Kahlo, nascida em 06 de julho de 1907, em Coyoacán, México, onde morreu em 13 de julho de 1954, pintou apenas 143 telas. Dentre as 20 pinturas de Frida na exposição, seis são autorretratos. Há ainda mais duas de suas telas que trazem a sua presença, como em “El abrazo de amor del Universo, la terra (México). Diego, yo y el senõr Xóloti” (1933), e “Diego em mi Pensamiento” (1943), além de uma litografia, “Frida y el aborto” (1932). Imagens de Frida Kahlo estão presentes ainda nas fotografias de Nickolas Muray, Bernard Silberstein, Hector Garcia, Martim Munkácsi, e na litografia “Nu (Frida Kahlo)” (1930), de Diego Rivera.

 

Teresa Arqc destaca que os autorretratos e os retratos simbólicos marcam “uma provocativa ruptura que separa o âmbito do público do estritamente privado”. “Em alguns de seus autorretratos Frida Kahlo, Maria Izquierdo e Rosa Rolanda elegeram cuidadosamente a identificação com o passado pré-hispânico e as culturas indígenas do México, utilizando ornamentos e acessórios que remetem a mulheres poderosas, como deusas ou tehuanas, apropriando-se das identidades destas matriarcas amazonas”, afirma. “Impressiona constatar como estas artistas subvertem o cânone para realizar uma exploração de sua psique carregada de símbolos e mitos pessoais”, observa a curadora. A presença vigorosa de Frida Kahlo perpassa ainda a exposição pelas obras de outras artistas que retrataram a sua figura icônica, como Cordélia Urueta. Por meio da fotografia, destacam-se os trabalhos de Lola Álvarez Bravo, Lucienne Bloch e Kati Horna.

 

 

Mostra de filmes

 

A Galeria 1, no térreo da Caixa Cultural, também com entrada gratuita, será transformada em espaço de exibição de filmes sobre as artistas Alice Rahon, Rara Avis, Jacqueline Lamba, Leonora Carrington, Remedios Varo e Frida Kahlo. A programação se repetirá nos mesmos horários, ao longo da exposição, com os filmes:

 

10h30 – Alice Rahon (2012), 64’, de Dominique e Julien Ferrandou (Produção: Seven Doc)

12h – Rara Avis – Bridget Tichenor (1985), 21’, de Tufic Makhlouf

12h30 – Jacqueline Lamba (2005), 120’, de Fabrice Maze (Produção: Seven Doc)

15h – The Life and Times of Frida Kahlo (2005), 90’, de Amy Stechler (Produção: Daylight

Films e WETA, Washington DC, in association with Latino)

17h – Leonora Carrington (2011), 107’, de Dominique e Julien Ferrandou (Produção:

Seven Doc)

19h – Remedios Varo (2013), 64’, de Tufic Makhlouf (Produção: Seven Doc)

 

 

Atmosfera criativa

 

A confluência dos grupos de exiladas europeias, como a inglesa Leonora Carrington, a francesa Alice Rahon, a espanhola Remedios Varo, a alemã Olga Costa (nascida Kostakovski) e a fotógrafa húngara Kati Horna, e das artistas que vieram dos Estados Unidos, como Bridget Tichenor e Rosa Rolanda, permanecendo no México o resto de suas vidas, além de outras visitantes vinculadas ao surrealismo, atraídas pelas culturas ancestrais mexicanas, como as francesas Jacqueline Lamba e Bona de Mandiargues, e a norte-americana Sylvia Fein, favoreceu a atmosfera criativa intelectual e uma completa rede de relações e influências com Kahlo e demais artistas mexicanas. “A multiplicidade cultural, rica em mitos, rituais e uma diversidades de sistemas e crenças espirituais influenciaram na transformação de suas criações. A estratégia surrealista da máscara e da fantasia, que no México forma parte dos rituais cotidianos em torno da vida, a morte no âmbito do sagrado, funcionava também como um recurso para abordar o tema da identidade e de gênero”, explica Teresa Arcq.

 

Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake, observa que a mostra permite confrontar uma face desafiadora do surrealismo, em que “a intensidade, dramaticidade e subjetividade das obras dessas artistas tornam este conjunto inquietante até para aqueles mais familiarizados com o movimento, que originalmente surgiu na França na década de 1920, tendo como maior predicado a tentativa de escapar do império do realismo e da racionalidade, acenando para o inconsciente, o acaso e o onírico”. “Na produção das artistas conectadas ao surrealismo que passaram pelo México, os tópicos já consagrados na discussão do surrealismo se multiplicam e extravasam muitas fronteiras, o que se reflete em imagens pungentes e inesquecíveis por suas cores e traços impositivos, pelos elementos da cultura nativa mexicana, pelos gestos confrontadores e pelo desprezo por qualquer convenção do que seja o bom gosto burguês tradicional”, completa.

 

Sobre a curadora

 

Teresa Arcq, historiadora de arte, Mestre em Museologia e Gestão em Arte e em Arte Cinematográfica pela Universidade de Casa Lamm na Cidade do México, trabalhou como curadora chefe do Museu de Arte Moderna da Cidade do México entre 2003 e 2006. Foi co-curadora da exposição A Arte de Mark Rothko – Coleção da The National Gallery of Art, e de várias exposições do acervo permanente, destacando-se a de Remedios Varo. A partir de 2007, como curadora independente produziu para o Museu de Arte Moderna da Cidade do México Remedios Varo – Cinco Chaves, uma retrospectiva em comemoração ao centenário do nascimento da artista inspirada em seu livro homólogo; e Alice Rahon – Uma surrealista no México, que também foi apresentada no El Cubo, em Tijuana. Arcq é Professora de História da Arte no Centro de Cultura Casa Lamm. Publicou vários ensaios e faz palestras sobre arte moderna mexicana, movimento avant-garde europeu e mulheres surrealistas no México, Estados Unidos, Europa e Ásia.

 

 

 

De 29 de janeiro a 27 de março.

Wesley Duke Lee e Ricardo Camargo

10/dez

Em atividade há mais de quatro décadas, o marchand Ricardo Camargo, é um personagem reconhecido no cenário cultural brasileiro, e agora, celebra os 20 anos de sua galeria, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, com a exposição “Wesley Duke Lee” e, em parceria com Patricia Lee, inaugura o Wesley Duke Lee Art Institute, com o happening “A/TEMPORAL”.

 

 

 

 

A exposição

 

A mostra “Wesley Duke Lee”, composta por 35 obras do período entre 1958 a 2003, exibe trabalhos em técnicas variadas como desenho, pintura, gravura, têmpera, colagens e objetos, propiciando um passeio pela produção de Wesley Duke Lee, um dos grandes ícones da vanguarda brasileira. A diversidade de materiais e técnicas utilizadas permitem inúmeros destaques entre as obras selecionadas, desde a têmpera abstrata “Cloaca” de 1964 à sua última tela de 2003.

 

As obras, sutis e ao mesmo tempo impactantes, produzidas no Japão em 1965, oferecem a visão de Wesley Duke Lee aos elementos representativos da cultura local, em óleos com colagens sobre tela, aquarela e nanquim sobre papel japonês. Desenhos da “Série das Ligas”, de 1962, lembrada pela comoção causada após um happening em São Paulo estão presentes, bem como exemplares de “O Triumpho de Maximiliano I”, de 1966/1986, representando com delicadeza, a “procura da alma do mundo”.

 

 

O início da projeção internacional de Wesley Duke Lee se dá após a premiação na Bienal de Tóquio (1965), onde é também selecionado para a Bienal de Veneza (1966), com a primeira obra arte ambiental “Trapézio”. Durante sua permanência em Nova York, recebe um convite do diretor do Museu Guggenheim e é chamado a expor junto aos mestres do Pop-Art – Robert Rauschenberg, Jasper Johns e Oldenburg – na Galeria Leo Castelli. Os trabalhos representativos do período após seu retorno ao Brasil, que causaram grande impacto no circuito local com séries de quadros-esculturas, culminam com os espaços de seus ambientes tornando-se uma das mais originais contribuições à arte contemporânea brasileira, reconhecido por Helio Oiticica como um dos precursores da “nova objetividade”, lembra a historiadora Cláudia Valladão de Mattos.

 

 

Um dos principais destaques da exposição é o objeto/instalação “O/Limpo: Anima”, de 1971, da qual emana uma força da mistura de materiais díspares, contrastando com o espelho no qual o espectador vê a si mesmo.

 

 

“Sou um artesão de ilusões. O que realmente me interessa é a qualidade da ilusão. Se você conseguir atravessar o espelho e tiver a coragem de olhar para trás, você não vai ver nada”, declarou Wesley em uma de suas entrevistas. Com artistas como Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo e José Resende, foi um dos fundadores do Grupo Rex, que oferecia um contraponto combativo e bem-humorado ao mercado de arte, na década de 1960. Nesse período, foi também responsável pela realização dos primeiros “happenings” da arte brasileira.

 

 

A proposta única da galeria é aproximar do público “evidências de que foi com sofisticada erudição, verve, estilo e impecável desenho que Wesley Duke Lee realizou toda a sua obra”, define o marchand Ricardo Camargo que assina a curadoria.

 

 

 

O Instituto Wesley Duke Lee Art Institute

 

 

Cláudia Valladão de Mattos, em 1997, descreveu a casa/atelier de Wesley Duke Lee como sendo um lugar mágico: “Lá nascem as ideias e para lá volta sua memória. As paredes repletas de recortes, quadros, desenhos, fotos, objetos, que se agrupam e se sobrepõem num conjunto visual vibrante, chamam a atenção pela sua proximidade com a Merz-Bau de Schwitters. Sua casa é o núcleo unificador de sua produção. Um grande “ambiente”, habitado e constantemente transformado pelo artista. Aqui as “séries” encontram o seu ápice e a verdadeira natureza unitária da obra de Wesley torna-se evidente.”

 

 

Em 2013, Ricardo Camargo e Patricia Lee materializaram um dos sonhos máximos do artista: criar um espaço para fomentar cultura em São Paulo, dar oportunidade a novos talentos e abrir caminhos nas artes. Nascia então o Wesley Duke Lee Art Institute. Após um longo trabalho de garimpo e preparação do espaço com todos os pertences do artista, a casa/museu é entregue ao público, paredes revestidas de lembranças e inspiração. Paredes que contam histórias e revelam a personalidade do artista, que dizia: “Minha casa sou eu virado para fora”. Em meio ao que parece uma bagunça de objetos, um sistema de memória usado pelo artista, na verdade, uma organização de relíquias que remontam a vida e as referências de Wesley Duke Lee.

 

 

 

Os objetivos são claros:

 

  • Preservar a obra, a pessoa, a história e toda a informação referente ao artista, atentando para que tudo seja verificado e organizado corretamente;
  • Fazer circular conteúdo cultural e informativo;
  • Provocar o pensamento artístico e criativo, reinventar a didática à maneira de Wesley Duke Lee e estimular o autoconhecimento.

 

Estão reunidos na casa/museu, textos diversos, cartas, fotografias, filmes, diários, desenhos, fichas de catalogação de obras, livros, objetos e toda sorte de memorabilia do artista. Grande parte do arquivo já está à disposição de estudantes e pesquisadores. O espaço é totalmente dedicado ao Instituto e está aberto para estudantes, pesquisadores e público. “Estou certa de que todo esse trabalho vai, assim, difundir a obra de Wesley e colaborar no reconhecimento e preservação do valioso acervo que o artista nos deixou, confirmando-o na posição merecida de um dos mais importantes de sua geração, líder de vários movimentos e acontecimentos que marcaram e transformaram a arte do século XX no Brasil. Fique tranquilo, Mestre Wesley, sua obra permanece viva e consistente, e o tempo corre a seu favor”, declara Cacilda Teixeira da Costa.

 

 

 

A composição dos membros

 

Diretor Administrativo/Ricardo Camargo; Diretora Cultural/Patrícia Lee; Coordenador de Marketing/Rodrigo Avelar; Analista de Marketing/Julio Jovanolli; Conselho Consultivo/Augusto Lívio Malzoni, Bruno Musatti, Cacilda Teixeira da Costa, Carlos Fajardo, Fabio Cascione, Fernando Stickel, James Lisboa, Jeanete Musatti, José Resende, Kim Esteve, Luisa Strina, Lydia Chamis, Marcelo Cintra, Max Perlingeiro, Olivier Perroy, Paulo Kuczynski, Ralph Camargo, Regina Boni, Roberto Profili, Telmo Porto e Thomaz Souto Correa.

 

 

De 12 de dezembro a 30 de janeiro de 2016.